quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Capítulo 112 - A vida segue... (Parte VI)



A claridade matutina, que trespassava pelos leves cortinados de cetim do meu quarto, embateu nas minhas pálpebras cerradas e aos poucos acabou por levar a melhor, obrigando-me mesmo a despertar.
Apesar de ter dormido pouco, tendo em conta a confusão da noite anterior, dormi bem… Senti todo o meu corpo relaxado, como se tivesse descansado durante umas exageradas doze horas. Não me sentia assim desde que deixara de ter a meu lado a companhia de… Pronto, lá estava ele a assombrar-me de novo os pensamentos, depois de tanto esforço que eu fizera para me esquecer de tudo o que tínhamos vivido num passado, que ainda se demonstrava bastante recente. Depois da noite que tive com o David, senti-me totalmente incapacitada de dedicar uma parte da minha manhã a passear pelas ruas parisienses com Diogo, mas já havia dado o meu sinal de confirmação com uma mensagem na tarde anterior, portanto nada mais me restava, senão acatar as ordens do fatídico destino, que aos poucos me minava com as mais dolorosas recordações do passado.  
Tomei um duche de água fresca na espectativa de que isso me refrescasse um pouco as ideias, que ainda se apresentavam contorcidas pela última declaração de David na noite anterior… Afirmação essa que ainda martelava em meu peito, sempre que o recordava… Chamando o meu nome uma última vez, apenas para dizer aquilo… “O nosso título é de amigos, mas o sentimento é outro…”. Agitei a cabeça diversas vezes de forma expulsar aquela frase do meu pensamento e enrolada num toalhão de banho branco, com as insígnias do hotel bordadas no rebordo, caminhei até ao meu quarto. Apressei-me a vestir qualquer coisa simples e que me permitisse andar confortável durante todo o dia e rematei o visual com uma simples, mas trabalhosa trança embutida lateralmente e uma maquilhagem em tons claros e igualmente discretos.



- Cá vamos nós! – disse a mim mesma, enquanto colocava a mala no ombro e percorria o quarto com o olhar uma última vez, para garantir que nada era deixado para trás, num acaso de pressa e correria, que haviam sido uma constante nos últimos meses

No visor do meu Blackberry, constatei que já eram nove e meia e que por isso já não corria qualquer risco de encontrar nenhum dos jogadores do plantel encarnado, pois àquelas horas já se encontravam no primeiro treino do dia, que eu bem sabia ser o que mais custava aos meus dois rapazes, David e Ruben, tendo em conta a enorme preguiça que apresentavam nas primeiras horas da manhã, enquanto mandriavam debaixo dos lençóis.
Caminhei então até ao quarto do Diogo sobre os meus pés vacilantes e modestamente tremelicantes, mas que me conseguiram guiar até ao destino, que tinha como lugar a enorme porta de carvalho, que correspondia a uma das suites mais caras e luxuosas do hotel onde ele estava hospedado.

- Já vai… - ouvi uma voz grossa e de homem, que se denunciou imediatamente como sendo de Diogo, do outro lado da porta

- Olá… - respondi um pouco sem jeito, assim que a sua imagem em tronco nu surgiu na minha frente, envergando somente uns boxers

- Bom dia, pequenina… - ele limitou-se a sorrir, camuflando todo o seu constrangimento pelo traje que vestia, ou pela falta dele, e beijou-me o rosto carinhosamente - Desculpa estar assim, mas acabei de acordar… Não pensei que fosses tu!

- Eu mandei-te ontem mensagem a confirmar o passeio… - relembrei, deixando a minha cabeça inclinar-se levemente para o lado direito do meu corpo, encobrindo a vergonha, que me sucumbia a alma – Mas senão puderes, tudo bem… Fica para outra altura!

- Nada disso! Se eu vi a mensagem e respondi é porque estou mais do que disponível para esse passeio! – um sorriso delirantemente belo rasgou-lhe o espaço livre entre os lábios e domou tudo aquilo que o meu olhar alcançava – Mas já sabes como é… Estive a trabalhar até tarde e agora deixei-me dormir, mas se me deres dez minutinhos, eu fico já pronto!

- Oh… Se preferires fica a descansar, a sério! Eu sei como é trabalhar até às tantas…

- Não te preocupes… Eu já descansei tudo! Dá-me só dez minutinhos e vamos ao nosso passeio! – firmou o nosso combinado, com um sorriso nos lábios e passeando os dedos pelos cabelos levemente despenteados, que lhe cobriam o topo da cabeça

- Pronto… Sendo assim eu espero-te lá em baixo, pode ser?

- Pode, claro… Mas não queres entrar? Eu garanto, que não está o quarto mais arrumado do mundo, mas ainda está capaz de receber uma senhora! – proferiu entre gargalhadas sonoras e que já não ouvia da sua parte há algum tempo… há tempo demais até

- Não… Obrigada pelo convite, mas espero por ti lá em baixo! – sorri-lhe de forma educado ao recusar o convite e verguei a minha cabeça na sua direcção – Vou andando então… Até já!

- Até já, pequenina… - a porta do seu quarto encerrou-se na minha frente, indicando-me o caminho rumo ao piso inferior

Foi no elevador que me desloquei até ao rés-do-chão, onde inesperadamente encontrei Alice na sala de refeições, tomando o pequeno-almoço sozinha.
Envergava a sua típica camisa, que naquele dia era vermelha e uma saia travada, que lhe acentuava a bela silhueta quadragenária e lhe dava pouco mais acima do joelho. Os cabelos loiros, levemente alaranjados, estavam presos um suave puxo, que se erguia no topo da cabeça e naquele dia o batom vermelhão, que lhe costumava cobrir os lábios, havia sido substituído por um tom natural.

- Bom dia, Alice… - cumprimentei ao mesmo tempo que deixei a minha mala tombar sobre uma das três cadeiras livres da mesa onde ela se encontrava

- Bom dia, Adriana… Já de pé? – inquiriu, logo após ter dado um trago na chávena de café, que tinha na sua frente sobre a mesa

- Sim… Tinha combinado aquele passeio com o Diogo, eu disse-te! – relembrei ao roubar do seu prato uma uva verde, que depressa trinquei, numa pose descontraída, despojada de qualquer preocupação

- Sim… Com aquela confusão de ontem esqueci-me, mas vou já providenciar a tua segurança! Dá-me só cinco minutos para ligar ao Sérgio, que ele desce já…

- Não, Alice… Não me parece que vá ser necessário, porque está ali o Paulo, ele vai comigo! – não me coibi de revelar um sorriso levemente provocador, assim que compreendi a sua falta de vontade em mantê-lo na equipa de trabalho depois de um erro patético, que não tinha absolutamente nada de grave… pelo menos aos meus olhos

- Não… O Sérgio vai, eu prefiro!

- Não estás a perceber… Eu garanto que quem vai é o Paulo e não se fala mais no assunto! – firmei a minha condição com um sorriso e olhar espicaçado, que se traduziu numa vivacidade furiosa da Alice

- E onde raio está o teu querido amigo Diogo? – perguntou-me num laivo de escárnio, cruzando as mãos em frente ao rosto e pousando aí o seu queixo altivamente

- A acabar de se arranjar… Desce daqui a pouco, porque combinámos encontrar-nos no átrio! – esclareci num desdém permuto, que começava a azedar a troca de palavras entre nós e por isso mesmo decidi pôr termo àquilo que adivinhava ser uma altercação mais acesa – Por isso mesmo vou andando… Logo estarei no ensaio a horas! – informei, colocando ao ombro a minha mala e pousando os óculos no cocuruto

- Não te atrases, Adriana… - eu já ia longe, quando escutei o seu aviso e limitei-me a erguer o polegar no ar como sinal positivo e segui o meu caminho, sem me preocupar mais com as possíveis represálias da minha agente

- Bom dia, Paulinho! – cumprimentei-o com um beijinho repenicado na face, assim que o encontrei, fardado com o fato escuro de sempre, e levemente encostado a uma das colunas do átrio

- Bom dia, menina… Já acordada tão cedo? – questionou num rasgo de confusão perfeitamente justificável tendo em conta as altas horas a que me costumava levantar e isso já não era segredo para ninguém, especialmente para aqueles que me tinham acompanhado nos últimos meses daquele Verão

- Já, Paulinho… Bem acordada e a precisar dos seus adorados serviços! – indaguei com um enorme sorriso nos lábios e deixando a minha mão pender sobre o seu ombro, antecedendo o meu pedido – Vou precisar que me acompanhe num passeio pela cidade… Mas desta vez levo companhia!

