sábado, 7 de maio de 2011

Capítulo 107 – Have Yourself a Merry Little Christmas (Parte IV)



- Vá, deixa-me abrir a porta e tapar-te os olhos! – pedi com um sorriso traquina

- Bem, já não ‘tou gostando disso, amô! – ele refilou fazendo um beicinho de criança

- Amor, acredita que depois vais gostar… - sorri, dei-lhe um beijinho no pescoço e com muito esforço coloquei-me em biquinhos de pés para lhe tapar os olhos com as mãos

Fui empurrando-o na minha frente, até atravessarmos a porta já aberta, a Dona Regina e o Sr. Ladislau estavam sozinhos na sala e eu via a cabecinha de quase todos da minha família, a espreitarem pela porta da cozinha.

- Amô, ainda demora muito? – o David já estava impaciente e por norma ele não gostava de surpresas, mas estava na esperança de que aquela fosse excepção

- Calma, eu vou já mostrar… - ri-me em surdina, devido ao desespero dele, que se contorcia devido à inclinação que fazia com o seu corpo para trás, para que eu lhe alcançasse os olhos

Fiz sinal com a cabeça aos pais dele de que o iria soltar, eles sorriram e a Dona Regina levantou os polegares positivamente, dando-me alvará para o fazer.

- Estás pronto, amor? – sussurrei juntinho do ouvido dele, e senti-o estremecer quando a minha respiração embateu contra a pele da sua orelha

- Estou, mais que pronto, amô! – ele esboçou um sorrisinho lindo que consegui alcançar com o olhar, espreitando por cima do seu ombro

- Então vou destapar… Um… Dois… Três! – contei vagarosamente, destapei-lhe rapidamente os olhos e tomei o lugar do seu lado, para puder ver bem de perto a sua reacção

Ele ficou hirto, olhando os pais, de queixo caído e de olhos brilhantes, completamente rasos de lágrimas.


***

(David)

Não via a minha mulequinha há uma semana, tava louco de saudade, mas os meus treinos e os trabalhos dela, não tinham permitido que fosse de outro jeito, para grande tristeza de ambos. Eu andei matutando um tempão o que eu ia oferecer para ela no Natal, sim, porque eu estava determinadíssimo em passar o Natal junto dela, mesmo que isso, infelizmente, significasse ficar longe dos meus pais. Ao fim de alguns dias pensado, recolhendo opiniões junto dos rapazes, que sugeriram desde jóias, a roupas, mas eu sabia que ela não ligava muito para essas coisas, apesar de andar sempre super arranjada e linda. Me decidi então por um presente ousado e muito arriscado tendo em conta um dos seus maiores medos, mas que eu podia imaginar uma fácil adaptação. Encomendei e apenas o iria buscar na manhã da véspera de Natal. Tentei ir junto com ela para a Quinta da sua família, mas ela não deixou, disse que tinha um negócio para resolver e eu até agradeci, pois assim fiquei mais à vontade para ir buscar o presente dela bem cedo. Quando lá cheguei a recepção feita por ela, não podia ter sido melhor. Me encheu de beijos, saciando parte do desejo que tinha dos seus lábios e do seu sabor, que eu conhecia tão bem e que já considerava meu. Mas depois disse que tinha uma surpresa para mim, eu detestava surpresas, mas confiei. Deixei então que ela me guiasse até dentro de casa e quando me deparei com meus pais bem na minha frente, fiquei muito emocionado.

- Tô sonhando! – meus olhos estavam cheios de lágrimas de felicidade, mas ainda assim meus lábios mostraram um pequeno sorrisinho

- Não está não, meu filho… - a voz doce da minha mãe, ali tão perto, me fez compreender que não ‘tava sonhando, mas vivendo a mais bela quimera de amor

- Mãe? Pai? Que cês tão fazendo aqui? – enxuguei as lágrimas que caíam do meu rosto e meu sorriso se intensificou

- Você vai querer essa resposta antes ou depois de nos dar um abraço? – ambos me abriram os braços, esperando que me aninhasse neles e foi exactamente isso que fiz

- Ai que saudade, mãe… Oh pai… - fiquei emocionado e entre o calor dos braços dos meus pais, chorei discretamente

