- Não tou entendo… Eu já falei p’ra você que estou sempre que posso com você… - declarou novamente não percebendo ao que me estava a referir
- Não em estou a referir a isso bolas! – gritei até ficar ofegante e fiz uma pausa para recuperar o fôlego – Eu estou-me a referir á merda da festa! Eu sou tua namorada David! Pensava que no mínimo, mesmo que não me convidasses porque os teus pais lá estão e é muito cedo para nos apresentares, me ias falar sobre isso e explicares as tuas razões, mas não! Continuas a agir como se nada se passasse! Como se não existisse merda de festa nenhuma! – David ia falar mas interrompi-o antes disso – Ou melhor tu não finges que a festa não existe finges é que eu não existo! Que não sou tua namorada! – e foi inevitável
As lágrimas que estavam controladas voltaram a precipitar-se pelo meu rosto.
Ele olhava-me desesperado perante o meu choro impaciente e incontrolável. Veio na minha direcção e as mãos dele, enxugaram as minhas lágrimas, lágrimas essas que corriam com a mesma certeza que o rio corre para o mar, na exacta direcção das curvas do meu rosto, umas em direcção á boca, outras precipitando-se para o meu pescoço.
Quando senti as suas mãos escaldantes sobre o meu rosto fechei instintivamente os olhos, não queria ter de o olhar.
Eu soluçava violentamente e tentava respirar, como que nem uma menininha que fica horas a chorar. Precisei de dois minutos para me acalmar. Os soluços foram diminuindo, a respiração acalmou e as lágrimas desapareceram dos meus olhos. Ganhei então força para encarar David, ele olhava-me carinhosamente como se olha-se para a única razão da sua existência, e talvez não estivesse muito longe da verdade.
- Cê viu o montão de disparates que disse? Tá chorando por besteira! – disse-me muito calmo
- Besteira, David? – tentei imitar o sotaque dele, tirei as mãos dele do meu rosto e afastei-me dele
- Besteira sim! Cê acha que eu não ia convidar você p’ra minha festa? – perguntou-me com um sorriso irónico a rasgar-lhe o rosto
- Tanto não convidavas que não convidaste! Eu também não esperava que o fizesses porque sei que os teus pais vão lá estar e tu não mos queres apresentar já, e nem sei se o queres fazer mas pelo menos podias ter-me dito isso… Eu ia compreender! Juro que ia compreender! – jurei com as lágrimas a sufocarem-me novamente
- Cê pirou de vez, meu doce! - acusou-me divertido tentando esconder o sorriso que lhe travava o rosto
- Isso agora diz que eu pirei! - resmunguei e as lágrimas estrangularam-me novamente
- Meu amor... - preparando-se para aproximar os seus lábios dos meus mas eu impedi-o afastando-me - Deixa de besteira vai! Eu te amo gata! Cê sabe disso!
- Mas ages como se eu não existisse! Eu não te pedia que me levasses à porcaria da festa para me apresentares aos teus pais, porque eu sei que eles lá vão mas podias ter-me dito que querias que eu fosse mas como os teus pais lá vão estar era melhor eu não ir, e era simples! Eu não tinha ido!! - a última frase saiu-me mais amarga
- Agora cê tá me acusando de não ter falado com você ou de não querer te apresentar aos meus pais? - perguntou-me visivelmente confuso
- De não teres falado comigo! - esclareci-o sem pensar duas vezes na resposta
- Meu amor, cê é minha namorada! Se eu não te convidei foi porque cê não precisa de convite! Eu presumi que você simplesmente viria... Como minha namorada! Nunca me passou pela cabeça pedir a você que não fosse por causa dos meus pais...
- Oh, David! Achas mesmo que não precisava de convite? Eu senti que estava a ser deixada para trás, que não me querias lá por causa dos teus pais... - confessei e baixei o rosto para o chão
- Cê achou o quê? Que eu não te queria lá p'ra não ter de apresentar você p'ros meus pais? - eu assenti afirmativamente com a cabeça - Cê é mesmo tola! A gente só namora há um mês mas é claro que eu quero apresentar você p'ra eles! Simplesmente não te convidei porque achei que como cê é minha namorada era óbvio que tava convidada! - vi pelo seu olhar e tom de voz que estava a ser sincero
- Desculpa, eu andei este tempo todo a guardar este disparate para mim e a tratar-te com indiferença... Desculpa, a sério!
- Tá perdoada! Mas promete p'ra mim que da próxima vez que houver algo que esteja te perturbando cê fala comigo...
- Prometo! Desculpa! A sério! - desculpei-me sinceramente
Senti o abraço de David abafar-me, ele não tinha ficado chateada e para variar, eu tinha sido precipitada e não tinha falada com ele como devia ter feito.
- Amo-te David, juro!
- Te Amo mais, meu anjo! - sussurrou-me ao ouvido desviando os meus cabelos soltos do pescoço
O telemóvel de David tocou nesse momento e ele soltou-me, olhou-me nos olhos pedindo permissão para atender e eu dei-lha.
- Alô? Oi mãe! Sim, então tudo confirmado! Eu pego vocês! Beijão! Vos amo! - falou divertido ao telemóvel
Não lhe perguntei quem era, sabia que eram os seus pais e então limitei-me a sentar no sofá e ele sentou-se a meu lado.
- Eram meus pais... - informou-me sorridente
- Está tudo bem com eles? – perguntei ao mesmo tempo que cruzava as pernas
- Sim, era só p’ra confirmar as horas que o avião deles chega amanhã ao almoço! Vou pegar eles no aeroporto… Cê vem comigo! – rematou sorridente olhando na minha direcção
- Eu? – perguntei muito surpreendida – Ó amor eu não posso ir…
- Ué? Porque não?
- O que é vamos dizer aos teus pais? “Olha essa daqui é minha amiga Adriana!” – ironizei imitando o sotaque dele
- Não, vamo dizer que é a minha namorada!
- David, ainda é muito cedo! Só namoramos há um mês…
- Então senão os vir no aeroporto irá ver na minha festa de anos… - informou-me seguro daquilo que dizia
- Pois, por isso é que não vou á festa… - confessei
- Cê não vai na minha festa de anos? – perguntou meio chateado
- Não, amor… Não é que eu não queira mas não quero que os teus pais fiquem já a conhecer-me pelo menos não como tua namorada… Isso vai dar uma carga formal muito grande á nossa relação…
- Então cê vai e eu não te apresento como namorada! – tentou negociar
- Vou como amiga? – perguntei
- Sim, como amiga! Fazer o quê né? – encolheu os ombros em jeito de conformação
- Oh, não faças essa carinha! – coloquei-me de joelhos no sofá e rastejei até ele
- Eles tavam vindo cá p’ra conhecer você… - contou-me
- Oh amor mas pensa lá! Agora sê um bocadinho racional… É muito cedo! Vamos deixar a nossa relação ficar mais sólida, concisa e aí apresentas-me á tua família inteira se quiseres! Ao Brasil inteiro se quiseres! – brinquei
- Deixa de bobeira! – Finalmente tinha-lhe arrancado um sorriso, tímido. Mas era um sorriso. – Eu já falei p’ra você que te amo?
- Não… - desviei conversa
- Ah, eu acho que sim… - ele entrou na brincadeira
- Hum, garanto que não! Não falou uma única vez!
- Te amo! Muito! Te Amo! – calei-o com um beijo
- Nem tou acreditando que amanhã vou passar os meus anos do seu lado, com seus carinhos, seus beijos… - disse deliciado e roubou-me outro beijo
- Mas não vais… Amanhã não vai haver nada disto! Os teus pais vão lá estar! – relembrei-o
- Ah, assim não! É sacanagem! – refilou
- É sacanagem! – imitei o sotaque dele – Deixa de ser refilão… - beijei-o rapidamente nos lábios
Deixei o meu corpo cair sobre o do David, recostei-me no peito dele.
Acabámos por ficar juntos até altas horas da noite.
- Amor é quase meia-noite! – disse-lhe pousando o comando da playstation
- Ah, me deixa acabar o jogo vai! – pediu-me concentrado
- Hum, sendo assim senão queres os meus Parabéns eu vou andando para casa… - e dirigi-me á porta da sala
Numa questão de segundos senti uma mão puxar-me contra o seu corpo.
Deixei a minha cabeça cair para trás sobre o ombro dele. Senti a respiração ofegante dele junto ao meu ouvido e os lábios dele junto ao meu pescoço. Tremi, fechei os olhos e sorri.
- Não faz assim não… Fica! – pediu-me ele desviando os meus cabelos do pescoço
Desci o meu olhar até ao relógio que tinha no pulso, estava quase na hora.
Virei-me de frente para o David, aproximei a minha boca da dele, ele ia-me beijar mas eu apenas lhe mordi o lábio inferior. Quando ele se preparava para unir as nossas bocas e deixar a sua língua descobrir a minha boca, eu fugi e corri para junto do sofá. Ele tentou apanhar-me mas não o deixei, e pus-me em cima do sofá, descalça.
O David estava preparado para me agarrar mas eu pus a minha mão em sinal de stop, aberta no ar e ele parou.
- 5, 4, 3, 2, 1… - contava olhando para o meu relógio – Parabéns! – desejei olhando para ele e abrindo os braços no ar
Ele sorriu-me deliciado, andou na minha direcção e agarrou em mim.
Coloquei os braços em volta do pescoço dele e ele enlaçou a minha cintura elevando-me do chão. Os meus lábios tocaram os dele, acariciaram-se. As nossas línguas movimentaram-se numa dança lenta, senti-me completa.
- Te amo! – disse-me
- Eu também! Muito! – beijei-o novamente, quebrámos o beijo ele pousou-me no chão – Podes levar-me a casa, amor?
- Claro, vem eu te deixo lá! – disse puxando-me pela mão e levando-me até ás garagens.
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- Chegou! – disse ele enquanto tirava a chave da ignição
- Obrigada, amor! De metro teria demorado uma eternidade! – desabafei e passei a minha mão pelos seus caracóis, fazendo-lhe uma doce carícia
- Vem que eu te deixo lá em cima… - disse-me ao mesmo tempo que desapertou o cinto dele e o meu.
Saímos do carro e subimos no elevador trocados carícias recatadas.
- Pronto, agora sim cê tá entregue! – ele beijou-me suavemente nos lábios
- Obrigada outra vez amor! – agradeci sorrindo-lhe e roubando-lhe outro beijo leve
- Amanhã eu te pego p’ra festa…
- Não, eu vou lá ter… É melhor! Além disso tenho de acabar uns desenhos para entregar segunda que estão na past… - informava-o mas caí em mim – Oh meu deus! A pasta! Ficou em tua casa! Agora como é que faço os trabalhos? – constatei desesperada
- Calma amor… Eu vou a casa e te trago a pasta em menos de vinte minutos…
- Não David! É tão tarde! – adverti
- Então passa lá em casa amanhã de manhã p’ra pegar a pasta… - sugeriu
- Não, vou-te acordar se tocar à campainha!
O David agarrou no seu porta chave e tirou de uma das argolinhas uma chave grande, era de casa dele.
- Fica com ela, passa lá em casa p’ra buscar a pasta há hora que quiser! Mesmo que eu não esteja lá! Fica á vontade!
- Oh e tu entras em casa como? – perguntei-lhe preocupada
- Olha, essa é suplente! Tenho a minha! – disse sorridente
- Tens a certeza que não há problema?
- Não, problema nenhum, gatxinha! Vou indo! Amanhã a gente se vê na festa! Te amo! – despediu-se de mim dando-me um beijo nos lábios
- Eu também
Ele entrou no elevador e foi-se embora. Eu entrei em casa e adormeci mais sossegada por finalmente ter esclarecido tudo com ele.
"A distância pode separar dois olhares, mas nunca dois corações..."
sábado, 30 de outubro de 2010
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Capítulo 93 - De quê? (Parte I)
Mas ele percebeu que eu não queria aquele abraço, não queria que ele me tocasse, essa era a verdade, já não sabia se a repulsa que sentia era maior por ele ou por mim.
Ele agarrou-me na mão, levou-me até ao carro e conduziu até à sua casa, subimos no elevador completamente calados mas de mãos unidas. Não recusei, não podia recusar, aquela mão dava-me um certo consolo.
O silêncio invadiu o ar durante todo o percurso e as lágrimas assaltaram os meus olhos. Doía! Doía muito! A todas as horas, todos os segundos.
Mas as lágrimas não doem, o que dói são os motivos que faziam elas caírem. O David via-me chorar silenciosamente e assistia passivo sem me largar a mão.
Chegámos a casa dele, finalmente descolamos as nossas mãos, ele ficou no hall a pousar as chaves de casa e eu precipitei-me para a sala.
Eu sabia que aquela iria ser uma conversa difícil. Sentei-me no sofá com a cabeça entre as mãos e esperei que ele se juntasse a mim.
Ele entrou, completamente calado, e sentou-se em frente a mim, na pequena mesa de apoio no centro da sala apoiando os antebraços nas pernas.
A verdade é que eu estava muito assustada, eu não sabia como é que ele ia agir comigo, se iria ser bruto, calmo, se ficaria zangado, não conseguia decifrá-lo pois uma grande neblina de sentimento turvava-lhe o olhar.
- Eu não sei o que tá acontecendo com a gente meu amor mas as suas atitudes me magoaram muito…- confessou ele ao retirar o seu olhar do chão e ao prendê-lo em mim
- Eu sei que não tenho agido da melhor maneira… Mas nem eu sei como é que chegámos a este ponto… - confessei e agora encarava-o tentando não chorar
- Eu não sei o que é que tá passando na sua cabecinha mas você tem de falar, a gente pode resolver qualquer problema falando que nem a gente tá fazendo agora…
- Eu sei mas há assuntos que não devem ser falados…
- Pelos vistos devem… Eu tenho reparado que nestas últimas duas semanas cê anda esquisita comigo… Meio fria, distante… Dei o desconto por causa dos seus testes, achei que era só stress mas agora tou achando que é bem mais do que isso… - ele olhou nos meus olhos esperando que eu lhe respondesse mas não fui capaz, eu sabia que se o fizesse um choro rompido assaltaria a minha voz – Vai continuar não falando nada? Assim não vamos chegar a lugar nenhum, meu amor…
- É isso mesmo que se está a passar connosco David! O tempo passa, passa, e tudo à nossa volta anda, e nós aqui! Parados, sem chegar a lugar nenhum! – afirmei com alguma raiva na voz levantando-me do meu lugar
- Não tou entendendo… Eu pensava que tava tudo bem com a gente… Cê não quer mais tar comigo? – perguntou-me também elevando a voz e o seu corpo da mesa
- Não é nada disso! Claro que quero! Eu não quero parecer egoísta mas a nossa relação não está a funcionar! Simplesmente não está a funcionar! Eu não sei lidar com a saudade! Com o facto de não puder estar contigo a qualquer hora, quando quero, onde quero… Tu podes saber lidar com a saudade mas eu não… E nem sei se quero! – confessei aos berros correndo o risco de o magoar
- Cê sabe que é assim… Sempre foi! A minha profissão me exige isso e além disso eu faço tudo o que posso p’ra tar com você… - ele também gritava comigo como nunca antes tinha gritado
Olhei-o nos olhos e vi que estes começavam a ficar vermelhos, ao passo que os meus já estavam inundados de água que acabou por escorrer pelo meu rosto fora em duas lágrimas gordas.
- Uma, duas vezes por semana… Não chega David! Eu tenho uma necessidade louca de te… -
gritava mas não fui capaz de terminar a frase
- De quê? – perguntou ele afrontando-me
- De te amar… - afirmei muito sincera num berro estrangulado
- Não é o que tá parecendo… - disse visivelmente magoado
- Desculpa David! Já disse que não quero parecer egoísta, mas eu amo-te e por isso quero estar contigo, sempre que possivel, mas eu entendo que nem sempre dê! Mas eu preciso de tempo para aprender a lidar com a distância
- Que distância? Eu tento estar presente o mais que posso! Te ligo, mando mensagens, tento ir dos treinos ter com você nem que seja por meia horinha, muitas vezes estou cansadão, mal me aguentando em pé, mas ainda assim e por burro! Sim, burro! Te amo desse jeito descontrolado e faço tudo p’ra tar com você e p’ra quê? Para depois ouvir acusações dessas? – perguntava aos berros e com a dor a cruzar-lhe o rosto
- Desculpa! Eu sei que fazes os possíveis e os impossíveis e não te acusei disso mas eu não sei viver com isto e com o facto de não te ver todos os dias, estar sempre que quero contigo, sairmos, e com… - hesitei e desviei o meu olhar do dele, eu já não gritava mas o meu tom de voz continuava elevado
- Com o quê? – perguntou-me ele perante a minha hesitação num tom também elevado
- Com nada David! Esquece! Nós nem devíamos estar a ter esta conversa – confessei magoada gritando novamente
- Devíamos sim! Cê sabe que pode falar tudo p’ra mim! – agarrou-me na mão
- Mas não é nada! – confirmei soltando a minha mão da dele com algum desprezo
- Como é que não é nada se você fala comigo desse jeito, anda longe, foge do meu toque e me olha com esse olhar de quem tá magoada comigo e eu continuo sem entender porquê… - censurou-me sem piedade
Não fui capaz de lhe responder… Ele acertara nos pontos-chave. O que é que eu lhe poderia dizer perante aquilo?
Qualquer resposta que desse iria sair azeda, porque o assunto das saudades estava resolvido mas o da festa ainda não. E não me apetecia minimamente tocar nesse assunto. Não porque sabia que me estaria a auto convidar, e porque eu não o queria fazer. Aproximei-me da ombreira da porta da sala.
Ele seguiu-me primeiro com o olhar e depois ficou a olhar-me. Encaminhei-me até ao hall para agarrar na minha mala, ele não me seguiu talvez porque percebeu que eu não ia falar mais sobre o assunto.
