Depois do banho, quarto da Inês:
Andreia – Veste esta roupa da Inês!
Adriana – Obrigada por isto, Andreia!
Andreia – Não tens de agradecer, é para isto que as amigas servem! Eu vou descer para te acabares de arranjar. Vê se te acalmas mais um bocadinho e depois desce ok?
Adriana – Sim! Obrigada!
Adriana veste as calças de ganga escura, uma camisola vermelha e uns botins de salto e começa a olhar em seu redor. O quarto era muito bonito, a decoração tinha tons claros e estar naquele espaço conferia-lhe paz. Adriana repara então numa foto na mesa-de-cabeceira, agarra-a. Era uma foto de Inês e Ruben, ela agarrou-a e fitou-a durante vários segundos. Eles estavam abraçados e com sorrisos enormes, parecia uma daquelas fotos dos amores dos livros, das revistas ou dos filmes.
Adriana sentia inveja do que eles tinham… Não era inveja de lhes desejar mal ou querer que se separassem porque ela adorava o seu melhor amigo e sabia que o seu lugar era do lado da Inês, era inveja de ela não ter o mesmo que eles. Não ter uma relação seria, alguém que amasse de verdade e que fosse capaz de o admitir. Abandonou esses pensamentos, pousou a foto e desceu as escadas até chegar perto deles na sala.
Inês – Então? Sentes-te melhor?
Adriana – Sim… Obrigada por tudo!
Ruben – Não tens de agradecer… É para isto que os amigos servem…
Adriana – Eu tenho de ir para casa, vou chamar um táxi.
Ruben – Nada disso! Primeiro come qualquer coisa, fica connosco e depois eu levo-te a casa…
Adriana – Não sei… (Ruben olhou para ela com uns olhos a implorar e ela fitou David que a olhava expectante) Ok, também hoje estou mesmo sozinha em casa por isso… Ia morrer de tédio! (sorri)
Jantaram com calma, com muita conversa á mistura e risadas. Agora uns jogavam jogos na sala e outros conversavam amenamente.
Adriana sentia-se completamente desintegrada e não conseguia deixar de pensar em tudo o que se tinha passado naquela noite. A verdade é que ela se julgava condenada á solidão e pensava que jamais teria alguém que a amasse por aquilo que era, sem contrapartidas, sem mentiras. Adriana abre o frigorífico e serve-se de um copo de água gelada. Não serviu apenas para lhe matar a sede mas para lhe limpar a alma e lavar-lhe todos aqueles pensamentos. Senta-se na bancada da ilha no meio da cozinha e aproveita a vista sobre Lisboa que se via da janela da cozinha.
Cada luz prefeita que delineava as colinas lá ao fundo, num céu negro, cada pormenor analisado delicadamente pelo seu olhar atento que Adriana acompanha com um último gole de água.
David – Ah então era aqui que cê tava!
Adriana – Pareçe que sim! (olhando por cima do ombro para a porta onde David entrara)
David – Cê não quer ir jogar pictionary com a gente?
Adriana – Não estou com muita vontade…
David – Mas pelo menos vem pró pé da gente…
Adriana – Não me apetece ir para o meio da confusão…
David – Ah mas eu não vou deixar você aqui sozinha não!
Adriana – Hum… (resmunga)
David – Eu vou ficar aqui com você!
David permanece em pé em frente a Adriana, mas nem estando sentada na bancada da ilha da cozinha faz com que seja mais alta que David.
Adriana – Não é justo! Vai-te divertir!
David – O que não é justo é cê ficar aqui enquanto está todo o mundo se divertindo e jogando na sala. Se você não vem eu fico!
Adriana – Então fica! Porque eu não vou! Não me apetece estar no meio de confusões. Preciso de paz… Para pensar…
David – Posso fazer-te uma pergunta? Senão te importares claro!
Adriana – Claro! Chuta!
David – Porque é você tava chorando? Não tem de responder senão quiser…
Adriana – Não há problema nenhum… Não é segredo para ninguém! Eu gosto de um rapaz ou pelo menos gostava, e fi-lo durante 3 anos e ele durante três anos gozou comigo. Ele sabia que bastava estalar os dedos e eu corria atrás dele e era mesmo isso que ele fazia. Dizia que me amava, eu acreditava e depois negava tudo, humilhava-me e fingia que eu não existia, e depois voltava e fazia o mesmo, durante 3 anos, e eu sempre a cair porque o amava… Agora percebo que aquilo não é nem nunca foi amor, era tipo um vício, uma obsessão, era tudo menos amor. Mas agora percebi que ele não vale a pena e que mereço alguém melhor. E então estou a esquecê-lo….
David – Se ele fazia isso com você era porque não te amava de verdade… Quem ama alguém de verdade não machuca ela dessa maneira não! Claro que as pessoas se acabam machucando de alguma maneira mas às vezes é porque se gostam demais, não amar é sofrer mas amar é sofrer muito mais, mas agora brincar com os seus sentimentos… Esse cara deve ser maior otário de sacanear uma menina linda que nem você!
