quarta-feira, 15 de junho de 2011

Olá, meninas!



Venho agradecer pelo apoio têm dado, pelos comentários de incentivo e opiniões e também para responder a umas quantas perguntitas que me foram feitas!
Primeiro que tudo, devo tentar postar o próximo capítulo logo há noite, uma vez que estou em época de exames e o tempo fica apertadinho, espero que possam compreender! :c
E respondendo à pergunta da Rafaela em relação aos conjuntos de roupa que coloco nos capítulos, a maior parte deles, especialmente todos os mais recentes, são feitos por mim! :)
Em resposta a outra leitora, a música que toca no meu blog é "Someone like you - Adele"
Qualquer coisa que queiram saber mais e que eu possa responder, não hesitem em perguntar!

Até mais logo, pelo menos assim espero!
Beijinhos
Drii

terça-feira, 14 de junho de 2011

Capítulo 109 - Quando o amor não é loucura, não é amor (Parte II)


David

Depois do telefonema da minha boneca na noite anterior, acordei muito bem-disposto e prontíssimo para enfrentar um dia de trabalho, porque eu preferia esquecer que era o meu aniversário, senão tinha do meu lado a pessoa com quem mais queria festejar. Tomei um duche e quando ‘tava pronto pra sair de casa, meus pais me ligaram pra desejar feliz aniversário.
Acabei por falar somente alguns segundos com eles, me pareceram estranhos, mas nem liguei, achei que era somente a nostalgia de estarem longe num dia importante pra mim. Dirigi o meu carro até à caixa e entrei correndo pra me equipar.

- Vejam quem é ele! – o Ruben se dirigiu a mim e me abraçou – Parabéns, mano!

- Obrigado, Manz! – dei uma suave palmada nas costas dele e me soltei do seu abraço

Depois dele, todos me abraçaram e desejaram um dia feliz. Dia feliz… Como se isso fosse ser possível, tão longe da minha menina! O treino foi duro e os rapazes tentaram convencer-me a ir almoçar com eles no Colombo, mas eu tava sem vontade e claro, recusei!

- Oh mano, anda lá… É só almoçar! Tu vais ter de almoçar, por isso mais vale almoçares com companhia… - o Ruben ainda me tentou convencer

- Manz, já disse que não quero… Larga de me encher o saco! – acabei por bufar e coloquei o saco de treino na bagagem do meu carro

- Bolas, David! Deixa de ser teimoso… Anda lá!

-Pô, Ruben! Não quero, me deixa!

- Ok, não vou insistir mais… Mas fica sabendo que logo à noite vais ter a minha companhia para jantar! – tentei abrir a boca pra zincar nele, mas não me deu chance – E não aceito um não como resposta! – sorriu uma última vez e entrou no seu carro seguindo caminho

“Pô, vou ter que levar com esse babaca logo à noite!” – foi o meu primeiro pensamento, enquanto entrava no carro e iniciando a minha condução

Almocei sossegado no meu canto e longe de todo o mundo, não tava com vontade nenhuma pra grandes confusões. Sentado na cozinha, com um prato cheio de comida na frente, olhei em meu redor procurando um sinal que fosse da minha garota.
Tava louco de saudade e essa loucura era tamanha, que a minha única vontade era me enfiar no primeiro voo para os Estados Unidos e ver ela, mas eu sabia que isso era impossível.
Depois do treino da tarde tive de levar com o babaca do Ruben, que depois de tanto me chatear lá me convenceu a ir jantar fora com ele. Passei por casa, me aprontei todo e achei estranho que ele quisesse que eu fosse no carro dele, mas como tava sem a mínima vontade de discutir, acabei topando.



****


- Manz, o que a gente tá fazendo no BBC?

- Viemos jantar! – afirmou com um sorriso tranquilo

- Jantar no BBC? – questionei numa cara feia

- Sim! Ou preferias ir jantar a um sitio qualquer e ser incomodado no teu dia de anos?

- Não, isso não… Tá bom aqui mesmo! – encolhi os ombros, agarrei minha carteira e meu casaco e saí do carro

- Vamos a isso então! – o Ruben fez um sorriso de satisfação

- Tá sorrindo assim porquê, babaca? Não me diz que preparou um jantar romântico pra gente! – por uma das primeiras vezes naquela noite, eu me ri

- Como é que adivinhaste, oh cara de cu? Vamos entrar lá dentro, jantar à luz de velas, com rosas com todo o lado e um homem a tocar violino! – Ruben falseou um ar puramente romântico

- Cê é muito parvo mesmo! – ele desatou rindo da minha cara

Como tava sem vontade de ouvir mais nada, mas morrendo de fome segui na frente dele para entrar no BBC e a surpresa não podia ter sido maior. Num salão enorme vi meus amigos todos e meus pais, gritando “SURPRESA!”.

Noutra altura teria ficado muito feliz, e não é que não tenha gostado da surpresa, mas a ausência da pessoa que eu mais amava ali, era totalmente notória e muito entristecedora.
As primeiras pessoas que eu fiz questão de abraçar foram meus pais, apesar de ter estado com eles no Natal, tava morrendo de saudade.

- Oi, meu filho! Parabéns! – minha mãe sorriu linda como sempre e me deu um beijo no rosto

- Parabéns, muleque! – meu pai me deu um abraço e pela primeira vez desde que Adriana se fora embora, eu me sentia realmente amado por pessoas perto de mim

- Parabéns, Dêzinho! – Paulinha me abraçou, ela devia ser das pessoas mais próximas a Adriana nos últimos tempos

- Obrigada, Paulinha!

- Nada que agradecer! Só espero que sejas muito feliz, miúdo… - ela me apertou mais no seu abraço reconfortante

- Ai, tenho tanta saudade dela… Tanta saudade da minha muleca…

- Calma… Já só faltam três dias, certo? Pelo menos foi a informação que aquela meia-lecazinha me passou! – o jeito engraçado que ela falou, me deu vontade de rir

- Sim, isso mesmo! Três dias… Não tô nem vendo a hora disso chegar, pô!

- Vai chegar e muito depressa vais ver só!

- Tem que chegar, antes que eu morra de tanta saudade! Daqui a três dias, estou plantado no aeroporto esperando o avião dela dar sinal de desembarque na tabela! – afirmei super sorridente

- Calma, Dê… Tanta ansiedade não te faz bem e olha que ela está lá longe, mas sabe tudo sobre ti! Deve ser telepatia ou coisa do género! – ambos nos rimos suavemente

- A gente já se conhece muito bem e basta às vezes a voz um do outro e entendemos se algo se passa… E não escondo de ninguém que tô louco pra que ela chegue! Louco!

- Três dias, três dias! – ela sorriu e passou as mãos nos meus cabelos

- Parabéns, caraca! Cê tá ficando muito velho! Qualquer dia tá que nem eu, careca, carequinha! – o Luisão esfregou a sua cabeça nula em cabelo e todos se riram

- Ué, nem vem! Não posso perder meus cabelos assim!

- Porquê, mano? Tá com medo de perder as fãs ou a namorada?

- A namorada, claro!

- Não se preocupa, Davi’, é dos carecas que elas gostam mais… - disse a Brenda e todo o mundo desatou rindo de forma super animada

- Calacole, palhabens! – a pequena Sofia, a filha do Luisão, saltou rapidamente pro meu colo

- Brigado, garotinha! – dei um beijinho na testa dela e esta sorriu meigamente

- Shabes quando a minha madinha volta, calacole? Tenho saudades dela…

- A sua madrinha tá voltando em três dias!

- Podes dizer-lhe que tenho muntas saudades dela, se faz favolhe?

- Posso, meu anjo… Eu digo pra ela e assim que ela puder te vai ver! Prometo! – sorri de forma carinhosa para a pequena menina

- Ob’igada, calacole! Olha uma coisa! Hoje danshas comigo! Eu p’ometi à minha mad’inha, que enquanto ela tivesse nos Estados ‘nidos, eu tata-va de ti e não deixava nenhuma rapalhinha meter-se contigo!

- Não se preocupa, bobinha! Só tenho olhos para a sua madrinha!

