domingo, 5 de junho de 2011

Capítulo 108 - É só um até já... (Parte III)


Fiquei instalada numa penthouse super luxuosa e que não era nada o meu estilo, mas eram ordens da editora e eu tinha que as cumprir. Tudo foi feito para que me sentisse o mais à vontade possível e apesar de eu saber falar muito bem inglês, todas as pessoas que colocaram ao meu dispor tinham um perfeito domínio de português. Todos os dias tinha uma empregada ao meu dispor, um motorista que me levava ao estúdio ou à faculdade onde estava a fazer a equivalência das cadeiras em Portugal, e o meu agente Jorge, que planeava os meus dias ao segundo. Foi num dos meus espaços livres, que pela primeira vez em 3 dias, consegui falar com David.

- Olá, amor! – sorri animada por ir ouvir a voz dele

- Oi! – a voz dele foi seca, bruta e automaticamente o meu coração desmoronou

- Está tudo bem?

- Tudo! – ele foi curto e frio nas respostas

- Estás ocupado?

- Não!

- Então e não me vais perguntar sequer como estou? – a minha testa enrugou-se, sentia-me muito confusa

- Como cê tá? – notei que apenas o fez, porque assim lho pedi

- Bem…

Esbocei um sorriso triste e um silêncio instalou-se durante mais de um minuto entre nós. Limitei-me a ouvir a respiração dele do outro lado do telefone, e nunca lhe tinha conhecido uma conotação tão revoltada, tão pouco pacífica, que era o habitual nele. Sentia que ele não estava bem comigo, que apesar de ainda só ter passado uma semana e meia, algo não estava certo e pela cabeça só me passava uma coisa: “Onde é que eu tinha errado?”

- Pensei que ias ficar feliz por me ouvir… - revelei num murmúrio sufocado pelas lágrimas

- E tô… - ele respondeu-me completamente indiferente

- Tudo bem, já vi que estás mesmo… - sussurrei irónica e com as primeiras lágrimas a correrem-me pela face

- Olha, eu não tô com muito tempo pra você agora, não! Tô indo sair com a galera! Noutra hora a gente se fala! Beijo! – ele nem me deu tempo de responder e desligou logo a chamada

- Mas… - foi a única palavra que proferi, olhando para o telemóvel e com as lágrimas a correrem-me pela face

- Menina, o que quer para o jantar…? – a Dona Judite entrou na sala da penthouse, mas parou no sítio ao ver-me assim

- Eu não vou jantar, Dona Judite… Pode ir para casa, ter com a sua família!

Forcei um sorriso, enxuguei as lágrimas e caminhei para o meu quarto, cambaleando. Sentia-me sem forças, estava ali sozinha, nem tudo era como sempre imaginei e tinha muitos sacrifícios para fazer, e procurei naquele telefonema, encontrar algum conforto, algo que me fizesse sentir em casa e tudo o que me consegui sentir foi como uma estranha para o homem que amava.

- ADRIANA! – ouvi a voz do Jorge por toda a casa, mas não me movi do sitio onde estava e permaneci deitada na cama – ADRIANA! – a voz dele foi-se aproximando até que o vi na minha frente

Olhei-o de baixo, pois em pé ele levava clara vantagem de alturas, e ele compreendeu imediatamente que algo não estava bem para eu chorar daquela forma. Respondi-lhe com um simples gesto. Estiquei a mão até à mesa-de-cabeceira e derrubei a moldura que tinha a minha foto com David.

- Oh Adriana… - ele sentou-se do meu lado e puxou-me para me abraçar

Rendi-me completamente e deixei-me chorar, num soluçar descontrolado.

- Acho que acabou, Jorge… Acho que acabou… - murmurei apertada no abraço dele

- Shiu, calma… Tem calma… - ele afagou-me os cabelos de forma a acalmar-me e depois de longos minutos a chorar, as lágrimas secaram, não tinha mais nada para chorar – Queres contar-me o que aconteceu?

- Eu liguei-lhe… Há três dias que não falávamos e eu liguei-me… Tudo o que recebi foi desprezo e frieza! Depois disse que ia sair com o pessoal e desligou sem me dar tempo de me despedir… Sem sequer um “Te amo!”… - contei tudo ainda choramigando

- Oh miúda, tem calma… Vocês estão longe e não se vêm há uma semana e meia é normal…

- Não, não é! Eu e o David estamos habituados a lidar com isto, pelo menos uma semana e meia, sim! Quando ele vai em estágios e assim…

- Então achas o quê? Que ele não consegue apoiar o teu sonho?

- Acho que ele está a ser egoísta! Porque eu posso ter muitas saudades quando ele sai em trabalho, mas nunca agi como ele, como ele acabou de agir comigo…

- Devias dizer-lhe isso então… É a conversar que os casais se entendem!

- Até conversava, mas ele não me deu tempo, nem margem para isso…

- Então vais ter de esperar, até haver esse tempo…

- E quando é que irá haver esse tempo?

- Pois, isso é algo a qual não te sei responder… - ele torceu o nariz e acariciou-me a face delicadamente


***


O Jorge ainda me pediu que comesse alguma coisa e eu prometi-lhe que sim, mas mal o vi sair da minha casa, fechei-me novamente no quarto. Não tinha nada para fazer e os meus olhos já estavam inchados de tanto chorar, por isso resolvi ligar o computador e ver se andava alguém pelo MSN, apesar de em Portugal já serem duas da manhã. Surpreendentemente encontrei online o David, que me tinha dito que ia sair com os rapazes. Logo, ou tinha-me mentindo ou tinha havido alguma alteração de planos.

Adriana diz.
Tu por aqui?

David diz.
Sim, eu… Algum problema? Pensei que isso era livre!

Adriana diz.
E é! Não te preocupes que eu estou já de saída! ;)

David diz.
Não precisa sair não… Daqui a pouco tô saindo, só vim falar com meus pais!
Adriana diz.
Pensei que tinhas ido sair com os rapazes… Ou espera! Foi só uma desculpa para me despachares mais depressa? :D

David diz.
Larga de ser otária! Eu ia sair com eles, mas me cansei e não topei ir na boate, vim logo pra casa!

Adriana diz.
Podias ter ido! Sempre te divertias!

David diz.
Não ando com pachorra para diversão! Isso é mais onda de quem não faz nada! Eu trabalho…

Adriana diz.
Pois eu também! Não sei que raio estás a querer insinuar, mas assim isto não vai longe!

David diz.
Tá terminando?

Adriana diz.
Eu não falei nisso, mas se tocaste logo no assunto, é porque a vontade é muita! ;)

David diz.
Se a vontade que tenho de terminar com você for tão grande como a que cê teve pra falar comigo esses dias, então nossa relação se mantém! :)

Adriana diz.
Podes parar com as tuas ironias e ir directo ao assunto! Eu estou farta destas indirectas!

David diz.
Ué, cê achou que foram indirectas? Pois foram directas mesmo! Você não disse nada durante 3 dias! Nem um torpedo, nada!

Adriana diz.
David, tenho andado muito ocupada, chego super tarde a casa… Queres que te ligue a essa hora? Caso não te lembres há uma diferença de horas acentuada!

David diz.
E? Pô, não me diz que andou tão ocupada assim que nem de manhã cedinho, no café da manhã, tinha cinco minutos pra me ligar? Pra mandar um torpedo? E mesmo que não tivesse, pô! Eu te falei que podia ligar à hora que fosse… Passei esses três dias que nem um babaca sofrendo, agarrado no telefone para receber uma mensagem sua e nada! Sou um bobo mesmo!

Adriana diz.
David, os meus horários andam uma loucura, isto não é fácil! E além disso, que eu saiba também tens telemóvel, podias ter ligado tu! E sabes bem que não te ia ligar a qualquer hora, tu trabalhas e precisas de descansar…

David diz.
Sabe o que eu precisava? Da minha namorada e ela tá do outro lado do mundo!

Adriana diz.
Lamento imenso se quero viver o meu sonho, como estás a viver o teu… A sério que sim, mas não vou abdicar dele!

David diz.
Claro que não vai, não te pedi isso… Mas se lembra de uma coisa, tá procurando ter o que quer, vai acabar perdendo o que não quer… ;)

Adriana diz.
Acabou, é isso?

David diz.
Não quero acabar com você, muito menos desse jeito, mas essa distância, não dá mais…

Adriana diz.
Responde-me só à merda da pergunta! Acabou, é isso?

As lágrimas já se tinham apoderado da minha face enquanto escrevia aquilo, sentia que o ia perder por tão pouco. E que numa semana estaria a destruir o que levei mais de um ano para construir.

David diz.
Gata… Liga a câmara, para a gente se ver…

Adriana diz.
David, não me estás a responder à pergunta! E se me estás a pedir isso para acabares comigo “cara a cara”, escusas! Eu poupo-te disso! Diz-me só se acabou…

David diz.
Confia em mim, aceita, por favô!

Acabei por ceder ao pedido dele e mesmo com a cara cheia de lágrimas e os olhos inchados de chorar, aceitei o pedido dele para uma chamada via web. Assim que nos vimos, ficámos ambos em silêncio. Um silêncio completamente aterrador que só foi quebrado por um latino de Quimera, que saudades que tinha daquela cadela, era uma boa companhia.

- Acabou…? – perguntei com a voz e as mãos trémulas

- Cê tá chorando… Teve chorando muito, seus olhos tão inchados… - constatou aproximando-se mais do ecrã do computador

- É normal, depois da forma que me trataste quando te liguei esperavas o quê? Que estivesse a rir às gargalhadas?

- Não precisa falar assim comigo…

- Pois foi exactamente assim que falaste comigo de tarde! Com a diferença que eu te estou a dar bem mais importância do que aquela que me deste a mim!