- Agora de manhã, Adriana?

- Claro… Depois do almoço tenho o café com o Ruben, ao final da tarde o ensaio, por isso só poderia mesmo ser agora! – esclareci com um sorriso brilhante nos lábios, preparando os muitos outros que com certeza iria esboçar naquele dia e pelas mais diversas razões… que mal eu poderia imaginar

- Então e essa companhia… Posso saber quem é? – creio que as esperanças de Paulo se depositaram vagamente numa possível reconciliação com David e por isso mesmo, algo o levou a crer que seria então ele o meu consórcio no passeio matinal
- Claro que pode, Paulo… É o Diogo, aquele meu amigo…

- Aquele seu amigo? Mas eu pensava que ele era o seu ex-namorado…

- E é, Paulo, mas uma coisa não invalida a outra! – esclareci-o prontamente recorrendo a argumentos que há meses atrás, nem eu própria teria acreditado tendo em conta o último confronto que havia tido com Diogo e no qual este não se tinha apresentado tão maturo como agora o conhecia

- A menina está a brincar com o fogo… Se bem me lembro do que me contou, esse rapaz não é flor que se cheire… - alertou ao recordar a conversa que havia tido com ele no início no Verão, quando aos poucos ele aprendia a ser um dos meus maiores confidentes

- Não se preocupe, Paulo… O Diogo está muito diferente do puto estúpido e mimado que era, agora é um homem!

- Oh menina… Olhe que ninguém muda assim de um dia para o outro, especialmente de forma assim tão radical… Tenha cuidado com esse rapaz, depois de tudo o que ele já lhe fez, não é muito de confiar…

- Não se preocupe, Paulo… Eu tenho tudo sobre controlo! Não existe o mínimo risco de eu me voltar a apaixonar por aquele troglodita… Somos apenas amigos! - esclareci-o de forma imediata, num tom de voz bem colocado por todas as certezas que dizia sentir

- A Adriana é que sabe, mas tenha cuidado…

- Claro que sim, Paulo… Pode ficar sossegado! – um breve aceno de cabeça foi o suficiente para serenar o coração do meu pobre segurança, que certamente via em mim a filha adolescente que não tinha e em quem implantava uma dose extra de preocupação

- Mas menina…

- Sim, Paulo...

- Não tem medo…? - começou por dizer, provocando em mim uma extrema confusão, muito própria de quem não estava a compreender a sua conversa, mas rapidamente ele se apressou a dar continuidade à questão – Não tem medo que o David a veja com o Diogo?

- Não… Eu sou livre que eu saiba, não devo explicações a ninguém, muito menos ao David, por isso se ele nos vir juntos, que pense o que quiser! Eu sei bem aquilo que sinto…

- Tenha cuidado, menina… Já a vi assim decidida e acabou magoada por causa do David! Não se esqueça que ele não gosta nem um pouco do Diogo…

- Pois a mim não me importa aquilo de que o David gosta ou não… Sou livre, maior de idade e perfeitamente capacitada para escolher os meus amigos! – declarei num tom imperativo, tendo em conta o estado de “nada” que me unia então a David, por muito que isso fosse contra a vontade do meu coração

- A menina é que sabe, mas depois não diga… - antes que o Paulo concluísse a tão notória e afamada frase, eu interrompi-o, dando asno para que a mesma fosse completada… mas por mim!

- … que não me avisou! Sim… Eu sei! – revirei os olhos ao suprimir no meu pensamento o cliché que se havia tornado tal aviso… afinal por muito que as pessoas o fizessem, acabávamos sempre por sair magoados de uma forma ou outra e eu sabia bem do que falava, pois melhor do que ninguém conhecia aquela amargo sentimento

- Ora, bons dias! – assim que aquele timbre perfeito inundou o espaço, espreitei por cima do meu ombro de modo a confirmar as suspeitas e estas confirmaram-se assim que perscrutei o rosto de Diogo

- Bom dia, senhor! - cumprimentou Paulo, somente por uma questão de educação, pois eu bem sabia que não lhe gostava nem um pouco Diogo e se ainda tivesse alguma dúvida acerca disso a conversa anterior tinha-o confirmado

- Estava a ver que não, Diogo… Foi quase uma hora, ainda falam das mulheres! – indaguei enquanto permitia ao meu corpo rodar sobre os próprios pés, de forma a posicionar-me na frente dele e manter uma conversa

- Desculpa a demora, mas a minha agente ligou-me e estive a acertar uns detalhes com ela… Foi por isso que demorei tanto tempo! – desculpou-se naquele exacto momento, envergando uma expressão carregada de culpa por me ter deixado à espera

- Então sendo assim… estás desculpado! – afirmei, mostrando-lhe um dos meus maiores e melhores sorrisos – Agora vamos embora que ainda não tomei o pequeno-almoço e daqui a pouco dá-me o fanico! – proferi numa pose espevitada, que rapidamente o contagiou com as minhas gargalhadas fartas de boa disposição

- Vamos a isso! – senti-o tomar o espaço vago na minha retaguarda e posicionar as mãos em meus ombros, empurrando-me num movimento cordialmente leve na direcção da porta da saída para assim darmos início ao nosso passeio

Recordo-me plenamente dos segundos maravilhosos que perdulariei naquela nova busca por Paris… Passei por sítios que já na tarde anterior havia visitado, mas agora pareciam-me então muito mais perfeitos, amorosos e repletos de encantos mil. Apesar do Paulo não me ter deixado sozinha com Diogo um segundo que fosse, manteve um diminuto espaço na nossa retaguarda… Pelo menos o suficiente para eu conseguir manter uma conversa informal com Diogo, conservando toda a minha privacidade. Nem eu, nem ele, tínhamos ainda comido o que fosse logo pela manhã e assim que passámos às portas do “Le Café Bleu", onde tinha lanchado no dia anterior, o meu estômago deu sinais de fraqueza e vi-me obrigada a deter-me junto da esplanada.
Como um cavalheiro que não era, mas que aprendeu a ser, puxou-me a cadeira dando indicação para que me sentasse e no final da majestosa primeira refeição do dia, pagou toda a despesa, apesar de termos discutido um pouco àcerca do assunto. Foi em completo ambiente de descontracção que demos continuidade ao passeio, que nos arrastou entre um e outro dedo de conversa até àquele que havia sido sempre o grande ícone da cidade do amor... A Torre Eiffel.

- Então o concerto é amanhã e só hoje tens o primeiro ensaio? – inquiriu num laivo de surpresa, que rapidamente se apressou a domar-lhe todas as expressões que lhe estampavam o rosto

- Sim… Já perdi a conta há quantidade de vezes que repeti o concerto este Verão, por isso não existem grandes probabilidades de alguma coisa correr mal… - esclareci, enquanto retirava uma pastilha de mentol da mala e a colocava na boca

- Uau… Isso é mesmo coisa de vedeta! – foi inevitável não me rir do modo descontraído e cómico com que Diogo falou, juntando-se também ele a mim no momento de extravasar o sentimento – Há imenso tempo que não me ria assim… - acabou por confessar, ainda com um sorriso meigo nos lábios

- Nem eu… Há muito tempo mesmo! – recordei com nostalgia os últimos momentos tempestivos que passara sozinha… longe dos amigos, da família e do homem que ainda amava muito, mas não era mais meu, infelizmente

- Obrigado… Está a ser uma manhã muito agradável! Pelo menos mais do que as dos últimos tempos… - desabafou numa respiração entrecortada pelos instantes de sofrimento que lhe corrompiam a alma ao relembrar a ex-namorada

- Não fiques assim… Há coisas que já têm de ser! Talvez essa fosse uma delas… - indaguei, tentando mantê-lo tão animado quanto possível, tal como ele fizera comigo segundos antes

- Eu gostava mesmo dela… Podia parecer até que não, mas era doido por ela! Só não mostrava muito… Tu sabes como sou!

