- I'm bulletproof, nothing to lose/ fire away, fire away/ ricochet, you take your aim/ fire away, fire away /you shoot me down, but I won't fall/ I am titanium/ you shoot me down, but I won't fall/ I am titanium – no regresso a casa, à terra que a vira crescer nos melhores momentos do Verão, Adriana cantarolava, tentando dissipar a solidão trazida por uma viatura silenciosa e o modesto irromper da rádio nacional que quase sempre a acompanhava em cada jornada
A noite estava cerrada e uma chuva miudinha havia então começado a salpicar os vidros do seu carro. Um aperto no peito não lhe permitia serenar o turbilhão de sentimentos de que fora alvo e o pensamento, esse, permanecia à deriva algures, longe, sem qualquer intenção de regresso.
O sufoco era imenso, e mesmo tentando manter-se calma, a noite escura lá fora e a chuva que marcava então a sua presença, atemorizavam-na levemente.
O coração bombeava-lhe no peito a um ritmo feroz, mas não foram precisas mais do que recordações breves do tempo passado ao lado do seu David, para que afrouxasse, ansiando chegar a casa e matar silenciosamente as saudades que sentia, com um simples olhar.
No entanto, e inesperadamente, ouviu um barulho desconhecido na parte traseira do seu carro e logo depois viu-se obrigada a encostá-lo na berma da estrada de alcatrão ao sentir que algo não estava bem. Numa passada irregular, saiu do carro, correndo desajeitadamente sob a chuva e viu o pneu traseiro direito furado.
Foi como se desfalecesse, mas certa de que poderia resolver o problema ali mesmo, sozinha, não hesitou em abrir a bagageira e tirar tudo o que seria necessário para o trocar, mas no entanto a tarefa revelou-se bem mais difícil que o esperado. Assim que ergueu o carro o suficiente para folgar o pneu e tentou desenroscar as porcas, uma quebrou-se, e depois outra… e a outra, parecia estar destinada ao fracasso sempre que regressava a casa.
- Que merda! – praguejou, atirando ao chão as porcas quebradas num sinal de revolta, e a chuva branda que até então caía enfureceu-se – Obrigadinha… Era só o que me faltava! – gritou, olhando o céu e sentindo as roupas colarem-se ao seu corpo de tão encharcadas que estavam
Adriana não tinha então outra opção senão pedir ajuda, estaria talvez a uns cinco quilómetros da Vivenda Amorim e com a chuva que se abatia violentamente sobre as terras teria dificuldades em regressar a pé.
Entrou dentro do carro e procurou no fundo da sua mala o telemóvel a que não tinha dado qualquer importância durante toda a tarde, devido à reunião.
- Sem bateria… Bolas! – imprecou, tentando ligá-lo e vendo que este se voltava a desligar por vontade própria – O que é que eu vou fazer agora?
Sobrava uma única hipótese sobre a mesa… Segurou a sua mala, tirou a chave da ignição e ao sair do carro trancou-o com um único toque no comando automatizado. Iria a pé!
Olhou o seu carro antes de partir, afinal tinha sido uma prenda muito especial na data dos seus dezoito anos e talvez a que mais fazia recordar David.
Encarou então a estrada que se arrastava a seus pés e não temeu trilhá-la… Sabia que iria demorar-se, mas apenas ansiava um porto seguro junto dos seus amigos.
Caminhou mais de uma hora debaixo da chuva torrencial… O seu corpo estava completamente gelado, as roupas haviam-se difundido na sua pele e nem a camisola grossa que envergava era capaz de a proteger. Os ténis chapinhavam no asfalto e as suas meias encontravam-se tão ou mais ensopadas que as suas roupas. O cabelo sempre cacheado escorria-lhe pelas faces de candura e o rosto inerte era de quando a quando atravessado por uns pingos grossos.
- Como é que eu vou chegar a casa, meu Deus…? - murmurou baixinho, esfregando vigorosamente as mãos numa esperança vã de se aquecer, sentindo cada partícula de água percorrer-lhe gelidamente o corpo passo a passo enfraquecido
Após uma longa e fastidiosa caminhada, já quase vencida pela anelação, deparou-se com o enorme portão escancarado da vivenda Amorim… Havia por fim chegado ao seu destino.
As forças haviam-lhe sumido do corpo e todos os seus membros oscilavam, acompanhando o tremelicar impulsivo dos seus maxilares. A fraqueza estava prestes a vencê-la e os seus olhos só queriam fechar-se, rendendo-se ao evidenciado cansaço daquela noite.
Ao chegar junto do portão Adriana agitou Quimera, que pressentido a presença da dona soltou em latidos suaves, talvez de alegria, ou talvez delatores de um mau presságio.
O abatimento era tal que nem ousou aproximar-se da sua dócil companheira e apenas procurou um refúgio… Na sua mala tentou encontrar insistentemente a chave de casa, mas nem sinal e acabou então por derrubar o seu corpo numa esteira sob o alpendre da casa, tremendo de quando a quando, sempre que um novo raio rasgava os céus.
- Esse tempo tá muito ruim… Eu vou com você! – sugeriu David, saindo atrás de Ruben pela porta principal da mansão – Dois acham melhor que um…
- Eu prefiro ir sozinho, David… Eu nem sei onde procurá-la, deixa-me ir sozinho… - suplicou, sentindo-se dominado pelo sentimento de culpa de tudo aquilo que havia dito na tarde passada
- Tá bom, cê faz como achar melh… - o discurso deambulado de David foi naturalmente interrompido, assim que este torneou levemente o seu corpo e avistou Adriana tombada e convalescida numa amálgama de roupas encharcadas pela chuva – Adriana!!
No mesmo instante em que proclamou o seu nome, acercou-se do corpo derruído da sua amada e tomou-a em seus braços, numa esperança de que o seu próprio calor pudesse aquecê-la, ao ponto de cessar o tremelicar insistente encenado pelos seus membros.
- Que aconteceu, garota? – questionou, afastando do seu rosto empalidecido as mechas de cabelo molhado que pendiam em suas faces – Cê tá gelada…
- Ah… O… - Adriana tentou falar, expressar-se e contar o que havia acontecido – O… O meu carro… O pneu… Furou…
- Vieste a pé? – perguntou Ruben de rompante, aproximando-se da sua melhor amiga e tomando-lhe a mão na sua, resplandecendo a diferença de temperaturas cálidas embutidas na pele de ambos – Tu és doida… Porque é que não ligaste? Porque é que não pediste ajuda?
- Achas que não tentei, Ruben…? Estou sem bateria no telemóvel, não consegui mudar o pneu… - revelou, num sopro liberto por entre os seus lábios arroxeados – O carro ficou na entrada da estrada de terra batida…
- Você andou muito na chuva… - bradou David, envolvendo-a num abraço caloroso e muito… muito apertado – Tá gelada… Vai ficar doente!
