domingo, 18 de dezembro de 2011

Capítulo 114 - Nem sempre um sorriso é sinónimo de felicidade (Parte II)



A aurora funesta e antecipada, acabou por descerrar caminho a uma manhã serena e pacífica. O silêncio imperava então em cada recanto da enorme vivenda familiar, e enquanto quase todos dormiam, assim como Paula que regressara à sua cama, Adriana encontrava-se no jardim exterior, situado nas traseiras.
As folhas alaranjadas de Outono eram arrastadas pela brisa gélida da estação e a paisagem que se estendia sobre o olhar inerte de Adriana, nunca lhe parecera tão bela como então. Concentrada na parafernália de livros abertos que tinha na sua frente, ela delineava numa folha de papel solta, o esquema para um trabalho da faculdade, exercendo a sua característica evidente de mulher aplicada, que jamais baixava a guarda aos seus sonhos.
Sentada na pequena mesa redonda de apenas quatro lugares, tentava apagar da sua mente a cena avassaladora que a desolara na noite anterior e cujos protagonistas haviam sido David e Joana. Após meia hora de luta interior para esquecer por completo a madrugada passada, conseguiu por fim concentrar-se na sua maior tarefa e foi a ela que se entregou nas duas horas seguintes.



***



No piso superior, estendida sobre os lençóis de algodão azul-marinho, Paula que regressara ao seu descanso, não conseguiu esquecer aquilo que vira na sala, enquanto mantinha a amiga próxima, no calor de um abraço… Aquilo que vira e passara completamente despercebido a Adriana, que perdida sofregamente em lágrimas, confessou o mais íntimo de si, sem saber que presente, se encontrava outra pessoa… Aquela que ela mais temia.



*****
… - E tu tens de te conformar com isso e seguir com a tua vida, Adriana! Para trás fica o David, namorado de dois anos; e em frente fica o David, grande amigo!
- Mas como é que eu posso ser apenas amiga de uma pessoa que amo tanto? – a pergunta ficou suspensa no ar porque do outro lado da sala, junto das escadas interiores, Paulinha conseguiu ver David, com os olhos rasos de lágrimas, fazendo-lhe sinal para que nada dissesse.
Pela sua expressão e olhar pesaroso, carregado de dor, ele havia ouvido a conversa na íntegra desde o seu início. Porém tomou o seu caminho rumo ao piso superior e ela tomou Adriana nos seus braços, tentando mantê-la tão feliz quanto possível, sabendo que se o conseguisse, não iria ser por muito tempo.
*****


Assoberbada pelo peso que lhe comprimia o pensamento, Paula levantou-se, tomou um banho energético e vestiu algo quente, para resistir ao frio que pairava no ar.
Sabia que mais do que nunca não poderia tirar partido de nenhum dos seus amigos e precisava enfrentá-los, cara-a-cara, não permitindo que nada fosse deixado ao acaso ou encerrado num livro que jamais seria aberto. E o destino acabou por lhe ceder a situação que tanto procurava…mais cedo do que o esperado.

- David… - chamou por ele, assim que o viu cruzar o corredor dos quartos e num passo tão célere, quanto os sapatos de salto alto lhe permitiram, acercou-se dele, disposta a levar avante aquilo que seriamente decidira

- Oi, Paulinha… Bom dia! – descontraidamente e agindo como se mais alguém estivesse presente, David mostrou-se bem-disposto, como se ainda não tivesse visto Paula naquela manhã, junto das escadas, enquanto esta conversava com Adriana algo que ele jamais deveria ter escutado

- Preciso de falar contigo… - proferiu ela, imediatamente, mostrando que não estava disposta a conter por muito mais tempo aquela conversa, mas uma presença impôs-se no corredor, quebrando um momento que apesar de tudo, estava destinado a acontecer  

- Bom dia! – a voz melodiosa de Joana irrompeu pelo ar e os seus lábios foram imediatamente de encontro aos de David, que por se encontrar na frente de uma amiga tão próxima, se contraiu brevemente

- Bom dia, Joana! – David correspondeu com um sorriso perfeito nos lábios, ao ter do seu lado aquela que era a sua nova companheira de vida

- David… - lançando-lhe um olhar reprovador, Paula relembrou-lhe daquilo que havia pedido segundos antes da interrupção inoportuna da nova namorada do amigo, não mostrando sequer o mínimo de interesse em manter uma encenação e corresponder à salvação matinal de uma pessoa com quem não compartilhava qualquer empatia – Preciso de falar contigo… A sós! – acrescentou, depois de a olhar discretamente de soslaio, pois esperava que esta se retirasse ao perceber que a conversa planeada, apenas iria acontecer a dois

- Claro… Cê me espera lá em baixo, Joana? – inquiriu, olhando a namorada durante breves segundos no intuito de receber uma resposta positiva

- Sim, sem problema, amor… Até já! – esta não se ausentou sem lhe roubar um beijo apaixonado, que David fez questão de quebrar, por motivos que passaram despercebidos a Paula, mas que talvez se tornassem claros mais cedo até do que ela esperava

- Então… Que cê queria falar comigo? – inquiriu, enterrando as mãos no interior dos bolsos das calças que envergava e que lhe delineavam harmoniosamente as pernas

- Prefiro que seja noutro sítio… É um assunto privado e sério! – revelou sisudamente, cruzando na frente do seu peito protuberante, os seus dois braços obstinados pelo feitio relutante

- Claro… Pode ser no escritório lá em baixo? – sugeriu David inocentemente, não sabendo que estava a escassos segundos de cair numa armadilha, da qual durante mais de cinco meses se tentara prevenir

- Sim, parece-me bem!  - consentiu, seguindo então na sua frente até ao piso inferior e fechando a porta do escritório, no momento em que ambos já se encontravam lá dentro

- E então… Aqui já dá pra me dizer que quer falar comigo, Paulinha?

- Só te quero dizer, que vou contar à Adriana que estavas no fundo das escadas e ouviste a conversa toda! – declarou avidamente, procurando arrancar do seu peito a sensação de traição que cometia para com a amiga, ao compactuar com aquele segredo

- Não faz isso, Paula… Cê sabe que ela vai ficar pior ainda! – declarou, tentando salvaguardar a sua própria existência, imaginando a conversa que Adriana tentaria ter, assim que soubesse daquela situação, a fim de esclarecer-se a si e aos sentimentos que dizia já não sentir por ele

- Sei? O problema é que eu já não sei nada… Os teus comportamentos deixam-me confusa, David! Ainda não consegui compreender porque estavas assim…

David silenciou-se naquele mesmo instante e o seu corpo tombou sobre um pequeno sofá, que se encontrava disposto no fundo da sala, junto de uma pequena mesa de pé-de-galo, esculpida em carvalho envelhecido.
O seu fácies desmoronou-se, dando o primeiro sinal de fraqueza, que antecedeu muitos outros e que apenas Paula percepcionou… ali, fechada naquela sala com ele.
As mãos de David tornaram-se revoltas e mergulharam uma na outra, usando os seus dedos como remos para acalmar o nervosismo claro que pairava no ar. A sua respiração movimentou-se atabalhoadamente, expressando os batimentos descompassados que o seu órgão vital exercia no peito, tal qual uma bomba-relógio, que iria detonar a qualquer segundo.
Ele simplesmente vacilou… O autocontrolo que aprendera a dominar ao longo de cinco meses de ausência de Adriana, quebrou numa questão efémera de segundos.

