terça-feira, 21 de setembro de 2010

Capítulo 61 - Hora da decisão (Parte I)

Era meio-dia e Adriana saia dos estúdios depois de ter gravado o programa da Ellen que iria para o ar dois dias depois.
Ela estava nervosa mas tinha corrido tudo bem e a Ellen ficou rendida ao seu talento óbvio, que já começava a levantar fervor nas revistas e jornais norte-americanos.
Ela tinha combinado com Sara que se encontraria com ela e Diogo á porta de Juilliard pois ambos tinham uma reunião com o director para tratarem das matrículas e assinarem os contractos de permanência no colégio durante 5 anos.
Estavam os dois sentados na sala de espera e Diogo olhava Adriana e reparava na maneira como ela estava triste, como ela tinha os olhos rasos de lágrimas e tentava contê-las.
Nesse momento o Director Charles entra muito sisudo o que os intimida de certa forma.

- Miss Brown, I will be meeting with these young laddie and these young man and I do not want to be bothered – diz o director num tom monocórdico para a secretária – Follow me please! – diz virando-se para Adriana e Diogo que se levantam e o seguem imediatamente

Estavam os dois fechados no gabinete com o director há alguns minutos e já tinham ouvido todas as propostas, preenchido a matricula e só faltava assinar o contrato de permanência na escola.

- Take the contracts, read them well and return after lunch to sign the contracts – disse o director Charles e foi o que Diogo e Adriana fizeram despedindo-se do director

Seguiram ambos para o hotel, e o curto caminho que dividia o colégio e o hotel foram feitos em silêncio e com o contracto na mão.
Adriana chegou ao seu quarto e pediu uma tosta mista e um sumo de laranja natural, pelo telefone ao serviço de quartos, e sentou-se na sua cama a ler o contracto.
Aquelas alíneas todas a falarem em 5 anos de permanência obrigatória estavam a deixá-la doida mas o resto da leitura do contracto é interrompida por alguém a bater á porta.
Adriana corre para ir á sua carteira buscar uma gorjeta para o senhor do serviço de quartos e depois corre novamente até á porta e dá de caras com Diogo com o maior sorriso do mundo.

- O que é que estás aqui a fazer? – pergunta Adriana meio chateada e atirando a gorjeta para cima do aparador da entrada do quarto

- Preciso de falar contigo! Posso entrar? – pergunta Diogo

- Não não podes! – preparando-se para fechar a porta na cara dele

- Adriana! Vá lá! Prometo que não vou tirar muito do teu tempo… - promete Diogo de uma forma sincera

- Ok, mas só cinco minutos! – concorda Adriana bufando e entrando para dentro do quarto – Senta-te!

- Não é preciso obrigado! – fechando a porta atrás de si

- Então e vais desembuchar de uma vez por todas? – pergunta Adriana de uma forma pouco delicada

- Calma… Eu preciso de saber como é que tu e o David estão… - revela Diogo muito a medo

- Como é que eu e o David estamos?? Mas tu passaste-te foi? – grita Adriana muito exaltada

- Calma. Não me interpretes mal mas eu preciso de ter a certeza que já não sentes nada por mim… - diz Diogo aproximando-se de Adriana agora imóvel – Ter a certeza de que o meu toque não te incomoda mais… - Diogo toca-lhe na mão e Adriana nem sequer estremece – Que a maneira como eu olho para ti já não faz o teu olhar brilhar – Diogo estava muito próximo de Adriana e constata que o brilho nos olhos dela não existia mais – Que a tua boca já não pede um beijo meu… - Diogo coloca a mão no rosto de Adriana e aproxima os seus lábios dos dela ...

Capítulo 60 - Ellen? Ellen DeGeneres? (Parte II)

- Olá! Posso entrar? – diz Sara muito alegre

- Ah, és tu! Olá, claro entra! – diz Adriana mais calma

- Claro que sou eu! Quem é que haveria de ser? O Diogo queres ver? – diz Sara brincando e desconhecendo o passado dos dois

- Podia perfeitamente ser ele… - diz Adriana ao mesmo tempo que fecha a porta

- Porque é que ele viria aqui? – pergunta Sara curiosa ao mesmo tempo que se senta na cama

- Porque nós… nós somos ex-namorados… - revela Adriana cabisbaixa

- Hã? A sério? É que eu já achava que o clima entre vocês eram coisas da minha cabeça… - diz Sara num tom muito inocente

- Clima? Qual clima? Já não gosto dele… Já não namoramos á imenso tempo ele é que é idiota e acha que ainda me pode conquistar… - diz Adriana sentando-se ao lado de Sara

- E não pode? – pergunta Sara curiosa

- Não! – diz Adriana prontamente

- Hum… Estou a ver… Há outra pessoa… - sugere Sara frente á prontidão de Adriana num “não”

- Sim, há! – confessa Adriana

- Então e o Diogo não se manca que tens namorado? – pergunta Sara muito indignada

- Pois esse rapaz não é meu namorado… Conhecemo-nos há três meses e começamos a sair e agora que começávamos a acertarmo-nos eu recebi esta proposta e nem sequer tive a oportunidade de dizer que o amava antes de vir para aqui enquanto ele mo disse a mim milhões de vezes… - diz Adriana muito triste recordando alguns dos melhores momentos que passou com David

- Fogo! Que cena marada! E deixaste-o assim?

- Teve de ser… Isto é o meu sonho… - afirma Adriana tentando convencer-se das suas próprias palavras

- Se fosse mesmo o teu sonho havia um brilho no teu olhar e tu pareces estar aqui forçada – diz Sara

- Não é forçada mas é difícil deixar-mos para trás aqueles que amamos e eu descobri, pode ter sido tarde demais, mas eu descobri que ele é o homem da minha vida, pelo menos acho que é. Nunca me senti assim por ninguém… - diz Adriana com um brilho nos olhos

- Nem pelo Diogo? – pergunta Sara

- Muito menos pelo Diogo! – afirma prontamente Adriana

- Então o que é que estás aqui a fazer?

- A cumprir um sonho, acho. – diz Adriana sem ter a certeza das suas próprias palavras

- Eu sei! Essa parte eu percebi mas o que é que fazes aqui, sem ele? – pergunta Sara tentando que Adriana percebesse o que ela tentava dizer

- Não sei, sinceramente não sei! Custou-me imenso deixá-lo lá. Eu prometi que voltava e ele prometeu que esperava por mim… - confessa Adriana

- Mas ninguém espera para sempre por muito que ame uma pessoa – estas palavras de Sara bateram fundo em Adriana.