- Eu estou bem… - refutou de imediato, agitando levemente a cabeça e tentando manter-se distante do corpo de David, pois este ainda mexia consigo, ainda palpitava o seu coração, ainda lhe inebriava os sentidos com o seu cheiro e pior… ainda lhe dava as certezas necessárias para estar segura de que ainda o amava, mais do que aquilo que desejava – Não foi nada demais…
- Pega… - sem hesitar, e domando pela acção voluntariosa do seu coração de eterno apaixonado, libertou-se do casaco desportivo da sua marca predilecta e colocou-o sobre os ombros dela, esperando ver alguma cor assumir as suas faces e o tom arroxeado sumir-lhe dos lábios perfeitamente torneados - Pra não esfriar mais…
- David, não é preciso…
- Pega, Adriana… - os olhos delicados de David, repousaram num olhar suplicante nos de Adriana, que se sentiu incapaz de recusar fosse o que fosse, afinal ainda o amava… afinal ainda estava ligada a ele e mesmo que lhe custasse acolher tal hipótese, iria sempre estar – Por favor…
- Obrigada… - murmurou, cruzando as mãos no peito e fixando-as nas bermas do casaco de modo a segurá-lo, enquanto desceu o olhar derrotado sobre o colo
- Adriana… - à chamada do seu melhor amigo, não temeu encarar o momento e olhou-o de imediato, sem qualquer dúvida – Quanto àquilo que te disse, a sério que eu não…
- Esquece isso… Talvez até tenhas razão, talvez todos tenham razão… Só não quero mais tocar nesse assunto, Ruben. Por favor… - disse segura, após digerir as palavras sofredoras que lhe tinham sido bombardeadas naquela tarde e mantendo um porte pejado, nunca derrotado e jamais batido
- Vamo’ entrar para cuidar de você, guria…
Num único e simples movimento dócil, David auxiliou Adriana em erguer-se da pequena esteira estendida sob o pátio e debaixo do seu braço direito, guiou-a até à porta de casa, ainda escancarada pela saída escariosa de ambos os amigos. Na sua frente passou ela e logo atrás de si Ruben, lado a lado com o arrependimento que de tão pesado já não lhe cabia no peito.
- Minha filha, que aconteceu? – Regina, mãe de David, foi a primeira a aproximar-se, mas rapidamente a repeliram num acto instintivo
- Eu estou bem… Não foi nada demais! – garantiu, tentando esboçar um sorriso ténue, que acabou por esmorecer juntamente com o esforço assoberbado que fazia para se manter afastada de David, que teimava em manter uma proximidade demasiado perturbadora
- É melhor cê subir, tomar um duche quente, trocar de roupa… - sugeriu David, passando levemente as mãos pelos cabelos da sua doce amada, num gesto de extremo carinho e dedicação
- Sim… Não te preocupes, eu sei tomar conta de mim… Isto não foi nada demais! – discordou, agitando a cabeça negativamente – Quero ir buscar o meu carro, antes de subir pra descansar…
- Nem pensar… Deixa o carro estar onde está, amanhã de manhã algum de nós vai lá trocar o pneu e trazemo-lo… Não tens de te preocupar com isso! – assegurou o seu melhor amigo, sentindo a estima permanente naquele carro
- Ruben, é o meu carro… - relembrou o carinho que tinha naquele presente tão especial, e por fim última recordação que lhe restava da relação vivida intensa e apaixonadamente do lado de David
- Sim, eu sei… E sei o quanto gostas dele, mas amanhã ele estará exactamente no mesmo sítio e nós trá-lo-emos inteirinho… Eu prometo!
- Confia nele, garota… Agora vamo’ subir e cuidar de você! – deixando-a sob o seu abraço protector, tentou guiá-la para junto das escadas, mas Adriana distanciou-se de imediato, pousando os seus pés no primeiro degrau
- Eu cuido de mim… Obrigada pela ajuda, mas eu fico bem! – sorriu nervosamente, ajeitando no ombro a sua mala – Tens aqui a chave, Ruben… Até amanhã!
- Eu trato de tudo… Até amanhã! – despediu-se Ruben em simultâneo com todos os outros os presentes
Quase sem forças, ela subiu a escadaria incessantemente, apoiando-se no corrimão de madeira detalhadamente esculpida e lacada, pois as suas pernas fraquejavam a cada passo dado. A respiração frágil oscilava em seus lábios, que ansiavam desesperadamente por um beijo da pessoa que a ficava ver desaparecer no topo das escadas… David.
Adriana nunca estivera tão certa do sofrimento deixado para trás e nunca estivera tão dolente daquela dor, como após o confronto derradeiro. Algo nela chorava… Algo nela lamentava todos e todos os dias a ausência funesta do seu desejado homem. Dali a uma semana estaria lado a lado com ele no altar, mas vendo destruídos todos os seus sonhos que tornavam possíveis a sua marcha singela rumo a David, envergando um vestido branco, com um véu cobrindo-lhe o rosto e antecipando um “sim”, pronunciado… para sempre.
Entrou no quarto totalmente vazio… Apesar do seu coração desabitado, caminhou até à casa de banho e deixou no chão de mármore todas as suas roupas encharcadas. Na banheira colocou um fio de água quente a correr e quando já toda a casa de banho, se presenciava de uma neblina abafante, entrou, rendendo-se às clarezas de um banho quente e relaxante.
Lá ficou quase meia hora… Acompanhada unicamente pelos seus pensamentos, equacionou as mil e uma hipóteses de um futuro diferente, mas inconcretizável. Relembrou o passado e por momentos desejou mudá-lo, reviu os planos destruídos no futuro, e suplicou por um presente menos dolente… menos dilacerador a cada instante.
No seu corpo enrolou uma toalha, enquanto os cabelos lhe escorriam pelos ombros e regressou ao quarto, descalça, calcando a alcatifa milimetricamente composta.
- O que é que estás a fazer aqui? – perguntou com o coração num sobressalto ao ver David, sentado na beirinha da sua cama, segurando nas mãos aquilo que lhe pareceu uma fotografia
- Vim ver como você ‘tava… Ver se precisava de ajuda… - constrangido, acabou por baixar o olhar, temendo provocar em Adriana qualquer tipo de pudor e em si mesmo, um desejo saudosista de um corpo que já havia amado sem amarras ou limites
- Eu estou bem… - gracejou, caminhando em breves passos para junto dele – Já passou… - afirmou, no mesmo instante em que as suas pernas falharam brevemente e David se precipitou em segurá-la
- Cê tá fraca… - falou junto do rosto dela, travando interiormente uma batalha do qual sairia com certeza derrotado – Eu trouxe qualquer coisa pra você comer… - indicou com a cabeça um pequeno tabuleiro em cima da cama, onde se encontrava uma sanduiche do seu queijo preferido e um pequeno pacote de sumo de pêssego
- Eu não tenho fome… Estou bem… - garantiu num sussurro, bafejado nos lábios do seu oculto mais-que-tudo
- Se você tivesse bem não ‘tava sem cor, nem sem força… Cê andou muito e ‘tava chovendo demais… Vamo’ cuidar de você! Se veste e come qualquer coisa… - antes que Adriana refutasse novamente o pedido de David, este silenciou-a com um pedido especial e irrecusável por parte dela – Por favor… Faz isso por mim…
- Tudo bem… Vou vestir-me então…
- Deixa que eu te ajudo… - ofereceu-se prontamente, assim que notou a fraqueza que a assombrava
- Mas… - Adriana sentiu-se desconfortável com o facto de ele a ver sem qualquer roupa no corpo, apesar de ele o ter visto tantas outras vezes mais, mas agora tudo era diferente… tudo era triste demais pra ser lembrado
- Não há nada aí que eu já não tenha visto… Só quero te ajudar, muleca… - assegurou num sorriso terno, olhando o seu rosto fixamente de forma apaixonada
- Tudo bem… - ela acabou por concordar, acenando positivamente com a cabeça e ocultando nos seus lábios um sorriso tão discreto quanto feliz
O seu corpo recolheu-se de constrangimento e encontrou o pousio perfeito sobre a colcha de linho puro, que cobria a sua cama de solteira.
