domingo, 19 de fevereiro de 2012

Capítulo 114 - Nem sempre um sorriso é sinónimo de felicidade (Parte III)




O almoço decorreu sereno na sua maioria. Entre trocas de conversa amenas, olhares entrecortados de amizade e momentos alegres, por si só já comuns, todos se divertiram alheios ao suplício passado pelo antigo casal, Adriana e David. Ele controlou-se durante mais de uma hora para não a olhar, e esta esforçou-se por conter as lágrimas que lhe contornavam os olhos, desde que abandonara o seu quarto, deixando para trás o único homem que imperava verdadeiramente no seu coração. Contudo, o pensamento corrido de Adriana foi escanado a meio pelo toque reconhecível do seu telemóvel, que se agitou no interior do bolso dos seus jeans apertados, ladeando-lhe imperativamente as coxas.

- É o teu, Adriana… - murmurou Ruben, observando a passividade que esta demonstrou ao ver o nome que se alinhava modelarmente no ecrã

- Eu sei… Vou atender a chamada num instante. – solicitou educadamente, pousando sobre a mesa o guardanapo de linho branco que lhe cobrira o colo durante toda a refeição – Com licença…

Apesar do olhar de censura do seu melhor amigo ter recaído em si sem qualquer pudor, Adriana fincou o ritmo acelerado ditado pelos seus pés melindrosos e foi até ao alpendre atender a chamada que já sabia ser de um amigo demasiado presente nos últimos meses.

- Hello, beautiful! – o sotaque perfeito de uma língua estrangeira, que lhe era muito familiar emergiu do outro lado da linha, denunciado o timbre caloroso do seu querido amigo Diogo

- Hello, big guy! – ela respondeu calmamente, rasgando imediatamente nos lábios um sorriso belíssimo, detentor da felicidade e apoio que sentiu assim que escutou aquela voz tão afeita

- Tive de ser eu a ligar-te, senão deixavas-me sem notícias tuas durante anos… - lamuriou-se amistosamente, dando deparo a uma brincadeira semelhante à de duas crianças

- Não digas disparates, Diogo Amaral! – retorquiu-lhe no mesmo instante, levando a que ambos gargalhassem fartamente, envoltos no clima de comicidade a que estavam expostos por iniciativa dele – Ainda de manhã trocámos mensagens…

- Uma… - relembrou pesarosamente, fazendo Adriana adivinhar-lhe no rosto um sorriso triste, que verdadeiramente se instalou sem ele mesmo dar conta

- E não chegou, seu agarradinho? – inquiriu Adriana, cruzando o seu braço livre naquele que sustinha o telemóvel junto do ouvido

- Não… Sabes que não me canso de falar contigo!

- A mim parece-me que andas é a ficar mal-habituado… Já não sabes viver sem mim! – declarou avidamente, propiciando novamente uma enxurrada de risos, que se fez escutar de parte a parte

- Sim, é isso mesmo! – concordou falsamente, tentando restituir a respiração calma que lhe permitisse falar – Mas olha… Dependente de ti, ou não, pelo menos pareces-me mais animada!

- Hum… Isso vai depender muito do que tu consideras “animada” – assegurou, tomando posse do lugar vago no pequeno sofá, que se encontrava sob o alçado do alpendre, junto de uma das janelas principais da casa

- Então… Pensei que esses risos todos eram sinónimo de felicidade!

- A felicidade nem sempre é o que aparenta ser, Diogo… Mas talvez seja melhor nem sequer falarmos nisso!

- Hum… Porque é que eu tenho a certeza de que para estares a falar assim, alguma coisa aconteceu…?

- Não aconteceu nada, Diogo… - Adriana não se coibiu de mentir, face à perspicácia certeira do seu amigo, que apesar da ausência das suas palavras compreendeu que algo de errado se passava

- Eu conheço-te… Mas se não queres falar, eu respeito.

- Desculpa, mas hoje estou só naqueles dias mais em baixo… Apetece-me ficar no meu cantinho e não há meio de o encontrar nesta casa! – confessou melancolicamente, pousando o seu queixo na palma da mão livre, que encontrou o seu descanso no braço do pequeno sofá delicadamente bordado com orlas de tom cobre – Mas mudando de assunto… Quando é que vou ter o prazer de te ver de novo em Portugal?

- No final do mês regresso… Em princípio.

- Tens noção que ainda faltam duas semanas? – questionou, arrastando a voz, até esta esmorecer no sentimento de saudade que se apoderou de si – Estou a precisar de um abraço teu, puto!

- Prometo que será das primeiras coisas a fazer quando chegar a Lisboa… Dar um abraço na pequenininha mais refilona de sempre! – gargalharam ambos meigamente, unindo um pouco mais os laços da amizade que compartilhavam

- Obrigada, Diogo… Obrigada por estares comigo nestes últimos tempos! – o agradecimento emergiu-lhe do coração naturalmente, não sendo empurrado por educação ou qualquer outro motivo que não a gratidão

- Não tens de me agradecer… Sabes que nunca fui um grande amigo, mas finalmente aprendi a dar valor a isso e pretendo manter-me assim!

- Eu sei que sim… Estás uma pessoa completamente diferente e é bom saber que posso finalmente conversar contigo a sério!

- Fizeste parte dessa mudança, Adriana… Eu cresci. Com todos os meus erros eu cresci e agradeço isso a todas as pessoas que magoei – após as suas palavras francas, um silêncio instaurou-se entre ambos

- Vê se voltas rápido… Estou a precisar de ti! – murmurou Adriana em tom de desabafo, jogando no piso pedestre o seu olhar derrotado pela solidão

- Espera por mim… Eu vou voltar!

- Cuida-te… Diverte-te muito por mim aí em Nova Iorque! Um beijo enorme… Adoro-te! – Adriana despediu-se carinhosamente, delimitando os seus lábios com um pequeno sorriso terno

- Cuida-te tu aí… Tem juízo, pequenina! Um beijo grande, também te adoro!

A chamada não obteve mais retorno e do lado oposto da ligação restou o sinal intermitente, que anunciava o final da conversa entre ambos os amigos.
Ela mirou uma última vez a linha do horizonte arrasada pelo temporal que ameaçava rasgar os céus em menos de nada e colocou o telemóvel no bolsinho das calças, disposta a entrar mais uma vez na casa onde não conseguia, nem nunca conseguiria ser feliz nos próximos dias.

- A menina estava lá fora? – perguntou Maria, assim que a viu entrar na cozinha, enquanto que com as suas mãos calejadas pelo trabalho, passava o esfregão de aço no fundo do tacho da hora de almoço – Olhe que está um temporal para aí a vir, menina!

- É verdade. O céu está escuro… - murmurou, espreitando por uma pequena nesga, entre o cortinado e a janela, o firmamento negro que inebriava a escuridão no exterior, enquanto passava as suas mãos pelos braços numa tentativa falhada de se aquecer – Daqui a pouco vai cair uma chuvada…

- Creio que será por toda a noite, menina… Vai chover até os níveis do ribeiro lá em baixo subir! – relembrou-lhe Maria, constatando o mesmo acontecimento que todos os anos era noticia de manchete do jornal local – Já se sabe… O Inverno, o Inverno…

- Não se preocupe, Maria… Aqui em casa estamos todos bem e os caseiros já andaram a fechar as janelas e a recolher os animais! – ela apressou-se a sossegar a alma decrépita de Maria, que se desassossegou ao pensar que os seus e todos os que lhe eram próximos poderiam ficar sobre os ardis da tempestade

- A menina devia ir para a sala… Já acabaram de almoçar. Estão todos junto à lareira a tomar um café!