- Sim, eu sei… Nunca foste de grandes demonstrações de amor! Um dia que isso aconteça é porque essa rapariga te fisgou de vez… - mais uma vez ambos gargalhamos com a minha observação, recordando todas as raparigas com quem Diogo tinha tido algum tipo de envolvimento durante o nosso secundário

- No dia que essa bem dita rapariga aparecer, coloco-lhe um anel no dedo e levo-a ao altar! – afirmou seguro da sua aparente promessa, mantendo nos lábios o sorriso descontraído, que tão bem o caracterizava

- Acabou porquê? – questionei amedrontada por uma possível má reacção da sua parte, mas esta não chegou a acontecer… surpreendentemente abriu o jogo comigo, deixando exposto o coração e alma, como nunca antes lhe havia conhecido – Tu e a tua namorada…

- Ela acabou comigo… Disse que as minhas constantes ausências não eram mais suportáveis e que não acreditava que pudéssemos funcionar juntos, por isso ficámo-nos pela amizade! – quando observei o seu rosto, vi que o seu olhar se encontrava preso no andar intermédio da magnifica Torre Eiffel, mas assim que o encontrei de novo em mim, tentei disfarçar ao máximo a ideia de que o tinha estado a analisar atentamente

- Por vezes é mesmo melhor assim… Mais vale restar uma bela amizade do que a mágoa de uma relação falhada…

- Então porque é que contigo e o David não foi assim? – inquiriu perspicazmente, deixando-me encurralada entre a espada e a parede, ao deparar-me com tão difícil questão

- Eu e o David somos uma história à parte… Ou melhor! Éramos…

- Tu ainda gostas dele e tenho quase a certeza que ele sente o mesmo… Pelo menos pela maneira como vocês viveram o vosso amor, não acredito que ele se tenha desvanecido tão rápido…Logo… Não são uma história à parte!

- As coisas não são tão fáceis, Diogo… Nem sempre um mais um, são dois… Por vezes são necessárias fórmulas para chegar a essa conclusão e eu e ele perdemo-nos nas nossas! Há já algum tempo… - declarei calmamente, apesar do assunto em questão ser extremamente delicado e ainda provocar em mim um turbilhão de emoções… tantas, que podia então sentir o coração martelar o meu peito que nem um doido inconsequente

- Vocês tiveram o fim mais sem jeito de sempre… Nem falaram em condições! Magoaram-se que nem dois parvos e no final, o motivo que originou a separação, acabou por nem se concretizar!

- Foi Deus que quis assim… Este era o nosso destino, infelizmente… - afirmei, sentindo em mim a fatalidade de cada palavra proferida pelos meus lábios, sabendo que estas haviam sido encomendadas pela resignação imposta pelo fado triste que delineava a minha história de vida

- Vocês nem se falam… Aliás, estão no mesmo hotel e ainda nem se viram! – exclamou ao constatar um facto, que até à noite do dia anterior, também me havia incomodado demasiado, apesar de não ter tido a ousadia e coragem de o procurar para termos uma conversa matura … de amante para amante

- Quem disse? – questionei, deixando o meu corpo estancar e posicionar-se junto de uma ponte, somente suportando-se nos cotovelos

- Já estiveram juntos? – perguntou revelando todo o seu entusiasmo na voz, como se partilhasse da mesma felicidade que eu e estivesse a torcer para que aquela história terminasse com o final feliz que todos queriam ver

- Sim… Ontem à noite! – preparava-me para dar mais pormenores da noite anterior, mas uma tosse reprovadora por parte de Paulo, que pobre coitado, a morrer de cansaço, ainda nos seguia naquele moroso passeio

- E falaram? Resolveram tudo de uma vez?

- Oh Diogo… Sabes que Paris é a cidade do amor, não dos milagres! – indaguei com escárnio, percorrendo com um simples olhar toda a sua figura amadurecida de homem

- Não sejas engraçadinha… Alguma coisa deve ter acontecido! Falaram pelo menos?

- Sim… Falámos muito seriamente! – recordei com tristeza o acordo que ambos havíamos firmado na noite anterior, selando a nossa nova condição de amizade

- E então? Fizeram as pazes…? Marcaram alguma coisa?

- Não… Claro que não! – abanei a cabeça de um lado para o outro de modo a conseguir afastar todos aqueles pensamentos fantásticos que ele sugerira, mas que em nada se igualavam ao momento vivido com David – Apenas decidimos manter uma boa amizade para evitar o constrangimento do grupo de amigos…

- Amigos… Vocês os dois? – perguntou levemente irritado pela minha passividade face a um assunto que me era tão importante, mas acerca do qual eu queria manter a calma e distância suficiente para não voltar a sofrer

- Sim, amigos… Acordámos os dois que seria de facto o melhor e a partir de hoje posso finalmente seguir em frente com a minha vida! – proferi num suspiro mirabolante, que me acutilou o coração das formas mais impiedosas possíveis

- Tu não podes estar boa da cabeça… Onde está aquela convicção de há um ano e tal, quando me disseste que o amavas? Que era a ele que querias…

- Essa convicção foi-se… Já me conformei que somos sentimentos passados! Aliás, nem sei porque estamos novamente a martelar neste assunto, Didi!

- Porque sou teu amigo, sei que gostas dele e estás a sofrer com isto tudo…

- E que importa isso… Hum? Que importa isso se muito poucos são aqueles que querem saber do jeito que realmente me sinto? – questionei a mim própria, enquanto os meus braços tombavam sobre o pequeno muro, recebendo a minha cabeça num aconchego profundo – Só quero esquecer, Diogo… Esquecer!

- Tu sabes que nem sempre fui o amigo que tu precisaste que eu fosse… Mas agora estou aqui… - senti o seu corpo bem do lado do meu e o seu braço cair suavemente sobre os meus ombros, de jeito a puxar-me para mais perto, na esperança de um conforto onde pudesse afagar as minhas mágoas – Estou aqui para tudo…



***



- Obrigada pela companhia… Muito obrigada! – agradeci que modo singelo, quando já nos encontrávamos na porta do hotel onde ambos estávamos instalados

- Não tens nada que agradecer… O prazer foi todo meu, Adriana! – um sorriso despoletou em seus lábios, recordando os momentos agradáveis e as conversas privadas que tínhamos partilhado naquela manhã

- E quando é que te volto a ver? É que contigo é só de ano a ano, oh desaparecido!

- Hoje ao final do dia regresso a Lisboa e devo viajar para os Estados Unidos daqui a uns dias… Só retorno quando a faculdade começar! – informou-me numa pose modesta, mantendo as mãos enfiadas nos bolsos e as mangas da camisa azul axadrezada, dobradas e arregaçadas até à zona dos cotovelos

- Vês? És mesmo um desaparecido! – confirmei a minha teoria, levando-nos a ambos a rir que nem dois perdidos, totalmente dilapidados da razão e bom comportamento

- Nada disso… Eu prometo que vou dando sinais de vida e mantendo contacto! – prometeu, conservando em seus lábios o sorriso mais bonito que alguma vez o vira esboçar

- Olha que eu vou cobrar isso! Vou cobrar tudo! – ameacei-o, espevitando no ar o meu indicador, que rodopiou freneticamente, expressando a minha altivez… seguiu-se então um compasso de espera preenchido por duas respirações pesarosas – Obrigada, Diogo… Obrigada por tudo!

- Não tens de me agradecer…

- Tenho sim… Obrigada por esta manhã, por esta companhia, por me teres ouvido… Por me teres dado força! Obrigada! – agradeci sinceramente, plena de que nos últimos tempos nunca ninguém me prestara tamanha solidariedade frente à atitude que tomara para com David

- Sempre que precisares estarei aqui… - tomou-me então em seus braços, recolhendo para si mais uma vez, toda a tristeza que se apoderara de mim, trazendo consigo as piores memórias do passado tão recente – Para tudo…

- Obrigada… Obrigada! – beijei-lhe meigamente a bochecha direita e senti os seus lábios fazerem o mesmo no meu rosto – Boa viagem!

