domingo, 20 de novembro de 2011

Capítulo 114 - Nem sempre um sorriso é sinónimo de felicidade (Parte I)


Rodando o pescoço delicadamente, observei o meu querido David…
O meu coração pulsava dissimuladamente dentro do peito, tentando que isso passasse despercebido à figura masculina junto de mim, e a qual era responsável por tal comportamento anómalo do principal órgão vital que habitava o meu corpo. Perscrutei cada traço delicado do seu rosto e senti-me bucolicamente infeliz por saber que nunca mais os poderia sentir nas palmas delicadas das minhas mãos, que se encontravam então incessantemente trémulas pelo nervosismo que me corrompia o frágil autocontrolo.
- …David? – questionei, procurando obter uma acção plausível daquele personagem, de forma a confirmar a mim mesma de que não estava somente embrenhada em mais uma das minhas mirabolantes miragens
- Não ‘tá aqui mais ninguém, acho… - ripostou, num tom surpreendentemente calmo, como se não recordasse mais a maneira abrupta como fora deixado em Paris, sem receber pelo menos uma justificação que bem merecia
- Não… - confirmei, correndo o meu olhar em torno do jardim, que eu sabia estar completamente vazio – Tens razão…
- A Sofia já está esperando você lá em cima… - reafirmou, mantendo as duas mãos pousadas no interior dos bolsos dianteiras dos jeans de lavagem escura, que envergava perfeitamente no seu corpo delicadamente esculpido pela prática intensiva de actividade física
- Obrigada… Eu vou já ter com ela! – respondi, erguendo levemente no ar o cigarro já meio ardido, usando-o como fundamentação para a minha demora delongada
Achei que a conversa tinha findado ali, que nada mais havia a dizer, que nada mais havia a ser acrescentado a tudo aquilo que já fora afirmado antes, de todas as vezes que discutíramos a nova condição de amizade profunda que nos unia – ou pelo menos parecia unir – mas surpreendentemente ele deu continuação ao diálogo, apanhando-me desprevenida para a cavaqueira que se seguiu nos minutos seguintes.
- Vai ter com ela? – inquiriu com escárnio, esboçando em seus lábios um sorriso ironicamente doloroso – Tem certeza? É que cê é perita em deixar as pessoas esperando…
- Desculpa? – questionei, com o coração sobressaltado, enquanto sustinha a lufada de fumo aspirada, junto da minha traqueia, queimando-a ligeiramente num ardor espicaçado pelo desconforto
- Não escutou bem ou quer mesmo que eu repita?
- Não, eu ouvi muito bem… Só não percebo onde queres chegar com essa conversa! – ripostei, depois de ter soltado por uma pequena brecha dos meus lábios, o fumo que apelava ao desconchego dos meus pulmões, devido à longevidade com que o sustinha
- Não ‘tá entendendo? Nossa! Como cê é boa fugindo das conversas…
- Olha, David… Eu não quero discutir! – argumentei, tentando serenar os ânimos que ameaçavam eclodir a qualquer segundo, tal como uma granada à qual se solta o gatilho
- O problema é que cê nunca quer nada… - ciciou num rosnar de dentes provocativo, enquanto cruzava na frente do peito protuberante os dois braços teimosos – Passa a vida fugindo das coisas, Adriana…
- E quem és tu para me julgar…? – inquiri, arqueando a minha sobrancelha esquerda e olhando-o de cima a baixo, enquanto dava o último trago no meu cigarro já cinzelado pelo tempo
- O cara que cê deixou plantado em Paris… - após ter jogado a beata no interior do cinzeiro sobre a mesinha de apoio à zona de diversão da piscina, quedei-me em silêncio, pois nada do que eu pudesse dizer iria mudar o facto eminente de o ter abandonado mais uma vez – E agora… Perdeu os argumentos foi?
- Não, não perdi… - a minha estatura média permaneceu tão pacífica quanto possível, tentando ao máximo não ceder à fadiga emocional que me preenchia plenamente no meu íntimo
- Então fala alguma coisa, caramba! Grita, berra, chora, me xinga… Mas reage! – o seu tom de voz alterado, fez o meu corpo atemorizar-se de uma ponta à outra, totalmente apanhado de surpresa por aquele acesso de agressividade
- Baixa o tom de voz, por favor… - pedi educadamente, numa voz desvanecida pelo pavor de um alguém a quem sempre confiara a minha segurança, mas que naquele momento me assustava como nunca o havia feito
- Porquê, ‘tá com medo que todo mundo ali dentro fique sabendo do que cê fez? Não se preocupa… Já todo o mundo sabe! – afirmou ironicamente, percorrendo com desdém o meu corpo mirrado de vergonha…de uma vergonha que eu não sabia sentir, mas que naquele mesmo segundo me consumiu a uma velocidade alucinantemente assustadora
- Como…”todo o mundo sabe”? – questionei, sentindo dentro do meu peito os batimentos atabalhoados que o meu coração teimava compassar, desesperado por um momento de paz
- É isso que cê escutou… Todo o mundo ali sabe, até minha mãe!
- Sabem como?
- Acho que é fácil compreender, Adriana… Eu não fiquei bem depois do que cê fez, mas só você não enxergou isso! – acusou solenemente, até os seus olhos ilustrarem a dor que o havia sucumbido depois da minha partida da capital francesa, sem deixar para trás qualquer justificação
- E tinhas de lhes dizer a todos? – perguntei num misto de revolta e indignação, pois senti-me traída pela pessoa que mais amava no mundo
- E cê tinha de me deixar sem dizer nada?
- Não fales sem saber o que me levou a ir embora daquela maneira!
- Nada justifica a sua atitude… Cê não sabe o lixo que eu fiquei depois de cê ter ido embora, Adriana!
- Parece que recuperaste depressa! – incriminei, abrindo os meus braços perpendicularmente ao corpo e deixando-os cair instantes depois junto das minhas pernas abaladas pelo cansaço do dia exaustivo que se passara, mas desta vez o silêncio chegou da parte dele, pois ambos sabíamos perfeitamente ao que me estava a referir – Então… Agora foste tu que ficaste sem argumentos?
- Não, é claro que eu não fiquei… - defendeu-se, tentando encorpar uma figura segura e inquebrável, mas que para mim se revelou frágil demais para pertencer ao meu querido David, pelo menos àquele que conhecera há meses atrás
- Então vá… Diz qualquer coisa, reage! – ordenei, fazendo uso do discurso pateticamente ensaiado que David havia preleccionado segundos antes, a meio da nossa discussão amena
- O que é que cê quer que eu diga?
- Na verdade nada… Nunca me surpreendeu a capacidade que os homens têm de fingirem que amam e depressa substituírem essa pessoa, por outra qualquer! – murmurei, ajeitando o casaco que envergava no corpo e dando apenas alguns passos na direcção da entrada de casa, mas que foram travados pela mão pesada de David, que assentou no meu braço esquerdo, repelindo-o para si
- Fingirem que amam? – o rosto dele ficou a escassos milímetros do meu, tanto, que pude sentir a sua respiração ofegantemente descompassada pela raiva, embater na minha boca sôfrega por um beijo do homem que mais desejava no mundo inteiro… ele. – Cê tá insinuando o quê... Que nunca te amei, é isso?
- Não estou a insinuar nada, David… - disse calmamente, obrigando-o a soltar o meu braço, que apertava fortemente, num único puxão fervoroso de cólera - … mas se a carapuça te servir…
- Cê só pode estar de zoação… Eu fiquei pior que lixo quando cê me deixou daquela forma! Primeiro com aquela maldita carta de desistência e egoísmo, depois em Paris, sem sequer dar um sinal… - as palavras dissiparam-se da sua boca tão rapidamente, quanto as mãos ocorreram em auxílio da cabeça, navegando desesperadamente naquela amálgama de caracóis que lhe preenchia o cocuruto
- E como eu já disse… Ultrapassaste muito bem! – reafirmei, abrindo nos meus lábios o espaço necessário para um sorriso rasgado de falsidade se revelar sem qualquer medo ou pudor
- O que é que cê tá querendo dizer com isso, Adriana?
- Não preciso dizer nada… Está bem à vista de todos!
- Cê tá falando do quê, caramba? – suplicou exaltadamente por uma explicação que não era necessária, visto que ambos conhecíamos o conteúdo-chave daquela conversa encriptada, onde ele teimava fazer surgir a sua abençoada e falsa ignorância
- Tu sabes muito bem daquilo que eu estou a falar, David… Não te faças de parvo!
- ‘Tá falando da Joana? – questionou, percebendo que não teria mais por onde fugir, pois quanto mais caminhasse para trás, mais facilmente eu o encostaria à parede
- Uau, afinal até sabes do que estou a falar! – afirmei com escárnio, rindo-me brevemente de uma situação desconfortável, mas abafando-o no interior vagamente cálido da minha mão direita – Não és assim tão burro…
- O que é que a Joana tem a ver pra essa conversa?
- Ora, David… Somemos um, mais um! Se estivesses assim tão mal depois da minha partida, não terias arranjado uma nova namorada tão cedo! – retorqui num laivo de exaltação encoberto pela falsa serenidade que aparentava sentir – E ainda por cima formalizaste a relação, assumiste-a publicamente, apresentaste-a à família e ainda te deste ao trabalho de a trazer para o casamento do Ruben!
- E cê queria o quê, Adriana… Hum? Achou que eu ia ficar esperando você a minha vida inteira? Amar é uma coisa… Agora se rebaixar é outra bem diferente, garota!
- Nunca pedi, nem pedirei para que te rebaixes… Na verdade tu fazes aquilo que bem entenderes da tua vida, não me diz mais respeito!
- Mas no entanto cê falou na Joana, como se isso te incomodasse! – relembrou, percorrendo gloriosamente o olhar pelo jardim, disposto harmoniosamente em redor da vivenda de seis quartos
- O que me incomoda é ver pessoas dizerem a outras que as amam de verdade, mas não demorarem nem um segundo a substituí-las… - confessei num suspiro auspicioso de ainda deter para mim o seu coração e o sentimento que maioritariamente o dominava
- Cê me acusa de te ter substituído e eu te vou acusar uma vida inteira de me ter deixado… - indagou, cruzando o seu olhar com o meu e deixando-me delirar por momentos com uma linha de lágrimas que pensei ver em seus olhos luminosos
- Pois é, David… - concordei, libertando do meu corpo um suspiro profundamente pesado -... A diferença é que o facto de eu te ter abandonado não é, nem nunca será sinónimo de falta de amor; agora o teres-me substituído tão facilmente nada mais quer dizer do que isso mesmo…
- Cê me amava e me deixou? Isso não tem sentido, Adriana…
- Tem… Bastava teres olhado durante um segundo que fosse para o meu coração e terias percebido que fez, faz e fará sempre demasiado sentido! – os meus olhos corromperam-se pelas lágrimas sinceramente sofridas, que pouco depois escorreram pelo meu rosto delicadamente, não ousando temer represálias
- Cê fugiu de mim… Não tive nem tempo de olhar!
- Tiveste mais de um ano para o fazeres… Agora é tarde demais, para mim, e para ti!
- É? – o seu tom duvidoso, fez-me olhá-lo cara a cara, contorcendo-me de segurança para lhe dar a resposta séria que merecia ouvir
- É… A nossa relação acabou, o sentimento também. Tu ultrapassaste tudo e já tens até uma namorada nova, eu estou bem como estou, por isso não adianta nada desenterrar um passado que não irá alterar de qualquer maneira! – assumi claramente a minha posição secundária na vida dele e montando o sorriso mais doloroso que alguma vez esboçara, proclamei o desejo mais negável de toda a minha vida – Felicidades para ti e para ela!
O meu corpo precipitou-se na direcção da porta das traseiras, que dava acesso à cozinha e nem durante um segundo ele arriscou travar-me, pois ainda conhecia o meu temperamento intempestivo suficientemente bem, para não me forçar a um novo embate depois daquelas declarações guiadas unicamente pelo meu coração fragilizado devido ao fim oficializado daquela relação passada.
Subi as escadas interiores com as lágrimas no rosto e detive-me junto da porta do quarto das meninas. Sabia que era ali que iria repousar e por isso necessitava tranquilizar-me para não ser alvo de perguntas inoportunas das minhas colegas de quarto.
Sequei os prantos que me delineavam o rosto e respirei fundo, antes de fazer rodar a maçaneta passivamente trancada, que me impossibilitava de visitar um mundo do qual eu talvez não quisesse fazer parte nos próximos dias.