- É isso que eu vou fazer, Maria… Até já! – despediu-se educada e carinhosamente, dando um pequeno beijo doce na cabeça alva  da velha empregada ao serviço da família Amorim há mais de vinte anos



***



- Ora ora, que boa vida… - clamou pacificamente, entrando na sala onde apenas Ruben, Inês, David, Regina, Paula, Roberto e Sofia se encontravam – Sentadinhos, no quentinho…

- Claro… Lá fora está a ameaçar um temporal dos fortes! – falou Inês, segurando firmemente no interior das suas duas mãos uma pequena chávena de café fumegante – Só espero que isto seja diferente no dia do casamento! – lamentou-se, sabendo que o relógio se encontrava em contagem decrescente para o tão ansiado dia, em que o casal iria trocar alianças e proferir as juras de amor que os uniria até ao resto das suas vidas

- Então não eras tu que tanto queria um “Casamento elegante de Inverno”? – questionou-a num tom levado por toda a pompa e circunstância da ocasião, que Inês esperava ver organizada milimetricamente em toda a sua perfeição

- Não se isso implicar convidados encharcados, tenda do copo de água inundada e o meu vestido arruinado!

- Se calhar devias ter pensado nisso antes, noivinha linda! – afirmou num tom brincalhão, ocupando o lugar vago do lado da pequena Sofia, encolhidinha num dos extremos do sofá de apenas dois lugares

- Tu não brinques Adriana… É o meu casamento, é uma coisa séria!

- Inês… É só um casamento! – falou tranquilamente, não dando a importância necessária a um acontecimento sempre demasiado especial na vida de qualquer mulher

- Tu falas assim agora… Quero ver quando fores tu a casar!

- Eu não vou casar… - bradou pacificamente, ajeitando sobre o colo a pequena manta axadrezada de vermelho e negro

- Claro que vais… Dizes isso agora, mas quando chegar a tua altura vai estar tão preocupada com os detalhes como eu! – concluiu Inês, erguendo brevemente o queixo altivo para puder observar com grandeza a melhor amiga do seu futuro marido

- Oh amor, não ligues à Adriana… Vais ver que o dia vai estar perfeito, confia em mim! – garantiu-lhe Ruben na promessa de um beijo, tentando mantê-la serena quanto aos impasses que poderiam surgir relativamente ao dia do enlace

- Mad’inha… - a pequenita sussurrou insistentemente o seu nome, até que esta a olhasse, exsudando todo o amor que sentia por aquele ser adorável, que havia amadrinhado segundo as leis de Deus

- Diz, meu amor…

- Tu estás diferente… - enquanto a olhava firmemente nos olhos, Sofia formou na sua testa as duas rugas de expressão confusas, procurando compreender o que havia mudado no carácter da sua madrinha

- Estou diferente? – inquiriu desordenada, observando as pessoas em redor e a reacção das mesmas àquele diálogo – Como assim, fofinha? A madrinha é a mesma pessoa de sempre…

- Não… Não és! Elhes num pe’cebem, mas tu estás difelhente… - Sofia insistiu em algo que só ela sentia, algo que apenas a pureza e inocência de uma criança poderiam compreender: a tristeza – Num és mais a mesma… Já nem atendes o telhefone na nossa f’ente…

- Só atendi a chamada longe porque se ouvia melhor, estávamos a almoçar e eram assuntos pessoais… de trabalho!

- Estás a mentilhe… Eu shei que tás! – acusou erguendo-se sumidamente do sofá e ficando em pé na sua frente

- Amor, a madrinha está a ser sincera…

- Não, mad’inha… Ninguém aqui pe’cebe, mas antes nós elhamos as pessoas mais impo’tantes para ti, agora num quelhes sabelhe! – enquanto falava no seu jeitinho aflitivo, ergueu os braços no ar, deixando-os por fim cair junto das suas coxas delgadas – A ve’dade é que desde que num tás mais com o calhacolhe, que num quelhes sabelhe de nós… Num queles sabelhe de ninguém! Nem de mim…

Deixando para trás uma Adriana estancada pelo ressentimento e culpa do que involuntariamente havia feito à sua pequena afilhada, Sofia correu até alcançar as escadas e desapareceu no andar de cima, abandonado as respostas e as perguntas que jamais quereria ouvir sem que fossem pronunciadas com a sinceridade que a sua inocência suplicava.
Adriana tentou segurar as lágrimas, mas inevitavelmente sentiu uma desenhar-lhe o semblante, ainda que sem qualquer permissão da mesma para tal. No entanto o movimento que ordenou para a ocultar foi rápido e submisso à sua vontade de permanecer presa à imagem de mulher forte que havia montado desde o primeiro dia da sua chegada.

- Adriana, não ligues… É só uma criança… - Paula tentou interceder ao perceber que a amiga se compadecia das dores pelejadas pelos seus actos impensados há cinco meses passados

- Não tem problema… - negou, colando delicadamente as pestanas e selando assim a visão perfeita que guardava de David – Está tudo bem!

Contrariando a vontade de ceder às amarguras que teimavam em não abandoná-la e iam aumentado mais e mais, de dia para dia, ela montou um sorriso derrotista, que apenas poderia esconder a sua tristeza daqueles que não conheciam a sua essência ou não trilhavam os domínios da sua amizade.
Tal como Paula, o melhor amigo de Adriana compreendeu o esforço que esta fazia e tentou aligeirar o ambiente, soltando um breve ar cortês, que lhe era desconhecido, mas assentava na total perfeição.

- Não queres um café, pequenina?

- Ah… - vendo que Ruben se situava junto do pequeno bule em faiança timbrada, tipicamente portuguesa, resolveu aceitar o pedido, ainda que fosse apenas por educação para com o gesto do seu amigo – Pode ser… Obrigada!

- Vais querer com uma ou duas colheres de açúcar? – inquiriu-lhe, enquanto vertia para a pequena chávena uma porção generosa de café bem forte, mesmo ao gosto de Adriana, que desde sempre o tomara sem um único trago de açúcar, mas quando esta se preparava para o aludir a tal reparo, um alguém que a conhecia como a palma da sua mão interveio, mostrando que para lá do passado, ainda a conseguia conhecer melhor do que ninguém

- Nenhuma, manz… A Adriana sempre tomou o café sem açúcar! – foi David o detentor de tais palavras… proferiu-as de olhar posto nos rebordos da sua chávena já vazia, esquecendo-se que por momentos tinha em redor de si pessoas, que apesar de conhecidas não poderiam notar em instante algum que ele ainda a amava, apesar de isso contrariar todas as suas vontades mais impetuosas

O silêncio instalou-se durante breves segundos… A naturalidade da intimidade que ainda os unia, ressaltou aos olhos de todos, especialmente daqueles que repararam no lapso de Ruben - o melhor amigo de há mais de dezasseis anos – que haviam sido facilmente combatido por David – o homem que a conhecia há apenas dois anos e com quem namorara um.
Para todos os presentes o momento teve um sabor diferente… Porque cada um reagiu perante os factos que ainda permaneciam sob a sua alçada de conhecimentos.
Paula e Roberto permaneceram serenos, pois para eles não era segredo o amor que ainda conseguiam ver naqueles dois; Inês mordeu a língua para controlar os seus ânimos impetuosos e dispares, e não proclamar nenhum dos seus disparates impensados que poderia causar mais algum constrangimento entre todos; Ruben observou pacificamente a reacção de cada um e não precisou de grande ciência para confirmar o que já suspeitava e o que era também apoiado por Dona Regina, que naquele momento demonstrou uma enorme vontade de sorrir… Sorrir porque sentia que o filho tinha a sua hipótese de ser feliz de novo como não era com Joana, e ela sabia-o tão bem ou melhor do que ele até, apesar de o tentar encobrir.
Já para Adriana e David, o momento foi amargo e desejaram no seu mais íntimo poder retroceder o tempo e retirar cada uma daquelas palavras, que ainda delatavam as recordações vividas em tempos remotos, quando a paixão que os unia era consumada e assumida perante todos.