- Fala a sério, ela é uma gata?! – dissemos em uníssono a mesma frase e foi motivo geral de risota

Finalmente se aproximou de mim Ruben, um colega de equipa que me apoio quando eu mais precisei e que considerava meu melhor amigo, mas mais do que isso, um irmão.

- Não acredito que cê fez isso, manz! Te disse que não queria comemorar…

- David, deixa de ser assim… Não ias passar os teus anos fechado em casa, não tem jeito nenhum!

- Mas também não era preciso trazer meus pais!

- Ah, isso não me culpes a mim! Aliás, nada do que está a acontecer aqui é só culpa minha… Tive uma pequena ajudante… - ele fez um sorriso traquina, daqueles típicos dele, como se fosse um muleque acabando de fazer borrada

- Ué, como não? Não me diz que pôs todo o mundo te ajudando para me enganar!

- Não… É melhor que isso! – ele estendeu na minha direcção uma caixa de um CD com um laço vermelho – Toma, é um presente de uma pessoa especial…

- De quem? – perguntei segurando o presente na mão

- Abres, metes a passar e já vês! – ele sorriu tipicamente

Saiu de junto de mim, entregou o CD para um senhor, que o colocou passando projectado numa telinha, e os momentos que se seguiram, foram totalmente emocionantes.

“Olá, amor!!” – a imagem da minha Adriana surgiu na telinha, tava linda como sempre.

Seus cabelos longos e encaracolados soltos caindo pelas costas, seus olhos enormes rematados por aquelas pestanas lindas e fartas, seu sorriso doce e meigo e sua voz… Sua voz profundamente calmamente.

- Não tô acreditando! – falei com um sorriso emocionado e todos ficaram do meu lado assistindo o vídeo

“Hoje é o dia do teu aniversário e eu queria muito estar aí presente, mas infelizmente não é possível. Há dois meses que não te vejo, estou cheia de saudades e hoje perco um dia muito especial na tua vida. Sei que não estou aí, mas trabalhei para que a minha presença fosse notada e pudesses estar rodeado daqueles que amas e se tudo correu como planeei por esta altura, tens aí do teu lado uma encomendazinha directa do Brasil!” – olhei meus pais e eles me acenaram sorrindo, aquilo tinha sido coisa dela, claro

“Quanto à minha ausência aí, tenho-te a dizer que dentro de 3 dias estou de volta, mas ainda assim não podia deixar de fazer qualquer coisa hoje. Este vídeo mais do que para te felicitar pelos teus 24 anos…” – a voz dela começou a se contorcer pelas lágrimas e rapidamente vi seus olhos rasos – “…Serve para homenagear o homem maravilhoso que eu tive a sorte de Deus ter colocado no meu caminho. És um filho exemplar, um profissional dedicado e um ser humano extraordinário. Tenho de te agradecer por fazeres parte de mim e da minha vida, tornando-me na mulher mais feliz do mundo…” – à medida que fui vendo as palavras emergirem da boca dela, meu coração foi ficando acelerado e minhas pernas foram perdendo forças, por isso tive de me sentar numa cadeira para continuar assistindo – “Estamos juntos há já um ano e dois meses e o marco, que deixaste na minha vida e naquilo que sou enquanto pessoa, é muito importante e agora posso afirmar que tu és o homem da minha vida e aquele que espero vir a ser o pai dos meus filhos.
Lamento mesmo muito não puder estar do teu lado hoje, meu anjo…
Vejo-te em breve!” – ela jogou beijos com as mãos, soprando-os no ar – “Amo-te, namoradooooo!”

Quando chegámos no fim, a tela desvaneceu e a imagem dela sumiu.

- Também te amo, namorada... - sussurrei baixinho

A emoção me dominou por completo e tive de pressionar os meus olhos, para não deixar eles jogarem nenhuma lágrima. Minha cabeça tombou inertemente entre minhas mãos e fitei o chão, até as lágrimas se controlarem e não caírem. Ouvia barulho em meu redor, senti alguém perto e uma palmada reconfortante nas costas.

- Então, mano? – era Ruben

Não consegui responder, me deixei ficar naquela posição até meu coração acalmar e ganhar coragem de ligar pra ela agradecendo aquilo tudo, sem morrer de tanta saudade, e eu tava muito perto disso.
Uns passos vieram chegando cada vez mais perto, um burburinho inquietante dominou o espaço e umas mãos taparam meus olhos.

- Quem é? Gente já chega de brincadeiras, pô! – refilei completamente perdido depois daquele momento

Um silêncio profundo se instalou, tentei me soltar, mas não consegui. Fiquei então tocando aquelas mãos, me eram familiares, muito familiares… E uma brisa vinda não sei bem de onde, mas julgo ter sido um sopro do meu coração, que batia descompassado, trouxe para mim um perfume… E aquele perfume não dava pra enganar, mas talvez fosse somente minha mente me embusteando, me levando a sonhar… E seria somente isso, um sonho?!

sábado, 11 de junho de 2011

Capítulo 109 - Quando o amor não é loucura, não é amor (Parte I)



Os restantes dias que passei em Nova Iorque foram um suplício, o telefone tocava a toda hora. Era o David a querer falar comigo porque tinha saudades, os meus pais a mesma coisa e os amigos mais próximos seguiam-lhes o exemplo.
Eu estava animada com a gravação do CD e estava a poucos dias do regresso e a saudade era mais que muita. É um sentimento estranho, que proporciona dissabores corrosivos à alma. A saudade não tem forma nem cor, não tem cheiro nem sabor. Fala-se nela, mas não se vê e só pensa nela quem realmente acredita. E ela é uma parte da ausência, ela é parte do amor, tem realidade, mas quem a tem sente dor, muita dor… Uma dor miudinha, que cresce no nosso coração e que nunca vem sozinha. A solidão acompanha-a e quem a sente nunca esquece, nem nunca esquecerá o sentimento que não adormece por alguém que não está! Comigo foi exactamente desse jeito…
Podia estar longe de David, separados por quilómetros e quilómetros de distância, com um oceano a reforçá-la, mas nem por isso aquilo que sentia por ele parecia estar mais pequeno, muito pelo contrário! Parecia crescer de dia para dia, tanto que já nem cabia no meu sedento e humilde coração.
E nem a azáfama da gravação do CD e das aulas na faculdade, me impediam de acender cada vez um pouco mais a chama desse amor… Nem que fosse com uma simples mensagem carinhosa, ou um telefonema, só para ouvirmos pela voz um do outro, um “amo-te”.
Estava a gravar no estúdio, quando pela quarta vez em 40 dias, recebi um telefonema de Ruben.

- Alô! Seja muito bem aparecido, só liga à melhor amiga de 10 em 10 dias! – refilei imediatamente

- E ligo ao fim de 10 dias para te ouvir logo reclamar, bolas! – ele falou num tom provocativo que me endoideceu

- Olha lá, Ruben Filipe! Quem me ligou foste tu, senão me querias ouvir reclamar não ligasses!

- Eh lá, o bicho tá bravo para o lado da cidade das luzes! Isso é tudo o quê? Má-disposição matinal?

- Depende! Isso é tudo burrice? É que se contares bem a diferença horária, cá já são onze e meia e o meu dia já começou há muito!

- Pronto, está justificado o mau-humor! Acordaste cedo e ficaste assim! – ele riu-se levemente

- Olha lá, só me ligaste do outro lado do oceano, para me azucrinares as ideias?

- Não, liguei-te para saberes como estás!

- Eu estou bem… Estou quase a acabar a gravação do CD e dentro em breve de regresso ao meu país lindo! Nunca Nova Iorque me pareceu tão decadente…

- Não me digas que a cidade das luzes, perdeu o brilho! – ele ironizou e ambos nos rimos

- A minha luz é outra e ficou em Lisboa! – revelei mais apaixonada do que nunca

- Pronto, eu a pensar que me tinha livrado do zuca e do mel e agora vem-me esta!