- Fala comigo, David… Eu sou amiga dos dois, mas senão falares comigo não vou puder ajudar-te! – Paula tomou cuidadosamente o lugar livre do lado dele, para não o afugentar, e segurou a sua mão, esperando que isso o reconfortasse perante o eminente confronto com os seus próprios sentimentos adormecidos

- Cê quer que eu diga o quê… Hum? – indagou pesarosamente, olhando-a nos olhos pela primeira vez desde que ali haviam chegado – Quer que eu diga que ‘tava chorando é isso?

- Já seria um começo, grandalhão… - murmurou carinhosamente, passando a polpa dos seus dedos nas costas da mão trémula daquele homem, com quem compartilhava uma amizade especial e sincera

- Então é isso… Eu ‘tava! – assumiu prontamente, tentando dominar no seu íntimo o impulso de choro, que naquele segundo ameaçou arrombar os portões do seu peito, abrindo caminho para as lágrimas, que tinham os trilhos traçados no rosto daquele homem frágil

- E porquê, Dê? – perguntou, tentando manter o contacto visual impenetrável, para que conseguisse decifrar qualquer mentira sobre a qual David se pudesse pronunciar

- Porque tive pena dela… Do sofrimento dela!

Os seus lábios soletraram cada letra precisa do seu diálogo, mas os olhos negaram cada uma delas, revelando a Paula o segredo que o cadeado do seu coração aprisionava e planeava manter a sete chaves pelo menos enquanto se encontrasse debaixo do mesmo tecto que Adriana.

- David, não vai adiantar enganares-me… Não a uma pessoa que já te conhece tão bem quanto eu!

- Eu tô falando a verdade, Paulinha…

- David, eu conheço-te! Conheço-te bem demais… Diz-me porque estavas assim!

- Paula, por favor… Não insiste nisto! – suplicou, erguendo o seu corpo do sofá num cordial movimento e acercando-se da secretária talhada manualmente, e aí pousando as mãos de forma a suportar o peso do seu corpo e da consciência que lhe pesava um pouco mais a cada segundo passado

- Tudo bem, eu não insisto mais… Mas depois não digas que eu contei à Adriana sem te ter dado a mínima hipótese de te explicares! – Paula encaminhou-se para a porta, certa de que aquele discreto jogo de palavras seria suficiente para exercer uma pressão psicológica sobre David, que ao sentir-se sobre ameaça acabaria por ceder… ainda que por instinto

- Porque eu a amo! – confessou num bafejo alterado pela respiração que lhe guiava o folegar e fazendo assim Paula, que se encontrava já de costas e de puxador em punho, parar para o ouvir – É isso… ‘Tava chorando porque ainda a amo… Muito!

- Amas…? Amas a Adriana? – questionou, tentando conjugar na sua mente cada peça daquele quebra-cabeças cada vez mais confuso para ambas as partes, que insistiam em acrescentar elementos a uma história assoberbada de acontecimentos

- Amo, Paulinha… Eu amo ela! – reafirmou, baixando a cabeça na direcção do chão, assim que sentiu o olhar reprovador da amiga inteirar-se da sua figura enfraquecida

- Tu ama-la e és capaz de a fazer sofrer assim, vendo que a magoas ao estar com a Joana? – perguntou, soltando a porta que segurava na sua mão esquerda e aproximando-se dele furiosamente, procurando respostas rápidas e directas a todas as perguntas que lhe baralhavam o pensamento – Ao menos gostas da tua namorada?

- Gosto… Eu tenho um carinho muito grande pela Joana… - David tentou justificar-se, esclarecendo qual o sentimento que verdadeiramente nutria pela mulher com quem fazia planos para um futuro a dois

- Um carinho, David? Tu sentes um carinho? – apesar de sentir um afecto muito grande por ele, Paula não conseguiu evitar a revolta ao saber que na verdade David ainda amava Adriana e que por pensar o contrário, a amiga compadecia-se de dor – Só podes estar a brincar! Tens a noção de como a Adriana está por ter de ver este espectáculo todos os dias? Claro que tens… Ouviste tudo o que ela disse! Como é que és capaz de agir assim, David?

- Agir como, Paula? Cê se esquece que ela me deixou? – os olhos de David raiaram-se de um vermelho, que denunciava um choro miudinho, que a qualquer hora daria sinais evidentes no seu olhar translúcido – Duas vezes…

- Não, eu não esqueço! Mas só te relembro que não estás a ser justo com ninguém… Primeiro, porque estás com uma pessoa que gosta de ti de verdade, a alimentares-lhe esperanças onde elas não existem. Depois porque amas uma pessoa e a fazes acreditar o contrário! E por fim… Estás a ser desonesto contigo mesmo e com os teus sentimentos, porque negas a ti mesmo um sentimento que te podia trazer felicidade… Era só deixares!

- Cê não compreende… Ninguém compreende, Paula!

- Não dá para compreender, sinceramente, David!

- Não… Não dá porque vocês não conhecem a dor e o sentimento de ser deixado do jeito que ela me deixou! Porque vocês não sabem o que é alguém pegar no vosso sentimento mais verdadeiro, jogar ele no chão e pisar, até ele ficar mirrado… Pequenininho! – revelando a dor, que sincera, o consumia por dentro, David cedeu às lágrimas, que por fim ocuparam os caminhos planeados nas suas faces esquálidas de tristeza e esmoreceram no contorno perfeito dos seus lábios esmaecidos

- Sabes bem que lamento a forma incontornável como ela colocou fim à vossa relação e que admito que ela errou muito… Mas ela é humana, David! Ela é humana tal e qual como tu… Erra, magoa, sofre… - não querendo tomar a posição de apenas um dos lados da história, Paulinha esforçou-se amistosamente para que David pudesse analisar ambos os partidos e compreender que naquela narrativa, ele não era sofredor único

- Todo mundo tenta desculpar ela e se esquece de mim… Da minha dor!

- Porque já ninguém acredita nessa dor! – clamou ferozmente, alteando a voz, que geralmente se amenizava sempre em tons meigos e delicados, fazendo assim com que o corpo de David oscilasse como vergastas ao sabor da doce brisa primaveril

- O que é que cê tá querendo dizer com isso?

- Ninguém acredita nessa dor, David… Tu tens outra pessoa, construíste uma relação, já ninguém consegue sequer colocar a hipótese de que ainda a amas, quando na realidade pareces tão feliz com a Joana… Já nem a Adriana acredita nisso!

- Ela acredita no que ela quiser… Porque se ela me amasse como falou, nunca que tinha me deixado! Nunca…

- As coisas nem sempre são tão simples como planeamos, David… E nem sempre a vida nos dá, aquilo que tanto pedimos!

- O que cê quer dizer com isso? – inquiriu, repousando o olhar sobre o rosto austero da amiga, que lhe confessava a opinião mais franca que formulara no seu intrínseco

- Que lá porque ela não mostre, não significa que não te ame… Pensa nisso!

Relutante em não prolongar mais aquele diálogo e expor os sentimentos confessos da amiga, Paula rodou a maçaneta sobre a sua mão e tomou os intermináveis caminhos do corredor, que a conduziram ao salão principal da casa, onde as primeiras vozes já se faziam ouvir no calor terno daquela manhã de Outubro.  

- Passa-me o pão, por favor… - pediu educadamente Ruben, esticando no ar o seu braço firme, que se dirigiu levemente na direcção daquela que seria, dentro de poucos dias, sua esposa

- Aqui tens, amor! – ao dar-lhe o pedido, Inês fez questão de oferecer-lhe um beijo carinhoso, trocado num simples toque de lábios

- Bom dia, gente! – indagou Paula, ocupando o lugar vago do lado de Roberto e beijando-lhe também os lábios, pois via-o pela primeira vez naquele dia – Bom dia, amor!