O seu corpo congelou, o seu pensamento bloqueou e os seus olhos inundaram-se de pequenas gotas de água salgada.
Só agora Adriana caíra em si. Sara tinha razão por muito que amemos uma pessoa não esperamos para sempre, e David não seria a excepção. Não se pode esperar por alguém para sempre sabendo que essa pessoa pode não voltar ou não tem prazo para voltar muito menos uma pessoa na condição do David, que a qualquer momento poderia precisar de mudar-se para outro país devido á sua profissão.
E com aquelas palavras Adriana já o podia imaginar a beijar outra boca que não a dela, a entregar-se a outra mulher que não ela, a casar-se e ser pai dos filhos de outra mulher que não seria ela, e por fim assim seria. A verdade surge depressa na cabeça de Adriana: David iria arranjar outra pessoa e Adriana que finalmente conseguira perceber que o amava, e ela estava convencida que o faria por toda a vida, iria ter de carregar esse sentimento por toda a vida, sem nunca ser correspondida.
E ela já sabia como doía ver alguém que amamos com outra pessoa, uma dor que matava por dentro que corroía a alma, e desvanecia o que de melhor havia em nós.

- Tens razão… Ele não espera toda a vida e se assim o for eu não volto! Deixo-o viver a vida dele… – diz Adriana controlando as lágrimas

- E achas que vale a pena arriscar sabendo que quando voltares ele pode já se ter cansado de esperar por ti? – pergunta Sara ainda num esforço para tocar Adriana com as suas palavras

“After all this time, I never thought we'd be here, Never thought we'd be here, When my love for you is blind, But I couldn't make you see it, Couldn't make you see it, That I loved you more than you'll ever know, and part of me died when I let you go…” o telemóvel de Adriana tocava.

Ela agarra nele e vê no visor que era David e então volta a pousá-lo sobre a mesa de cabeceira.

- Não vais atender? – pergunta Sara e Adriana responde abanando a cabeça como sinal de negação – É ele?

- Sim, é! – Adriana solta palavras estranguladas

- Devias atender… - aconselha Sara

- Não sei o que lhe dizer… Acho que não há nada para dizer… - diz Adriana olhando uma última vez para o telemóvel que entretanto parara de tocar

- És teimosa tu! – diz Sara levantando-se da cama

- Nem tu sabes quanto mas não te preocupes que nestes cinco anos vais ter muito que descobrir sobre mim – diz sorrindo e abraçando-se a uma almofada

- EI! Nem penses! Temos de ir á baixa! Senão o Director Charles mata-me! Tens de estar perfeita amanhã no programa, será um grande prestígio para o colégio! – anuncia Sara excitadíssima

- Vamos mais daqui a bocadin… - resmunga Adriana agarrando-se mais á almofada mas não consegue acabar o que queria dizer

- Nada disso! Anda! – Sara puxava-a por um braço mas Adriana não largava a almofada – Vá lá! – Sara dá-lhe um último puxão e Adriana quase cai da cama

- Fogo! Pronto eu vou! Eu vou! – diz Adriana rendida procurando a sua mala e ambas saem para as compras

O tempo tinha passado a voar, e por entre ensaios e compras Adriana chega ao quarto de hotel completamente estafada. Mas nem todo o cansaço que tinha a ajuda a dormir sossegada, Adriana dava voltas e mais voltas na cama. Arrependia-se de não ter atendido o telefone a David mas só o facto de ter ouvido a sua voz tê-la-ia feito mudar de ideias e apanhar o primeiro avião para Portugal.

“Foi melhor assim! Ele há-de encontrar alguém que o faça feliz! Há-de encontrar!” pensava Adriana enquanto controlava as lágrimas que lhe escorriam pela cara e acabavam ensopando a almofada

Adriana chorou de saudades, dos amigos, da família, mas especialmente de David, durante algumas horas até os seus olhos já cansados serem combatidos pelo sono e finalmente se fecharem entregues aos sonhos.

Capítulo 60 - Ellen? Ellen DeGeneres? (Parte I)

O aeroporto de Nova Iorque era naturalmente mais agitado que o de Lisboa, mas nem havia comparação possivel, não dava para ver nada, senão pequenas cabeças, que quanto mais se moviam mais parecia que se multiplicavam.
Adriana estava confusa e não via ninguém que conhece-se ou que a pudesse ajudar, era a primeira vez que ela viajava para tão longe e sozinha, e ela simplesmente não sabia como agir.

É ao longe, e depois de alguma atenção, que Adriana finalmente vê uma rapariga loira, de pele clara e olhos claros, a segurar um cartaz branco bem no alto que dizia “Welcome Adriana! Juilliard is waiting” em letras pretas grossas. Adriana percebe que provavelmente aquela devia ser a sua guia pois do seu lado já se encontrava Diogo.
Sim, Diogo! O nervosismo de Adriana aumentou só de pronunciar o nome dele mentalmente. Agora Adriana estava desarmada, num pais que não conhecia, sem as pessoas que a podiam proteger, sem David, ao pensar nisso entristece, e agora Diogo poderia fazer o que quisesse com ela. Voltar a manipulá-la, e Adriana sabia que não seria tão difícil assim ele consegui-lo pois se havia palavra que Diogo não conhecia era “desistir”.

- Hello, I’m Adriana! – disse Adriana esticando a mão para a cumprimentar

- Olá, eu sou a Sara! Podes falar português porque eu compreendo-te! – diz sara com um sorriso na cara e apertando a mão a Adriana, que parecia confusa – Eu sou estudante de Juilliard, sou filha de pai norte-americano e mãe portuguesa, e serei a vossa guia nos primeiros tempos

- Ok, obrigada – diz Adriana sorridente

- Bem, se calhar o melhor é irmos tratar de vos instalar e depois tu Adriana tens de ir comigo á baixa da cidade para irmos experimentar umas roupas… - diz Sara já
seguindo caminho com Diogo e Adriana atrás de si

- Umas roupas? Para quê? – pergunta Adriana muito baralhada

- Para ires ao programa da Ellen – declara Sara muito naturalmente

- Claro… ao programa da Ellen… - diz Adriana muito calma – Calma lá! Ao programa da Ellen? Da Ellen DeGeneres? – pergunta estupefacta

- Claro! – diz Sara muito descontraída continuando o caminho para sair do aeroporto

- Sempre quis assistir ao programa! – diz Adriana toda contente

- Não estás mesmo a perceber… Tu foste divulgada aqui nos estados unidos, saíste em revistas, jornais e a tua música já passou na rádio a pedido de Juilliard… Vais como convidada totó! – dispara Diogo secamente

- Não pode ser… Nah… - exclama Adriana incrédula

- Tanto pode que é! Agora deixemo-nos de conversa e vamos! – diz Sara apressadamente saindo a porta do aeroporto e chamando um táxi