- Sim… Sempre tomei o café sem açúcar… - acabou por dizer, ainda intimidada pela declaração de há instantes

- Então… Aqui tens! – graciosamente, Ruben estendeu no ar a fina chávena de faiança, até que a sua melhor amiga a recebesse seguramente em mãos, dando o primeiro gole

- Obrigada, Ru! – Adriana montou mais um sorriso falso para poder agradecer o gesto de cortesia exibido pelo seu adorado amigo de infância, sentindo ainda o café queimar-lhe a garganta com toda a amargura que detinha

- Adriana, ainda não me mostraste o teu vestido… - Inês alienou-se mais uma vez de toda a conversa, para deixar o seu pensamento pairar durante largos segundos sobre o casamento

- Tens razão… Esqueci-me por completo! – concordou, pousando a chávena sobre o pratinho que segurava em mãos – Depois do jantar podemos passar lá no quarto das meninas e eu mostro-te… Mas podes estar descansada que eu segui as regras!

- Hum… Eu tenho de ver isso! Não quero correr o risco da madrinha do noivo estar mais bonita que eu… - gracejou em modos brincalhões, olhando Adriana, que perecia com uma expressão impávida e serena, não mostrando qualquer emoção nas suas palavras

- Não te preocupes… O meu vestido é simples e tu és a noiva… Sem dúvida serás a mais bonita!

- Mas não quero concorrência… Já todos sabemos como qualquer trapinho te assenta bem! – relembrou modestamente, reconhecendo a beleza que todos detectavam no jeito de ser simples e desalinhado da sua amiga

- Não digas asneiras, Inês! – murmurou, revirando os olhos numa só rajada, frente à modéstia que sentia em tal questão e pousou a chávena já vazia sob a pequena mesinha de centro

- Aposto que vais fazer um sucesso… E olha que vão haver rapazes bem giros e solteiros no casamento… Alguns meus primos! – ao montar a sua imagem de habitual casamenteira, Inês esqueceu-se de um pequeno detalhe – a presença de David, que frente a tal declaração, contraiu todos os músculos, esperando ouvir qualquer resposta negativa por parte da única dona do seu coração

- Não te metas com ideias, Inês… Fecharam os castings! – ironizou, fincando que não estava disposta em receber na sua vida mais nenhum homem… pelo menos não tão cedo, como David havia feito – Não vale a pena… Estão fechados!

- Não sejas tonta, Adriana… És uma mulher solteira, bonita, interessante…

- Amor, deixa-a… Quando ela quiser ela pensa nisso! – Ruben salvou-a das insistências desgastantes da sua futura mulher e Adriana agradeceu-lhe num sorriso meigo, acompanhado por um “obrigada” gesticulado entre lábios

- Então e planos para esta tarde… Alguém tem? – perguntou David, tentando encerrar um assunto que o estava a incomodar, tanto como ao sentimento que ainda lhe bombeava o peito freneticamente, sempre que a tinha por perto

- Acho que não… Vamos ficar mesmo aqui por casa a relaxar! – Ruben respondeu ao seu melhor amigo, na certeza de que nem todos os dias poderiam ser assim, senão aquela semana acabaria num fiasco tamanho, domado por todo o tédio somado

- Ah, ué! Vai ser sempre assim, velho? – cruzou na frente do peito os seus dois braços tonificados pelo árduo trabalho de ginásio e bafejou pela brecha dos seus lábios uma respiração desassossegante – Não vamo’ ficar toda a santa tarde sem nada pra fazer!

- E queres fazer o quê, mano? Aqui não há muito que se faça…

- Não quero nem saber, mas ficar todo o dia aqui sem fazer nada, não tá rolando com nada… Vamos passear, correr, jogar futebol, nadar, nem que seja pescar, mas vamos fazer alguma coisa! – sugeriu desesperado pelo sufoco que iria sentir ao ficar vinte e quatro sob vinte e quatro horas, sob os domínios da sua possessiva namorada

- Sua mãe me falou de um lago aqui perto onde você, seus irmãos e a Adriana acampavam em pequeninos… Porque não vão dar uma volta por lá? – pairando no ar, quedou-se a sugestão da afável Dona Regina, que frente à inércia da insatisfação dos mais novos, apressou-se a procurar uma solução

- Sim, amor… Já ouvi falar imenso do lago e nunca me levaste lá! – argumentou por fim Inês, tentando unificar todos e quaisquer laços que ainda pudessem permanecer incógnitos entre ela e o seu futuro marido

- Sim… Por mim parece-me bem! – concordou Ruben, olhando meramente por segundos Adriana, por uma razão que só ambos conheciam… e só eles

- Oh Ru… - suspirou-lhe entrecortadamente, esperando que todos desistissem daqueles planos que ainda lhe poderiam vir a trazer muitos dissabores, tendo em conta que a sua presença teria de ser obrigatória, pois era a única detentora do caminho completo até ao local

- Vá lá, Adriana… - pediu num olhar suplicante, jogando com o único factor que a faria aceitar qualquer proposta: a sua amizade

- Tudo bem… Tu não me vais mesmo dar outra opção! – acabou por concordar, ressentindo a sua pose fragilizada num pestanejar ameno, sentido entre as suas pálpebras móveis ladeadas pelas fartas pestanas que lhe emolduravam o rosto

- És a maior, Adriana… A maior! – Inês comemorou os planos para os dias seguintes, com um enorme sorriso no rosto, batendo junto do peito as suas duas mãos num som acutilantemente alegre, que a todos provocou umas boas gargalhadas

- Sim… Dá-me graxa, dá! – Adriana barafustou a sua decisão, olhando de soslaio Inês, que se mostrava visivelmente entusiasmada com a escolha consensual feita pelo seu futuro marido e a melhor amiga de infância

- Menina… - a voz dócil de Maria, a governanta da casa, irrompeu pelo ar, quebrando a conversa serena que era mantida – Desculpe interromper, mas tem uma chamada para si… - declarou com as mãos recolhidas junto do tronco, direccionando o seu olhar assertivo a Adriana

- Pra mim, Maria…? – clamou um tanto ou quanto surpresa – Tem a certeza?

- Sim… Pareceu-me um assunto urgente, deixei a chamada em espera, menina!

- Então eu vou já… - afirmou, desprovendo o seu corpo do calor ameno da manta axadrezada e precipitando-se na direcção tomada pela empregada – Com licença!

Assim que segurou o telefone em suas mãos, o seu pequeno coração acelerou vertiginosamente, temendo tratar-se de um assunto demasiado sério, capaz de a fragilizar ainda mais do que aquilo que já a abalava diariamente, enquanto enfrentava a luta diária a que fora obrigada: viver sem David.