- Oi, Adriana… Já botei a Sofia pra dormir e ela pegou direitinho, por isso já já, tiro ela da sua cama! – informou-me Brenda, enquanto retirava com uma pequena toalhinha molhada, toda a maquilhagem que lhe camuflava o rosto perfeitamente esculpido pela idade jovem e fresca que possuía

- Não precisas, Brenda… Deixa-a ficar lá a dormir comigo! – disse calmamente, sentindo que iria precisar de sentir um carinho naquela noite tão solitária em sentimentos verdadeiramente consoladores

- Tem certeza? – questionou, erguendo-se do pequeno banquinho na frente do espelho, que encabeçava a entrada da casa de banho privativa servente ao quarto completamente cheio de raparigas, que já dormiam aconchegadas no calor dos seus corpos

- Absoluta… Vai fazer-me bem pra matar as saudades todas! – afirmei serena, recostando a minha mão no interior do meu braço direito, e dando os primeiros passos na direcção da minha cama, que já se encontrava ocupada pela pequena Sofia

- Então sendo assim eu vou dormir também, meu anjo… Boa noite! – desejou, beijando-me docilmente a testa húmida pelo orvalho que peneirava o ar exterior da casa

- Boa noite, Brenda… - correspondi, erguendo nos cantos da minha boca um sorriso timidamente triste, pelo que vivera no alpendre juntamente com David naquela noite

Caminhei até junto das minhas coisas, e delicadamente, para não emitir qualquer barulho capaz de despertar alguma das meninas, retirei o pijama que rapidamente coloquei no corpo, fazendo a mim mesma uma jura… Aquela conversa com David, aquele momento no jardim, eram para esquecer... E enquanto lavava os dentes repetia a mim mesma, vezes e vezes sem conta, o mesmo discurso, como se me autopunisse por ter travado uma conversa tão comprometedora com o meu ex-namorado e agora ir dormir sobre o mesmo tecto que a sua actual namorada, que indiferente a tudo descansava harmoniosamente no mesmo quarto que eu.
Aproximei-me da minha cama e observei cada traço angelical do rostinho perfeito da minha piolhinha, que serenamente repousava sobre os seus sonhos esperançosos de criança inocente. A minha mão tocou-lhe as faces e constatou a temperatura agradável, que se desenvolvia debaixo dos lençóis que eu e ela iríamos compartilhar, e delicadamente repuxou as cobertas para que me pudesse juntar àquele ninho de sossego.

- Mad’inha…? – a sua voz ensonada emergiu no ar provinda de um sussurro melodioso, contrastante com os olhinhos semicerrados, e somente iluminados pelo pequeno candeeiro de mesa, que quebrava a escuridão imposta no quarto

- Olá, minha piolha… - sorri-lhe abertamente, deixando que os meus lábios polvilhassem a sua dócil testinha com beijos repenicados de amor

- Penshei que num vinhas mais domilhe com a Sofiazinha… - murmurou baixinho, depreendendo os seus lábios num ligeiro beicinho enternecedor

- É claro que vinha, princesa… Aqui estou eu pra dormir contigo! – afirmei com os olhos turvos de lágrimas, por recordar o motivo detentor de tanta demora em cumprir a promessa que fizera à minha afilhada

- Estás a cholhalhe, mad’inha? – questionou-me, arregalando brevemente os olhos e tocando as minhas faces, apenas com as suas duas mãozinhas ternurentas de tenra idade

- Não, boneca… A madrinha não está a chorar!