Sara instala Adriana e Diogo, num hotel. Teriam de ficar ali nas primeiras duas semanas até as burocracias da mudança estarem prontas, e aí Adriana terminaria lá o 11º ano e o Diogo regressaria a Portugal e só viajaria definitivamente para Nova Iorque no inicio do 12º ano, pois assim eram as suas vontades.
Adriana estava delirante com a ideia de ir ao programa da Ellen mas por outro lado nada superava a felicidade que tinha sentido nos três últimos meses em Portugal… do lado de David. Sim, do lado de David, por muito que isso lhe custasse admitir.
Ela iria gravar o programa da Ellen no dia seguinte por isso teria de aproveitar muito bem o tempo que lhe sobrava para ensaiar a sua nova música para cantá-la no programa.
Adriana até estava bastante calma, queria encarar aquilo como só mais uma simples actuação.
Estava sentada na cama quando batem à porta.
O seu coração dispara e ela já imaginava quem podia ser.
A primeira pessoa que lhe ocorre é Diogo e faria todo o sentido, ele prometeu que não ia desistir e agora que se encontrava no quarto ao lado ele não iria perder essa oportunidade.
O seu coração batia descompassado, e a sua respiraçao estava ofegante ao mesmo tempo que os seus pés a encaminhavam para a porta vacilando e por fim, ela respira fundo, e com um único movimento abre-a.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Capítulo 59 - É agora! Adeus...

O relógio marcava as 01.07h da manhã e David dormia profundamente agarrando Adriana pela cintura e com ambos os rostos a escassos milímetros de distância.
Adriana olhava-o absorta em pensamentos.
Só agora reparara que David tinha uns sinais pequeninos muito engraçados na cara, que os seus caracóis ficavam ligeiramente mais claros nas pontas e que os seus lábios tinham um contorno ligeiramente mais escuro que a sua cor de preenchimento.
Os seus cantos da boca sobem ligeiramente ao constatar estes pequenos pormenores.
Ele podia não ser perfeito, mas eram os pequenos defeitos que ele tinha, que na verdade até nem eram muitos, que a faziam achar que afinal ele era sim perfeito! Como mais ninguém que ela conhecia, como mais ninguém á face da terra: Ele era perfeito!
Ela enrola o seu indicador num caracol dele esticando-o e solta-o provocando um efeito iô-iô que a deixa completamente deliciada.
Ela para, os seus olhos pousam novamente no rosto dele. Cada traço delicado, de um homem adormecido, mas que tão bem a fazia lembrar uma criança pequena dormindo.
Quando sentia movimentos em torno dele, ele encolhia-se ligeiramente, ou enrugava o nariz e mexia-se ligeiramente na cama, rodando no seu lugar.
Adriana solta um pequeno sorriso novamente. Ela gostava de puder adormecer assim ao lado dele, todos os dias, e puder acordar na manhã seguinte com a certeza de que ele continuaria lá, mas agora as suas noites seriam diferentes, cada vez mais solitárias, longe de casa, longe dos que ama.
Enquanto David dormia á algumas horas, Adriana ainda não tinha conseguido pregar olho e isso estava a deixá-la irritada.
Tira suavemente a mão de David da sua cintura para não o acordar, e sai da cama.
Mais valia ir fazer alguma coisa do que passar horas numa cama quando a intenção de dormir estava bem longe. Talvez fosse da culpa que lhe invadia a alma. Culpa, sim! Culpa de deixar os que amava, os que iriam sentir saudades suas, por causa de um sonho que podia não dar em nada, ela começava a reconsiderar senão estaria a ser egoísta.
Em pontas de pés encaminha-se até á casa de banho, abre a torneira e molha o rosto. Precisava de arrefecer todas aquelas ideias mas aquilo também não estava a ajudar. Volta á porta da casa de banho e vê que David continuar a dormir quieto que nem um anjo e então resolve ir até á sala.
Estava tudo às escuras mas as luzes do corredor, automáticas, sentem a sua presença e acendem-se. Adriana fecha um olho, pois os seus olhos ainda habituados á penumbra do quarto estranham tanta luminosidade.
Quando os seus olhos já estão suficientemente habituados ela acende a luz do tecto e atira-se para cima do sofá.
Aquela espera pela manhã seguinte estava a levá-la á loucura.
Por um lado ela queria que chegasse depressa pelo menos assim não teria tempo de mudar de ideias mas por outro quanto mais depressa o tempo passava mais perto ela estava de se ir embora.
Adriana estava sentada no canto do seu sofá em “L” e tinha uma almofada no colo, mas farta de pensar e repensar em tudo o que se estava a passar acaba por atirá-la para o chão.
Adriana, de olhos fechados, deixa a sua cabeça pender para trás, e ficar apoiada nas costas do sofá como sinal de desistência.
Sente então uns lábios quentes contra os seus. Ela reconhecia-os, e ainda que não fizesse o aroma quente e perfumado que invadia o ar denunciava David. Adriana corresponde ao beijo e sente-me mais calma. Não havia nada que a acalmasse mais que um beijo de David.

- Ah, e beija assim? E se fosse outro cara? – pergunta David fingindo-se chateado

- Eu sei que eras tu! Primeiro estamos sozinhos em casa e depois eu conheço o teu bei… - Adriana cala-se antes que dissesse demais e acabasse mais vermelha que um tomate

- Você ia dizer que conhece meu beijo? – pergunta David escondendo um sorriso matreiro nos lábios

- Sim… - assume Adriana meio a vergonha – Eu conheço o teu beijo! – David sorri-lhe, rouba-lhe mais um beijo e o coração de Adriana bate a mil no seu peito

- E tá acordada a uma hora dessa fazendo o quê? – pergunta David sentando-se do lado dela no sofá

- Sim, não tenho sono. Desculpa se te acordei mas tentei não fazer barulho… - desculpa-se prontamente Adriana

- Você não me acordou! Eu é que senti sua falta na cama e acabei despertando… Tá sem sono? - pergunta David passando-lhe a mão no rosto

- Sim, não consigo dormir… - diz franzindo o nariz

- Nem comigo do seu lado? – pergunta divertido

- Oh! Nada disso o problema não és tu sou simplesmente eu que não tenho sono… Deve ser dos nervos! – Adriana mente para não preocupar David

- Oh, vem cá meu anjo! – David puxa-a para si e Adriana fica um pouco encabulada por David a estar a abraçar em tronco nu

- Sabes que gosto muito de ti não sabes? – confessa Adriana olhando-o nos olhos

- Sei! – David solta um sorriso - E você sabe que eu te amo não sabe?

- É a minha única certeza! – sorri para David e encosta-se novamente no peito dele
- Vem! Vamos deitar-nos! – sugere David roçando o seu nariz ao de leve no dela como agradecimento pelas suas palavras que o tinham tocado

David levanta-se e puxa Adriana levemente atrás de si. Caminham ambos para o quarto, David segura Adriana pela cintura, abraçando-a por trás e ela segura-lhe nas mãos que se entrelaçam em torno da sua barriga.