- Estou sim, quem fala? – com a voz trémula, tento perceber quem lhe queria falar com tamanha urgência

- Sou eu, Adriana…– a voz inconfundível da sua agente, serenou-lhe de certa forma a impiedade ressaltada nos batimentos atabalhoados que eclodiam sem seu peito - A Alice!

- Ah… És tu! – assegurou-se numa respiração bafejada rapidamente, no espaço entreaberto dos seus lábios – Que aconteceu para ligares para aqui e não para o meu telemóvel?

- Eu liguei para o teu telemóvel… Mas deu que estava desligado!

- Provavelmente devo estar sem rede aqui dentro de casa, Alice… Mas aconteceu alguma coisa?

- Temos um problema contratual para resolveres… E não pode mesmo passar de hoje, Adriana!

- Mas é assim tão urgente? Eu resolvo isso quando regressar a Lisboa no final da semana…

- Tem de ser agora… Já chamei o teu advogado e tudo! Aparentemente há um erro numa das alíneas do contrato com a editora e nenhum de nós se apercebeu… Temos de reformular todas as assinaturas!

- Bolas… Não me dava jeito nenhum ir a Lisboa hoje! – lamentou-se, encostando brevemente o seu corpo na ombreira da porta que dava o pleno acesso à sala de estar, onde os outros a aguardavam reunidos à lareira

- Ela não está com boa cara, Ruben… - assibilou Inês, num murmurar relutante, tentando decifrar as expressões enigmáticas que o rosto de Adriana automatizou – Será que aconteceu alguma coisa?

- Coisa boa não foi de certeza… - Ruben apoiou a opinião da sua futura mulher, ao reparar no modo insistentemente nervoso como Adriana batia o seu pé direito no soalho de carvalho do corredor – Ela parece-me nervosa…

- Talvez tenha acontecido alguma coisa grave… - sugeriu Inês, indiferente à inquietação que tomou conta do íntimo de David, que se viu incapaz de colocar o coração de lado e esquecer a paixão avassaladora que ainda nutria por aquele ser

- Não digas disparates… Talvez nem seja nada! – garantiu Ruben, ao perceber o estado de alvoroço que as palavras de Inês haviam causado no seu melhor amigo, sentando no lugar livre do sofá a seu lado

- Está bem… Quando chegar eu ligo-te! – afirmou Adriana, para segundos depois dar fim à chamada que vinha deitar por terra os seus planos para aquele final de tarde tranquilo no conforto das longas amizades que partilhava

- Então, que aconteceu? – vítima da sua curiosidade impetuosa, Inês foi a primeira a pronunciar-se, assim que viu a sua amiga encaminhar-se para o calor da lareira que crepitava, ardendo num calor que preenchia a divisão

- Não sejas curiosa, Inês… - proferiu o seu futuro-marido num sussurrar vigoroso, proferido junto do seu ouvido

- Não é curiosidade… Simplesmente vi que ela não está com boa cara! – esta defendeu-se, escolhendo um dos argumentos mais frágeis para se impor contra o seu forte opositor

- És sempre a mesma coisa, Inês…

- Deixa-a, Ruben… Não tem problema ela perguntar o que quer que seja! – Adriana colocou-se do lado da futura esposa do seu melhor amigo, esboçando em seus lábios um sorriso delicado, à medida do esforço que fazia para se manter positiva quanto ao desfecho inesperado daquele dia – Tenho de ir a Lisboa…

- A Lisboa? – questionou Ruben de imediato, num tom sobressaltado pela emoção de tamanha surpresa – Mas eu pensei que ias passar a semana toda aqui!

- E vou… Mas tenho de ir lá hoje resolver um problema!

- Que problema?! – a voz gélida que cortou o ar, forçou-o ao silêncio eminente da estranheza face àquela atitude imprevisível de David

- Um problema de trabalho… - respondeu calmamente, depois de ter usado alguns segundos para se recompor e soltar o nó, que se formou na boca do estômago, impedindo-a de soltar qualquer suspiro – Devo voltar ainda antes do anoitecer, espero eu…

- Vem a tempo do jantar, minha filha? – inquiriu-a Dona Regina, educadamente, entreabrindo os seus lábios num sorriso maternal

- Sim… Isso quase de certeza! – respondeu-lhe meigamente, repenicando na sua testa um pequeno beijo respeitoso, que apenas para ambas se provinha de um amor maternal que lhes era familiar e há já muito compartilhado

- Então vá com Deus, minha filha… E que tudo se resolva!

- Obrigada, Dona Rê… Vou subir para buscar as minhas coisas, até já! – gracejou num dócil aceno conformista e subindo as escadas num sobressalto apressado, semelhante ao de alguém que corria contra o relógio

Oscilando apressadamente nas plantas dos seus pés frágeis, Adriana acercou-se das escadarias fastidiosas e percorreu um só lance, apenas com meia dúzia de passos, intercalando a subida em investidas duplas e individuais.
Entrando no quarto que era dividido com as suas amigas, aproximou-se da cama e sobre a mesma começou a dispor os seus pertences, desde o telemóvel, à agenda, ao seu habitual maço de cigarros e o seu isqueiro predilecto, e por fim a sua carteira onde se encontravam os documentos… Tudo o que havia reunido foi cuidadosamente disposto no interior da sua mala, no seu devido lugar, mantendo cada detalhe devidamente organizado.
Adriana acercou-se então do espelho, que se dispunha lateralmente à porta da casa de banho e observou-se detalhadamente, esperando estar nas melhores condições para o acontecimento formal onde teria de se encontrar em poucas horas… Repuxou para trás dos ombros os cabelos ondulados que lhe caiam no peito, colocou por detrás da sua orelha a franja rebelde que teimava ressaltar sempre da ordem e passou nos lábios, regelados pelo Inverno, uma dose extra de um gloss rosado, que combinava harmoniosamente com o tom de blush que lhe cobria as faces robustas.

- Posso? – uma voz corrida ressoou, dando aviso juntamente com um pulsar leve do punho de Ruben contra a porta

- Claro… - assentiu cordialmente, olhando-se mais uma vez no espelho – Mas já estou de saída, Ru…

- Tens mesmo de ir agora? É tarde, daqui a umas horas vai anoitecer… E eu precisava de falar contigo!

- Tenho a certeza que a nossa conversa pode ficar pra depois, Ruben… Quando eu voltar logo colocamos a conversa em ordem! – garantiu, imersa no seu mundo de deveres, e colocando no ombro a mala já pronta para que seguisse o seu caminho

- Sabes, Adriana… - envolto numa mágoa inigualável, Ruben obrigou-a a quebrar o percurso olhando-o nos olhos pela primeira vez - … começo a achar que a Sofia está certa…

- Ãh? Que raio queres dizer com isso? – uma dor assaltou de rompante o peito latente da melhor amiga de Ruben, ao equacionar que ele estivesse a sustentar a teoria imposta pela sua pequena afilhada

- Exactamente aquilo que tu estás a pensar… Não andas mais a mesma pessoa! – os argumentos infundados de Ruben, magoaram Adriana mais do que esta julgaria possível em apenas uma amálgama de frases sem sentido – Agora o trabalho e tudo o resto vem primeiro que os amigos, a família… Tu não eras assim! Parece que no lugar daquele coração meigo da minha Adriana, há agora uma pedra…

- Não acredito que estás mesmo a dizer isso, Ruben… - sussurrou, controlando o refluxo de lágrimas impensadas, que lhe emergiram no olhar sofredor, não temendo sofrer qualquer represália de parte a parte

- É a verdade… A Sofia está certa! – afirmou obstinadamente, não querendo interceder contra a sua querida amiga – Antes, todos eram importantes para ti… Antes, tudo vinha em primeiro lugar que o trabalho, mas desde que terminaste a tua relação com o Dav…

- Não metas o David no meio disto, caramba! – ela vociferou um grito supremo, que emergiu do topo da sua garganta, expandindo-se por todo o primeiro andar – Deixa-o fora disto por uma vez que seja… Parem de falar nisto!

