quarta-feira, 18 de maio de 2011

Capítulo 107 – Have yourself a merry little Christmas (Parte V)


- Amor, precisas descansar bocadinho… - recomendei ao mesmo tempo que abria a mala dele em cima da cama para a desfazer

- Amô, eu descansei muito essa manhã! – ele abraçou-me por trás e deu-me um beijo na nuca

- Estás com um arzinho cansado, amor… - torci o nariz, pois ele tinha um ar ligeiramente abatido

- Tou precisando de férias e esses dias vieram cair direitinho, amô! – ele apertou-me mais para si, colocando as mãos no fundo da minha barriga

- Então aproveita, porque depois estás de novo à carga nos treinos! – tirei umas quantas camisolas dele e coloquei em cima da cama junto das outras

- É isso mesmo que eu vou fazer… Aproveitar minha namorada lindona! – ele virou-me para si, pousando as mãos nos meus quadris e fazendo-me girar sobre mim mesma

- Tu vais é ficar ali quietinho que eu tenho que arrumar as tuas coisas… - fugi-lhe, quando ele pretendia unir os nossos lábios

- Oh amô, não tô com você faz uma semana… Me deixa dar assim uns beijinhos em você… - ele fez um beicinho ternurento e extremamente doce, mas que nem assim me convenceu

- Nem beijinhos, nem meio beijinhos! Tenho que desfazer a tua mala, David…

- Pô, que é que custa? Parece até que nem sentiu a minha falta… - a sua expressão afável rapidamente foi dominada por uma enorme tristeza

- Claro que senti, amor! É que nem é isso que está em questão! Mas há coisas para fazer… Daqui a nada temos de nos arranjar para o jantar, é véspera de Natal, David!

- Por isso mesmo… Vamos aproveitar para namorar! Tô morrendo de saudades desses lábios, meu anjo… - os dedos dele percorreram um trilho leve e calmo nos meus lábios

- Só dos lábios? – fiz um sorriso traquina e aproximei-me, fingindo que o ia beijar, mas recuei no último segundo

- Não me provoca, garota… - a voz dele arrastou-se e quando o olhei, este estava de olhos fechados e ansioso para que unisse as duas bocas

- Pensei que tinhas saudades… - eu ri-me baixinho e juntinho dos lábios dele

- E tenho, meu Deus… Tantas, tantas… - a voz dele molengou completamente e um sopro de ar, que correu pelo pouco espaço entre os seus lábios, embateu nos meus, o que me fez estremecer

- Muitas, amor? – sem dar conta os meus olhos encheram-se de um enorme brilho cintilante e profundo

- Muitas, meu amô… Cê nem imagina! – ele segurou-me pela nuca e uniu as nossas bocas

Juro que nunca me havia sentido assim nos seus braços, e se por ventura alguma vez sentira, já não me recordava devido a uma semana de separação. A minha língua envolveu-se na dele muito calmamente e senti as suas mãos viajarem debaixo da minha camisola.

- Amor… - murmurei por entre a união das nossas bocas

- Por favô, tenho tanta saudade… - fitei os seus olhos esverdeados e senti um friozinho no estômago só com essa sensação

- Temos de nos arranjar para o jantar, amor…

- Por favô, não tô aguentado… Tô morrendo de tanta saudade, desses lábios, desse corpo, de você… De te sentir por perto, meu amô!

- Mas… - tentei contra-argumentar, perfeitamente ciente de que tínhamos coisas a fazer

- Shiu… - ele deu-me um novo beijo louco e fugaz

Estremeci completamente, pois fui apanhada de surpresa. As mãos quentes dele viajaram por todo o meu corpo, na calmaria do sentimento que nutríamos um pelo outro.