Mesmo sem querer, tornou-se inevitável os seus olhos não cruzarem os dele e o seu coração não bater mais forte, junto daquele momento íntimo e demasiado ausente nos últimos meses.
- Eu ajudo você… - pronunciou-se num sussurrar puramente enamorado – Quer vestir o pijama? – inquiriu, obtendo da parte de Adriana uma breve resposta coordenada por um pequeno acenar
David aproximou-se o bastante do roupeiro junto da porta e não foi preciso nada mais do que meros segundos para reconhecer à primeira vista, na simplicidade de um olhar, o pijama preferido da sua doce Adriana numa pequena montanha de roupa, em cima de uma prateleira bem no topo. Segurou-o sem sequer a inquirir quanto à preferência, pois sabia tão bem, como sempre soubera, que aquele sempre fora e sempre seria um dos seus mais-queridos.
Na sua cabeça pintou um retrato perfeito, que vira vezes e vezes sem conta, sempre que ousada, mas discretamente, ela usara aquele conjunto. Adriana apenas lhe sorriu instintivamente ao vê-lo regressar para junto de si, trazendo nas mãos a recordação de tantos momentos de amor vividos a dois…
- Me dá sua mão… - pediu gentilmente, segurando na dela, enquanto a ajudava a erguer-se
- David… - chamou, dona de uma voz trémula e amedrontada, até ver os dois olhos verdes que tanto amava, cravados em si, que nem punhais – Tu não tens que fazer isso… - assibilou, resguardando os olhos húmidos, prestes a derramar as primeiras lágrimas de verdadeira redenção
- Eu sei… - esclareceu, começando a desenrolar do corpo despido dela, a fina toalha húmida que o cobria - Mas eu quero… - acrescentou num sussurro inebriantemente apaixonado, enquanto no seu peito um coração ressaltava, bombeando fortemente, ao ver na sua frente a figura perfeitamente esculpida da mulher que sempre amara
Adriana não foi capaz de pronunciar qualquer palavra, pois também o seu ser oscilou ao despojar-se para o homem que detinha todo o poder sobre a sua razão e sentidos. Resguardou o olhar envergonhado e deixou que este recaísse sobre as mãos grosseiras de David que percorriam o seu corpo, secando cada partícula de água que lhe percorriam a pele vagarosamente.
- Upa… Esses braços pra cima, vamo’ lá! – incentivou David carinhosamente, preparando a camisola para a vestir a Adriana, o que não demorou mais de simples segundos, pois esta acatou de imediato a sua ordem
Numa troca de olhares, que foi inevitavelmente fugidia para ambos, ele acabou de vesti-la e um sorriso delineou os seus lábios, na contenta da sua presença há tanto tempo desejada.
- Obrigada… - proclamou de modo lisonjeiro, mostrando-se grata pela infindável dedicação demonstrada por David – Obrigada por tudo…
- Cê não tem que agradecer nada, muleca… - num acto de nobre e singelo carinho, David secou-lhe levemente os cabelos com uma toalha e penteou-os delicadamente, tal como estava habituado a vê-la fazer – Agora vai comer e depois vai descansar, tá bom?
- Mesmo que eu não queira, vais dar-me outra opção? – inquiriu derrotada, mas esboçando um sorriso brincalhão, já certo da resposta que iria obter
- É claro que não, né, teimosona? – também ele gargalhou junto com ela, enquanto se encaminhou para a casa-de-banho de modo a livrar-se de toda a roupa suja
Foi no calor da sua ausência, que Adriana tomou o lugar debaixo dos lençóis e pousou sobre o colo o tabuleiro suficientemente abastecido para que se sentisse reconfortada nas próximas horas. Ainda dava a primeira dentada na sanduiche, quando o viu irromper novamente pelo quarto dentro e tomar lugar no fundo da cama, mirando-a desconfortavelmente, de uma forma inquebrável e penetrante.
- Vais ficar aí assim…? – perguntou, demonstrando discretamente o incómodo
- Claro, quero-me assegurar de que não fica nadica de nada nesse tabuleiro…
- Eu já sou crescidinha, David…
- Eu sei que é, mas eu quero ter a certeza… Posso ficar, ou vai-me expulsar? – perguntou, soltando duas breves gargalhadas, às quais Adriana foi incapaz de se sobrepor e por isso continuou entregue à sua refeição
O silêncio que se seguiu foi aterrador… Apenas o som dos ponteiros do relógio pendurado na parede junto da janela da varanda, quebrava a monotonia daquele diálogo pesado, onde as palavras se refugiavam no medo oculto junto dos lábios de ambos.
Havia muito a dizer, mas no entanto a mágoa ainda era capaz de silenciar os apelos fatais de dois corações contundidos e separados sem qualquer razão. No entanto nada impedia David de a olhar ferozmente, recordando os melhores momentos vividos… os beijos apaixonados, os abraços saudosistas, as conversas cúmplices, as noites de entrega e paixão. Nada o impedia de recordar o amor que ainda sentia por Adriana, que ainda lhe parecia ser a mulher mais perfeita e bela que alguma vez conhecera, e nada o impedia de ter a certeza de que era e seria sempre o grande amor da sua vida.
- O que foi? – foram as palavras dela a quebrar os seus pensamentos conturbados – Porque é que me estás a olhar assim? – perguntou, pousando sobre a mesa de cabeceira o tabuleiro já vazio
- Nada, não… ‘Tava apenas pensando.
- Em quê? – inquiriu de imediato, num disparo desumano e certeiro – Se é que eu posso saber, é claro… - corrigiu-se de imediato, vergando a cabeça em sinal de um claro pedido de desculpa
- Em como alguém deixa escapar uma mulher maravilhosa como você… - confessou, provocando de imediato uma reacção sobressaltada em Adriana, cujo coração disparou nesse instante, deixando correr nas veias o sentimento de uma possível reconciliação – Em como eu, deixei escapar uma mulher como você…
- David, não acho que devas dizer essas coisas… - tentou dizer, desviando do rosto a franja que facilmente caiu, tapando-lhe a visão
- Porquê? Foi você que perguntou o que eu ‘tava pensando…
- Pois então não acho que o devas dizer, nem tão pouco pensar… - protestou de imediato, levantando-se num impulso que considerou suficiente para pôr termo à conversa
- Ninguém manda naquilo que pensa… Especialmente quando os pensamentos surgem do coração!