– Buenos días, mi amor! – com um sorriso igualmente feliz nos lábios, Roberto fez questão de distribuir na caneca vazia de Paula uma porção de café fresco, que já era hábito ela tomar acompanhado por um ou dois pingos de leite morno

- Obrigada! – agradeceu cordialmente, depositando na sua bochecha um beijinho rápido de gratidão

Em gestos discretos, David juntou-se à mesa de pequeno-almoço, onde quase todos já tomavam lugar, servindo-se da primeira refeição do dia. Depois de ter seguido Paula no seu percurso, sentou-se do lado da sua namorada, enquanto o seu pensamento navegava por outros sentimentos, relembrando um passado ainda tão vivo em si e no seu coração. Pesadamente tomou uma chávena de café com um único trago e deixou que o silêncio imperasse nos seus lábios, assim como no olhar vagante e triste, com que perscrutava o vazio.

- E o resto do pessoal… Ainda está tudo a dormir? – inquiriu Ruben, mastigando a última dentada do croissant misto, que lhe saciava a interminável fome matinal

- Só a Sofia e a Brenda… - recordou Andreia, passando no contorno dos seus lábios a orla do guardanapo tecido a linho cru – Acho que a pequenita acordou cedo pra comer e depois enfiou-se na cama dela e caiu de novo no sono. Crianças… já se sabe como são!

- Então e a Adriana...?– relembrou Catarina, passando a sua mão sobre a de Aimar, num gesto meigo e contido de amor - Quando acordei ela já não estava lá…

- Não sei… Também só a vi esta manhã cedo! – confidenciou Paula, trocando um mirar breve com David, sabendo bem o porquê daquela confidência feita no silencio auspicioso de um simples olhar

- Então onde é que ela está? – vendo a governanta entrar, Ruben insistiu na presença da sua melhor amiga, temendo que esta tivesse abandonado a herdade, quebrando assim a promessa que lhe fizera à chegada

- A menina Adriana está no jardim a fazer um trabalho… - a empregada, que há anos servia a família Amorim, pronunciou-se numa voz serena e caracterizante do seu estado débil de já alguma idade

- Então é melhor ir chamá-la para tomar o pequeno-almoço! – Ruben apoiou as suas mãos sobre a mesa, disposto a erguer-se e procurar a melhor amiga, para que o convite de se juntar a todos os outros fosse feito

- Eu avisei a menina de que o pequeno-almoço estava servido… Mas ela disse que não queria comer! – declarou a governanta, pousando na mesa um pequeno cesto de pão caseiro fumegante, acabado de sair do forno

- Não queria comer?

- Não, menino Ruben! Ela está a trabalhar e preferiu ficar lá fora… Pediu que não a incomodassem!

- Obrigada, Maria… - apesar de ressentir em si a dor da ausência de Adriana, Ruben achou que o silêncio deveria imperar e o respeito por ela deveria pela primeira vez vencer o seu orgulho relutante



***



No jardim, no interior das suas mãos dispostas em concha, Adriana segurava uma caneca cálida repleta de uma dose do seu chá preferido, que tanto lhe aquecia a pele regelada pelo Outono, como a alma quebrada, que precisava sentir um carinho, um apoio… por muito pequeno que fosse.
Foi nesse preciso momento, enquanto o seu olhar se prendia sob a linha do horizonte, durante uma breve pausa no trabalho, que o telemóvel vibrou uma única vez sobre o topo da mesa, que ela ocupava.

“Quero ver um sorriso nos teus lábios… Não imaginas a força que escondes por detrás dessa pequena figura.
Qualquer coisa que precises, estou aqui, pequenina!
Beijinhos, Diogo.”

Por razões que até a ela mesma foram absolutamente incompreensíveis, um sorriso sobressaiu no aconchego dos seus lábios, enquanto o seu coraçãozinho mais reconfortado abalou as extremidades do seu corpo com um arrepio discretamente sonante. Foi com as mãos trémulas, que se apressou a dar resposta àquele contacto do amigo Diogo, tentando combater o frio, que aos poucos se demonstrava mais e mais, com rajadas de vento fortes e precisas.

“Vou fazer de tudo para colocar um sorriso nos lábios… Não prometo, mas vou tentar, grandalhão!
Obrigada por estares do meu lado.
Beijinhos, Adriana.”

Foi por fim vencida pela temperatura rigorosa que imperava no exterior, e forçada a abrigar-se, segurou os seus materiais de trabalho, dando uma pequena corrida até às portadas de livre acesso à cozinha.

- Então, menina… Já acabou o seu trabalho? – perguntou Maria, secando nas bainhas do seu avental, as mãos calejadas pelo trabalho doméstico de já algumas décadas

- Não, Maria… Mas o tempo lá fora não quis colaborar, então tive de voltar pra dentro! – esclareceu Adriana, esboçando nos seus lábios um sorriso educado e grato para com a empregada doméstica, que a conhecera desde a sua infância

- O menino Ruben perguntou mesmo agora por si… Queria chamá-la para tomar o pequeno-almoço!

- E o que lhe disse?

- O que a menina me mandou dizer… Que estava a trabalhar, não tinha fome e não queria ser incomodada.

- Obrigada, querida Maria… Não sei como lhe agradecer! – gracejou, acercando-se da figura frágil da idosa e beijando-lhe carinhosamente o rosto sulcado pelas rugas oferecidas por anos e anos de sabedoria

- Se me quer agradecer, coloque um sorriso nesse rosto e vá lá à sua vidinha… Ultimamente tem-me parecido mais triste!

- Onde é que eu já ouvi isto… - murmurou para consigo mesma, recordando todas as outras pessoas que se haviam preocupado com os sentimentos fragilizados que acarretava no peito – Não se preocupe, Maria… O sorriso já cá está!

Abrindo nos seus lábios um sorriso ironicamente forçado, Adriana enviou-lhe um beijo pelo ar, e sustentando o peso do seu computador portátil nos braços, encaminhou-se à sala de jantar, onde todos permaneciam reunidos em torno da enorme mesa principal.

- Bom dia a todos… - cumprimentou, olhando apenas as pessoas que sabia ser capaz de encarar, deixando claramente de parte aquela que mais sofrimento lhe proporcionara desde a sua chegada àquela casa

- Bom dia, Adriana… Senta-te e come qualquer coisa! – a mãe de Ruben, delineou nos seus lábios um sorriso maternal, dando-lhe incentivo para que se juntasse à mesa e comesse algumas das especialidades escrupulosamente preparadas por Maria

- Obrigada, tia, mas já comi qualquer coisa… - esclareceu calmamente, passando nas costas da cadeira de Ruben e dando-lhe um beijinho repenicado no rosto, que o deixou com um sorriso de orelha a orelha, tamanho o carinho do gesto em questão – Tenho um trabalho para a acabar, mas o tempo lá fora não quis ajudar… Tive de vir para dentro!

- Então senta-te aí connosco e faz-nos companhia…

- Não, prefiro fazê-lo sozinha para não me distrair… É um trabalho da faculdade e tenho de acabá-lo quanto antes!