- Mas os teus olhos, mad’inha… - relembrou, observando-os meticulosamente, procurando mostrar-me que estava certa relativamente à tristeza que me abarcava a alma

- Não tem mal, pequenina… Vá, agora tens de descansar! – alertei, puxando as cobertas para cima dos nossos corpos e roubando à sua almofada um pouquinho de espaço para oferecer pousio à minha cabeça

- Não quelho descansar, enquanto tivelhes t’iste… - afirmou decididamente, embatendo os seus pequeninos lábios contra a minha face direita, já humedecida pelas primeiras lágrimas que abandonaram os meus olhos

- A madrinha não está triste…

- Mas estás a cholhalhe…

- Mas não estou triste…

- Mas as pessoas só cholham quando ‘tão t’istes…

- Mas essa tristeza passa e quando passa leva também as lágrimas… - os meus lábios proferiram algo totalmente diferente daquilo que os meus olhos demonstravam, mas no entanto ela era demasiado pequena para o compreender e no fundo acabei por agradecer intimamente esse facto

- A t’isteza pasha quando as alegrias vêm… Num ‘tás fewiz de estar aqui? Comigo, com a mamã, com as meninas, com o Ruben…?

- Estou, é claro que estou, princesa, mas a madrinha está cansada… Muito cansada! É só isso…

- ‘Tás a mentilhe à Sofiazinha, mad’inha! – acusou perspicazmente, fazendo-me crer que as crianças eram sem dúvida os seres mais puros do mundo e por isso os mais capazes de deslindar a complexidade de um ser humano na idade adulta

- A madrinha um dia explica-te tudo, sim, pequenina?

- Um dia quando? Explica agolha…

- Um dia, boneca… Quando fores mais crescida e conseguires compreender os assuntos dos crescidos…

- Nunca tiveste sheg’edos p’a mim… - recordou nostalgicamente, expressando no seu rostinho uma tristeza tamanha, que me esborrachou o coração

- E não tenho… Mas há coisas que tu ainda és muito novinha para perceberes, princesinha… Coisas que só as pessoas crescidas percebem!

- Eu não preciso selhe ashim c’escida para sabelhe que estás t’iste porque o David num é mais teu namowado!

- A madrinha não está triste por isso… O David está feliz e eu também, isso é que é importante! – esclareci monocordicamente tentando convencer-me interiormente da falsa veracidade das minhas palavras sonantes

- Não… Tu num ‘tás fewiz, porque amas o David e não o tens… E nós só shomos fewizes quando temos as peshoas que amamos!

A astúcia doce da minha adorável Sofia surpreendeu-me inequivocamente, apanhando-me nas malhas incontornáveis de um destino já traçado e há muito sucumbido pelo fim do relacionamento que mais me fizera sentir feliz e plenamente realizada. Apesar de saber que ela já possuía maturidade para compreender o que era o amor e a força desse sentimento, não me senti totalmente capacitada para abrir o coração a uma das pessoas que mais me devia querer bem no mundo, da maneira mais pura e sincera possível… a de uma criança. 

- E eu tenho as pessoas que mais amo… A minha família, os meus amigos, a afilhada mais linda do mundo inteiro… - enumerei, deixando que a ternura recaísse sobre mim e a minha mão polvilhasse a sua barriguinha com uma caminhada brincalhona dançada nas polpas dos meus dedos

- Mas não tens o David… - proferiu num sussurro certeiro, sustentando a sua teoria primitiva relativa à pessoa detentora dos meus sentidos

- Mas tenho outras pessoas… E sou feliz assim, piolhinha! – reafirmei, ajeitando as dobras superiores da colcha, que recaía sobre os nossos corpos prontos a serem dominados pelo cansaço – Agora vamos dormir… Precisas de descansar!

- Está bem, mad’inha… Mas p’omete que não cholhas mais! – os seus olhinhos esboroados, fitaram-me profundamente esperando receber uma resposta positiva à promessa que me era imposta de forma imprudentemente irrecusável

- Não… Eu prometo que não choro mais! – os meus lábios tocaram a sua pele macia e perfumada num único instante, beijando-lhe a testinha cálida – Até amanhã, bichinha…

- Até amanhã, mad’inha… - o seu desejo auspicioso dissipou-se numa respiração fechada, que guiou o descanso dos seus dois olhos, que encerraram os pontos de luminosidade eminente e se fecharam em direcção aos sonhos ainda por viver

Numa questão de instantes, senti a respiração da minha pequena Sofia misturar-se com a das restantes presenças no quarto, enquanto eu fiquei entregue à solidão habitual de mais uma noite nostalgicamente só, onde apenas resguardava a companhia do tempo… Do tempo que não esperava, que não aguardava por nada nem ninguém, e arrastava consigo os ponteiros do relógio, que depressa me atiraram à madrugada solitária, que antecipava mais uma alvorada.
No entanto o silêncio falado naquele quarto, foi quebrado quando vi alguém mover-se debaixo dos lençóis, após um sinal exterior à porta do quarto.
Joana ergueu-se e entre a brecha das portadas principais vi surgir a cabeça farta em caracóis do David… Foi o pior cenário que observei naqueles últimos meses, porque o ditado bem o diz “olhos que não vêm, coração que não sente”, mas agora os meus olhos viam demais, com uma definição extrema e por consequente muito dolorosa.

- Amor… - murmurou Joana, abrindo nos seus lábios espaço suficiente para que um sorriso perfeitamente belo surgisse

- Vem, tá todo o mundo dormindo… - suplicou David num sussurro esvoaçante, fazendo sinal com a sua mão esquerda para que a sua companheira se aproximasse de si

Joana acercou-se dele e foi numa troca intensa de beijos que saíram rumo ao corredor, que se preencheu com duas respirações descompassadas, até estas se desvanecerem com a ausência daqueles dois personagens.
Senti novamente as lágrimas aflorarem-me os olhos impiedosamente, apesar de eu ter lutado contra, mas o meu coração parecia não querer dar tréguas ao destino que me estava traçado.
Todas as outras meninas dormiam e eu estava sozinha… Completamente sozinha e sem ninguém em quem me apoiar. Sobre a mesinha de cabeceira vi o meu telemóvel posicionado meticulosamente num dos extremos e o meu pensamento voou imediatamente para o outro lado do oceano.
Levantei-me cuidadosamente, deixando para trás a pequena Sofia, que permaneceu alheia a todos aqueles acontecimentos, e segurando o telemóvel nas mãos, dirigi-me à varanda e marquei o número de uma pessoa que eu sabia estar sempre presente para mim… Vinte e quatro, sob vinte e quatro horas.

- Diogo… - chamei o seu nome numa única respiração segura, deixando que a minha voz timbrada pela dor manifestasse a fraqueza que me dominava por completo e que jamais passaria despercebida a um alguém que me conhecia tão bem e há tanto tempo quanto ele

- Adriana…? – a sua voz difusa, delatou o seu estado de dormência, que havia sido interrompido pela minha chamada de desespero, e que procurava esclarecer-se quanto à identidade da pessoa que se encontrava do meu lado da linha
- Sim, sou eu… - confirmei, soluçando tão discretamente quanto possível para que nem ele compreendesse o meu choro, nem as meninas que dormiam no interior do quarto, o pudessem escutar para além das portadas da varanda que se encontravam cerradas nas minhas costas – Desculpa se te acordei…

- Acabei agora de me deitar… Não tem problema! – já o conhecia suficientemente bem para saber que tomava as suas palavras num simples acto de cortesia, que ressaltou segundos depois, ao demonstrar a sua clara preocupação com o meu estado debilmente fragilizado – Mas… Estás estranha! Aconteceu alguma coisa…?