Agarrei na minha mala, olhei para o visor do telemóvel que não tinha nenhuma mensagem ou chamada não atendida. No visor do meu telemóvel vi uma foto minha e do David, a sorrir, era a foto do casamento da Catarina. Apesar de forçados parecíamos felizes. Voltei a colocar as coisas onde estavam. Não podia deixá-lo ali assim, ambos chateados um com o outro em vésperas do seu dia de anos.
Pior do que estávamos não podíamos ficar, e eu tinha de desabafar aquilo, ou agora ou depois, e se íamos ficar assim ao menos que ele soubesse o motivo. Regressei à sala e ele permanecia onde o deixara ficar, em pé no meio da sala. Coloquei a mão na ombreira da porta com medo que os meus joelhos falassem, enchi os pulmões de ar e confrontei-o.
- Quanto tempo mais vais fingir que eu não existo? – perguntei-lhe num tom enfurecido
Ele agarrou-me na mão, levou-me até ao carro e conduziu até à sua casa, subimos no elevador completamente calados mas de mãos unidas. Não recusei, não podia recusar, aquela mão dava-me um certo consolo.
O silêncio invadiu o ar durante todo o percurso e as lágrimas assaltaram os meus olhos. Doía! Doía muito! A todas as horas, todos os segundos.
Mas as lágrimas não doem, o que dói são os motivos que faziam elas caírem. O David via-me chorar silenciosamente e assistia passivo sem me largar a mão.
Chegámos a casa dele, finalmente descolamos as nossas mãos, ele ficou no hall a pousar as chaves de casa e eu precipitei-me para a sala.
Eu sabia que aquela iria ser uma conversa difícil. Sentei-me no sofá com a cabeça entre as mãos e esperei que ele se juntasse a mim.
Ele entrou, completamente calado, e sentou-se em frente a mim, na pequena mesa de apoio no centro da sala apoiando os antebraços nas pernas.
A verdade é que eu estava muito assustada, eu não sabia como é que ele ia agir comigo, se iria ser bruto, calmo, se ficaria zangado, não conseguia decifrá-lo pois uma grande neblina de sentimento turvava-lhe o olhar.
- Eu não sei o que tá acontecendo com a gente meu amor mas as suas atitudes me magoaram muito…- confessou ele ao retirar o seu olhar do chão e ao prendê-lo em mim
- Eu sei que não tenho agido da melhor maneira… Mas nem eu sei como é que chegámos a este ponto… - confessei e agora encarava-o tentando não chorar
- Eu não sei o que é que tá passando na sua cabecinha mas você tem de falar, a gente pode resolver qualquer problema falando que nem a gente tá fazendo agora…
- Eu sei mas há assuntos que não devem ser falados…
- Pelos vistos devem… Eu tenho reparado que nestas últimas duas semanas cê anda esquisita comigo… Meio fria, distante… Dei o desconto por causa dos seus testes, achei que era só stress mas agora tou achando que é bem mais do que isso… - ele olhou nos meus olhos esperando que eu lhe respondesse mas não fui capaz, eu sabia que se o fizesse um choro rompido assaltaria a minha voz – Vai continuar não falando nada? Assim não vamos chegar a lugar nenhum, meu amor…
- É isso mesmo que se está a passar connosco David! O tempo passa, passa, e tudo à nossa volta anda, e nós aqui! Parados, sem chegar a lugar nenhum! – afirmei com alguma raiva na voz levantando-me do meu lugar
- Não tou entendendo… Eu pensava que tava tudo bem com a gente… Cê não quer mais tar comigo? – perguntou-me também elevando a voz e o seu corpo da mesa
- Não é nada disso! Claro que quero! Eu não quero parecer egoísta mas a nossa relação não está a funcionar! Simplesmente não está a funcionar! Eu não sei lidar com a saudade! Com o facto de não puder estar contigo a qualquer hora, quando quero, onde quero… Tu podes saber lidar com a saudade mas eu não… E nem sei se quero! – confessei aos berros correndo o risco de o magoar
- Cê sabe que é assim… Sempre foi! A minha profissão me exige isso e além disso eu faço tudo o que posso p’ra tar com você… - ele também gritava comigo como nunca antes tinha gritado
Olhei-o nos olhos e vi que estes começavam a ficar vermelhos, ao passo que os meus já estavam inundados de água que acabou por escorrer pelo meu rosto fora em duas lágrimas gordas.
- Uma, duas vezes por semana… Não chega David! Eu tenho uma necessidade louca de te… -
gritava mas não fui capaz de terminar a frase
- De quê? – perguntou ele afrontando-me
- De te amar… - afirmei muito sincera num berro estrangulado
- Não é o que tá parecendo… - disse visivelmente magoado
- Desculpa David! Já disse que não quero parecer egoísta, mas eu amo-te e por isso quero estar contigo, sempre que possivel, mas eu entendo que nem sempre dê! Mas eu preciso de tempo para aprender a lidar com a distância
- Que distância? Eu tento estar presente o mais que posso! Te ligo, mando mensagens, tento ir dos treinos ter com você nem que seja por meia horinha, muitas vezes estou cansadão, mal me aguentando em pé, mas ainda assim e por burro! Sim, burro! Te amo desse jeito descontrolado e faço tudo p’ra tar com você e p’ra quê? Para depois ouvir acusações dessas? – perguntava aos berros e com a dor a cruzar-lhe o rosto
- Desculpa! Eu sei que fazes os possíveis e os impossíveis e não te acusei disso mas eu não sei viver com isto e com o facto de não te ver todos os dias, estar sempre que quero contigo, sairmos, e com… - hesitei e desviei o meu olhar do dele, eu já não gritava mas o meu tom de voz continuava elevado
- Com o quê? – perguntou-me ele perante a minha hesitação num tom também elevado
- Com nada David! Esquece! Nós nem devíamos estar a ter esta conversa – confessei magoada gritando novamente
- Devíamos sim! Cê sabe que pode falar tudo p’ra mim! – agarrou-me na mão
- Mas não é nada! – confirmei soltando a minha mão da dele com algum desprezo
- Como é que não é nada se você fala comigo desse jeito, anda longe, foge do meu toque e me olha com esse olhar de quem tá magoada comigo e eu continuo sem entender porquê… - censurou-me sem piedade
Não fui capaz de lhe responder… Ele acertara nos pontos-chave. O que é que eu lhe poderia dizer perante aquilo?
Qualquer resposta que desse iria sair azeda, porque o assunto das saudades estava resolvido mas o da festa ainda não. E não me apetecia minimamente tocar nesse assunto. Não porque sabia que me estaria a auto convidar, e porque eu não o queria fazer. Aproximei-me da ombreira da porta da sala.
Ele seguiu-me primeiro com o olhar e depois ficou a olhar-me. Encaminhei-me até ao hall para agarrar na minha mala, ele não me seguiu talvez porque percebeu que eu não ia falar mais sobre o assunto.
Agarrei na minha mala, olhei para o visor do telemóvel que não tinha nenhuma mensagem ou chamada não atendida. No visor do meu telemóvel vi uma foto minha e do David, a sorrir, era a foto do casamento da Catarina. Apesar de forçados parecíamos felizes. Voltei a colocar as coisas onde estavam. Não podia deixá-lo ali assim, ambos chateados um com o outro em vésperas do seu dia de anos.
Pior do que estávamos não podíamos ficar, e eu tinha de desabafar aquilo, ou agora ou depois, e se íamos ficar assim ao menos que ele soubesse o motivo. Regressei à sala e ele permanecia onde o deixara ficar, em pé no meio da sala. Coloquei a mão na ombreira da porta com medo que os meus joelhos falassem, enchi os pulmões de ar e confrontei-o.
- Quanto tempo mais vais fingir que eu não existo? – perguntei-lhe num tom enfurecido
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Capítulo 92 - Eu tentei compreender a atitude dele... (Parte II)
Arrumei o meu Ipod Touch na mala e fiz o resto da viagem, até à estação do Chiado, num profundo silêncio.
Não chorei, já não tinha mais lágrimas para chorar. Saí e aproveitei as longas escadas rolantes da saída do Chiado para me recompor, assim a Andreia não iria notar o meu estado.
Cheguei à saída do metro e finalmente avistei o céu. O dia estava fresco mas um sol brilhante tomava conta do céu. Sorri sozinha agradada pelo tempo e dirigi-me ao largo Camões que ficava a cinco metros. Depressa reconheci Andreia que estava sentada num banco mesmo no meio do largo. Ela viu-me e sorrimos as duas.
Não chorei, já não tinha mais lágrimas para chorar. Saí e aproveitei as longas escadas rolantes da saída do Chiado para me recompor, assim a Andreia não iria notar o meu estado.
Cheguei à saída do metro e finalmente avistei o céu. O dia estava fresco mas um sol brilhante tomava conta do céu. Sorri sozinha agradada pelo tempo e dirigi-me ao largo Camões que ficava a cinco metros. Depressa reconheci Andreia que estava sentada num banco mesmo no meio do largo. Ela viu-me e sorrimos as duas.
- Olá! – cumprimentou-me com dois beijos no rosto
- Olá! Desculpa o atraso mas perdi o primeiro metro… - desculpei-me
- Sem problema também cheguei à pouco tempo… O trânsito em Lisboa…Já sabes como é!
- Ok, então parece que estamos as duas mesmo a tempo! – sorrimos
- Então e queres começar por onde? – perguntou-me curiosa
- Não sei, talvez pela Salsa, estou mesmo a precisar de umas calças de ganga… - disse-lhe sorrindo do disparate que acabara de dizer, se havia coisa que não me faltava eram calças de ganga
- Por mim… - concordou sorrindo
Subimos e descemos a baixa vezes sem conta, entrámos em montes de lojas mas foi na H&M que a Andreia viu um vestido pelo qual se apaixonou.
- Epá é tão giro! – disse colocando-o á sua frente
- Sim, é mesmo muito giro! – concordei , o vestido era de facto muito bonito
- Ainda não comprei nada para levar à festa do David amanhã… Já pensaste no que vais levar? – perguntou-me com alguma naturalidade e segurando o vestido na mão
- Pois a festa… O vestido… Ah na verdade eu não vou á festa! – chutei rapidamente – Olha vamos almoçar! Estou cheia de fome! – acrescentei saindo de junto dela sem lhe dar a mínima hipótese de me perguntar o porquê da minha ausência na festa
Acabámos as duas a almoçar num restaurante muito simpático. Eu comi filetes de linguado com sumo de limão e arroz de tomate e ela comeu o mesmo. Quando já íamos na sobremesa ela voltou a tocar no assunto da festa.
- É verdade! Não me chegaste a dizer porque é que não vais á festa… - disse ela pondo uma colherada de mousse de manga à boca
- Pois… Porque…
- Porque… - insistiu ela
- Porque o David não me convidou! – confessei atropelando as palavras
A Andreia desmanchou-se numa gargalhada e eu fiquei estática a olhar para ela sem perceber a razão de tamanha risada. Finalmente ela acalmou-se.
- Não te convidou? Essa é boa! Conta outra! – pediu-me dando outra colherada na mousse
- Juro! Ele já falou da festa à minha frente, com o Ruben e mais de meio plantel do Benfica mas ainda não me convidou…
- Tás a falar a sério? – perguntou-me com os olhos muito esbugalhados
- Claro que estou! Achas que eu ia brincar com uma cena destas? Nem sequer falou comigo sobre a festa! Nada de nada! E então eu tenho tentando evitar o assunto, parecer que está tudo bem mas isto está a dar cabo de mim! – confessei deixando o meu rosto abater-se
- Oh, és namorada dele! Não precisas de convite! - defendeu-o prontamente
- Oh, isso não é bem assim Andreia… Não é normal! Ele nem sequer falou comigo sobre a festa! Nada! Nada de nada! – realcei
- Oh ele deve achar que estás automaticamente convidada porque és namorada dele e não sentiu necessidade de o fazer…
- Hum, claro! Mas está enganado…
- Talvez devesses falar com ele… - sugeriu-me ela acabando com a mousse
- Achas? Não me vou auto convidar! Se ele não me quer lá eu não vou! É simples…
- Tens a noção que podes prejudicar a vossa relação com isto? – perguntou-me seriamente
- Tenho mas não quero de todo que o David se sinta forçado a ter-me lá só porque somos namorados… Até entendo… Os pais dele estão lá e ele não me deve querer apresentar aos pais…
- Hã? Tás parva de todo! Achas? O David anda todo babado desde que é teu namorado! Nem sei onde é que ele mete tanto orgulho… Acho que ele não ia fazer uma coisa dessas por esse motivo e se o fizesse falaria contigo… Acredita! – acalmou-me ela mas eu não fiquei muito convencida
“After all this time, I never thought we'd be here, Never thought we'd be here, When my love for you is blind, But I couldn't make you see it, Couldn't make you see it, That I loved you more than you'll ever know, and part of me died when I let you go…” – o meu telemóvel tocou e eu procurei-o na mala, agarrei-o, era David.
- Olá gata! – a voz dele soou muito feliz do outro lado do telefone
- Olá amor! – cumprimentei-o friamente
- Hey, que voz é essa?
- A minha… Então estás a almoçar com os rapazes? – perguntei-lhe tentando mudar de assunto
- Sim, acabei agora. Já sei que você foi almoçar com a Andreia que o Fábio me contou… Pensei em passar pela Baixa p’ra pegar você e p’ra tar um pouquinho junto até ao meu treino da tarde…
- Sim, pode ser! – assenti sem qualquer convicção
- Então eu te pego dentro de quinze minutos! – informou-me visivelmente feliz
- Ok, vou estar junto ao largo Camões…. – disse-lhe
- Beijo! Te amo! – não lhe respondi e desliguei
- Foste um bocado fria… - disse-me Andreia enquanto eu guardava o telemóvel na mala
- Talvez mas já estou farta de fingir que não se passa nada… Ele que diga o que quiser! Que sou infantil, parva, ele já sabe! Não sou nenhuma mulher! Sou uma miúda de 17 anos e tenho estes acessos de infantilidade se ele me quer vai ter de me querer com estes acessos também! – refilei
- Não sejas assim… O David é uma óptima pessoa e faz das tripas coração para estar sempre que pode contigo…
- Sim, não disse que não! Mas até isso é pouco… Queria estar mais vezes com ele sabes? Poder ir ao cinema! Ao café! Aos sítios banais que se vai com um namorado sem ser interrompida por fãs ou por ele a dizer que está na hora de ir para os treinos! Não sei lidar com isso! Não quero ser egoísta mas a verdade é que esta distância do David me deixa louca de saudades!
- Oh isso é normal… Eu também sentia o mesmo em relação ao Fábio mas com o passar do tempo habituas-te…
- E isso é quando? – perguntei-lhe impaciente
- Com o passar do tempo… - disse-me calmamente
- Quando a relação cai na rotina queres tu dizer! – refilei sem pensar no que dizia
- Não, tu não notas porque não és casada com o David. Quando casares com ele vais ver que quando ele chega a casa há sempre aquele carinho, dormem lado a lado e a ausência não é tanta… Quando casares com ele vais ver! – confortou-me Andreia sorridente
- Esquece! Por este andar não chegamos lá! – disse enquanto tirava o multibanco para pagar
- Adriana, hoje pago eu!
- Não, pago eu! Fica para a próxima! – e dei o cartão ao empregado
Despedi-me da Andreia e fui para o Largo Camões esperar David.
Ele demorou menos do que aquilo que prometeu, e em dez minutos vi-o virar à esquina e parar em frente ao largo.
Desejei que aquele carro abranda-se, que demora-se uma eternidade a chegar até mim. Não sabia como agir com ele. Tinha evitado tudo nas duas últimas semanas, todos os sentimentos, todas as lágrimas, todas as palavras. Mas eu sentia-me chegar a um limite, ao meu limite, e se o passa-se eu sabia que iria explodir. Por isso eu precisava de só mais uns segundos, talvez uns minutos, umas horas para me estabilizar de novo e aprender a agir de novo com ele ignorando a situação em que estávamos. Ele não saiu do carro e por isso eu entrei.
- Boa tarde, amorzão! – cumprimentou-me com um grande sorriso e inclinando-se na minha direcção
- Boa tarde! – disse colocando o cinto inexpressiva
- Cadê meu beijo? – perguntou ele muito confuso num beicinho
Dei-lhe um beijo rápido nos lábios, muito pouco sentido, que foi visivelmente desmoralizador mas ele não procurou mais conversas, ligou novamente o carro e seguiu caminho.
No inicio do percurso não dissemos nada. Limitámo-nos ao silêncio.
Ele tinha o olhar preso no infinito mas fingia estar atento à condução e eu ia ligeiramente torcida do banco olhando para pela janela.
Via as casas passarem rapidamente por mim, os outros carros também, e eu sentia aquilo mesmo. Que todo o mundo andava, todos andavam, menos eu. Todos seguiam com as suas vidas e eu estava ali, encalhada, sem qualquer esperança de salvação, sem qualquer esperança de recuperação. E na mesma situação que eu estava a minha relação e a de David. Uma relação tão recente, mas já com tanta coisa por dizer, tanto ressentimento, pelo menos da minha parte. Eu estava assim e a nossa relação também, a sofrer em silêncio, sem saber o que fazer, que rumo seguir, se andar em frente ou voltar atrás. Senti que o David estava visivelmente magoado com a minha atitude ao entrar no carro, mas hoje aquilo era o melhor que eu conseguia fingir. O melhor que eu conseguia disfarçar e fazer tudo parecer bem.
Sentia - o raivoso, nervoso, rodava o volante com alguma ferocidade e com a mesma força metia as mudanças.
Ao chegarmos a um cruzamento senti o pé dele fincar o acelerador mais fortemente que o habitual e logo de seguida ele virou o volante 180º na minha direcção para virar à direita.