- Enganas-te… Pudemos controlar tudo aquilo em que pensamos, especialmente aquilo que vem do coração… E especialmente quando estamos numa relação e devemos respeito à pessoa que amamos! – relembrou, tentando chamá-lo à razão para o seu presente, e esse… bem, esse pertencia a Joana, e era uma realidade dura de enfrentar – É melhor acabarmos com esta conversa antes que a Joana entre aí…
- Eu ‘tava falando de você, não da Joana…
- E eu estou a falar da Joana… - ripostou, tremendo nervosamente, assim que o viu aproximar-se de si em passo sereno - … estou a falar da Joana e da relação que tens com ela! – acrescentou a custo, engolindo cada lágrima que lhe enturveceu a garganta
- Porque é que você insiste em falar nisso, ein? – perguntou, demonstrando um fácies carregado e suportando no seu coração as recordações dolorosas da partida da Adriana
- Porque tu sabes que é a realidade… Porque tu sabes que... – David não a deixou terminar, e num tom levemente mais elevado, pôs termo às suas desculpas sem sentido
- Porque você sabe que é a maneira mais fácil de você fugir à nossa história, ao nosso passado… Quando é que a gente vai falar de nós, do que vivemos, quando, Adriana?! – o timbre de David abalou-a por dentro, o seu rosto tornou-se imóvel e o seu sangue gelou-lhe nas veias, ao ver os olhos dele rasos de lágrimas, que há muito aprisionava dentro de si
- Quando o ressentimento passar… Quando tu já tiveres seguido em frente, quando eu já tiver sarado as minhas feridas… Por isso acho que ainda vai demorar algum tempo…
- Quanto tempo vai demorar para eu ter uma justificação para a sua partida, hum? – os seus braços ergueram-se no ar e caíram lado a lado com o seu corpo num gesto claramente derrotista – Quanto tempo mais, Adriana?
- Eu já te dei a minha justificação… - começou por dizer, tendo de interromper o discurso para gracejar um breve soluço choroso – Naquela carta eu…
- Não fala naquela carta… Não fala naquela maldita carta, porque eu já não consigo esquecê-la, não quero nem mais relembrá-la… - o silêncio tomou conta do quarto mais uma vez, mas foi David a tomar o controlo das acusações – Eu nunca… Nunca vou perdoar você por ter partido assim! Você falou que era o melhor pra mim, que eu ia ser mais feliz assim, e aí você me matou… Você matou aquele Davi’ alegre, aquele Davi’ feliz, aquele Davi’ que te amava… Você matou o “seu” Davi’…
- Não digas isso, David… Tu sabes que eu fiz o que fiz para teu bem… - refutou, enxugando do rosto a primeira lágrima a percorrê-lo – Sabes que o que fiz, foi por te amar… Por querer que fosses feliz!
- Por me amar? – perguntou tentando controlar a ânsia que o fatigava – Você nunca me amou… Foi a primeira certeza que eu tive ao ler aquela carta!
- Não acredito que estejas a pôr em causa o amor que senti… Parece que não vivemos então o mesmo! Se tivéssemos vivido o mesmo tu tinhas compreendido aquela carta, se tivéssemos vivido o mesmo tu não estarias a pôr em causa aquilo que partilhei com maior sinceridade: o meu amor!
- Se tivéssemos vivido o mesmo você nunca teria deixado aquela carta… Porque se tivéssemos vivido o mesmo você saberia que o melhor pra mim nunca seria perder você!
- Então lamento se errei, David… - pronunciou-se então calmamente e pondo fim à exaltação dos ânimos, pouco amistosos – Lamento se quis que seguisses o teu sonho e te tornei tão infeliz com a minha partida. Lamento se te deixei daquela forma tão desumana, mas cara a cara, jamais teria sido capaz de o fazer…
- Por cobardia?
- Não, por fraqueza… Porque sabia que amando-te como te amava, não era capaz de te dizer olhos nos olhos para que seguisses o teu sonho! – confessou, passando nos seus cabelos húmidos a mão tremente – Porque na tua frente, na tua cara, o meu amor ter-se-ia tornado tão egoísta ao ponto de te pedir para que ficasses por mim e ignorasses a tua grande ambição…
- Cê sabe que eu teria ficado se você me pedisse…
- Ficaste de qualquer das formas… - relembrou, pronunciando-se num tom irónico que não escapou à perspicácia de David
- Fiquei… Fiquei, porque achei que conseguia perdoar você e recuperar tudo, mas a minha mágoa é grande demais… - professou num suspiro deambulante – Eu queria conseguir perdoar você, mas não consigo…
- Eu compreendo… Eu errei de uma maneira imperdoável e gostava que fosse diferente, mas compreendo…
- Podia ter sido tudo tão diferente, garota… - acrescentou num sorriso discreto e não se coibindo de aproximar o seu corpo do dela o suficiente, para que ambas a bocas ficassem quase coladas, antecipando o desejo de ambos em uni-las – A gente podia ser tão feliz junto agora… Pena que não era pra ser, né? – inquiriu, libertando uma respiração pesada de encontro aos lábios de Adriana e esperando dela uma sentença que ditasse ou não a história de um beijo
- É… - murmurou baixinho, sentindo o calor da mão dele arder sobre as suas faces e o doce sabor do seu hálito tocar-lhe os lábios - Pena que não era para ser! – concordou, contorcendo-se de culpa e sabendo que aquela era palavra definitiva que determinava o fim de todo aquele ciclo
- Bem, vou deixar você descansar… - de coração destroçado, David afastou-se, terminando assim a intenção de um beijo e destruindo os sonhos de uma possível reconciliação
- Obrigada… Obrigada por tudo! – agradeceu delicadamente, mostrando-lhe um sorriso sincero, mas coberto por um muro que havia apreendido a erguer para não se magoar
- Não tem que agradecer… - respondeu, para logo depois lhe beijar a testa e delinear um sorriso contrafeito e dolente – Descansa, garotinha… Até amanhã!
- Até amanhã… - murmurou, já dentro do fervor da sua cama e vendo David deixá-la como ela mesma havia feito há meses atrás
- Ah… - já com a porta aberta ele voltou atrás e pousou algo que lhe pertencia sobre a mesinha de cabeceira – Isso caiu da sua mala lá fora… Tá um pouco molhada, mas tá linda igual… Dá pra guardar ela… Até amanhã!
E foi assim que a deixou… Com uma pequena fotografia manchada, que poderia reconhecer onde fosse, nem que passassem cem mil anos.
Com as mãos trémulas, Adriana segurou o pedaço de papel fotográfico molhado, onde uma fotografia antiga, sua e de David, estava impressa.
Ali estavam eles. Lado a lado… Com um enorme sorriso nos lábios, aparentavam estar tão felizes como em tempos realmente foram e o amor e cumplicidade presentes entre ambos era evidente.
Ela não pôde deixar de sentir em si uma nostalgia enorme e uma saudade avassaladora dos tempos, que apesar de passados, tinham sido os melhores da sua vida.
***
- Amor, onde é que estiveste? – Joana inquiriu de imediato, assim que viu David descer calmamente a escadaria que antecipava a entrada na sala de estar – Demoraste tanto tempo…
- Estava no quarto, Joana… ‘Tava vendo minha caixa de e-mail e tratando de uns assuntos! – mentiu, trocando um olhar discreto com o seu melhor amigo e sentando-se de seguida a seu lado
- E foi preciso tanto tempo? – insistiu, ressentindo em si um pingo de ciúme, apesar de ainda desconhecer a história de amor que em tempos havia unido Adriana e David
- ‘Tive de enviar uns e-mails para o meu agente e resolver uns problemas… Por isso que demorei! – justificou-se, pondo então um ponto final nas desconfianças da sua companheira e concentrando o seu pensamento na mulher que desejava ter verdadeiramente do seu lado
- Ela está bem? – perguntou Ruben, num segredar recatado, aproximando a sua boca do ouvido de David e esperançoso assim que este escutasse a sua inquirição
- Ela ‘tá bem… Dentro dos possíveis ‘tá bem. Deixei ela descansar... - respondeu num tom equalitário ao de Ruben e resguardando-se dos olhares receosos de Joana
- Meu filho, eu e seu pai vamos subir pra dormir... - informou Dona Regina aproximando-se do filho e beijando-lhe os cabelos, que permaneciam tão cacheados e alvos como em criança
- Sua benção, meus pais...