- Vamos fazer uma corrida até ao quarto! Eu ganho! – diz Adriana divertida

- Nem pense eu ganho! – diz David desafiando-a – Fazemos assim quem perder tem de dar um beijo ao outro… nos lábios! – e sem Adriana puder dizer o que fosse ele desata a correr pelo corredor fora.
É David o primeiro a chegar ao quarto e Adriana chega poucos segundos depois dele.

- Assim não vale! É batota! – refila ela
- Não sei de nada! Só sei que você perdeu, agora paga!
- Idiota! – sorri e dá-lhe o beijo “prometido”

Ambos se deitam lado a lado, bem agarradinhos.

- Agora descansa, pequenina – diz David ao mesmo tempo que lhe faz festas no cabelo pondo a franja dela atrás da orelha esquerda

- Ei! Não aprendas esse vício do Ruben! As pequeninas chegam a muitos sítios onde as grandes não chegam! E não sou assim tão pequenina – David ri-se das palavras de Adriana e ela não consegue esconder também um sorriso tímido – Boa noite e obrigada por estares aqui comigo… - Adriana diz isto enterrando a sua cabeça no peito de David

- Não me agradece não! Eu faço isso por você. Boa noite meu anjo, relaxa! – diz passando novamente os seus dedos grandes pelos cachinhos de Adriana.
Desta vez Adriana acaba por adormecer nos braços de David e este só faz o mesmo quando tem a certeza de que ela apagou mesmo.



O sol começava a nascer, e o despertador do telemóvel de Adriana toca na mesinha de cabeceira e David luiz apreçasse a desliga-lo antes que Adriana acorde.
Ele levanta-se, veste apenas a t-shirt e segue para a cozinha deixando Adriana a dormir.
Ele prepara umas torradas, um sumo de laranja e uma salada de frutas, e coloca tudo muito bonitinho num tabuleiro.
Descalço, em boxers e só com a t-shirt vestida percorre o corredor e abre a porta do quarto de Adriana, entreaberta, com o pé. Ela continuava a dormir.
Ele pousa o tabuleiro na mesinha de cabeceira e resolve meter-se com Adriana.
Ela dormir de barriga para baixo, e tinha o lençol apenas a tapar-lhe as pernas, já devia ter dado umas vinte voltas na cama depois de David se ter levantado.
Ele senta-se na cama cruzando uma perna debaixo da outra e desvia-lhe o cabelo da zona do pescoço.
Muito carinhoso, começa a percorrer-lhe a espinha, desde a nuca até mais ao menos ao nível dos omoplatas, com beijinhos doces e ternos.

- Ó mãe! Só mais cinco minutos! Hoje não há aulas! – resmunga Adriana meio adormecida e David ri-se mas prossegue com a brincadeira – Oh mãe! Estás-me a fazer cócegas!

- Ai mamãe, mamãe! – sussura-lhe David ao ouvido

Adriana reconhece-lhe a voz e vira-se de barriga para cima.

- Bom dia, dorminhoca! – diz David com um enorme sorriso na cara

- Hum… - Adriana espreguiça-se ligeiramente – Bom dia, brasuca lindo! – Diz Adriana soltando um sorriso tão grande ou até mesmo maior do que o de David e sentando-se na cama

- Uma dose reforçada para a mulher mais linda do mundo! – diz David colocando o tabuleiro de pernas em cima da cama.

- Se a tua mãe te ouvisse matava-te mas obrigada – diz Adriana brincado – Eish! Não era preciso este exagero de comida – reparando no montes de torradas, nos dois sumos e nas duas taças de salada de frutas que estavam no tabuleiro

- O que você não comer eu como! – diz David muito descontraidamente

- Hum, Hum! Não me digas! – ironiza Adriana

- Ah ah que piadinha! – diz David preparando-se para lhe roubar um beijo mas ela trava-o colando o indicador sobre os lábios deles

- Não há beijos para ninguém enquanto eu não lavar os dentes! – diz gozando com ele

- Você tá de sacanagem comigo! – diz ele meio chateado

- Nada disso! Come a cala-te que isso é fome! – diz Adriana dando uma dentada numa torrada

- Nem unzinho? Só assim um pequenininho? – sugere David fazendo beicinho

- Ei, nem venhas com esse beicinho! Comigo não resulta – tentando manter-se indiferente

Adriana não resiste e dá-lhe um beijo

- Tava te sacaneando brasuca lindo! – diz Adriana tentando imitar muito a custo o sotaque dele e David ri-se

O resto do pequeno-almoço é tomado na cama, entre brincadeiras e conversa.
Depois de uma hora, estavam prontos para sair de casa e ir para o aeroporto onde todos a deviam esperar dentro de meia hora.



10.15 h, aeroporto:

-Vá! Já faltam dez minutos para o teu voo tens de ir andando! Chega de choradeiras! – dizia a mãe de Adriana separando-se de um abraço – Quando chegares lá liga!

- Sim mãe, não te preocupes que eu ligo! – diz Adriana descansando a sua progenitora e avançando para abraçar o pai – Não te preocupes que eu volto! Escusas de estar ai já com a lagrimita no canto do olho. Já sei que sou a menininha do papá – sorri

“Chamada para o voo 254 com ligação Lisboa – Nova Iorque”

- É o teu – dispara Ruben nostálgico e não contente com os já 50 abraços que tinha levado

- Eu sei! Anda cá ó! – Adriana abraça-o novamente – Vou ter saudades tuas! Porta-te bem! E boa sorte para o campeonato!

- Também vou ter saudades tuas e se formos campeões não vai ser tão engraçado sem ti! – pragueja Ruben

- Não te preocupes que eu vejo na televisão e ligo-te logo! Prometo – diz Adriana separando-se do abraço e olhando para David que era o único da fila que faltava abraçar

- Vou ter saudades tuas… Muitas… - diz Adriana chegando-se perto de David com os dois rostos quase colados

- Também eu meu anjo! – os olhos de David brilhavam

- Eu vou voltar! – Diz Adriana passando com a mão no rosto dele e chorando

- Eu vou ficar esperando por você! – promete David abraçando-a

- Eu amo… - Adriana iria finalmente pronunciar o que David tanto ansiara ouvir mas é interrompida

“Última chamada para o voo 254 com ligação Lisboa – Nova Iorque!”