- Oh Diogo… - com apenas um bafejo ressentido, as lágrimas despoletaram em meus olhos e delinearam todo o meu rosto numa rajada sofrida de desilusão… aquela era a nova realidade, onde eu era forçada a viver sem David e vendo-o nos braços de um outro alguém

- Estás… a chorar, pequenina? – questionou tremulamente, deixando-me ouvir os barulhos revoltos da sua colcha, provocados provavelmente pelo movimento brusco que o seu corpo tomou ao erguer-se da cama… mas eu limitei-me a chorar, não revelando então qualquer preocupação em abafar o som ofegante da minha respiração plangente – Que aconteceu, Adriana? Fala comigo, por favor…

- Está tudo acabado, Diogo… - sussurrei esporadicamente numa voz desvanecida pelo choro, que se dissipou no silêncio da madrugada que corria célere, anunciando na linha do horizonte alaranjado o chegar de um novo dia – Acabou tudo…

- Mas acabou o quê, Adriana? – o nervoso que lhe abarcou a voz, transpareceu em cada agudo solene que moldou o seu timbre placidamente colocado – Diz de uma vez, estás a deixar-me preocupado…

- O David, Diogo… O David tem outra pessoa! – vacilei claramente, assim que assumi a dolorosa veracidade em que estava embebida e à qual me encontrava destinada nos próximos dias

- Outra pessoa? – questionou, descaindo a intensidade da sua voz juntamente com um sopro de ar quebrante – Oh Adriana, eu avisei-te… Avisei-te tantas vezes! – depois de sentir que as suas palavras somente serviram para atear um sentimento de culpa que já estava demasiado acesso, resolveu intervir oportunamente, desculpando-se – Não chores, Adriana… Não chores, por favor!

A sua súplica não conseguiu de todo deter-me no decurso de um sentimento que não era fingido e estava a ser exteriorizado ao máximo, pois por enquanto ainda me encontrava sozinha para puder agir intimamente comigo mesma e compartilhando a minha dor com um amigo que se tornara presente a todas as horas más. No entanto ele conseguiu acalmar-me – ou melhor – a vontade extrema que tive de ver o seu penar impotente sumir foi tanta, que acabei por me controlar, deixando que as lágrimas corressem pelas minhas faces sem emitir um único som.

- Ele trouxe-a para o casamento do Ruben… Tive de a conhecer! – murmurei baixinho, enquanto as minhas unhas chapinhavam o contorno insípido do músculo angular da minha coxa, esperando deter-me de uma possível recaída – Não imaginas como me sinto humilhada…

- Tu sabias que isto poderia acontecer, Adriana… - o seu alerta ressoou junto do meu ouvido, mas sentiu-se na memória de uma conversa passada que havíamos tido – Eu avisei-te, pequenina…

- Eu sei… Eu sei que avisaste, mas agora é tarde! Tão tarde para voltar atrás…

- Vais ter de aprender a viver…

- … sem ele! – quebrei o discurso imponente do meu amigo chegado, antes que ele próprio retratasse um cenário, que por enquanto eu preferia ignorar, deixando-o arrumado até que assim fosse possível – Eu sei disso, jamais me oporia na sua felicidade! E o pior é isso… É que ele parece feliz!

- Se calhar ele está feliz… E tu devias tentar fazer o mesmo!

- Como, Diogo? Como, se ainda o amo tanto? Diz-me…

- A vida é assim, Adriana… Dá voltas! Voltas tão grandes que por vezes nem julgamos possíveis, talvez a vossa história tivesse de ser assim, talvez haja alguém melhor reservado para ti e para o teu futuro! – cada palavra que ele acrescentou àquela barbaridade, mais a fez soar ridiculamente impossível aos olhos de alguém que amava tanto David quanto eu

- Não há ninguém melhor do que ele, Diogo… Nunca irei amar ninguém do mesmo jeito que o amo, é um facto! – assimilei certa de que a única verdade que se mantinha para mim, iria ser eternamente inalterável, independentemente dos acontecimentos que a vida pudesse planear para mim

- Mas nada te impossibilita de amar de novo… - preparava-me para o contestar, mas provavelmente, como já conhecia o conteúdo do meu seguinte discurso, Diogo antecipou-se – Não digo amar com a mesma intensidade… Mas amar! Dar uma oportunidade a ti mesma para ser feliz!
- Não vou mais ser feliz como fui do lado dele…

- Não, senão tentares… Aí não irás ser de certeza! – após as palavras sábias vindas de uma pessoa que um dia amara de forma desmedida e por quem nutria então um carinho infindável, o silêncio instalou-se dando apenas espaço às nossas respirações para que falassem no vagante tempo

- Sinto-me tão sozinha aqui… - ciciei, buscando receber da sua parte um conforto, um ombro amigo… ainda que distante

- Não tens aí os teus amigos?

- Tenho… Mas ter de confrontar a cada minuto a nova namorada dele é sufocante! Ter de o ver a ele é sufocante… Só queria desaparecer daqui!

- Então porque é que simplesmente não sais daí…Hum? – a sua voz meiga, fez-me crer durante meros segundos, que tudo era de simples resolução, mas depressa recordei a promessa que havia imposto a mim mesma e ao meu melhor amigo de infância

- Não posso, Diogo… Simplesmente não posso!

- Não podes… ou não queres?

- Não posso… Eu prometi ao Ruben que ia ficar do lado dele esta semana! – justifiquei apressadamente, tentando no meu íntimo compreender a verdadeira resposta àquela pergunta intriguista, que me baralhou os sentidos – É o meu melhor amigo… É o casamento dele… Não posso abandoná-lo!

- Tu podes… Só que não queres! – Diogo não me pareceu disposto a meias palavras ou meias verdades, talvez porque o seu à vontade comigo fosse muito superior a todas as desavenças passadas, que estavam mais do que findadas – Não queres porque quando partiste para aí tinhas a ideia fixa de rever o David… Não queres porque te agarraste à esperança de finalmente as coisas se puderem resolver… E não queres porque apesar de teres visto com os teus próprios olhos que ele está feliz com outra pessoa, essa esperança não desapareceu e continuas à espera que suceda um milagre e tudo volte a ser tal e qual como antes…

- Não é verdade, Diogo… - a minha tentativa de argumentação foi rapidamente refutada pelo seu maior opositor

- É, Adriana… Tu sabes tão bem disso quanto eu! Não tens aí um carro?

- Sim…

- Não tens vontade própria?

- Claro que tenho…

- Não tens sítio onde ficar esta semana para além da casa dos pais do Ruben?

- Sim, claro que tenho… - concordei, sentindo a sua insistência persistir em cada uma das questões que me eram impostas numa liberdade interrogativa própria de um discurso banal entre duas pessoas cujos sentimentos estavam polidos pelo passado

- Então, Adriana… Se continuas aí é porque de alguma forma queres estar aí!

- Ai, Diogo… - as minhas pálpebras pesaram e acabaram por recair pesadamente na linha d’água, retirando-me a visão perfeita do horizonte iluminado que se erguia sob os meus olhos – Esta esperança não vai nunca desaparecer… Chama-se amor e eu não consigo desistir dele!

- Tens de seguir em frente… A menos que estejas disposta a lutar pelo David, mas agora parece-me um bocadinho tarde!

- Ele está feliz… Não imaginas como ele está feliz com ela! São um casal de namorados perfeitamente normal… Ele já a apresentou aos pais e tudo, Diogo! – relembrei, enquanto as lágrimas se apoderavam novamente dos meus olhos, antecipando o percurso que planeavam traçar no meu rosto

- Adriana, não te quero ver assim… Segue em frente! Por muito que doa… Por muito que sofras! O amor é assim… Nem sempre tem de haver um final feliz, princesa…

- Tens razão… Eu sei que tens, mas tenho de me conformar com a ideia, até lá vou continuar a sofrer… - reconheci, adiantando a mágoa que me iria elucidar durante aqueles dias destinados pelo enlace do meu melhor amigo

- As coisas demoram… Dá simplesmente tempo ao tempo! – aconselhou-me calmamente, fazendo-me adivinhar nos seus lábios um contorno perfeito para um sorriso compreensivamente carinhoso

- Quem me dera ter-te aqui… - segredei num murmúrio padecido pelo vagar tranquilo que arrastava a noite, fazendo-a dissipar-se no raiar de um novo sol, que deveria tomar o seu lugar na linha do horizonte dali a pouco mais de uma hora

- Quem me dera estar aí contigo… Não imaginas como gostava de te puder ajudar mais do que isto!  - ouvi-o suspirar pesadamente, conformando-se com os milhares de quilómetros que nos separavam de lados diferentes de um só oceano

- Já me estás a ajudar muito, miúdo… Só o facto de ter alguém com quem desabafar, já ajuda muito!