- Fica com Deus, meu filho... - ditou Ladislau num tom sereno e tranquilo, erguendo no ar vagamente a sua mão e baloiçando-a em jeito de aceno
- Até amanhã, meus pais! Durmam com Deus - desejou num sorriso sincero, observando as duas pessoas que lhe guardariam sempre o coração e zelariam sempre pela sua felicidade, independentemente do que o futuro lhe pudesse guardar
- Bem, eu acho que também vou subir e descansar... Foi uma noite longa... - confidenciou Ruben, levantando-se num só movimento e encaixando no rebordo dos seus bolsos as mãos tingidas pelo cansaço
- Até amanhã, Ruben... Dorme bem! - desejou Joana com um sorriso nos lábios e aconchegando o seu corpo no sofá
- Até amanhã, manz... - as mãos dos dois melhores amigos colidiram suavemente, despedindo-se assim num gesto breve e singelo, que antecipou a retirada planeada de Ruben até ao seu quarto
- Eu acho que também vou subir, Joana... - David ergueu-se do sofá e olhou a sua namorada, esperando desta uma resposta imediata à revelação da sua vontade
- Já, amor? - perguntou esta de rajada, juntado-se a ele e pousando as suas mãos no peito delineado do homem que lhe domava o coração - Podíamos aproveitar para namorar um bocadinho... Ultimamente não temos passado tempo nenhum juntos... - murmurou junto da boca dele e salpicando as suas unhas num tom ritmado, brincou com os rebordos da t-shirt amarrotada de David
- 'Tô cansado, Joana... Quero subir e dormir! - manifestou o seu desejo num tom que teve tanto de ríspido como de frívolo e retirando as mãos dela de cima do seu corpo
- Oh David, bolas! - barafustou, afastando-se velozmente e usando-se da sua raiva para erguer o tom de voz - Desde que chegámos aqui que não queres estar comigo, que vês que os teus amigos não gostam de mim e no entanto não fazes nada... Nada contra aquilo que eles dizem e fazem contra mim!
- Joana, larga de frescura... Pára com essa mania de que eles não gostam de você! Larga dessa mania da perseguição...
- Não é mania da perseguição! Eles não gostam de mim, nunca gostaram, mas desde que aqui chegámos que as coisas estão muito piores... - revelou, dando asno ao perfeito início de uma discussão - Desde que aqui chegámos que tornaram a Adriana a menina predilecta deles... Ela parece ser tudo aquilo que eu não sou e eles fazem questão de mostrá-lo!
- Joana, deixa a Adriana fora disso... A gente já falou disso!!
- Queres deixá-la de fora porquê, hum? - perguntou, colocando sobre as ancas as suas mãos impertinentes - Porque achas que eu sou parva e não sei que vocês tiveram uma relação?
- Eu nunca escondi isso de você...
- Mas também nunca me contaste...
- A minha relação com ela era assumida publicamente, bastava cê procurar nas revistas, internet... Iria descobrir!
- Foi exactamente isso que fiz, porque tu nunca me contaste!
- Joana, pára com isso... Pára! Tô de saco muito cheio das suas desconfianças, dos seus ciúmes...
- E eu estou farta de guardar apenas para mim aquilo que sabia acerca de vocês os dois e ainda ter de te ver a protegê-la a toda a hora, com o maior carinho do mundo... Como se eu fosse cega, surda e burra!
- Eu tô com você não tô? É do seu lado que eu tô neste momento não é?
- Não importa com quem estás, David... - murmurou acertivamente, olhando-o olhos nos olhos sem vacilar por um segundo que fosse - Importa com quem está o teu coração. - completou, rodeando-o para segurar o seu casaco sobre o sofá e subir as escadas num só relance, dando por findada aquela discussão - E ao que parece não está comigo... - acrescentou num murmúrio secreto, só seu.
David sentou-se no sofá... Aquela noite seria passada em branco e ele sabia-o.
O seu corpo ficaria ali, entregue ao cansaço, mas o pensamento, esse, seria só um: Adriana.
***
A nova manhã que se ergueu algumas horas depois trouxe consigo o chilrear dos pássaros e os raios de sol cintilantes que trespassavam as cortinas de fino tecido e embatiam no rosto ainda adormecido de Adriana. Aos poucos, e ainda acomodada nas fartas mantas que a cobriam, ela começou por abrir os olhos, combatendo aos poucos a claridade que lhe corrompia a visão ainda turva.
Cada traço do seu rosto era embelezado pela luz natural que lhe incidia perfeitamente nas faces, torneando-as e mostrando de uma outra forma, uma das mulheres mais bonitas que alguma vez se vira. E da mesma forma pensava David, que tantas e tantas vezes a havia visto cingida àquele cenário deleitoso, que lhe ressaltava no peito o coração enamorado.
Adriana ergueu-se pouco a pouco, olhando em redor e vendo que seria então a primeira a dar início a mais um dia. Sentou-se no rebordo da sua cama e num gesto rápido alcançou a sua garrafinha de água, na qual deu três ou quatro golos para clarear a garganta enrouquecida.
Não precisou de muito mais de quinze minutos para tomar um duche rápido, arranjar os cabelos de forma natural, passar um pouco de base e bâton e vestir-se.
Segurou o seu telemóvel, colocando-o no bolso e saiu do quarto, pé ante pé, tentando fazer o mínimo de barulho possível para não incomodar todas aquelas que ainda repousavam no interior do quarto.
Desceu a escadaria principal calmamente e pousou a sua mala sobre a pequena poltrona que se encontrava na entrada imediata da sala de estar, mas o seu percurso rumo à cozinha foi quebrado, quando vislumbrou num olhar translúcido a figura perfeita de David. Ali estava ele... adormecido sobre o sofá, com uns tantos caracóis rebeldes a cobrirem-lhe o rosto e uma respiração pesada a cortar-lhe os lábios semicerrados.
Foi num impulso. Um impulso muito superior à sua vontade, que se aproximou dele lentamente, ainda que a medo, e lhe cobriu o enorme corpo com a pequena e escassa coberta verde-esmeralda, dobrada meticulosamente no fundo do sofá. Aconchegou-o delicadamente e quando o limite da coberta lhe chegou ao rosto, travou os seus movimentos cautelosos e deteve-se naquelas faces perfeitas e entorpecidas pela noite passada ao desabrigo do conforto de uma cama.
Quis tocar-lhe... Por apenas um momento desejou fazê-lo, mas o medo bloqueou-a, enquanto os seus dedos continuaram pairando junto das faces de David, ocultando o desejo mudo que a consumia, passo a passo. Quebrou os seus mais secretos pensamentos de amor, olhou-o mais uma vez tentando garantir que seguia no seu mais profundo descanso e virou costas.
- Podia ter-me tocado... - aquela voz murmurada no calor do ócio, despertou-lhe todos os sentidos e deixou que o seu coração acabrunhado disparasse - Eu não mordo, garota...
- Pensei que estavas a dormir... - rectificou, rodando sobre os seus próprios calcanhares e vendo-o recostado no sofá, olhando-a de uma maneira que só ele sabia... de uma maneira que só ele podia
- E 'tava... Mas você me tapou e despertei. - revelou, descobrindo as suas pernas e jogando sobre o sofá a pequena manta acolhedora - Cê sabe como eu despertava sempre que sentia você me cobrindo, sempre que saía pela manhã...