- Te quero tanto, meu amô… - segurando o meu rosto e nuca, ele enterrou a cabeça no meu pescoço, que percorreu de beijos e leves mordidelas

- Eu também… - respondi de forma inconsciente unindo novamente as duas bocas

O meu corpo caiu sobre a cama, e o dele cobriu-me. Completamente abafada no peso quente do seu corpo, senti o meu peito bombear fortemente o sangue e a adrenalina correr-me nas veias como se estivesse a correr uma maratona. As minhas mãos meio trémulas percorreram a fileira de botões da sua camisa e foram desapertando-os um por um, muito calmamente. Senti as calças deixarem de fazer pressão na minhas cintura e quando ergui levemente a cabeça vi que David mas desapertara. Elevei os braços, para lhe facilitar a tarefa de me despir a camisola e ele entendeu perfeitamente o sinal, pois fê-lo sem qualquer pressa e enchendo a minha barriga e o meu peito de beijos. Queria conseguir dizer, que havia momentos em que me sentia mais amada, em que me sentia mais desejada, e que não dependia daqueles, para me sentir assim. Mas por muito que eu tentasse, por muitas palavras que procurasse, por muitos momentos que vivesse, em nenhum deles me iria sentir assim, como me senti naquela tarde, quando lentamente, depois de nos livrarmos das restantes roupas, me entreguei a ele, pela milionésima vez. E a cada vez que o fazia, mais perfeito me parecia, e mais e mais queria, e mais e mais precisava. Depois de trancarmos a porta do quarto, e num movimento rápido, ele uniu os nossos corpos e as nossas almas tocaram-se. Foi ele que ditou um ritmo muito sereno, entrando e saindo dentro de mim. E estar daquela forma com o David não era apenas uma questão de mero prazer, mas sim de amor, de um forte e inabalável amor.

- Te amo… - ele sussurrou baixinho, mas a sua voz vacilou devido a uma breve gemido

- Eu também… - fechei os olhos, esbocei um sorrisinho lindo e sentiu-o beijar-me

Não demorou muito até o culminar de tudo chegar, havíamos sido um do outro mais uma vez, e nada, nada batia a sensação de me sentir assim… Completa! Como me sentia do lado dele…

- Nossa, meu amô! Saudade danada essa! – ele riu-se, ao mesmo tempo que me aninhei nos braços dele

- Foi uma semana, amor…

- Foi uma eternidade! – ele rematou sem sequer me deixar acabar de falar

- Agora vamos estar sempre juntos, podes ficar descansadinho, amor! – beijei-o no peito e sorrimos os dois

- Acho que não quero descer, não… Ficamos já assim! Grudados um no outro, a noite inteira! – ele apertou-me mais para si e por momentos o ar faltou-me

- Oh amor, não pode ser… É Natal!

- Oh bolas, pro Natal! – ambos nos desmanchámos a rir à gargalhada

- Tem de ser… Pensa que pelo menos logo à noite vamos dormir os dois bem agarradinhos! – fiz um sorriso motivador e fechei os olhos quando senti os lábios dele dominarem os meus – Vá, vamos vestir-nos, amor…

- Hum, mais cinco minutinhos… - implorou-me rebolando mais na cama

- Oh amor tem de ser… Eu vou na frente, tomo banho e quando sair para me vestir vais tu! E quando eu tiver arranjadinha, tu também terás de estar!

- Oh… Que é isso, muleca? Banho sem você? Tá louca, é? Pirou de vez? – o jeito aflito com que ele proferiu aquelas palavras, deram em mim, uma vontade loucamente inexplicável de me rir

- Não me digas que precisas que te lavem as costas…

- Se for isso o necessário pra tomar banho grudado em você, então sim! Preciso que me lavem as costas… - ambos nos rimos e eu levantei-me da cama enrolada no lençol

- Não vais precisar chegar a esse ponto… Anda lá, vá! – estendi-lhe a minha mão serena e ele não demorou quase nada a tomá-la

Foi por entre caricias e beijos doces, e muito, muito saudosos que tomámos o nosso banho e nos arranjámos para a noite de véspera de Natal.

- Pô, que gatona, amô! – elogiou o David ainda ajeitando o pólo que usava sobre a camisa

- Obrigada, amor… - sorriu-lhe harmoniosamente e uni pela última vez as nossas bocas antes de descermos

O jantar foi tido completamente em família e tenho de confessar que me entretive a observar a convivência pacífica e sincera entre os meus pais e a minha restante, com os pais de David e ele. Nada me deixava mais feliz, nada me preenchia mais o coração e nada, mas nada me fazia sentir mais completa, mais mulher.