- E tu… Bom concerto! E juízo nessa cabecinha! – aconselhou, passando os dedos freneticamente no topo da minha cabeça até conseguir desalinhar todos os fios de cabelo que a cobriam

- Vou tentar… Prometo que vou tentar! – confirmei, mantendo um sorriso tolhido nos lábios

- Assim é que eu gosto! Cuida de ti, miúda… - senti o toque inebriante dos seus lábios contra a pele da minha testa e automaticamente arrepiei-me, sem encontrar qualquer causa aparente… talvez fosse porque notei naquela caricia um carinho desmedido, que ele nunca tivera comigo

- Tu também… - murmurei numa respiração vencida pelo momento de nostalgia… pois na verdade eu e ele teríamos tudo para dar certo, mas o meu coração pertencia e iria sempre pertencer a outra pessoa, mesmo que ela não estivesse mais do meu lado

Vi-o partir… Partiu. Deixou-me sozinha, vítima do destino que haviam traçado para mim e do qual não conseguia, nem podia mais fugir. Os dois únicos homens que realmente me haviam amado, partiram deixando-me só… David e Diogo.
E seria aquele o meu fado? Estaria destinada a ficar sozinha, sem ninguém que me acompanhasse durante a vida, num apelo de misericórdia?
Deixei que o Paulo ocupasse o espaço vazio, que então vagou do meu lado esquerdo e tomei-lhe o braço, como se de um amigo se tratasse, para caminharmos lado a lado até ao centro de treinos… em total silêncio.

- Creio que o treino ainda não tenha acabado, menina… - informou-me, quando já nos encontrávamos perto da rede que separava o extenso relvado, onde os jogadores disputavam uma peladinha, do longo passeio onde nos encontrávamos

- Eu espero… Tenho tempo! – apesar de tal afirmação, não consegui controlar um olhar nervoso sobre o relógio que latejava no meu pulso direito, temendo não ter tempo suficiente para estar com Ruben antes do ensaio que me esperava no final do dia

- Não pode chegar atrasada ao ensaio… A Alice mata-me, Adriana!

- Não te preocupes, Paulo… Vou só tomar um café com o Ruben, estarei a horas junto da querida Alice! – proferi com escárnio, ao recordar o controlo apertado imposto pela minha agente em todos os parâmetros da minha vida

- Mas será que eu estou a ver bem? – aquela voz que surgiu por detrás de mim, soou-me imediatamente familiar… só podia ser ela! A amiga de longa data, dos momentos mais difíceis, mas também dos mais felizes… Paulinha – És tu, Adriana?

- Paulinha? – rodei sobre os meus próprios calcanhares, mantendo uma perna cruzada na frente da outra, o que me dificultou a tarefa de correr, anulando toda a distância existente entre nós com um abraço – Que saudades, meu Deus!

- Ai, minha pequena… Tanto tempo! – senti os seus braços apertarem-me com mais força para si, como se isso fosse sinónimo de aliviarmos aquele sentimento saudosista mais rapidamente – Nunca mais estive contigo desde o concerto em Madrid… - relembrou nostalgicamente a última vez que nos havíamos encontrado, juntamente com Roberto, na terra natal do mesmo

- Pois não… Que saudades! E que falta me fazes, amor… - confessei, bafejando um suspiro desesperado de afecto, especialmente se esse fosse proveniente da minha doce e meiga Paula

- E tu a mim… Tanta, tanta! Nem imaginas as coisas que tenho para te contar! – indagou, passando os seus dedos pelos fios dos meus cabelos, que escorreram na direcção dos meus ombros

- E eu a ti… Muita coisa mesmo!

- Pois é… Mas essas coisas vão ter de ficar para outra altura, porque agora és minha… - Ruben fez ressaltar a sua presença com uma entrada cómica e triunfal, já muito própria da sua forma de ser

- Olha, olha… Que melhor amigo mais ciumento que foste arranjar, Adriana! – falou Paulinha no seu jeito gozão e mantendo-me debaixo do seu braço, no calor de um abraço, que me fazia sentir em casa… em segurança

- Tá caladinha, oh! Porque é que não vais ter com o teu espanhol e deixas aí a minha Adrianinha em paz? – respondeu de modo espicaçado, apesar de não passar tudo de uma breve e usual brincadeira do nosso grupo de amigos

- E porque é que cê não pára de zoar todo mundo, ein? – aquela figura perfeita surgiu mais uma vez na minha frente, inebriando todos os meus sentidos… o meu adorado David

Senti todo o meu corpo estremecer ao recordar as palavras que ele usara para encerrar a nossa conversa na noite anterior, mas de qualquer das formas não estava disposta a tocar mais nesse assunto se ele preferira dá-lo como encerrado. Recompus-me da melhor forma que me era possível e montei o já falso e habitual sorriso em meus lábios, mesmo sabendo que Paula e Ruben facilmente o identificariam, pois já me conheciam melhor do que aquilo que eu esperava.

- Olha… Já só cá faltava este cabeçudo! – a mão do Ruben viajou até ao cocuruto de David, chicoteando-lhe os caracóis desalinhados pelas duas horas de treino intensivo que fizera naquela manhã – Mas alguém te chamou para a conversa, foi?

- Não… Ninguém me chamou pra conversa, mas tô com pena dessas garotas que têm que aturar um babaca que nem você… Pô, ninguém merece!

- Ai que ele hoje está tão engraçadinho… Porque é que não vais ver se eu ando por aí e deixas de zunir de papo? – ao reparar na expressão confusa de David, rapidamente entendi que ele não havia percebido rigorosamente nada do que Ruben dissera, uma vez que este se recorrera da tradicional gíria popular

- Quê? Zunir das quantas, manz? Me tá chamando de quê, ein? – questionou de modo ofendido e naquela voz fina e estrangulada, que no seio de amigos já era bastante conhecida, mas que me levou a mim, Ruben e Paula, ao extremo do riso

- Oh David… Zunir de papo é falar mal de alguém! – esclareci, ainda agarrada à barriga, na qual sentia uma dor latejante provocada por todas as risadas soltas naquele breve momento de amizade e descontracção

- Ah… Cê se acha mesmo, velho! Mas quando eu te pegar de jeito, cê vai até amolar de palanganas! – quando observei o seu rosto, vi o seu olho fazer-me sinal de agradecimento num breve piscar… não só porque lhe havia esclarecido a dúvida, mas porque a expressão tipicamente portuguesa que então usara naquela frase de ataque ao pobre Ruben, havia-lhe sido ensinada por mim, quando ainda éramos um casal

- Olha, olha… O zuca anda a aprender umas coisas! – Ruben não perdeu mais uma oportunidade clara de provocar David, deixando a sua mão embater-lhe nas costas violentamente, uma enxurrada de vezes – Até és inteligente quando queres!

- Cê tá viajando na maionese, meu irmão! – foi então a minha vez de rir, mas sozinha… visto que era a única entendedora daquela expressão

- Oh, explica-me lá que merda é esta que este gajo está para aqui a dizer, Adriana! – pediu Ruben de forma brusca, mostrando-se irritado com o gozo que eu e David estávamos a tirar da sua ignorância, mas quando ia aceder ao que me havia solicitado fui interrompida por David

- Ei… Não fala nada! Boca de siri, pequenininha! – pisquei-lhe o olho em forma de pacto... ao fim de um ano juntos, era impossível eu não lhe conhecer os modos de fala e o que mesmo em silêncio pensava… mas não dizia

- Isso… Que queridinhos que vocês ficam a unirem-se contra mim!

- Oh Ruruzinho… Não fiques assim! – num beicinho engraçado, aproximei-me dele e repuxei-lhe as bochechas do rosto de modo cómico, que aumentou ainda mais o seu despeito

- Olha, vai-te… - antes que a conversa azedasse demais para o gosto de ambos e nos pudéssemos chatear, cortei-lhe a fala

- Olha… Vamos masé ao nosso café que foi isso que me trouxe aqui! – afirmei, passando sobre os seus ombros o meu braço, ainda que com algum esforço tendo em conta a clara vantagem que ele levava relativamente às nossas alturas

- Claro… Mas deixa-me só ir buscar as minhas coisas ao balneário! São dois minutinhos!

- Sim, tudo bem! – confirmei, mantendo um sorriso nos lábios inigualável – Vai andando, que eu já lá vou ter…

- Até já então… - depois de me beijar a testa, seguiu rumo ao edifício que servia de apoio ao relvado, lado a lado com David, partilhando brincadeiras de miúdos, tal e qual duas autênticas crianças de colo

- E tu, amor… Não queres vir connosco? – inquiri, mantendo Paulinha debaixo de um olhar meigo e carinhoso

- Não posso… Vou aproveitar a horinha livre do Roberto para darmos um passeio!