- Amô, ‘tava magoado… Foram três dias sem uma única palavra!

- David, já discutimos o assunto… Como é que vai ser? Acabas tu ou acabo eu?

- NÃO! Não acaba ninguém! – ele foi imediato a responder e fê-lo de forma desesperada – Não posso perder você…

- Tu é que disseste que não dá mais, David!

- Pô, me compreende…

- Eu até compreendia… Mas bolas, David! Quando sais em estágios, jogos, eu aguento tudo! Qualquer distância, o tempo que for! Eu estou fora uma semana e meia e tu fazes-me isto…

- Quando saio, falo com você todo o santo dia!

- Mas eu não consigo! Não tenho horários para isso, entendes?

- Entendo! Eu entendo e compreendo, mas machuca!

- Desculpa, então… Mas isto é o meu sonho e quero vivê-lo!

- Mesmo que isso signifique perder-me? – um silêncio fez-se notar, perdi as respostas e foi ele que retomou o assunto – Me responde, Adriana…

- Nunca te pedi que deixasses o futebol por mim, logo não é justo que me peças para deixar isto por ti… Serias egoísta se o fizesses!

- Mas e se eu fizesse? Cê escolhia o quê?

- Sinceramente não sei, porque se posso ter as duas coisas em perfeita harmonia, para quê pensar nisso?

- Perfeita harmonia? Cê já viu bem como a gente está?

- David, se é liberdade que queres, se queres ser solteiro, diz-me só… E nós acabamos! Sem qualquer ressentimento, garanto-te!

- Não quero acabar com a gentxi, pucha! Mas falta mais de um mês e meio para cê voltar! Como eu vou aguentar isso?

- Aguentando… Como eu aguento todas as tuas ausências, sem nunca me queixar!

- Tá bom… Tá certo! Não se preocupa que eu não vou dizer mais nada sobre essa distância entre e gente…

- Só queria que te lembrasses de uma coisa que um dia me disseste… “A distância impede que eu te veja, mas não impede que eu te ame”

- Eu lembro disso…

- Pena não o aplicares… Vou dormir, estou estoirada! – tinha perdido todas as forças para ter uma nova discussão com ele

- Já? Fica mais um pouco…

- Não posso ficar, amanhã o meu dia começa cedo…

- Me liga, amanhã? – ele fez um beicinho leve e os seus olhos ficaram brilhantes devido às lágrimas que os envidraçavam

- Para ser mal tratada? Não obrigada! Dorme bem… Beijo! Amo-te! – mandei a chamada de vídeo abaixo e saí do Messenger, só queria dormir e assim o fiz até à manhã seguinte


***

Foi mais um dia agitado pelas ruas de Nova Iorque. Tive de me dividir entre o estúdio e a faculdade, tentando ainda arranjar tempo para relaxar um pouco. Coisa que só consegui fazer às cinco da tarde, quando finalmente cheguei a casa. Dirigi-me imediatamente ao quarto para tomar um duche, vesti uma lingerie e somente uma t-shirt que ficava totalmente desproporcionada ao meu corpo, pois era de David, ele tinha-ma dado. O seu perfume ainda continuava nela e com o simples acto de respirar podia senti-lo entranhar-se em mim e penetrar-se nos meus poros. Tive uma vontade incontrolável de chorar ao relembrar a nossa conversa na madrugada anterior, mas controlei-me. Deixei-me ficar com ela vestida e dirigi-me à cozinha no intuito de comer qualquer coisa. Preparei uma taça de iogurte natural com muesli e morangos frescos, e dirigi-me ao sofá, onde me sentei toda encolhida e liguei a televisão. Estava a passar uma das minhas séries preferidas, mas que em Portugal ainda ia bastante atrasada: Anatomia de Grey. Entretive-me a ver um episódio, que apesar de não se encaixar nos que eu estava a ver em Portugal, pelo menos conseguir com que me distraísse e esquece-se o assunto “David”, pelo menos até eu ter visto esse nome surgir no ecrã do meu telemóvel, acompanhado do meu toque de chamada. Hesitei, tenho de confessar… Preferia não ter atendido, pois talvez tivesse poupado mais algum sofrimento a toda a situação, mas estava disponível e não queria dar-lhe razões para mais tarde ter algo para me atirar à cara.

- Estou? – atendi de forma muito descontraída

- Oi… - a sua voz estava fraca e estranhamente arrastou-se

- Ah, és tu, Dê… - fingi que não tinha visto o nome no ecrã antes de atender

- Sou sim… Tá tudo bem com você?

- Está e contigo? Ligaste… Aconteceu alguma coisa?

- Comigo vai dando pra levar como Deus quer… Não aconteceu nada, não se preocupe, mas queria ouvir sua voz… - depois dele pronunciar estas palavras de forma muito pesarosa, um silêncio mórbido instalou-se – Amô, cê tá aí?

- Estou… - respondi cabisbaixa, apesar de ele não me puder ver

- Não falou nada pra mim… Diz qualquer coisa, por favô!

- Que queres que te diga? Sinceramente, prefiro não dizer nada do que acabarmos a discutir…

- Não quero discutir… Queria conversar com minha namorada, saber como ela tá, saber como se sente, esquecendo que sou só seu namorado, e relembrando que sou quase seu melhor amigo…

- Eu estou bem, já te tinha dito…

- Eu te conheço melhor que muita gente, não esquece isso… - mal ele me alertou, senti o meu coração disparar que nem um louco alucinado e quase que me saiu disparado pela boca – Me diz a verdade… Como cê está?

- Estou rodeada de tudo aquilo que nada tem a ver comigo, amor… Uma penthouse luxuosa, pessoas a servirem-me… Isto não sou eu! Mas de qualquer das formas, sei que são sacrifícios que tenho de fazer e que dentro de um mês e meio estou de regresso a casa por isso…

- E o CD? Como está correndo? Estão gostando do seu trabalho?

- O repertório está pronto, amor… Agora é começar a gravar as músicas! Essa é a parte mais fácil! – sorri levemente e pela primeira vez desde que chegara a Nova Iorque

- Mais fácil para um vozeirão como você, cana rachada que nem seu namorado, levava uma década pra gravar um troço desses e ninguém iria comprar! – ambos nos rimos – Aliás, cê sabe bem como eu canto mal… Aqueles concertos matinais no duche são sensacionais!

- São, amor! Pelo menos uma fã tu tens! – eu ri-me baixinho, recordando os nossos despertares sempre que dormíamos juntos

- Agora não tenho mais… Me faz falta minha espectadora! As paredes dessa casa andam sofrendo sozinhas! – mais uma vez as nossas gargalhadas fizeram ouvir-se

- Coitadinhas! Quando chegar tenho de as consular…

- Ei, primeiro consola o cantor, que anda aqui cantando pra ninguém…

- Daqui a nada estou de volta, David! Vais ver… Vais fechar os olhos, botar um sorriso lindo nessa cara e pedir para que eu volte e acredita que quando deres por isso, estou de novo junto de ti…

- Jura que isso entre a gente não vai acabar por causa da distância, amô? Não vou aguentar te perder…

- Amor, eu vou voltar, é claro… A minha vida é aí! Mas compreendo senão quiseres esperar dois meses por mim! Se quiseres, eu libero-te! És livre e solteiro para fazeres o que entenderes e estares com quem quiseres, quando eu voltar se ainda houver sentimento entre nós e acharmos que vale a pena recuperar a relação, voltamos um para o outro, sem qualquer ressentimento do que possa ter acontecido!

- Amô, cê tá vendo o que diz? É claro que eu não quero nada disso! Eu te amo, se ficasse com outra garota ia ‘tar te traindo a você e a mim, que te amo muito… E o meu problema não é ficar sem uma garota, sem beijos, sem pegada! O meu problema é ficar sem a MINHA garota! - um sorrisão enorme esboçou os meus lábios assim que o ouvi proferir tal discurso

- Oh amor, só quero ficar bem contigo… Eu sei que devia ter ligado! Eu também não iria gostar se me fizesses o mesmo, mas acho que me deixei absorver demais nisto tudo aqui, mas eu prometo que vou acalmar! Que vou-te ligar todos os dias! Melhor, duas vezes ao dia, todos os dias!

- Liga, amô… Liga! – finalmente consegui imaginar um sorriso naquele rostinho lindo e graças a isso, o meu coraçãozinho serenou

- Ligo, meu amor! Eu ligo…

- Jura, princesa?

- Juro, eu juro, amor! A menos que não possa, mas senão puder aviso-te por SMS e ligo-te mais tarde quando puderes!

- Brigado, te amo! – quando dei conta disso a voz de David era igual à do MEU David, daquele que eu deixara em Lisboa

- Também te amo muito, David! Muito! – derreti completamente e pela primeira vez sentia-me a Adriana, sentia-me mais eu, desde que abandonara Lisboa

- Meu niver tá quase aí…

- Eu sei, amor… E também sei que não vou puder estar presente, mas olha! Eu garanto-te que quando chegar aí, vamos fazer a devida comemoração, só nós dois! Vou preparar-te uma surpresa… - confessei num tom super apaixonado

- Uma surpresa? Obá!

- Uma surpresa, sim senhor!

- Me conta, vamo’ fazer o quê?

- Amor, se é surpresa, não posso dizer… - não me contive e ri-me brevemente

- Oh… Mas perguntar não custa! – ele gargalhou também

- Quando chegar a altura logo vês, meu amor!

- Vou esperar muito ansioso! Olha, amô… Tenho de ir conduzir pra casa, vou ter de desligar…

- Claro, amor… Tem cuidado! Conduz devagar!