- Oh, tá caladinho! Como está o meu menino? Ainda não falei com ele hoje…

- Olha o teu menino está a dormir que nem um calhau a estas horas! Liguei-lhe, atendeu todo ensonado e desligou a dizer que queria dormir mais 5 minutos! Já sabes como ele é…

- Coitado, anda cansado… - torci o nariz e um grande rasgo de preocupação percorreu o meu corpo

- Os treinos andam a ser puxados! O mister está a confiar que é este ano que somos campeões! – revelou-me todo confiante

- Eu tenho acompanhado os jogos daqui, vejo na net sempre que posso e o David mantém-me informada…

- Ah, então suponho que ele já te informou da última magnífica decisão dele! – notei um claro rasgo de ironia na voz de Ruben, e estava certa pois já o conhecia há anos

- Que decisão? – o meu coração saltou-me pela boca e sem saber bem porquê a primeira coisa que equacionei foi a saída dele do clube

- De não querer fazer festa de aniversário, nem estar com o pessoal… Diz que quer passar o dia sozinho! Não tem cabimento nenhum, Adriana!

- Ele não me contou nada… - revelei cabisbaixa, podia adivinhar que aquela decisão por parte dele se devia à minha ausência

- Pois, mas é o que ele vai fazer… Os pais dele queriam vir cá e tudo, e ele não deixa! Diz que vai passar o aniversário em casa, sozinho! Tens de falar com ele…

- Oh Ruben, conhecendo o meu namorado como conheço, ele está de ideias fixas na cabeça… Já sabes como é o David, quando toma uma decisão, toma mesmo!

- Mas custa-me… É o aniversário dele, pelo menos sair com o pessoal, ou fazer um jantar… Uma coisa simples!

- Eu posso falar com ele, mas duvido que vá mudar alguma coisa naquela cabecinha…

- Faz-me esse favor… Já sei que ele vai ficar chateado por te ter avisado, mas não tem sentido isto ser assim e se ele pode mudar de ideias, só tu podes fazer com que isso aconteça!

- Eu não prometo nada, Ru! Vou tentar, mas sabes como ele é teimoso…

- Tenta só! Por favor… - ele pedinchou do lado de lá da linha telefónica

- Tá bem, depois digo-te qualquer coisa, ok?

- Ok…

- Vá, beijinho então…

- Adriana, é verdade… - ele fez uma breve pausa

- Diz, Ru…

- Em Outubro deste ano tens um casamento…

- Tenho? – perguntei muito confusa e percorrendo mentalmente a minha agenda

- Tens… Pedi a Inês em casamento! – a voz dele revelou o sorriso que lhe inundava os lábios e eu soltei um gritinho entusiasmado

- Aiii! Parabéns, miúdo! Ai, fico tão feliz por ti…

- Obrigada, Adriana!

- Tenho de pensar já na minha indumentária! Quero estar toda jeitosa! – brinquei e soltei duas gargalhadas ténues

- Isso, põem-te bem bonita que quero que faças boa figura do meu lado no altar!

- Claro, Ruzinho… - respondi inconscientemente, até cair em mim – Pera aí! Do teu lado no altar?

- Claro, eu preciso de uma madrinha linda! Conheces-me alguém mais indicado?

- Oh Ru, obrigada… - uma lagrimazinha surgiu no canto do meu olho, mas não lhe permiti que caísse, pois estava rodeada de gente que por aquela altura, deviam estar a achar que me estava a dar alguma coisinha, uma vez que não entendiam nada do que falava

- Não me agradeças! Vai masé ligar àquele cara de cu e convence-o a comemorar o aniversário!

- Vou, claro que vou… Depois falamos! Beijinhos, feio! Adoro-te!

- Beijinhos, eu também! – sorri e desliguei a chamada

Estava radiante pela novidade do casamento, mas por outro lado a história do aniversário de David estava a matar-me por dentro. Ele não queria fazer nada para comemorar o aniversário e obviamente que seria por minha causa. Ou melhor, a causa seria a minha ausência… Foi pesarosamente, que vagueei na lista de contactos até chegar a “Mor♥” e pus a chamar.

- Oi?! – a voz dele saiu rouca e ensonada, mas eu permaneci em silêncio – Pô Ruben, se é você de novo, por favô, não me enche o saco!

- Olá, amor… - respondi de forma serena, para o despertar calmamente

- Amô? É cê? – soou-me mais animado

- Sou, meu amor… Sou eu… - respondi com um sorrisinho lindo

- Ai, que saudadji! – aquele tom meloso e mimadinho, derreteu por completo o meu coração e deu-me vontade de estar bem perto naquele momento
- Falámos ontem à noite, amor… Não passou assim tanto tempo!

- A saudadji é muita na mesma, amô! Já só saltam duas semanas pra cê chegar!

- Pois é, amor… Vai passar rapidão, prometo! Acordei-te não foi, mor?

- Foi, mas não se preocupa… Não me importei nem um pouco de despertar com a sua voz!

- Hum… Que românticos que estamos! – um sorriso esboçou meus lábios

- Sonhei com você e acordei assim! – ambos nos rimos levemente

- Já tinha tido notícias desse enorme estado de preguiçite… Acabei de falar com o Ruben…

- É? Esse babaca tá sempre me perguntando por você, pô! Que chato!

- Mas só me liga de 10 em 10 dias, tadito… Ele contou-me que não queres comemorar os teus anos, amor…

- Pô, esse cara tinha de dar com a língua nos dentes! – o David barafustou imediatamente e a sua voz clareou

- Ei, mor! Calma… Ele preocupa-se contigo e está só a garantir que o teu dia é especial…

- Entende uma coisa, Adriana: meu dia não vai ser especial, sem você aqui!

- Oh amor… - um sentido de culpa enorme desceu em mim, e as lágrimas sobre os meus olhos

- Culpa não é sua não! Mas tô no meu direito de não querer comemorar o meu niver, vai ser um dia como qualquer outro…

- Ao menos deixa os teus pais virem para te fazerem companhia…

- Não quero, amô! Quero estar sozinho… Vou no treino de manhã, almoço na minha casa sossegado, vou no treino da tarde, pego um filmezinho na TV e durmo, que no dia seguinte temo folga do treino da manhã!

- Não gosto disso assim… Devias fazer qualquer coisa! Nem que seja um jantar com o pessoal mais chegado, amor…

- Amô, não quero… Vai tar todo o mundo, com os seus “mais que tudo” e eu segurando vela? Não, brigado! Prefiro ficar por casa…

- Eles são teus amigos, deixavas os teus pais virem, faziam um jantarzinho, comemoravas e 3 dias depois eu chego a Lisboa!

- Amô, não insiste… Eu não quero!

- Pronto, não vou insistir mais, mas entristece-me que faças isso...

- Me desculpa, mas é assim que eu quero e vais ser do meu jeito…

- Tudo bem, amor… Eu não censuro! Vou ter de regressar para o estúdio, amor… Mais logo ligo-te, sim?

- Sim, meu anjo… Vou dormir mais um pouco! Te amo muito, beijozão enorme!

- Beijão, mor! Também te amo muito! – foi com um sorriso triste na cara que desliguei a chamada, a missão de o demover daquela ideia, tinha sido totalmente falhada


***



Na viragem do dia 21 de Abril, para 22 de Abril, tomei muita atenção ao fuso horário do país onde me encontrava e quando em Portugal bateu a meia-noite, já eu estava de telemóvel em punho para falar com David.

- Oi, amô! – ele pareceu-me animado apesar de tudo

- Olá, amor! Parabéeeeeeeeeeeens!

- Obrigado, meu anjo!

- Não tens nada que agradecer, quero que tenhas um dia muito feliz!

- Vou ter dentro dos possíveis, quando cê chegar e a gente fizer a nossa comemoração, aí é que vou ter um dia muito feliz!

- Já só faltam 3 dias, amor… - sorri só para mim – Já vão 24 aninhos, não é? Estás a ficar velho, bolas! – iniciei uma brincadeira

- É, pra uma garotinha de 18 que nem você, tô ficando velho mesmo…

- Mas os homens mais velhos são extremamente atraentes! – fingi uma voz sensual, o que levou a que ambos nos desatássemos a rir

- É…? Nossa, acho que não quero parar de envelhecer nunca, então!