Eu percebi que estávamos a ir para casa dele e a minha vontade era muito pouca.
Não que não gostasse de estar com ele, porque eu gostava, não porque não tivesse saudades dele porque essas eram muitas mas eu precisava de estar com ele conseguindo abstrair-me de toda aquela situação e hoje não era o melhor dia para isso. As minhas forças tinham chegado ao limite e eu já não conseguia fingir tão bem que nada se passava e ele acabaria por perceber que algo se passava por isso fiz-lhe um pedido.
Eu percebi que estávamos a ir para casa dele e a minha vontade era muito pouca.
Não que não gostasse de estar com ele, porque eu gostava, não porque não tivesse saudades dele porque essas eram muitas mas eu precisava de estar com ele conseguindo abstrair-me de toda aquela situação e hoje não era o melhor dia para isso. As minhas forças tinham chegado ao limite e eu já não conseguia fingir tão bem que nada se passava e ele acabaria por perceber que algo se passava por isso fiz-lhe um pedido.
- Deixa-me em casa se faz favor… - pedi-lhe sem o olhar
- Pensei que a gente ia tar junto essa tarde… - contrapôs visivelmente desiludido
- Pois mas não sei se é boa ideia… - disse-lhe calmamente
- Porquê? – Perguntou magoado
- Porque estou cansada! – chutei a primeira coisa que me ocorreu e não olhei para ele porque ele perceberia que eu estava a mentir
- Pensei que cê nunca tava cansada p’ra mim… - insistiu num tom monocórdico
- E não estou mas hoje não foi um bom dia! – defendi, insistindo no meu pedido
- Me desculpa mas hoje não vou levar você p’ra casa… Quero tar com você! Falar, namorar! Não tivemos junto nem um dia esta semana! Tou morrendo de saudades suas! – disse desconsolado e com a voz a ficar cada vez mais aguda
- Pucha David! Deixa-me em casa, vá lá! – pedi já meio aborrecida
- Não vou deixar você em casa não… - dizia acelerando e estávamos muito perto da casa dele
- Porra David! Então deixa-me sair! – gritei muito chateada e ele olhava-me confuso e sei abrandar o carro – Abranda a merda do carro que eu quero sair! – gritei com ele e ele estremeceu com os meus berros
Não me olhou nos olhos, parou o carro, eu não disse uma única palavra e ele também não. Ficámos assim, parados na estrada que dava acesso à sua casa e sem dizer uma palavra que fosse durante largos minutos.
Uma enorme raiva tomou conta de mim, fechei os olhos com força e cerrei o punho que estava assente no manípulo da porta. Odiei-o! Naquele momento odiei-o por não ser capaz de ser sincero comigo e dizer-me de uma vez por todas que não me queria na festa. Odiei-o por não ser homem o suficiente para não deixar a nossa relação cair na rotina devido à distância. Odiei-o porque apesar disso ele continuava a ser demasiado perfeito, odiei-o porque ele é lindo, porque ele é a melhor pessoa que já conheci.
Mas mais do que isso, e independentemente de tudo, odiei-o por me amar tanto.
Depois senti um nó no estômago que rapidamente aflorou a garganta e ficou mais, e mais apertado.
Mal conseguia respirar, tinha um aperto no peito que me pressionava o coração.
Esse estava ainda pior que o nó na minha garganta. Estava suprimido, recolhido e mirrado no lado esquerdo do meu peito. Batia muito devagar, desacelerado, num ritmo descompassado.
Senti às lágrimas formarem-se por detrás das minhas pálpebras cerradas e controlei-me para não as deixar cair mas isso aumentou a sensação de falta de ar no meu peito.
Naquele momento odiei-me, acho que nunca na vida me tinha odiado tanto a mim mesma como naquele momento. Odiei-me por ter deixado a saudade sufocar a nossa relação, por ter deixado a rotina acabar com o nosso amor. Odiei-me por ter enterrado dentro de mim, durante aquelas duas semanas, coisas que precisava de lhe ter dito por mais que tivessem doído.
Sufoquei! As lágrimas tornaram impossível respirar e tive de as deixar correr o meu rosto mas apressei-me a limpá-las. Enchi novamente os meus pulmões de ar.
Depois senti um nó no estômago que rapidamente aflorou a garganta e ficou mais, e mais apertado.
Mal conseguia respirar, tinha um aperto no peito que me pressionava o coração.
Esse estava ainda pior que o nó na minha garganta. Estava suprimido, recolhido e mirrado no lado esquerdo do meu peito. Batia muito devagar, desacelerado, num ritmo descompassado.
Senti às lágrimas formarem-se por detrás das minhas pálpebras cerradas e controlei-me para não as deixar cair mas isso aumentou a sensação de falta de ar no meu peito.
Naquele momento odiei-me, acho que nunca na vida me tinha odiado tanto a mim mesma como naquele momento. Odiei-me por ter deixado a saudade sufocar a nossa relação, por ter deixado a rotina acabar com o nosso amor. Odiei-me por ter enterrado dentro de mim, durante aquelas duas semanas, coisas que precisava de lhe ter dito por mais que tivessem doído.
Sufoquei! As lágrimas tornaram impossível respirar e tive de as deixar correr o meu rosto mas apressei-me a limpá-las. Enchi novamente os meus pulmões de ar.
- O que é que tá acontecendo com a gente? Cê anda fria comigo… Distante… - disse-me vagarosamente buscando que eu o olha-se nos olhos mas eu não o fiz
Desapertei o cinto, agarrei na mala que estava sobre o meu colo e saí do carro. Não sabia bem para onde ir nem como ir mas a hipótese era única, para onde quer que fosse iria sozinha e a pé.
Ouvi o David sair do carro atrás de mim, e trancá-lo. Ouvia os pés dele baterem apressadamente contra o alcatrão mas nem assim hesitei e continuei a andar.
- Adriana espera por favor! – ouvia a voz desesperada dele a chamar por mim
- Vai-te embora David! – ordenei-lhe sem olhar para trás
Ele corria e eu andava por isso as dificuldades dele em alcançar-me não foram muitas. Senti uma mão claramente forte a agarrar-me o braço com alguma rispidez. Fui forçada a olhar na direcção dele.
- David podes largar-me? – pedi tentando controlar as lágrimas que me corriam pela cara
- Não vou largar você enquanto a gente não sentar e não falar sobre o que raio tá acontecendo connosco! – praguejava irritado
- Não sei David! Diz-me tu! O que é que está a acontecer connosco afinal? – e foram as últimas palavras que consegui pronunciar antes de um choro sentido arrebentar no meu peito e tornar impossível falarO David olhava-me assustado, preocupado e vi na expressão corporal dele um desejo nítido de me abraçar.
domingo, 24 de outubro de 2010
Capítulo 92 - Eu tentei compreender a atitude dele (Parte I)
"ADRIANA"
As semanas seguintes seguiram-se calmamente, já namorávamos há quase um mês e via o David em média três a quatro vezes por semana mas falávamo-nos todos os dias, por chamadas ou mensagens. Não dava para matar completamente as saudades mas qualquer momento com ele já era bom o suficiente desde que fosse com ele.
O aniversário dele estava próximo e o Ruben andava a organizar um jantar com pagode num espaço nos arredores de Lisboa mas o David ainda não me tinha falado em ir, não me tinha convidado.
Achei que como em princípio os pais dele estariam presentes que ele não me ia querer lá, e então também não toquei no assunto e fingi não saber da festa.
O aniversário dele estava próximo e o Ruben andava a organizar um jantar com pagode num espaço nos arredores de Lisboa mas o David ainda não me tinha falado em ir, não me tinha convidado.
Achei que como em princípio os pais dele estariam presentes que ele não me ia querer lá, e então também não toquei no assunto e fingi não saber da festa.
21 de Abril:
Era véspera do seu aniversário, e estávamos a dois dias de fazermos um mês de namoro e nesta semana ainda não tinha estado com ele e por consequência ele continuava sem dizer nada acerca da festa. Não posso esconder que de certa maneira estava magoada com a atitude dele. Até porque ele sabia que eu sabia da realização da festa e mesmo assim não comentava nada comigo em relação à mesma. Pude concluir que ele não queria a minha presença mas nem por isso fiquei chateada e continuei a agir normalmente com ele.
Nessa manhã acordei muito cedo, o tempo andava escasso e por isso ainda não tinha comprado nenhuma prenda para ele e na verdade não fazia a mínima ideia do que lhe iria oferecer. Calhava-me até bem ele só fazer anos amanhã e ser sábado, porque significava que hoje era sexta e a única aula que tinha era Geometria Descritiva de manhã uma vez que a minha professora de Desenho andava a faltar.
Acordei então de manhã muito bem-disposta, vesti-me e liguei à Andreia na esperança que ela me pudesse acompanhar numa ida à Baixa para comprar alguma coisa para oferecer ao David.
- Bom dia! – cumprimentou-me uma voz muito bem disposta do outro lado do telefone
- Bom dia! Espero não te ter acordado… - desejei receosa
- Não, nada disso! Estou acordada à um tempão! – acalmou-me logo
- Olha, tenho um convite para te fazer… O que me dizes a uma ida de raparigas à baixa?
- Hum… Compras? – perguntou-me ela num tom de entusiasmo que eu rapidamente adivinhei
- Sim… Amanhã o David faz anos e ainda não lhe comprei nada… Além disso ando a ver se compro umas roupinhas para mim, e aproveitávamos púnhamos a conversa em dia e almoçávamos qualquer coisa por lá… - sugeri
- Hum, isso parece-me fantástico! Até porque hoje estou sozinha… O Fábio tem treinos e depois vai almoçar com o resto dos rapazes por aí… – rematou ela feliz
- Então eu ainda tenho de ir a uma aula de Geometria descritiva agora de manhã por isso só estou despachada daqui a uma hora e meia… - informei-a
- Então queres que te vá buscar? – ofereceu-se a Andreia prontamente
- Não é preciso, pudemos encontrar-nos ao pé do Largo Camões por volta das onze que é o tempo que eu preciso para ir à aula e entretanto apanhar o metro até ao Chiado…
- Por mim está óptimo! Encontro-me lá contigo a essa hora! Beijinho! – despediu-se sorridente
- Beijinho, até logo – despedi-me também e desliguei
Olhei em redor do quarto, já estava pronta mas não encontrava a minha mala. Andei rapidamente até à sala, eram oito e meia e eu tinha meia hora para chegar à escola.
Lá estava ela, em cima do sofá. Coloquei lá dentro as minhas chaves, o meu telemóvel, uma garrafa de água e bati a porta de casa.
Cheguei mesmo a tempo às aulas, que especialmente hoje, passaram a voar. Aproveitei e no final da aula mostrei uns exercícios que tinha feito em casa ao professor apenas para treinar para o teste que se aproximava. Ele olhou-os com muita atenção ao mesmo tempo que eu reparava em Débora, Ana, Catarina e Kika, que esperavam junto à minha mesa por mim. O professor disse-me que estavam todos certos e felicitou-me, despedi-me dele e aproximei-me delas.
- Então como é que estavam os exercícios? – perguntou-me Kika como quem não queria a coisa
- Estavam todos bem… - declarei enquanto os colocava dentro de uma pasta onde tinha um conjunto de desenhos em A4 e outros exercícios de Geometria Descritiva
- Ainda bem! Mas isso já não seria novidade! Matas-te a estudar… - disse Catarina
- Sim, tem de ser… Os exames estão quase ai! – declarei enquanto coloquei a minha mala ao ombro
Saí da sala, elas seguiam atrás de mim e cochichavam sobre mim como se eu ali não estivesse. Elas julgavam que falavam baixo o suficiente mas como os corredores da escola estavam visivelmente vazios eu conseguia ouvir perfeitamente os cochichos dela.
- Ela está estranha… - sussurrou Kika
- Sim, devíamos perguntar-lhe o que se passa… - acrescentou Ana
- Estou preocupada com ela… - declarava Catarina
- Já viram bem a carinha dela? – suspirou Débora
Virei-me para trás e encarei-as e elas estagnaram no mesmo sitio onde estavam sem terem tempo de se afastarem.
- Importam-se de não falar de mim como se eu não estivesse aqui? – perguntei com aborrecimento na voz
- Não estávamos a falar de ti – disparou Ana disfarçando muito mal
- Ah pois sim! Agora sou surda querem ver? Desembuchem lá! O que é que querem saber? – perguntei mais calma e retomei o passo
Elas viram que lhes acabara de dar livre-trânsito para me perguntarem o que quisessem… mas isso não significaria que eu iria responder. Juntaram-se duas do meu lado esquerdo e as outras duas do meu lado direito
- O que é que se passa contigo? – perguntou Ana curiosa
- Andas estranha… - constatou Kika
- Andas triste! – rematou Catarina
- E não digas que não que bem te conheço! – ripostou Débora sem me deixar sequer negar as afirmações delas
- Ando cansada, só isso! – declarei calmamente
- Me engana que eu gosto! – disse Catarina com um certo desdém na voz
- São só uns problemas pessoais… Mas não quero falar muito sobre isso… Até porque estou atrasada! Tenho de estar na Baixa às onze por isso… Beijinhos Meninas! – desatei a acelerar o passo tentando fugir a mais qualquer pergunta que elas quisessem fazer
- Eu também vou apanhar o metro… Espera por mim! – ouvi a Débora gritar atrás de mim numa corrida furiosa e em menos de nada tinha-a do meu lado
Ela não tocou mais no assunto, pelo menos até termos apanhado o metro e nos sentarmos numa carruagem que ia praticamente vazia. Eu já sabia que ela ia insistir no assunto e por isso limitei-me a colocar um phone no ouvido disposta a ouvir música.
- Vais descer onde? –perguntei-lhe enquanto procurava uma música no meu Ipod touch
- Desço na Alameda… Vou ter com o Rafael! – declarou sorridente ao dizer o nome do namorado
- Ainda bem - disse mostrando um sorriso de alivio
- Ainda bem? Queres-me ver assim tão longe de ti? – perguntou-me ofendida
- Não nada disso! Simplesmente já sei que mais de cinco minutos dentro deste metro contigo vão acabar em conversas que não me apetecem muito ter… - disse ao mesmo tempo que colocava o phone que faltava no ouvido
- Agora vais-me ouvir Adriana Vale! – disse Débora num tom de voz muito chateado e puxando-me os dois phones das orelhas
Eu deixei-me ficar a olhar para ela, tentando adivinhar o rumo que aquela maldita conversa iria tomar.
- Tu andas super triste! Apagadinha de todo! Pareces uma zombie! Não dizes nada, não ages, não ris, só vives para os estudos e pouco mais! Por isso como tua melhor amiga eu exijo que me digas afinal que merda é que se anda a passar contigo? – disse-me num tom autoritário que fez um senhor que seguia perto de nós tomar sentido e eu disfarcei envergonhada desculpando-me
- Importas-te de falar mais baixo? – pedi-lhe incomodada
- Depende… Importas-te de me responder? – perguntou-me cruzando os braços em frente ao tronco
- Epá não é nada demais… Mas eu nunca pensei que a minha relação com o David pudesse ser assim…. – confessei
- Assim como? - questionou-me visivelmente confusa
- Assim… Tão complicada! Raramente o vejo, morro de saudades, está sempre em viagens para o estrangeiro ou para ir jogar fora e depois… - as palavras começaram a sair pelo meio de soluços - … e depois… depois vai fazer anos e vai fazer uma festa e age como se esta não fosse acontecer… Não me convida… Não… - as lágrimas começavam a correr pelo meu rosto – E não me convida porque acho que os pais dele vão… e ele tem vergonha de mim… não em convida para a festa porque os pais vão… - as lágrimas tinham tomado conta de mim e nada do que eu dizia fazia sentido – e eu finjo que nada se passa… tento estar bem com ele e …. E… - foi inevitável e o choro tomou conta de mim, a Débora abraçou-me
- Oh amor, já podias ter falado comigo… - dizia tentando confortar-me
- Eu sei, mas eu estava a tentar ignorar esta situação, a tentar aceitar a atitude dele… - dizia ao mesmo tempo que me agarrava mais ao abraço dela
- Oh amor… Olha para mim! Achas que vale a pena estares assim por causa disto? Senão estás feliz com esta relação sai dela!
- Mas eu amo-o… - argumentava mais calma
- Mas uma relação não é só amor! – contra argumentou ela e eu fiquei sem saber o que dizer
“Próxima estação: Alameda” – dise uma voz feminina que geralmente me dava sempre vontade de rir mas hoje não era dia para risota
- Vai, tens de sair na próxima paragem! O Rafael está á tua espera! – incentivei-a e limpei as lágrimas tentando parecer bem
- Amor… - ela ainda tentou contrariar-me
- Nada! Vai! Já mandei! – ordenei-lhe forçando um sorriso – Pelo menos já desabafei! Deitei tudo cá para fora!
- Ok, eu vou mas vamos ter de falar depois sobre isto! – disse dando-me um beijo na testa e saindo disparada antes que a porta se fecha-se
Agora que tinha despejado tudo estava bem mais calma.
A verdade é que tinha andado a tentar fingir que estava tudo bem, que nada se passava mas estava a tornar-se insuportável agir normalmente sabendo que ele não me tinha convidado para a sua festa de anos. Eu não esperava nem queria que ele me apresentasse aos pais apenas com um mês de namoro mas pelo menos ele poderia ter-me convidado, eu poderia ir como amiga ou então recusaria o convite dando-lhe uma boa explicação, mas tinha calhado bem.
Agora ele estava a agir como se eu não existisse e aquilo estava a magoar-me...
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Capítulo 91 - Não quero acordar nunca mais!
“ADRIANA”
Depois daquela troca de juras de amor eu agarrei nas minhas coisas e descemos os dois o elevador, desta vez bem juntinhos um ao outro.