- Não se preocupa, eu conduzo! – ele riu-se, pois sabia que eu morria de medo que ele conduzisse sem mim do lado, pois era aí que acelerava sem qualquer medo ou pudor

- Come bem e descansa! – suspirei, pois quanto mais longe estava, maior era a preocupação

- Amô, relaxa… Eu fico bem! Se cuida cê também, boneca!

- Cuido, meu amor… Beijinhos! Amo-te muito!

- Beijão enorme! Te amooo! – a vozinha dele soou semelhante à de uma criança pequena e foi esse o último registo com que fiquei dele antes de desligar a chamada

Posso dizer que fiquei mais aliviada por ter encontrado a paz com David, mas ainda assim a angústia permanecia dentro de mim, afinal o aniversário dele estava próximo e eu não sabia se ele iria saber perdoar a minha ausência.



Eu sei que tenho demorado muito a postar, mas mais uma vez relembro que estou na fase final do 3º periodo e os exames estão à porta, espero que compreendam.
No entanto, espero que estejam a gostar da história e não se esqueçam de comentar, pois é sempre um incentivo! :)
Beijinhos
Drii

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Capítulo 108 - É só um até já... (Parte II)




A comemoração do nosso primeiro ano juntos, culminou numa noite de entrega e puro amor, tal como eu havia desejado, mas no entanto havia algo que me estava reservado. Algo que mexia e baralhava de forma drástica os meus planos para os meses seguintes. A época começava a aproximar-se do fim e a pressão estava sob os rapazes, que mantinham o domínio do campeonato. Estávamos no fim do mês de Fevereiro e o Benfica jogava em casa contra o FC Porto. O David deixou bem claro que não me queria presente, pois era um jogo muito perigoso, mas como era óbvio eu fazia mais do que tenções de ir e sem ele saber, acabei por cumprir o meu desejo.

- Boa noite, meninas! – sorri a todas: Paulinha, Bianca, Catarina, Inês, Brenda e Andreia, mas depois de dar um beijinho a cada uma, reparei numa cara nova

- Bem, Adriana… Para quem não sabe, que é o teu caso, esta é a Margarida, mais conhecida por Még! – apresentou a Paulinha, super social como sempre

- Olá, prazer! – esbocei um sorriso doce e educado, à bela moça

- Prazer é meu! Deves ser a tão famosa Adriana… - ela arrastou a voz, mas sempre sorrindo

- Famosa? Onde é que isso já vai… - brinquei um pouco com a situação, pois o facto de ser namorada de David começava a fazer-me ganhar terreno nas revistas e não pelos frutos do meu trabalho

- Bem, vamos subir, meninas? – sugeriu Catarina, que como sempre estava delirante por ver o seu Aimar jogar

- Vamos, claro! – rimo-nos todas

Eu segui mais atrás com Paulinha, mantendo um tom de conversa animada, que se tornou hábito entre nós.

- Mas diz-me lá uma coisa… Cadê a Elena? Não a vejo por estes lados há séculos! – brinquei, completamente absorta ao que me rodeava

- Mas tu não sabes…?

- Não sei o quê?

- O Javi e a Elena acabaram… - ela diminuiu o tom de voz, como se falasse de um segredo proibido – E esta Margarida, é a nova namorada dele!

- ACABARAM?! – o meu tom de voz surpreendido saiu mais elevado que o esperado e algumas pessoas olharam para mim, mas depressa disfarcei – Acabaram…? Como é que é isso? Eles iam casar!

- Pois, iam, dizes bem… Eu não te sei explicar muito bem, mas sei que o Javi conheceu a Margarida numa entrevista, ela é jornalista, e as coisas com a Elena já não estavam bem, daí até ficarem juntos, foram dois meses!

- Oh meu Deus! Mas onde raio andei eu, que perdi isto tudo?

- Perdida, no teu Brasileirinho! – ambos nos rimos, mas o caso não era de todo para isso, Margarida era muito simpática, mas Elena era nossa amiga e não devia estar nada bem com o fim da relação, nós sabíamos bem como ela gostava de Javi

- Falaste com a Elena?

- Não, amor… Ela foi embora, voltou para Espanha! Quer seguir com a vida dela, e o Javi está a tentar começar de novo e ainda mantém tudo no anonimato!

- Sim, senhora… Como a vida dá voltas!

- Acredita, amor… Nós nunca imaginamos as voltas que dá! – ela suspirou e um arrepio percorreu-me a espinha

- Garotas, venham! – a Brenda chamou por nós, com um sorriso super animado

O jogo começou, David estava super concentrado e queria dar tudo por tudo, mas estava difícil travar Hulk, e devido ao seu enorme estado de nervosismo, essa tarefa tornou-se impossível nos primeiros 45 minutos de jogo. O Benfica saiu da primeira parte a perder por uma bola a zero. Quando ele saiu para o intervalo, senti que algo o incomodava e não era só a fraca prestação, havia mais qualquer coisa ali. Resolvi mandar-lhe SMS, fingindo que não estava no estádio.

“Oi, meu amor! Estou a ver o jogo na TV e estou preocupada… Algo se passa, não é, meu anjo?”

A resposta dele demorou alguns minutos, talvez o suficiente até ouvirem Jorge Jesus e ele puder alcançar o telemóvel.

“Oi amô! Cê me conhece bem demais… Tô me sentindo muito frustrado, não consigo parar ele e sei que consigo fazer melhor!”

“Amor, se tu sabes que consegues fazer melhor, concentra-te! Esquece que é um jogo importante, que está a contar para o campeonato e esquece que ele é o Hulk e a equipa em campo o FC Porto! Concentra-te naquilo que és, naquilo que sabes fazer, e juro-te… Vai tudo correr bem! :)
Mas sei que não é só isso, meu amor…”

“Cê tem razão, brigado, mulher da minha vida! :)
Não é só isso, não… Mas não sei porquê, tô com um aperto estranho no peito, tô preocupado com você! Cê tá bem?!”

“Estou muito bem, meu amor! :)
Bolas, estou a ver o homem da minha vida a jogar que nem um guerreiro, estou melhor do que bem! Só quero que entres em campo com a garra e alegria de sempre, meu zagueiro! Aquilo é teu, só tens de arrasar com eles!”

“Cê é meu anjo da guarda, meu amô… Se cuida! Vou regressar ao jogo, mil beijos! Te amo!♥”

“Boa sorte, também te amo! ♥”

“Obrigado! ♥”

Retomei à normalidade na cadeira dos camarotes e concentrei-me somente no jogo, mais especialmente no David.

- Que se passa com ele? – sussurrou Paula, perto do meu ouvido

- Ele está frustrado… Alguma coisa não está bem! – revelei entre dentes e com o coração bem comprimido no lado esquerdo do meu peito

- Falaste com ele?

- Sim, ele diz que não consegue parar o Hulk, mas que sabe fazer melhor que isto. Disse-lhe que descontraísse esquece-se a carga formal do jogo e se limitasse a ser o guerreiro e brincalhão da Luz, e que tudo ia correr bem…

Nesse exacto momento, David desarmou Hulk, passou a bola a Javi e meteu-se numa jogada com Aimar, que acabou por cabecear para o fundo das redes da baliza adversária.

- GOLOOOOOOOOOOOOOOO! – gritei agarrada a Paula e ignorando completamente o facto de estar nos camarotes

Todo o estádio se ergueu, os cânticos entoaram, o chão estremeceu e ao abrir-se o campeão passou na direcção do sucesso. Depois desse golo, outros dois seguiram-se o que permitiu ao Benfica ganhar por três a zero, a um dos seus eternos rivais.
Esperei o David na sala de jogadores, e apesar de ele não saber da minha presença, esperei que a sua reacção fosse a melhor possível, mas como sempre eles demoraram montes de tempo e eu entretive-me à conversa com as meninas, mas esta foi interrompida pelo meu telemóvel.

- Estou sim? – perguntei num tom formal

- Boa noite, fala o Jorge, o teu agente…

- Ah… Desculpa, mas não reconheci o número!

- Desculpa estar a ligar-te a estas horas e a um Domingo, mas tenho um assunto urgente para tratar contigo…

- Então, problemas?

- Não… Mas acabei de ser contactado da parte do P. Diddy e ele quer-te dentro de dois dias em Nova Iorque para começares a tratar do teu CD!

- Hum! Estás a gozar! – perguntei completamente em êxtase

- Não, estou a falar muito a sério! É apanhares o primeiro avião que conseguires para lá, assinares o contrato e mãos à obra!

- Mas e então a minha faculdade?

- Calma, está tudo tratado… Pedimos a equivalência às cadeiras que estás a fazer durante o tempo que ficarás lá e quando regressares estará tudo na mesma!

- Ai isso é óptimo! E quanto tempo é que eu vou lá ficar?

- Dois meses… O teu regresso está previsto para fins de Abril, princípios de Maio.

- Mas… Isso não pode ser! – intervim logo, ciente de que David fazia anos em Abril

- Claro que pode! É uma oportunidade única Adriana! Pensa bem, não vais ter muitas como esta… É a tua oportunidade de lançares a tua carreira definitivamente no mercado internacional! Depois disso a escada para o sucesso é rápida e imediata!

- Eu aceito! Eu aceito… - dei uma resposta imediata, tratava-se de um sonho meu e quanto ao aniversário de David eu arranjaria uma solução

- Óptimo, vou comunicar então a tua decisão e tratar das passagens…

- Sim, muito obrigada, Jorge!

- De nada, miúda! Esta é a tua oportunidade! Aproveita-a!