- Sim, é verdade... - concordou, assentindo positivamente com a cabeça - Talvez o tempo que passou me tenha apagado isso da memória... - murmurou para si mesma, achando que proferira uma confidência, mas no entanto esta saíra-lhe bafejada pelos lábios
- Não há tempo suficiente que apague da minha memória as melhores recordações da gente... - rumorejou baixinho, contorcendo-se de dor por saber que todas essas recordações não voltariam mais do passado
- David, por favor... - suplicou, trocando com ele um olhar impetrante e movimentando fervorosamente os seus dedos, entrelaçando-os de forma desordeira e nervosa
- Tudo bem, já sei que você não gosta de falar de nós...
- Não é que não goste, mas simplesmente... - agonizou durante breves instantes, tentando proferir a palavra certa, para que mais tarde esta não lhe pudesses trazer dissabores - ... custa-me. Entendes?
- Ninguém pode entender melhor isso do que eu, Adriana...
- Acredita que eu também posso... Apesar de ter cometido aquele erro, e eu sei que não tem desculpa, custou-me... Custou-me como nada me havia custado na vida! - segredou num temor incerto, receando sofrer qualquer represália injusta ao seu acto tão puro de amor
- Te custou porquê? - inquiriu num sussurrar inquietante, dando apenas dois passos na sua direcção mas ficando suficientemente perto para lhe sentir a respiração acelerada - Porque me amava?
- Ah... - numa tentativa vã de controlar todos os seus impulsos, Adriana baixou o olhar que aos poucos era atravessado pelo dele, mas inevitavelmente este fixou-se nos lábios dele David, ali tão na sua frente, tão perto e no entanto tão inalcançáveis - Sim... Porque te amava... - sussurrou, cerrando os olhos no mesmo movimento em que cerrou os maxilares e lutou para resistir a todos os mil encantos que ele tinha e ao coração que lhe bombardeava o peito, obrigando-a a aproximar-se sempre um pouco mais
- E não ama mais?
- Não me faças perguntas, às quais não posso responder, David... - murmurou, recompondo as forças e afastando-se em direcção ao corredor de acesso à cozinha
- 'Tá indo onde? - David impôs prontamente a sua pergunta, sentindo-se mais uma vez deixado para trás num role de prioridades onde ele não estava mais incluído
- Tomar o pequeno-almoço... Anda, eu preparo algo para nós! - ofereceu-se e dissipando a sua imagem por entre as quatro paredes, seguiu rumo ao seu destino, deixando para trás um David sorrindo em nome dos bons velhos tempos
Adriana preparou um pequeno-almoço simples, tão simples como os que sempre preparara para ambos, mas repleto de tudo aquilo que ela sabia serem os mimos preferidos de David. No centro da mesa, dois pequenos jarros de vidro, um com sumo de laranja natural e outro com café bem forte e somente pingado com uma pequena porção de leite; ao seu lado um cesto de verga com dois pãezinhos caseiros e três croissants miniatura; e para finalizar um prato onde um pequenino monte de panquecas se amontoava, esperando a qualquer altura voar para o prato de algum deles e soterrar-se em xarope de framboesa.
Foi assim que ambos se deliciaram, com um banquete de pequeno-rei, ao sabor de um silêncio pacífico e navegando discretamente no olhar um do outro... Tantas coisas por dizer foram proferidas naqueles dez minutos, sem ser preciso uma única palavra.
- Deixa eu ajudar você... - ofereceu-se David, vendo-a arrastar para junto do lava-loiça todos os pratos, copos e talheres
- Não é preciso... Eu dou conta disto!
- Eu te ajudo, me deixa... - seguraram ambos o mesmo prato, aquele que em tempos, trazia em si as panquecas feitas com todo o carinho por Adriana
- A sério... Eu faço isto, David! - contrapôs com um sorriso nos lábios, acabando por sair vencedora
Aquela aproximação estava a deixá-la tão fora de si, que podia sentir os sentidos escaparem-lhe, um a um, sempre que em silêncio ele dava um sinal da sua presença.
Foi na loiça que acabou por encontrar o escape perfeito para se abster da figura encorpada dele sempre a seu lado, lavou-a freneticamente, não dando espaço para conversas ou diálogos amenos. Gostaria de ter prolongado para sempre aquela tarefa, pois talvez assim não tivesse de ter vivido o momento inevitável que se seguiu...
- Que 'tá fazendo? - perguntou David, vendo-a esfregar durante demasiado tempo, e apenas com água, a última taça
- A lavar isto... - respondeu, aumentando consistentemente a sua força de encontro ao pedaço de porcelana, assim como o seu desespero
David olhou-a sorrindo, sabia bem o que ela fazia... Talvez porque a conhecia melhor do que ninguém, ou talvez porque era esse o seu desejo, porque era a confirmação que ele tanto ansiava receber da sua parte.
Acercou-se dela tomando-lhe as costas e sem pensar mais o que fosse, deixou-se guiar pelo coração, e pousou as suas mãos sobre as dela, logo após ter selado a torneira
- David, sai... Eu tenho de lavar isto! - o movimento apoderou-se das mãos aterrorizadas de Adriana, que forçosamente tentou recuperar o controlo do que fazia, mas em vão, pois foi David a segurar-lhe as mãos de encontro a si - Eu tenho mesmo de lavar isto, David... - confirmou numa voz fraca, sentindo também os seus joelhos perderem as forças, assim que David a virou para si e deixou o seu rosto a escassos milímetros do dela
- Shiu, não fala nada... - pediu baixinho, desviando-lhe do rosto a franja teimosa que lhe cobria o olhar
- David, eu tenho mesmo... - Adriana não conseguiu acabar a sua frase, pois sentiu o seu corpo colar-se ao dele, ainda que contra à sua vontade
- Shiu... - pediu-lhe num sussurrar intenso, bafejando junto dos seus lábios um toque secreto, apenas de ambos
- David, larga-me... - implorou-lhe, quando na verdade a sua vontade era outra e talvez por David lhe ter adivinhado o desejo, aproximou as duas bocas, deixando que ambos os lábios se aconchegassem levemente num breve toque tangente
Foi esse singelo toque o bastante para Adriana ceder por completo, ao ponto de David ter de a emaranhar nos seu braços envolvendo-lhe a cintura e puxando-a para si.
Foi aí que ela entrou num beco sem saída... Agora não eram só os seus rostos que estavam colados, os seus corpos também.
Adriana tremia, sabia que David a ia beijar consumando o desejo assumido de ambos, e o pior... ela não tinha mais forças para resistir.
- David, não devíamos... Não podemos... - foi soltando palavras sem sentido, enquanto ele a fixava de forma ternurenta e sem qualquer hesitação
As duas bocas voltaram a tocar-se levemente, Adriana cerrou os olhos antecipando o momento que ambos esperavam há meses, mas isso não a impediu de lhe adivinhar no rosto um sorriso magistral, digno do seu adorado David.
Quando sentiu que ele iria finalmente por fim ao tormento experimentado por ambos, Adriana encontrou maneira de fugir, mas David não permitiu... Foi inevitável.