- Filha, não comes?

Recordo-me da minha mãe interromper por algumas vezes a sua conversa com a Dona Regina, porque eu estava tão embrenhada naquela minha realidade, que nem tocava na comida que tinha no prato.

- Estou a comer, mãe… Com calma! – era o que lhe respondia sempre, disposta a absorver com toda a calma do mundo, cada segundo daquele momento e guardá-lo eternamente na minha memória

E foi assim até à sobremesa, tradicionalmente portuguesa, como toda a restante doçaria que se montou na mesa seguinte, e que nos iria acompanhar noite fora.

- Que é isso, amô? – perguntou David agarrando num coscorão

- É um coscorão, amor… - ri-me levemente sentada no colo dele

- Isso é bom? – ele torceu o nariz, como se nunca tivesse comido daquilo na vida

- É, amor… Pelo menos eu gosto! É doce! – sorri e dei uma pequena dentada

- Vou provar! – anunciou e deu a primeira dentada

Olhei para ele, parecia-me imensamente estranho que um rapaz de 23 anos, nunca tivesse experimentado um coscorão, mas se eu tivesse em conta a sua nacionalidade, talvez nem tanto. Olhei-o calmamente, acabando de mastigar o que deglutira, e tentando adivinhar a sua expressão. Assim que teve tempo de perceber e assimilar o sabor, os olhos dele abriram-se em sinal de espanto.

- Nossa, esse troço é bom! – disse ainda de boca cheia

- Amor, olha aí… - ela riu-se

- Desculpa, amô! – ele ficou meio envergonhado e quando engoliu, uni apenas os nossos lábios

- Madinha, quando abimos as pendas? – perguntou-me o meu afilhado já de olhos mortiços do sono

- Oh amor, ainda falta um bocadinho…

- E poque é que tás no colinho do David? És munto gande pa isso, inha! – todos na sala se riram e não era para menos, aquele menino quando queria era uma autêntica peste

- Porque o David é meu namorado, a tua mamã também se senta ao colinho do papá!

- Mas a mamã só se senta ao colinho do papá pala ele dale miminhos no mano na barriga delha! – ele fez
uma breve pausa como se tivesse a proceder a um raciocínio – Vocês também estão à espelha de um bebé?

O meu pai mudou de cor e engasgou-se com o trago de whisky que tinha na boca, a minha mãe teve uma enorme vontade de se rir e acabou por o fazer com a ajuda da Dona Regina.

- Não, amor… - eu ri-me também baixinho e olhei rapidamente para David – Eu e o David não estamos à
espera de nenhum bebé… Ele está simplesmente a aquecer-me!

- Não pechebo nada! Se tens frio, vete um casaco, inha!

- Oh amor, o David é mais quentinho! – ri-me e David juntou-se a mim

- Oh, Oh, Oh! – um dos meus tios entrou na sala vestido de Pai Natal, para animar a criançada que rapidamente entrou em alvoroço

Foram os primeiros a receber as prendas e o meu piolho delirou com o carro que lhe ofereci para puder andar pelo jardim a passear. Os meus restantes priminhos deliciaram-se com todos os outros brinquedos, filmes e livros.

- Ahhh! O Pai Natalhe, não touxe pendas pa vocês! – o meu menino abriu a boca muito admirado quando viu o saco vazio

- Ele deixou as prendas com antecedência, amores… Não se preocupem e vão brincar! – eu ri-me e assim que anunciei a brincadeira, todos eles desapareceram para um canto da sala e usufruíram das novas prendas

- Bem, vamos lá a isto então! – foi o meu pai que ditou a distribuição de prendas entre adultos – Filha… - ele agitou um embrulho vermelho no ar rindo-se

- Hum, quero ver o que vai sair daí… - abri a caixinha e ia tendo um colapso quando vi a prenda dele – Ai pai, que feioooo! – queixei-me e ergui a camisola do Sporting a dizer “Adriana” com o número 9

- Oh filha, a esperança é a última a morrer! – ele esboçou um sorriso

- Acredita, esta já morreu! – ri-me e coloquei a camisola dentro da caixa

- Agora a minha! – anunciou a minha mãe e entregou-me um embrulho

Abri-o calmamente e os meus olhos espantaram-se assim que a abri.