- Hum… Que românticas que andamos! – proferi, mantendo em meus lábios o maior sorriso do mundo, dividindo da felicidade que eu sentia que ela estava a viver ao máximo

- Ai… É assim! O amor tem destas coisas… E tu?

- Eu cá estou… Tenho mesmo de ir tomar este café com o Ruben, senão aquele idiota não me deixa da mão!

- Hum… E essa cumplicidade toda com o David foi o quê? – aquela sobrancelha impertinente não tardou a arquear-se, revelando o quanto nos conhecíamos mutuamente para sabermos o que a outra estava a viver mesmo sem termos falado do assunto

- Não foi cumplicidade… Simplesmente partilhamos dos mesmos saberes, só isso!

- Claro… Engana-me, engana-me que eu gosto! – forçou uma tosse ligeira e observou-me, mantendo o punho cerrado junto da boca – O cafezinho… é só com o Ruben?

- Pois claro! Havia de ser com quem mais?

- Não sei… Pois isso não sei, mas estou à espera que me digas! – solicitou, descendo as mãos para as ancas, não se mostrando minimamente disposta a ceder um bocadinho que fosse enquanto não lhe contasse aquilo que ela podia adivinhar que se havia passado na noite passada

- Paulita! Mi amor! – dei graças a Deus pelo querido Roberto nos ter interrompido naquele momento, chamando-a da outra ponta das bancadas, com o braço no ar, gesticulando acenos frenéticos acompanhados por um majestoso sorriso, que ainda realçava mais a sua condição de homem charmoso

- Vai…Vai lá ao teu espanhol! – aliciei num tom provocador, que desejava vê-la longe antes que tocasse novamente no mesmo assunto

- Não penses que te safas… Eu vou, mas depois vou querer saber tudo! Tudinho! – acolheu-me nos seus braços, trocando comigo mais um abraço eternamente saudoso e provido de um carinho enorme, quase que de irmãs – Vê se cuidas de ti, amor…

- Não te preocupes… Eu sei cuidar de mim!

- Sim, sim… Farta de ouvir isso estou eu! Vê se metes juízo nessa cabecinha, princesa! – numa carícia meiga, os seus dedos finos e ágeis, desviaram a franja que custosamente teimava pender sobre o meu rosto

- Não te preocupes… Eu sei aquilo que faço, agora vá… Vai lá ter com “El torero”! – proferi num tom de brincadeira, que a impossibilitou de não rir, perante tal diminutivo repleto de comicidade

- Depois ligo-te para falarmos… Amanhã estou no concerto! – informou-me, mantendo nos lábios um sorriso divinalmente belo, que apadrinhava todas as suas perfeitas feições

- Lá estarei à tua espera… - confirmei com um aceno em resposta positiva e copiando-lhe o gesto, ao pintar os meus lábios no maior sorriso que conseguia

- Ah… E uma coisinha, Adriana! – já se encontrava a meio caminho e de costas voltadas, mas fez questão de parar e me olhar de ponta a pavio – Não preciso de me contes nada… Eu já sei de tudo!

Foi com aquele sorriso encorajador e destemido, que correu até aos braços do homem que amava e lhe beijou os lábios, demonstrando a paixão forte que os unia há já alguns meses. Não precisei de mais nenhuma confirmação para perceber que David se tinha confessado com ela relativamente ao momento que tínhamos partilhado na noite antecedente e isso mexeu com o meu coração… Só o simples facto de equacionar que ele ainda falava de mim aos nossos amigos, que recordava os nossos momentos com a mesma intensidade que eu e esforçava-se para os manter em si, na sua memória, deu alento ao meu coração para bombear novamente o meu sangue pelo corpo e encorajar-me a deixar desabrochar em meu rosto a mais singela expressão de felicidade. Foi isso mesmo que fiz. Montei um sorriso e deixei que os meus pés me guiassem até junto do balneário, ao mesmo ritmo do compasso dos meus batimentos… frenético.

- Bolas… O Ruben disse dois minutos e já passaram dez! – vociferei, encostada a uma parede da sala de treinos, que se encontrava já vazia… nem uma única pessoa sequer na recepção

- Tenha calma, Adriana… Pode ter surgido algum imprevisto! – Paulo tento serenar-me, mas totalmente em vão pois a impaciência era, e sempre havia sido, um dos meus piores e mais abrangentes defeitos

- Calma… Calma… Calma…! Calma tenho eu, até demais! – ouvi um barulho do corredor e dei graças a Deus por finalmente ele estar de regresso – Ai ele vai ouvi-las… Ai se vai! Ruben Filipe, prepara as orelhas! – mas quando a porta se abriu a imagem que alcancei não correspondeu às espectativas

- Ué… O manz ainda não apareceu pra buscar você? – era David… acabado de sair do duche, que era facilmente denunciado pela humidade refrescante que imperava nos seus caracóis perfeitos e pela amálgama de cheiros que brotava do seu corpo, fazendo-me recordar o final de cada jogo e a longa espera que enfrentava para o ver regressar envolto numa tufada de aromas frutados, oriundos de toda a sua vaidade

- Não… Estou aqui há mais de dez minutos! Ele já saiu do balneário?

- Não sei… Quando eu saí ele estava se arrumando, mas eu fui buscar minhas coisas no armário do corredor, por isso pensei que ele já tinha levado você… - declarou num breve encolher de ombros, enquanto pousava o seu saco de desporto no banco da sala, para puder guardar o seu telemóvel, carteira e respectiva chave do hotel, que reconheci pela insígnia do porta-chaves

- Oh… Já se sabe! Com ele é sempre a mesma coisa… Diz que são dois minutos, vai buscar uma coisinha e acaba num duche de quinze minutos… Estou feita! – indaguei levando até à cabeça a minha mão, que a esfregou, tentando encenar a dor de cabeça que Ruben me havia provocado com aquela maldita demora

- Aquele babaca é assim… Ainda fala de mim!

- Oh… São todos iguais, vocês! – pelo canto do olho senti a presença de Paulo ausentar-se e precipitei o meu rosto na sua direcção, interpelando-o – Ei… Onde é que vais?

- Tenho de… - notei algum constrangimento da sua parte e um enorme esforço para não vacilar face à minha questão – Tenho de atender uma chamada! – clarificou no exacto momento que retirou o telemóvel do bolso, no intuito falhado de me enganar, mas acabou por tornar mais perceptível a sua vontade de me deixar a sós com David

- Espera então que eu vou contigo… - ofereci-me, pois não me sentiria bem partilhando o mesmo espaço que ele, sem o mínimo tema de conversa para pudermos compartilhar
- Não, nada disso… Ora essa! Fiquei aí menina, eu volto num instante! – não consegui contra-argumentar mais um segundo que fosse, pois a sua imagem dissipou-se rapidamente na direcção da porta de saída, que abria espaço para um extenso jardim

- Estava com pressa ele… - falou David num extremo à vontade, enquanto pousava a alça do seu sacão no ombro direito, deixando que este lhe descaísse do lado do corpo

- É… Parece que hoje está tudo com vontade de me deixar plantada!

- Se cê quiser eu faço companhia pra você até o manz chegar… - notei alguma reticência na sua voz e traduzi isso sentindo a pouca vontade que ele deveria ter em partilhar da minha companhia… afinal de contas eu era a ex-namorada que deixou tudo para trás com um simples e funesta carta

- Não é preciso… Deves ter a tua vida, aproveita a tarde de folga! – aconselhei com um sorriso nos lábios e mantendo a pose mais educada que me foi possível, tendo em conta o ritmo atabalhoado que o meu coração imperava ao senti-lo tão perto de mim

- Nada disso… Também não é por cinco minutos a mais ou a menos que perco a minha tarde de folga! – com um sorriso igualmente cortês, apressou-se a tomar um dos lugares livres no sofá de couro preto, que se encontrava junto do meu lado esquerdo

- Pronto… Sendo assim, agradeço! – encenei uma pose de agradecimento com a cabeça e mantive o olhar doce e pose de mulher ingénua, que me eram tão característicos

- Eu acho melhor cê se sentar, porque o manz tá parecendo que vai demorar! – alertou entre suaves gargalhadas, abrindo um pequeno espaço do seu lado, que não era ocupado pelas enormes pernas arqueadas junto do seu corpo

Ainda olhei em meu redor em busca de outro canto vazio onde me pudesse sentar longe dele de forma discreta, mas tudo se encontrava muito longe e podia-se mesmo dizer que naquela sitio as zonas de conforto não abundavam, por isso vi-me forçada a ocupar um lugar que não era meu há já alguns meses.