Eu seguia à esquerda dele, o seu braço esquerdo rodeava a minha cintura e eu pousava a minha cabeça no peito dele e a minha mão na sua barriga tonificada.
O elevador chegou ao piso das garagens e ele deu-me um beijo muito carinhoso na testa e só depois saímos em direcção ao carro. Só nos separámos porque tínhamos de entrar no carro. Trocámos sorrisos cúmplices, abrimos as portas do carro, entrámos e sentámo-nos lado a lado.
- Então vamos onde, amor? – perguntei-lhe enquanto ambos colocávamos os cintos de segurança
- Hum… Surpresa amor! – disse-me sorridente pondo a chave na ignição
- Oh, não vale! Diz lá… pedinchei com os meus grandes olhos muito abertos
- Hum… Bem amor na verdade eu não sei onde levar você… - confessou envergonhado e eu ri-me
- Oh amor já podias ter dito! Olha porque é que não vamos dar uma volta por Lisboa? – sugeri
- Hum… Você é de cá aposto que já conhece isso tudo de uma ponta a outra, não tem piada não! – refilou
- Hum… Então porque é que não vamos ao oceanário? – sugeri muito entusiasmada porque fazia um tempão que eu não ia lá
- Hum… Porque não antes o jardim zoológico que fica aqui mais perto – sugeriu David em tom de gozo
- É isso mesmo! Vamos! – rematei muito determinada
- Eu tava brincando amor… - disse-me
- Mas eu não! Vamos lá por favor! – pedinchei novamente
- Cê acha que a gente com esse tamanhão todo temos idade para ir no jardim zoológico? – perguntou-me num tom pejorativo
- Ó, e agora há lá idades para ir ao jardim zoológico! – refilei com ele
- Bem, se é isso que você quer… -ele olhou para mim e a minha expressão era de um claro sim – Então vamo, né! – exclamou ao mesmo tempo que metia as mudanças para fazer marcha atrás
Em dez minutos, e porque às quatro e meia ainda não havia trânsito nós chegámos rapidamente ao jardim zoológico. Nas bilheteiras começámos logo uma pequena discussão para saber quem pagaria os bilhetes de entrada.
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- Sou eu! – exclamei estendendo a nota de vinte na direcção da senhora da bilheteira que nos olhava muito confusa
- Sou eu! – exclamei estendendo a nota de vinte na direcção da senhora da bilheteira que nos olhava muito confusa
- Não, sou eu! – insistiu ele afastando a minha nota e pondo a sua em riste
- Amor, a fila tem de andar! Pago eu! – afirmei já num tom chateado
- Não liga p’ra ela não moça! Quem paga sou mesmo eu! – e dito isto afastou a minha nota e atirou a dele para mais perto da senhora que tentava manter-se calma com aquela situação
- Aqui está o troco – disse a moça muito tímida dando-lhe o troco
- Muito obrigada e nos desculpe! – desculpou-se David e deu-me a mão para nos afastarmos da bilheteira
- Fogo! És mesmo teimoso! – reclamei quando já estávamos suficientemente afastados das bilheteiras
- Ah, fala o roto ao nu! – respondeu-me perspicazmente
- Hum, olha o raio do brasuca ah! A aprender ditados portugueses!
- Então… Agora que tou namorando uma portuguesinha tem de ser né? – perguntou rindo e não procurando uma resposta
Agarrou a minha cara, suprimindo-a por entre a sua mão, fazendo a minha boca unir-se num beicinho e a minha cara numa espécie de careta e beijou-me rapidamente apenas nos lábios.
- Ah portuguesinha! Que engraçado – ainda reclamei e ele roubou-me outro beijo para me calar – Isso cala-me com beijos! – refilei mais uma vez
- Hum, vai dizer que não gosta! – disse numa pose muito convencida mas sem me largar ou travando o passo ritmado que levávamos
- Oh gosto, claro que gosto… – confessei envergonhada.
Passámos o resto da tarde às voltas no Jardim Zoológico, andámos no teleférico, vimos o espectáculo de animação marinha e os restantes animais do zoo. Aproveitámos para namorar, nunca largámos a mão um do outro, e apesar de não haver muita gente no zoo, talvez porque fosse dia da semana, e felizmente ninguém o abordou, mas mesmo assim mantivemo-nos tão discretos quanto possivel, coibindo-nos assim de demonstrações de afectos mais acesas.
Eram sete e meia da noite quando terminámos a tour completa e chegámos novamente ao portão.
- Ai amor, tou cansadão! – queixou-se abraçado a mim e continuando a andar
- És tu e eu! E ainda por cima estou de saltos! – queixei-me também e apertei mais a cintura dele com o meu braço que a envolvia
- Quem manda vir de saltos?
- Olha quem me manda namorar com um homem de um metro e oitenta e oito?
- Cê é que é piquinina eu sou normal! – ripostou
- Olha-me este! Pequenina o tanas, ó! Pequena, mas chego a muito sítio onde as grandes não chegam! – mostrei-me ofendida e amarrei a burra
- Nem quero saber onde é que você chega! – disse num sorriso maroto
- David Luiz Moreira Marinho, deixa-te de esses pensamentos ó! - refilei com ele
- Oh amor, vamo embora, tou cansadão! – voltou a queixar-se
- Calma amor! Estamos a andar não estamos? – olhei para ele e a expressão dele foi óbvia - Olha eu apanho um táxi e tu assim segues já para casa… - sugeri para nos despacharmos
- Hum hum! Nada disso! – afirmou agitando os caracóis no ar – Você vem comigo! Vamo aproveitar bem o dia juntinho porque depois o tempo fica curto pr’á tar junto!
- Hum… Mas estás cansado não estás? – perguntei-lhe compreensiva
- Estou mas p’ra você há sempre tempo e energia! – afirmou sorridente
- Hum…. Estou a ver Sr. David! – disse-lhe numa cara séria que depressa desfiz – Então e queres ir comer? Já está quase na hora do jantar – informei-o passando o meu olhar pelo relógio que tinha no pulso
- Pois… Se calhar já comia qualquer coisinha já… - afirmou passando a mão no estômago
- Então e queres comer em algum sitio especial? Minha casa, tua casa, fora? – perguntei aguardando uma decisão dele
- Hum… Em minha casa não há nada… Na sua cê ia ter trabalho e eu não quero! Por isso vamo jantar fora! – disse sorridente quando já nos aproximávamos do seu carro
- Então e queres ir onde amor? – perguntei-lhe novamente deixando a decisão nas mãos dele
- Não sei… Cê tá afim de alguma coisa em especial?
- Hum, sei lá só não quero um restaurante muito cheio… Queria estar numa boa contigo, só contigo! – salientei esta última frase
- Então relaxa que eu acho que já tou tendo uma ideia! – afirmou sorridente, roubou-me um beijo, puxou-me até junto do carro e abriu-me a porta para que entrasse, gesto esse que agradeci com um sorriso terno
Ele conduziu durante mais ou menos dez minutos até chegarmos à porta de uma pizzaria, ele entrou e eu fiquei no carro.
Vi-o tirar uma nota muito grande de cinquenta euros e pareceu-me que ele acabara de subornar o empregado para conseguir obter a pizza naquele momento e sozinha dentro do carro acabei rindo ao observar aquela cena. Em menos de dez minutos ele estava dentro do carro com duas caixas de pizza na mão, um saco com duas latas de refrigerante e guardanapos que pousou no banco de trás.
Voltou a ligar o carro e seguiu caminho. Não sei bem onde estávamos porque era de noite, mas tinha a certeza que estava em Lisboa.
Quando já nada me fazia adivinhar o caminho reconheci umas luzes muito fortes acesas que formavam um arco no ar, a minha visão clarificou-se e vi então que aquelas eram as luzes do último anel do estádio da luz.
Quando já nada me fazia adivinhar o caminho reconheci umas luzes muito fortes acesas que formavam um arco no ar, a minha visão clarificou-se e vi então que aquelas eram as luzes do último anel do estádio da luz.
- Esqueceste-te de alguma coisa? – perguntei convencida de que a única razão que nos podia ter levado ali era o facto de ele ter deixado lá algo
- Não, nada disso! – esclareceu-me com a maior das naturalidades
- Então? Estamos aqui a fazer o quê? – perguntei-lhe cada vez mais curiosa
- Bem vinda ao nosso restaurante privado! – afirmou muito serenamente enquanto levantava uma mão do volante apontando na direcção do estádio
- Hã? Estás a gozar! Não vamos comer aqui! – disse-lhe muito calmamente
- Não estou não! Vamos mesmo comer aqui! Com lugar exclusivo e VIP! – declarou sorrindo
- Tu não existes! – disse meio incrédula mas terrivelmente comovida com aquele gesto, e abanando a cabeça em sinal de negação
- Ah existo sim! Pode apalpar para ter a certeza! – ordenou-me sorrindo quando dava a curva para entrar no parque do estádio
- Pode apalpar! – imitei o sotaque dele - Isso querias tu ó caracolinhos! – disse-lhe com algum desdém mas sem esconder um sorriso no rosto
- Mas eu deixo! – insistiu num tom sacana
- Que tu deixas que te apalpe sei eu, ó! – disse-lhe na brincadeira
Estacionámos o carro e entrámos no estádio, eu com o saco na mão e ele com as pizzas, mas nem assim nos largámos as nossas mãos livres iam coladas uma à outra.
Andávamos por corredores, e estes começaram a deixar de parecer tão familiares como era hábito e apercebi-me então que estávamos na entrada do túnel. Olhei para ele num gesto muito admirado e ele limitou-se a sorrir muito naturalmente como se aquilo não fosse nada de especial.
E na verdade não era, ele pisava aquele mesmo chão todas as semanas, e todas as semanas era por ali que entrava em campo para brilhar ao lado dos seus colegas com a camisola de cor berrante no corpo e águia ao peito.
Chegámos á saída do túnel, olhei em meu redor e senti-me esmagada!
Completamente minúscula, mais do que aquilo que já era. As luzes rasantes conferiam ao espaço uma atmosfera maravilhosa. O meu queixo caiu, e os meus olhos arregalaram-se e deixei-me ficar assim absorta naquele ambiente.
O David deve ter achado que estava parva mas nem todos tinham o privilégio de ver o estádio do ponto que ele o via. E depois de conhecer todos os cantos do estádio aquele era sem dúvida o melhor.
O David soltou-me a mão durante breves instantes, tirou-me o saco da comida e a minha mala da mão e pousou-os sobre o banco de suplentes encarnados enquanto eu fiquei no mesmo sítio, perdida na estrutura grandiosa que me rodeava. Ele colocou-se do meu lado e agarrou-me a mão.
Depois de ter digerido finalmente a vista do estádio da luz dali, olhei para ele que me sorria fascinado não sei se pela minha expressão ou se por mim mesma, e depois olhei para os meus pés que estavam em saltos altos e começavam visivelmente a doer-me e que em combinação com a relva não eram do melhor.
- Agora percebo porque é que não se joga futebol de saltos – brinquei e ele riu-se comigo
- Quer que eu vá buscar uns ténis ou umas chuteiras p’ra você? – perguntou-me muito prestável
- Não deixa! Eu fico mesmo descalça não há problema! – disse pragmaticamente e descalcei-os ficando com os pés no chão
Fiquei visivelmente mais baixa do que ele e ele riu-se
- Estás-te a rir de quê?
- De você, meu amor. Assim sem saltos cê nem um beijo me consegue roubar! – disse fazendo-me pirraça
- Também quem é que precisa de beijos teus? – perguntei-lhe a fim de o irritar
- Hey mazinha você! Tava brincando… - desculpou-se e roubou-me um beijo na cara
Ele deu-me a mão e puxou-me para o relvado, a relva estava fresca e meio húmida mas não me importei, o David levou-nos até aos bancos de suplentes onde estava a nossa comida. Preparámos tudo, sentámo-nos no chão lado a lado, e começámos a comer.
- Me desculpa o jantar ser isso daqui mas era o mais rápido que havia! – desculpou-se acabando de mastigar uma dentada de pizza
- Sem problemas amor, mas de facto não imaginava fim de dia melhor! A comer pizza, no estádio da luz com o melhor namorado do mundo! – disse sorrindo e olhando-o nos olhos – Ah mas eu bem vi a maneira como subornaste os senhores com aquela nota de cinquenta euros para puderes trazer logo a pizza que devia pertencer a alguém… Nunca pensei David Luiz! És um homem tão correcto, tão honesto e a roubar a pizza alheia! – disse brincando e ele riu-se comigo
- Culpa sua! Por você faço qualquer loucura! – disse muito convicto e eu acreditei
- És louco!
- Sou louco sim! Por você! – disse-me aproximando o seu rosto do meu e tocando-me os lábios
Os meus lábios frios pressionaram os dele levemente com algum ardor, senti-o sorrir ligeiramente. As nossas línguas invadiram a boca um do outro sem precisar de pedir autorização e entrelaçaram-se num compasso ritmado. Quebrámos o beijo e sorrimos.
- Loucura de amor é bom! – acrescentou dando uma dentada na pouca pizza que lhe sobrava na mão
- Loucura de amor é saudável! Se for contigo, melhor ainda! – acrescentei e toquei com o meu rosto no dele, pousei o resto da pizza
- Não vai comer mais? – perguntou-me preocupado
- Não…. Estou cheia!
-Fraquinha! – picou-me com ar de miúdo malandro
- Fraquinha? Coitado! Dou-te um bailinho! Até de bola sou melhor que tu! – respondi á picardia à letra
- Ah! Quero ver isso! – disse levantando-se e tirando uma bola que estava junto ao banco de suplentes
David avançou para dentro das quatro linhas e começou a dar toques na bola como que desafiando-me a fazer melhor. Juntei-me a ele e ele passou-me a bola para as mãos.
Deixei a bola cair sobre os meus pés, dei uns toques alternados com os pés, outros com os joelhos e por fim terminei com uma sequência de quatro com a cabeça e o David olhava-me espantadíssimo. Na verdade ter vivido a minha infância rodeada pelo Ruben e pelo meu primo Carlos tinha-me trazido alguns benefícios como o facto de até me safar com a bola.
- Fraquinha hã? – perguntei desafiando-o
- Isso foi sorte! – disse-me tentando desviar o assunto – Vamo ver como você é em campo!
- Não te metas comigo! Ainda levas um golaço! – ameacei na brincadeira
- Vamo ver! – rematou David a conversa afastando-se na direcção na baliza
A bola estava nos meus pés comecei a olhar para ele ao mesmo tempo que avançava na direcção da baliza com a bola nos pés. Ele olhava para mim já com um sorriso vitorioso.
Cheguei ao pé dele, estávamos a pouco mais de dois metros, ele avançou para me tirar a bola.
E eu podia até desenrascar-me mas ele era o David Luiz por isso agarrei na bola com as mãos e despistei-o desatando a correr na direcção da baliza. Ele foi apanhado desprevenido e desatou a correr atrás de mim quando eu já levava um bom avanço.
Eu ria-me certa de que iria ganhar mas o meu passo traiu-me abrandei por breves instantes o suficiente para ele me apanhar.
Então pousei a bola no chão, quando já estava a três metros da baliza e chutei-a, foi golo certo.
Eu ria-me certa de que iria ganhar mas o meu passo traiu-me abrandei por breves instantes o suficiente para ele me apanhar.
Então pousei a bola no chão, quando já estava a três metros da baliza e chutei-a, foi golo certo.
- GOOOOOOLOOOOOO! – gritei para o provocar e sambei ligeiramente
Encolhi-me esperando o momento que David chegasse a mim e foi rápido. Ele agarrou-me por trás pela cintura levantando-me do chão e eu encolhi instantaneamente as pernas e agarrei-me a braço dele que rodeava a minha cintura
- David põe-me no chão – pedia em riso
- Sua batoteira! – reclamava ele enquanto encostava o seu queixo ao meu ombro e nos rodava no mesmo sitio
- Eu ganhei-te ó! Isso é desculpa de perdedor!
- Claro, se você tivesse jogando Rugby ganhava mas isso é futebol! – reclamava ele e eu ainda me ria mais
Ele pôs-me finalmente no chão e sorriu-me.
- Vá lá, admite lá que até me safo! – pedi-lhe
- Ah… Já vi pior – disse não querendo admitir a verdade
Acabámos os dois por nos rirmos e abraçados.
- Amo-te David! – disse com o meu rosto em frente ao dele
- Eu amo mais! – jurou-me e sem me dar tempo de ripostar beijou-me apaixonadamente
Um sopro de ar correu o estádio e eu tremi nos braços dele.
- Tá com frio? – perguntou-me preocupado
- Estou descalça – disse-lhe não tirando aos mãos do seu pescoço e olhámos os dois para os meus dedos descalços que se arrebitavam no ar
- Vem cá! – disse-me e agarrou-me ao colo tal qual sua noiva
- Isto é mesmo só para mostrares que és forte não é? – perguntei-lhe tentando brincar com ele
- Ué, e não sou? – perguntou e ambos nos rimos
Ele levou-me até ao banco de suplentes e eu fiquei sentada ao colo dele, com a minha cabeça aninhada no seu peito e ele passando os seus dedos pelos meus cabelos. Trocamos carícias e beijos apaixonados até altas horas da noite. Ele acabou por me deixar em casa e seguiu para a sua. Se aquilo foi um sonho então eu não quero acordar nunca mais...
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Capítulo 90 - Não tou agarrando você
“ADRIANA”
- Então e onde é que o meu boguinhas pode levar a senhora? – perguntou brincando
Eu deixei-me ficar a olhá-lo. O seu pescoço estava ligeiramente caído para trás, a sua farta cabeleira deixava alguns caracóis caídos sobre a sua face, e a sua boca continuava a chamar por mim. Estava cansada, precisava desesperadamente de um banho e não lhe respondi. Não movi um único músculo e na posição que estava fiquei.