- Obrigada! Beijo! – sorri de forma educada e depois de o ouvir uma última vez desliguei a chamada

- Adriana?! – a voz de David surgiu nas minhas costas e quando o encarei, tive medo da sua reacção

- Olá, amor…

- Pensei que cê tava em casa… Vendo o jogo na TV! – a voz dele soou-me ligeiramente irritada, mas como julguei ser somente impressão minha respondi-lhe

- Oh amor, eu queria muito vir… Estar cá e apoiar-te! – confessei com um sorriso tímido, mas sincero

- Cê tá louca? É perigoso, eu avisei pra você! – ele colou o seu corpo ao meu e gritou em surdina, mas as pessoas mais chegadas aperceberam-se do clima de tensão entre nós

- Desculpa então! Desculpa se te quis apoiar, mesmo que isso significasse correr riscos… Desculpa-me então por isso! – os meus olhos encheram-se de lágrimas perante a ingratidão dele

Coloquei a minha mala a tira colo, guardei o telemóvel e saí na direcção das garagens, não queria falar mais com ele sobre aquilo, a ida àquele jogo era para esquecer de todo.

- Adriana! Amô, espera! – ouvi a voz dele proclamar o meu nome, quando já estava a abrir a porta do meu carro, mas nem assim parei, somente quando senti a mão dele no meu braço – Amô… - a voz dele soou mais meiga

- Deixa-me estar, David… Já pedi desculpa, senão queres aceitar problema teu, mas lembra-te de uma coisa, o estádio que eu saiba, é livre!

- Calma, amô… Eu fui precipitado, mas fiquei louco de preocupação, me perdoa… - ela acariciou-me delicadamente na bochecha direita

- Ok, já percebi. Agora já me podes largar para eu ir embora?

- Pô, não fica assim… Já disse que errei, que fui precipitado! Desculpa então, eu se me preocupo demais com você!

- Estás desculpado, agora vai descansar que o jogo foi duro… - sorri levemente, pois estava magoada com a atitude dele

- Podia vir dormir comigo essa noite… - sugeriu-me com um sorriso apaixonado

- Quero ir para a minha casa…

- Então eu podia ir dormir com você, não me importo! É-me igual, desde que estejamos juntos!

- David, não estás a perceber! Eu quero dormir na minha casa… Sozinha!

- Pô, errei assim tanto? Até parece que cê nunca fez borrada!

- Fiz, fiz muita borrada! Mas sempre que tenho problemas, que me sinto exausta, só existe um sítio para onde quero correr, somente uns braços, e quando te quis dar os meus, gritaste comigo…

- ME PERDOA, CARACA! – ele elevou novamente o tom de voz e esta entoou pela garagem toda, onde os rapazes e as namoradas entravam e acabaram por estancar ficando a assistir a tudo

Não pronunciei uma única palavra, mas os meus olhos encheram-se de lágrimas novamente. Baixei o olhar, abri a porta do carro, entrei trancando-a e liguei o carro, fazendo a manobra de saída.

- Adriana, espera! Vamo’ conversar! – ele bateu-me ainda umas quantas vezes no vidro e outras tantas no capô, mas eu não estava disposta a parar e assim sendo, segui rumo à minha casa


***

Acabei por vestir o pijama e deitar-me na cama, com uma vontade enorme de gritar e chorar. Ainda por cima, estava sozinha em casa, visto que Bianca ultimamente passava mais tempo a dormir em casa de Salvio do que lá em casa. O silêncio era aterrador e a Quimera era a minha única companhia. O relógio marcava as sete da manhã, eu ainda não havia pregado olho, mas a campainha de casa tocou. Fiquei imediatamente rabugenta, mas ainda assim levantei-me e fui ver quem era.

- Bom dia… - cumprimentou David receoso, mal eu abri a porta

- Bom dia! – respondi de forma mais seca – Precisas de alguma coisa daqui?

- Preciso… - ele fez um compasso de espera, até retirar de trás das costas um ramo de túlipas brancas – Da minha muleca…

- Isto é o quê?

- São pra você! – ele fez um trejeito, como que indicando-me para que eu as pegasse

- Obrigada! – agradeci e tomei-as nas mãos

- Tem um cartãozinho… - ele subiu levemente o canto esquerdo da boca, como que escondendo um sorrisinho dócil

Eu fiz-lhe a vontade, procurei-o e quando o encontrei, li-o para o meu íntimo.

“Por vezes são os gestos mais loucos e mais perigosos, que nos fazem compreender o quanto alguém ama a gente. Perdoa se te magoei, mas quem ama cuida, e eu só queria proteger você! Te amo muito, minha garota! ♥”

- Obrigada, Dê… - não consegui evitar um leve sorrisinho perante aquele gesto amoroso dele

- Isso quer dizer que eu tô perdoado? – a sobrancelha dele ergueu-se, questionando-se a si próprio em relação aos significados das minhas expressões

- Sim, amor! Quer dizer que estás perdoado! – rendi-me por fim sorrindo, e agarrando-o pelo pescoço, beijei-o de forma calma

- Graça’Deus! Não dormi nada essa noite, sabendo que tinha feito borrada, mas já conhecia você e ontem ‘tava de cabeça quente e não me ia querer ouvir…

- Já me conheces bem demais… - sussurrei entre beijos repenicados, naquela boca linda e à qual já reconhecia muito bem o sabor

- E tenho o mó orgulho nisso! – ambos sorrimos e puxei-o carinhosamente para dentro de casa

- Vou pôr as flores na água… - anunciei e desapareci durante breves momentos para a cozinha, quando regressei já estás estavam dentro de uma jarra que coloquei na mesa da sala

- Gostou?

- Amei, já sabes que são as minhas preferidas…

- Pois sei, como eu falei, meu amô! Eu te conheço muito bem! – ele acariciou-me de forma terna e eu envergonhadamente baixei o olhar – Obrigada por ter ido no jogo e por aquelas palavras de reconforto…

- Só fiz a minha obrigação!

- Não, é mais que a sua obrigação!

- Shiu, quem ama cuida, certo? Não foi o que tu disseste?

As nossas bocas manifestaram-se na mesma forma, fazendo o nosso sorriso transparecer num brilho feliz e docilmente sereno. Daí aos nossos lábios unirem-se, foi simples. Simples e super natural…

- Amor… - chamei-o quando quebrámos o beijo

- Fala, meu amô! – ele esboçou um sorrisão maravilhoso e desviou a franja do meu rosto, prendendo-a atrás da orelha

- Eu ontem, depois do jogo recebi um telefonema do meu agente, dizendo que tenho uma proposta para gravar o meu CD!

- Sério, meu amô? Isso é óptimo, meu Deus! – ele segurou o meu rosto entre as suas mãos e beijou-me inúmeras vezes, felicíssimo – Então e que produtora vai fazer isso?

- A do P. Diddy…

- Mas pensei que ele não tinha nenhum estúdio em Portugal… - disse muito confuso, mas sempre sorrindo e segurando o meu rosto entre as suas mãos

- E não tem… - revelei completamente dominada pelo medo – É nos Estados Unidos…

Rapidamente as mãos dele largaram o meu rosto e a sua expressão se desvaneceu.

- Estados Unidos? Eu ouvi bem? – ele gaguejou, era evidente o seu estado de nervosismo

- Ouviste… - mordi o lábio receosa pela reacção dele

- Quando, amô?

- Dois meses… Tenho de partir daqui a dois dias!

- Mas isso… Isso… - ele gaguejou de forma mais aflitiva e os seus olhos inundaram-se de uma profunda desilusão – Cê assim não vai estar cá no meu aniversário…

- Desculpa… - foi a única coisa que consegui dizer, antes de prender o olhar no chão

- Cê aceitou? – perguntou ele imediatamente, meio atónico

- Sim… Precisavam de uma resposta na hora, parto amanhã…

- Cê vai assim embora para os Estados Unidos, para o outro lado do oceano e me avisa no dia antes? Pô… Não vou nem conseguir matar minhas saudades…

- Vai passar num instante, nós já aguentámos distâncias!

- Nunca de tanto tempo, pô! Dois meses é muito tempo… Ainda por cima vai faltar meu aniversário!

- Desculpa, amor… Eu queria muito cá estar e vou fazer de tudo para conseguir, mas isto é o meu sonho, entendes?

- Eu entendo, mas vou ter muita saudadji! – ele uniu as nossas bocas de forma carinhosa, num beijo já saudosista

- Olha, eu juro-te que vai passar a correr… Quando deres por isso estou de novo do teu lado!

- Promete? – ele fez uma espécie de beicinho, mas não tão evidente

- Prometo, meu amor! – beijei-o, passando-lhe toda a minha confiança

No dia seguinte deixei a Quimera aos cuidados de David, embarquei e foi ele a levar-me ao aeroporto. Não quis que ele ficasse até o avião partir pois iria ser bem pior, mas ainda assim vi-o deixar-me de lágrimas nos olhos e o que chorou depois disso, só ele saberá no mais íntimo de si. Eram apenas dois meses… Mas eu tinha a certeza, que aquele avanço na minha carreira, ainda me podia sair muito caro… Uma coisa era certa, estava com ele, e mesmo que alguma coisa ousasse separar-nos, eu iria lutar até ao fim, para nos unir.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Capítulo 108 - É só um até já... (Parte I)


A vida consegue ser louca… Surpreende-nos a cada dia, a cada percalço que coloca no nosso caminho, a cada sorriso que nos permite, a cada lágrima que nos faz verter, mas é célere… Muito célere! Desde que começara a namorar com David, já um ano se tinha passado, completávamos no dia 23 de Fevereiro, um ano de namoro. Apesar de nos termos conhecido muito antes disso, foi apenas nesse dia que me consegui despir de medos e receios e correr atrás do homem, que agora podia considerar como o da minha vida. Íamos fazer uma comemoração muito simples, algo privado, só nosso…

- Bom dia, meu amor… - cumprimentei alegremente quando ele me atendeu o telemóvel

- Bom dia, anjo da minha vida! – a voz dele soou tão animada quanto minha

- Como estás? Dormiste bem?