- Com licença… - pousei primeiro a mala no braço do sofá e só então me sentei, cruzando uma perna sobre a outra, tarefa facilitada pela inclinação que os sapatos de salto alto davam às minhas pernas

- Força aí! – incentivou, mantendo o seu corpo cingido à parte do sofá que lhe competia

Nos minutos seguintes somente o silêncio imperou. Nenhum de nós parecia disposto a iniciar uma conversa minimamente interessante  e que conferisse prazer a algum dos dois, mas David contrariou essa possibilidade e apanhando-me totalmente de surpresa, deu o primeiro passo...

- Então… Ouvi dizer que seu concerto é amanhã! – falou, deixando a sua mão explorar os seus caracóis, numa coceira efémera e delicada

- Sim… Amanhã… - confirmei mantendo nos lábios um sorriso nervoso, enquanto sentia as minhas mãos desfazerem-se em sumidas cutículas de suor, obrigando-me a passá-las nas coxas de modo a minimizar esse efeito

- E… Tá pronta pra isso?

- Sim… Acho que o hábito faz o monge… Ao fim de tantos, este é só mais um!

- Hum… Está bom, então! – mais uma vez o silêncio impôs-se e quando achei que este se tinha instalado permanentemente, David voltou a interrompê-lo – Ouvi dizer que andou por vários sítios este Verão…

“Ouviste dizer, ou leste sobre mim…?” – perguntei a mim própria, aquilo que não tive coragem de expressar em palavras, apesar de puder adivinhar facilmente qual a resposta à minha dúvida

- Sim… Andei por vários sítios, mas como sabes? – de um modo mais subtil tentei precaver-me de respostas, apesar de conhecer o risco destas não serem verdadeiras

- Hum… - sentiu-o momentaneamente nervoso na busca por uma réplica – O manz que falou! – acabou por dizer, deixando o seu pulso descair sobre o braço do sofá onde nos encontrávamos sentados, lado a lado

- Ah… O Ruben, claro… - indaguei, reforçando a falsidade do meu sorriso, que não se mostrou nem um pouco convencido com aquele esclarecimento

- Foi bacana?

- Sim… Foi engraçado! Visitei vários sítios… Alguns que sempre sonhei visitar! – senti a descontracção apoderar-se da nossa conversa, assim como dos nossos corpos, fazendo-o relaxar os músculos dos ombros e a mim reposicionar o olhar na sua figura, sem demonstrar qualquer medo de oscilar 

- Pelo menos está em Paris… Com isso sempre sonhou! – soube que ele se referia à promessa que tínhamos feito naquele vídeo que recordei dolorosamente numa questão de segundos, sentindo no peito a mesma sensação de alegria, que sentira no dia em que o havíamos gravado

- Sim… É verdade! Sempre achei que iria visitar Paris este Verão!

- Eu ia cumprir o prometido… Não sou homem de falhar o pagamento de apostas! – indagou de forma decidida, não parecendo minimamente incomodado pelo facto de o assunto em questão ser tão delicado e comum a ambos os corações magoados

- Eu sei que não… Mas de qualquer maneira estamos cá!

- É verdade… Nossa, me diverti muito naquela tarde! – ele referiu-se ao vídeo com uma certa nostalgia, que rapidamente também se abarcou de mim, arrastando-me juntamente com David até às recordações do nosso passado

- Também eu… Fomos muito felizes!

- Valeu por cada segundo tudo aquilo que vivemos, Adriana… - apesar de não ter olhado para ele, senti os seus olhos cravados em mim, o que me fez engolir a seco o enorme medo que sentia pela possibilidade de deixar brotar as lágrimas, que aos poucos se apoderavam das minhas pálpebras

- É verdade… Apesar de tudo pudemos guardar belas recordações! Foi bom termos ficado amigos… Pelo menos conseguimos falar abertamente de um passado que não deve deixar mágoas! – proferi, erguendo então a cabeça e ganhando a coragem suficiente para encarar aqueles dois olhos reluzentes, que se encontravam cravados em mim, como duas estacas que preenchiam o meu despretensioso coração

- Deixa… Deixa a mágoa de puder ter sido muito mais do que aquilo que foi, mas pelo menos o pouco que durou nos fez felizes! – as lágrimas precipitaram-se em mim, subindo até aos meus olhos e deixando-os rasos de tanta emoção

- Sim… - a voz saiu-me trémula, mas com um esforço complementar consegui clareá-la, mantendo uma pose imponente, de alguém que não pretendia dar sinais de fraqueza… não na frente do homem que ainda amava tanto – Fez-nos muito felizes enquanto durou!

- Cê lembra das nossas férias no Brasil no Verão passado? – ele não procurava uma resposta da minha parte, pois sabia tão bem como eu que todo aquele discurso me estava a fragilizar – Nossa, como foi gostoso! Te levei em sítios lindos… Cê conheceu minha família toda e esse ano eles perguntaram muito por você! – contorci-me de culpa só ao relembrar a minha presença no Brasil, presença essa que não era do conhecimento do meu sincero David

- Sim… Foram umas férias incríveis, não poderia ter escolhido melhor maneira de conhecer o Brasil… - afirmei com o coração cheio de contravenção e com um nó no topo do estômago, que me impedia de respirar

- E aquelas tardes que a gente passava no sofá de casa assistindo um monte de filme e comendo enxurradas de pipocas! Pô, como a gentxi era bagunceiro mesmo! – entre gargalhadas fez-me provar o doce sabor da saudade, que começou a transgredir todos os meus poros, fazendo o meu coração mirrar, como se de uma flor sem cuidados se tratasse

- Tu é que eras bagunceiro, David! Enchias o sofá de pipocas… E o meu cabelo também! – contrapus, ganhando o seu à vontade e conquistando então a capacidade de o encarar, olhos nos olhos, não temendo ceder por um instante que fosse

- Eu que enchia? – questionou, fingindo-se ofendido, com aquela vozinha esganiçada, que me deliciou com risos – Cê que fugia quando eu te ia dar pipoca na boca e sujava tudo, amô!

“Amô!”. Senti o coração chocalhar o meu peito, como um relógio que ressoa as doze badaladas na viragem de um ano novo. O meu estômago rodopiou, conhecendo o avesso, de forma tão drástica que quase senti o ar fugir-me dos pulmões… Há meses que não o ouvia proferir um carinho tão doce, naquela voz tão melada e com um sorriso tão grande a subjugar-lhe os lábios. Senti-me minúscula perante o enorme sentimento que ainda sentia por ele… Era amor, era amor e não havia maneira de o negar. Os seus olhos diziam-me o mesmo e a sua boca implorava-me para sentir o meu toque. Aquele olhar profundo ardia em contacto com os meus olhos, remexendo-me as entranhas, revolvendo as memórias.

- David… - murmurei baixinho assim que senti os seus dedos polvilharem-me a pele do rosto, antecedendo um beijo, que eu sabia que iria acontecer, mesmo que não fosse da minha inteira vontade

Contudo ele não demonstrou qualquer prova de desistência e muito delicadamente encaixou a franja, que me perturbava a visão, atrás da minha orelha direita. Os seus olhos exploraram cada traço do meu rosto, delineando na sua boca o mais belo sorriso amoroso que lhe conhecera e que eu sabia me pertencer.
No mesmo instante que senti a sua respiração embaciar-me os lábios, fechei os olhos num suspiro e deixei que os meus maxilares se cerrassem, revelando todo o nervosismo que me sucumbia a alma. Queria beijá-lo, sentir os seus lábios e reaver todas as certezas de que ele ainda me amava, mas sabia que aquilo estava tão errado quanto equacionar por um segundo que fosse voltar para ele, reatando a nossa relação de mais de um ano.
A minha resistência passiva somente se revelou quando a sua mão tomou o espaço livre da minha nuca, arrepanhando-me uma leve mecha de cabelos, e os seus lábios procuraram os meus, beijando-me. Ele beijou-me… Simplesmente beijou-me. E aquilo que se iniciou com um simples e suave encaixe de lábios, rapidamente tomou caminhos mais exaustivos, remetendo à paixão que ainda arriava os nossos caminhos. A língua dele explorou um trilho que lhe era exclusivo em meus lábios e assim que encontrou a minha, entrelaçou-se nela, dando início a uma dança freneticamente descontrolada, que se deixou levar pelo ritmo dos nossos corações. Senti-me estranha ao princípio… Não o beijava há vários meses, mas a experiência continuava exactamente a mesma. Diria melhor, até… O toque aveludado da sua boca permanecia intocável, o doce sabor do seu beijo não mudara em nada e a sensação de calafrio que me percorria o estômago era exactamente a mesma que sentira no preciso momento do nosso primeiro beijo.
Não sei quanto tempo partilhámos do amor que sentíamos e era mútuo e correspondido, mas sinto que o beijei durante uma eternidade… uma eternidade demasiado prazerosa. Quando dei conta já as minhas mãos passeavam nos seus cabelos tornando-os ainda mais rebeldes e depreendidos, e já o meu corpo se encontrava colado ao seu na sofreguidão das nossas respirações ofegantes. Selámos o momento repartindo dois beijos repenicados nos lábios um do outro, apesar de ele ter tentado prolongar algo que nenhum dos dois queria ver acabar, mas a minha respiração fragilizada não o permitiu.