- Sendo assim, fica à vontade para usares o escritório ou outro quarto se quiseres…

- Obrigada, tia… Vou subir, então! Até já…

Na retirada perspicaz, Adriana não conseguiu travar um embate suave do seu olhar no de David, que apesar do silêncio se esforçou por lhe dizer um milhão de coisas que o estavam a sufocar mais e mais, mas que talvez viessem já fora do tempo certo a serem proferidas.
Ela baixou a cabeça, apoiando a extremidade do seu queixo na lateral do portátil, que cuidadosamente transportava e subiu a escada em cinco ou seis segundos, ultrapassando um único lance com duas ou três passadas rápidas. Dirigiu-se ao seu quarto – ou melhor – àquele que era forçada a partilhar com as amigas próximas e com uma recente, mas já bem sentida inimiga.
Ainda a dormir, encontrou Brenda e a pequena Sofia, que repousada nos braços da mãe, guardava a mágoa e as saudades imperdoáveis da sua adorada madrinha.
Adriana pousou as suas coisas e depois de um duche rápido, onde se perdeu durante largos minutos numa auto-reflexão do momento pouco feliz que vivia, vestiu algo quente, passando um pouco de maquilhagem no rosto e tratando o seu cabelo de forma natural e simples, dando forma ao ondular nato que o torneava.



Quando regressou ao quarto este já estava vazio e não pairava no ar o mais ínfimo sinal de Brenda ou Sofia, mas os seus materiais de estudo permaneciam intactos sobre a sua cama, tal qual como os deixara.
Suspirou. Sabia que ainda tinha muito trabalho pela frente… Demasiado.




***




- E agora que a gente faz? – questionou David, pousando o comando da consola, sobre a mesinha da sala de jogos somente ocupada por si e pelo seu melhor amigo

- Vamos a mais uma partidinha? – sugeriu Ruben, começando a seleccionar no monitor colossal os menus de iniciação

- Não, manz… Tô farto de jogar! – alegou rapidamente, deixando a sua cabeça tombar para trás e enterrando vigorosamente o corpo no puff esponjoso onde estava sentado há mais de uma hora

- Tu nunca estás farto pra jogar…

- Hoje tô, ué! – David esforçou-se ao máximo para camuflar o pesar que lhe estava estampado no rosto e que seria facilmente lido por alguém que o conhecia tão bem como o melhor amigo, Ruben


- Tu estás é muito estranho desde que acordaste… Já pra não falar que passaste metade da noite fora do quarto! – Ruben não se coibiu de fazer uma simples acusação, mesmo equacionando que essa poderia levar o amigo aos extremos do desconforto – E nem digas que não, porque eu bem vi!

- Não é o que cê tá pensando… Não fui fazer nada com a Joana, não! Ela que me massacrou o juízo por não andar dando muito atenção pra ela e então peguei ela para assistirmos um filme na sala! – David constatou a verdade e nada mais do que a verdade, mas no entanto a sua alma corroeu-se de culpa ao recordar os momentos simples que vivera com a sua namorada na noite anterior, debaixo do mesmo tecto que a mulher que realmente amava

- Não sei qual é o teu problema… Ela é bonita, vocês namoram e ela já tentou imensas vezes envolver-se contigo!

- O meu problema, é que eu só consigo me envolver com alguma garota, amando e tendo a certeza que é pra valer! – quando sentiu o desconforto tomar o controlo da conversa, ergueu-se delicadamente do puf, observando o mesmo gesto copiado por Ruben

- E não tens isso com ela?

- Parece que não, né?

- Estranho… Parecem tão apaixonados, não é? – ele sabia que estava a tocar num ponto delicado e intransponível na barreira de segurança de David, mas nem isso o impediu de formular tal insinuação, obrigando o amigo a recordar o romance vivido com Adriana

- Não vem com suas ironias, Ruben…

- Não são ironias… Mas não deixa de ser estranho! Que eu saiba envolveste-te até esse ponto na tua última relação… Ou estou enganado?

- A Adriana é sua amiga… Sua melhor amiga! Cê sabe muito bem até onde a gente foi…

- Por isso é que não compreendo… Com ela conseguiste e com a Joana…

- O que cê tá querendo insinuar com isso, ein?

- Nada… Eu não quis insinuar nada, mas deixo que tires as tuas próprias conclusões!

- Mas será que todo o mundo hoje se vai ficar pelas meias palavras? – num laivo de desespero pela ausência de palavras também do seu melhor amigo, David manifestou-se, alteando brevemente a voz e embatendo os seus braços, posteriormente erguidos, contra as coxas mordazes

- Toda a gente…? O que é que me está a escapar?

- Não fala nada, não, velho… Tô ficando pirado da cabeça! – declarou cabisbaixo, usando os seus dedos ágeis como pente para a sua complexa e farta cabeleira

- Que aconteceu, oh?

- A Paulinha… Hoje de manhã bem cedo apanhei a Adriana chorando e falando sobre mim na sala com ela, mas fiz sinal para ela não dizer nada… Só que antes do pequeno-almoço veio ter uma conversa comigo e não disse coisa com coisa!

- Não me digas que ela foi mais uma que te relembrou do amor que ainda sentes pela Adriana…

- Não fala bobeira, Ruben! Não há amor nenhum, eu amo a… - David não conseguiu proferir o nome da sua namorada, sabendo que ainda não era capacitado de um sentimento tão grande e provavelmente nunca o seria, pois o seu coração estava destinado a uma eterna mulher

- Tu amas a Joana, é isso?

- Não… Ainda não amo a Joana, mas também não amo mais a Adriana!

- Queres um conselho… de amigo? – Ruben aproximou-se dele, pousando a mão pesada no seu ombro, pronto a ceder-lhe um parecer sincero, vindo de alguém que realmente se importava com ele e com o seu bem-estar

- Não… Mais conselhos hoje, não! Pelo amor de Deus! – David barafustou, iniciando um vai e vem incessante em redor da pequena sala, disposta estrategicamente consoante cada consola e o seu devido uso

- Mas eu dou na mesma… Pensa bem naquilo que queres e se essa relação com a Joana vale assim tanto ao ponto de arriscares um sentimento que sabes que é sincero! Tu sabes bem o que penso à cerca disto… Já conversámos infinitas vezes sobre isto!

- O problema é esse… A gente já conversou vezes demais sobre a Adriana e o que eu sinto por ela!

- Então, David… Não vou precisar dizer mais nada! – concluiu num sorriso sábio, guardando para si o desfecho que planeava para aquela história de amor, que ele sabia – porque simplesmente sabia – que ainda não tinha terminado




***



Sentada no meio da sua cama de solteira, Adriana segurava no colo o computador e rodeava-se de dois livros grosseiros abertos em páginas aleatoriamente estratégicas. Era já a vigésima segunda vez que relia a conclusão do trabalho, mas esta soava-lhe sempre demasiado austera, por vezes até grosseira, e muito além das suas expectativas perfeccionistas.

- O Barroco iniciou então na Europa, especialmente entre a alta sociedade da capital francesa, um movimento luxuoso… - julgando-se só, lia em voz alta partes do seu moroso trabalho, tentando encontrar as lacunas que lhe perturbavam a solidez pretendida

Junta da porta encostada, encontrava-se David. Havia deixado para trás Ruben, quando sentiu que as suas teorias e formulações acerca daquele antigo romance não eram mais aceites aos olhos de quem fosse.
Depois de ter subido as escadas até ao primeiro andar, procurando somente isolar-se no seu quarto, não resistiu em deter-se junto dela, assim que ouviu o seu doce sibilar inundar o silêncio instalado no andar superior.
Cuidadosamente, para não fazer barulho, segurou o puxador da porta e abriu mais um pouco a passagem para a vista perfeita daquela que ele sabia ser, sem sombra de dúvidas, a mulher da sua vida.