- Mãe…?! – fiz um olhar inquisitivo olhando o recheio do embrulho

- Que é? – ela espreitou e ficou sem jeito – Ai, essa não é a tua! – uma pilha de lingeries espalhafatosas e que saiam completamente fora do meu estilo, preenchiam o conteúdo

- Bem me pareceu! – ri-me a plenos pulmões e a minha mãe repôs-me a prenda correcta que calmamente abri

- Ai, adoro mãe! Que lindo! – dentro da caixa correcta estava o meu traje académico, que iria usar em Maio no enterro do caloiro

Uma enorme sensação de orgulho e de que estava a passos de me tornar uma mulher, apoderou-se de mim e as lágrimas fluíram-me pela face. Limitei-me a abraçar os meus pais e a agradecer-lhes por tudo o que tinham feito por mim e por me terem transformado naquilo que era. Ao meu pai ofereci uma camisola do Sporting autografada por todos os jogadores e que me foi fácil de arranjar devido a uns conhecimentos de Ruben, já à minha mãe ofereci uma agenda electrónica pois ela era das mulheres mais atarefadas e organizadas que conhecia.
Seguiu-se então a Dona Regina e o Senhor Ladislau. A ela ofereci-lhe uma máquina fotográfica pois sabia bem como ela adorava passear e ter muitas recordações dos sítios que visitara, e a ele ofereci uns ténis da Nike, uma vez que o gosto dele era bastante semelhante ao de David.

- Olha minha filha, a gente não sabia muito bem o que oferecer para você… - a Dona Regina agarrou num embrulho da árvore e passou-mo

- Oh, não era preciso! – reclamei imediatamente pousando-o no meu colo

- A gente espera que cê goste, é meramente simbólico, mas é do coração… - ambos sorriram e eu comecei a abrir a prenda

Mal vi na minha frente o meu presente foi-me completamente inevitável conter as lágrimas. Vi uma fotografia que tirara com a família de David, aquando das nossas férias no Brasil, um porta-chaves apenas com uma chave, muito semelhante e diria até igual a uma que David tinha no seu e um bilhete.

“Minha filha,

As palavras para agradecer tudo o que fez e continua fazendo pelo nosso Davi’ não são mais suficientes. O coração do nosso filho cê já tem, agora tome seu lugar na nossa casa e naquela que será a partir de agora a sua família.

Feliz Natal!
Rê e Lau”

Não consegui conter-me e as lágrimas, que até há segundos atrás apenas inundavam os meus olhos, caíram-me vertiginosamente pelas faces e aterraram nas minhas mãos. Tapei a cara com as minhas palmas e deixei-me chorar completamente sensibilizada pelo gesto deles. Por muito que soubesse que eles gostavam de mim, aquele gesto abria-me completamente a porta da sua casa, a porta das suas vidas e dava-me livre acesso para pertencer àquela família. Senti uns braços envolverem-me e apenas David estava do meu lado, por isso reconheci-lhe facilmente o toque.

- Não chora, amô… - pelo tom da sua voz, pude adivinhar-lhe um sorriso lindo no rosto

Solucei mais umas quantas vezes e senti o meu coração pequenino, como se aquele sentimento que nutria por ele e pela sua família me fosse minar por completo.

- Minha filha… - ouvi a voz doce da Dona Regina e ergui a cabeça

Na minha frente vi um sorriso meigo e atrás dele vi uma sucessão de tantos outros.