- Estou bem, amô, mas tinha dormido melhor se você tivesse dormido aqui comigo… - de repente a voz dele contorceu-se de um cariz envergonhado

- Oh, não posso dormir sempre, amor… Além disso daqui a umas horinhas estamos juntos!

- Vai parecer uma eternidade!

- Vai passar depressa prometo!

- Tô louco pra te dar logo um beijão! – ele riu-se do outro lado do telefone

- És tonto, amor… Quando estivermos juntos logo dás, sim?

- Pois, que remédio, meu doce… Ainda tá deitada?

- Estou amor… Deitadinha na minha caminha! – ri-se levemente e aconcheguei-me nos lençóis

- Tá usando o quê no corpo, amô? – a voz dele soou safada e brincalhona como já era hábito

- David! – repreendi-o, rindo-me também

- Que é? Só fiz uma pergunta…

- Estou a usar uns calções e um top… - sorri de forma terna

- Aqueles que eu gosto de ver em você?

- Esse mesmo...!

- Ai, amô… Acho que vou voar pr’aí só pra te ver desse jeito…

- Deixa de ser totó! Hoje acordaste de uma maneira, meu Deus…

- Cê gosta bem! Adora que eu brinque com você!

- Adoro, amor! Adoro! Olha encontro-me contigo em tua casa…

- Se preferir eu posso ir te buscar…

- Não, amor… Eu vou ter contigo! Espera-me que eu vou chegar a horas!

- Prontinho! Cê que sabe, meu amô…

- Então até logo, amor…

- Já, amô? Fala mais um pouquinho comigo… - mesmo estando longe dele, podia adivinhar-lhe um beicinho nos lábios

- Tenho de me ir vestir, tenho aulas, amorzinho…

- Pô, que droga…!

- Ei, David!

- Desculpa, mas tô morrendo de saudade… Só queria estar com você!

- Vais estar logo, agora tenho de ir senão chego atrasada à faculdade e depois quem atura os veteranos sou eu!

- Pronto, amô… Vai lá… - incentivou tristemente

- Sorrisão nesses lábios! Amo-te, namorado! – falei num tom completamente meloso

- Eu também te amo, minha namorada! – o tom de voz dele foi tão ou ainda mais meloso do que o meu, o que me fez sorrir que nem uma louca

- Amor, vais levar-me onde, mesmo?

- É surpresa, amô!

- Oh, diz lá…

- Adeus! Boas aulas! Beijão! – ele despediu rindo-se

- David…!

- Fui, amô! – ele desligou a chamada e eu fiquei a rir-me sozinha, quando queríamos éramos autênticos miúdos

Levantei-me da cama, tomei um duche e vesti uma roupa simples e ocasional, para mais um dia de aulas na faculdade. Como estava com o horário da manhã, e fora de época de trabalhos, conseguia estar sempre livre a partir das duas da tarde, o que era óptimo para passear ou fazer os meus deveres.


Na sala já ouvia barulhos, o que me denunciava que Bianca já estava de pé, como já era hábito ela acordava muito antes de mim.

- Bom dia! – cumprimentei sorridente entrando na cozinha

- Bom dia, giraça! – ela deu-me um beijinho no rosto e continuou a preparar o pequeno-almoço

- Acordada há muito tempo?

- Há algum… Vou agora sair, porque ainda vou ter com o Salvio antes de ir para a faculdade! – ela informou-me com um sorriso super babado na cara e eu acompanhei-a, estar apaixonada sabia bem, muito bem…

- Fazes bem, aproveita!

Ela acabou de tomar o pequeno-almoço muito rapidamente e eu fui lavar os dentes, mas quando regressei ela já tinha saído. Dirigi-me à cozinha para beber um copo de água, mas senti as patas da Quimera nas minhas pernas.

- Bom dia, grandalhona! – baixei-me imediatamente para a encher de mimos e ela deitou-se de barriga para cima, esperando recebê-los – Ai, a minha cadela é tão mimada… Tão mimada! – bati-lhe na lombar e ela correu até à taça da ração completamente vazia – Isso é tudo fome?

Não consegui evitar rir-me, mas ainda assim agarrei na tigela e enchi-a de ração, que ela fez o favor de devorar em menos de cinco minutos. Restou-me passar um pouco de perfume, agarrar nas minhas coisas e conduzir até à faculdade. Estacionei o carro no parque de estacionamento em frente ao IADE e fui ao cafezinho habitual tomar o café-da-manhã. Um croissant com fiambre e um café forte, o mesmo de sempre. A senhora já me conhecia e adorava-me, pois desde que soubera que namorava com David, pediu-me uma camisola e logo depois do Ano Novo, eu trouxera-lha, o que a levou ao delírio, tanto que a emoldurou e pendurou numa das paredes do seu escritório, tinha-me mostrado fotografias e tudo. Depois de lhes desejar um resto de bom dia, segui caminho para cumprir com as actividades lectivas da minha agenda. Ser caloira não era nada fácil, mas o ambiente era sempre super agradável. Dessa forma, o tempo de aulas voou e quando dei por isso estava na hora de almoço, o que encurtava então o tempo que o meu relógio marcava até encontrar David. Conduzi até casa e cozinhei ravioli de espinafres e ricota, com molho de tomate. Soube-me magnificamente bem e depois de ter usado a minha tarde para molengar no sofá resolvi arranjar-me e finalmente ir ter com David, que àquelas horas já estava despachado do treino.

***

Depois de eu ter tocado à campainha, ele ainda demorou algum tempo para abrir a porta, mas eu conseguia ouvir barulho vindo de casa e por isso concluí que ele lá estava.

- Ei, finalmente! – exclamei assim que ele abriu a porta, ainda meio desalinhado

- Uau, amô! Que gata! – ele ficou embasbacado a olhar para mim, como se estivesse a ver uma espécie de aberração ou coisa assim


- Oh… - fiquei ligeiramente sem jeito
- Nossa, cê tá… Meu Deus! Cê tá linda… - ela fez um sorriso completamente despojado de vergonhas, mas que me relembrou do seu jeitinho doce de menino

- Obrigada, amor… Tu também estás… - olhei-o de cima abaixo procurando palavras para o caracterizar, mas era difícil, porque ele estava de calças de fato, ténis e uma camisa linda, mas todo desfraldado - … muito charmoso!

- Nossa, cê mente mal, amô! – ambos nos rimos – Vem cá, quero matar saudades desses lábios…

Os meus lábios rasgaram-se e o meu sorriso brilhou, assim que o senti puxar-me para o interior da sua casa. Ouvi a fechadura estalar e rapidamente os lábios dele colaram-se aos meus, para rapidamente as nossas línguas acompanharem o movimento. Sentia-me completa assim, com um simples acto de um beijo, por mais simples e curto que fosse, mas era sinal de amor, e isso era tudo aquilo que eu precisava…

***

Depois do David se arranjar devidamente seguimos para um destino incerto, pelo menos para mim e fomos dar a um restaurante lindíssimo à beira rio. A vista estendia-se por todas as portadas de vidro do espaço elegantemente arquitectónico e o ambiente era leve e super romântico. Fomos encaminhados até um cantinho exterior, onde numa esplanada coberta uma mesa perfeitamente decorada aguardava por nós. Uma toalha de linho branco vestia a mesa, em cima dela a mesa perfeitamente posta e todo o branco tingindo pelo vermelho de pétalas de rosas. Haviam velas de cheiro, de baunilha, percebi eu pelo cheiro, espalhadas por todo o lado e uma maior bem no centro da mesa. Confesso, que não dava para controlar um sorriso, quando o motivo era de tanta alegria. O empregado retirou-se e fiquei a sós com David.

- Amor, está lindo! – afirmei amarrando-me mais ao corpo dele, mas mantendo os olhos postos no cenário

- Ainda não viu nada… Fecha os olhos, amô! – obedeci-lhe e senti um perfume bastante familiar junto da minha cara – Pode abrir!

Assim que arregalei os olhos, vi um lindíssimo ramo de túlipas brancas e lágrimas de mãe, as minhas duas flores preferidas desde sempre.

- Amor, são lindas! – na minha face um sorriso aberto pintou-se e tive de me colocar em biquinhos de pés, para lhe roubar um beijinho

- Gostou, amô?

- Se eu gostei? Eu amei, amorzão! – apoiei os meus braços em redor do seu pescoço e segurando numa das mãos os ramo

- Só quero fazer você tão ou mais feliz do que penso ter feito esse ano que passou…

- Acredita que fizeste muito, amor! Muito! Foi o melhor ano de sempre! – beijei-o calmamente, sem qualquer pressa, aquela noite, era toda nossa

- Vou fazer muito mais… Muito, meu amô! – ambos sorrimos – Tenho outra coisa para você!

- Outra? Combinámos não trocar prendas, amor… - relembrei torcendo o nariz

- Não é uma prenda… É uma lembrança… Pega! – ele deu-me uma pequenina caixinha para a mão, daquelas que relembram as dos anéis de noivado e tremi de cima abaixo

- Calma, amô… Não se preocupa que não vou pedir você em casamento! Pra isso eu ainda vou esperar e ganhar coragem! – ambos nos rimos, e eu bem mais aliviada – Vá, abre!

Muito curiosa acabei por relevar rapidamente o recheio da caixa e deparei-me com um porta-chaves com todas as chaves de casa de David, desde a da porta do prédio, à da porta de casa e à da caixinha do correio. Fiquei a olhá-lo meio confusa.