Ele percebeu o meu silêncio, desencostou-se do corrimão e veio ter comigo. Em menos de dois segundos tinha-o à minha frente, colocando as suas mãos grandes e sempre quentes, nos meus quadris. E

- Hum, que gata! – disse ele apagando a televisão e colocando-se do meu lado – Até me sinto mal do seu lado assim vestido!
- Não digas disparates! – ordenei-lhe com carinho passando os meus dedos frios pela cara dele
- Cê sabe que te amo? – disse aproximando-se de mim
- Hum… Faço uma pequena ideia – disse brincando
- Hum, então diz-me o quanto me amas! – pedi-lhe ternurenta
- Que exagerado! – disse-lhe convicta
- Não é exagero não! É a mais pura das verdades! Te amo muitão! Te amo loucamente! – voltou a jurar-me agora com o rosto mais próximo do meu
- Amas-me como? – voltei a perguntar-lhe sorrindo porque ouvir aquilo sabia muito bem
Ele pousou a mão dele no meu rosto e eu olhei-lhe nos olhos quando as nossas testas se juntaram.
- Te amo um montão! – jurou-me e os seus olhos transbordaram sinceridade
Limitei-me a sorrir e ele humedeceu os seus lábios. Aproximou-os dos meus e beijou-me.
Um beijo apaixonado, sem quaisquer atrevimentos, louco, muito sentido mas puro. Um beijo que expressou as palavras simples de David. Quebramos o beijo e as nossas testas permaneceram unidas bem como as nossas mãos. Sorrimos.
- Eu também, meu amor. Eu também… - sussurrei-lhe contra os lábios num beijo curto
Coloquei a mão no manípulo da porta do pendura e antes que tivesse tempo de abrir o vidro desceu e eu pude vê-lo. Debrucei-me sobre a janela do carro e pus a cabeça para dentro.
Ele olhava para mim com uma expressão de miúdo malandro e um sorriso tímido.
Ele olhava para mim com uma expressão de miúdo malandro e um sorriso tímido.
- Boas! – cumprimentei-o - Achas que posso entrar? – perguntei brincando com ele
- Não sei, não! Não deixo entrar qualquer pessoa no meu carro… - ele alinhou na brincadeira e torceu o nariz
- Hum, estou a ver… Mas eu só queria mesmo uma boleia… - sugeri picando-o
- E tá indo p’ra onde? – perguntou-me ele com um ar matreiro
- Para onde o meu namorado me levar! – respondi-lhe com o maior sorriso que a minha boca me permitiu fazer e ele correspondeu fazendo outro igual
- Tá esperando o quê para entrar então? – perguntou-me com o sorriso mais escancarado que já lhe vira no rosto
Abri a porta do carro ao mesmo tempo que ele fechava a janela. Sentei-me e inclinei-me na direcção dele. Os lábios quentes dele embateram contra os meus muito suavemente e durante alguns segundos. Não hesitei e roubei-lhe outros dois beijos rápidos e repenicados nos lábios. Sorrimos.
- Então e essa boleia é p’rá onde garota? – perguntou-me dando continuidade à brincadeira.
- Para onde o teu boguinhas me levar! – respondi carinhosamente
- Cê chamou o meu carrão de quê? – perguntou-me com uma expressão clara, de falso ofendido
- De boguinhas! É querido! – respondi com um sorriso expectante
Ele desatou às gargalhadas e eu também não pude evitar contê-las.
- Então e onde é que o meu boguinhas pode levar a senhora? – perguntou brincando
- Hum, não sei mas esta senhora está mesmo a precisar de um banho e de trocar de roupa… - afirmei
- Hum, então que seja! – exclamou ele com um sorriso no rosto e colocando o carro em andamento.
Não demorámos mais de quinze minutos a chegar à minha casa. Ele estacionou o carro nas garagens e subimos agarrados para o elevador. Encontrámos a D. Joana, a velhota vizinha da frente que foi como sempre muito doce e amável e que nos aconselhou juízo, e nós rimo-nos claro.
Seguíamos então no elevador, os dois olhando-nos, eu num canto e ele noutro.
Seguíamos então no elevador, os dois olhando-nos, eu num canto e ele noutro.
- Amor… - chamou ele numa voz preguiçosa e deixando pender o seu corpo para o lado enquanto apoiava o cotovelo num corrimão que ladeava o corredor nas laterais
Eu deixei-me ficar a olhá-lo. O seu pescoço estava ligeiramente caído para trás, a sua farta cabeleira deixava alguns caracóis caídos sobre a sua face, e a sua boca continuava a chamar por mim. Estava cansada, precisava desesperadamente de um banho e não lhe respondi. Não movi um único músculo e na posição que estava fiquei.
Ele percebeu o meu silêncio, desencostou-se do corrimão e veio ter comigo. Em menos de dois segundos tinha-o à minha frente, colocando as suas mãos grandes e sempre quentes, nos meus quadris. E
Ele olhava-me sem pudores, directamente, intensamente e indiscretamente. Senti o olhar deve desviar-se do meu rosto, dos meus olhos e pousar sobre os meus lábios. Percebi a mensagem dele.
Ele queria beijar-me e na verdade eu também queria muito mas poderia aparecer alguém e eu não gostava daquilo tipo de situações.
Ele avançou com os seus lábios na minha direcção mas eu travei-lhe o movimento erguendo a minha mão direita entre os nossos dois rostos. Ele fez um beicinho claro e eu tentei controlar o riso.
Ele avançou com os seus lábios na minha direcção mas eu travei-lhe o movimento erguendo a minha mão direita entre os nossos dois rostos. Ele fez um beicinho claro e eu tentei controlar o riso.
- Que carinha é essa? – perguntei-lhe brincando
- Cara de quem tá precisando de um beijo seu! – insistiu voltando a aproximar os seus lábios dos meus
- David, deixa-te estar onde estás! – ordenei empurrando-o para o canto do elevador que lhe pertencia e deixando-me ficar no meu – Deixa-te ficar aí senão não respondo por mim!
- A ideia é mesmo essa! – sugeriu com um ar maroto e aproximando-se novamente de mim
- David… - alertei-o voltando a forçá-lo a regressar ao seu canto
- Pronto, já parei! – disse num tom muito inocente
- Hum, hum, faz essa carinha que eu gosto! – ripostei provocando-o e o elevador deu sinal de chegada
Saí do elevador e ele seguiu-me. Enquanto caminhava até á minha porta procurava as chaves na mala e logo as encontrei. Quando no grande molho de chaves, chafurdava em busca da correcta senti uns braços fortes envolverem-me a cintura ternamente.
Esse abraço trouxe também uma respiração calma e quente contra o meu pescoço, e eu automaticamente arrepiei-me. Senti os lábios quentes e húmidos dele contra o meu pescoço.
Esse abraço trouxe também uma respiração calma e quente contra o meu pescoço, e eu automaticamente arrepiei-me. Senti os lábios quentes e húmidos dele contra o meu pescoço.
- Gosta pouco, gosta! - disse-me num tom gozão
- David… - chamei mais uma vez mas em vão
Eu queria tanto abraçá-lo, tocá-lo, beijá-lo como ele a mim. Sorrimos os dois perante a minha cedência ao toque dele.
Deixei-o continuar a abraçar-me por trás e cheguei à porta de casa.
Meti á chave á porta e antes que a conseguisse rodar senti de novo os lábios do David contra a minha pele, arrepiei-me novamente, e o meu frágil auto-controlo quebrou.
Ele sorriu vitorioso pelo meio dos meus cabelos e eu deixei a minha cabeça cair sobre o ombro dele, encostei mais o meu corpo ao dele e deixei-me estar assim. O lado esquerdo do seu rosto ficou encostado ao lado direito do meu. Ele desviou os meus cabelos do pescoço e beijou-me novamente a pele, uma vez e outra, e depois no rosto.
Meti á chave á porta e antes que a conseguisse rodar senti de novo os lábios do David contra a minha pele, arrepiei-me novamente, e o meu frágil auto-controlo quebrou.
Ele sorriu vitorioso pelo meio dos meus cabelos e eu deixei a minha cabeça cair sobre o ombro dele, encostei mais o meu corpo ao dele e deixei-me estar assim. O lado esquerdo do seu rosto ficou encostado ao lado direito do meu. Ele desviou os meus cabelos do pescoço e beijou-me novamente a pele, uma vez e outra, e depois no rosto.
- David… Quero entrar… - pedi-lhe tentando convencer-me de que era aquilo que queria
- Eu não tou agarrando você – disse num tom sacana e escondendo um sorriso obvio que já se adivinhava no seu rosto apesar de eu não o ver
Mordi o lábio inferior sorrindo, enchi os pulmões de ar e afastei o meu corpo do dele. Acabei de rodar as chaves e entrei logo seguida dele.
- Amor, fica á vontade! Vou tomar um banho e vestir outra roupa – disse-lhe e segui para o meu quarto.
Em meia hora estava pronta para sair de casa e juntei-me a ele que já esperava impaciente na sala fazendo zapping na televisão.

- Estou pronta! – anunciei calmamente colocando as minhas chaves na mala
- Hum, que gata! – disse ele apagando a televisão e colocando-se do meu lado – Até me sinto mal do seu lado assim vestido!
- Não digas disparates! – ordenei-lhe com carinho passando os meus dedos frios pela cara dele
- Cê sabe que te amo? – disse aproximando-se de mim
- Hum… Faço uma pequena ideia – disse brincando
- Não faz, não! – disse agitando os caracóis no ar
- Hum, então diz-me o quanto me amas! – pedi-lhe ternurenta
- Te amo um montão! Assim gigante! – jurou-me abrindo os braços no ar em jeito de criança irrequieta
- Que exagerado! – disse-lhe convicta
- Não é exagero não! É a mais pura das verdades! Te amo muitão! Te amo loucamente! – voltou a jurar-me agora com o rosto mais próximo do meu
- Amas-me como? – voltei a perguntar-lhe sorrindo porque ouvir aquilo sabia muito bem
Ele pousou a mão dele no meu rosto e eu olhei-lhe nos olhos quando as nossas testas se juntaram.
- Te amo um montão! – jurou-me e os seus olhos transbordaram sinceridade
Limitei-me a sorrir e ele humedeceu os seus lábios. Aproximou-os dos meus e beijou-me.
Um beijo apaixonado, sem quaisquer atrevimentos, louco, muito sentido mas puro. Um beijo que expressou as palavras simples de David. Quebramos o beijo e as nossas testas permaneceram unidas bem como as nossas mãos. Sorrimos.
- Eu também, meu amor. Eu também… - sussurrei-lhe contra os lábios num beijo curto
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Capítulo 89 - Tinhamos uma tarde toda para isso... (Parte II)
“ADRIANA”
Eu estava impaciente, a aula de desenho nunca mais acabava e eu queria era almoçar, ir á aula de Geometria Descritiva da tarde e finalmente puder estar com David.
Finalmente a campainha tocou, agarrei nas minhas coisas, entreguei o desenho e precipitei-me na direcção das meninas, Ana, Catarina, Kika e Débora que me olhavam como se olha uma louca, e naquele momento deve ter sido exactamente isso que eu parecia, ri-me com os meus próprios pensamentos.
- Então vamos almoçar ou não? – perguntei muito impaciente batendo com as unhas no tampo da mesa onde Catarina e Kika arrumavam ainda as suas coisas
- Ei vê lá se te acalmas! Onde é que é o fogo ó? – perguntou-me Catarina em tom de brincadeira
- O fogo não é em lado nenhum, mas quero almoçar depressa para depois termos descritiva! – respondi-lhe eu prontamente
- Mas sabes que não é por almoçares mais depressa que a hora de almoço também passa mais depressa, não há qualquer relação nisso espero que saibas… - clarificou Ana que entretanto acabara de arrumar as suas coisas
- Eu sei! Mas ajuda! Vá lá! Vamos lá! – insisti puxando comigo Débora que já estava pronta
Elas acabaram todas por nos alcançar. Passamos pela cantina, o almoço era bom mas como estava muita gente resolvemos ir almoçar a um restaurantezinho que abrira à pouco tempo ali perto e assim era mais rápido.
O restaurante era daqueles Self-service, eu enchi o meu prato com um pouco de carne assada, arroz e salada, bebi uma garrafa de água e para sobremesa, mousse de manga.
Sentamo-nos todas. Apesar de toda a ansiedade eu almoçava calmamente.
- Bem, senhora dona Adriana! Então e onde é que vamos esta tarde? Colombo ou Vasco? As comprinhas estão mesmo a chamar por nós! – aliciou-me Kika num sorriso deliciado
- Bem, a lado nenhum… Já tenho coisas combinadas. – Kika fez uma expressão de aborrecida e eu acrescentei - Com o David! – a tensão desapareceu do rosto dela e uma expressão pávida e serena comandou-lhe o gesto seguinte
- Oh, se é com ele… - declarou calmamente Kika metendo mais uma garfada de arroz à boca
- Se é com ele, o tanas! Vais-nos deixar assim agarradas? – perguntou Catarina visivelmente aborrecida – Que granda amiga!
- Oh meus amores, desculpem mas o David tem treinos todos dos dias e hoje é o dia de folga dele por isso será dos poucos dias que teremos juntos esta semana…. Não se aborreçam comigo, mas tenho de aproveitar todos os segundinhos! – afirmei tentando chamá-las à razão
- Tass bem! Nós compreendemos! Mas como já tínhamos combinado esta ida às compras fiquei um bocadinho aborrecida… - disse Catarina agora mais calma
- Olha, marcamos para outro dia em que não vás estar com ele – sugeriu Débora apaziguadora
- Não é preciso! Se quiserem ir hoje sem mim não há problema, eu não vou ficar chateada! – afirmei num tom de voz sincero
- Sim mas ou vamos todas ou não vai nenhuma! Qual era a graça? – perguntou-me Catarina agora já com um sorriso no rosto
- Então é para quando vocês quiserem! – rematei também sorridente
- É melhor primeiro acertares lá com o Sr. Dos Caracóis quando é que estão juntos que é para depois não atrapalharmos as saídas dos pombinhos com idas ao shopping – disse Kika num tom de pirraça e todas se riram com o “Sr. Dos Caracóis”até eu não consegui evitar uma boa gargalhada
- Então deixa que eu falo com o Sr. Dos Caracóis e depois digo-vos alguma coisa – informei ainda abafando uma última risada
O almoço seguiu calmo, ainda com algumas brincadeiras por parte delas em relação ao David, mas nada que eu levasse a mal.
Mal o almoço acabou dirigimo-nos à escola, estava quase a tocar. Quando a campainha deu sinal fui das primeiras a entrar na sala, sentei-me logo nos lugares da frente junto a elas, eu ia ter exame este ano e não queria perder nada da matéria.
Apesar de toda a ansiedade de o ir ver eu queria muito estar concentrada e assim o fiz. Abstrai-me de todos e qualquer pensamento que o pudessem envolver e embrenhei-me na matéria. Só voltei a ser chamada á realidade quando a campainha tocou anunciando o fim da aula.
Agarrei novamente as minhas coisas numa correria, passei pelo cacifo para deixar as minhas coisas para o dia seguinte, as meninas vinham atrás de mim e eu puxava-as para as apressar. Elas reclamavam mas seguiam á mesma atrás de mim. Chegámos ao portão, havia bastante gente e eu não conseguia vê-lo nem ao carro dele.
- Ele pode ter-se atrasado… - acalmou-me Débora
- Achas? O David não se ia atrasar! – ripostei imediatamente
- Oh se calhar ele está para aí e tu não o vês! – recorreu Ana imediatamente
- Olha! Como é que é o carro dele? – perguntou Catarina na sua maior ignorância
- Vê-se mesmo que és lagarta! Toda a gente sabe que o carro do David é um Audi Q7 branco! – defendeu Ana nas suas certezas de grande Benfiquista
- É Adriana? – perguntou Kika querendo confirmar as informações de Ana
- Sim, é! – disse secamente
- Olha se fosse a ti começava a ter cuidado, isto não é ser fã é ser louca! Ainda te rapta o namorado! – brincou Catarina muito bem disposta e todas se riram inclusive eu apesar dos nervos de não o ver
- Ah, tens cá uma graça! – zangou-se Ana que foi a única que não se riu com a piada
- Olha lá! Não é aquele ali? – perguntou-me Kika apontando para um carro Branco que estava estacionado a um canto da escola
- Sim, é aquele mesmo! – um sorriso iluminou instantaneamente o meu rosto
Apesar dos vidros escuros eu sabia que era ele
- Bem meninas, eu vou andando! Obrigada! – dei um abraço e dois beijinhos em cada uma
Segui num passo apressado até ao carro, o meu coração batia e a minha boca já ansiava por um beijo dele.
Eu estava impaciente, a aula de desenho nunca mais acabava e eu queria era almoçar, ir á aula de Geometria Descritiva da tarde e finalmente puder estar com David.
Finalmente a campainha tocou, agarrei nas minhas coisas, entreguei o desenho e precipitei-me na direcção das meninas, Ana, Catarina, Kika e Débora que me olhavam como se olha uma louca, e naquele momento deve ter sido exactamente isso que eu parecia, ri-me com os meus próprios pensamentos.
- Então vamos almoçar ou não? – perguntei muito impaciente batendo com as unhas no tampo da mesa onde Catarina e Kika arrumavam ainda as suas coisas
- Ei vê lá se te acalmas! Onde é que é o fogo ó? – perguntou-me Catarina em tom de brincadeira
- O fogo não é em lado nenhum, mas quero almoçar depressa para depois termos descritiva! – respondi-lhe eu prontamente
- Mas sabes que não é por almoçares mais depressa que a hora de almoço também passa mais depressa, não há qualquer relação nisso espero que saibas… - clarificou Ana que entretanto acabara de arrumar as suas coisas
- Eu sei! Mas ajuda! Vá lá! Vamos lá! – insisti puxando comigo Débora que já estava pronta
Elas acabaram todas por nos alcançar. Passamos pela cantina, o almoço era bom mas como estava muita gente resolvemos ir almoçar a um restaurantezinho que abrira à pouco tempo ali perto e assim era mais rápido.