- Mas não é a mesma coisa… Não te posso confortar! Desculpa… - o seu perdão soou-me tão patético, que me vi forçada a intervir, face à não-obrigação que compartilhava comigo e que me dava a plena noção que na cidade das luzes ele vivia o seu sonho, paralelo à vida que eu cá seguia

- Não tens de pedir desculpa, Diogo… Além disso, daqui a um mês estás de volta e vou finalmente puder ver-te e chatear-te muito! – rapidamente a conversa pesarosa torneou-se de novas formas e acabou arrastada para uma brincadeira cúmplice de dois amigos recentes, mas unidos

- Terei o maior dos prazeres em que me chateeis… É para isso mesmo que os amigos servem!

- Obrigada, Diogo… Obrigada por te teres tornado um amigo tão bom pra mim! – passivamente delimitei os meus lábios num sorriso modesto e grato, por tudo aquilo que ele já fizera em tão pouco tempo

- Ninguém diria que o puto estúpido de quem um dia gostaste se ia tornar num gajo à maneira! – gracejou, fazendo-me libertar uma gargalhada entrecortada pela respiração bafejante em contraste com o frio delicado, que anunciava a aurora

- Sempre foste uma boa pessoa… Simplesmente ainda não tinhas crescido o suficiente para dar o respectivo uso a isso!

- Acho que foi a vida e todas as situações que travei, que acabaram por fazer com que crescesse assim… e tão rápido!

- Ainda bem que assim foi… Uma pessoa maravilhosa como tu precisava vir ao de cima e dar-se a conhecer! Só tens a ganhar com isso, Didi…

- Se isso me fizer ter como amigos, pessoas tão maravilhosas quanto tu… então sim! Valeu a pena crescer! – quase que telepaticamente tive a certeza que ambos sorrimos, embalados pela nostalgia do momento, deixando depois que só o silêncio imperasse, rompido pelos primeiros chilreares das pequenas aves que habitavam as copas dos carvalhos circundantes à casa – Devias ir descansar… Aí já é quase de manhã!

- Sim… E tu também! Mais uma vez desculpa ter-te acordado…

- Não te preocupes com isso… Podes ligar sempre que precisares, a qualquer hora que seja! Tens a minha autorização…

- Obrigada… Vou tentar não ser muito chata, prometo! – garanti, erguendo-me por instantes da cadeira de verga que abrigava o meu corpo da brisa gélida que envolvia o ar pesado, que circulava em torno de mim – Cuida de ti por aí, miúdo…

- Não te preocupes, eu fico em boas mãos! E tu vê se colocas um sorriso nessa cara e segues em frente… Já é hora, pequenina!

- Prometo que vou tentar, Diogo… Nem que seja pelas pessoas que amo!

- Sempre que quiseres, já sabes… Liga-me, manda-me mensagem, o que quiseres! Vou estar sempre disponível, Adriana!

- Obrigada… Agora vou para dentro, que está a começar a amanhecer! Beijo grande, dorme bem! – desejei cordialmente, segurando junto do ouvido o meu telemóvel de última geração, preenchido por um infinidade de teclas, perfeitamente alinhadas junto do ecrã

- Tu também, Adriana… Beijo, adoro-te! – sorri, esquecendo-me de que apenas estabelecia uma ligação telefónica e coloquei-lhe um fim, pousando o telemóvel no beiral da varanda

No fundo da paisagem, por detrás do lago que se avistava lá ao longe, o sol começava a surgir, matizando o céu de uns dois ou três tons quentes, que antecipavam a luz radiante que prestes se ergueria no firmamento. Sorri novamente, no mesmo instante em que inspirei a aragem que brandamente circulava agitando as flores e as vagens de colheita, e que me trouxe a doce sensação da companhia. Pelo menos tinha a certeza de que não estava, nem estaria mais sozinha… Do meu lado tinha Diogo, disponível a todos as horas para absorver as minhas mais delineadas confissões, e para além dele a minha família e restantes amigos, que até à data já tinham dado provas suficientes de que iriam sempre ficar do meu lado, mesmo nos piores momentos. Conformei-me com o facto de um regresso eminente ao quarto onde provavelmente todos ainda pernoitavam, ao contrário de mim, que quedava junto do beiral da varanda, e de Joana, que saíra a meio da noite, e até então não regressara.
Num passo oscilante, e não sem antes recolher para mim o telemóvel que repousava sobre o pequeno muro do eirado, aproximei-me das portadas brandas, que sustinham o ambiente pesado que plenificava o quarto e depois de as arrastar delicadamente a fim de não acordar ninguém, voltei a deter o poder total do espaço onde me encontrava.

- Já acordada, Adriana? – Andreia, que acabava de sair da casa de banho que servia o nosso quarto, interpelou-me, correndo minuciosamente o seu olhar na minha figura, como que talvez procurando um sinal de fraqueza que todos esperavam ver recair sobre mim durante aquela semana

- Sim… Fui apanhar um pouco de ar, mas vou já voltar para a cama… - esclareci, sorrindo-lhe e vendo-a corresponder, enquanto ambas nos recolhíamos ao conforto das nossas camas individuais, que se distribuíam desordenadamente pelo enorme quarto

- Fazes bem… Vou aproveitar para dormir mais um pouco também, até já! – a sua voz sempre serena, repousou no mesmo instante em que a sua cabeça aportou sobre a almofada, preparando-se para mais uma ou duas horas de descanso, enquanto eu numerava ainda nenhuma

- Até já, Andreia…

Recolhi o meu corpo, puxando até junto das pernas de Sofia os meus joelhos e abrigando debaixo da minha face esquerda, uma das minhas mãos, ilustrando assim a minha figura já habitual enquanto pernoitava. A outra mão limitou-se a pousar sobre o corpinho relaxado da minha afilhada, que permaneceu alheia a todas aquelas horas de sofrimento, vivendo as suas fantasias, até que o despertar matutino assim o ditasse…



***


 
- Mad’inha… Mad’inha… - acordei embalada no timbre harmonioso de Sofia, sentindo as suas mãos fazerem um esforço extra para me movimentarem levemente, esperançosas em que despertasse prontamente – Acorda, mad’inha…

- Hum… - a minha preguiça ofereceu resistência aos primeiros instantes da manhã, anunciada pelos raios de luz que trespassavam discretamente as persianas mal corridas do quarto – Mais um bocadinho…

- Mad’inha, acorda… Eu tenho fome! – balbuciou, usando os seus pequeninos dedos para me desembaraçar as pontas dos cabelos fatigadas por umas quantas e ligeiras duas horas de sono

- Hum… Tens fome, meu amor? – inquiri, no mesmo instante em que senti o meu peito abalado pela preocupação sempre presente com aquela criança
- Shim… Tenho, mad’inha! – assentiu, agitando a sua cabecinha coordenadamente e declarando a sua necessidade matinal

- Então calça os chinelinhos que a madrinha vai tratar de ti… - ordenei, forçando o meu corpo a despertar mais cedo que o previsto e ganhando possança nas pernas, para que estas sustentassem o meu corpo logo pela manhã e após um acordar tão repentino

- Já ‘tá, mad’inha…

- Então vamos, meu amor… Não faças barulho!

Após erguer o indicador junto dos meus lábios, emitindo um pedido de silêncio, tomei a sua pequena mão na minha e delicadamente abri a porta do quarto para que pudéssemos sair, sem incomodar o repouso das restantes mulheres que se encontravam presentes e adormecidas. Ao passar junto da cama de Joana, constatei que esta já se encontrava lá e tal como as outras, ficou alheia à minha saída, que findou, assim que encerrei a portada branca e dei início a um percurso no corredor.

- Ainda estão todos a domilhe, é? – questionou, Sofia, espreitando cuidadosamente todas as portas recostadas no corredor, esperando, tal como eu, reconhecer algum rosto familiar, que se tivesse inteirado da manhã tão presto quanto nós

- Sim, meu anjo… Devem estar, ainda é muito cedo!