- Para cê usar sempre que precisar… Aquela casa agora também é sua e pouquinho a pouquinho, vamos unir um nitinho de nada mais, as nossas vidas… - fiquei completamente deliciada com o seu gesto e abraçei-o fortemente para mim

Aquele era o nosso mundinho, sim(!), podia ser pequeno, podia ser limitado e intermutável, mas era nosso… E quando se ama de verdade esse mundo torna-se a nossa única realidade.

***

David fez de tudo para me agradar, desde as entradas até à sobremesa, tudo era do meu máximo agrado e tinha alguns dos meus elementos preferidos. O ambiente ainda estava mais romântico, pois ele tinha mandado colocar uma musiquinha de fundo completamente deliciosa e mandado correr a porta de acesso à esplanada, para que tivéssemos o máximo de privacidade.

- Isto estava tudo óptimo, meu amor! – elogiei muito feliz, por ter alguém assim do meu lado

- Cê gostou, meu anjo? – ele afagou delicadamente a minha mão pousada sobre a mesa

- Eu gostei muito… Adorei, amor! Estava tudo do meu gostinho! – fiz um sorriso leve, mas muito sincero

- Quero fazer todos os possíveis para te agradar nesse dia!

- Amor, já fizeste isso 365 dias do ano, não precisas de o fazer mais… Já sou tua, até me quereres! – afirmei envergonhadíssima

Ele sorriu-me num jeito louco, ergueu-se da cadeira e deu-me a mão, onde me apoiei para me levantar.

- Depois desses 365 dias, muitos mais virão, meu amô… Te juro! – ele beijou-me de forma intensa, como há muito não beijava e fez-me recordar um dos nossos primeiros beijos

- Anda, amor… - puxei-o levemente até ao gradeamento da varanda e encostei a linha abaixo do meu peito no parapeito, disposta a vislumbrar aquela belíssima vista

- Me sinto tão feliz assim, amô… - os braços de David envolveram-me por trás, tendo as suas mãos relaxado no fundo da minha barriga e a voz dele soado num sussurro junto da minha orelha direita

- Ainda bem que também te posso fazer feliz… Só por isso a minha vida já vale um bocadinho a pena! – sorri-lhe de forma honesta e entrelacei os meus dedos nos dele, pousando as nossas mãos no parapeito das grades

- Sua vida vale a pena, só pelo simples facto de eu já te puder amar… Tudo o resto, meu bem, não importa, não… Somos só eu e você, para sempre! – ele beijou-me e nuca

Senti naquela promessa dele, uma leve oscilação dentro do meu peito e tive necessidade de lhe inquirir acerca de algo, mas aquilo trancou na minha garganta, quase que me sufocando.

- Amor… É mesmo para sempre? – perguntei finalmente, meio a medo e mantendo-me de costas para ele

- É, meu amô… Te garanto que é para sempre! Do nosso jeito, vai sempre haver um para sempre…

Os braços dele apertaram-me para si com uma enorme segurança, como se aquilo que a sua boca proferira, fosse totalmente verdade e o único elemento verdadeiro na vida e no coração dele. Amor, era o sentimento-rei, na nossa relação.

- Sempre… Sempre… Sempre… Sempre… - fiquei a ouvi-lo sussurrar esta palavra, muito baixinho, junto do meu ouvido

Vi uma estrela cadente, desejei que aquela fosse a minha verdade de ali em diante, desejei que como em muitas das outras noites, aquela acabasse com um momento de entrega, mas um enorme arrepio percorreu-me a espinha e tive a certeza… Ali naquele momento, que o nosso “sempre”, estava bem perto do fim…




Obrigada a todos aqueles que lêm o que escrevo e que gostam.
Quero pedir desculpa pela minha demora em postar, mas estou em época de testes e trabalhos finais, e os exames estão mesmo à porta o que dificulta um pouco o meu tempo livre para a fic.
Espero que compreendam!
Não se esqueçam de comentar, é importante saber a vossa opinião! :)
Não se esqueçam de passar na fic http://halfofmyheartfic.blogspot.com/ em parceria com a minha Paulinha de http://meandyoujustustoo.blogspot.com/ e deixar também o vosso feedback!
 Beijinhos
Drii


quarta-feira, 18 de maio de 2011

Capítulo 107 – Have yourself a merry little Christmas (Parte V)


- Amor, precisas descansar bocadinho… - recomendei ao mesmo tempo que abria a mala dele em cima da cama para a desfazer

- Amô, eu descansei muito essa manhã! – ele abraçou-me por trás e deu-me um beijo na nuca

- Estás com um arzinho cansado, amor… - torci o nariz, pois ele tinha um ar ligeiramente abatido

- Tou precisando de férias e esses dias vieram cair direitinho, amô! – ele apertou-me mais para si, colocando as mãos no fundo da minha barriga

- Então aproveita, porque depois estás de novo à carga nos treinos! – tirei umas quantas camisolas dele e coloquei em cima da cama junto das outras

- É isso mesmo que eu vou fazer… Aproveitar minha namorada lindona! – ele virou-me para si, pousando as mãos nos meus quadris e fazendo-me girar sobre mim mesma

- Tu vais é ficar ali quietinho que eu tenho que arrumar as tuas coisas… - fugi-lhe, quando ele pretendia unir os nossos lábios

- Oh amô, não tô com você faz uma semana… Me deixa dar assim uns beijinhos em você… - ele fez um beicinho ternurento e extremamente doce, mas que nem assim me convenceu

- Nem beijinhos, nem meio beijinhos! Tenho que desfazer a tua mala, David…

- Pô, que é que custa? Parece até que nem sentiu a minha falta… - a sua expressão afável rapidamente foi dominada por uma enorme tristeza

- Claro que senti, amor! É que nem é isso que está em questão! Mas há coisas para fazer… Daqui a nada temos de nos arranjar para o jantar, é véspera de Natal, David!

- Por isso mesmo… Vamos aproveitar para namorar! Tô morrendo de saudades desses lábios, meu anjo… - os dedos dele percorreram um trilho leve e calmo nos meus lábios

- Só dos lábios? – fiz um sorriso traquina e aproximei-me, fingindo que o ia beijar, mas recuei no último segundo

- Não me provoca, garota… - a voz dele arrastou-se e quando o olhei, este estava de olhos fechados e ansioso para que unisse as duas bocas

- Pensei que tinhas saudades… - eu ri-me baixinho e juntinho dos lábios dele

- E tenho, meu Deus… Tantas, tantas… - a voz dele molengou completamente e um sopro de ar, que correu pelo pouco espaço entre os seus lábios, embateu nos meus, o que me fez estremecer

- Muitas, amor? – sem dar conta os meus olhos encheram-se de um enorme brilho cintilante e profundo

- Muitas, meu amô… Cê nem imagina! – ele segurou-me pela nuca e uniu as nossas bocas

Juro que nunca me havia sentido assim nos seus braços, e se por ventura alguma vez sentira, já não me recordava devido a uma semana de separação. A minha língua envolveu-se na dele muito calmamente e senti as suas mãos viajarem debaixo da minha camisola.

- Amor… - murmurei por entre a união das nossas bocas

- Por favô, tenho tanta saudade… - fitei os seus olhos esverdeados e senti um friozinho no estômago só com essa sensação

- Temos de nos arranjar para o jantar, amor…

- Por favô, não tô aguentado… Tô morrendo de tanta saudade, desses lábios, desse corpo, de você… De te sentir por perto, meu amô!

- Mas… - tentei contra-argumentar, perfeitamente ciente de que tínhamos coisas a fazer

- Shiu… - ele deu-me um novo beijo louco e fugaz

Estremeci completamente, pois fui apanhada de surpresa. As mãos quentes dele viajaram por todo o meu corpo, na calmaria do sentimento que nutríamos um pelo outro.

- Te quero tanto, meu amô… - segurando o meu rosto e nuca, ele enterrou a cabeça no meu pescoço, que percorreu de beijos e leves mordidelas

- Eu também… - respondi de forma inconsciente unindo novamente as duas bocas

O meu corpo caiu sobre a cama, e o dele cobriu-me. Completamente abafada no peso quente do seu corpo, senti o meu peito bombear fortemente o sangue e a adrenalina correr-me nas veias como se estivesse a correr uma maratona. As minhas mãos meio trémulas percorreram a fileira de botões da sua camisa e foram desapertando-os um por um, muito calmamente. Senti as calças deixarem de fazer pressão na minhas cintura e quando ergui levemente a cabeça vi que David mas desapertara. Elevei os braços, para lhe facilitar a tarefa de me despir a camisola e ele entendeu perfeitamente o sinal, pois fê-lo sem qualquer pressa e enchendo a minha barriga e o meu peito de beijos. Queria conseguir dizer, que havia momentos em que me sentia mais amada, em que me sentia mais desejada, e que não dependia daqueles, para me sentir assim. Mas por muito que eu tentasse, por muitas palavras que procurasse, por muitos momentos que vivesse, em nenhum deles me iria sentir assim, como me senti naquela tarde, quando lentamente, depois de nos livrarmos das restantes roupas, me entreguei a ele, pela milionésima vez. E a cada vez que o fazia, mais perfeito me parecia, e mais e mais queria, e mais e mais precisava. Depois de trancarmos a porta do quarto, e num movimento rápido, ele uniu os nossos corpos e as nossas almas tocaram-se. Foi ele que ditou um ritmo muito sereno, entrando e saindo dentro de mim. E estar daquela forma com o David não era apenas uma questão de mero prazer, mas sim de amor, de um forte e inabalável amor.