- Oh, não sejas tontinho! – ri-me levemente

- Amô, tudo pra te ter sempre do meu lado… Já não sei viver sem você!

- Nem eu sem ti, amor… Mas o pior já passou, estamos a 3 dias de estarmos novamente nos braços um do outro!

- Ai meu Deus, vou te beijar tanto! Tô com muita saudadji dessa boca!

- Podes beijar, amor! Vamos matar as saudades todas! – sorri ao ver a animação dele

- Todas? Então te vou raptar dois meses para minha casa… Só para acordar todo o dia do seu lado! Sentindo sua pele, seu cheiro, o sabor do seu beijo…

- Vais ter isso tudo, meu amor… Vou dar-te muitos mimos, para compensar esta ausência, eu prometi-te!

- Tô louco pra saber como a gente vai comemorar só nós dois!

- Vai ser uma coisa simples, quando eu chegar vamos fazer um programinha, uma coisa caseira, mas que vai saber bem… Muito bem!

- Ai, já tô doido só de imaginar puder tocar você… Quanto mais fazer um programinha gostoso de namorados…

- Vamos ter, amor… Estamos a precisar! Tens a certeza que hoje não queres ir sair com o pessoal? Só um jantarzinho…

- Não, vou ficar por casa, mesmo…

- Pronto, tu é que sabes…

- É, eu que sei… Olha, amô, tenho de ir dormir, que amanhã o treino é cedo.

- Sim, vai amor… Descansa bem, beijinhos, amo-te muito, meu grandalhão!

- Eu também te amo muito! Beijozão, gata!

Desliguei a chamada, olhei em meu redor e nenhuma cara conhecida, mas dizem que a sensação de regressar a casa, é boa… muito boa!





Obrigada a todos aqueles que não desistiram da fic!
Aqui vos deixo mais um capítulo, espero que gostem!
Não se esqueçam de comentar, pois é muito importante saber o vosso feedback! :)
Beijinhos
Drii

domingo, 5 de junho de 2011

Capítulo 108 - É só um até já... (Parte III)


Fiquei instalada numa penthouse super luxuosa e que não era nada o meu estilo, mas eram ordens da editora e eu tinha que as cumprir. Tudo foi feito para que me sentisse o mais à vontade possível e apesar de eu saber falar muito bem inglês, todas as pessoas que colocaram ao meu dispor tinham um perfeito domínio de português. Todos os dias tinha uma empregada ao meu dispor, um motorista que me levava ao estúdio ou à faculdade onde estava a fazer a equivalência das cadeiras em Portugal, e o meu agente Jorge, que planeava os meus dias ao segundo. Foi num dos meus espaços livres, que pela primeira vez em 3 dias, consegui falar com David.

- Olá, amor! – sorri animada por ir ouvir a voz dele

- Oi! – a voz dele foi seca, bruta e automaticamente o meu coração desmoronou

- Está tudo bem?

- Tudo! – ele foi curto e frio nas respostas

- Estás ocupado?

- Não!

- Então e não me vais perguntar sequer como estou? – a minha testa enrugou-se, sentia-me muito confusa

- Como cê tá? – notei que apenas o fez, porque assim lho pedi

- Bem…

Esbocei um sorriso triste e um silêncio instalou-se durante mais de um minuto entre nós. Limitei-me a ouvir a respiração dele do outro lado do telefone, e nunca lhe tinha conhecido uma conotação tão revoltada, tão pouco pacífica, que era o habitual nele. Sentia que ele não estava bem comigo, que apesar de ainda só ter passado uma semana e meia, algo não estava certo e pela cabeça só me passava uma coisa: “Onde é que eu tinha errado?”

- Pensei que ias ficar feliz por me ouvir… - revelei num murmúrio sufocado pelas lágrimas

- E tô… - ele respondeu-me completamente indiferente

- Tudo bem, já vi que estás mesmo… - sussurrei irónica e com as primeiras lágrimas a correrem-me pela face

- Olha, eu não tô com muito tempo pra você agora, não! Tô indo sair com a galera! Noutra hora a gente se fala! Beijo! – ele nem me deu tempo de responder e desligou logo a chamada

- Mas… - foi a única palavra que proferi, olhando para o telemóvel e com as lágrimas a correrem-me pela face

- Menina, o que quer para o jantar…? – a Dona Judite entrou na sala da penthouse, mas parou no sítio ao ver-me assim

- Eu não vou jantar, Dona Judite… Pode ir para casa, ter com a sua família!

Forcei um sorriso, enxuguei as lágrimas e caminhei para o meu quarto, cambaleando. Sentia-me sem forças, estava ali sozinha, nem tudo era como sempre imaginei e tinha muitos sacrifícios para fazer, e procurei naquele telefonema, encontrar algum conforto, algo que me fizesse sentir em casa e tudo o que me consegui sentir foi como uma estranha para o homem que amava.

- ADRIANA! – ouvi a voz do Jorge por toda a casa, mas não me movi do sitio onde estava e permaneci deitada na cama – ADRIANA! – a voz dele foi-se aproximando até que o vi na minha frente

Olhei-o de baixo, pois em pé ele levava clara vantagem de alturas, e ele compreendeu imediatamente que algo não estava bem para eu chorar daquela forma. Respondi-lhe com um simples gesto. Estiquei a mão até à mesa-de-cabeceira e derrubei a moldura que tinha a minha foto com David.

- Oh Adriana… - ele sentou-se do meu lado e puxou-me para me abraçar

Rendi-me completamente e deixei-me chorar, num soluçar descontrolado.

- Acho que acabou, Jorge… Acho que acabou… - murmurei apertada no abraço dele

- Shiu, calma… Tem calma… - ele afagou-me os cabelos de forma a acalmar-me e depois de longos minutos a chorar, as lágrimas secaram, não tinha mais nada para chorar – Queres contar-me o que aconteceu?

- Eu liguei-lhe… Há três dias que não falávamos e eu liguei-me… Tudo o que recebi foi desprezo e frieza! Depois disse que ia sair com o pessoal e desligou sem me dar tempo de me despedir… Sem sequer um “Te amo!”… - contei tudo ainda choramigando

- Oh miúda, tem calma… Vocês estão longe e não se vêm há uma semana e meia é normal…

- Não, não é! Eu e o David estamos habituados a lidar com isto, pelo menos uma semana e meia, sim! Quando ele vai em estágios e assim…

- Então achas o quê? Que ele não consegue apoiar o teu sonho?

- Acho que ele está a ser egoísta! Porque eu posso ter muitas saudades quando ele sai em trabalho, mas nunca agi como ele, como ele acabou de agir comigo…

- Devias dizer-lhe isso então… É a conversar que os casais se entendem!

- Até conversava, mas ele não me deu tempo, nem margem para isso…

- Então vais ter de esperar, até haver esse tempo…

- E quando é que irá haver esse tempo?

- Pois, isso é algo a qual não te sei responder… - ele torceu o nariz e acariciou-me a face delicadamente


***


O Jorge ainda me pediu que comesse alguma coisa e eu prometi-lhe que sim, mas mal o vi sair da minha casa, fechei-me novamente no quarto. Não tinha nada para fazer e os meus olhos já estavam inchados de tanto chorar, por isso resolvi ligar o computador e ver se andava alguém pelo MSN, apesar de em Portugal já serem duas da manhã. Surpreendentemente encontrei online o David, que me tinha dito que ia sair com os rapazes. Logo, ou tinha-me mentindo ou tinha havido alguma alteração de planos.

Adriana diz.
Tu por aqui?

David diz.
Sim, eu… Algum problema? Pensei que isso era livre!

Adriana diz.
E é! Não te preocupes que eu estou já de saída! ;)

David diz.
Não precisa sair não… Daqui a pouco tô saindo, só vim falar com meus pais!
Adriana diz.
Pensei que tinhas ido sair com os rapazes… Ou espera! Foi só uma desculpa para me despachares mais depressa? :D

David diz.
Larga de ser otária! Eu ia sair com eles, mas me cansei e não topei ir na boate, vim logo pra casa!