Adriana ri-se timidamente
David – Isso na sua cara foi um sorriso? (sorrindo) (Adriana assente com a cabeça) Assim eu gosto mais! Que linda! Esqueçe esse cara vai! Há aí um montão de caras querendo te conhecer e namorar você pra quê perder tempo com um cara desses? Vai mas é se divertir, conhecer caras novos, e deixar esse babaca para lá!
Adriana – Obrigada, por tudo!
David fita Adriana e ela faz o mesmo. Olham-se intensamente nos olhos e estão cada vez mais próximos, David apoia timidamente as mãos na bancada aproximando-se assim de Adriana e esta tenta manter-se concentrada para não fazer nenhum disparate.
David – Não tem de agradecer não, os amigos são para isso mesmo!
David e Adriana estavam a milímetros de se beijarem, Adriana luta interiormente para se afastar de David mas ele é como um íman que a puxa com uma força que lhe é superior e imparável. Vendo que as suas tentativas são falhadas Adriana fecha os olhos decidida a deixar-se levar pelo momento. Adriana sente o hálito quente de David nos seus lábios entreabertos e David acaricia-lhe a face ao mesmo tempo que desvia uma mecha de cabelo da bochecha direita de Adriana partindo assim para unir os dois lábios. Os escassos milímetros de o fazer são interrompidos.
Andreia – ADRIA... (entra na cozinha e vê aquela cena) …NA. Desculpem interromper eu não sabia que estavam aqui! Quer dizer sabia, mas pensava que estavas sozinha! Ok, esqueçam! Desculpem!
David afasta o seu rosto de Adriana e larga a mecha de cabelo dela que segurava delicadamente com a sua mão.
Adriana – Não interrompeste, nos estávamos só a conversar… (Olha David nos olhos e volta-se de novo para Andreia) Querias alguma coisa? (disfarça percebendo que Andreia estava realmente atrapalhada)
Andreia – Vinha dizer-te que eu e Fábio vamos andando e vinha despedir-me de ti…
Adriana – Já?
Andreia – Sim, amanhã há coisas a fazer!
Adriana – Okay, então vemo-nos no próximo jogo?
Andreia – Claro! Óbvio!
Adriana e Andreia despedem-se com dois beijinhos e o mesmo acontece com David. Ambos seguem atrás dela para a sala para se despedirem de Fábio.
Sala:
Adriana – Então, eu lá estarei para ver o jogo!
Fábio – Assim é que se fala lampiona!
Todos se riem. Fábio e Andreia vão embora.
Adriana – Bem eu também tenho de ir andando… Alguém viu o meu telemóvel por ai?
Ruben – Para que é que o queres?
Adriana – Olha! Para chamar um táxi, para que é que achas?
Ruben – Nem penses, eu levo-te a casa, é num instantinho…
Adriana – Não é preciso… Ficas aí com a Inês. Aproveitam o tempo para namorarem… (enquanto procura o telemóvel)
Ruben – Nem penses! Eu levo-te!
Adriana – Ficas e pronto! (encontra o telemóvel) Aqui está ele!
Javi – Nosotros te llevamos!
Adriana – Não! Vocês não têm mais nada que fazer do que ir levar-me a casa? Vão namorar! É para isso que servem os namorados e as namoradas. Acreditem levar-me a casa não é assim tão entusiasmante como namorar! (ironiza)
Ruben – Adriana vá lá, o Diogo pode voltar a aparecer. Deixa-me levar-te ou então fica aqui em casa. O quarto de hóspedes está livre.
Adriana – Nem pensar! Eu vou para casa! De táxi! Acabou-se a discussão!
Ruben – És mesmo teimosa!
David – Eu levo você! É perigoso apanhar um táxi a essas horas da noite! Eu te levo… Ah e escusa de vir com a desculpa de namorar porque eu não tenho namorada! (Adriana olha para ele como que implorando para que ele não fizesse aquilo) E escusa de olhar assim para mim com esses olhões porque eu vou te levar de qualquer jeito!
Adriana – Fogo! Vocês são cá uns chatos!
Ruben – Obrigado David, assim fico muito mais sossegado! Vá lá Adriana. Vai com ele e porta-te bem! Não sejas refilona! Facilita!
Adriana – Ok, ok. Mas é só para não ficares preocupado! (Dá-lhe um beijo no rosto e um abraço) Obrigada por tudo amigão! Nem sei como agradecer!
Ruben – Não tens de o fazer! Sabes que eu estou aqui para tudo! (separa-se do abraço e sorri-lhe)
Despedem-se todos e cada um segue para a sua casa, Javi com a sua namorada Elena vão para casa, Inês e Ruben ficam na casa deles, e Adriana e David… Bem! Esses ainda iam ter uma noite bastante longa!
3 comentários:
LINDO!!!
Vão os dois sozinho, ate que em fim, ja estava quase mas a Adriana estragou tudo... =/
mas acredito que agora vai acontecer alguma coisa...
Lindo!!
Estou a começar a ler agora e estou a adorar!!
Escreves mesmo bem...
amei!
está mesmo fantástico!
beijinhos
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