Ele beijou-a com um fulgor que não lhe reconhecia, primeiramente apenas com os lábios, mas pouco a pouco, calmamente, a sua língua foi pedindo permissão e invadiu a boca de Adriana. O seu frágil auto-controlo quebrou ao sentir o toque e o sabor do beijo que tão bem reconhecia e ainda lhe permanecia cravado na memória.
Os músculos tensos de Adriana relaxaram por fim e a sua mão enterrou-se nos caracóis fartos que cobriam a cabeça dele num jeito docilmente juvenil, característico dos seus vinte e quatro anos.
Finalmente ambos sentiram que se estavam a render às evidências do amor que os unia e isso permitiu que se entregassem plenamente, sem segundos pensamentos.
Foi Adriana a impor um fim àquele acto irracional, que deixou ambos ofegantes e com um discreto brilho no olhar.
- Isto não está certo, David... - murmurou-lhe baixinho, assim que foi invadida pela razão, que David teimou quebrar com mais um beijo eloquente
Surgiu um novo beijo... Um beijo diferente e carregado de um desejo, que eles não sabiam existir.
Os lábios de David procuravam os dela com violência e ambas as línguas se movimentavam com um vigor tal, que proporcionava no casal uma sucessão de arrepios constantes, que apenas encontraram o seu fim, quando um ruído impetuoso rompeu o ar, ditando a anunciada chegada de alguém e o final fatídico de um amor que não estava destinado a ser vivido.
Aqui está finalmente o prometido capítulo!Peço desculpa pela enorme demora, mas já sabem as razões... o tempo livre é pouco, são aulas, testes, trabalhos, exames. Espero que compreendam, gostem do capítulo e comentem! Beijinhos, Drii :)


44 comentários:
Beijo, beijo, beijo!! Que lindo, que lindooo!
Meu amor, já to disse uma data de vezes, mas vou voltar a repetir: a história está linda, tem um enredo maravilhoso e cada capítulo que leio não poderia ser mais extraordinário.
Finalmente o tão esperado beijo, mas até me custa a acreditar que a felicidade deles seja de pouca dura, pois alguém interrompeu aquele momento que deveria ser só dos dois...
Não me canso de te pedir, e sabes perfeitamente que cá aguardo por mais um pedaço desta história que, acredito, que ainda irá dar muito que falar! :)
Um beijo grandalhão, minha biscoita
Amo-te muito <3
Aiii quero mais .. :)
Esta' tão linda querida .. Escreve rápido e se voltarem a acontecer imprevistos já sabes que podes contar comigo .. :D
BjnhO
Ouwo está muito muito bom :D A sério já esperava por este beijo há muito tempo ehehehe :D
Espero bem que não seja a Joana a estragar aquele momento. Quer dizer se for ela só tem mais uma confirmação de que o lugar dela não é ali, nem ao lado do David :c
Mas olha está excelente e continua a escrever assim, e espero bem que eles façam as pazes o mais rápido possível :D
Beijinhos
Tou sem palavras! Exelente Mesmo. Valeu todo este tempo de espera.
AMEI!!
Finalmente um beijo! Aleluia!!
Que momento...
So que cheguei ao fim e queria mais, acho que era capaz de ler, mais e mais e mais.
Algo me diz, que esse alguem que chegou é a Joana. Tá na altura de ela perceber que o David ama a Adriana e ir embora e está também na altura do David, conseguir perdoar aquela maldita carta :(
Mais uma vez adorei e obrigada por este capitulo maravilhoso.
Beijinhos e continua. Estarei aqui à espera de mais um capitulo.
Já tinha saudades!
Está lindo o capítulo, adorei! (:
Só espero é que esse "amor que não estava destinado a ser vivido" seja do David com a Joana, sim?
Beijinho, demores o tempo que demorares estarei sempre aqui pronta a ler :)
fabuloso...
quero mais... agora tou super curiosa para ver o proximo e quem terá entrado na cozinha...
continua... cada vez ta melhor...
Eu não gostei, eu amei!
Poça! Estava a ver que eles nunca mais "avançavam"! Está mesmo espectacular.
Já estou pronta para ler o próximo. lol
Quando tiveres tempo e ele estiver pronto, estarei aqui para o ler. :)
Beijinhos
Olaaaaaaaaaa :)
Adoreiiii , perfeito :D Espero que quem tenha entrado tenha sido a Joana :P
*_*
Beijinhosssssssss :D
Anne M
lindoooo!!! andei eu este tempo todo à espera de ler esta ultima parte do capitulo e tu terminas-me desta forma?? quero muito ler o proximo, compreendo que seja dificil arranjar-mos tempo porque a escola tira-nos banstante tempo livre mas eu espero, espero só para ler o que se vai passar!
vou aguardar! : )
beijinhos
Oh meu Deus, como é possível tu continuares-me a surpreender?
Eu continuo a repetir-me, e nem sei o que te diga ... tu és perfeita.
Oh meu deus, a Adriana e o David são perfeitos um para o outro e todas as sílabas, pontos, vírgulas e espaços neste capítulo demonstram isso. Adorei adoei adorei
É por capítulos como este que vale a pena esperar o tempo que for preciso... este capitulo descreve-se uma palavra: mágico.
Cada momento carregado se sentimento num cenário difícil, foi perfeito.
Muito obrigada Dri, aguardarei pacientemente pelo próximo, pois vale mesmo a pena ;)
Beijinhos.
estou perplexa...atónita...sem palavras...DESLUMBRADA!!!
adorei de coração :)
não demores para postar um novo capítulo, please!
Raquel
Tens um jeito indescritível para a escrita! E consegues que a tua história seja diferente de todas as outras. Sempre que se lê um capítulo há um ânsia por ler o próximo. Um misto de curiosidade e ansiedade. Fiquei ansiosa pelo próximo capitulodeste maravilhosa historia. Vai tudo morrer de curiosidade ate ao proximo, portanto, dentro das tuas possibilidades, tenta nao demorar. =)
oh adorei!! também tenho novidades de escrita para ti, mas as aulas estão a deixar-me sem tempo, quanto te encontrar online, conto! beijinhos com sabor a pipocas no teu coração! <3
adorei drii, nunca desistas deste teu dom que poucos tem acredita! achas que vais demorar sensivelmente o mesmo tempo qe demoraste pra postar o proximo cap?:s beijinho grandeeeeee
Obrigada :)
não sei quanto tempo demorarei a postar o próximo, tudo dependerá dos trabalhos e testes que se adivinham!
Beijinhos*
ok, boa sorte pros testes e trabalhos, e vai dando feedback :)
Olá Adriana,
Espero não ofender com o que vou escrever mas ao fim de 114 capítulos e muitos deles divididos em partes que li começo a desanimar com a história.
Há algo que é impossível refutar, o teu dom incrível para escrever, tens de facto uma capacidade enorme para expressares as tuas ideias, sentimentos, emoções ou seja lá o que quiseres, já para não falar na evolução que notei ao longo da história, mas não posso deixar de ser sincera contigo e por isso mesmo digo que o facto de nos deixares em capítulos tanto tempo faz com que perca cada vez mais a vontade de ler o final da tua história.
Acredito que deve ser extremamente difícil conciliar a escola e tudo o resto com a escrita por isso é que proponho que faças capítulos mais pequenos, talvez assim consigas publicar com outra frequência, digo isto porque a sensação que tenho ao ler os teus últimos capítulos é que a história não desenvolve, está estagnada no tempo e no espaço, isto porque levas imenso tempo a publicar, escreves maravilhosamente e dás-nos capítulos enormes mas quando acabo de ler a sensação que tenho é que é demasiada “fruta para tão pouco sumo”.