- Bfuuuu! – mostrando o primeiro sinal de desistência, Adriana levantou-se para tomar dois goles de água e pousar o olhar vagante sobre a paisagem campestre que se erguia lá fora – Bem… De volta ao trabalho!

Lamentando-se da pouca sorte que ainda lhe sobrava, tomou novamente o seu posto de trabalho e entregou-se a finalização do malfadado relatório, que quanto mais tempo usava, mais se apoderava das correias do relógio.
Foi nesse clima intimista que se apropriou mais uma vez do seu estado alienado, dando assim hipótese a David para abrir um pouco mais a porta, dando-lhe a visão completa, que ele tanto pretendia obter desde o início daquela vigília secreta.
No entanto o momento absorto de Adriana findou-se e quando ergueu o olhar de um dos livros, defrontou-se com a figura nítida de David bem na sua frente. Durante breves segundos, o ar sumiu-lhe dos pulmões e o sangue deixou de lhe bombear o coração, mas foi apenas uma questão de tempo, até a calmaria se apoderar novamente dela e dar o impulso necessário para as primeiras palavras de uma conversa serena, ainda que isso pudesse parecer iminentemente impossível.

- Precisas de alguma coisa, David? – perguntou, pousando no intermeio das páginas a sua caneta, para que no caso destas se encerrarem, ela soubesse onde se encontrava a sua linha de pensamento estruturado

- Não… ‘Tava só passando e fiquei aqui olhando… - declamou um pouco sem jeito, sentindo o seu coração apertado de emoção, por finalmente conseguir conversar com ela sem um pingo de ressentimento ou mágoa

- Ficaste a ver-me... Portanto! – concluiu, tentando apagar as esperanças que o seu ser apaixonado automaticamente lhe impingiu de forma maldosa e errada

- Desculpa, não foi minha intenção incomodar você… - perdoou-se imediatamente, pousando o olhar pesadamente no chão e preparando-se estrategicamente para a deixar mais uma vez a sós

- Não, nada disso… Não tem problema! – proferiu no mesmo instante, revelando um sorriso educado, que há muito David não vislumbrava… pelo menos não dirigido a si e unicamente a si – Se quiseres podes ficar… - acrescentou inconscientemente, quando o seu corpo implorou para o sentir mais perto… bem junto de si

- Cê não se importa…? – amedrontadamente, David procurou encontrar uma resposta positiva, que lhe permitisse realizar o desejo comandado pelo sentimento, e ignorando toda e qualquer razão

- Não… Estás à vontade!

- Estava vendo você aí com o trabalho… - começou por dizer, enquanto dava os primeiros passos na direcção da cama onde ela se encontrava sentada, ainda que hesitante, temendo que a qualquer segundo o cenário de paz se alterasse dando início a uma guerra intempestiva - … Problemas?

- Alguns… A parte mais difícil já está, mas fiquei aqui bloqueada numa parte e não há meio de sair… - lamentou-se, repuxando para trás da sua orelha a franja lisa, que lhe perturbava a visão clara do ecrã do computador

- Acha que… eu posso dar uma olhada? – a sugestão de David provocou alguma estranheza em Adriana, apesar de ter conhecimento da sua extrema inteligência e estimar muito a sua instrução escolar, apesar de saber que esta era mais reduzida que a sua

- Ah… Claro! – no entanto ela disponibilizou a vista do ecrã para que ele, então sentado do seu lado, pudesse inteirar-se de todo o seu árduo trabalho de dias

Enquanto David se fixou atentamente nas mais de quarenta páginas escritas continuamente, Adriana concentrou-se no rosto dele. O seu olhar viajou incessantemente pelas linhas rosto dele, culminando nos lábios dos quais tanta falta sentia, dos quais tanto ansiava, mas temia beijar.

- Hum… O trabalho tá muito bom, garota! Qual é o problema…? – quando David rodou o seu rosto para junto dela, ambos deram conta da proximidade que os acercava impiedosamente e forçava a resistir aos impulsos mais fortes do passado

- Ah… O problema está aqui… - fechando os olhos e quebrando a propinquidade entre ambos, Adriana arrastou o cursor até ao ponto onde ficara retida por falta de fluência no seu pensamento e manteve o olhar focado no ecrã, evitando qualquer situação desconfortável que pudesse surgir de novo - Acho que está demasiado forçado…

- Talvez você deva dar mais espaço às suas formulações sobre o assunto e esquecer um pouco o que os livros concluem… - opinou estrategicamente, apagando algumas passagens que ele achava redundantes para a questão em causa – O trabalho é seu, formule você aquilo que crê relativamente à matéria!

- Achas mesmo? É um trabalho importante… Parece-me arriscado!

- É arriscado, mas se for bem-sucedido, te dará maior gozo… Pode acreditar!

- Não sei… Não sei se consigo!

- É claro que consegue… ué! Não conheci até hoje rapariga mais inteligente e persistente que você! Tá pra nascer! – sem dar conta, David elogiou-a meigamente, vendo-se então obrigada a resguardar o olhar translucido no qual transpareciam todas as suas emoções no momento

- Obrigada, David…

Ainda que ligeiramente intimidada pelas palavras assombrosamente sinceras do seu antigo mais-que-tudo, Adriana retomou o controlo do seu instrumento de trabalho e sob o olhar discreto de David, formulou o seu parecer acerca da temática desenvolvida no trabalho. Seguiu escrupulosamente os conselhos dele, arriscou, opinou e não temeu ousar nas teorias que fundamentava, sentindo-se muito certa relativamente a cada palavra que escrevia.
Assim que sentiu que a sua tarefa estava terminada, direccionou o ecrã para junto de David, aguardando que este revisse a narração e estabelecesse um juízo.

- Queres ver? – perguntou a medo, tentando que o seu olhar não cruzasse o dele por mais do que escassos e melindrosos segundos

- Claro, muleca! – David cedeu a sua confirmação, mantendo nos lábios um sorriso magistralmente belo e que era muito familiar a Adriana, recordando-a dos muitos meses que passara a seu lado e fora verdadeiramente feliz – Era disso que eu ‘tava falando, garota! – após alguns minutos de concentração, ele explodiu, parabenizando-a pelo trabalho finalizado

- Então… Achas que está bem assim?

- ‘Tá perfeito… ‘Tá fera mesmo, cê vai mandar muito bem nessa nota!

- Obrigada pela ajuda, David… Acho que sem a tua opinião, ainda estaria aí empancada! – aquando do seu lamento, e de forma intencional, colidiu o seu olhar directamente com o dele e todo o seu corpo estremeceu, arrepiando cada poro da sua delicada pele

- Não tem que agradecer… Foi de coração!

As palavras sinceras que ele ditou num murmúrio, provocaram um silêncio tenebroso, que gerou a ameaça da sua eternidade sustida pela falta de coragem de ambos em pronunciarem-se. Perderam também a capacidade de se olharem olhos nos olhos, temendo que os mesmos denunciassem os sentimentos aprisionados nos seus íntimos e que jamais poderiam proferir… não naquele momento.
Foi então David o primeiro a proclamar algo, fixando-se na pasta de desenhos pertencentes a Adriana, que viu sobre o cantinho da cama, revelando uma parte de um dos retratos.

- É nossa afilhada… - um sorriso rasgou os seus lábios, ao segurar nas mãos uma reprodução fiel executada a carvão da pequena Sofia

- Sim, é ela… - Adriana confirmou, observando juntamente com ele cada traço perfeitamente delineado naquela página branca – Fi-lo há pouco tempo…

- Tá lindo… Como todos os seus desenhos!