- Obrigada, muito obrigada… - levantei-me do lugar com a chave e o bilhete na mão e agachei-me junto do sofá onde eles estavam para os abraçar

- Nós que agradecemos, por fazer a razão do nosso viver tão feliz… - eles olharam carinhosamente para David – A partir de agora a porta da nossa casa é sua… De livre acesso! Nossa família é sua também…

- Obrigada… Nem sei como agradecer! – os meus olhos inundaram-se novamente de lágrimas

- Faça nosso filho feliz e isso será o bastante! – o Senhor Lau era sempre mais reservado que a esposa, mas nesse dia surpreendeu

- Vou fazer, podem ter a certeza! – jurei num sorriso e depois de distribuir um beijinho na face de cada um sentei-me do lado de David para o abraçar

- Não chora, amor… - ele afagou-me os cabelos assim que sentiu o meu peito soluçar de emoção

- Obrigada, pelos pais fantásticos que tens… - sussurrei apertando-o mais para mim

- Shiu, não agradece por isso… Eles amam você!

Um sorriso invadiu os meus lábios e seguiu-se a troca de prendas entre David e os meus pais. Ao meu pai, ele ofereceu um cartão de livre acesso aos camarotes de Alvalade o que o deixou claramente radiante, à minha mãe um perfume que eu ajudei a escolher e sabia ser o seu preferido. A ele, a minha mãe e o meu pai ofereceram umas chuteiras personalizadas com o seu nome e número, e que ele andava a namorar à uma série de tempos e eu ajudara a comprar.

- Bem, agora faltam vocês! – anunciou a minha mãe olhando para nós enquanto um casal

- Começo eu! – anunciei passando-lhe o meu embrulho – Não é nada de importante, não é nada caro, não é nada de marca, e não, não é nada milionário! Mas é do coração… - esbocei um sorrisinho

- Oh amô, tudo o que venha de você é importante! – ele roubou-me um beijo e abriu a prenda – Ai, amô! Que lindo!

Era um álbum com todas as nossas fotografias organizadas cronologicamente e contando a nossa história. Tinham encomendado aquilo a uma empresa especializada em álbuns digitais e impressão e o trabalho estava irrepreensível.

- Amei, meu amô! Foi a melhor prenda de sempre! – ele uniu os nossos lábios rapidamente, pois toda a família estava de olhos postos em nós – Agora é a sua, meu amô!

- Ui, o que é que vem para aí… - reparei que David trocou um olhar cúmplice com a minha mãe

- Vou pegar! Dois minutos! – ele saiu e regressou com uma caixa enorme e um laço vermelho

- Credo, que é isto?

- Abre e vê! – ele sentou-se no meu lado, logo depois de ter pousado a caixa no chão junto aos meus pés



Abri o embrulho muito calmamente e quando me vi livre do papel reparei nuns buraquinhos no topo da caixa, mas nem liguei. Só quando abri a caixa tudo fez sentido. Um cão completamente adorável estava no seu interior e tudo teria sido perfeito se eu não tivesse pânico de cães. Mandei um salto do sofá e coloquei-me atrás do outro disposta a não sair dali enquanto aquele cão não fosse embora.

- Amor, tu estás maluquinho?! – perguntei a tremelicar de pânico

- Não gostou? – ele riu-se baixinho

- Amor, eu tenho medo de cães, sabes disso?

- Sei, por isso mesmo… Tem de perder o medo e nada melhor do que ter um para perder o medo! – ele agarrou no cão e colocou-o no seu colo

- Amor, esquece! Não vai acontecer… Não quero esse bicho! Fica tu com ele…

- Ué, vai recusar o meu presente? – perguntou erguendo-o junto do rosto

- Vou, amor… É um cão, por amor de Deus! – ela falou, como se todos os outros fossem incapazes de ver que ser era aquele

- Um cão! Cão! – o meu afilhado correu para mexer e voltar a remexer no cão, o que não me surpreendeu porque ele era doido por animais

- Isso! Fica com ele, amor! – anunciei respirando fundo

- Posho, inha?

- Podes, amor! Podes!