- Tenho de ir! – diz Adriana já sem coragem para prosseguir com a sua declaração – Amo-vos pessoal! – e dizendo isto olha nos olhos de David esperando que ele percebesse o que ela queria dizer

- Nós também! Vai com cuidado! – avisava a mãe preocupada

- Quando chegares avisa! – avisava Ruben cauteloso

- Adeus! Beijinhos! – dizia Adriana afastando-se, olhando sempre para trás com as lágrimas nos olhos e acenando para todos, que faziam o mesmo

Adriana seguia em frente, já via a porta de embarque. Olha uma última vez para trás e vê David, os pés dela fincam o chão e ela sente-se incapaz de seguir em frente.
O seu corpo congela, e num impulso Adriana volta atrás até junto de David que estava ligeiramente mais avançado que o resto da família.
Adriana coloca as duas mãos no rosto dele, mesmo a que segurava a passagem, coloca-se em pontas de pés, era a única maneira de o conseguir fazer e beija-o.
Mesmo em frente aos seus pais, aos seus amigos, ela fá-lo!
Os lábios deles encaixam-se num beijo suave e perfeito.
Adriana encara-o uma última vez

- É agora! Adeus! - diz adriana em palavras estranguladas pelo choro e desata numa corrida em direcção á porta de embarque.

Ás lágrimas corriam-lhe pela cara e duas lágrimas gordas borram ligeiramente as letras da passagem que ela segurava firmemente nas suas mãos.
Ela não consegue olhar mais para trás, ela sabia que se o fizesse acabaria por mudar de ideias por isso entrega o bilhete á assistente de bordo, tentando forçar um sorriso, e entra na porta de embarque, sem ver mais ninguém, tendo como última imagem David olhando-a, embarca completamente lavada em lágrimas.
O avião levanta voo. Estava feito! Ela foi-se embora e não havia volta a dar.

domingo, 19 de setembro de 2010

Capítulo 58 - O que é que seria de mim sem ti?

David estava sentado no sofá e Adriana procurava nas gavetas do móvel do telefone, uma carta do banco onde pudesse ver o seu NIB para puder reservar a passagem para o dia seguinte.

- Malditas cartas, quando preciso nunca aparecem! – praguejava ao mesmo tempo que David se ria das suas figuras – E tu não te rias! Não tem graça! – ela desvia esporadicamente o olhar para ele mas volta a concentrar-se nas gavetas abrindo-as e revirando-as num ritmo frenético

- Ei, se acalma! – David levanta-se e olha para um molho de cartas em cima da mesa de jantar e agarra numa – Essa daqui serve?

- Mostra! – tira-lhe a carta da mão e vê-a – Sim, esta serve perfeitamente! Obrigada, o que seria de mim sem ti! – sorri feliz

- Nada, meu anjo, você não seria nada! – acrescenta sorrindo

- Eish! Convencido! – diz ao mesmo tempo que agarra no portátil e se senta no sofá

- Deixa eu tratar disso pra você Adriana, por favor!

- Não! Nem pensar! É como se estivesses a assinar a minha ida! – diz nostálgica

- Nada disso! Pelo menos assim tenho a certeza de que horas você parte e posso me despedir de você…

- Como tu mesmo me ensinas-te: Isso é sacanagem! – tentando a esforço imitar a pronuncia dele ao passo que este se ri á gargalhada

- Eu tinha de ter a certeza! Não podia deixar você ir assim sem me despedir de você – disse ele num tom de voz sincero mas sem conseguir esconder uma certa tristeza no olhar

- Tudo bem, então tu marcas ai a passagem de avião no pc que eu vou começar a fazer as malas…

- Pode confiar! Mas então eu vou com você lá para o quarto, eu fiquei para fazer companhia e não vou desgrudar de você nem dois minutos! – diz David com um enorme orgulho no olhar

- És mesmo tonto! – seguindo para o quarto mas não sem antes lhe dar uma belinha suave na testa, que lhe provoca um sorriso muito doce e ele segue-a até ao quarto.

Já no quarto de Adriana, esta tentava decidir que malas iria levar enquanto David, sentado na cama dela com o portátil no colo, entrava no site da Tap para conseguir reservar a passagem dela para o dia seguinte.

- Você vai levar essas malas todas – Desvia o olhar do computador mas volta a concentrar-se na sua tarefa.

- Claro que não! Por acaso chamo-me David Luiz? – provocando-o

- Ei, não é preciso ofender gatxinha! – num tom de voz provocador

- Oh peço desculpa! Claro que não vou levar estas malas todas estou só a tentar perceber qual é a melhor… - Diz ao mesmo tempo que segura numa mão uma trolley preta pequena e noutra uma encarnada grande

- Leva a encarnada! É maior… Olha só há passagem para Nova Iorque amanhã às 10h25m a fazer escala em Filadélfia – diz David sem tirar os olhos do monitor.

- Hum… Não há sem escala? – dizia sem tirar os olhos da mala na qual começara a por as primeiras roupas

- Não, e depois ainda há um que faz escala em Filadélfia e Buffalo e só depois Nova Iorque…

- Então reserva o primeiro se faz favor David!

- Ok, já tá! Já paguei! – diz David fechando o portátil – Precisa de ajuda aí arrumando suas coisas?

- Não é preciso! Eu faço isto num instantinho… Não vou levar muitas coisas, só essencial! – colocando mais umas quantas camisolas dentro da mala.

“After all this time, I never thought we'd be here, Never thought we'd be here, When my love for you is blind, But I couldn't make you see it, Couldn't make you see it, That I loved you more than you'll ever know, and part of me died when I let you go…” – o telemóvel de Adriana tocava na mesinha-de -cabeceira e David passa-lho.

– Obrigada! – segurando nele e atendendo – Olá Débora! Sim, estou em casa. Sozinha? – olha confusa para David que fazia sinais com a cabeça dizendo que sim – Sim, sim estou sozinha… Não estou nada a mentir! Achas? O David? Naaaaa! Trouxe-me a casa e foi-se embora – David ria-se que nem um perdido deitado na cama de Adriana – Sim, estou a fazer as malas – David levanta-se e estava de volta de Adriana dando-lhe beijinhos nas orelhas – Sim! – Adriana tenta controlar o riso – Quer dizer não! Não é preciso ajuda… Sim de certeza! – Adriana dá uma sacudidela nos caracóis de David para tentar afastá-lo – Pára! Não não és tu Débora! É… É a minha bola de futebol que me fugiu do armário que rolou foi isso! – Adriana mentia descaradamente mas fazia-o por uma boa causa.

- Desliga vai! – David sussurrava ao ouvido de Adriana e tenta tirar-lhe o telemóvel da mão

- Olha, eu tenho de me despachar porque tenho ainda coisas para arrumar – David beija-a no pescoço e um arrepio, que a desconcentra, percorre-lhe a espinha – Voo? Qual voo? Ah claro o meu voo! – David ri-se muito divertido de Adriana – Parte ás 10h25m! Sim, sim. Então até amanhã! – Desliga a chamada – Estás parvo? Ela por pouco percebia…

- Me desculpa, mas foi muito engraçado! – diz David com um enorme sorriso estampado na cara.