- Não digas disparates… Não está nada de especial, mas foi um trabalho da faculdade… Tive de fazer dez desenhos das pessoas mais especiais na minha vida! E ela surgiu no meio…

- E… quem mais você desenhou? – questionou perspicazmente, esperando ouvir o seu nome por entre todos os outros que ela viria a enumerar monocordicamente na sua voz melodiosamente bem colocada

- Então… O meu pai, a minha mãe, a Sofia, o Ruben, a minha avó, o meu avô, a Paulinha, o meu afilhado, a minha madrinha…

- Tá faltando uma pessoa… Cê falou dez, certo?

- Sim, foram de facto dez… Mas um dos desenhos não foi entregue! – esclareceu, recordando impecavelmente o retrato finalizado e no qual havia tido a nota mais alta, apesar de o ter ocultado a David

- Não foi entregue porquê?

- Não estava bom o suficiente… Fica para uma próxima! – delineando nos seus lábios um sorriso austero de falsa felicidade, Adriana deu inicio ao encerramento do computador, esquecendo-se que na mesma pasta de onde viera o desenho de Sofia, se encontravam os outros nove trabalhos, bem ao alcance de David

- Sou eu… - murmurou ele, quando chegou ao final do monte de dez desenhos e observou atentamente a fiel representação do seu rosto, perfeitamente centrado numa folha A3 e enriquecida pela grande escala de cinzentos presente – A décima pessoa… sou eu.

- David, guarda isso… - pediu calmamente, abrindo a pasta sob o seu colo e tentando que o assunto não se dissipasse por mais tempo, de forma a conduzi-los perigosamente até uma conversa desconfortável

- Sou eu… não sou?

- Sim, és tu… - cerrando os olhos e humedecendo levemente os lábios, Adriana acabou por ceder à questão de resposta tão fácil, que lhe era imposta

- E sou mesmo? – a meia pergunta suspensa no ar, deixou Adriana confusa, procurando na sua cabeça uma elucidação para a questão, mas essa chegou por parte de David segundos depois – Se sou mesmo uma das pessoas mais especiais da sua vida…

- Acho que isso não importa…

- Pra mim importa, Adriana…

- Se estás entre esses dez desenhos… tira as tuas próprias conclusões!

Foi nesse momento, que David sentiu o seu coração estancar violentamente no interior do seu peito, pois foi nesse momento que recordou a conversa com Paula e depois com Ruben, e teve a certeza de que apesar dos erros, do fim da relação e da mágoa que ainda imperava, Adriana ainda o amava e na verdade talvez nunca tivesse deixado de o fazer.

- E porquê eu sou uma dessas pessoas?

A frase seca circunscrita no ar quebrou os muros calcetados ao longo de cinco longos meses em torno do coração mole e apaixonado de Adriana. Ela fechou os olhos, reuniu as mãos juntas sobre o colo e distribuiu pelo ar um sopro vagabundo inertemente sentido junto de David… Ela compreendia que algum dia aquela conversa chegaria, mas jamais, em momento algum, a teria idealizado tão cedo, ali e sem qualquer discurso antecipadamente ensaiado.

- Por muitas razões… Todas elas do passado, mas por muitas razões…

- Não vai falar pra mim, garota?

- Queres mesmo saber?

- Gostava… - confidenciou pacificamente, segurando ainda nas suas mãos a razão para o acontecimento daquela conversa tão séria e verdadeira

- Porque a nossa história foi especial… Porque durou muito tempo e porque nesse tempo fui muito feliz, como nunca tinha sido com mais ninguém. – começou por dizer, tentando camuflar as lágrimas que aos pouquinhos lhe tomavam de assalto a voz – Porque foste um namorado, um melhor-amigo, um companheiro… Estiveste lá pra tudo e ensinaste-me a amar de verdade, pela primeira vez! Acho que é isso… É isso que te faz tão especial!

- O facto de eu te ter ensinado a amar?

- Não… Vai muito além disso! Acho que mesmo que eu explique, não irás compreender… - Adriana ergueu-se da cama, executando o seu discurso tranquilo, governado pela paz que finalmente ambos haviam conquistado

- Então tenta… Me explica pra eu compreender!

David pediu algo, que fez o coração de Adriana fraquejar, ao sentir que ao fim de cinco meses ele estava disposto a ouvi-la, sem qualquer acusação ou discussão adjacente que pudesse surgir para afundar o momento sereno que viviam.
O coração dela ficou tão apertado como uma borboleta no seu pequeno casulo e sentiu-se incapaz de voar, quando o seu maior desejo era desaparecer daquele quarto, resguardando as palavras que precisava dizer a pedido do seu adorado homem.

- Não vais compreender, David…

- Eu tento… Me explica, por favor! – suplicou, segurando na sua mão esquerda a de Adriana, fazendo os corações de ambos bombearem fortemente o sangue ao sentirem novamente a pele um do outro

- É complicado, David… São demasiadas razões!

- A gente tem tempo… Não tem ninguém nos apressando!

- Mesmo assim… Não vale a pena remexer nisto…

- Vale sim… Eu só quero compreender o porquê de eu ser especial na sua vida!

- É tão simples e tão complexo, David… Às vezes nem eu mesmo percebo o porquê! Há coisas que só o coração conhece…

- Deixa o seu coração falar, então…

- Não posso fazê-lo… E sabemos bem o porquê, David!

- Sim… Talvez seja melhor mesmo resguardar os nossos corações! Mas não resguarda as palavras…

- Se queres saber… És especial, porque foste o primeiro homem na minha vida! O primeiro homem a quem me entreguei, o primeiro e único homem que me fez mulher… Isso nunca se esquece! – nostalgicamente, Adriana deixou o seu pensamento voar até à primeira noite de amor que dividira com David e automaticamente um calorzinho esquentou o seu peito – És especial porque me conhecias melhor do que ninguém e nos piores momentos estiveste presente e fizeste-me sorrir…

- Quem ama se preocupa… cuida! Só fiz o que podia pra te ver feliz!

- E acredita que conseguiste… É talvez por isso que és especial! Porque me fizeste feliz… Cem por cento feliz, como nunca antes! E porque me amaste… Tal e qual como sou, com todos os defeitos e imperfeições! – sem medir as consequências das suas palavras, Adriana confessou-se totalmente, demonstrando não com palavras, mas com as lágrimas que então lhe preenchiam os olhos, o sentimento que nutria por David e ainda se encontrava muito vivo dentro de si

- Se éramos os dois tão felizes… - David iniciou o seu discurso, erguendo-se da cama a meio caminho de Adriana, que tremeu ao perceber que ele se dispunha a uma aproximação proibida - … porque tinha de acabar, muleca?

- Porque tudo tem o seu fim… - respondeu num murmúrio trémulo, tentando tranquilizar o seu coração, que então disparara numa arritmia descompassada, prestes a explodir-lhe no peito – Nada é pra sempre…

- Se nada fosse pra sempre, nunca teriam inventado a palavra…

Adriana cerrou as suas pálpebras, temendo encontrar-se entre a espada e a parede, frente aos golpes inequívocos de David, que se adivinhava persistente em obter confissões por parte da única mulher que ainda comandava a sua razão. Ele tocou-lhe as faces, ainda que a medo, percorrendo toda a sua bochecha esquerda com as polpas cálidas dos seus dedos atemorizados.

- Elas existem… Mas simplesmente nós não fomos uma delas!

- Éramos tão felizes… Nos amávamos tanto, tínhamos planos! Lembra que eu queria casar com você, ter um monte de filho?