O restaurante era daqueles Self-service, eu enchi o meu prato com um pouco de carne assada, arroz e salada, bebi uma garrafa de água e para sobremesa, mousse de manga.
Sentamo-nos todas. Apesar de toda a ansiedade eu almoçava calmamente.
- Bem, senhora dona Adriana! Então e onde é que vamos esta tarde? Colombo ou Vasco? As comprinhas estão mesmo a chamar por nós! – aliciou-me Kika num sorriso deliciado
- Bem, a lado nenhum… Já tenho coisas combinadas. – Kika fez uma expressão de aborrecida e eu acrescentei - Com o David! – a tensão desapareceu do rosto dela e uma expressão pávida e serena comandou-lhe o gesto seguinte
- Oh, se é com ele… - declarou calmamente Kika metendo mais uma garfada de arroz à boca
- Se é com ele, o tanas! Vais-nos deixar assim agarradas? – perguntou Catarina visivelmente aborrecida – Que granda amiga!
- Oh meus amores, desculpem mas o David tem treinos todos dos dias e hoje é o dia de folga dele por isso será dos poucos dias que teremos juntos esta semana…. Não se aborreçam comigo, mas tenho de aproveitar todos os segundinhos! – afirmei tentando chamá-las à razão
- Tass bem! Nós compreendemos! Mas como já tínhamos combinado esta ida às compras fiquei um bocadinho aborrecida… - disse Catarina agora mais calma
- Olha, marcamos para outro dia em que não vás estar com ele – sugeriu Débora apaziguadora
- Não é preciso! Se quiserem ir hoje sem mim não há problema, eu não vou ficar chateada! – afirmei num tom de voz sincero
- Sim mas ou vamos todas ou não vai nenhuma! Qual era a graça? – perguntou-me Catarina agora já com um sorriso no rosto
- Então é para quando vocês quiserem! – rematei também sorridente
- É melhor primeiro acertares lá com o Sr. Dos Caracóis quando é que estão juntos que é para depois não atrapalharmos as saídas dos pombinhos com idas ao shopping – disse Kika num tom de pirraça e todas se riram com o “Sr. Dos Caracóis”até eu não consegui evitar uma boa gargalhada
- Então deixa que eu falo com o Sr. Dos Caracóis e depois digo-vos alguma coisa – informei ainda abafando uma última risada
O almoço seguiu calmo, ainda com algumas brincadeiras por parte delas em relação ao David, mas nada que eu levasse a mal.
Mal o almoço acabou dirigimo-nos à escola, estava quase a tocar. Quando a campainha deu sinal fui das primeiras a entrar na sala, sentei-me logo nos lugares da frente junto a elas, eu ia ter exame este ano e não queria perder nada da matéria.
Apesar de toda a ansiedade de o ir ver eu queria muito estar concentrada e assim o fiz. Abstrai-me de todos e qualquer pensamento que o pudessem envolver e embrenhei-me na matéria. Só voltei a ser chamada á realidade quando a campainha tocou anunciando o fim da aula.
Agarrei novamente as minhas coisas numa correria, passei pelo cacifo para deixar as minhas coisas para o dia seguinte, as meninas vinham atrás de mim e eu puxava-as para as apressar. Elas reclamavam mas seguiam á mesma atrás de mim. Chegámos ao portão, havia bastante gente e eu não conseguia vê-lo nem ao carro dele.
- Ele pode ter-se atrasado… - acalmou-me Débora
- Achas? O David não se ia atrasar! – ripostei imediatamente
- Oh se calhar ele está para aí e tu não o vês! – recorreu Ana imediatamente
- Olha! Como é que é o carro dele? – perguntou Catarina na sua maior ignorância
- Vê-se mesmo que és lagarta! Toda a gente sabe que o carro do David é um Audi Q7 branco! – defendeu Ana nas suas certezas de grande Benfiquista
- É Adriana? – perguntou Kika querendo confirmar as informações de Ana
- Sim, é! – disse secamente
- Olha se fosse a ti começava a ter cuidado, isto não é ser fã é ser louca! Ainda te rapta o namorado! – brincou Catarina muito bem disposta e todas se riram inclusive eu apesar dos nervos de não o ver
- Ah, tens cá uma graça! – zangou-se Ana que foi a única que não se riu com a piada
- Olha lá! Não é aquele ali? – perguntou-me Kika apontando para um carro Branco que estava estacionado a um canto da escola
- Sim, é aquele mesmo! – um sorriso iluminou instantaneamente o meu rosto
Apesar dos vidros escuros eu sabia que era ele
- Bem meninas, eu vou andando! Obrigada! – dei um abraço e dois beijinhos em cada uma
Segui num passo apressado até ao carro, o meu coração batia e a minha boca já ansiava por um beijo dele.
Capítulo 89 - Tinhamos uma tarde toda para isso... (Parte I)
“DAVID”
Acordei bem cedo, agarrei no meu telefone e resolvi mandar mensagem para a minha gatinha.
“Bom dia amorzão!
Não sei a que horas cê sai das aulas mas estou querendo estar com você hoje.
Estou cheio de saudades! Quando a sua aula acabar me diz qualquer coisa!
Beijo enorme!
Te amo muitão!
David”
Era inevitável sorrir sempre que fazia algo que se relacionasse com ela ou que me fizesse lembrar dela. Fui até o banheiro, tomei um duche rápido e quando cheguei ao quarto para me vestir já tinha sinal de mensagem dela.
“Bom dia, paixão!
Estou a ter aula de desenho e saio às 15h20. Devo almoçar aqui pela escola com as meninas, por isso a partir das 15h20 sou toda tua! Também estou cheia de saudades tuas! :P
Beijo grande
Também te amo muito!
Adriana”
Fiquei contente, era óptimo saber que podia aproveitar toda a minha tarde de folga para estar com ela, antes de começar a me vestir agarrei novamente no telefone e respondi.
“Tá matando aula? Não se responde a mensagens na aula, não! Raio da menina! Presta atenção na matéria! :P
Então eu te pego na escola ás 15h20m!
Beijão, até logo!
Te amo, namorada! (L)
David”
Abri então a porta do meu guarda vestidos, tirei de lá de dentro uns jeans, uma t-shirt branca da Hurley com a palavra escrita em azul marinho no meia dela, uma camisa vermelha ao xadrez que deixei aberta, uns cinzas e pretos e coloquei o meu relógio preto e azul.

O meu telemóvel em cima da mesinha deu sinal enquanto eu apertava os atacadores, era ela.
"Senão presto atenção, culpa tua! Distrais-me! Deixas-me assim: desorientada! :P
Ok, eu vou estar pronta a essa hora!
Beijão enorme, namorado (L)
Adriana”
“Óptimo!” pensei eu, iria mesmo puder estar com ela a tarde toda, e poderíamos matar todas as saudades.
Fiz a cama, sai do quarto e fui até à cozinha, comi um pratão cheio de torradas e um copo de sumo de laranja natural.
Agora ia estar com ela mas não sabia onde a levar, até porque a minha vontade era invadir aquela escola, virar ela ponta cabeceira e trazer ela comigo p’ra almoçar mesmo que tivesse de matar aula. Mas eu sabia o quanto a escola era importante para ela e por isso deixei os meus planos para a tarde, teria assim muito tempo para estar com ela.
Sentei no sofá e liguei na Benfica TV. Não demorou muito até o meu sossego ser interrompido por uma chamada do manz.
- Alô!
- Tou? David, sou eu o Ruben!
- Fala aí manz! Aconteceu alguma coisa? – perguntei eu
- Não, nada de especial, olha não queres vir logo à noite jantar cá a casa mais a Adriana?
- Hum, não sei se ela vai querer não, manz. A gente tava pensado passar a tarde todo junto, só nós dois, para matar a saudade! – informei-o sinceramente
- Hum, estou a ver! Estás a dar aqui uma granda nega ao pessoal, mas tass! Deixa lá!
- Não tou dando nega não mas a gente vai ter um monte de tempo para fazer dessas saídas de casais mas primeiro me deixa curtir da minha namorada sozinho vai!
- Pois pois! Então fica lá a curtir da tua namorada que eu tenho o Fábio em espera, cortes! – me censurou o Ruben
- Vai lá, fica bem manz! – me despedi
- Fica bem mano, tchau! – se despediu também e desligou a chamada
Eu gostava muito de estar com o pessoal todo mas eu queria mesmo era estar sozinho com a Adriana, porque não estávamos assim á um montão de tempo. Bem há coisa de uma semana e meia mas isso para mim já era tempo demais.
Acabei almoçando sozinho uma daquelas refeições congeladas do Pingo Doce, não era a comida da mamãe mas era gostosa de qualquer jeito.
Ainda eram 14h00 quando eu acabei de almoçar, ainda tinha muito que esperar até à aula de Adriana acabar. Me sentei no sofá e liguei a televisão de novo.
Fui passando os canais rapidamente, estava aborrecido e parecia que o tempo demorava p’ra passar. Parei na TVI, vi então o anúncio televisivo da Adriana para a marca Dolce e Gabbana. Como ela estava linda!
Fiquei todo orgulhoso de puder dizer que aquela era a minha namorada.
Fiquei com um sorriso do tamanho do mundo e com a expressão mais babada que se possa imaginar. Quando olhei de novo para o relógio já eram 14h30.
Resolvi ir andando para a escola dela, e esperava no estacionamento.
Aquela hora, e num dia da semana o transito em Lisboa estava bastante calmo, até mais do que o normal. Em menos de meia hora acabei chegando na escola dela, estacionei o carro e agora só teria de esperar mais 20 minutos.
Ouvi a campainha, não demorou muito até ver gente a sair do interior da escola, mas dela nem sinal. Esperei então mais cinco minutos, e lá vinha ela, disparada puxando atrás de si quatro colegas, das quais apenas reconheci Débora.
Ela olhou em todas as direcções, procurando pelo meu carro, mas ela não o via, foram as quatro colegas que por entre sorrisos e brincadeiras o identificaram e lhe disseram.
Ela sorriu apesar de não conseguir ver quem estava dentro do carro.
Queria ter saído do carro mas estava muita gente no parque e poderia por em causa o nosso pacto de sigilo. Esperei que fosse ela a me procurar e ela assim o fez.
Sorriu para as outras meninas, deu dois beijinhos em cada, um abraço e iniciou uma marcha apressada em direcção ao meu carro.
O meu coração acelerou, eu queria abraçá-la, beijá-la e tínhamos uma tarde inteira para isso…
Acordei bem cedo, agarrei no meu telefone e resolvi mandar mensagem para a minha gatinha.
“Bom dia amorzão!
Não sei a que horas cê sai das aulas mas estou querendo estar com você hoje.
Estou cheio de saudades! Quando a sua aula acabar me diz qualquer coisa!
Beijo enorme!
Te amo muitão!
David”
Era inevitável sorrir sempre que fazia algo que se relacionasse com ela ou que me fizesse lembrar dela. Fui até o banheiro, tomei um duche rápido e quando cheguei ao quarto para me vestir já tinha sinal de mensagem dela.
“Bom dia, paixão!
Estou a ter aula de desenho e saio às 15h20. Devo almoçar aqui pela escola com as meninas, por isso a partir das 15h20 sou toda tua! Também estou cheia de saudades tuas! :P
Beijo grande
Também te amo muito!
Adriana”
Fiquei contente, era óptimo saber que podia aproveitar toda a minha tarde de folga para estar com ela, antes de começar a me vestir agarrei novamente no telefone e respondi.
“Tá matando aula? Não se responde a mensagens na aula, não! Raio da menina! Presta atenção na matéria! :P
Então eu te pego na escola ás 15h20m!
Beijão, até logo!
Te amo, namorada! (L)
David”
Abri então a porta do meu guarda vestidos, tirei de lá de dentro uns jeans, uma t-shirt branca da Hurley com a palavra escrita em azul marinho no meia dela, uma camisa vermelha ao xadrez que deixei aberta, uns cinzas e pretos e coloquei o meu relógio preto e azul.

O meu telemóvel em cima da mesinha deu sinal enquanto eu apertava os atacadores, era ela.
"Senão presto atenção, culpa tua! Distrais-me! Deixas-me assim: desorientada! :P
Ok, eu vou estar pronta a essa hora!
Beijão enorme, namorado (L)
Adriana”
“Óptimo!” pensei eu, iria mesmo puder estar com ela a tarde toda, e poderíamos matar todas as saudades.
Fiz a cama, sai do quarto e fui até à cozinha, comi um pratão cheio de torradas e um copo de sumo de laranja natural.
Agora ia estar com ela mas não sabia onde a levar, até porque a minha vontade era invadir aquela escola, virar ela ponta cabeceira e trazer ela comigo p’ra almoçar mesmo que tivesse de matar aula. Mas eu sabia o quanto a escola era importante para ela e por isso deixei os meus planos para a tarde, teria assim muito tempo para estar com ela.
Sentei no sofá e liguei na Benfica TV. Não demorou muito até o meu sossego ser interrompido por uma chamada do manz.
- Alô!
- Tou? David, sou eu o Ruben!
- Fala aí manz! Aconteceu alguma coisa? – perguntei eu
- Não, nada de especial, olha não queres vir logo à noite jantar cá a casa mais a Adriana?
- Hum, não sei se ela vai querer não, manz. A gente tava pensado passar a tarde todo junto, só nós dois, para matar a saudade! – informei-o sinceramente
- Hum, estou a ver! Estás a dar aqui uma granda nega ao pessoal, mas tass! Deixa lá!
- Não tou dando nega não mas a gente vai ter um monte de tempo para fazer dessas saídas de casais mas primeiro me deixa curtir da minha namorada sozinho vai!
- Pois pois! Então fica lá a curtir da tua namorada que eu tenho o Fábio em espera, cortes! – me censurou o Ruben
- Vai lá, fica bem manz! – me despedi
- Fica bem mano, tchau! – se despediu também e desligou a chamada
Eu gostava muito de estar com o pessoal todo mas eu queria mesmo era estar sozinho com a Adriana, porque não estávamos assim á um montão de tempo. Bem há coisa de uma semana e meia mas isso para mim já era tempo demais.
Acabei almoçando sozinho uma daquelas refeições congeladas do Pingo Doce, não era a comida da mamãe mas era gostosa de qualquer jeito.
Ainda eram 14h00 quando eu acabei de almoçar, ainda tinha muito que esperar até à aula de Adriana acabar. Me sentei no sofá e liguei a televisão de novo.
Fui passando os canais rapidamente, estava aborrecido e parecia que o tempo demorava p’ra passar. Parei na TVI, vi então o anúncio televisivo da Adriana para a marca Dolce e Gabbana. Como ela estava linda!
Fiquei todo orgulhoso de puder dizer que aquela era a minha namorada.
Fiquei com um sorriso do tamanho do mundo e com a expressão mais babada que se possa imaginar. Quando olhei de novo para o relógio já eram 14h30.
Resolvi ir andando para a escola dela, e esperava no estacionamento.
Aquela hora, e num dia da semana o transito em Lisboa estava bastante calmo, até mais do que o normal. Em menos de meia hora acabei chegando na escola dela, estacionei o carro e agora só teria de esperar mais 20 minutos.
Ouvi a campainha, não demorou muito até ver gente a sair do interior da escola, mas dela nem sinal. Esperei então mais cinco minutos, e lá vinha ela, disparada puxando atrás de si quatro colegas, das quais apenas reconheci Débora.
Ela olhou em todas as direcções, procurando pelo meu carro, mas ela não o via, foram as quatro colegas que por entre sorrisos e brincadeiras o identificaram e lhe disseram.
Ela sorriu apesar de não conseguir ver quem estava dentro do carro.
Queria ter saído do carro mas estava muita gente no parque e poderia por em causa o nosso pacto de sigilo. Esperei que fosse ela a me procurar e ela assim o fez.
Sorriu para as outras meninas, deu dois beijinhos em cada, um abraço e iniciou uma marcha apressada em direcção ao meu carro.
O meu coração acelerou, eu queria abraçá-la, beijá-la e tínhamos uma tarde inteira para isso…
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Capítulo 88 - Matando aula?
"ADRIANA"
O sol já se erguia na linha do horizonte, quando o meu despertador deu sinal. Aquele som no inicio da semana soava como uma orquestra perfeita. Eu adorava a segunda-feira, era o único dia em que eu acordava suficientemente bem-disposta para não resmungar com ninguém e em que tinha energia suficiente para me arranjar sem ficar a fazer ronha na cama, sendo preciso a Débora ligar-me 15 vezes para garantir que estava de pé.
Levantei-me, tomei um banho rápido, e vesti um vestido rosa, umas sandálias rasas, uma mala castanho-chocolate, um colar simples, e prendi o meu cabelo esticado num apanhado simples.
- Bom dia! – cumprimentei eu distribuindo beijos no rosto de todos
Vi a Débora, tinha-lhe contado por alto por mensagem, naquela manha, como as coisas se tinham resolvido e ela tinha ficado evidentemente feliz e por sinal eu também, nada me deixava mais feliz do que a aprovação da minha melhor amiga.
Só me faltava cumprimentá-la, ela estava sentada à cabeceira da mesa com uma chávena de café vazia à sua frente. Sorriu-me, não pude evitar corresponder-lhe a esse gesto. Ela recuou ligeiramente a cadeira abrindo um espaço entre a mesa e ela. Fui na sua direcção e atirei-me para o colo dela, abracei-a, dei-lhe um beijo no rosto e ela deu-me outro a mim. Ela era a minha menina, tinha imenso orgulho de a ter do meu lado, e todos os dias agradeço a deus por a ter colocado no meu caminho.