- Te amo… - ele sussurrou baixinho, mas a sua voz vacilou devido a uma breve gemido

- Eu também… - fechei os olhos, esbocei um sorrisinho lindo e sentiu-o beijar-me

Não demorou muito até o culminar de tudo chegar, havíamos sido um do outro mais uma vez, e nada, nada batia a sensação de me sentir assim… Completa! Como me sentia do lado dele…

- Nossa, meu amô! Saudade danada essa! – ele riu-se, ao mesmo tempo que me aninhei nos braços dele

- Foi uma semana, amor…

- Foi uma eternidade! – ele rematou sem sequer me deixar acabar de falar

- Agora vamos estar sempre juntos, podes ficar descansadinho, amor! – beijei-o no peito e sorrimos os dois

- Acho que não quero descer, não… Ficamos já assim! Grudados um no outro, a noite inteira! – ele apertou-me mais para si e por momentos o ar faltou-me

- Oh amor, não pode ser… É Natal!

- Oh bolas, pro Natal! – ambos nos desmanchámos a rir à gargalhada

- Tem de ser… Pensa que pelo menos logo à noite vamos dormir os dois bem agarradinhos! – fiz um sorriso motivador e fechei os olhos quando senti os lábios dele dominarem os meus – Vá, vamos vestir-nos, amor…

- Hum, mais cinco minutinhos… - implorou-me rebolando mais na cama

- Oh amor tem de ser… Eu vou na frente, tomo banho e quando sair para me vestir vais tu! E quando eu tiver arranjadinha, tu também terás de estar!

- Oh… Que é isso, muleca? Banho sem você? Tá louca, é? Pirou de vez? – o jeito aflito com que ele proferiu aquelas palavras, deram em mim, uma vontade loucamente inexplicável de me rir

- Não me digas que precisas que te lavem as costas…

- Se for isso o necessário pra tomar banho grudado em você, então sim! Preciso que me lavem as costas… - ambos nos rimos e eu levantei-me da cama enrolada no lençol

- Não vais precisar chegar a esse ponto… Anda lá, vá! – estendi-lhe a minha mão serena e ele não demorou quase nada a tomá-la

Foi por entre caricias e beijos doces, e muito, muito saudosos que tomámos o nosso banho e nos arranjámos para a noite de véspera de Natal.

- Pô, que gatona, amô! – elogiou o David ainda ajeitando o pólo que usava sobre a camisa

- Obrigada, amor… - sorriu-lhe harmoniosamente e uni pela última vez as nossas bocas antes de descermos

O jantar foi tido completamente em família e tenho de confessar que me entretive a observar a convivência pacífica e sincera entre os meus pais e a minha restante, com os pais de David e ele. Nada me deixava mais feliz, nada me preenchia mais o coração e nada, mas nada me fazia sentir mais completa, mais mulher.

- Filha, não comes?

Recordo-me da minha mãe interromper por algumas vezes a sua conversa com a Dona Regina, porque eu estava tão embrenhada naquela minha realidade, que nem tocava na comida que tinha no prato.

- Estou a comer, mãe… Com calma! – era o que lhe respondia sempre, disposta a absorver com toda a calma do mundo, cada segundo daquele momento e guardá-lo eternamente na minha memória

E foi assim até à sobremesa, tradicionalmente portuguesa, como toda a restante doçaria que se montou na mesa seguinte, e que nos iria acompanhar noite fora.

- Que é isso, amô? – perguntou David agarrando num coscorão

- É um coscorão, amor… - ri-me levemente sentada no colo dele

- Isso é bom? – ele torceu o nariz, como se nunca tivesse comido daquilo na vida

- É, amor… Pelo menos eu gosto! É doce! – sorri e dei uma pequena dentada

- Vou provar! – anunciou e deu a primeira dentada

Olhei para ele, parecia-me imensamente estranho que um rapaz de 23 anos, nunca tivesse experimentado um coscorão, mas se eu tivesse em conta a sua nacionalidade, talvez nem tanto. Olhei-o calmamente, acabando de mastigar o que deglutira, e tentando adivinhar a sua expressão. Assim que teve tempo de perceber e assimilar o sabor, os olhos dele abriram-se em sinal de espanto.

- Nossa, esse troço é bom! – disse ainda de boca cheia

- Amor, olha aí… - ela riu-se

- Desculpa, amô! – ele ficou meio envergonhado e quando engoliu, uni apenas os nossos lábios

- Madinha, quando abimos as pendas? – perguntou-me o meu afilhado já de olhos mortiços do sono

- Oh amor, ainda falta um bocadinho…

- E poque é que tás no colinho do David? És munto gande pa isso, inha! – todos na sala se riram e não era para menos, aquele menino quando queria era uma autêntica peste

- Porque o David é meu namorado, a tua mamã também se senta ao colinho do papá!

- Mas a mamã só se senta ao colinho do papá pala ele dale miminhos no mano na barriga delha! – ele fez
uma breve pausa como se tivesse a proceder a um raciocínio – Vocês também estão à espelha de um bebé?

O meu pai mudou de cor e engasgou-se com o trago de whisky que tinha na boca, a minha mãe teve uma enorme vontade de se rir e acabou por o fazer com a ajuda da Dona Regina.

- Não, amor… - eu ri-me também baixinho e olhei rapidamente para David – Eu e o David não estamos à
espera de nenhum bebé… Ele está simplesmente a aquecer-me!

- Não pechebo nada! Se tens frio, vete um casaco, inha!

- Oh amor, o David é mais quentinho! – ri-me e David juntou-se a mim

- Oh, Oh, Oh! – um dos meus tios entrou na sala vestido de Pai Natal, para animar a criançada que rapidamente entrou em alvoroço

Foram os primeiros a receber as prendas e o meu piolho delirou com o carro que lhe ofereci para puder andar pelo jardim a passear. Os meus restantes priminhos deliciaram-se com todos os outros brinquedos, filmes e livros.

- Ahhh! O Pai Natalhe, não touxe pendas pa vocês! – o meu menino abriu a boca muito admirado quando viu o saco vazio

- Ele deixou as prendas com antecedência, amores… Não se preocupem e vão brincar! – eu ri-me e assim que anunciei a brincadeira, todos eles desapareceram para um canto da sala e usufruíram das novas prendas

- Bem, vamos lá a isto então! – foi o meu pai que ditou a distribuição de prendas entre adultos – Filha… - ele agitou um embrulho vermelho no ar rindo-se

- Hum, quero ver o que vai sair daí… - abri a caixinha e ia tendo um colapso quando vi a prenda dele – Ai pai, que feioooo! – queixei-me e ergui a camisola do Sporting a dizer “Adriana” com o número 9

- Oh filha, a esperança é a última a morrer! – ele esboçou um sorriso

- Acredita, esta já morreu! – ri-me e coloquei a camisola dentro da caixa

- Agora a minha! – anunciou a minha mãe e entregou-me um embrulho

Abri-o calmamente e os meus olhos espantaram-se assim que a abri.

- Mãe…?! – fiz um olhar inquisitivo olhando o recheio do embrulho

- Que é? – ela espreitou e ficou sem jeito – Ai, essa não é a tua! – uma pilha de lingeries espalhafatosas e que saiam completamente fora do meu estilo, preenchiam o conteúdo

- Bem me pareceu! – ri-me a plenos pulmões e a minha mãe repôs-me a prenda correcta que calmamente abri

- Ai, adoro mãe! Que lindo! – dentro da caixa correcta estava o meu traje académico, que iria usar em Maio no enterro do caloiro

Uma enorme sensação de orgulho e de que estava a passos de me tornar uma mulher, apoderou-se de mim e as lágrimas fluíram-me pela face. Limitei-me a abraçar os meus pais e a agradecer-lhes por tudo o que tinham feito por mim e por me terem transformado naquilo que era. Ao meu pai ofereci uma camisola do Sporting autografada por todos os jogadores e que me foi fácil de arranjar devido a uns conhecimentos de Ruben, já à minha mãe ofereci uma agenda electrónica pois ela era das mulheres mais atarefadas e organizadas que conhecia.
Seguiu-se então a Dona Regina e o Senhor Ladislau. A ela ofereci-lhe uma máquina fotográfica pois sabia bem como ela adorava passear e ter muitas recordações dos sítios que visitara, e a ele ofereci uns ténis da Nike, uma vez que o gosto dele era bastante semelhante ao de David.

- Olha minha filha, a gente não sabia muito bem o que oferecer para você… - a Dona Regina agarrou num embrulho da árvore e passou-mo

- Oh, não era preciso! – reclamei imediatamente pousando-o no meu colo

- A gente espera que cê goste, é meramente simbólico, mas é do coração… - ambos sorriram e eu comecei a abrir a prenda

Mal vi na minha frente o meu presente foi-me completamente inevitável conter as lágrimas. Vi uma fotografia que tirara com a família de David, aquando das nossas férias no Brasil, um porta-chaves apenas com uma chave, muito semelhante e diria até igual a uma que David tinha no seu e um bilhete.

“Minha filha,

As palavras para agradecer tudo o que fez e continua fazendo pelo nosso Davi’ não são mais suficientes. O coração do nosso filho cê já tem, agora tome seu lugar na nossa casa e naquela que será a partir de agora a sua família.

Feliz Natal!
Rê e Lau”

Não consegui conter-me e as lágrimas, que até há segundos atrás apenas inundavam os meus olhos, caíram-me vertiginosamente pelas faces e aterraram nas minhas mãos. Tapei a cara com as minhas palmas e deixei-me chorar completamente sensibilizada pelo gesto deles. Por muito que soubesse que eles gostavam de mim, aquele gesto abria-me completamente a porta da sua casa, a porta das suas vidas e dava-me livre acesso para pertencer àquela família. Senti uns braços envolverem-me e apenas David estava do meu lado, por isso reconheci-lhe facilmente o toque.