- Lembro… Mas tu conjugaste o verbo exactamente no tempo certo: o passado – concluiu, vendo no rosto dele o reflexo do seu íntimo sofredor confrontado com aquelas palavras – E o passado ficou lá atrás… Agora estás comprometido, tens uma pessoa do teu lado e és feliz! Pra nós… Bem, resta-nos a nossa amizade!

- E porque a gente é amigo não pode mais falar do que vivemos?

- Podemos… mas só não devemos! – encontrando a oportunidade certa pra fugir mais uma vez, Adriana fincou os pés no chão e rodando sobre os mesmos, aumentou a pouca distância que os separava

- Sabe… É difícil ser amigo de alguém que passa a vida fugindo de mim!

- Não estou a fugir… Nem nunca fugi, David!

- Não diz isso… Não me faz lembrar você de tudo o que já aconteceu! – colocando-a sob alerta, David perdeu a noção que pisava areias movediças, e que o assunto em questão era delicado e confessamente intocável

- Podes relembrar… Eu sei que no fundo mereço! Afinal fui eu que te deixei, certo? Fui eu que quebrei a confiança… - chegou a uma conclusão partilhada pela opinião de ambos, ainda que a sua se enfatizasse de ironia, e sentou-se novamente na cama, guardando todos os retratos na pasta de onde nunca deveriam ter saído

- E foi… Mas a que doeu mais foi a primeira! Cê não tinha motivos e me deixou sem ter a coragem de falar cara a cara…

- Eu tive os meus motivos… Tu é que não entendes, David!

- Não há motivo nenhum válido o suficiente pra se deixar a pessoa que amamos com uma simples carta, por muito bonita que pudesse ser…

- A ideia da carta não era ser bonita, nem comover-te! Só queria dar-te a despedida que eu achava que merecias… Que nós merecíamos!

- Sabe… Então acabou não o fazendo! A gente merecia muito mais…

Ele ocupou novamente o lugar vagante do lado de Adriana, apropriando-se de um olhar recatado, que rapidamente recaiu sobre a figura desajeitada de Adriana, tentando suprimir os impulsos melancólicos, que emergiam a cada minuto, ameaçando explodir numa catapulta de acusações.

- Desculpa então se a despedida que planeei não esteve à tua altura… e à nossa!

- Agora é um pouco tarde pra desculpas… né?

- Talvez… Mas não posso remendar as minhas decisões! Não posso apagar a existência daquela carta, não posso apagar o dia em que saí por aquela porta, sabendo que não ia voltar…

- Foi pior que qualquer outra sensação que eu tenha sentido… - confessou numa respiração entrecortada, que viajou até aos lábios de Adriana acidentalmente e que a fez oscilar discretamente, suprimindo o desejo de um beijo inconcretizável

- A minha intenção nunca foi magoar-te… Só queria o melhor pra ti! – revelou sentidamente, enquanto a primeira lágrima contornou despojadamente o seu rosto, fazendo-a arrepender-se depois de chorar na frente de David, mas a tristeza era tamanha, que ela não encontrou mais maneira de a conter

- O melhor pra mim era você, Adriana…

- Tinhas aquela proposta irrecusável… Só quis facilitar a concretização do teu sonho!

- Acabei não indo… e perdi você! – Adriana sentiu-se impotente frente às palavras dele e limitou-se a baixar a cabeça, pousando o olhar no limite dos seus sapatos, que soqueavam ligeiramente o soalho de madeira, que revestia os quartos – A gente tinha tudo pra dar certo… Tudo!

- Não temos mais… É bom recordar o passado, mas viver dele é errado, David!

- Não ‘tô querendo viver de uma coisa que você matou… Só ‘tava tentando procurar uma razão pra me ter deixado quando éramos tão felizes! Quando eu planeava casar com você, ter filho…

- E encontraste-a? – inquiriu num sopro pesaroso, erguendo o seu rosto e encarando olhos nos olhos o seu adorado David, que havia sentido o embate prazeroso da sua respiração doce nos lábios

- Agora sim… - declarou, fechando os olhos, certo de que iria cumprir o desejo há muito impeditivo para ambos os corações

David segurou o rosto de Adriana no meio das suas duas mãos pesadas, palmilhando suavemente cada traço do rosto dela com carinho, antecedendo o momento perfeito para os dois, mas assim que os seus lábios encontraram o caminho rumo aos dela, uma voz encheu o corredor, fazendo com que Adriana imediatamente se afastasse dele ao tomar noção de que o que se preparavam para fazer era totalmente errado e desonesto para com todos aqueles que estavam envolvidos naquela história já terminada.

- Pessoal, o almoço! – era Ruben, Adriana soube-o desde o primeiro segundo timbrado pela sua voz

Ela não conseguiu dizer nada, simplesmente desviou a última mão de David que ainda se encontrava no seu rosto, segurou o telemóvel colocando-o no bolso e desceu para mais uma confraternização.
Adriana e David quase se haviam beijado há segundos atrás e ela não sabia mais como lidar com toda a situação, não sabia mais como agir e pior… não sabia quanto mais tempo iria conseguir aguentar a tristeza de o ver nos braços de um outro alguém, quando o seu coração ainda a embusteava fazendo-a acreditar que ainda o podia chamar… de seu.










Antes demais quero pedir muitas desculpas pela enorme demora em postar o capítulo, mas como vos tenho informado, o tempo disponível não é de facto muito! :/
De qualquer das formas aqui fica um capítulo novo, espero que gostem e não se esqueçam de comentar! :)
Quanto ao próximo capítulo não posso adiantar previsões, porque ainda que de férias, os trabalhos são muitos!
Beijinhos, e se for o caso, boas férias! :)

30 comentários:

Anónimo disse...

Olaaaaaa

ADOREIIII (L)


Tens de os juntar , rapido :D


BEIJINHOS

Anónimo disse...

A história está linda, mas eu só os quero ver juntos. De novo ! (:

Continua :D

Anónimo disse...

Lindo, lindo, lindo como sempre, mais uma vez fizeste-me chorar, escreves tão bem Adriana, fico á espera do próximo capítulo o mais rápido possível sffv, mas compreendo porque não postaste tão cedo.

Unknown disse...

O Capítulo está fantástico como sempre nos habituaste, juro que li e reli mais que uma vez e confesso que não encontrei aquela parte em que achavas que não estava excelente!

Quando falei contigo e avisaste que o capítulo não estava a atingir as tuas expectativas, disse-te imediatamente que isso era algo sem cabimento nenhum que vindo de ti só podia estar excelente e mais uma vez não me enganei, ou melhor talvez tenha mesmo enganado, afinal não está excelente mas sim estrondoso, bombástico, brilhante, brutal, magnifico.

Consegues deixar-me sempre desejosa por mais, a forma como escreves é única, deixas-me sempre “presa” ao monitor a ler cada palavra que escreves, por isso e por tudo o que deixo por dizer pois as palavras faltam-me nunca deixes de escrever, o tempo pode ser pouco mas desde que consigas publicar, asseguro-te que cá estarei para ler e reler cada palavra.

Contínua

Beijocas

Anónimo disse...

Aiiin que coisa liiinda! >.<
Era mesmo isso que eu queria, que o David abrisse os olhos e procurasse entender um pouco o lado da Adriana, espero ansiosamente pelo próximo capítulo e que ele não demore muito!

Annie disse...

Ai Adriana, porque é que me deixas sempre a chorar? Apetece-me ir ter contigo e obrigar-te a deixares o que tens a fazer, raptar-te e obrigar-te a escrever mais.
Está tão bonito, do inicio ao fim. O David finalmente mostra que não deixou de ser o menino com coração a que nos tinha habituado.
Minha querida, quando puderes por favor escreve
Adorei, beijinhos

Anónimo disse...

