terça-feira, 21 de junho de 2011

Capítulo 109 - Quando o amor não é loucura, não é amor (Parte IV)


O momento começou a transpor barreiras perigosas, barreiras que rapidamente seriam possíveis de acuar e que nos deixariam numa situação pouco confortável.

- Dê, não quero fazer nada aqui… - desabafei com medo de o magoar, mas achava que aquele, precisava ser um momento só nosso

- Não tem saudadji minha?

- Tenho, muita, mas aqui...? – torci o nariz

- Ainda falta pra festa acabar… E pelo menos quero dar uns beijos em você, mas respeito se preferir guardar esse momento só pra gente e nossa privacidade… - o sorriso dele foi totalmente tranquilizante

- Prefiro, amor… Desculpa, mas acho que tanto tempo longe um do outro merece uma coisa mais especial e nossa…

- Ei, ei! Não pede desculpa, bobinha! Me beija só e assim me faz o homem mais feliz do mundo! – ele esboçou um sorriso completamente babado e luminoso

- É só isso que eu quero… Fazer-te feliz! – as nossas bocas uniram-se e a troca de beijos foi muito intensa durante mais alguns minutos, pelo menos até retomarmos à festa


***


- Oh pequenina, estás com um ar tão maternal… - Ruben não resistiu a meter-se comigo, enquanto eu trocava mais uns beijos com David a um canto da sala

- Mas qual é a tua, ó?

- Epá, não sei… Estás com ar de mamã! – na sua boca um sorriso sereno delineou-se

- Ruben, eu não sei qual é a tua, mas se queres assim tanto bebés, tens aí a tua futura mulher do lado, pede-lhe e ela dá-tos!

- Ei, ei! Tinha que sobrar para mim, não?! – Inês resolveu dar o ar da sua graça e num trejeito cómico e muito próprio da personalidade dela, empinou o nariz

- Oh, não estou com vontade de ser papá, mas tio ou padrinho, já não me importava!

- Pois então escolhe outro alvo, porque se há coisa que eu garanto que não estou é grávida! – afirmei muito certa e senti o David gesticular qualquer coisa a Ruben – Ei, que foi isso? Eu vi! – ele fizera-lhe sinal para estar calado

- Nada não, amô… Só para esse babaca largar você de vez!

- David, David! Eu conheço-te, esqueces-te? Não vale a pena mentires-me… Podes começar a chutar! Vamos lá! – ele estava sentado numa cadeira e eu fiz do colo dele a minha, por sinal bem mais confortável

- Pô, cê só me arranja negócios desses, cara!

- Desculpa aí, mano!

- É, agora é “desculpa aí, mano!” – o David forçou uma voz de alguém que aparentava ter um problema mental e foi somente o bastante, para todos se rirem que nem uns perdidos

- Deixem-se lá de coisas, porque eu não tenciono esquecer! Vamos lá, Senhor David, comece a disparar! – ordenei sentada no seu colo

- Oh, eu que comentei com esse daí que gosto de nenéns…

- Oh mor, mas isso todos nós sabemos! Tu amas crianças, é um facto e daí?

- E daí, que eu andei pensando nisso enquanto cê teve fora…

- Correcção: ele andou pensando muuuuito nisso! – o Ruben teve de se meter na conversa, mas rapidamente eu e Inês o calámos, ela com um puxão de orelhas e eu com um olhar fuzilante

- Andaste a pensar em bebés? Agora é que não estou a perceber nada, David Marinho!

- Oh amô, pô! Andei pensando e quero muito ser pai… Agora!

- O quê?! Pai, agora? Mas está tudo louco?

- Oh amô, não fica brava comigo… Cê sabe que eu quero ter filhos!

- Sei, claro que sei! Eu também quero muito, mas quando tiver casada, o meu curso tirado e um emprego estável, não nestas circunstâncias!