- Adriana… - ele tentou falar, sentindo ainda as nossas testas coladas, as pálpebras cerradas e a mistura das nossas respirações e sabores na boca um do outro

- Oh Adrianinha, desculpa lá a demora, mas sabes como é! – no mesmo instante que ouvi a voz do Ruben irromper pela sala de espera dos jogadores, o meu corpo deu um pulo repelindo para longe de mim o David, que se mostrou confuso com tal atitude e desprezo

- Ah… Ah… - as palavras fugiram dos meus lábios, deixando-me gaga de tanto nervosismo, que somente consegui olhar David procurando em seus olhos uma boa justificação para aquilo que tinha acabado de acontecer – Ah… Não faz mal!

- Não faz mal? – inquiriu com alguma incerteza, pois raramente eu reagia bem a um compasso de espera tão grande – Eh lá… É melhor aproveitar que estás de bom humor! – as suas mãos embateram uma contra a outra, produzindo um som acutilante, que perturbou a paz que eu e David ainda partilhávamos, mantendo o olhar fixo um no outro

- Sim… É isso, Ru… - assenti, não dando grande importância ao que ele afirmara e mantendo-me focada no homem que ainda tinha em suas mãos o meu coração

- Bem e vamos ao nosso café, pequenina? – o altear da sua voz fez-me despertar daquele transe, imposto pelo momento de paixão inebriante que havia trocado com David

- Ah… - sacudi a cabeça, tentando apagar da minha memória e da minha boca o momento de há segundos atrás e focando-me somente no meu melhor amigo – Sabes, Ruben… O nosso café vai ter de ficar para depois! – inventei, enquanto me levantava do sofá, segurando na minha mão a mala pousada em cima do sofá

- Mas, Adriana… Que aconteceu? Onde vais? – ele ficou confuso e a sua expressão de desalento entristeceu-me, mas senti uma vontade extrema de fugir dali a qualquer segundo, antes que o meu coração eclodisse no meu peito a uma velocidade estonteante

- Surgiu um imprevisto… Depois ligo-te para combinarmos outro café! – beijei-lhe rapidamente o rosto e iniciei uma passada rápida na direcção da porta por onde segundos antes Paulo tinha saído

- Adriana… - David levantou-se, tentando intervir na minha despedida, mas tornei-lhe a tarefa impossível

- Adeus! – gritei numa respiração acelerada, assim que alcancei o puxador  da portada, disposta a atravessá-la, tão rapidamente quanto me fosse possível

- Mas que raio está a acontecer aqui? – ainda consegui ouvir a voz profundamente irritada de Ruben, talvez pondo a si mesmo a hipótese de David ter colocado mais uma vez a pata na poça, magoando-me

- Nem eu sei, manz… - desabafou num suspiro desesperado e turbulento pelos mares de confusão em que aprendera a navegar, enquanto eu me limitei a seguir o meu caminho - Nem eu sei…






Quero pedir desculpa pela demora em postar um capítulo novo, mas tenho andado meio bloqueada nestes últimos dias  :c
Contudo, finalmente aqui vos deixo um capítulo novo e um grande agradecimento por todos os comentários e mensagens de carinho pelo primeiro ano do blog  :)
Aproveito também para informar que resolvi presentear o meu e vosso espaçinho com um novo "look", mas acho que todas já repararam e espero que tenham gostado!
Espero que também gostem do capítulo e espero pelas vossas opiniões, minhas queridas leitoras :)

Beijinhos
Drii

37 comentários:

Anónimo disse...

Adorei, esperei tanto por o beijo da Adriana e do David, será agora que se vão reconciliar? ESPERO QUE SIM! (:

Ana Filipa disse...

ADOREII mais uma vez *-*

entreamigas disse...

Mais um capítulo lindo... que descrição fantástica do momento "Adriana/ David"... só não estou a gostar desta aproximação com o Diogo... Como já disse em outros comentários, não me importo nada de esperar (ou melhor, desesperar) por um cap teu pois são sempre fantásticos... Resta-me pedir-te que não demores a postar o próximo, embora eu saiba que vale bem a pena...

Adorei o que li minha linda,
Mts bjs,

Clara

Catarina disse...

Ahahah finalmente! Estava a ver que nunca mais XD
So espero que agora resolvam as coisas e fiquem juntos de novo ;)
Amei como sempre e fico à espera do proximo!
Bjs

Anónimo disse...

lindo!!!
adorei o momento deles.
a espera por novos capítulos vale a pena, pois são sempre fantásticos. mas não demores muito tempo a postar. estou completamente viciada nesta história. :)

Anónimo disse...

Valeu a pena a espera! Está muito bom, Drii!
Já estou ansiosa pelo proximo capitulo. Como é habitual deixaste-me a imaginar mil e umas coisas que podem acontecer depois deste episódio da Adriana com o David... Mal posso esperar!

Mariana Vieira

ElsaNeves disse...

Sem palavras!!! Está de pegar fogo!!!
Até eu ardo a ler os teus capítulos.
Céus fico completamente absorvida na cena, carregada de sentimento. Adoro!!!
E a ânsia de mais capítulos??? É inevitável... quero mais!!!
Amo a tua fic.
Beijinhos.

Anónimo disse...

COMO SEMPRE ESPETACULAR!
NÃO CANSO DE DIZER ISSO , A ESPERA COMPENSOU E MUITO DRI ... AMEI AMEI AMEI AMEI !
SERÁ QUE AGORA VAI ? ESPERO ANCIOSAMENTE PELO PRÓXIMO CAP E QUE ELES VOLTEM LOGO !
ESTÁ PERFEITO ,A MANEIRA COMO TU ESCREVES ENTÃO ... FENOMENAL ...
SEM MAIS ...
BEIJINHOS '

Gabii S.

Anónimo disse...

Ai DRIIII, está LINDO!
Não demores muito a postar, SIM?

Mary disse...

Ai eu amei amei amei!
Espero bem que finalmente eles fiquem bem ou que pelo menos comecem a ficar bem...
Ainda ontem li este capítulo e já estou completamente ansiosa e curiosa para ler o próximo.
Beijinhos!

Annie disse...

Oh minha querida, a primeira coisa que fiz esta manhã ao ligar o computador foi ver o teu blog, e quando não é o meu espanto um capítulo novinho. Fiquei tão feliz, ainda mais quando vi o gif! Eu sabia, mais tarde ou mais cedo isto ia acontecer. O passeio com o Diogo revelou-se uma grande ajuda para a Adriana e acho sinceramente que o Diogo passou de um rapazinho a um homem com H grande, agora que ele é assim não me importava de o encontrar nos EUA ou mesmo em Lisboa (: (ahaha).
Parece que a relação da Paulinha com o Roberto continua muito bem, gosto disso, afinal a Paulinha é uma pessoa muito querida e merece o melhor.
Falando da Adriana e do David aquela conversa foi perfeita, aliás mais que perfeita como o capítulo todo. A saudade, quando li o David ao recordar os momentos com a Adriana invadiu o meu peito.
Obrigada minha querida, muito obrigada por este maravilhoso capítulo do início ao fim. Continua com este maravilhoso trabalho e espero ver outro capítulo em breve.
Muitos beijinhos
Ps: O visual do blog está muito bonito

Fabi disse...