Adriana diz.
Podias ter ido! Sempre te divertias!

David diz.
Não ando com pachorra para diversão! Isso é mais onda de quem não faz nada! Eu trabalho…

Adriana diz.
Pois eu também! Não sei que raio estás a querer insinuar, mas assim isto não vai longe!

David diz.
Tá terminando?

Adriana diz.
Eu não falei nisso, mas se tocaste logo no assunto, é porque a vontade é muita! ;)

David diz.
Se a vontade que tenho de terminar com você for tão grande como a que cê teve pra falar comigo esses dias, então nossa relação se mantém! :)

Adriana diz.
Podes parar com as tuas ironias e ir directo ao assunto! Eu estou farta destas indirectas!

David diz.
Ué, cê achou que foram indirectas? Pois foram directas mesmo! Você não disse nada durante 3 dias! Nem um torpedo, nada!

Adriana diz.
David, tenho andado muito ocupada, chego super tarde a casa… Queres que te ligue a essa hora? Caso não te lembres há uma diferença de horas acentuada!

David diz.
E? Pô, não me diz que andou tão ocupada assim que nem de manhã cedinho, no café da manhã, tinha cinco minutos pra me ligar? Pra mandar um torpedo? E mesmo que não tivesse, pô! Eu te falei que podia ligar à hora que fosse… Passei esses três dias que nem um babaca sofrendo, agarrado no telefone para receber uma mensagem sua e nada! Sou um bobo mesmo!

Adriana diz.
David, os meus horários andam uma loucura, isto não é fácil! E além disso, que eu saiba também tens telemóvel, podias ter ligado tu! E sabes bem que não te ia ligar a qualquer hora, tu trabalhas e precisas de descansar…

David diz.
Sabe o que eu precisava? Da minha namorada e ela tá do outro lado do mundo!

Adriana diz.
Lamento imenso se quero viver o meu sonho, como estás a viver o teu… A sério que sim, mas não vou abdicar dele!

David diz.
Claro que não vai, não te pedi isso… Mas se lembra de uma coisa, tá procurando ter o que quer, vai acabar perdendo o que não quer… ;)

Adriana diz.
Acabou, é isso?

David diz.
Não quero acabar com você, muito menos desse jeito, mas essa distância, não dá mais…

Adriana diz.
Responde-me só à merda da pergunta! Acabou, é isso?

As lágrimas já se tinham apoderado da minha face enquanto escrevia aquilo, sentia que o ia perder por tão pouco. E que numa semana estaria a destruir o que levei mais de um ano para construir.

David diz.
Gata… Liga a câmara, para a gente se ver…

Adriana diz.
David, não me estás a responder à pergunta! E se me estás a pedir isso para acabares comigo “cara a cara”, escusas! Eu poupo-te disso! Diz-me só se acabou…

David diz.
Confia em mim, aceita, por favô!

Acabei por ceder ao pedido dele e mesmo com a cara cheia de lágrimas e os olhos inchados de chorar, aceitei o pedido dele para uma chamada via web. Assim que nos vimos, ficámos ambos em silêncio. Um silêncio completamente aterrador que só foi quebrado por um latino de Quimera, que saudades que tinha daquela cadela, era uma boa companhia.

- Acabou…? – perguntei com a voz e as mãos trémulas

- Cê tá chorando… Teve chorando muito, seus olhos tão inchados… - constatou aproximando-se mais do ecrã do computador

- É normal, depois da forma que me trataste quando te liguei esperavas o quê? Que estivesse a rir às gargalhadas?

- Não precisa falar assim comigo…

- Pois foi exactamente assim que falaste comigo de tarde! Com a diferença que eu te estou a dar bem mais importância do que aquela que me deste a mim!

- Amô, ‘tava magoado… Foram três dias sem uma única palavra!

- David, já discutimos o assunto… Como é que vai ser? Acabas tu ou acabo eu?

- NÃO! Não acaba ninguém! – ele foi imediato a responder e fê-lo de forma desesperada – Não posso perder você…

- Tu é que disseste que não dá mais, David!

- Pô, me compreende…

- Eu até compreendia… Mas bolas, David! Quando sais em estágios, jogos, eu aguento tudo! Qualquer distância, o tempo que for! Eu estou fora uma semana e meia e tu fazes-me isto…

- Quando saio, falo com você todo o santo dia!

- Mas eu não consigo! Não tenho horários para isso, entendes?

- Entendo! Eu entendo e compreendo, mas machuca!

- Desculpa, então… Mas isto é o meu sonho e quero vivê-lo!

- Mesmo que isso signifique perder-me? – um silêncio fez-se notar, perdi as respostas e foi ele que retomou o assunto – Me responde, Adriana…

- Nunca te pedi que deixasses o futebol por mim, logo não é justo que me peças para deixar isto por ti… Serias egoísta se o fizesses!

- Mas e se eu fizesse? Cê escolhia o quê?

- Sinceramente não sei, porque se posso ter as duas coisas em perfeita harmonia, para quê pensar nisso?

- Perfeita harmonia? Cê já viu bem como a gente está?

- David, se é liberdade que queres, se queres ser solteiro, diz-me só… E nós acabamos! Sem qualquer ressentimento, garanto-te!

- Não quero acabar com a gentxi, pucha! Mas falta mais de um mês e meio para cê voltar! Como eu vou aguentar isso?

- Aguentando… Como eu aguento todas as tuas ausências, sem nunca me queixar!

- Tá bom… Tá certo! Não se preocupa que eu não vou dizer mais nada sobre essa distância entre e gente…

- Só queria que te lembrasses de uma coisa que um dia me disseste… “A distância impede que eu te veja, mas não impede que eu te ame”

- Eu lembro disso…

- Pena não o aplicares… Vou dormir, estou estoirada! – tinha perdido todas as forças para ter uma nova discussão com ele

- Já? Fica mais um pouco…

- Não posso ficar, amanhã o meu dia começa cedo…

- Me liga, amanhã? – ele fez um beicinho leve e os seus olhos ficaram brilhantes devido às lágrimas que os envidraçavam

- Para ser mal tratada? Não obrigada! Dorme bem… Beijo! Amo-te! – mandei a chamada de vídeo abaixo e saí do Messenger, só queria dormir e assim o fiz até à manhã seguinte


***

Foi mais um dia agitado pelas ruas de Nova Iorque. Tive de me dividir entre o estúdio e a faculdade, tentando ainda arranjar tempo para relaxar um pouco. Coisa que só consegui fazer às cinco da tarde, quando finalmente cheguei a casa. Dirigi-me imediatamente ao quarto para tomar um duche, vesti uma lingerie e somente uma t-shirt que ficava totalmente desproporcionada ao meu corpo, pois era de David, ele tinha-ma dado. O seu perfume ainda continuava nela e com o simples acto de respirar podia senti-lo entranhar-se em mim e penetrar-se nos meus poros. Tive uma vontade incontrolável de chorar ao relembrar a nossa conversa na madrugada anterior, mas controlei-me. Deixei-me ficar com ela vestida e dirigi-me à cozinha no intuito de comer qualquer coisa. Preparei uma taça de iogurte natural com muesli e morangos frescos, e dirigi-me ao sofá, onde me sentei toda encolhida e liguei a televisão. Estava a passar uma das minhas séries preferidas, mas que em Portugal ainda ia bastante atrasada: Anatomia de Grey. Entretive-me a ver um episódio, que apesar de não se encaixar nos que eu estava a ver em Portugal, pelo menos conseguir com que me distraísse e esquece-se o assunto “David”, pelo menos até eu ter visto esse nome surgir no ecrã do meu telemóvel, acompanhado do meu toque de chamada. Hesitei, tenho de confessar… Preferia não ter atendido, pois talvez tivesse poupado mais algum sofrimento a toda a situação, mas estava disponível e não queria dar-lhe razões para mais tarde ter algo para me atirar à cara.