- Oh amô, que é isso? Não pode nada, garoto! Essa cachorra é da sua madrinha! Vem cá fazé um carinho nela, amô…

- Eu não toco nisso, David! – todos na sala gargalhavam da situação o que aumentava ainda mais o meu estado de pânico

- Tocas, madinha! Olha, que meiguinha! – o meu afilhado afagou a pobre cadela por todo o lado

- Não, obrigada! Eu dispenso!

O meu afilhado colocou a cadela no chão e esta sem eu saber muito bem porquê, mas porque provavelmente persentiu o meu medo, correu para mim. Desatei a correr à frente dela, e era ridículo! Uma matulona de 18 anos a correr à frente de uma cadelinha minúscula, mas só parei quando me sentei no sofá, com as pernas fora do chão.

- Amô, ela não faz mal! – o David apanhou-a do chão e aproximou-a de mim

- David, tira isso daqui! – repugnei a bichinha para longe

- Larga de bobagem! Faz ao menos um carinho nela…

Quando olhei, vi aqueles dois olhinhos melosos de carinho e uma expressão adorável e ficou irresistível não lhe tocar. Meio a medo e com a mão a tremer, passei rapidamente no topo da sua cabeça. Repeti o gesto mais umas quantas vezes até ganhar mais à vontade e fazê-lo mais naturalmente.

- Pega nela, amô… Não vai fazer mal pra você te garanto!

- Amor, isso não… - torci o nariz ainda receosa

- Olha, amô… - ele passou a mão na boca da cadela e ela não o mordeu, era de facto muito calma – Não faz mal!

- Tá bem…

Meio a medo, recebi-a no meu colo e mantive alguma distância, que com o tempo se foi dissipando e conquistando o meu medo.

- Gosta dela, amô? – a mão de David parou carinhosamente na minha perna

- Sim… É bonita…

- Perdeu o medo?

- Quer dizer, David… Não abusemos, vá! – todos nos rimos

- Mas vai ficar com ela, certo?

- Tem mesmo de ser não é?

- Não tem de ser, mas se você pode perder o medo, melhor pra você! E cachorro faz sempre companhia!

- Pronto, então eu fico com ela! – sorri, não apenas porque sabia que o estava a fazer feliz, mas porque me estava a sentir também assim – Já tem nome?

- Não… Deixei isso pra você escolher! – ele sorriu-me delicadamente

- Não pensaste em nenhum?

- Sei lá, amô… Nome de cachorra normal! Laika, Lassie, essas coisas…

- Hum, isso não é muito normal!

- Quimera! – gritou o meu afilhado de forma atrapalhada

- Quimera?! – perguntei primeiramente com estranheza e analisando a cadela nas minhas mãos – Gostas?! Bem, Quimera! É giro… - sorri olhando todos

- Nunca na vida pensaria ver a minha filha, que tem fobia de cães, dona de um e com ele no colo! – o meu pai riu-se e a minha mãe também, pois sabiam bem o quão grave era a minha fobia

- Até é fofa! – disse aproximando-a da minha cara e acabei por levar uma lambidela, que foi motivo de risota para todos – Ahhhh! Que nojo! – passei imediatamente a cadela para os braços de David e a sala ficou rendida em gargalhadas


***

Depois de dias de extrema felicidade e união a viragem do Ano Novo chegou e seria passada entre amigos e familiares. Aos meus familiares mais próximos, como os meus pais e avó, juntaram-se os pais de David e os de Ruben, assim como o resto do grupo de amigos habitual. A festa foi feita na casa da família Amorim.

- 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1… Feliz Ano Novo! – gritaram todos com as garrafas de champanhe na mão

- Feliz Ano Novo, amor! – beijei David imediatamente

- Feliz Ano Novo, meu anjo! – ele prolongou a troca de carinhos entre mais uns beijos e por fim abriu a garrafa de champanhe para brindarmos

O fogo-de-artifício cruzou os céus e começou a inundá-lo de cor e magia. Entre ritmos de tonalidades intensas, o céu pintou-se para receber mais um ano e o meu corpo preparou-se para receber novamente David. Os seus braços envolveram-me por trás, pousando a cabeça no meu ombro.