- A gente já tá aqui meu filho, a saudade vai passar rapidinho… - minha mãe me mexeu nos cabelos e sua voz soou doce e meiga como sempre

- Como cês tão aqui? Como vieram? Porque não me disseram nada? – naquele momento, explodi todas as perguntas que me estavam deixando curioso

- Calma, meu filho… A resposta para todas essas perguntas é a Adriana! Ela que nos fez chegar até aqui, meu anjo! – minha mãe me esclareceu imediatamente e meu coração derreteu

Olhei para ela, meu mundo fixou naquele ser lindo, que de olhos húmidos me olhava, emocionada, por aquele momento lindo, e que havia sido proporcionado por ela. Naquele momento defini um monte de ideias, que até aquele momento, eu sentia, mas não tinha nem a mínima noção. Só ela era capaz de me dar a coragem que eu precisava. Só ela era capaz de me dar o amor que eu precisava. Só ela era capaz de me fazer sorrir apenas com um sorriso. Só ela era capaz de despertar o que havia de mais belo em mim… Porque o que havia de mais belo em mim, era ela! E eu não era feliz só porque estava com ela, eu era feliz porque ela me completava, me fazia sentir um homem de verdade, como nunca antes havia experimentado. E eu era feliz desse jeito, tendo ela do meu lado, todos os dias, me dando, mais e mais provas de amor. Era feliz porque a amava, era feliz porque ela me amava, era feliz porque ela me fazia sorrir e me fazia chorar. Era feliz porque toda a hora tinha uns braços para onde correr se algo desse errado, era feliz porque ela me amava, mas por vezes era fria… Era feliz, era feliz por tudo e por nada, por todos os motivos e por nenhuns… Era feliz e nem sabia bem explicar porquê! E ser feliz sem motivo específico é a mais autêntica forma de felicidade. Naquele momento ela me disse as suas mais belas palavras de amor: suas lágrimas de felicidade, ao me ver feliz. Elas provocaram um insano estado de alegria e uma sensação esmagadora dentro de mim.

- Foi você que trouxe eles, amô? – perguntei com um sorrisinho meio nervoso nos lábios

- Fui… Espero que não fiques chateado… - ela torceu os seus labiozinhos e nariz

Pô, eu nunca gostei de surpresas, mas como não gostar daquela? Como não gostar que a mulher da minha vida, que eu tanto amava, se tivesse preocupado comigo, com o meu bem-estar e tivesse trazido para junto de mim as pessoas que faziam meu mundo girar e meu coração bater?

- Chateado, amô? Chateado? – avancei na direcção dela, que coitadinha me olhava com uma cara de desespero e a abracei, com todas as minhas forças – Eu tô é mó feliz, amô! – escondi meu sorriso nos
cabelos dela e os afaguei com carinho

- Gostaste, amor? – ela se libertou de meus braços e colocou nossos rostos frente a frente, olhos nos olhos

- Eu amei! Foi a melhor coisa que podia ter feito para mim! – acariciei seu rosto ao de leve, com carinho e delicadeza

- Só queria que pudesses passar o Natal comigo, mas teres do teu lado a tua família como eu tenho a minha… - ela esboçou um sorriso lindo, verdadeiro, que desde que me apaixonara, se tornara a única razão de eu querer viver cada dia, mais intensamente do lado daquela mulher

- Cê não existe, garota! Eu nem te mereço! – desabafei o que por vezes cruzava minha cabeça

Acho que nunca tinha conhecido menina tão doce, tão madura e tão altruísta como ela… E se o que me fez admirar ela no início foi isso, a sua preocupação comigo, foi o que rematou tudo e me fez apaixonar.

- Shiu… Não digas isso! – ela me silenciou passando seu indicador sobre meus lábios meio gretados pelo frio do Inverno português

- Digo a verdade, cê é boa demais para mim…

- Shiu! Somos perfeitos um para o outro, na medida certa! – ela sorriu mais uma vez e meu coração acelerou que nem um louco e logo depois se acalmou

- Te amo… - sussurrei pertinho dos seus lábios quase pronto para a beijar

- Eu também… - ela respondeu quase num sopro, porque eu uni nossas bocas rapidamente para matar minha saudade e para agradecer por me fazer tão feliz

- Como cê fez isso tudo sozinha, amô?