- Estou? – atendi de forma muito descontraída

- Oi… - a sua voz estava fraca e estranhamente arrastou-se

- Ah, és tu, Dê… - fingi que não tinha visto o nome no ecrã antes de atender

- Sou sim… Tá tudo bem com você?

- Está e contigo? Ligaste… Aconteceu alguma coisa?

- Comigo vai dando pra levar como Deus quer… Não aconteceu nada, não se preocupe, mas queria ouvir sua voz… - depois dele pronunciar estas palavras de forma muito pesarosa, um silêncio mórbido instalou-se – Amô, cê tá aí?

- Estou… - respondi cabisbaixa, apesar de ele não me puder ver

- Não falou nada pra mim… Diz qualquer coisa, por favô!

- Que queres que te diga? Sinceramente, prefiro não dizer nada do que acabarmos a discutir…

- Não quero discutir… Queria conversar com minha namorada, saber como ela tá, saber como se sente, esquecendo que sou só seu namorado, e relembrando que sou quase seu melhor amigo…

- Eu estou bem, já te tinha dito…

- Eu te conheço melhor que muita gente, não esquece isso… - mal ele me alertou, senti o meu coração disparar que nem um louco alucinado e quase que me saiu disparado pela boca – Me diz a verdade… Como cê está?

- Estou rodeada de tudo aquilo que nada tem a ver comigo, amor… Uma penthouse luxuosa, pessoas a servirem-me… Isto não sou eu! Mas de qualquer das formas, sei que são sacrifícios que tenho de fazer e que dentro de um mês e meio estou de regresso a casa por isso…

- E o CD? Como está correndo? Estão gostando do seu trabalho?

- O repertório está pronto, amor… Agora é começar a gravar as músicas! Essa é a parte mais fácil! – sorri levemente e pela primeira vez desde que chegara a Nova Iorque

- Mais fácil para um vozeirão como você, cana rachada que nem seu namorado, levava uma década pra gravar um troço desses e ninguém iria comprar! – ambos nos rimos – Aliás, cê sabe bem como eu canto mal… Aqueles concertos matinais no duche são sensacionais!

- São, amor! Pelo menos uma fã tu tens! – eu ri-me baixinho, recordando os nossos despertares sempre que dormíamos juntos

- Agora não tenho mais… Me faz falta minha espectadora! As paredes dessa casa andam sofrendo sozinhas! – mais uma vez as nossas gargalhadas fizeram ouvir-se

- Coitadinhas! Quando chegar tenho de as consular…

- Ei, primeiro consola o cantor, que anda aqui cantando pra ninguém…

- Daqui a nada estou de volta, David! Vais ver… Vais fechar os olhos, botar um sorriso lindo nessa cara e pedir para que eu volte e acredita que quando deres por isso, estou de novo junto de ti…

- Jura que isso entre a gente não vai acabar por causa da distância, amô? Não vou aguentar te perder…

- Amor, eu vou voltar, é claro… A minha vida é aí! Mas compreendo senão quiseres esperar dois meses por mim! Se quiseres, eu libero-te! És livre e solteiro para fazeres o que entenderes e estares com quem quiseres, quando eu voltar se ainda houver sentimento entre nós e acharmos que vale a pena recuperar a relação, voltamos um para o outro, sem qualquer ressentimento do que possa ter acontecido!

- Amô, cê tá vendo o que diz? É claro que eu não quero nada disso! Eu te amo, se ficasse com outra garota ia ‘tar te traindo a você e a mim, que te amo muito… E o meu problema não é ficar sem uma garota, sem beijos, sem pegada! O meu problema é ficar sem a MINHA garota! - um sorrisão enorme esboçou os meus lábios assim que o ouvi proferir tal discurso

- Oh amor, só quero ficar bem contigo… Eu sei que devia ter ligado! Eu também não iria gostar se me fizesses o mesmo, mas acho que me deixei absorver demais nisto tudo aqui, mas eu prometo que vou acalmar! Que vou-te ligar todos os dias! Melhor, duas vezes ao dia, todos os dias!

- Liga, amô… Liga! – finalmente consegui imaginar um sorriso naquele rostinho lindo e graças a isso, o meu coraçãozinho serenou

- Ligo, meu amor! Eu ligo…

- Jura, princesa?

- Juro, eu juro, amor! A menos que não possa, mas senão puder aviso-te por SMS e ligo-te mais tarde quando puderes!

- Brigado, te amo! – quando dei conta disso a voz de David era igual à do MEU David, daquele que eu deixara em Lisboa

- Também te amo muito, David! Muito! – derreti completamente e pela primeira vez sentia-me a Adriana, sentia-me mais eu, desde que abandonara Lisboa

- Meu niver tá quase aí…

- Eu sei, amor… E também sei que não vou puder estar presente, mas olha! Eu garanto-te que quando chegar aí, vamos fazer a devida comemoração, só nós dois! Vou preparar-te uma surpresa… - confessei num tom super apaixonado

- Uma surpresa? Obá!

- Uma surpresa, sim senhor!

- Me conta, vamo’ fazer o quê?

- Amor, se é surpresa, não posso dizer… - não me contive e ri-me brevemente

- Oh… Mas perguntar não custa! – ele gargalhou também

- Quando chegar a altura logo vês, meu amor!

- Vou esperar muito ansioso! Olha, amô… Tenho de ir conduzir pra casa, vou ter de desligar…

- Claro, amor… Tem cuidado! Conduz devagar!

- Não se preocupa, eu conduzo! – ele riu-se, pois sabia que eu morria de medo que ele conduzisse sem mim do lado, pois era aí que acelerava sem qualquer medo ou pudor

- Come bem e descansa! – suspirei, pois quanto mais longe estava, maior era a preocupação

- Amô, relaxa… Eu fico bem! Se cuida cê também, boneca!

- Cuido, meu amor… Beijinhos! Amo-te muito!

- Beijão enorme! Te amooo! – a vozinha dele soou semelhante à de uma criança pequena e foi esse o último registo com que fiquei dele antes de desligar a chamada

Posso dizer que fiquei mais aliviada por ter encontrado a paz com David, mas ainda assim a angústia permanecia dentro de mim, afinal o aniversário dele estava próximo e eu não sabia se ele iria saber perdoar a minha ausência.



Eu sei que tenho demorado muito a postar, mas mais uma vez relembro que estou na fase final do 3º periodo e os exames estão à porta, espero que compreendam.
No entanto, espero que estejam a gostar da história e não se esqueçam de comentar, pois é sempre um incentivo! :)
Beijinhos
Drii

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Capítulo 108 - É só um até já... (Parte II)




A comemoração do nosso primeiro ano juntos, culminou numa noite de entrega e puro amor, tal como eu havia desejado, mas no entanto havia algo que me estava reservado. Algo que mexia e baralhava de forma drástica os meus planos para os meses seguintes. A época começava a aproximar-se do fim e a pressão estava sob os rapazes, que mantinham o domínio do campeonato. Estávamos no fim do mês de Fevereiro e o Benfica jogava em casa contra o FC Porto. O David deixou bem claro que não me queria presente, pois era um jogo muito perigoso, mas como era óbvio eu fazia mais do que tenções de ir e sem ele saber, acabei por cumprir o meu desejo.

- Boa noite, meninas! – sorri a todas: Paulinha, Bianca, Catarina, Inês, Brenda e Andreia, mas depois de dar um beijinho a cada uma, reparei numa cara nova

- Bem, Adriana… Para quem não sabe, que é o teu caso, esta é a Margarida, mais conhecida por Még! – apresentou a Paulinha, super social como sempre

- Olá, prazer! – esbocei um sorriso doce e educado, à bela moça

- Prazer é meu! Deves ser a tão famosa Adriana… - ela arrastou a voz, mas sempre sorrindo

- Famosa? Onde é que isso já vai… - brinquei um pouco com a situação, pois o facto de ser namorada de David começava a fazer-me ganhar terreno nas revistas e não pelos frutos do meu trabalho

- Bem, vamos subir, meninas? – sugeriu Catarina, que como sempre estava delirante por ver o seu Aimar jogar

- Vamos, claro! – rimo-nos todas

Eu segui mais atrás com Paulinha, mantendo um tom de conversa animada, que se tornou hábito entre nós.