Não sei se consegui expressar-me de forma a que entendas o que quero dizer por isso reforço mais uma vez que não estou a colocar em causa a história e muito menos o teu talento, estou sim a dizer-te que a tua “ausência” faz com que pondere se vale a pena continuar a ler ou se devo fazer uma pausa muito superior ao tempo que demoras a escrever e um dia mais tarde regressar e ler tudo de seguida, porque confesso que para ler o capítulo que postas tenho de reler o anterior pois já não recordo o que escreveste, o que desmotiva-me um bocado.
Se puderes e se quiseres pensa no que sugeri, em publicares capítulos mais pequenos mas com mais frequência.
Desculpa se ofendi ou se fui mal interpretada mas como leitora assídua senti que deveria manifestar o que estou a sentir neste momento, tal como em muitas outras vezes o fiz.
Olá,
não levo a mal o teu comentário e agradeço a opinião tão sincera, mas isso de escrever capítulos mais curtos já me foi sugerido anteriormente e respondo agora o mesmo que antes respondi: enquanto escritora esta é a minha forma de me organizar, a forma que me dá gosto escrever, tenho pena se isso me fizer perder leitoras por falta de interesse, mas esta é a minha forma de escrever a história e quero manter-me fiel a ela.
Beijinhos, Drii
ola!
por muito mau que pareca. Eu também ja tive no secundário e entendo sim a tua dificuldade. Mas acho que deverias fazer um esforço, pois se nos leitoras tentamos vir ca espreitar sempre que possivel, tu também devias tentar mais. Grande qualidade para a escrita, mas demasiado tempo...
Finalmente tive um tempinho para ler o teu capítulo completo, ainda só tinha conseguido ler "na diagonal" :)
Bem, tenho-te a dizer que adorei esta aproximação do casalinho, só espero que perdure!
Adorei o capítulo, está intenso e super fofinho ^^
Espero que continues a dar-nos o prazer de ver aqui demonstrado o teu talento pois, apesar de passar algum tempo entre cada postagem, um capítulo destes vale cada dia de espera!
-beijinho*
Acho que mesmo que quisesse ficar chateada pela demora do capitulo não iria conseguir, adoro a forma como escreves. Parece que melhoras de capitulo em capitulo.
Bom sorte com os testes, trabalhos e exames. :)
QUE PENA, PENSEI QUE DESTA SERIA DE VEZ ;/
Adorei o capítulo, está lindo!
O único problema é que fiquei pra aqui a imaginar mil e uma maneiras de reconciliação para estes dois... A que gostei mais foi, depois da reconciliação, os amigos prepararem-lhes uma noite romântica na casa do caseiro (tal como o Rúben e a Inês tinham feito no casamento da irmã do Rúben) :)
Beijinho
Ola :)
Adorei !!!!
Quero mais :)
Deixo aqui a minha fic,é recente.. espero que gostem :)
Beijos :)
Continua
ola....:)
Quero mais, agora que está a ficar muito interessante...
beijos
continua
como vai o capitulo drii? beijinhos :)
Já tens alguma previsao para o proximo capitulo??
Consegues publicar antes dos exames?
Beijinhos
Ainda nao tens nenhuma previsão para quando vais postar?! tou curiosa e ansiosa...
Beijinhos :D
Não, ainda não... os exames nacionais estão quase à porta e estou essencialmente focada nisso!
Assim que relaxar de tudo, tentarei postar o próximo, espero que compreendam!
beijinhos :)
Tenho tantas saudades de um capitulo. ..
Mas compreendo, tambem vou fazer exames e esta e uma altura de stress.
Espero pelo proximo assim que possas.
Tenta po-los a fazer as pazes e que a joana nao estrague o momento tao bonito dos dois!
David & Adriana juntos, va la! !!
Beijinhos
Olá! Tenho umas saudades de ler um capitulo, um capitulo em que a Adriana e o Davis estejam juntos...
Compreendo que estejas ocupada com os exames mas posta quanto antes que toda a gente já tem saudades de um capitulo teu!
Ah e muita boa sorte para os exames :D
Visitem a minha fanfic --> http://adistancianaoimpedequeeuteame.blogspot.pt/
Beijinhos
Didi Martins
continua o bom trabalho adriana! escreves muito bem, só tenho pena que nao postes tanto como gostariamos... mas percebo perfeitamente! http://tupinyou.blogspot.pt/ - sigam o meu blog!
Quando passarem os exames tens que nos compensar Okaay?? ihihihi :D
Ta quase, nao ta? Diz que ta!! Por favor...
Tenho tantas saudades de ler um capitulo novo! E quero tanto ler reconciliacao do david da adriana!
Beijinhos*
POR FAVOR POSTA RÁPIDO O PRÓXIMO CAPITULO POR FAVOR, ESTOU SUPER ANSIOSA :D
BEIJINHOS
ñ podes postar hj? bj
oh tenho saudades de chegar aqui e encontrar um capitulo :)
nao sabes ainda quando postas?
beijinhos
Olá!
Para quando um próximo capitulo, estamos, acho que posso falar por todos, muito curiosos/ansiosos.
Publica rápido...
PS: Espero que os exames tenham corrido bem :)
upi, upi!!
Beijooooooooo
Cheira-me a reconciliaçao, estou certa?
Beijos :)
vá lá Adriana :s, já passou muito tempo......
Dá-nos noticias rapariga :D
Olá
Já sabes para quando o próximo?
Espero que os exames te tenham corrido bem :)
Porque é que os dois sao tao casmurros?! um momento assim, como o que aconteceu no casamento da irma do Ruben devia voltar a acontecer, mas desta vez para ficarem juntos "para sempre"!!
"David beija-a uma última vez, apenas nos lábios, para dar fim áquele maravilhoso beijo.
Ambos soltam um sorriso sincero.
Adriana - Obrigada...
David - Por quê?
Adriana - Por termos conversado...
David - A gente só se beijou...
Adriana - E foi mais do que suficiente... (rouba-lhe um beijo rápido e volta a enterrar a cabeça no pescoço dele)
David - Mas a gente precisa falar... De tudo!
Adriana - Eu sei... Mas eu só não quero estragar o momento com palavras que possam sair mais azedas e acabar magoando alguém...
David - As palavras só podem melhor o momento... Falamos com calma...
Adriana - Sim... (solta-se do abraço dele e senta-se no sofá cama e David do seu lado)
...
Adriana - E agora o mais importante... (envergonhada) Eu gosto de ti. Quer dizer... Eu gosto mesmo de ti! (ambos se riem divertidos)
David - Ainda bem porque eu já me começava a sentir ridiculo de gostar de você dessa maneira louca e não ser correspondido...
Adriana - Agora podes partilhar comigo... Podemos sentir-nos os dois ridiculos com esse sentimento...
David - Você é mesmo tola!
Adriana - Tenho frio David... (queixa-se)
David - Vem cá vem! (aproxima-se dele e ele beija-a novamente)"
(pq adorei este capitulo e pq podia perfeitamente voltar a acontecer e seria uma reconciliaçao perfeita)
Beijinhos
P.s. Aqui espero, ansiosa por mais um capitulo e que desta vez, presenteies as tuas leitoras com a reconciliaçao do David e da Adriana, porque ha muito que a esperamos.
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