- Ai estou feliz por ti, Melhor Amiga! – segredou-me ao ouvido
- Obrigada! Também eu estou felicíssima! - disse-lhe abraçando-a novamente
- A sério? Por esse sorriso ninguém diria – disse-me ironicamente
O meu sorriso ainda se escancarou mais, olhei todos os meus colegas e eles pareciam bastante alheios a tudo o que se passava na minha vida. E ainda bem que assim era, era sinal de que a minha historia com o David não se tinha tornado pública e eu podia continuar a estar com ele com a nossa privacidade de sempre.
Já todos tinham tomado o pequeno-almoço e bebido café, e ainda faltava meia hora para entrarmos, eu dirigi-me ao balcão para pedir um café e quando regressei á mesa metade deles tinham ido andando para a sala. Apenas tinham ficado a Débora, a Ana, a Catarina e a Kika, as minhas amigas mais próximas e às quais eu sabia que podia confiar porque jamais me trairiam.
Com o meu café na mão, sentei-me na mesa junto a Débora e á Catarina.
- Hum, muito bem! Estamos felizes hoje… - reparou Kika olhando para a minha cara de felicidade que estava difícil de esconder
- Então não se vê logo? O Benfica ganhou! – espingardou imediatamente a Catarina que era uma adepta fervorosa do Sporting
- Lá agora, então ela estava assim sempre! – ripostou Ana, uma benfiquista fanática como eu
Limitei-me a sorrir.
- Epah já percebi que ela não vai dizer nada aqui ao pessoal! – reclamou a Catarina
- Como vocês até são simpáticas e tal… Até vos conto… - disse-lhes sorrindo – Eu tenho um namorado novo! – disparei apanhando-as desprevenidas menos a Débora, que já sabia de tudo
- O quê voltaste para o Diogo? – perguntou Ana chocada
- Não, nada disso! É um namorado novo… - clarifiquei-as
- Da turma? Não reparei em nada! – constatou Kika muito inocentemente
- Não é da turma… - negou Débora
- É da escola? – perguntou Kika cada vez mais confusa
- Não… - respondi-lhe eu
- Ao menos conhecemos? – perguntou-me Ana muito intrigada
- Sim, pode dizer-se que sim… - respondi-lhe tentando manter o mistério
- Se ela vos disser vocês não vão acreditar! – aliciou Débora em tom de troça e trocamos sorrisos cúmplices
- Epah, vamos ter de adivinhar? – perguntou Kika cruzando os braços á frente do peito
- Olha… - sugeri desafiando-as
- Ó, então ao menos dá uma pista! Só umazinha! – pediu Catarina arregalando os olhos
- Hum… É moreno! – disse
- Hum… E é giro! – acrescentou Débora e eu fuzilei-a com um olhar ciumento
- Ó isso ajuda muito! – reclamou Ana em trejeito de criança e eu ri-me
- Pode ser qualquer um! – constatou Ana
- Ok, então eu digo que ele é jogador de futebol! – disse Débora dando uma pista demasiado óbvia
- Hum… Do Olivais em Moscavide ou do Sacavenense? – perguntou Ana com uma certa naturalidade
Acho que não lhes passava minimamente, e apesar de saberem que o Ruben era o meu melhor amigo, que o meu novo namorado pudesse ser um jogador do Benfica.
- Do Benfica! – chutei cerrando os olhos com medo da reacção delas
- Haaa! O David! Ele esteve cá na avaliação final! É ele! É ele! Ele até te levou ao colo para a enfermaria! – disse Ana muito entusiasmada enquanto se levantou e precipitou na minha direcção abraçando-me descontroladamente
- Hã? O que é que me está a escapar? Estamos a falar do David que eu penso que estamos a falar? – perguntou Kika incrédula
- Sim, do David Luiz – confirmou Débora com uma calma evidente na voz
- Ah, não posso! Choquei! – afirmou Kika colocando a mão no peito
- Ah, por isso é que a senhora andava toda sorrisinhos com ele… Isto está lindo está! – disse Catarina
- Oh, agora imagina lá! Ela namora com o David, vou finalmente puder conhecê-lo e ter um autógrafo dele! – dizia Ana entusiasmada e batendo palmas curtinhas
- Ó Ana, mas tu já tens um autógrafo dele – disse-lhe calmamente quando ela já me tinha soltado
- Sim, mas agora é diferente! – exclamou entusiasmada – Ele agora é teu namorado!
- E? Não muda nada, amor… Ele continua a ser o David de sempre! – disse-lhe calmamente.
E a verdade era mesmo essa, o facto de ser ou não meu namorado não mudava grande coisa. Ele continuava o David de sempre, e eu a mesma Adriana que todos conheciam, mas mais completa, mais feliz!
- Não muda nada? Então uma das minhas Melhores Amigas anda aos beijos com um pão daqueles e não muda nada? – olhei-a ciumenta – Com todo o respeito!
- Acho bem! Épão, é pão mas é meu! – disse-lhe em tom de brincadeira
- Mas vai apresentá-lo aqui às meninas, não vais? – perguntou-me a Catarina muito descontraidamente
- Claro que sim! Mas é assim meninas esta história não pode sair daqui! Eu e ele queremos manter isto no anonimato por uma questão de privacidade…
- Ó, amor até parece que não sabes com quem estás a falar… - declarou Catarina sinceramente
- Hum… A minha relação com ele! Repararam no tom sério com que ela disse “A minha relação com ele”. O que o amor não faz às pessoas! – gozou Catarina
- Olha ela, a ficar toda corada! – brincou Ana e todas se riram
A campainha do primeiro toque tocou.
- Oh deixem-se de cenas e vamos mas é para as aulas! – disse enquanto agarrava nas minhas coisas e puxava a Débora por uma mão e a Catarina por outra
- Sim, sim, lagarta! Não te preocupes! – gozei com ela
- Gostas pouco, gostas! – disse-me a Catarina sorrindo
Passamos às cinco pelo corredor de acesso às salas de desenho, íamos todas agarradas, juntas em sussurros abafados pelas nossas gargalhadas. Com elas eu sei que o meu segredo estava mais do que seguro.
Estava a fazer um desenho de uma composição com transparências e panejamentos quando senti o meu telemóvel vibrar na mala. Vi que era uma mensagem do David, discretamente, li-a
“Bom dia amorzão!
Não sei a que horas cê sai das aulas mas estou querendo estar com você hoje.
Estou cheio de saudades! Quando a sua aula acabar me diz qualquer coisa!
Beijo enorme!
Te amo muitão!
David”
Sorri ao ler a mensagem e apenas com uma mão respondi-lhe
“Bom dia, paixão!
Estou a ter aula de desenho e saio às 15h20. Devo almoçar aqui pela escola com as meninas, por isso a partir das 15h20 sou toda tua! Também estou cheia de saudades tuas! :P
Beijo grande
Também te amo muito!
Adriana”
Continuei o meu desenho mas não demorou muito até sentir o meu telemóvel vibrar de novo, sorri e apressei-me a ler a resposta
“Tá matando aula? Não se responde a mensagens na aula, não! Raio da menina! Presta atenção na matéria! :P
Então eu te pego na escola ás 15h20m!
Beijão, até logo!
Te amo, namorada! (L)
David”
Sorri, e respondi-lhe
“Senão presto atenção, culpa tua! Distrais-me! Deixas-me assim: desorientada! :P
Ok, eu vou estar pronta a essa hora!
Beijão enorme, namorado (L)
Adriana”
Voltei a concentrar-me na aula e ansiando que a hora de almoço e as aulas da tarde passassem a correr para puder estar com ele.
O sol já se erguia na linha do horizonte, quando o meu despertador deu sinal. Aquele som no inicio da semana soava como uma orquestra perfeita. Eu adorava a segunda-feira, era o único dia em que eu acordava suficientemente bem-disposta para não resmungar com ninguém e em que tinha energia suficiente para me arranjar sem ficar a fazer ronha na cama, sendo preciso a Débora ligar-me 15 vezes para garantir que estava de pé.
Levantei-me, tomei um banho rápido, e vesti um vestido rosa, umas sandálias rasas, uma mala castanho-chocolate, um colar simples, e prendi o meu cabelo esticado num apanhado simples.

Comi uma peça de fruta e um pão com fiambre e saí disparada de casa. Não estava atrasada mas ainda queria encontrar-me com o pessoal da turma, no bar da escola, antes da primeira aula da manhã.
Apanhei o metro na Alameda e até chegar à escola foi num instantinho, dei com todos os meus amigos na mesa mais cheia do bar, e mais barulhenta por sinal, todos na maior das galhofas, tocando, cantando ao som da guitarra e pondo todas as novidades do fim-de-semana em dia. E claro, entre os rapazes, o futebol era tema presente.
Apanhei o metro na Alameda e até chegar à escola foi num instantinho, dei com todos os meus amigos na mesa mais cheia do bar, e mais barulhenta por sinal, todos na maior das galhofas, tocando, cantando ao som da guitarra e pondo todas as novidades do fim-de-semana em dia. E claro, entre os rapazes, o futebol era tema presente.
- Bom dia! – cumprimentei eu distribuindo beijos no rosto de todos
Vi a Débora, tinha-lhe contado por alto por mensagem, naquela manha, como as coisas se tinham resolvido e ela tinha ficado evidentemente feliz e por sinal eu também, nada me deixava mais feliz do que a aprovação da minha melhor amiga.
Só me faltava cumprimentá-la, ela estava sentada à cabeceira da mesa com uma chávena de café vazia à sua frente. Sorriu-me, não pude evitar corresponder-lhe a esse gesto. Ela recuou ligeiramente a cadeira abrindo um espaço entre a mesa e ela. Fui na sua direcção e atirei-me para o colo dela, abracei-a, dei-lhe um beijo no rosto e ela deu-me outro a mim. Ela era a minha menina, tinha imenso orgulho de a ter do meu lado, e todos os dias agradeço a deus por a ter colocado no meu caminho.
- Ai estou feliz por ti, Melhor Amiga! – segredou-me ao ouvido
- Obrigada! Também eu estou felicíssima! - disse-lhe abraçando-a novamente
- A sério? Por esse sorriso ninguém diria – disse-me ironicamente
O meu sorriso ainda se escancarou mais, olhei todos os meus colegas e eles pareciam bastante alheios a tudo o que se passava na minha vida. E ainda bem que assim era, era sinal de que a minha historia com o David não se tinha tornado pública e eu podia continuar a estar com ele com a nossa privacidade de sempre.
Já todos tinham tomado o pequeno-almoço e bebido café, e ainda faltava meia hora para entrarmos, eu dirigi-me ao balcão para pedir um café e quando regressei á mesa metade deles tinham ido andando para a sala. Apenas tinham ficado a Débora, a Ana, a Catarina e a Kika, as minhas amigas mais próximas e às quais eu sabia que podia confiar porque jamais me trairiam.
Com o meu café na mão, sentei-me na mesa junto a Débora e á Catarina.
- Hum, muito bem! Estamos felizes hoje… - reparou Kika olhando para a minha cara de felicidade que estava difícil de esconder
- Então não se vê logo? O Benfica ganhou! – espingardou imediatamente a Catarina que era uma adepta fervorosa do Sporting
- Lá agora, então ela estava assim sempre! – ripostou Ana, uma benfiquista fanática como eu
Limitei-me a sorrir.
- Epah já percebi que ela não vai dizer nada aqui ao pessoal! – reclamou a Catarina
- Como vocês até são simpáticas e tal… Até vos conto… - disse-lhes sorrindo – Eu tenho um namorado novo! – disparei apanhando-as desprevenidas menos a Débora, que já sabia de tudo
- O quê voltaste para o Diogo? – perguntou Ana chocada
- Não, nada disso! É um namorado novo… - clarifiquei-as
- Da turma? Não reparei em nada! – constatou Kika muito inocentemente
- Não é da turma… - negou Débora
- É da escola? – perguntou Kika cada vez mais confusa
- Não… - respondi-lhe eu
- Ao menos conhecemos? – perguntou-me Ana muito intrigada
- Sim, pode dizer-se que sim… - respondi-lhe tentando manter o mistério
- Epah agora é que não estou a perceber nada da conversa… Chiba-te lá aqui à malta de uma vez por todas! – pediu-me Catarina impaciente
- Se ela vos disser vocês não vão acreditar! – aliciou Débora em tom de troça e trocamos sorrisos cúmplices
- Epah, vamos ter de adivinhar? – perguntou Kika cruzando os braços á frente do peito
- Olha… - sugeri desafiando-as
- Ó, então ao menos dá uma pista! Só umazinha! – pediu Catarina arregalando os olhos
- Hum… É moreno! – disse
- Hum… E é giro! – acrescentou Débora e eu fuzilei-a com um olhar ciumento
- Ó isso ajuda muito! – reclamou Ana em trejeito de criança e eu ri-me
- Então vamos cá ver! Não é da escola, digamos que o conhecemos, é moreno, é giro! – enumerava Kika erguendo os dedos da mão por cada pista
- Pode ser qualquer um! – constatou Ana
- Ok, então eu digo que ele é jogador de futebol! – disse Débora dando uma pista demasiado óbvia
- Hum… Do Olivais em Moscavide ou do Sacavenense? – perguntou Ana com uma certa naturalidade
Acho que não lhes passava minimamente, e apesar de saberem que o Ruben era o meu melhor amigo, que o meu novo namorado pudesse ser um jogador do Benfica.
- Do Benfica! – chutei cerrando os olhos com medo da reacção delas
- Haaa! O David! Ele esteve cá na avaliação final! É ele! É ele! Ele até te levou ao colo para a enfermaria! – disse Ana muito entusiasmada enquanto se levantou e precipitou na minha direcção abraçando-me descontroladamente
- Hã? O que é que me está a escapar? Estamos a falar do David que eu penso que estamos a falar? – perguntou Kika incrédula
- Sim, do David Luiz – confirmou Débora com uma calma evidente na voz
- Ah, não posso! Choquei! – afirmou Kika colocando a mão no peito
- Ah, por isso é que a senhora andava toda sorrisinhos com ele… Isto está lindo está! – disse Catarina
- Oh, agora imagina lá! Ela namora com o David, vou finalmente puder conhecê-lo e ter um autógrafo dele! – dizia Ana entusiasmada e batendo palmas curtinhas
- Ó Ana, mas tu já tens um autógrafo dele – disse-lhe calmamente quando ela já me tinha soltado
- Sim, mas agora é diferente! – exclamou entusiasmada – Ele agora é teu namorado!
- E? Não muda nada, amor… Ele continua a ser o David de sempre! – disse-lhe calmamente.
E a verdade era mesmo essa, o facto de ser ou não meu namorado não mudava grande coisa. Ele continuava o David de sempre, e eu a mesma Adriana que todos conheciam, mas mais completa, mais feliz!
- Não muda nada? Então uma das minhas Melhores Amigas anda aos beijos com um pão daqueles e não muda nada? – olhei-a ciumenta – Com todo o respeito!
- Acho bem! Épão, é pão mas é meu! – disse-lhe em tom de brincadeira
- Mas vai apresentá-lo aqui às meninas, não vais? – perguntou-me a Catarina muito descontraidamente
- Claro que sim! Mas é assim meninas esta história não pode sair daqui! Eu e ele queremos manter isto no anonimato por uma questão de privacidade…
- Ó, amor até parece que não sabes com quem estás a falar… - declarou Catarina sinceramente
- Eu sei, mas tinha de vos alertar… Não quero cometer algum erro que possa por em causa a minha relação com ele!
- Hum… A minha relação com ele! Repararam no tom sério com que ela disse “A minha relação com ele”. O que o amor não faz às pessoas! – gozou Catarina
Todas nos rimos, porem eu fi-lo de uma maneira mais envergonhada, era como me sentia, aquilo ainda era tudo novo para mim, mas de uma maneira estranhamente agradável.
- Olha ela, a ficar toda corada! – brincou Ana e todas se riram
A campainha do primeiro toque tocou.
- Oh deixem-se de cenas e vamos mas é para as aulas! – disse enquanto agarrava nas minhas coisas e puxava a Débora por uma mão e a Catarina por outra
- Olha lá jeitosa! Mas não te livras de o apresentares! – avisou-me agarrando-se a mim
- Sim, sim, lagarta! Não te preocupes! – gozei com ela
- Gostas pouco, gostas! – disse-me a Catarina sorrindo
Passamos às cinco pelo corredor de acesso às salas de desenho, íamos todas agarradas, juntas em sussurros abafados pelas nossas gargalhadas. Com elas eu sei que o meu segredo estava mais do que seguro.
Estava a fazer um desenho de uma composição com transparências e panejamentos quando senti o meu telemóvel vibrar na mala. Vi que era uma mensagem do David, discretamente, li-a
“Bom dia amorzão!
Não sei a que horas cê sai das aulas mas estou querendo estar com você hoje.
Estou cheio de saudades! Quando a sua aula acabar me diz qualquer coisa!
Beijo enorme!
Te amo muitão!
David”
Sorri ao ler a mensagem e apenas com uma mão respondi-lhe
“Bom dia, paixão!
Estou a ter aula de desenho e saio às 15h20. Devo almoçar aqui pela escola com as meninas, por isso a partir das 15h20 sou toda tua! Também estou cheia de saudades tuas! :P
Beijo grande
Também te amo muito!
Adriana”
Continuei o meu desenho mas não demorou muito até sentir o meu telemóvel vibrar de novo, sorri e apressei-me a ler a resposta
“Tá matando aula? Não se responde a mensagens na aula, não! Raio da menina! Presta atenção na matéria! :P
Então eu te pego na escola ás 15h20m!
Beijão, até logo!
Te amo, namorada! (L)
David”
Sorri, e respondi-lhe
“Senão presto atenção, culpa tua! Distrais-me! Deixas-me assim: desorientada! :P
Ok, eu vou estar pronta a essa hora!