- Mas diz-me lá uma coisa… Cadê a Elena? Não a vejo por estes lados há séculos! – brinquei, completamente absorta ao que me rodeava

- Mas tu não sabes…?

- Não sei o quê?

- O Javi e a Elena acabaram… - ela diminuiu o tom de voz, como se falasse de um segredo proibido – E esta Margarida, é a nova namorada dele!

- ACABARAM?! – o meu tom de voz surpreendido saiu mais elevado que o esperado e algumas pessoas olharam para mim, mas depressa disfarcei – Acabaram…? Como é que é isso? Eles iam casar!

- Pois, iam, dizes bem… Eu não te sei explicar muito bem, mas sei que o Javi conheceu a Margarida numa entrevista, ela é jornalista, e as coisas com a Elena já não estavam bem, daí até ficarem juntos, foram dois meses!

- Oh meu Deus! Mas onde raio andei eu, que perdi isto tudo?

- Perdida, no teu Brasileirinho! – ambos nos rimos, mas o caso não era de todo para isso, Margarida era muito simpática, mas Elena era nossa amiga e não devia estar nada bem com o fim da relação, nós sabíamos bem como ela gostava de Javi

- Falaste com a Elena?

- Não, amor… Ela foi embora, voltou para Espanha! Quer seguir com a vida dela, e o Javi está a tentar começar de novo e ainda mantém tudo no anonimato!

- Sim, senhora… Como a vida dá voltas!

- Acredita, amor… Nós nunca imaginamos as voltas que dá! – ela suspirou e um arrepio percorreu-me a espinha

- Garotas, venham! – a Brenda chamou por nós, com um sorriso super animado

O jogo começou, David estava super concentrado e queria dar tudo por tudo, mas estava difícil travar Hulk, e devido ao seu enorme estado de nervosismo, essa tarefa tornou-se impossível nos primeiros 45 minutos de jogo. O Benfica saiu da primeira parte a perder por uma bola a zero. Quando ele saiu para o intervalo, senti que algo o incomodava e não era só a fraca prestação, havia mais qualquer coisa ali. Resolvi mandar-lhe SMS, fingindo que não estava no estádio.

“Oi, meu amor! Estou a ver o jogo na TV e estou preocupada… Algo se passa, não é, meu anjo?”

A resposta dele demorou alguns minutos, talvez o suficiente até ouvirem Jorge Jesus e ele puder alcançar o telemóvel.

“Oi amô! Cê me conhece bem demais… Tô me sentindo muito frustrado, não consigo parar ele e sei que consigo fazer melhor!”

“Amor, se tu sabes que consegues fazer melhor, concentra-te! Esquece que é um jogo importante, que está a contar para o campeonato e esquece que ele é o Hulk e a equipa em campo o FC Porto! Concentra-te naquilo que és, naquilo que sabes fazer, e juro-te… Vai tudo correr bem! :)
Mas sei que não é só isso, meu amor…”

“Cê tem razão, brigado, mulher da minha vida! :)
Não é só isso, não… Mas não sei porquê, tô com um aperto estranho no peito, tô preocupado com você! Cê tá bem?!”

“Estou muito bem, meu amor! :)
Bolas, estou a ver o homem da minha vida a jogar que nem um guerreiro, estou melhor do que bem! Só quero que entres em campo com a garra e alegria de sempre, meu zagueiro! Aquilo é teu, só tens de arrasar com eles!”

“Cê é meu anjo da guarda, meu amô… Se cuida! Vou regressar ao jogo, mil beijos! Te amo!♥”

“Boa sorte, também te amo! ♥”

“Obrigado! ♥”

Retomei à normalidade na cadeira dos camarotes e concentrei-me somente no jogo, mais especialmente no David.

- Que se passa com ele? – sussurrou Paula, perto do meu ouvido

- Ele está frustrado… Alguma coisa não está bem! – revelei entre dentes e com o coração bem comprimido no lado esquerdo do meu peito

- Falaste com ele?

- Sim, ele diz que não consegue parar o Hulk, mas que sabe fazer melhor que isto. Disse-lhe que descontraísse esquece-se a carga formal do jogo e se limitasse a ser o guerreiro e brincalhão da Luz, e que tudo ia correr bem…

Nesse exacto momento, David desarmou Hulk, passou a bola a Javi e meteu-se numa jogada com Aimar, que acabou por cabecear para o fundo das redes da baliza adversária.

- GOLOOOOOOOOOOOOOOO! – gritei agarrada a Paula e ignorando completamente o facto de estar nos camarotes

Todo o estádio se ergueu, os cânticos entoaram, o chão estremeceu e ao abrir-se o campeão passou na direcção do sucesso. Depois desse golo, outros dois seguiram-se o que permitiu ao Benfica ganhar por três a zero, a um dos seus eternos rivais.
Esperei o David na sala de jogadores, e apesar de ele não saber da minha presença, esperei que a sua reacção fosse a melhor possível, mas como sempre eles demoraram montes de tempo e eu entretive-me à conversa com as meninas, mas esta foi interrompida pelo meu telemóvel.

- Estou sim? – perguntei num tom formal

- Boa noite, fala o Jorge, o teu agente…

- Ah… Desculpa, mas não reconheci o número!

- Desculpa estar a ligar-te a estas horas e a um Domingo, mas tenho um assunto urgente para tratar contigo…

- Então, problemas?

- Não… Mas acabei de ser contactado da parte do P. Diddy e ele quer-te dentro de dois dias em Nova Iorque para começares a tratar do teu CD!

- Hum! Estás a gozar! – perguntei completamente em êxtase

- Não, estou a falar muito a sério! É apanhares o primeiro avião que conseguires para lá, assinares o contrato e mãos à obra!

- Mas e então a minha faculdade?

- Calma, está tudo tratado… Pedimos a equivalência às cadeiras que estás a fazer durante o tempo que ficarás lá e quando regressares estará tudo na mesma!

- Ai isso é óptimo! E quanto tempo é que eu vou lá ficar?

- Dois meses… O teu regresso está previsto para fins de Abril, princípios de Maio.

- Mas… Isso não pode ser! – intervim logo, ciente de que David fazia anos em Abril

- Claro que pode! É uma oportunidade única Adriana! Pensa bem, não vais ter muitas como esta… É a tua oportunidade de lançares a tua carreira definitivamente no mercado internacional! Depois disso a escada para o sucesso é rápida e imediata!

- Eu aceito! Eu aceito… - dei uma resposta imediata, tratava-se de um sonho meu e quanto ao aniversário de David eu arranjaria uma solução

- Óptimo, vou comunicar então a tua decisão e tratar das passagens…

- Sim, muito obrigada, Jorge!

- De nada, miúda! Esta é a tua oportunidade! Aproveita-a!

- Obrigada! Beijo! – sorri de forma educada e depois de o ouvir uma última vez desliguei a chamada

- Adriana?! – a voz de David surgiu nas minhas costas e quando o encarei, tive medo da sua reacção

- Olá, amor…

- Pensei que cê tava em casa… Vendo o jogo na TV! – a voz dele soou-me ligeiramente irritada, mas como julguei ser somente impressão minha respondi-lhe

- Oh amor, eu queria muito vir… Estar cá e apoiar-te! – confessei com um sorriso tímido, mas sincero

- Cê tá louca? É perigoso, eu avisei pra você! – ele colou o seu corpo ao meu e gritou em surdina, mas as pessoas mais chegadas aperceberam-se do clima de tensão entre nós

- Desculpa então! Desculpa se te quis apoiar, mesmo que isso significasse correr riscos… Desculpa-me então por isso! – os meus olhos encheram-se de lágrimas perante a ingratidão dele

Coloquei a minha mala a tira colo, guardei o telemóvel e saí na direcção das garagens, não queria falar mais com ele sobre aquilo, a ida àquele jogo era para esquecer de todo.