- Mas é que eu já não tenho sono… - exclamou, erguendo no ar o seu modesto indicador e fazendo-o rodopiar até este colidir com a pontinha do seu nariz resfriado pela atmosfera da casa

- Mas isso foi porque te deitaste cedo, meu bem… - concordei, auxilianda-o de forma segura, enquanto descíamos três lances de escadas, revestidas a alcatifa num tom bege

- E porque tenho fominha, mad’inha… Muita! – reafirmou, comprimindo a sua testa em três expressivas rugas, que lhe conferiram um aspecto deleitoso

- Então vamos lá tratar disso! – clamei, segurando-a nos meus braços para que encaixasse num dos bancos altos da cozinha, que se encontrava intacta, dando sinal de que desde a noite anterior mais ninguém a usara

Recolhi do armário superior, junto do lava loiças, uma taça funda feita numa cerâmica ceifada por uma mescla de cores vivas e pousei-a junto da bancada, que iria servir de suporte à primeira refeição do dia para a minha pequena menina. Caminhei até ao frigorífico e depois de encontrar o desejado pacote de leite, aqueci uma pequena porção, preparando-me para aprontar o pequeno-almoço de Sofia.

- Já estás mais fewiz hoje, mad’inha? – perguntou de rajada, vinda do nada, enquanto eu dispunha na taça de leite os primeiros flocos de avelã, juntamente com umas quantas pepitas de chocolate negro

- A madrinha já estava feliz, meu amor… Mas sim, hoje ainda estou mais! – confirmei, pretendendo fazer-lhe a vontade e não dar asno a uma conversa semelhante à da noite passada, que a qualquer segundo me poderia fazer vacilar

- Ontem num estavas… Cholhaste! Mas eu num digo a ninguém… P’ometo! – cruzou na frente dos seus labiozinhos os dois dedos indicadores e beijou-os, dando sinal de que iria cumprir a promessa mais recente, partilhada por nós duas… madrinha e afilhada.

- Eu sei que não dizes, meu amor… - assim que acerquei o meu corpo do seu, beijei-lhe harmoniosamente o topo da cabeça e na sua frente pousei a taça de cereais suficientemente abastecida para lhe saciar a fome – Agora come, princesinha!

- Ob’igada, mad’inha! – sorriu-me e sofregamente segurou a colher de metal na sua mão e deliciou-se com a simples refeição que lhe preparara

Enquanto Sofia devorava a primeira refeição do dia, eu aproximei-me da porta traseira da cozinha e espreitei pelo pequeno quadrado de vidro duplo, que me oferecia a visão periférica do jardim, onde a minha pequena Quimera havia passado a noite, amarrada a uma árvore e sujeita aos desprazeres de uma noite pungente de Inverno. Contorci-me no meu íntimo ao ver a tristeza demarcada em cada um dos seus movimentos meigos, enquanto remexia a relva húmida pelo zimbro, com o seu pequeno focinho saliente. Quis sair para brincar um pouco com ela, mas tinha sob a minha guarda Sofia e ainda me encontrava de pijama e pantufas, o que me fez retrair o desejo e guardá-lo para mais tarde.

- A Quimelha está lá fo’a? – rodei o meu corpo sobre os calcanhares de modo a ver a minha afilhada, que na sua frente apresentava uma taça já quase vazia

- Sim, meu anjo…

- Po’quê? Tu nunca a deixas na rua….

- Mas hoje teve de ser, amor…

- Oh, eu go’to de b’incalhe com elha! – exclamou, erguendo as suas mãozinhas em sinal de decepção face a ausência da minha companheira de longas e faustosas horas

- Mais logo prometo que te levo lá fora para que possam brincar, sim? – sugeri, aproximando-me mais uma vez do seu corpo inocente e remexendo nos seus cachinhos rebeldes, que lhe emolduravam canonicamente o rosto angelical de criança reguila

- Sim, mas também quero brincar contigo! – pedinchou, enterrando o seu rostinho sobre os dois punhos cerrados, erguidos verticalmente no ar e apoiados sobre os cotovelos que jaziam sobre a bancada de granito

- A madrinha não tem tempo para brincar contigo, amor… Tenho coisas a fazer! – o desgosto pelo simples facto de não puder compartilhar um par de horas de pura brincadeira com a minha afilhada, recaiu sobre o meu ser, afectando a animação matinal que se havia apoderado de mim

- Oh… Agolha nunca tens tempo pa’ mim!

- Desculpa, pequenina… Mas a madrinha anda cansada e tem um monte de coisas para fazer…

- Oh, tudo bem… Eu vou para ao pé da minha mamã! – num pulo rompante, saltou da alta cadeira para o chão e iniciou uma corridinha direccionada ao piso superior, ou melhor, ao mesmo quarto que me pertencia a mim e à sua mãe

- Sofia, espera… - chamei o seu nome, mas a tarefa de a demover foi totalmente em vão

Sem dar conta de que isso acontecesse, senti um aperto enorme assaltar-me o peito, comprimindo o meu coração num punho cerrado e bem atado pelos nós dos dedos. Tentei respirar fundo, mas a culpa que sentia dentro de mim não desapareceu, devido à plena consciência que detinha relativamente à desilusão que dera à minha pequena afilhada.
Durante meros segundo, reconsiderei segui-la e procurar serenar a decepção que causara naquele ser frágil, mas o meu corpo estava tão massacrado pelas poucas horas de sono, que foi incapaz de agir sozinho e comandar os meus pés para que estes se movessem ao sabor do coração. Fiquei então ali… Completamente inerte, completamente inanimada, buscando forças não sei onde para subir o olhar e fazer face à vida e às suas adversidades.
 Os meus olhos encerraram-se de cansaço e o meu corpo acabou por tombar sobre uma das cadeiras da cozinha, aquela que se encontrava ligeiramente deslocada da mesa, e nem os passos trepidantemente suaves que percepcionei ao fundo da escada, me fizeram erguer ou mostrar um sorriso que não era meu e o qual não sentia vontade de exibir faustosamente.

- Adriana… - a fala melodiosa de Paula, despertou-me do meu estado dormente de cansaço e fez-me pela primeira vez olhá-la, quando nos encontrávamos sozinhas naquele espaço

- Bom dia, amor… - murmurei calmamente, deixando o meu olhar pendurado no limite entre a bancada e o chão, e não encontrando forças para o altear

- Bom dia, princesa… - clamou, beijando-me o topo da cabeça com os seus lábios cálidos de ternura – Que carinha é essa?

- É a minha…

- Eu conheço-te… Algo se passa, amor!

- Ai, Paulinha… - assim que pronunciei o seu nome, a minha cabeça descaiu sobre o colo e duas lágrimas gordas precipitaram-se vertiginosamente, esmorecendo na pele que contornava as minhas coxas despidas

Lá estava eu… A chorar novamente por ele. Pelo único homem que detinha aquele puder avassalador sobre mim! Tudo em mim pedia “David”, tudo em mim vivia para e por ele e incrivelmente sentia-me tremendamente vazia. Até a minha pequena Sofia estava desiludida com a pessoa em que me havia tornado, o que de certa forma me levou a considerar que talvez David estivesse certo e eu não era mais a mesma Adriana de sempre.