MAGNÍFICO!

Little Things disse...

Está lindo! Sigo a tua fic desde o inicio e acho que está cada vez melhor, a forma como escreves e descreves cada momento é fantástica :)

Anónimo disse...

Não há palavras,tá lindo,amei.
O momento dos dois foi lindo,finalmente o David descaiu-se e chamou-a novamente de "amô",como se fosse a coisa mais natural do mundo,adorei.
Agora o menino Ruben tem cá um sentido de oportunidade...já que tava atrasado podia ter-se atrasado mais um bocadinho.
Amei tudo,valeu apena esperar,continua,eu sabia que ele não se tinha esquecido da promessa,e ainda vai a tempo de a pagar.

Beijos

Fernanda

Carolinaa disse...

Gosto muito do novo look do blog :)

Em relação ao capitulo, a única coisa que consigo dizer é: OH MEU DEUS!
Desde que publicas-te o primeiro capitulo no blog de fãs do David que te acompanho e percebe-se claramente a tua evolução.
Apesar de não comentar muito, leio sempre os capítulos e não me canso da tua fic. É tão boa que feita em novela seria um autentico sucesso, digno de EMMY :)
Como sempre, quero mais um capitulo porque este não chegou para me matar a curiosidade.
Quando li este capitulo, parecia que se estava a passar comigo e automaticamente no meu rosto se formou um sorriso no momento do beijo.
Adriana, espero que sejas feliz e que não deixes de escrever, porque Portugal e o Mundo precisam da tua escrito.
Não sei em que área estás ou até se estás no secundário mas se estiveres, espero que estejas em Línguas e Humanidades porque este teu talento não se pode perder. Se não estiveres, espero que sejas feliz a fazer o que fazes e quando pensares em escrever, eu serei a primeira a comprá-lo :D

Muitos beijinhos, e já sabes, publica depressa!

Beijinhos

Carolina

Anónimo disse...

Está simplesmente fantástico o capítulo!
Já o tinha lido ontem à noite, e hoje já li mais umas cinco vezes xD (sem exagero!)
Mal vi aquele gif, fiquei com um sorriso na cara. No entanto depois pensei "Oh não, ela ia passear com o Diogo! Ainda vão ser eles a beijar-se :s", mas, ao contrário do que esperava o Diogo está muito mudado, já gosto um bocadinho mais dele :b
E como a Mariana disse ali em cima, já estou para aqui a imaginar mil e uma maneiras para a reconciliação David-Adriana :)

Muitos beijinhos, continua o excelente trabalho e espero que publiques depressa senão os nossos coraçõe'zinhos não aguentam!
Tatiana :)

DiiDii disse...

Lindo Lindo Lindo, Drii .. *.*
Valeu a espera sem dúvida .. :)
Agora quero essa continuação, e nada de falhas de inspiração, estamos conbinadas? :D

Bjnho minha linda ..

PS: Sempre li logo de manhã, mas o meu telemóvel não me deixou comentar .. -.-

Raah disse...

Liiiiiiiiiindooooooooooooooooo !! *-*

Qerooo maiiiiiiis ! :P

Unknown disse...

Minha linda o capítulo está brutal! Adorei :)

Só tenho um reparo a fazer... o Ruben tinha mesmo que aparecer para estragar o momento daqueles dois??? É que não entendo o porquê que o manz tem que aparecer sempre para estragar tudo! Que raio de sentido de oportunidade que ele tem LOOOL

Agora a sério, está mesmo muito bom. Amei

Continua minha linda :)

Anónimo disse...

AMEI!!! juro, adorei a descriçao das recordaçoes,o momento em que ele a voltou a chamar de "amô" e principalmente amei o beijo.
mas caramba, o ruben podia ter esperado mais um bocadinho, nao era preciso voltar ja.

ai... fiquei tao curiosa por saber como vai acabar aquele dia... se ele vai atras dela...

Bjs e continua!

Anónimo disse...

ai o "amô" é lindo xD
e se os juntasses no casamento do Ruben? ^^

continua :D

RaTi disse...

Gosteii !!

Naoo demores a publicar senão nao aguentamos ! :D

Anónimo disse...

Oieeeeeeeeeeeeeeeeee :)


Ameiiii , finalmente o beijo :D Capitulo mais lindo *_*


Eles agora têm é de ficar bem juntos :)


Quero mais *_*


Beijinhos

Jo disse...

Muito sinceramente, tornou-se difícil encontrar palavras para descrever a magnificência da tua escrita tão... tão embasbacante! Isto minha cara, isto sim, é talento puro e duro!
Cada, palavrinha, cada diálogo, cada didascália, são vitimas da tua imaginação e do prefeccionismo nato que impões na escrita e isso é de louvar!
Sabes bem o quanto já me deixas-te exasperante a cada capítulo e não me canso de te relembrar que escrever é do melhor que fazes, meu doce! :')
Quanto ao capítulo, penso que já não haja muito mais a acrescentar, visto que os mais recalcados pormenores já estão referidos acima... Mas tenho que dizer que este beijo, oulá! Foi um Senhor beijo! Tãaaaao aguardado e ansiado, meu Deus! ^^
Agora só me resta pedir-te a continuação desta história deslumbrante, o mais rápido que te for possível! Estou mais que rendida a estes teus encantos, oh se estou!
Muitos beijinhos com sabor a baunilha e chocolate, meu amor!

Ana Sousa disse...

Ai, minha linda! Estou sem palavras.
Completamente viciada por cada palavra que proferiste, cada momento... Isto sim, é talento.
Talento verdadeiro.
Estejam juntos ou não, esta história fascina-me. Mesmo!
Quero este continuação muito rapidinho, minha querida! Pois esta espera é cada vez mais sufocante.
Está lindo, minha linda :b

Anónimo disse...

Oh GOD meu !
Grande capítulo (e não é só por ser extenso, que isso adorei :b) !
Está inconcebivelmente fascinante e espectacular :D
Eles estão quase, quase a entenderem-se, não acredito... depois de tanto capítulo separados :)

Parabéns, pois escreves maravilhosamente e dá largas a esse talento, a esse dom que tens.
Espero que continues a partilhar o que te passa pela imaginação

Beijinho

Raquel

Anónimo disse...

Quero maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaais. Posta o quanto antes *.*

Tatiana disse...

Sou nova pelo "mundo" das fic's e a tua foi uma das primeiras que li e que me encorajou a fazer uma :b
AMO AMO AMO a tua fic! É COMPLETAMENTE LINDAAAAAAA! Pena pena é o David e a Adriana ainda não estarem bem :/ Só espero que eles acabem juntinhos e felizes! Já estão há tanto tempo separados que até mete pena :c
Beijinhos, continua :)

Gina disse...

Está lindo Dri!
Gosto muito da tua escrita, é fantástica.

Visitem o meu blog e se gostarem sigam :D

http://seguindoachuvaeovento.blogspot.com/

Anónimo disse...

valeu a pena a espera, está lindo, maravilhoso , fantástico ahah

Anónimo disse...

lindooooo...cada vez mais gosto desta história.
fico ansiosa a espera do próximo capítulo.

Lisandra disse...

Amei... Finalmente os dois falam e beijam-se!!

Mas que beijo!! de cortar a respiração a qualquer um... lindo xD

para quando o próximo?? estou tão curiosa para saber as consequências daquele beijo

continua!

Castro disse...

Que momento tão lindo *.*
Isto esta cada vez melhor, parabens.
Agora quero é o proximo rapidinho, e vê-la se tretas de os juntas depressa!! xD
Beijinho

Maria disse...

Olá Adriana. Gosto muito da tua fan-fic, sou leitora assídua e espero que eles se reconciliem o mais rápido possível.

Aproveito para deixar o link do blog que acabei de criar, não é sobre jogadores de futebol mas também tem uma grande história de amor. Ainda não comecei mas está para breve.

http://cityofdreamscityoflove.blogspot.com/

beijinhos e continuação de bom trabalho

Raah disse...

qando o proxiimoo?? Nao demorees, qeremos novos avanços ;b

Anónimo disse...

PERFEITO!

SEM MAIS ... !

Ana disse...

fantastico...

continua...

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