- Claro… Que não! Porque é que estavas a fazer aqueles sinais com a cabeça? – pergunta ela curiosa apesar de já saber a resposta

- Porque eu queria ficar sozinho com você… - ele confessa meio envergonhado

- E eu não mando nada? – provoca-o

- Você é que pediu para eu ficar, pensei que queria ficar sozinha comigo mas se mudou de ideias ai eu posso ir andando… - levanta-se fingindo que se vai embora

- Na Na ni na não! – Adriana corre e agarra-o por trás das costas abraçando-o – Fica parvo!

- Hum… Não está me convencendo… - tenta andar mas ela agarra-o

- Fica! Vai haver filme e pipocas… - alicia-o

- Ah, isso muda tudo! – vira-se muito sorridente para Adriana

- Ah! Como já há filme e pipocas ficas! Que consideração senhor David Luiz Moreira Marinho! – diz com um tom de birra na voz

- Adoro o jeito que você fala meu nome completo… - diz David babadíssimo

- David… Luiz… Moreira… Marinho! – provoca-o

- Não faz assim… - ele adverte-a

- Porquê? – faz uma cara provocadora abrindo os seus enormes olhos castanhos e David cede

Ele beija-a levemente nos lábios, mas Adriana não contente, procura algo mais no beijo.
Eram os últimos momentos que passariam juntos por isso porque não aproveitá-los bem?
Adriana provoca David e passa com a sua língua no lábio inferior dele e David estreme mas corresponde, e as suas línguas iniciam uma dança ritmada e muito apaixonada.
Param de se beijar e Adriana cora e prende os olhos no chão, e aquele jeitinho de criança deixa David completamente deliciado.

– Meu anjo, você pode olhar ao menos para mim quando a gente se beija?

- Desculpa… Mas não quero que me vejas assim toda vermelha… - ela olha de relance para ele e volta a desviar o olhar

- Eu até gosto de te ver assim sabe… Toda envergonhada… - diz ele muito satisfeito e num tom brincalhão

- Sim, pois! Tem cá uma piada!

- Olha sabe o que é que tinha piada, a gente comer que eu tou morrendo de fome… entre tanta mala já tá na hora do jantar…

- Desculpa! Esqueci-me completamente… - admite olhando para ele

- Eu não queria abusar… Mas é que o meu estômago está roncando de tanta fome…

- Sim, eu sei! Coisa de jogador! O meu melhor amigo também é um esqueces-te?

- Pois Adriana mas o que eu como comparado com o Ruben, o que ele come não é nada! – brinca David

- Comida é coisa que não falta! Queres comer alguma coisa em especial? – avançando para o corredor

- Hum… Qualquer coisa para mim está bom! – diz divertido seguindo-a e encolhendo os ombros

- Hum… Bacalhau com natas? – sugere Adriana

- Sim, parece óptimo!

Juntam-se os dois na cozinha, e por entre brincadeiras, carinhos e algumas trapalhadas de David, eles acabam por conseguir confeccionar o jantar.
Sentam-se á mesa e durante o jantar discutem o que irão fazer para passar o serão e David sugere cobrar o filme que ela prometeu.

Já eram 21 horas quando Adriana mete a passar o filme “Como perder um homem em dez dias”. Ela não se cansava de ver aquele filme, era capaz de jurar que já o tinha visto no mínimo umas vinte vezes.

- Você gosta mesmo desse filme moça! – reparando na forma atenta como ela o via

- Adoro! – continuando vidrada na televisão – Acho que é o meu preferido!

- Há um monte de coisas que você ainda não me contou sobre você… - desabafa meio tristonho

- O que é que queres saber? Algo em especial? – pergunta agora olhando para ele

- Sei lá, as coisas normais… A sua cor preferida, clube de futebol, número favorito, data de aniversario, sei lá um monte de coisa…

- Hum… Então pergunta e eu respondo… - colocando as pernas sobre o colo dele e pondo o filme em pausa

- Hum… A sua cor favorita?

- Hum… Vermelho! Óbvio! A tua?

- Azul… Mas também gosto de vermelho – Ambos se riem e conversa prossegue – O seu numero favorito?

- 23! Não é por ser o teu número mas já o era antes de seres jogador na luz… E o teu vou pressupor que é o 23…

- Claro! Clube… Isso nem é preciso perguntar… Data de aniversário? – pergunta curioso

- 18 de Novembro! A tua eu sei! 22 de Abril! – David sorri orgulhoso por ela saber a sua data de aniversário

- Comida favorita? – pergunta ele com o mesmo entusiasmo

- Hum… Picanha com arroz e feijão! Mas a lasanha de legumes também anda perto… e tu? - sorri divertida

- Bife com angu!

- Eu sei o que é mas nunca provei… - confessa-lhe sorrindo

- Você tem de provar o da minha mãe é o melhor do muuuundo! – diz orgulhoso

- Filho babado! – goza com ele

- Com muito orgulho! – Adriana boceja – Quer se ir deitar?

- Já? Queria ficar mais um bocadinho contigo…

- Mas a gente tá junto na mesma… Eu fico perto de você prometo!

- Mesmo? – pergunta desconfiada

- Duvida de mim?

- Nunca! – um sorriso rasgado inunda-lhe o rosto e ela atira-se nos braços dele ficando de joelhos no sofá

- Vá vamos deitar você!

Estavam ambos no quarto dela, David iria de dormir de boxes e ela numa camisa de dormir fresquinha. Adriana enfia-se na cama e esperava que David fizesse o mesmo mas este apenas se senta na beira da cama a olhar para ela.

- Que foi? – pergunta ela sentando-se na cama

- Nem acredito que você vai embora… - diz muito triste

- Ei! Então? – coloca-se de joelhos na cama e rasteja-se até chegar junto dele e agarra-lhe nas mãos – Não fiques assim!

- É difícil! Eu gosto mesmo de você e você vai e não sabe se volta…

- David… Oh Bolas! Assim vais-me fazer chorar! – diz virando a cabeça para cima tentando conter as lágrimas

- Me desculpa não queria fazer isso para você, já posso imaginar o quanto está sendo difícil… - faz uma festa carinhosa no rosto dela

- Vem deitar-te anda! – ela beija-o levemente nos lábios

David coloca a mão na cintura dela e corresponde ao beijo.
Antes de puderem pensar muito mais estava David sentado na cama, com Adriana no seu colo, ele com as mãos em torno da sua cintura e ela em torno do pescoço dele e beijavam-se.
Adriana começava a perceber o que sentir por David, e começava a ganhar coragem para o admitir mas agora era um pouco tarde.
Adriana vai empurrando David para trás e ficam os dois em cima da cama, e ela em cima dele beijando-o enquanto passava a mão pelo peito e pela barriga definida de David. A posição muda e agora era David que estava por cima e os lábios deles não desgrudavam.
Aquela sensação era boa demais e nem Adriana nem David queriam que ela acabasse mas tinham a perfeita noção que aquilo não poderia passar dali porque ela ia-se embora e aquela não seria a memória apropriada para terem como última. Param de se beijar antes de as coisas já fossem demasiado avançadas e fosse impossível voltar atrás.