A tua capacidade de escrita é muito boa, já li algumas fics e nenhuma se compara à tua. Mesmo muito bom, Adriana, tens mesmo muito jeito.
Em relação à história, está cada vez a ficar mais interessante mas penso que deverias tentar postar mais rápido o capítulo seguinte embora tenha plena consciência que tudo em relação à escola seja muito complicado e te deixe muito ocupada. No entanto, é só uma opinião, tendo em conta que fico sempre muito ansiosa que postes um novo capítulo.
Continua com o excelente trabalho. Quem sabe no fim não dê um óptimo livro.
Parabéns

- C' disse...

Está FANTÁSTICO!
AMEI *-*
Escreves muito bem (:
Espero ansiosa pelo próximo!
Beijocas :*

vê: http://ummundodefantasiaerealidade.blogspot.com/

Ana disse...

fantastico... ta espectacular...

quero mais... tou curiosa para ver o proximo capitulo...

continua... cada vez ta melhor...

Jéssica disse...

Finalmente começo a ver um pouco do antigo David. Junta-os *.*

Mimi disse...

Ai, está lindo!
Por favor, tenta não nos fazer esperar muito...
Boas férias! :)

Mariana Vieira

Fabi disse...

Que lindo! *.*

Raah disse...

Ta liiiiindoo *o*

Nao demores a publicar pleasee *-*

ElsaNeves disse...

Lindo, lindo, lindo!!! Como sempre achei são um para o outro. Nada como uma conversa calma e sincera para se perceberem... espero mesmo ansiosa pelo entendimento deles. Céus como eu adoro esta tua fic!!! é inacreditável.
Sabes perfeitamente que compreendo muito bem que tens o teu tempo ocupado, mas tenho de te dizer que fico mortinha pelo próximo capitulo, bem pelos próximos... :D :D :D
Também já não é preciso repetir o quanto é fantástica a tua história e a tua escrita.
Beijinhos.

Mary disse...

Eu amei!
Está lindo, lindo, lindo!
Fogo! Aqueles dois nunca mais se deixam de coisas e se resolvem de vez, mas já estou a gostar mais destes progressos e algo me diz que a reconciliação está para breve (assim espero!)
Beijinhos!

Anónimo disse...

Sem palavras....................................................................................................................................................................................................................................................AMEI............................................................LINDO.........
Ana,bjs.

Diana Ferreira disse...

ai que saudades que eu tinha de ler um capitulo teu linda!!
adorei imenso, e só mesmo o parvalhao do ruben para estragar aquilo que seria um momento muito esperado! :pp

agora fico à espera do proximo, sim?
´
se quiseres passa pela minha nova fic, serás bem-vinda! http://naotesquecasdemim.blogspot.com/

beijinhos

Ana Sousa disse...

Ai, Drii!
Estou completamente vidrada :O
Isto está muito, mas muito bom! Como todos os outros, alias.
Não sei, este capitulo deixou-me presa, presa, presa dentro de uma história maravilhosa, nossa!
A-M-E-I completamente, minha querida.
Está qualquer coisa de fenomenal. Brilhante!
Quero ver esse próximo, quero saber o desenrolar desses dias na casa do Rúben, que aposto serem cheios de emoção!
AMEI AMEI AMEI, mesmo muito!
Escrita maravilhosa, minha linda :)
Beijinho,
Ana Sousa ♥ - http://respirarde23.blogspot.com

Lisandra disse...

oh que momento...

Finalmente o David abriu o jogo e disse que ainda amava a Adriana.

Foi um momento tornurento o dos dois naquele quarto, ele a ajudá-la. por momentos parecia que estava tudo bem. como aqueles dois se conhecem...

ta quase, parece que ta a chegar a reconciliação!!!Mas também, porque carga d'agua tinha o Rúben de chegar naquela hora, porra pá :P


Agora que é altura de Natal, dá-nos mais um capítulo de presente e de preferencia, a reconciliação dos dois!!

Bjs e BOM NATAL !!

Anónimo disse...

O antigo David afinal sempre esteve lá, só que andava camuflado.Fizeste-me chorar novamente,não é uma coisa má, pelo contrário é sinal que mais uma vez conseguiste chegar ao meu coração.Finalmente estes dois conseguiram ter uma conversa sem discutirem,foi um momento lindo quando ele descobriu que era dele o último desenho, e aproveitou isso para se aproximar,o menino Ruben é que perdeu uma boa ocasião para estar calado.Só te posso pedir mais um capitulo, assim que possas,claro.

Beijinhos

Fernanda

Jo disse...

AMOOOOOR!!
Está tão... tão... Lindo, nossa! Esta história, e a maneira como a escreves, arrepia-me dos pés à cabeça, é tudo tão perfeitinho!
Tens um enorme poder de dominação sob as palavras e a cada paragrafo acrescentado que leio, fico ainda mais maravilhada.
O rumo que estás a dar, não podia ser melhor e adoro poder saborear cada capítulo teu! Como já te disse, és linda e tens um talento enorme! Por isso quero ler muito mais e quando puderes, presenteia-nos com mais um pedaço desde cantinho!
Beijo grandalhão. Amo-te mais do que tudo, minha pequenina! ♥

Anónimo disse...

A-D-O-R-E-I!!!!!

Está muito bom mesmo e esta conversa entre os dois deixou-me de lágrimas nos olhos...

Mais por favor!!

Bjokinhas
Mariaa

4SLB disse...

Junta oss pleaseee !!
Ta lindo
passa pela minha fic do ( Javi, gaitan ,enzo perez e Nolito )
Beijokas :)

Anónimo disse...

Ameiii

http://willbeforever96.blogspot.com/

Anónimo disse...

AMEII!!
Mais um capitulo se possivel por favor. quero los juntos.
viciei na tua fic, escreves mesmo muito bem.
CONTINUA

Anónimo disse...

Ai quero tanto ler o proximo!!! tou mortinha de curiosidade.

como é que eles agora vao lidar um com o outro depois desta conversa?! o David nao pode deixá-la ir sem mais nem menos. nao pode deixa-la acreditar que gosta da joana, tem de lhe mostrar que ela ainda é a mulher da vida dele. que a quer e que a ama.

Tem que acabar tudo com a Joana e lutar pelo amor que ainda sente. para um dia ser ele no lugar do Ruben e da Ines!!

bjs & tenta postar rapido sff

Raah disse...

Tens qe os juntar !!

So qeremos ver a Adriana com o David com mais ninguem !

Pleasee Novo Capituloooo <3

Juu disse...

Descobri o blog à pouco tempo, e não resisti e li os capítulos todos.
E vou seguir o Blog.

A história está fantástica, adorei, fiquei mesmo agarrada, e logo eu que é preciso muito para me cativar, mas esta história cativou-me mesmo.
Enquanto estou a ler, tenho os sentimentos todos à flor da pele, tanto me emociono, como fico chateada, nervosa ui tantos sentimentos.

Antes demais quero dar os Parabéns, ten(s) muito jeito, nota-se que te entregas de coração e alma. :')

Espero pelo próximo capitulo, espero bem que eles fiquem juntos.
Parabéns mais uma vez :). Continua e não desistas.

Anónimo disse...

Oi, oi!
Quando temos mais um capítulo lindo teu ? Gosto imenso do teu blog +.+

Anónimo disse...

aii estou ansiosa que publiques o proximo (:
ps: despacha-te sff, senão dou em maluquinha kkk
adorooooo tudo o que tens escrito :D

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