- Tá, mas eu queria agora… - a sua expressão triste mirrou-me o coração, quase como se o tivesse a segurar bem apertadinho na palma da minha mão

- Oh amor… - encostei o meu narizinho ao dele e esperei que os seus olhos fitassem os meus – Eu sei que queres muito construir a tua família, mas vamos com calma… Ainda temos muito pra viver!

- Eu sei, mas sonhar não custa… - sussurrou sorrindo - A gente podia tentar… Uma vez que fosse! Só uma…

- Amor… Mais um bocadinho! Dá-me só mais um bocadinho e depois começamos a tentar, sim?

- Começamos mesmo? – perguntou super entusiasmado e com um sorriso que exprimia essa condição

- Mesmo, mesmo! – rematei beijando-o nos lábios

- Essa noite… - sussurrou de encontro aos meus lábios

- Um tempo, amor… Depois tentamos…

- Só uma vez… Senão der não deu, é porque não tinha de ser! Mas vamo’ tentar! Vamo’…

- Só esta vez, amor… Só esta… - sorri, pois de facto, aquilo fazia-me tão feliz como a ele

Tinha somente 18 anos, era verdade, mas tinha aquilo que muita gente não tinha: uma relação saudável e sólida, maturidade e uma pessoa do meu lado que também a possui, e amor, muito amor… Era só isso que necessitávamos para construir a nossa família.


***

- … para o menino David, uma salva de palmas! Ehhhh! – todos cantaram em uníssono e ele soprou as velas do bolo que eu tinha na mão

Pousei-o e beijei os lábios de David, quando este ainda tinha os olhos fechados para pedir um desejo.

- Pedi um filho… - confessou num murmúrio vagamundo, mas capaz de fazer acelerar o mais frio dos corações

- Vamos ver se se realiza… - completei sorrindo – Tenho uma prenda para ti…

- Uma prenda? Não precisa de mais nada, tendo você e o meu desejo realizado, não preciso de mais nada!

- Pois, mas eu preparei isto com carinho… Não queres?

- Quero, claro que eu quero, meu amô! Quero tudo o que é seu!

- Então dá-me cinco minutos!

- Dou! Te dou tudo o que cê quiser… Mas volta rápido!

- Volto! – beijei para me afastar, mas ele fez questão de prolongar o beijo ao máximo e da forma mais apaixonada possível

Quando regressei já trazia na mão aquilo que me interessava, um novo DVD. Só eu sabia o seu conteúdo, pois fora montado com a ajuda de um dos senhores do estúdio de Nova Iorque. Do meu lado vinha um colega de profissão, guitarrista, que me ia acompanhar naquela surpresa. Tomei o meu lugar no palco e coloquei o filme a passar. Este continha fotos nossas, minhas e de David, e a tradução da música que eu ia cantar, sobre ele e para ele.

- Slowly stars go out each night, Dark meets light, kiss the sun goodnight, New day comes as though life's just begun, You're now mine… And everytime you hold my hand, There's an understanding of who I am, New life is born, unlike before I'm now yours… - iniciei a música um pouco nervosa como sempre, ficava assim sempre que pisava um palco, por mais pequeno que fosse, como era o caso


Era uma música da minha autoria, que compus enquanto me encontrava nos Estados Unidos e foi talvez uma das que me deu mais gozo gravar. O David não percebia Inglês, daí eu ter preparado aquele vídeo, que passou atrás de mim, enquanto eu cantava a sua banda sonora ao vivo. Fi-lo de plena alma e com todo o coração. Cada palavra entoada foi sincera, cada frase composta veio do coração e por isso foi fácil imprimir-lhe a minha essência e o sentimento que nutria, sobre quem cantava. No final todos aplaudiram e encontrei David com um sorriso totalmente divinal bem na minha frente. Eram momentos assim que valiam a pena, tudo para puder ver naquela face angelical um sorriso, bem merecido.


***

- Bem, não te importas de levar então o Sr. Lau e a Dona Rê a casa, Ru?