- Desculpa mas eu vou-me embora e não acho correcto… - diz ela passando os seus dedos sobre os lábios que David até á segundos beijava

- Não tem mal não, você está certa. Não é o certo a fazer… - diz ele muito compreensivo

- Podes dormir comigo? – pede carinhosamente a ele

- Claro meu anjo! Tudo o que você quiser! – diz puxando os lençóis para trás e roçando levemente o nariz no dela o que a deixa com uma expressão maravilhada

Eles acabam por adormecer nos braços um do outro. Podiam não se ter entregado um ao outro fisicamente mas sabiam que de uma maneira ou de outra, longe ao perto, pertenceriam sempre um ao outro, porque era assim que estava destinado ser.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Capítulo 57 - Ficas comigo?

Em casa de Adriana, David entrava carregando as coisas dela, que pousa numa pequena mesinha baixa na entrada e Adriana carregava a sua mala de ombro que também pousa mas no sofá.

- Obrigada por tudo! – agradece ela com um brilho nos olhos e um grande sorriso.

– Não tem de agradecer! Foi de coração e você sabe disso – diz sorrindo descaradamente

– Eu sei… - sorrindo novamente

– Bem então eu vou indo… - vai-se aproximando da porta

– Desculpa lá este trabalho todo! – diz ela desculpando-se

– Sem problema!

– Dizes sempre isso, David!

– É a verdade! Amanhã vou no aeroporto me despedir de você, depois manda mensagem dizendo a hora do voo por favor…

– Não quero que vás… - pede ao mesmo tempo que deixa de o encarar enterrando o seu olhar no chão.

– Ei! – colocando a sua mão no queixo dela e obrigando-a a olhar para si - Não faz isso não! Se você não me disser quando parte eu vou ficar muito magoado com você…

– Mas assim vai ser pior… Vai-me custar mais partir… Odeio esta cena do adeus.

– Não é um adeus é um até breve, Adriana.

– Claro! Como se quando eu voltar daqui a um ano, cinco se tudo correr bem, tu ainda aqui vais estar… - a voz dela entristece-se

– Quem sabe! O futuro só a deus pertence!

– Então parece que ele já decidiu o meu… É melhor ires…

– Mas você me diz quando parte certo?

– Talvez… Adeus David! (beija-o no rosto)

– Até breve Adriana! (beija-a no canto da boca e ela estremece)

David sai e Adriana preparava-se para fechar a porta de casa quando o vê entrar no elevador.
Seria a última vez que o via, pois ela não fazia tenções de lhe dizer a que horas iria partir.
Um impulso percorre-lhe o corpo e ela apressa-se para travar a porta do elevador antes de esta se fechar e iniciar a descida.

– Que foi? Esqueci alguma coisa em sua casa? – diz ele soltando um sorriso completamente irresistível, daqueles sorrisos que só ele sabia fazer e que tão bem a arrepiavam

– Sim… - ela faz uma pequena pausa no discurso para ganhar coragem e prosseguir - Esqueceste-te de mim!

Adriana avança para dentro do elevador e beija-o.
David não recusa. Eles nunca se haviam beijado daquela maneira. Talvez o fizessem agora porque era o derradeiro beijo. O último!
Não havia volta a dar, Adriana ia-se embora e David ficaria, e quando esta voltasse, se voltasse, talvez fosse David que não estive mais cá. E talvez estivesse destinado a ser assim, os seus destinos cruzavam-se mas não estavam destinados a caminhar juntos, e eles jamais se voltariam a encontrar, por vontade de Deus ou quem sabe do destino.
Por isso Adriana beijava-o sem pensar em mais nada, em mais ninguém.
Eles beijavam-se e o elevador descia andar por andar.
O calor dos lábios de David aquecia os lábios frios, de tanta ansiedade, de Adriana.
Ela passava a mão nos caracóis dele ao mesmo tempo que o beijava e ele passava-lhe a mão no rosto, em carinhos e carícias apaixonadas.

“Tim” ouve-se

A porta do elevador abrira-se e por sorte não estava ninguém.
Adriana separa os lábios dos dele, mas ambos os rostos se mantêm encostados e os lábios a escassos milímetros de distância ao passo que David lhe segura o rosto entre as suas duas mãos grandes e muito quentes.

– Estamos no piso zer… - disse agarrando os pulsos de David enquanto este lhe segurava o rosto

– Não fala nada! - interrompendo-a e carregando novamente no andar de Adriana e as portas do elevador fecham-se novamente

Adriana e David ficam assim, colados, até chegarem ao andar onde ficava o apartamento de Adriana.
Saem para fora do elevador, sem dizerem absolutamente nada, e Adriana encosta-se á parede com David á sua frente segurando-lhe na mão direita.

– Ficas comigo? Só hoje…

– Você quer que eu fique? – sem conseguir esconder um tom meio surpreso na sua doce voz

– Sim, já é mau o suficiente ter de me ir embora quanto mais ter de passar as últimas horas antes de ir sozinha… Mas também não quero que te sintas obrigado a ficar só por pena, deves ter coisas para fazer até porque amanhã á tarde vais para o estagio pré-jogo por isso… - diz num tom de voz melancólico

– Nada disso! Se você quer eu fico! – sorrindo como já era habitual

– Obrigada! – ela sorri-lhe também como sinal de agradecimento

David ia inclinar-se para beijar Adriana mas são interrompidos pela D. Joana.
A D. Joana era uma senhora já idosa, que morava sozinha mais o seu gato, e que lá de mês a mês recebia uma visita dos seus filhos, era assim desde que o seu marido morrera. Ela era aquilo que se pode apelidar de uma autêntica figura. Devia ter pouco mais do que um metro e meio, era magra, os seus cabelos grisalhos sempre presos num puxo que ficava mesmo no topo da sua cabeça, rugas de sabedoria que lhe fincavam um rosto especialmente na zona dos olhos e da testa, sempre bem vestida, com as suas saias pelo joelho, e as suas bonitas camisolas, sempre em tons escuros pois ela era uma mulher de tradições, que manteria o luto do marido até que a hora de se juntar a ele chegasse. Apesar de terem muitos anos de diferença Adriana e a D. Joana eram capazes de conversarem durante horas, quando esta a convidava a jovem para nas tardes de domingo ir a sua casa beber um chá e comer um bolinho, uma vez que D. Joana para além de simpática era uma cozinheira de mão cheia.

– Olá, menina!