- Fala comigo, amor… Que aconteceu? – perguntou-me Paula, segurando as minhas duas mãos e agachando-se junto de mim, determinada a não sair de perto, enquanto não me reconfortasse com o calor da sua amizade fulcral
- O David, Paula… O David… - apenas consegui esboçar o nome dele na terminação dos meus lábios, enquanto um soluçar aflitivo dominava a minha respiração
Talvez porque me sentiu demasiado nervosa, Paula segurou-me junto de si e plantou-me no sofá da sala, onde me entreguei a um choro compulsivo assim que esta se ausentou para regressar minutos depois com uma caneca fumegante de chá de camomila.
- Toma, amor… Bebe isto! – ordenou-me enquanto ocupava o lugar vago do meu lado e pousava a sua mão encorajadora no fundo da minha coxa
Sabia que era inútil contestar o simples facto de não querer sorver nada numa altura como aquela, por isso limitei-me a obedecer às suas ordens e sempre com as lágrimas constantes brotando dos meus olhos, bebi até ao último golinho a caneca que estava cheia.  
- Mais calminha? – perguntou carinhosamente, passando os seus dedos pelos fios delicados dos meus cabelos, mas apenas se acautelou de um simples acenar de cabeça da minha parte – Fala comigo… Com calma, conta-me o que tens.
- O David, Paulinha… Ele é feliz com a Joana! – as primeiras palavras que proferi não se devem ter associado de forma lógica no pensamento da minha amiga, pois esta esboçou uma expressão de estranheza, mas eu prossegui com o meu desabafo – O David… Eu vejo que ele é feliz com ela, que me esqueceu! – as lágrimas retomaram aos meus olhos perante a confissão revelada, deixando-a sem reacção face a tanto desespero
- Oh princesa… Passaram cinco meses desde que vocês se separaram! – relembrou-me no seu jeito carinhoso, acarinhando-me o rosto com as polpas dos seus dedos quebradiços
- Mas mesmo assim… Nós amávamo-nos tanto, Paula! Tanto…
- Tu sabes que o amor por vezes acaba, não sabes, amor?
- Sim, mas o nosso era diferente… Era para ser para sempre, ele prometeu-me! – proferi alteando levemente a voz, como se o simples facto de o fazer, fosse conferir outra veracidade às minhas palavras
- Muito pouca coisa é para sempre… Os sentimentos são mesmo assim!
- Também achas que ele não me ama mais, não é? – inquiri, encarando-a olhos nos olhos, pois conhecíamo-nos bem demais para eu reconhecer a misericórdia de uma mentira no seu olhar
- Acho que o David ficou muito magoado com o fim da vossa relação e entretando tentou ser feliz de outra forma…
- Com a Joana… - relembrei amargamente, rolando os meus olhos em dois círculos perfeitos num simples revirar
- Sim… com a Joana! – a confirmação para a minha teoria só provocou uma força maior no choro que despoletava a cada instante dos meus olhos já trucidados pela maratona de lágrimas que haviam atravessado
- Eu sei que errei, Paula… Mas… Eu pensei… Eu pensei que as coisas iam ser diferentes esta semana… Que nós íamos falar e… e… - os planos futuros que traçara na minha mente, tinham-se anulado num simples instante em que cruzei o portão daquela casa e vi aquela mulher beijar os lábios do (meu) homem - Deixa pra lá o que eu pensei…
- Oh amor… Achaste que vocês iam falar, fazer juras e ele acabava com a Joana para assumir esse amor? – inquiriu, acariciando-me meigamente as faces
- Achei… Achei que apesar de toda a mágoa ele ainda me amava e esse amor era superior a todas as dores que lhe havia provocado… - não consegui terminar o decurso das minhas palavras, pois um choro vagabundo apoderou-se de mim  
- Vem cá… - puxando-me para si, a minha doce Paula, acabou por me envolver no calor do seu abraço protector
- Dói tanto, Paula… Tanto… - confidenciei num soluçar miudinho e ressentido pela esperança findada naquele amor
- Eu sei, amor… Eu sei… - afirmou, embalando-me nos seus braços até que eu finalmente acalmei… as lágrimas secaram e um silêncio profundo instalou-se
Não ousei dizer uma única palavra e ela tão pouco, porque talvez adivinhasse a dor que trazia comigo e a inutilidade de qualquer palavra face a esse sentimento rancoroso com o destino. Manteve-se então protegida e amada no refúgio do abraço, mesmo sabendo que nunca iria conseguir preencher o vazio deixado pela partida de David da minha vida.
- Paulinha… - fui eu a primeira a quebrar o sossego e a separar os nossos corpos prolongadamente unidos por um abraço
- Diz, amor…
- Sabes o que dói mais? – questionei retoricamente, olhando os seus olhos, com os meus rasos de lágrimas – Não é saber que ele está com outra pessoa… É saber que ele está com outra pessoa e já não me ama mais!
Para além das lágrimas que me escorreram pelo rosto, percepcionei os olhos de Paula plenos de lágrimas… penso que se emocionou com a fraqueza do meu ser actual e sentiu pena, pena do sofrimento em que aprendera então a viver.
- Nunca pensei que ele me fosse substituir tão depressa… - confessei monocordicamente, recaindo a minha cabeça nas costas do sofá bege onde nos encontrávamos
- A vida seguiu para os dois…
- A dele seguiu depressa demais… Eu ainda nem consegui olhar para mais nenhum homem, quanto mais iniciar um relacionamento e assumi-lo perante tudo e todos!
- Com o tempo… Com o tempo irás aprender a fazê-lo!
-- Arrependo-me de tanta coisa… Se calhar devia ter lutado por ele, tentado reatar o amor que sentíamos, mas não… Deixei por morrer por completo a coisa mais bonita que alguma vez senti por alguém!
- Adriana, olha pra mim… - pediu, colocando a sua mão no meu queixo e obrigando-me a encará-la sem espaço para desistências ou fraquezas – Tu e o David têm um passado, uma história, tiveram juntos muito tempo… Sim, acabou! Por um erro teu, que ele não soube perdoar… Tu seguiste o teu caminho, não apareceste mais, não o procuraste e acho que ele não achou correcto seguir atrás de ti, manter-te sempre presa senão tinha a mínima intenção de te perdoar depois de o teres deixado de novo em Paris…
- E o amor acabou… Ele não me ama mais! – murmurei chorando de forma miudinha e sentida
- Amor, não entendas isto como um sinal de esperança, mas de um jeito ou de outro, o David vai sempre amar-te… À sua maneira! – afirmou compreensivamente, denotando a sua voz de uma ternura extrema que já lhe era característica – De um grande amor como o vosso, fica pelo menos o carinho…
- Mas essa maneira… Esse carinho… Não chegam para ele voltar a ser meu! Agora é a Joana que tem o bem mais precioso da minha vida!
- E tu tens de te conformar com isso e seguir com a tua vida, Adriana! Para trás fica o David, namorado de dois anos; e em frente fica o David, grande amigo!
- Mas como é que eu posso ser apenas amiga de uma pessoa que amo tanto? – a pergunta ficou suspensa no ar e eu não obtive uma única resposta da parte dela
Senti-a percorrer o olhar pela sala na esperança de que alguém ou alguma situação a livrasse daquela pergunta sem resposta possível, mas o que eu desconhecia… o que ainda estava para vir… eram uma dúzia de respostas, que se iriam arrastar até mim nos próximos dias, talvez até bem mais cedo do que aquilo que imaginava!





Antes demais quero pedir desculpa a todas as leitoras pela demora deste capítulo, mas já sabem o porquê desta situação.
Como o prometido é devido, cá fica o capítulo, sem previsões de quando conseguirei postar o próximo.
Espero que gostem e comentem :)
Beijinhos, Drii
P.s - Para quem perguntou a música do blogue é "It will rain - Bruno Mars"    :)

29 comentários:

Anónimo disse...

Ai Drii isto não se faz...Estou de rastos com este capitulo a chorar desalmadamente e com uma pena tremenda da Adriana coitada ninguem merece sofrer assim por muitas coisas arradas k tenha feito na vida.
Pena o Diogo não poder vir ter com ela acho que o David ao ver o diogo com ela ia pensar 2 vezes e ter ciumes e ai talvez as coisas mudassem...Épa tou tão triste que já nem sei o que pensar para dar volta a isto...eu só os quero juntos e felizes já chega de sofrimento...AAAAAAMMMMMMMMEEEEEEIIIIII....
Ana

Anónimo disse...

Que mau foi David ao ir ao quarto buscar a outra :s Ele só pode ter feito de propósito para magoar a Adriana, só pode!

será que ele gosta mesmo dessa Joana?? impossível, depois da maneira como ele falou com a Adriana, depois da magoa que ele ainda tem. ele ama-a!

tadinha da Adriana, ta a sofrer tanto. caramba nunca mais fazem as pazes, ela já devia ter dito o porque de te-lo abandonado em Paris. assim, ele nunca mais a entende. a culpa é dele, magoou-a demais naquela tarde no Colombo, muito mais do que o Diogo alguma vez fez. E mesmo assim ela continua amando-o, mas o medo dela fez com que ela o perdesse. Ela precisa correr atrás dele, fazê-lo ouvir os motivos de ela ter fugido e então, se mesmo depois disso tudo, ele continuar com a Joana, esquece-lo. Mas a mim parece-me que isso não vai acontecer, se ele soubesse tudo não estaria com a outra.

como é possível em 5 meses deixar de amar, a pessoa que se dizia ser para sempre?!

opá, agora é que fiquei mesmo curiosa, com este ultimo paragrafo. que respostas serão estas???