Fechei os olhos e pedi um desejo: “Quero ficar para sempre com o David, para sempre…”

- Vamo’ ser muito felizes esse ano, meu amô! – anunciou sussurrando no meu ouvido

- Tenho a certeza, amor… Tenho a certeza… - sorri e deixei o meu corpo tombar completamente no dele

Uma cana rebentou com mais força no céu e eu estremeci, mas senti os lábios de David cortarem os tremores indo de encontro à pele do meu pescoço, para logo depois subirem para a orelha.

- Casa comigo… - a voz dele soou bem baixinho junto do meu ouvido, mas o barulho era tanto que até hoje não tenho a certeza se ele o disse, ou se foi somente um murmúrio inconsciente da minha alma

Mas aquele ano adivinhava-se em grande, eu tinha grandes sonhos e projectos, mas o que eu não sabia é que estava longe, mas bem longe de realizar muitos deles, dentro o qual, aquele que eu mais queria e no entanto o que mais rapidamente me escaparia…

16 comentários:

Biia disse...

Está fantastico!!!!

AMEI!!!

O Cachorrinho é tao fofinho!!!

Mais uma vez digo que esta Fantabulastico, maravilhoso, fabuloso, perfeito!!

Beijinhos!!

Continua !!

Cinefreak disse...

tá espectacular! :o
consegues emocionar, fazer rir tudo num só capitulo, demais!
a quimera é tão fofinhaa *.*, ai e aqele pedido meu deus :D
continuua, beijinhos

monik disse...

Ai!!!
Adorei
Tou sem palavras.
Bjs
Continua

Mary disse...

Ai meus deus! Que lindo!
Mas o que virá daí? Agora puseste-me tão mas tão ansiosa e cheia de curiosidade!
Mais rápido! Por favor!
Bjs

Ana disse...

fabuloso...

quero mais...

continua...

sofiarc disse...

o que irá acontecer? o:

ai, na parte do cão, eu tinha reagido exactamente da mesma maneira que a Adriana. Tenho cá um medo desses bichanos! :o
mas gostei muito :b

more more *.*

beijinho querida :) *

paula. disse...

a menina tem noção que vai levar? posta um cap sem antes me mostrar? :o
ai, ai, ai!!

amei, meu amor! está lindo, lindo!

amo-te muito, melhor amiga do mundo, minha rainha, minha mulher, és para sempre e nada nem ninguém mudará isso!

beijão! <3<3

Catarina disse...

Adorei ... Nao ha palavras para descrever o dom que tens para escrever!
Depois deste pedido devo dizer que estou mais curiosa que nunca :P
Fico à espera do proximo ...
Bjs

❣ The Pink. Eagle ❣ disse...

ADOREI!! cada dia vez com um capitulo mais delecioso! Parece chocolate, quando começamos nao queremos parar :DDD

Escreves realmente bEM!!
a lambidela da cadelinha DEMAIS! xDDD

coscorão?! tbm nao faço a minima do que seja..

Presente de fofoO!(:qero um pra mim!! <3


^^Espero anciosamente o proximo capitulo

beijinhsS ^D)

ElsaNeves disse...

Que capitulo fantástico!!! Lindo e muito engraçado.
Eu adorei a foto do cão, tão fofinho :)
Mas as ultimas frases até arrepiam...
Muito bom Dri nem sei que mais te dizer... quero ler mais :) :) :)
Beijinhos.

Annie disse...

oh meu deus, aquela quimera é tão fofinha *.*
Não os ponhas de mal de novo, pff :(

Ritááá disse...

Está fantástico!
Quero mais :D
Beijinho
Ritááá xD

Anónimo disse...

Olaaaaaaaaaaaa



Adoreiiiiiiiiii


continua :b


beijinhos :p

Anónimo disse...

ola linda kero mais va tenta fazer bjkas lindo

entreamigas disse...

Tá tão maravilhoso que até tenho medo do que virá para aí...

Mais rapidinho minha querida!

Beijinhos

Guigui

Bianca. disse...

Lindo mesmo (:
Continua.

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