Beijão enorme, namorado (L)
Adriana”
Voltei a concentrar-me na aula e ansiando que a hora de almoço e as aulas da tarde passassem a correr para puder estar com ele.
Capítulo 87 - Já falei p'ra você?
Bem a partir de agora, a minha fic passará a ser escrita na 1º pessoa, e de vez em quando na 3ª, e por vezes por outras personagens, como o David, o Ruben, etc... A minha ideia é que consigam ver a história do ponto de vista de outras personagens. Irei sempre no inicio de cada capitulo colocar entre aspas e a Caps Lock em que pessoa é escrito esse mesmo. Espero que gostem :D
"ADRIANA "
Nós tínhamos chegado ao parque de estacionamento do restaurante. Eu tinha saído e o David ainda estava dentro do carro, eu encostei-me ligeiramente à porta do pendura, agora já fechada.
O David saiu do seu lado, fechou a porta, atravessou o carro pela parte frontal, e estendeu a mão na minha direcção como que chamando-me para entrarmos.
Depois de tanto tempo assim, no vai-não-vai, no namoramos não namoramos, a minha vontade de o ter de dividir com uma sala de quase 50 pessoas não era muita e então ao agarrar-lhe na mão ofereci alguma resistência quando ele me puxou.
- Tem mesmo de ser David? – perguntei numa voz preguiçosa ao mesmo tempo que o puxava para mim
- Sim, tem mesmo de ser meu amor… - respondeu-me calmamente encostando todo o seu corpo ao meu, e eu instintivamente desencostei-me do carro e deixei os meus braços enlaçarem o tronco dele
- Apetecia-me mesmo era estar sozinha contigo… - confessei-lhe num beicinho perfeito
- É você e eu mas tem mesmo de ser, tá todo o mundo esperando e a partir de agora a gente vai ter um montão de tempo p’ra tar junto! – disse-me naquele sorriso que só ele tão bem sabia fazer
- Ok, lá terá de ser não é? – perguntei-lhe revirando os olhos e pela sua expressão percebi que a resposta era óbvia – Então vamos a isso! – coloquei-me do seu lado e dei-lhe a mão
Avançámos pelo parque, entramos no restaurante, estava vazio mas uma mesa muito grande estendia-se num canto mais reservado. Eram eles. Dirigimo-nos a eles e a nossa chegada foi prontamente notada.
- Fogo! Estava a ver que não! Está aqui tudo a morrer de fome! – reclamou Ruben mastigando um último bocado de pão que tinha na boca
- Ei não fales de boca cheia! – avisei-lhe com uma leve belinha na cabeça
- Olha aí pah! – gritou muito chateado
- Boa noite, já posso começar a receber os pedidos? – perguntou educadamente um empregado que se tinha colocado ao topo da mesa
- Sim, já está toda a gente – disse Ruben visivelmente entusiasmado e todos os presentes se riram inclusive eu e David que permanecíamos de mãos dadas
Sentámo-nos lado a lado, eu estava ladeada por ele e Andreia, e ele por mim e Ruben. A noite foi muito agradável, eu pouco ou nada comi porque já tinha jantado, mas o David devorou tudo aquilo que pedira e mais teria devorado se lhe tivessem dado. Ele parecia feliz, durante todo o jantar não tinha parado de sorrir, rir das piadas parvas do Ruben, mas que de certa forma não eram tão parvas assim porque me davam vontade de rir às farturinhas.
O jantar chegou ao fim, cada um pagou a sua parte e cada casal seguiu o seu caminho rumo a casa. Eu ainda tive tempo de contar á Andreia, durante o jantar, como as coisas se tinham resolvido, e ela ficou visivelmente feliz por nós. Era uma nova amiga fiel que eu tinha arranjado.
O David levou-me até casa, a viagem foi feita em silencio, eu estava cansada e então deixei a minha cabeça tombar sobre o grande banco do carro dos meus sonhos, e o qual David conduzia, devagar, devagarinho, talvez com medo de me acordar. Deixei-me caminhar pelo mundo dos sonhos sem querer.
Não sei quanto tempo fiquei assim, mas foi o toque de David no meu ombro que me fez acordar. Ele olhava-me docilmente e tocava-me então o rosto suavemente com as pontas dos dedos.
- Desculpa, adormeci. Estou super cansada! – desculpei-me logo
- Sem problema, vamo que eu te deixo lá em cima! – disse-me ele e eu nem fui capaz de dizer que não, estava demasiado cansada para resmungar com ele
Chegámos á porta do meu apartamento e ele vinha agarrado a mim, o abraço dele fazia-me sentir protegida, segura, mas mais do que tudo, e essa era a melhor sensação, a que batia qualquer uma, fazia-me sentir amada. Sorri com os meus próprios pensamentos.
- Tá entregue, meu amor! – disse-me e eu soltei-me dos braços dele
- Obrigada! Não queres entrar? – perguntei-lhe por delicadeza
- Fica p’ra outro dia, estou completamente cansadão!
- Não faz mal, o mais provável era antes de me conseguires dizer o que quer que fosse já tinha caído para o lado de cansaço por isso… Aproveita! Vai para casa e descansa! – incentivei-o apesar de me apetecer que ele estivesse do meu lado a noite toda
- Eu vou, mas a gente tem de marcar alguma coisa p’ra amanhã ou assim… Só nós dois! Tou precisando ficar com você, de seus miminhos… Matar a saudade – dizia-me ele com um ar de criança delicioso, aproximando-se de mim, agarrou-me pela cintura e encostou os seus lábios ao meu maxilar cerrado dos nervos, estremeci e ele soltou uma gargalhada de felicidade
- É só mimo David Luiz Moreira Marinho! – disse-lhe em tom de brincadeira agarrando os seus caracóis na minha mão direita e olhando-o nos olhos
- Você me deixa assim… Mau acostumado!
- Então é melhor eu reduzir em carinhos senão depois não há quem te ature! – ameacei em tom de brincadeira
- Não isso não! Pode continuar assim! Não muda nada, não. Tá perfeito! – confessou-me esborrachando os seus lábios contra os meus
As vezes que beijara aqueles lábios não tinham sido muitas mas as suficientes para se ter tornado num vício. Um vicio saudável, só meu, e para o qual não havia tratamento possivel, senão beijá-los.
Sorri com as minhas ideias tolas.
- Tá rindo de quê? – perguntou-me ele curioso quebrando o beijo
- Tava aqui a pensar…
- Coisa boa não foi de certeza!
- Coisas minhas! – respondi-lhe perspicazmente – Agora vai lá! Descansa e quando chegares diz-me qualquer coisa para não ficar preocupada amor…
- Mando sim, descansa você também! Te amo, paixão! – declarou-se beijando-me os lábios apaixonadamente
- Também te amo, perfeição! – beijei-o novamente e sorrimos
Ele entrou no elevador e eu na minha casa.
Tomei um duche rápido, vesti uns shorts pretos, um top de alcinhas branco, amarrei o cabelo e deitei-me na cama.
David ainda não tinha dito nada, eu lutava para não adormecer, mas o sono começava a apoderar-se de mim. O telemóvel em cima da mesinha de cabeceira deu sinal, era uma SMS de David. Apressei-me a lê-la.
“Amorzão, cheguei são e salvo a casa!
Pode descansar! Amanha a gente fala para combinar alguma coisa que eu tou de folga meu amor.
Beijão
Te amo demais gata! (L)”
Sorri, e respondi-lhe rapidamente.
“Ainda bem que chegaste bem amor :D
Vou descansar sim, descansa tu também!
Amanhã estás folgadão e eu aulas, que injustiça pah!: P
Sim, amanhã combinamos algo.
Beijão
Também te amo demais gato! (L)”
Ele tinha chegado bem, eu já lhe tinha respondido e agora já podia dormir descansada.
Sentia as minhas pálpebras cada vez mais pesadas, tentei lutar, mas elas fecharam-se, entreguei-me ao sono mas fui interrompida pelo toque do meu telemóvel, olhei para o visor era David. O meu primeiro pensamento foi “Será que aconteceu alguma coisa?”. Fui rápida a carregar no botão verde e a voz dele fez-se logo notar do outro lado do telefone.
- Tava dormindo meu amor? – perguntou uma voz preocupada do outro lado do telefone
- Estava… Mas aconteceu alguma coisa?
- Me perdoa! Eu pensava que ainda tava de pé. Não, não aconteceu nada, tava ligando só p’ra te dizer uma coisa! – calei-me esperando ouvir o que ele queria dizer – Tava ligando p’ra perguntar se já falei p’ra você que te amo?
O meu sorriso foi inevitável, rasgou-se e os meus olhos brilharam. Estava babadíssima.
- Não por acaso não disseste… - brinquei com ele
- Ah, eu acho que sim… - ele alinhou também na brincadeira
- Não, garanto-te que não! Se disseste não ouvi!
- Então digo de novo – O silêncio instalou-se, duas respirações ouviam-se e eu á espera das palavras dele – Eu te amo! Dorme bem meu anjo! Sonha comigo! Beijão!
- Vou sonhar! Também te amo. Beijão, meu amor!
Rimo-nos com aquela tonteira toda, parecíamos dois miúdos apaixonados, desligámos.
A minha cabeça pendeu de novo sob a almofada, agora podia dormir em paz… E com um sorriso no rosto.
"ADRIANA "
Nós tínhamos chegado ao parque de estacionamento do restaurante. Eu tinha saído e o David ainda estava dentro do carro, eu encostei-me ligeiramente à porta do pendura, agora já fechada.
O David saiu do seu lado, fechou a porta, atravessou o carro pela parte frontal, e estendeu a mão na minha direcção como que chamando-me para entrarmos.
Depois de tanto tempo assim, no vai-não-vai, no namoramos não namoramos, a minha vontade de o ter de dividir com uma sala de quase 50 pessoas não era muita e então ao agarrar-lhe na mão ofereci alguma resistência quando ele me puxou.
- Tem mesmo de ser David? – perguntei numa voz preguiçosa ao mesmo tempo que o puxava para mim
- Sim, tem mesmo de ser meu amor… - respondeu-me calmamente encostando todo o seu corpo ao meu, e eu instintivamente desencostei-me do carro e deixei os meus braços enlaçarem o tronco dele
- Apetecia-me mesmo era estar sozinha contigo… - confessei-lhe num beicinho perfeito
- É você e eu mas tem mesmo de ser, tá todo o mundo esperando e a partir de agora a gente vai ter um montão de tempo p’ra tar junto! – disse-me naquele sorriso que só ele tão bem sabia fazer
- Ok, lá terá de ser não é? – perguntei-lhe revirando os olhos e pela sua expressão percebi que a resposta era óbvia – Então vamos a isso! – coloquei-me do seu lado e dei-lhe a mão
Avançámos pelo parque, entramos no restaurante, estava vazio mas uma mesa muito grande estendia-se num canto mais reservado. Eram eles. Dirigimo-nos a eles e a nossa chegada foi prontamente notada.
- Fogo! Estava a ver que não! Está aqui tudo a morrer de fome! – reclamou Ruben mastigando um último bocado de pão que tinha na boca
- Ei não fales de boca cheia! – avisei-lhe com uma leve belinha na cabeça
- Olha aí pah! – gritou muito chateado
- Boa noite, já posso começar a receber os pedidos? – perguntou educadamente um empregado que se tinha colocado ao topo da mesa
- Sim, já está toda a gente – disse Ruben visivelmente entusiasmado e todos os presentes se riram inclusive eu e David que permanecíamos de mãos dadas
Sentámo-nos lado a lado, eu estava ladeada por ele e Andreia, e ele por mim e Ruben. A noite foi muito agradável, eu pouco ou nada comi porque já tinha jantado, mas o David devorou tudo aquilo que pedira e mais teria devorado se lhe tivessem dado. Ele parecia feliz, durante todo o jantar não tinha parado de sorrir, rir das piadas parvas do Ruben, mas que de certa forma não eram tão parvas assim porque me davam vontade de rir às farturinhas.
O jantar chegou ao fim, cada um pagou a sua parte e cada casal seguiu o seu caminho rumo a casa. Eu ainda tive tempo de contar á Andreia, durante o jantar, como as coisas se tinham resolvido, e ela ficou visivelmente feliz por nós. Era uma nova amiga fiel que eu tinha arranjado.
O David levou-me até casa, a viagem foi feita em silencio, eu estava cansada e então deixei a minha cabeça tombar sobre o grande banco do carro dos meus sonhos, e o qual David conduzia, devagar, devagarinho, talvez com medo de me acordar. Deixei-me caminhar pelo mundo dos sonhos sem querer.
Não sei quanto tempo fiquei assim, mas foi o toque de David no meu ombro que me fez acordar. Ele olhava-me docilmente e tocava-me então o rosto suavemente com as pontas dos dedos.
- Desculpa, adormeci. Estou super cansada! – desculpei-me logo
- Sem problema, vamo que eu te deixo lá em cima! – disse-me ele e eu nem fui capaz de dizer que não, estava demasiado cansada para resmungar com ele
Chegámos á porta do meu apartamento e ele vinha agarrado a mim, o abraço dele fazia-me sentir protegida, segura, mas mais do que tudo, e essa era a melhor sensação, a que batia qualquer uma, fazia-me sentir amada. Sorri com os meus próprios pensamentos.
- Tá entregue, meu amor! – disse-me e eu soltei-me dos braços dele
- Obrigada! Não queres entrar? – perguntei-lhe por delicadeza
- Fica p’ra outro dia, estou completamente cansadão!
- Não faz mal, o mais provável era antes de me conseguires dizer o que quer que fosse já tinha caído para o lado de cansaço por isso… Aproveita! Vai para casa e descansa! – incentivei-o apesar de me apetecer que ele estivesse do meu lado a noite toda
- Eu vou, mas a gente tem de marcar alguma coisa p’ra amanhã ou assim… Só nós dois! Tou precisando ficar com você, de seus miminhos… Matar a saudade – dizia-me ele com um ar de criança delicioso, aproximando-se de mim, agarrou-me pela cintura e encostou os seus lábios ao meu maxilar cerrado dos nervos, estremeci e ele soltou uma gargalhada de felicidade
- É só mimo David Luiz Moreira Marinho! – disse-lhe em tom de brincadeira agarrando os seus caracóis na minha mão direita e olhando-o nos olhos
- Você me deixa assim… Mau acostumado!
- Então é melhor eu reduzir em carinhos senão depois não há quem te ature! – ameacei em tom de brincadeira
- Não isso não! Pode continuar assim! Não muda nada, não. Tá perfeito! – confessou-me esborrachando os seus lábios contra os meus
As vezes que beijara aqueles lábios não tinham sido muitas mas as suficientes para se ter tornado num vício. Um vicio saudável, só meu, e para o qual não havia tratamento possivel, senão beijá-los.
Sorri com as minhas ideias tolas.
- Tá rindo de quê? – perguntou-me ele curioso quebrando o beijo
- Tava aqui a pensar…
- Coisa boa não foi de certeza!
- Coisas minhas! – respondi-lhe perspicazmente – Agora vai lá! Descansa e quando chegares diz-me qualquer coisa para não ficar preocupada amor…
- Mando sim, descansa você também! Te amo, paixão! – declarou-se beijando-me os lábios apaixonadamente
- Também te amo, perfeição! – beijei-o novamente e sorrimos
Ele entrou no elevador e eu na minha casa.
Tomei um duche rápido, vesti uns shorts pretos, um top de alcinhas branco, amarrei o cabelo e deitei-me na cama.
David ainda não tinha dito nada, eu lutava para não adormecer, mas o sono começava a apoderar-se de mim. O telemóvel em cima da mesinha de cabeceira deu sinal, era uma SMS de David. Apressei-me a lê-la.
“Amorzão, cheguei são e salvo a casa!
Pode descansar! Amanha a gente fala para combinar alguma coisa que eu tou de folga meu amor.
Beijão
Te amo demais gata! (L)”
Sorri, e respondi-lhe rapidamente.
“Ainda bem que chegaste bem amor :D
Vou descansar sim, descansa tu também!
Amanhã estás folgadão e eu aulas, que injustiça pah!: P
Sim, amanhã combinamos algo.
Beijão
Também te amo demais gato! (L)”
Ele tinha chegado bem, eu já lhe tinha respondido e agora já podia dormir descansada.
Sentia as minhas pálpebras cada vez mais pesadas, tentei lutar, mas elas fecharam-se, entreguei-me ao sono mas fui interrompida pelo toque do meu telemóvel, olhei para o visor era David. O meu primeiro pensamento foi “Será que aconteceu alguma coisa?”. Fui rápida a carregar no botão verde e a voz dele fez-se logo notar do outro lado do telefone.
- Tava dormindo meu amor? – perguntou uma voz preocupada do outro lado do telefone
- Estava… Mas aconteceu alguma coisa?
- Me perdoa! Eu pensava que ainda tava de pé. Não, não aconteceu nada, tava ligando só p’ra te dizer uma coisa! – calei-me esperando ouvir o que ele queria dizer – Tava ligando p’ra perguntar se já falei p’ra você que te amo?
O meu sorriso foi inevitável, rasgou-se e os meus olhos brilharam. Estava babadíssima.
- Não por acaso não disseste… - brinquei com ele
- Ah, eu acho que sim… - ele alinhou também na brincadeira
- Não, garanto-te que não! Se disseste não ouvi!
- Então digo de novo – O silêncio instalou-se, duas respirações ouviam-se e eu á espera das palavras dele – Eu te amo! Dorme bem meu anjo! Sonha comigo! Beijão!
- Vou sonhar! Também te amo. Beijão, meu amor!
Rimo-nos com aquela tonteira toda, parecíamos dois miúdos apaixonados, desligámos.
A minha cabeça pendeu de novo sob a almofada, agora podia dormir em paz… E com um sorriso no rosto.