- Porquê? Hum, Adriana… Porquê? – assumindo uma postura derradeiramente intimidante, Ruben acercou-se dela, mantendo-a sob a sua alçada atemorizadora, que foi o bastante para a fazer ceder – Porque sabes que tenho razão?

- Não, Ruben… Não tens razão! Estou farta que estejam todos constantemente a falar do David e da nossa relação… - pousando a mala sobre a cama, Adriana aprontou uma resposta frívola, que lhe quebrou o próprio coração, pois já mais ousara ceder à benevolência de tal atitude grosseira com o seu melhor amigo - CHEGA!

- Tu dás sempre o assunto por encerrado quando toca a algo que não é mais do teu interesse! – ele contra-argumentou, subindo o tom do que inicialmente era uma simples conversa, para uma discussão  - Ou pelo menos que tu queres fingir que não é mais do teu interesse!

- Pára com as insinuações, Ruben… Estou sem paciência para esses jogos de palavras no que toca à relação que tive com o teu querido melhor amigo! – pronunciou com escárnio, semicerrando os olhos na sua habitual postura provocadora

- Vês? Vês o que quero dizer com isto tudo? – gritou, deixando os braços erguidos no ar, embaterem nas suas coxas denodadas – Tu nunca… Jamais em tempo algum, te referirias assim ao David! Por muita mágoa que pudesse haver, havia respeito… E agora essa mulher respeitosa, dócil, meiga, educada e amável, desapareceu… e sinceramente, não me parece que vá voltar!

- E quem és tu pra me acusares dessa forma? Estou tão farta de ouvir represálias pela pessoa em que me tornei… Eu sou a mesma, vocês é que não têm mais a capacidade de me olharem com os mesmos olhos, porque aprenderam a tomar o partido dele e não vêm que nesta história existiram dois lados errados e que nenhum deles deve ser perdoado… Inclusive o dele! Ele também errou… mas estás tão preocupado em acusar-me que nem vês isso! – ter dito tudo o que a assombrava numa só rajada, provocou uma oscilação fastidiosa na sua respiração atabalhoada, que acabou por se tornar no único som audível nos segundos seguintes, onde um silêncio avassalador imperou entre os dois amigos

- Eu costumava ser o teu melhor amigo… - começou Ruben por dizer no fim de aquilo abismo vazio – Costumava ser a pessoa que melhor te compreendia, que mais te apoiava, que mais te queria ver bem… A pessoa que lutava pela tua felicidade, quando essa cabeça dura teimava em afastar-se do que a faria feliz… Eu costumava ser a pessoa em que encontravas um irmão, um amigo, um confidente… Mas agora… Agora não sei, não consigo compreender o que aconteceu com a Adriana que conheci! Não reconheço mais aquela menina doce, que em tempos passou a infância comigo percorrendo os corredores desta casa e de repente se tornou uma mulher… Por isso agora questiono o mesmo que tu… Afinal quem sou eu?

- Não me vais comover com esses discursos, Ruben… - sobre alertou-lhe ela, tentando camuflar as gotas de orvalho prestes a correrem-lhe pelas faces geladas – É inútil, é em vão…

- Tudo em ti se tornou inútil! Todas as tentativas para reatar a menina que eras se mostraram em vão… É um facto! O melhor é mesmo desistir… Vai à tua vida, faz o que tens a fazer! – ordenou-lhe, segurando no seu punho cerrado a maçaneta da porta escancarada para que ela se pudesse escapulir na primeira oportunidade – Vai… Não tens mais nada que te prenda aqui! Vai…

Adriana olhou-o com a maior mágoa do mundo, sentindo que a cada minuto se aproximava mais de perder o seu melhor amigo, mas nem isso a moveu a quedar-se por mais um instante.
Segurou no ombro a sua mala pronta a partir e atravessou a ombreira sem pensar duas vezes, e ainda segurando as lágrimas, que instantes depois lhe escorreram pelas faces num fulgor ponderado.
Se o dia não começara da melhor forma, encontrava então um fim ainda mais pesaroso… Adriana sabia que tinha de fugir dali. Fugir do presságio por fim concretizado e contra o qual tanto lutara, depois do final do amor que compartilhara com David.
Na sua vida tudo se perdera como uma avalanche. Primeiro David, depois a alegria pela qual era conhecida, depois o sorriso que sempre lhe cobria os lábios, os seus amigos, e Ruben – o irmão que aprendera a amar de coração. E era então hora de partir mais uma vez…

- Vai… Foge como sempre fizeste! Afinal essa é a tua especialidade… - murmurou no corredor, seguindo atrás da melhor amiga, que simplesmente o ignorou, fechando os olhos, os ouvidos e coração, e desceu as escadarias apressadamente, dominando o ar com o rumorejo do seu choro

- Adriana, achas que uma balada rock ficaria bem para a primeira danç… - Inês, sentada no sofá junto de David, tentou impor a uma das madrinhas do seu matrimónio uma questão, mas Adriana atravessou o hall de entrada tão ferozmente que não lhe ofereceu qualquer hipótese de refutação – Adriana?! Adriana, espera!

- Isso… Continua! Foge! – Ruben surgindo no topo das escadas, rugiu um grito impiedoso, que só findou com o estrondo da porta batida por Adriana – Cobarde… - acrescentou sussurradamente para si mesmo, contorcendo-se de culpa pela atitude que havia tomado

- Ruben… Que raio acabou de acontecer aqui? – questionou Inês, erguendo-se do sofá num movimento breve, receando que aquela partida repentina da amiga ameaçasse a sua presença no enlace de ambos dali a poucos dias

- Não te metas, Inês… São coisas minhas! – balbuciou de forma grotesca, não medindo a susceptibilidade da sua amada e a dureza das suas palavras junto desta

- São coisas tuas, Ruben? São coisas tuas?! Ela saiu daqui a chorar! Tu fizeste alguma coisa…

- Não te metas, Inês… Ela é a minha melhor amiga e o que aconteceu aqui foi uma conversa entre mim e ela! Não te metas!

- Ruben se acalma… Não precisa falar assim com a Inês… - David intercedeu junto de ambos, vendo a névoa de lágrimas que cobriam os olhos da futura noiva e passando a sua mão ternurenta sobre o seu ombro

- David, não te metas também tu no meio disto…

- Manz, se acalmar, pô! Não sei que aconteceu entre você e a Adriana, mas aqui ninguém tem culpa de nada… Por isso se controla! – alertou o melhor amigo, num tom evidente de clara censura que não podia, nem passou despercebido a ninguém

- Desculpa, amor… - acabou por dizer, beijando a testa de Inês, que serenou nesse mesmo instante – Está tudo bem, não te preocupes… Desculpa!