- Fácil, liguei à Dona Regina, fiz-lhe o convite e do resto tratei eu! Arranjei duas passagens, mandei-as para lá e hoje só tive de ir buscá-los! – ela me sorriu de forma astuta, não passava nada àquela cabecinha mesmo

- Cês tavam feitos com ela, é? – eu me ri, passando minha mão na cintura dela e alcançando meus pais com o olhar

- Teve que ser, meu filho… Tudo por você! - o meu pai me piscou o olho, eu sorri para ele e recordei a conversa que havíamos tido os dois quando no Verão levei ela no Brasil para todo o mundo a conhecer

Minha opinião se mantinha a mesma, e eu acho que nunca iria mudar… Ela foi, era e sempre seria a mulher da minha vida. E eu já podia imaginar a gente se casando, tendo nenéns, meu quadro de felicidade tava esboçado, só faltava a ajuda dela para passar a tinta.

- Tô vendo que se uniram todos contra mim! – os três se riram e eu me juntei neles

- Foi por uma boa causa, amor… - ela rodeou minha cintura com seus braços e passou a mão na minha barriga

- Foi sim… A melhor causa de todas, meu amor! – dei um beijo no topo da cabeça dela, que era o mais próximo devido à nossa diferença de alturas

- Bem, os teus pais já estão instalados, vamos tratar de ti?

- Vamo’, amô! Tô morto de cansaço!

- Cansaço? Mas não dormiste de manhã, amor? – perguntou erguendo a sobrancelha e eu quase que fui apanhado

- E cê ainda me há-de dizer, desde quando é que eu não tenho sono, muleca! – meus pais se riram e eu também

- Caracole! – a vozinha do afilhado dela se fez ouvir

- Oh mocinho! – me baixei, abri os braços e aconcheguei o menino nele – Caraca, cê tá muito grande, garoto!

- Tu que tás gande! Quando é que palas de crescer? – o menino inclinou a cabeça e me olhou de um jeitinho confuso, foi inevitável não nos rirmos

- Ué, eu já parei de crescer, molequinho! – passei minhas mãos nos cabelos dele

- Palaste? Não palece! Estás cada vez maiole, ou isso ou eu tou a ficale mais pequenininho… - ele encolheu os ombros revelando a sua completa ignorância e inocência perante o assunto

- Nada disso, garoto! Não se preocupa que qualquer dia desses cê vai ser grandão que nem eu! - sorri para ele tentando tranquiliza-lo

- Vou sele maiole que tu! – o menino agitou a cabeça e saltou dos meus braços

- Vais, amor… Vais ser enorme, agora vai ter com a mamã que o David precisa descansar… - o meu amô, descartou o menino para que eu pudesse subir e repousar um pouco

- Não! O David é meu, madinha! Deixa de sele ciumenta! – o garoto saltou para o meu pescoço e meu encheu o rosto de beijinhos

- Olha, é teu onde ó meia leca? – ela olhou para o menino, colocando a mão na cintura

- Meia lheca? Meia lheca és tu, madinha! – o menino respondeu direitinho para ele e eu quebrei na risada

- Estás a rir-te é? – ela me deu um safanão nos cabelos e eu me ri ainda mais – Isso, riam-se! Riam-se os dois… Á pala dessa, hoje dormes sozinho, David Marinho! – ela anunciou isso de um jeito sério e eu fiquei olhando

- Caraca, nem brinca, amô! – revirei os olhos e torci o lábio

- Gostas tanto aí do pinchavelho que podes ficar com ele… - ela revirou os olhos como eu e vi seu jeitinho de menina, que teimava aprisionar um sorrisinho

- Amô, gosto mais de você! – coloquei minha mão na perna dela, pois agachado no chão junto do menino era o mais próximo que conseguia alcançar

- Assim a conversa é outra! – ela sorriu e se inclinou para me dar um beijo nos lábios

- Nada de beijinhos, que o tio Francisco não quer dessas coisas na casa delhe! – o menino interrompeu, e podia ser pequeno, mas sabia bem as regras do pai da Adriana o que claro, provocou risada em todo o mundo

- O que é que eu não quero na minha casa, ó pequenote? – o pai dela surgiu e segurou o menino nos braços

- Beijinhos, tio! O David e a Madrinha iam dar um beijinho! – o pequeno dos entregou de bandeja para uma das figuras que mais me intimidava naquela casa

- Olá, David! – agente se cumprimentou com um aperto de mão leve e firme

- Oi, Sr. Francisco! – respondi tão formal e educado como consegui

- Como estás, rapaz? Como vai esse Benfica?