- Adriana! Amô, espera! – ouvi a voz dele proclamar o meu nome, quando já estava a abrir a porta do meu carro, mas nem assim parei, somente quando senti a mão dele no meu braço – Amô… - a voz dele soou mais meiga

- Deixa-me estar, David… Já pedi desculpa, senão queres aceitar problema teu, mas lembra-te de uma coisa, o estádio que eu saiba, é livre!

- Calma, amô… Eu fui precipitado, mas fiquei louco de preocupação, me perdoa… - ela acariciou-me delicadamente na bochecha direita

- Ok, já percebi. Agora já me podes largar para eu ir embora?

- Pô, não fica assim… Já disse que errei, que fui precipitado! Desculpa então, eu se me preocupo demais com você!

- Estás desculpado, agora vai descansar que o jogo foi duro… - sorri levemente, pois estava magoada com a atitude dele

- Podia vir dormir comigo essa noite… - sugeriu-me com um sorriso apaixonado

- Quero ir para a minha casa…

- Então eu podia ir dormir com você, não me importo! É-me igual, desde que estejamos juntos!

- David, não estás a perceber! Eu quero dormir na minha casa… Sozinha!

- Pô, errei assim tanto? Até parece que cê nunca fez borrada!

- Fiz, fiz muita borrada! Mas sempre que tenho problemas, que me sinto exausta, só existe um sítio para onde quero correr, somente uns braços, e quando te quis dar os meus, gritaste comigo…

- ME PERDOA, CARACA! – ele elevou novamente o tom de voz e esta entoou pela garagem toda, onde os rapazes e as namoradas entravam e acabaram por estancar ficando a assistir a tudo

Não pronunciei uma única palavra, mas os meus olhos encheram-se de lágrimas novamente. Baixei o olhar, abri a porta do carro, entrei trancando-a e liguei o carro, fazendo a manobra de saída.

- Adriana, espera! Vamo’ conversar! – ele bateu-me ainda umas quantas vezes no vidro e outras tantas no capô, mas eu não estava disposta a parar e assim sendo, segui rumo à minha casa


***

Acabei por vestir o pijama e deitar-me na cama, com uma vontade enorme de gritar e chorar. Ainda por cima, estava sozinha em casa, visto que Bianca ultimamente passava mais tempo a dormir em casa de Salvio do que lá em casa. O silêncio era aterrador e a Quimera era a minha única companhia. O relógio marcava as sete da manhã, eu ainda não havia pregado olho, mas a campainha de casa tocou. Fiquei imediatamente rabugenta, mas ainda assim levantei-me e fui ver quem era.

- Bom dia… - cumprimentou David receoso, mal eu abri a porta

- Bom dia! – respondi de forma mais seca – Precisas de alguma coisa daqui?

- Preciso… - ele fez um compasso de espera, até retirar de trás das costas um ramo de túlipas brancas – Da minha muleca…

- Isto é o quê?

- São pra você! – ele fez um trejeito, como que indicando-me para que eu as pegasse

- Obrigada! – agradeci e tomei-as nas mãos

- Tem um cartãozinho… - ele subiu levemente o canto esquerdo da boca, como que escondendo um sorrisinho dócil

Eu fiz-lhe a vontade, procurei-o e quando o encontrei, li-o para o meu íntimo.

“Por vezes são os gestos mais loucos e mais perigosos, que nos fazem compreender o quanto alguém ama a gente. Perdoa se te magoei, mas quem ama cuida, e eu só queria proteger você! Te amo muito, minha garota! ♥”

- Obrigada, Dê… - não consegui evitar um leve sorrisinho perante aquele gesto amoroso dele

- Isso quer dizer que eu tô perdoado? – a sobrancelha dele ergueu-se, questionando-se a si próprio em relação aos significados das minhas expressões

- Sim, amor! Quer dizer que estás perdoado! – rendi-me por fim sorrindo, e agarrando-o pelo pescoço, beijei-o de forma calma

- Graça’Deus! Não dormi nada essa noite, sabendo que tinha feito borrada, mas já conhecia você e ontem ‘tava de cabeça quente e não me ia querer ouvir…

- Já me conheces bem demais… - sussurrei entre beijos repenicados, naquela boca linda e à qual já reconhecia muito bem o sabor

- E tenho o mó orgulho nisso! – ambos sorrimos e puxei-o carinhosamente para dentro de casa

- Vou pôr as flores na água… - anunciei e desapareci durante breves momentos para a cozinha, quando regressei já estás estavam dentro de uma jarra que coloquei na mesa da sala

- Gostou?

- Amei, já sabes que são as minhas preferidas…

- Pois sei, como eu falei, meu amô! Eu te conheço muito bem! – ele acariciou-me de forma terna e eu envergonhadamente baixei o olhar – Obrigada por ter ido no jogo e por aquelas palavras de reconforto…

- Só fiz a minha obrigação!

- Não, é mais que a sua obrigação!

- Shiu, quem ama cuida, certo? Não foi o que tu disseste?

As nossas bocas manifestaram-se na mesma forma, fazendo o nosso sorriso transparecer num brilho feliz e docilmente sereno. Daí aos nossos lábios unirem-se, foi simples. Simples e super natural…

- Amor… - chamei-o quando quebrámos o beijo

- Fala, meu amô! – ele esboçou um sorrisão maravilhoso e desviou a franja do meu rosto, prendendo-a atrás da orelha

- Eu ontem, depois do jogo recebi um telefonema do meu agente, dizendo que tenho uma proposta para gravar o meu CD!

- Sério, meu amô? Isso é óptimo, meu Deus! – ele segurou o meu rosto entre as suas mãos e beijou-me inúmeras vezes, felicíssimo – Então e que produtora vai fazer isso?

- A do P. Diddy…

- Mas pensei que ele não tinha nenhum estúdio em Portugal… - disse muito confuso, mas sempre sorrindo e segurando o meu rosto entre as suas mãos

- E não tem… - revelei completamente dominada pelo medo – É nos Estados Unidos…

Rapidamente as mãos dele largaram o meu rosto e a sua expressão se desvaneceu.

- Estados Unidos? Eu ouvi bem? – ele gaguejou, era evidente o seu estado de nervosismo

- Ouviste… - mordi o lábio receosa pela reacção dele

- Quando, amô?

- Dois meses… Tenho de partir daqui a dois dias!

- Mas isso… Isso… - ele gaguejou de forma mais aflitiva e os seus olhos inundaram-se de uma profunda desilusão – Cê assim não vai estar cá no meu aniversário…

- Desculpa… - foi a única coisa que consegui dizer, antes de prender o olhar no chão

- Cê aceitou? – perguntou ele imediatamente, meio atónico

- Sim… Precisavam de uma resposta na hora, parto amanhã…

- Cê vai assim embora para os Estados Unidos, para o outro lado do oceano e me avisa no dia antes? Pô… Não vou nem conseguir matar minhas saudades…

- Vai passar num instante, nós já aguentámos distâncias!

- Nunca de tanto tempo, pô! Dois meses é muito tempo… Ainda por cima vai faltar meu aniversário!

- Desculpa, amor… Eu queria muito cá estar e vou fazer de tudo para conseguir, mas isto é o meu sonho, entendes?

- Eu entendo, mas vou ter muita saudadji! – ele uniu as nossas bocas de forma carinhosa, num beijo já saudosista

- Olha, eu juro-te que vai passar a correr… Quando deres por isso estou de novo do teu lado!

- Promete? – ele fez uma espécie de beicinho, mas não tão evidente

- Prometo, meu amor! – beijei-o, passando-lhe toda a minha confiança

No dia seguinte deixei a Quimera aos cuidados de David, embarquei e foi ele a levar-me ao aeroporto. Não quis que ele ficasse até o avião partir pois iria ser bem pior, mas ainda assim vi-o deixar-me de lágrimas nos olhos e o que chorou depois disso, só ele saberá no mais íntimo de si. Eram apenas dois meses… Mas eu tinha a certeza, que aquele avanço na minha carreira, ainda me podia sair muito caro… Uma coisa era certa, estava com ele, e mesmo que alguma coisa ousasse separar-nos, eu iria lutar até ao fim, para nos unir.