***




Tremendo persistentemente, Adriana tomou posse da condução do seu Audi – igual ao de David, até na cor – e deu início à viagem de regresso a Lisboa. Os quilómetros eram muitos, mais de uma hora de viagem e lágrimas a correrem-lhe continuamente pelas faces esmaecidas.
A música de fundo no carro passava-lhe despercebida, enquanto ela se afogava no precipício aberto no seu peito. A dor excruciava-a de uma maneira inigualável e repentinamente todas as recordações dolorosas que vivera, afloravam-lhe o pensamento, fazendo-a sentir o fel de um amor terminado.
O seu peito começou a palpitar impensadamente e as mãos trémulas lutavam para permanecer imperatrizes do volante, mas este ameaçava escapar-lhe das mãos a qualquer segundo.
Foi quando já atravessava a primeira estação de serviço, das quatro encontradas em todo o percurso, que sentiu o seu telemóvel tocar no suporte junto do tablier do seu carro. No visor surgiu o nome de Ruben…
Adriana temeu atender a chamada, precipitou-se na direcção do telemóvel, mas acabou vencida pela cobardia da qual era vítima nos últimos tempos.
A seguir à tentativa falhada de Ruben em falar com ela, seguiu-se uma da Dona Regina, duas de Inês e mais cinco de David… No entanto todas elas foram em vão.





***




- Ela não atende… - murmurou David num tom solene, pousando na beirinha da mesa do café o seu Blackberry – É melhor deixar ela no seu espaço… Logo cê fala com ela, manz!

- Eu só espero que ela volte, Ruben… Não estamos em condições de perdermos uma das madrinhas a dias do nosso casamento! – balbuciou Inês rapidamente, cruzando simultaneamente os braços e uma perna sobre a outra

- Inês, não comeces já com os teus dramas… Ela não se foi embora, ela volta… - assibilou, olhando-a de soslaio e antecedendo o murmúrio que se seguiu – Eu acho que ela volta…

- Tenham os dois calma… Ela falou que ia resolver um problema de trabalho, não falou? Então ela volta… Não se preocupem! – David tentou serenar os ânimos de ambos, apesar de ele próprio temer uma ida sem regresso por parte da mulher que ainda preenchia todo o seu ser

- É bom que ela volte… É bom mesmo porque senão vais ter de subir sozinho ao altar David! – balbuciou no seu ar altivo, repreendendo indirectamente o seu futuro-marido

- Tem calma, Inês… Se ela não voltar, eu mesmo falo com ela! Até porque eu duvido que ela vá faltar ao vosso casamento…

- Nós não sabemos o que o Ruben lhe disse para ela ter saído daqui desta maneira… Só espero que o que quer que seja não ponha em causa a presença dela no casamento!

- Para de pensar só no casamento, Inês… Há mais coisas a acontecerem, caramba!

- Coisas mais importantes que o nosso casamento, Ruben? – um sorriso de desapontamento emergiu em seus lábios e acompanhada por um olhar desiludido, encarou-o frente a frente, não estando  mais dispostas a prolongar aquela conversa que em muito completava o seu desagrado

- Inês… Inês, espera! – ordenou Ruben, vendo Inês antecipar o seu destino na direcção das escadas – Vamos falar…

- Deixa-me, Ruben… Não quero mais conversas! – balbuciou em meia voz, acabando por desaparecer no início do corredor do andar superior

- Era o que mais me faltava agora… Era só o que me faltava!

- É melhor cê falar com ela, manz… Independentemente do que cê falou para a Adriana, não pode ficar desse jeito com a Inês! – aconselhou David no seu tom modesto de bom amigo

- Estou a ficar sem paciência para isto tudo, David… Eu amo a Inês e quero casar com ela, mas já não suporto a sua maneira mimada e impetuosa!

- Ela é sua noiva… Tá preocupada e stressada com esse negócio do casamento, dá um desconto pra ela, vai… Fala com a Inês, com calma!

- Está bem, mano… Vou falar com ela… - concordou, acoplando um suspiro profundo

- Vai com calma… Qualquer coisa tô aqui por baixo!

- Tudo bem… Obrigada, David! – agradeceu num sorriso repleto de sinceridade e seguindo depois pelo mesmo caminho por onde Inês havia sumido

- Nossa, esse bicho tá pegando muito feio… - David soltou um desabafo, deixando o seu corpo embalar-se no conforto do sofá que era então só seu

- Tá ficando todo o mundo doido com esse casamento… - concordou a sua mãe, olhando o seu adorado filho ternurosamente e ansiado por acarinhá-lo nos seus braços

- Ué, tá todo o mundo perdendo a razão…

- É… Tá mesmo todo o mundo perdendo a razão com essas atitudes impensadas! – Dona Regina observou o filho, tentando decifrar o silêncio que este compôs nos instantes seguintes, mas no entanto conseguiu ler-lhe plenamente a alma conturbada – Pensando em quê, meu anjo?

- Em nada não, mãe…

- Cê sabe que te conheço… Esse rostinho tá te denunciando! Cê tá preocupado com alguma coisa… – relembrou com um sorriso ameno em seus lábios, capaz de transmitir tranquilidade até ao mais confuso coração – E eu até acho que posso adivinhar…

- Mãe, não começa, vai… - pedinchou-lhe, temendo que a qualquer altura Joana pudesse dar sinais da sua indesejada presença e escutar uma conversa cujo conteúdo ainda lhe era desconhecido, mas que muito em breve se iria revelar

- Cê sabe que eu tenho razão… E não adianta cê fugir, seu coração vai perseguir você com esse sentimento, meu filho!

- Mãe, não começa não… Cê sabe que eu gosto da Joana! – alertou, tentando esforçadamente escapar ao assunto proibido

- É… Gostar cê até gosta, mas cê ama?

Um silêncio imperialista segurou as rédeas daquele pequeno reino familiar entre mãe e filho. Tanto um como outro sabiam o tanto que havia a dizer, mas nenhum deles foi capaz de se pronunciar e aquela atabalhoada ausência de discurso acabou por refrear o momento de uma conversa há já muito esperada.
David sentiu o seu coração estagnado num instante de verdade, que teimava ocultar e a sua doce mãe aguardou por uma resposta que tinha a certeza que iria chegar, mas apenas quando o seu filho recompusesse o coração e engolisse os sentimentos que ameaçavam explodir mais rápido que o expectável.

- Eu gosto dela, mãe… Se não gostasse, a gente não namorava! – argumentou, tentando escapulir-se prestes, à investida segura da sua progenitora

- Cê não tá respondendo à minha pergunta… - relembrou, revirando ternamente os olhos – Cê gostar gosta, mas cê ama?

- Mãe, não começa de novo, vai…

- Se você a amasse não seria assim tão difícil de responder… - declarou, erguendo-se do sofá, após ter obtido em silêncio a confirmação que já conhecia

- Amar de verdade, pra sempre… A gente só ama uma pessoa na vida e a Joana ainda não alcançou de mim esse amor!