- Oh pai, nem venha… Todos aqui sabemos que lagarto como é está é desejoso que o David lhe revele os segredos dos campeões! – o Sr. Francisco se riu e a minha muleca também

- Oh filha, tu não dás tréguas! Nem em tempo de Natal…

- Oh pai, aí é quando dou menos tréguas! Já sei como fica furioso de ver tudo coberto de encarnado! Tipo estádio da luz, está a ver…? – novamente toda a sala se encheu de gargalhadas

- Pronto, lá estás tu a provocar-me!

- Oh amô… Deixa seu pai! Eu tou bem e o Benfica vai muito bem, Sr. Francisco! E o senhor como tem passado? – sorri para aquele que eu podia um dia chamar de meu sogro, pois seria sinal que do meu lado ia ter ela e só ela

- Bem obrigada… - ele me sorriu de forma tranquila, havia qualquer coisa nele diferente.

Parecia estar menos na ofensiva e somente preocupado com a felicidade da filha e a união da família, o que de certa forma me deixou feliz, pois parecia que tinha encontrado a carta-branca para seguir do lado de Adriana para sempre.

-David! – a mãe dela surgiu na porta da cozinha e me abraçou

A relação que mantínhamos era muito cúmplice, quase de filho e mãe e era assim que ela me pretendia tratar desde sempre, para a felicidade da filha e porque parecia gostar mesmo de mim.

- Oh Dona Isabel! Como a senhora está? – perguntei educado e tomando o lugar perto da minha Adriana

- Estou bem, obrigada… E tu, meu filho?

- Tou bem também! Depois da surpresa da sua filha, muito melhor, né?

- Bem, amor, agora que já viste toda a gente, vamos para cima que precisas de te instalar, descansar um bocadinho e preparares-te para o jantar! – ela me apertou para junto do seu corpo e eu passei meus braços
sem seus ombros

Pedindo a devida permissão, subimos até ao primeiro andar e entrámos no quarto que pertencia à minha muleca, mas que naqueles dias, ela iria dividir comigo…

15 comentários:

Unknown disse...

Como sempre, está fantástico... mas agora quero saber qual é a surpresa!!!

Continua

Beijocas :D

Mary disse...

Lindo! Lindo! Lindo!
Estás fantástico como sempre!
Adoro o afilhado da Adriana. É tão fofinho!
Ansiosa pelo próximo!
Bjs

paula. disse...

amei tanto, meu amor! tanto, tanto (...)

love you more than anything!

kisses <3<3<3<3

Ana disse...

fantastico...

quero mais...

continua...

monik disse...

Adorei
Amei
Delirei
Quero mais...
Bjs

entreamigas disse...

Era impossível ele não ter amado a surpresa, né?!

Adorei minha querida! Quero mais =)

Beijinhos

Guigui

Joana #14 disse...

Amei, cara! Quero mais, 'cê ouviu bem? (quer dizer, leu xb) Pode postar mais e rapidinho, moça?
Beijocas,
My Love 14

Catarina disse...

Adorei a reacção do david e como é obvio adorei o capitulo!
Fico à espera do próximo :D
Bjs
Catarina

Anónimo disse...

Olaaa


Esta lindo ,lindo,lindo


quero mais :d


beijinhos


Annie

Ana Sousa disse...

Eu amo, amo e amo :D
Não há muito mais a dizer, isto é talento. E muito mais do que isso!
Não vou deixar de ler isto :)
Beijinhos
Ana Sousa*

Anónimo disse...

mais kero mais

Biia disse...

Está fantastico!!! como já nos habituastes a estes capitulos maravilhosos!!

Quando voltas a postar Dri?
Beijinho!!

sara disse...

adoro o blog continua
bj
http://celebritielove.blogspot.com/

Anónimo disse...

adorei Dri!
Pra não variar :D
Quando postas mais? Rapidinho, shiim *.*

Bianca. disse...

Como sempre está fantástico. (:
Continua.
Beijo.

Enviar um comentário