- Não chora, amô… - pelo tom da sua voz, pude adivinhar-lhe um sorriso lindo no rosto

Solucei mais umas quantas vezes e senti o meu coração pequenino, como se aquele sentimento que nutria por ele e pela sua família me fosse minar por completo.

- Minha filha… - ouvi a voz doce da Dona Regina e ergui a cabeça

Na minha frente vi um sorriso meigo e atrás dele vi uma sucessão de tantos outros.

- Obrigada, muito obrigada… - levantei-me do lugar com a chave e o bilhete na mão e agachei-me junto do sofá onde eles estavam para os abraçar

- Nós que agradecemos, por fazer a razão do nosso viver tão feliz… - eles olharam carinhosamente para David – A partir de agora a porta da nossa casa é sua… De livre acesso! Nossa família é sua também…

- Obrigada… Nem sei como agradecer! – os meus olhos inundaram-se novamente de lágrimas

- Faça nosso filho feliz e isso será o bastante! – o Senhor Lau era sempre mais reservado que a esposa, mas nesse dia surpreendeu

- Vou fazer, podem ter a certeza! – jurei num sorriso e depois de distribuir um beijinho na face de cada um sentei-me do lado de David para o abraçar

- Não chora, amor… - ele afagou-me os cabelos assim que sentiu o meu peito soluçar de emoção

- Obrigada, pelos pais fantásticos que tens… - sussurrei apertando-o mais para mim

- Shiu, não agradece por isso… Eles amam você!

Um sorriso invadiu os meus lábios e seguiu-se a troca de prendas entre David e os meus pais. Ao meu pai, ele ofereceu um cartão de livre acesso aos camarotes de Alvalade o que o deixou claramente radiante, à minha mãe um perfume que eu ajudei a escolher e sabia ser o seu preferido. A ele, a minha mãe e o meu pai ofereceram umas chuteiras personalizadas com o seu nome e número, e que ele andava a namorar à uma série de tempos e eu ajudara a comprar.

- Bem, agora faltam vocês! – anunciou a minha mãe olhando para nós enquanto um casal

- Começo eu! – anunciei passando-lhe o meu embrulho – Não é nada de importante, não é nada caro, não é nada de marca, e não, não é nada milionário! Mas é do coração… - esbocei um sorrisinho

- Oh amô, tudo o que venha de você é importante! – ele roubou-me um beijo e abriu a prenda – Ai, amô! Que lindo!

Era um álbum com todas as nossas fotografias organizadas cronologicamente e contando a nossa história. Tinham encomendado aquilo a uma empresa especializada em álbuns digitais e impressão e o trabalho estava irrepreensível.

- Amei, meu amô! Foi a melhor prenda de sempre! – ele uniu os nossos lábios rapidamente, pois toda a família estava de olhos postos em nós – Agora é a sua, meu amô!

- Ui, o que é que vem para aí… - reparei que David trocou um olhar cúmplice com a minha mãe

- Vou pegar! Dois minutos! – ele saiu e regressou com uma caixa enorme e um laço vermelho

- Credo, que é isto?

- Abre e vê! – ele sentou-se no meu lado, logo depois de ter pousado a caixa no chão junto aos meus pés



Abri o embrulho muito calmamente e quando me vi livre do papel reparei nuns buraquinhos no topo da caixa, mas nem liguei. Só quando abri a caixa tudo fez sentido. Um cão completamente adorável estava no seu interior e tudo teria sido perfeito se eu não tivesse pânico de cães. Mandei um salto do sofá e coloquei-me atrás do outro disposta a não sair dali enquanto aquele cão não fosse embora.

- Amor, tu estás maluquinho?! – perguntei a tremelicar de pânico

- Não gostou? – ele riu-se baixinho

- Amor, eu tenho medo de cães, sabes disso?

- Sei, por isso mesmo… Tem de perder o medo e nada melhor do que ter um para perder o medo! – ele agarrou no cão e colocou-o no seu colo

- Amor, esquece! Não vai acontecer… Não quero esse bicho! Fica tu com ele…

- Ué, vai recusar o meu presente? – perguntou erguendo-o junto do rosto

- Vou, amor… É um cão, por amor de Deus! – ela falou, como se todos os outros fossem incapazes de ver que ser era aquele

- Um cão! Cão! – o meu afilhado correu para mexer e voltar a remexer no cão, o que não me surpreendeu porque ele era doido por animais

- Isso! Fica com ele, amor! – anunciei respirando fundo

- Posho, inha?

- Podes, amor! Podes!

- Oh amô, que é isso? Não pode nada, garoto! Essa cachorra é da sua madrinha! Vem cá fazé um carinho nela, amô…

- Eu não toco nisso, David! – todos na sala gargalhavam da situação o que aumentava ainda mais o meu estado de pânico

- Tocas, madinha! Olha, que meiguinha! – o meu afilhado afagou a pobre cadela por todo o lado

- Não, obrigada! Eu dispenso!

O meu afilhado colocou a cadela no chão e esta sem eu saber muito bem porquê, mas porque provavelmente persentiu o meu medo, correu para mim. Desatei a correr à frente dela, e era ridículo! Uma matulona de 18 anos a correr à frente de uma cadelinha minúscula, mas só parei quando me sentei no sofá, com as pernas fora do chão.

- Amô, ela não faz mal! – o David apanhou-a do chão e aproximou-a de mim

- David, tira isso daqui! – repugnei a bichinha para longe

- Larga de bobagem! Faz ao menos um carinho nela…

Quando olhei, vi aqueles dois olhinhos melosos de carinho e uma expressão adorável e ficou irresistível não lhe tocar. Meio a medo e com a mão a tremer, passei rapidamente no topo da sua cabeça. Repeti o gesto mais umas quantas vezes até ganhar mais à vontade e fazê-lo mais naturalmente.

- Pega nela, amô… Não vai fazer mal pra você te garanto!

- Amor, isso não… - torci o nariz ainda receosa

- Olha, amô… - ele passou a mão na boca da cadela e ela não o mordeu, era de facto muito calma – Não faz mal!

- Tá bem…

Meio a medo, recebi-a no meu colo e mantive alguma distância, que com o tempo se foi dissipando e conquistando o meu medo.

- Gosta dela, amô? – a mão de David parou carinhosamente na minha perna

- Sim… É bonita…

- Perdeu o medo?

- Quer dizer, David… Não abusemos, vá! – todos nos rimos

- Mas vai ficar com ela, certo?

- Tem mesmo de ser não é?

- Não tem de ser, mas se você pode perder o medo, melhor pra você! E cachorro faz sempre companhia!

- Pronto, então eu fico com ela! – sorri, não apenas porque sabia que o estava a fazer feliz, mas porque me estava a sentir também assim – Já tem nome?

- Não… Deixei isso pra você escolher! – ele sorriu-me delicadamente

- Não pensaste em nenhum?

- Sei lá, amô… Nome de cachorra normal! Laika, Lassie, essas coisas…

- Hum, isso não é muito normal!

- Quimera! – gritou o meu afilhado de forma atrapalhada

- Quimera?! – perguntei primeiramente com estranheza e analisando a cadela nas minhas mãos – Gostas?! Bem, Quimera! É giro… - sorri olhando todos

- Nunca na vida pensaria ver a minha filha, que tem fobia de cães, dona de um e com ele no colo! – o meu pai riu-se e a minha mãe também, pois sabiam bem o quão grave era a minha fobia

- Até é fofa! – disse aproximando-a da minha cara e acabei por levar uma lambidela, que foi motivo de risota para todos – Ahhhh! Que nojo! – passei imediatamente a cadela para os braços de David e a sala ficou rendida em gargalhadas


***

Depois de dias de extrema felicidade e união a viragem do Ano Novo chegou e seria passada entre amigos e familiares. Aos meus familiares mais próximos, como os meus pais e avó, juntaram-se os pais de David e os de Ruben, assim como o resto do grupo de amigos habitual. A festa foi feita na casa da família Amorim.

- 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1… Feliz Ano Novo! – gritaram todos com as garrafas de champanhe na mão

- Feliz Ano Novo, amor! – beijei David imediatamente

- Feliz Ano Novo, meu anjo! – ele prolongou a troca de carinhos entre mais uns beijos e por fim abriu a garrafa de champanhe para brindarmos

O fogo-de-artifício cruzou os céus e começou a inundá-lo de cor e magia. Entre ritmos de tonalidades intensas, o céu pintou-se para receber mais um ano e o meu corpo preparou-se para receber novamente David. Os seus braços envolveram-me por trás, pousando a cabeça no meu ombro.

Fechei os olhos e pedi um desejo: “Quero ficar para sempre com o David, para sempre…”

- Vamo’ ser muito felizes esse ano, meu amô! – anunciou sussurrando no meu ouvido

- Tenho a certeza, amor… Tenho a certeza… - sorri e deixei o meu corpo tombar completamente no dele

Uma cana rebentou com mais força no céu e eu estremeci, mas senti os lábios de David cortarem os tremores indo de encontro à pele do meu pescoço, para logo depois subirem para a orelha.

- Casa comigo… - a voz dele soou bem baixinho junto do meu ouvido, mas o barulho era tanto que até hoje não tenho a certeza se ele o disse, ou se foi somente um murmúrio inconsciente da minha alma

Mas aquele ano adivinhava-se em grande, eu tinha grandes sonhos e projectos, mas o que eu não sabia é que estava longe, mas bem longe de realizar muitos deles, dentro o qual, aquele que eu mais queria e no entanto o que mais rapidamente me escaparia…