- E talvez ela não vá nunca conquistar… Porque esse seu amor, cê já deu, meu anjo… - afirmou certeiramente, passando-lhe carinhosamente as mãos sobre os cachos desalinhados e sorrindo de forma meiga - … e esse amor só se dá uma vez! - lançando um último olhar protector sobre o seu adorado filho, Dona Regina abandonou a sala, deixando David solto e viajando nos seus mais ínfimos sentimentos





***





A tarde avançou célere e o temporal que se ameaçava levantar acabou por vencer os céus, escurecendo-os e adivinhando a chuva que arrastaria consigo o chegar da noite.
Na sala todos os amigos se reuniram após uma tarde de afazeres diversificados. No sofá maior, os pais de David juntamente com a anfitriã da casa – Dona Anabela, a mãe de Ruben – nos puff’s junto da lareira onde o lume ardia tranquilamente, a pequena Sofia ao colo de Brenda, David com Joana junto de si, e Ruben e Inês, que haviam feito as pazes, mas não esquecido as palavras amargas proferidas por ambos.

- Oh mãe, estou cheio de fome… Quando é que jantamos? – inquiriu o futuro noivo, esfregando o seu farto estômago com as duas mãos

- Tem um pouco de calma, Ruben… Mais dez minutos e deve estar a sair! – Anabela, tentou serená-lo, no entanto não pôde deixar de esquecer a ausência da sua doce Adriana – A Adriana não vem jantar?

- A Adriana disse que vinha… - declarou, olhando de soslaio Inês, atemorizando a sua reacção ao possível não regresso da sua madrinha de casamento

- Talvez tenha apanhado trânsito… - sugeriu a mãe de David, certa de que a calma e paz deveria reinar entre os transeuntes

- Talvez devamos ligar-lhe… - propôs Paula, tomando nas suas mãos o seu telemóvel de última geração e marcando no teclado qwerty o número que já tinha de cor na sua cabeça

- Sim… Faça isso, minha filha! – concordou Dona Regina num sorriso encorajador

- Hum… - murmurou ao fim de alguns segundos de espera – Que estranho… Está desligado! – constatou logo depois de dar inicio à ligação

- Ela foi tratar de um assunto de trabalho… Talvez ainda não se tenha despachado! – equacionou o seu melhor amigo, esperando que a conversa tida antes da sua partida não tivesse sido o ponto final no fim de uma bonita amizade de vários anos

- Dona Anabela, o jantar está servido… - constatou Maria, entrando na sala de mãos juntas na frente do colo e vergando instantaneamente a cabeça

- Vamos já, Maria… - garantiu sorrindo

- E não vamos esperar pela Adriana pra jantar? – perguntou David surpreso, pois naquela casa eram raras as vezes que um membro importante era deixado de fora da refeição mais confraternizante do dia

- Nós não sabemos sequer se ela vem, David… E o telemóvel está desligado! Quando ela chegar terá o seu jantar, não te preocupes… - sorriu, entendendo a preocupação oculta do grande amigo do seu Ruben – Agora vamos…





***





A refeição reconfortante aqueceu a alma de todos, naquela noite inesperada de Inverno, onde Adriana continuava a não marcar presença e sem dar qualquer notícia.

- Estou a começar a ficar preocupada… Já passa das duas da manhã e nada da Adriana! – clamou Paula, quebrando a atenção de todos que se encontrava centrada num filme de acção que passava no enorme plasma da sala

- Agora também começo a ficar… Já é tempo a mais sem chegar ou dar notícias! – concordou Inês, olhando Ruben e esperando deste qualquer reacção

- Vou ligar-lhe de novo… - Paula segurou o telemóvel, mas ao contrário do que esperava, voltou a ouvir o sinal intermitente de chamada – Nada… Continua desligado! Estou mesmo a ficar preocupada…

Um trovão aterrador rasgou os céus e fez todos os presentes temerem de medo… Por fim as nuvens soltaram a chuva há muito contida e o temporal aterrador tomou conta do exterior, baloiçando violentamente as árvores e embatendo na piscina até então serena no alpendre dianteiro.
Uma atmosfera pesada abafava o ar e um mau presságio mudo cobria os pressentimentos das pessoas que a amavam… Algo estava a acontecer, algo que não traria consigo uma boa nova.

- Oh meu Deus, que chuvada… - Joana correu até à janela, observando a chuva colidir violentamente nos carros estacionados junto do jardim

- E se ela vem a conduzir de Lisboa com um temporal deste? – perguntou Inês num tom de inquietação e colocando em jogo mais uma carta perigosa

- É melhor a gente fazer qualquer coisa… - afirmou David, com o seu coração apaixonado sobressaltado pela apoquentação do momento inesperado

- Eu vou à procura dela! – asseverou Ruben muito seguro, agarrando as chaves do seu carro desportivo na mão, certo de que algo teria afastado a sua melhor amiga para longe… mas nada relacionado com a conversa tida secretamente e que lhe havia abalado o pequenino coração, e disso ele estava certo…













Antes demais peço imensas desculpas pela enorme demora em postar o capítulo, mas como já vos disse a escola não deixou e nas últimas duas semanas estive com uma gripe enorme.
Quanto ao próximo capítulo não sei quando o conseguirei postar, porque já tenho novos trabalhos para fazer e a escola vem em primeiro lugar!
Qualquer pergunta que queiram fazer, façam-na aqui por comentários e não nos chat's dos blogs habituais porque tenho mais dificuldade em responder, visto que não os visito tão habitualmente quanto gostaria. Façam-nas todas aqui e eu responderei também por comentário!
Espero que gostem do capítulo e comentem, apesar de toda a ausência! :)
Beijinho,
Drii

27 comentários:

Annie disse...

Oh minha querida, que lindo. A pequena Sofia cada vez me surpreende mais, não só pelas suas atitudes mas sim pelas suas palavras tão certeiras. A dona Regina aquece-me o coração e tem sempre a verdade na boca. O David não consegue esconder o que o une à nossa querida Adriana.
Ai , que saudades que eu tinha de um capítulo assim. Espero que em breve, e muito em breve, termines todos os trabalhos que tens pendentes e que a inspiração chegue em força.
Beijinhos minha querida.

Ritááá disse...

Olá Drii :D
Mais um capítulo fantástico!
Antes de mais peço desculpa por já não comentar à muito tempo, mas para ser sincera eu tenho o teu blog na minha lista e não têm aparecido quaisquer atualizações....
De qualquer maneira continuo a adorar a tua fic :b
Beijinhos
Ritááá xD

Lisandra disse...

Ai meu Deus!! O que é que aconteceu agora?? Mas será que nunca mais chega a paz, que esta gente tanto precisa?

o Ruru foi um tanto ou quanto estupidosinho... começo a concordar com a Adriana, toda a gente viu o lado do David e esqueceram-se dela, principalmente o seu melhor amigo.

Ah, adorei, a parte do café sem açucar do david!! :D (L)

So espero que nao tenha acontecido nada de grave à Adriana, pois cheira-me com aquele temporal coisa boa nao foi. e o telemovel estar desligado é defacto estranho. mas também acho que vai acontecer alguma coisa à Adriana, que vai fazer o David ficar com o coraçao apertadinho e com a certeza que nao pode viver sem ela.

Tenta não demorar tanto tempo, é que uma pessoa fica aqui cheia de curiosidade por saber o que está a acontecer.

mais uma vez, Maravilhoso!!
beijinhos.

Mary disse...

Ai, Ai! O que será que aconteceu a Adriana?
Isto está a ficar cada vez mais interessante.
Estou a adorar!
Beijinhos

Anónimo disse...

Está fantastico... como sempre aliás, adoro. Parabéns

ElsaNeves disse...