– Olá, D. Joana! – diz meio envergonhada devido á situação em que se encontrava
– Continuem lá á vontade que eu vou já para dentro de casa

As palavras da velhota provocam um riso em David, mas ele é obrigado a conter-se pois Adriana dá-lhe uma leve cotovelada

– Oh D. Joana! – adverte-a em tom de brincadeira

– Ah é verdade! Muitos parabéns menina! Vi a notícia sobre si na CARAS!

– Obrigada D. Joana!

– Vai quando?

– Amanhã… - e o sorriso no rosto de David desvanece com estas palavras - E fico já por lá…

– Já não volta mais menina? – uma certa tristeza apodera-se da sua voz

– Volto sim! Daqui a um ano, se tudo correr como esperado então só daqui a cinco. – e ao mesmo tempo que o diz conforta David apertando-lhe a mão suavemente

– De certeza que vai valer a pena. Olhe não se esqueça é que depois, quero um autógrafo seu quando for famosa! – erguendo o polegar no ar e agitando-o

- Quando regressar terei todo o prazer em dar-lho D. Joana. – afirma a jovem muito sorridente

– Oh minha querida, daqui a cinco anos já terei ido para os anjinhos… - ao mesmo tempo que o diz revira os olhos para o céu

– Não exagere não é assim tão velha!

– Oh minha querida mas com 65 anos o corpo já não perdoa…

– Ai de você que não esteja cá quando eu voltar, mas ai mesmo! – brincando com a idosa

– A ver vamos! A ver vamos! Bem então faz boa viagem minha querida que eu vou indo para vocês continuarem o que quer seja que estavam para aí a fazer…

Os três riem-se e D. Joana entra em casa.

– Bem vamos entrar David! – diz olhando-o nos olhos e sorrindo

– Também acho melhor! – ambos soltam gargalhadas e entram em casa muito divertidos.


P.s - Como devem ter reparado mudei o meu registo de escrita de Guião para mais literário, devido a uma sugestão de um leitor. Para mim é-me igual escrever de uma maneira ou de outra por isso agradecia que vocês nos vossos comentários deixassem a vossa opinião sobre qual das maneiras preferem. Beijinhos e Obrigada :)

Capitulo 56 - Já as saudades...

Adriana acabou de arrumar as suas coisas e já eram cinco e meia da tarde.
David ficara do seu lado todo aquele tempo, sentado na cama, a olhar para ela enquanto ela, triste e tentando conter algumas lágrimas, se preparava para ir ter com os seus pais e avós e contar-lhes a (boa) nova.

Adriana – Já tenho tudo arrumadinho!

David – Tem certeza?

Adriana – Sim! Estou mais do que pronta! (fechando o saco) Tenho de ir só falar com os meus pais e avós e vamos para Lisboa!

David – Vai sozinha?

Adriana – Sim, vou bem sozinha não te preocupes.

David – Tem certeza? Eu quero ir com você…

Adriana – David, não vamos aproximarmo-nos agora que eu estou para me ir embora… Só nos vamos magoar.

David – A gente devia era aproveitar… Por favor! Deixa eu apoiar você nesse momento!

David faz uns olhos e usa uma voz serena e calma, mas quase que imploradora, a que Adriana não conseguia resistir.

Adriana – Tudo bem, vais comigo mas esperas cá fora.

David – Como você achar melhor…

Adriana – Vamos então! (agarrando na sua mala de ombro e no seu saco de viagem)

David – Deixa que eu levo isso para você! (tirando-lhe o saco de viagem da mão, transportando-o e usando a outra mão para agarrar a de Adriana)

Adriana – Obrigada! (sorri envergonhada)



Porta casa da Família Vale:

Ruben – Vens Adriana?

Adriana – Sim claro! (olhando para Ruben e em seguida vira-se para David) Não leves a mal de eles entrarem e tu não mas não te quero demasiado envolvido nisto…

David – Eu entendo… Eu espero vocês cá fora. Até já! (dá-lhe um beijo na testa)

Adriana – Até já (desanimada afasta-se de David e caminha lado a lado com Ruben)



Casa dos Vale:

Estavam todos sentados, os pais de Adriana num sofá ao lado da avó, e o avô num cadeirão grande, já Ruben e Adriana permaneciam sentados num sofá mesmo em frente a todos os outros.

Adriana – Precisava de vos contar uma coisa…

Isabel – Está tudo bem, filha?

Adriana – Sim está. Não é nada de grave. (Ruben dava-lhe a mão e aperta-a para lhe dar coragem para continuar) Fui aceite em Juilliard…

Os pais ficam radiantes mas reparam na expressão esmorecida de Adriana.

Francisco – Não estás feliz, filha?

Adriana – Estou pai! Claro que estou! Mas parto amanhã… Tenho de me ir matricular e já não volto… Vou pedir equivalência para terminar o 11º ano lá.

Avó – Ma bela, tu não querias entrar aqui na faculdade?

Adriana – Vero nonna, mas eu sempre quis entrar em Juilliard e tive de escolher entre alguma coisa… Acho que nesta altura muito pouca coisa me faria mudar de ideias…

Avó – Vamos ter saudades tuas… (emociona-se)

Avô – E quem irá montar o Sultão? (emociona-se também)

Adriana tentava controlar as lágrimas e manteve o sangue frio.

Adriana – Eu posso ficar! (mudando de ideias)

Avô – Nada disso! Tu vais seguir o teu sonho! Vais para Nova Iorque!

Adriana – Não deixo vos deixo assim! (levanta-se revoltada e com os olhos cheios de lágrimas)

Avô – Sou eu que te estou a pedir…

Adriana – Não posso deixá-los aqui!

Avô – Ouve, mesmo que ficasses nada iria mudar… É o teu sonho!

Adriana – Oh avô! (abraça-se a ele)

Avô – Quando voltares estaremos á tua espera…

Adriana – E eu vou voltar!

Avô – Vá agora vai e boa viagem!

Adriana – Obrigada avô! (chora)

Despede-se de todos e sai porta fora com Ruben atrás de si.
David que estava dentro do carro vê o estado de Adriana e sai rapidamente na sua direcção.

David – Que aconteceu? (abraça-a e afaga-lhe a nuca com a sua enorme mão quente)

Adriana – Ainda agora os deixei e já estou cheia de saudades apesar de saber que amanhã os irei ver no aeroporto…

David – Tem calma, meu anjo… (olha para Ruben que parecia tão desesperado como Adriana)

Adriana – Eles querem que apesar da distância e saudades eu vá para Juilliard na mesma… Não sei se quero…

David – É o seu sonho certo?

Adriana – Sim… (soluça)

David – Então vale a pena lutar! Vá agora vamos buscar os outros e as nossas coisas, você vem comigo que eu te deixo em casa.

Adriana – Sim… (chorosa)