Catarina disse...

Nao consigo deixar de chorar cada vez que leio as confissoes e desabafos da Adriana... Custa tanto vê-la assim tao desamparada e triste!
So espero que eles façam as pazes e depressa =P
Fico à espera do proximo ;)
Bjs

Annie disse...

Minha querida Adriana, estou a chorar. Ando tão frágil que desabo a qualquer momento, hoje foi ao ler este perfeito capítulo.
A simplicidade da Sofia deixa-me de rastos, a sua ternura, o seu pequeno grande saber.
O Diogo, faz-me querer conhecer um homem assim.
Minha querida, tens tanto jeito.
Beijinhos, aguardo o próximo

Anónimo disse...

PERFEITO.
CHOREI LITROS COM O SOFRIMENTO DA ADRIANA, CHOREI COM O JEITINHO DA SOFIA, CHOREI COM O ATO DO DAVID, CHOREI COM AS PALAVRAS DO DIOGO E DA PAULINHA, ENFIM ... CHOREI O CAPÍTULO TODO ;/

QUERO MAIS MINHA PRINCESINHA +.+

Fabi disse...

Perfeito! Perfeito! Perfeito!

ElsaNeves disse...

Céus Dri, tu matas-me... que capitulo!!!
Fantástico!!!!
É extremamente viciante a tua historia.
Que vontade descontrolada de ler mais e mais.
Amo!!!
Beijinhos linda.

Alexandra disse...

Que respostas serão essas? :o
Ai, porque é que a Adriana enrola e não lhe diz o porque de se ter ido embora? Assim só piora e piora!
Os capítulos são um show! esboço sempre um sorriso e emociono-me, Parabéns!!!!!!!!!
Também vês The Vampire Diaries *o*?

Ana disse...

fantastico... maravilhoso...

quero mais...

continua...

Unknown disse...

Palavras para quê?? Consegues deixar-me sempre a querer mais e mais :)

Minha linda continua a escrever que irei estar sempre cá para ler!

Beijinhos :)

Mary disse...

Olá!
Sabes que mais???
Eu nunca li um capítulo teu como o que li ontem à noite! Foi impossível não gritar de "raiva" por causa daquela conversa entre eles os dois, repito, impossível!
Estava no meu da sala a gritar: Epá! Diz-lhe a verdade! Diz-lhe que foste ter com ele! E tu não sejas assim tão parvo! (reacção das outras pessoas: WTF! O que é que te deu???) lol
Foi muito gratificante ler este teu capítulo, mas isto põe-me os nervos em franja porque ele está a ser tão estúpido com ela e só me apetece chorar porque o que ela está a sentir eu também o sinto ao ler e isso é que é ser bem sucedida na escrita, porque tu consegues transmitir tudo o que as personagens sentem para o papel e é melhor parar que daqui a pouco isto já nem cabe aqui.
lol
Não será preciso dizer que estou muito ansiosa pelo próximo e muito, muito curiosa, porque acho que isso é óbvio, mas de qualquer das maneiras também já o disse!
Beijinhos!

Anónimo disse...

Adorei tu consegues como ninguem transmitir para o papel e para quem lê os sentimentos da personagem.
Escreves tão bem...
Aproveita esse dom que deus te deu e principalmente nunca desanimes pois a tua escrita è fantastica e lembra-te que fazes muito feliz quem lê o que escreves...
Continua... sempre...
Ps: a musica è linda.
Filipa,bj.

Anónimo disse...

partiste-me o coração... espero ansiosamente pelas respostas que virão!

Mariana Vieira

Anónimo disse...

Olaaaaaaaaaaaa


Adoreiiiiiiiiiiiiii , mas tens de os juntar já chega de sofrimento (:


Beijinhos

Anónimo disse...

Ai tou cá com um odio ao David grrr

que raiva... tá a ser tao estupido!

se ele continua assim, vou preferir que a Adriana fique com o Diogo, que ja provou ser um Homem, com H grande, enquanto que o David está a ser um cobarde e parvo. nao percebo o que é que ele está a fazer com a Joana, juro que nao!

ainda por cima vai ter com ela ao quarto:S

espero que a situaçao se resolva, rapido. coitadinha da Adriana, nao merece sofrer mais....

Jéssica disse...

Acho que já foi tudo dito.

Escreves lindamente, mas isso já é indiscutivel!

Quando à história, já ando com um pó ao David. Ele está a ser super cabrão (desculpem o termo, mas é verdade), está a ser um estúpido. E acima de tudo estásse a revelar, está a mostrar ser não ser o inocente e bom rapaz que todos pensam!

Desta vez é bom que seja ele a ir atrás da Adriana, pois ela já fez muito por ele, e ela teve razões para o deixar plantado em Paris! Ele está a ser um enorme idiota, ou então não gosta mesmo dela!

Se ele não fizer nada, arrisco a dizer que ela estaria melhor com o Diogo, embora a gostasse mais de ver com o David.

Quanto ao Ruben, sendo ele o melhor amigo da Adriana, deveria estar mais presente nestes momentos, é que só está a Paula.

Resolve a situação deles rápido. Já andamos á uns meses nesta vida..

Anónimo disse...

Sao tao lindos estes capitulos
Tambem tenhouma fic com 3 amigas do javi, gaitan,enzo perez e nolito passa la e comenta :D
http://adolescentesfazemvidanobenfica.blogspot.com/

Dreamer disse...

Adorei *___*

Anónimo disse...

mais uma vez está FANTASTICO! AMEI :)
Continua pf
Beijinhos :p

Ana Sousa disse...

amo amo amo!
Ai nao posso esperar por mais :O
Amei, querida!
Tua escrita é sempre o mesmo ! AMO
Beijinho
Ana Sousa

Anónimo disse...

Encontrar palavras para descrever o que escreves tá cada vez mais difícil. Envolve-nos de tal maneira que até parece que estou lá, a presenciar a cena,a ver o sofrimento deles.A Adriana tá a sofrer,muito, corta-me o coração ler os desabafos dela.O David criou à volta dele uma carapaça protectora, quer dar uma ar de que é forte e que já seguiu com a sua vida,mas não me convence que em 5 meses esqueceu o grande amor da sua vida.Não foi bonito da parte dele ir ao quarto buscar a namorada, a intenção foi magoar a Joana,e conseguiu.Este capítulo tal como os outros tá magnfico.Mas eu pergunto,quem é que nunca sofreu por amor?Por isso deixo-vos uma parte de um poema de Luis de Camões, que encaixa que nem uma luva a estes dois:

"Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer..."

Beijocas

Fernanda

Anónimo disse...

Para quando o próximo capítulo?!
Tou tão curiosa...quero tanto saber quais sao as respostas.

Jéssica disse...

Olá, como sabes (e já te o tenho dito várias vezes) gosto bastante da forma como escrever. Há bem pouco tempo decidi começar a escrever uma fanfic, mas o protagonista é o Ruben Amorim.
Então pedia-te para que fosses dando a tua opinião sobre a história.

O endereço é este: http://oceunaoeolimite5.blogspot.com/

Beijinhos *

Anónimo disse...

Dri desculpa, no meu comentário enganei-me, eu queria dizer que a intensão do David era magoar o Adriana e não a Joana, é o que dá ler mais fics, a malta baralha-se toda.

Beijocas

Fernanda

Anónimo disse...

http://naoexistefinaisfelizes.blogspot.com/ Nova fan fic, espero que gostes!

Anónimo disse...

Eles ja merecem ficar juntos, nao??
Ja aconteceu tanto. caramba, ja foi castigo suficiente. a emproada da Joana que abra os olhos e perceba que o David ama a Adriana e vá embora.

posta rapido, tou curiosa, anciosa.

Anónimo disse...

ADOROOOO :')
Para quando o próximo?1

Raah disse...

Maiiiiiiiiis!

Ja há muiito qe nao temos um novo :/

Anónimo disse...

Quando é que publicas??
Já não publicas há quase um mês...
Publica rápido sff... :)

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