Olá Dri:
Espero que esteja tudo bem contigo.
Adorei o capitulo, estava cheia de saudades ;)
Sabes que te compreendo mas só quero mais ;) estou mortinha que a Adriana se acerte com o David :D
Beijinhos.

Fabi disse...

Excelente como sempre!
Não nos deixes é outra vez tanto tempo à espera, a história está tão boa que a espera torna-se inquietante!

Jéssica disse...

Como sempre, o capítulo está lindo!

Mas o que é que aconteceu com a Adriana? Fiquei com um certo 'medo', pois acidentes ou algo assim do genero neste altura não são bem-vindos.

Estou desejosa de que o David acabe com a Joana e volte para a Adriana, embora concorde plenamente com o Ruben!

Beijinhos, continua :)

Diana Ferreira disse...

aserio minha linda, que tinhas de acabar logo aqui?? logo na melhor parte?? este capitulo, está mais uma vez maravilhoso, lindo! já nao vejo a hora destes dois se acertarem, quero muito ler isso e vou esperar ansiosamente pelo proximo capitulo!!
compreendo que a escola nos tire bastante tempo, e desejo-te as melhoras! :)

beijinhos!

Alexa disse...

Mt bom, excelente. Deixou-me foi super curiosa. Todos os dias vinha ver se havia capitulo e finalmente chegou.

Parabens e boa sorte pra escola.

Anónimo disse...

Perfeito, como sempre .. mas essa frase ''Uma atmosfera pesada abafava o ar e um mau presságio mudo cobria os pressentimentos das pessoas que a amavam… Algo estava a acontecer, algo que não traria consigo uma boa nova.'' também me deixou com pressentimento nada bom! Estou muito curiosa Drii! Sei, ou melhor não sei quando vem o próximo, fico sempre 'maluca' e abrindo a página o tempo todo pra ver se já temos post novo, mas no fundo eu sei que seja lá qual for o dia, vamos ser bem recompensadas!

Espero ansiosamente por mais, e claro pelo entendimento do David e da Adriana! *-*

Ana disse...

fantastico, fabuloso como ja é habito...

quero mais... agora tou super curiosa para ver o proximo capitulo...

continua...
PS. posta rapido

❣ The Pink. Eagle ❣ disse...

Oh meu deus! Parece impressionante, sempre que leio um capitulo teu fico sem saber o que comentar, palavras não faltam mas queria as certas para dizer o quanto a tua escrita é maravilhosa, eu sou de longe uma péssima especialista em textos, mas acho mesmo que tens uma habilidade para usar as palavras excelente! (ate roubava um bocadim do teu talento, para a minha media de português :D)

Quero o próximo capitulo rapidinhO! Eu sei que os trabalhos da escola apertam e que cada vez mais os professores pensam que somos umas maquinas (falo por mim), mas era tão bom que arranjasses o próximo capitulo :P

Beijins!E continua a escrever *)

Anónimo disse...

Olaaaaaaa :D


Adoreiiiiiiiii , espero que eles se entendam e que nao tenha acontecido nada de mal á Adriana :D



Beijinhos

Anónimo disse...

que saudades eu tinha de ler um novo capitulo... AMEI.. está sem duvida fantastico
estou mortinha par os ver novamente juntos :p
Parabéns
beijinhos :)

Anónimo disse...

deixaste-me presa ao ecrã, como sempre :) por favor, não nos faças esperar muito para saber o que aconteceu, estou super curiosa!

Mariana Vieira

Ana Sousa disse...

Já estava cheia de saudades de um capítulo teu.
E é sem qualquer novidade que te digo que adorei, amei!
A tua escrita e a história em si cativa-me e leva-me a viajar até bem pertinho das personagens, e isso é lindo...
Quando penso que não me podes surpreender mais, fazes sempre com que isso mude mal leia qualquer coisa tua.
Como sempre, estás no topo das preferidas.

Continua o teu trabalho, com tão boa qualidade :)
Beijinho, minha querida.

Ana Sousa

Anónimo disse...

Já tinha tantas saudades de ler um capitulo teu, que agora que li soube-me a pouco, muito pouco, mas compreendo que a escola está em primeiro lugar. Quanto ao capítulo, meu Deus, nem sei que te diga, tá maravilhoso, apesar de cada vez ter mais dificuldade em perceber as atitudes da Adriana, ela insiste em afastar dela todos aqueles que a amam, o Ruben até pode ter sido um bocado rude nas maneiras como falou com ela, mas ás vezes é preciso uma sacudidela para reagirmos, o pior é que ela continua a reagir, fugindo dos problemas. A Sofia mesmo sendo pequena é a que melhor se apercebe das coisas, e com a sua ingenuidade própria de uma criança faz questão de dizer aquilo que lhe vai no coração, ela foi a unica que viu que a sua madrinha não é mais a mesma, as crianças ás vezes são tramadas, e deixam-nos em situações nada agradáveis.
As tuas palavras levam-me a pensar que algo aconteceu à Adriana, só espero que não tenha sido nada de grave, se isso acontecer o Ruben vai sentir-se culpado, ele não vai ser capaz de se perdoar a ele próprio se algo acontecer á sua "pequenina", e o David não vai ficar melhor.
Vou ficar à espera do próximo com muita curiosidade, porque adoro o que escreves e a maneira como escreves e porque tou desejosa que o David e a Adriana se entendam de vez.
Continua,

Beijocas

Fernanda

paula. disse...

oh adorei princesa! adorei mesmo!
já tinha saudades de ler algo escrito por ti e a tua história, posta logo que puderes!

beijinhos <3

Anónimo disse...

Meu Deus que perfeito! estás cada vez melhor... a tua fic é sem dúvida a melhor, PARABÉNS!
estou ansiosa para ver o David e a Adriana novamente juntos :p
CONTINUA...
BEIJINHOS :D

BeautySecrets disse...

Adoro o teu blog, já o sigo! :)
Passa no meu e segue-o também, tenho uma proposta de part-time ideal para ti!!!
É um part-time que não nos ocupa tempo nenhum, não temos obrigações, não temos de ter experiência de vendas, basta mostrar o catálogo (ele vende-se sozinho, basta mostrar...) e ainda temos descontos em todos os produtos!!!
Se te inscreveres pelo meu blog até amanhã (17h) receberás uma palete de sombras no valor de 17€!
Beijinhos e até já*

Anónimo disse...

Para quando o proximo??

beijinhos

Joaniinha disse...

Já ando a ler este blog há algum tempo mas nunca sabia muito bem o que escrever. com este blog já ri, já chorei, já me fez pensar na vida de outra forma, já me fez sentir os sentimentos que eu nunca pensei que um blog me fosse trazer e principalmente fez com que eu ficasse com vontade de cada vez que entre na Internet, a primeira coisa que eu faça é ver se tu já escreveste mais um capítulo. Obrigada por estes momentos magníficos de leitura que nos proporcionas. Beijinhos e continua assim (:

Anónimo disse...

http://www.youtube.com/watch?v=-qW5lLBqu5U&feature=related

nao sei porquê, mas fez-me lembrar a Adriana.

Anónimo disse...

quando é que publicas um novo capitulo??

Anónimo disse...

Para quando novo capítulo?!

Drii disse...

ola :)

Gosto muito da tua história.
Eu própria iniciei uma, mas precisava de ajuda a lança-la. Se me puderes ajudar diz algo..

Muito Obrigada e continua :)

http://stopgobackandkissme.blogspot.pt/

Enviar um comentário