Questionei-o, pois havia-me esquecido desse pequeno detalhe, que interferia com a minha surpresa, ou melhor, com aquele plano que em tempos fora uma surpresa e deixou de ser graças à boca de trapos de Ruben

- Não, levo-os numa boa! A menos que eles se importem… - tanto nós os dois, como David, que permanecia atrás de mim amarrando-me contra o seu corpo, os olhámos, esperando uma reacção

- Claro que não, meus filhos… A gente só quer é chegar em casa e dormir, que estamos muito cansados!

- Tem a certeza, Dona Regina? – perguntei, pois queria colocá-los o mais confortavelmente possível

- De certeza, minha filha… Vão sair, se divirtam e aproveitem pra namorar muito!

- Obrigada, mãe… - nesse momento congelei ao dizer aquilo

Mas que raio me tinha passado pela cabeça para chamar a mãe do meu namorado de “mãe”? Aquilo saiu-me tão natural, como inevitavelmente. Todos nos olhámos e eu senti-me pessimamente por o ter feito, tinha abusado, pelo menos a meu ver, mas surpreendentemente a reacção foi contrária à esperada.

- Desculpe, Dona Regina! Desculpe…

- Tenha calma, minha filha… Não há problema nenhum! Eu também não te chamo de “minha filha”? Vai dar no mesmo, não esquenta, não!

- Obrigada… - sorri de forma tranquila – Vamos então, amor? Ainda tenho de conduzir um bocadinho…

- Vamo’, mô! Até amanhã, gente! Sua bênção, meus pais…

- Vão com Deus, meus filhos… - respondeu a Dona Regina e tanto ela como o marido, deram-nos dois beijinhos

- Qualquer coisa, liguem! – disse David, já puxando-me pela mão

- Ah, não vamos ligar mesmo, que eu quero esse sobrinho para breve!

- Oh Ruben, cala a boca! – ordenei rindo-me

- Olha, olha! Não me digas que estás com vergonha dos sogrões? Eles querem é netos e depressa! Ponham-se masé a andar e treinem muito! – todos se riram, inclusive os meus “sogrões”, como Ruben lhes chamou

***

Conduzi durante meia hora até ao hotel Cascais Miragem, onde a minha surpresa já estava preparada e à espera de David. Pedi o cartão na recepção e subimos bem juntinhos no elevador.

- Vai me dizer o que nos está esperando?

- Nem pensar, quando chegares logo vês… Já basta o Ruben ter estragado meia surpresa!

- Hum, vindo de você vai ser coisa boa de certeza… E romântica! – acrescentou rindo-se

- Oh, já sabes como sou, por isso não vale gozar!

- Hum, não gozo não, meu anjo! Só te quero do meu lado, com ou sem romantismos! – beijámo-nos calmamente, mas durante pouco tempo, pois o elevador deu sinal de termos chegado ao nosso andar

- É aqui… - anunciei quando chegámos à porta do quarto 23

- Bom número! – brincou, abraçando-me por trás

- Até dizia que foi coincidência, mas estaria a ser desleal para contigo! Foi um dos meus pedidos extravagantes, que com uma notinha extra fez com que um casal de ingleses fosse desalojado! – ambos gargalhamos, mas quando percebemos que era tarde e nos encontrávamos no corredor, fizemo-lo em surdina

- Cê é doida, amô!

- Por ti, só se for… - beijei-o rapidamente – Vá, fecha os olhos!

- Vou fechar! – anunciou e de facto fê-lo, mas quando eu ia para abrir a porta ele espreitou sorrateiramente

- Ei, eu vi isso! Batota não vale, fecha bem!

- Pronto, pronto! – ele cerrou os olhos e eu comecei a fazer caretas na frente dele para confirmar que não estava de facto a ver nada – Então, amô? Ainda demora? – tapei a minha boca com a mão para que ele não ouvisse o riso

- Não, vamos já! – acenei uma última vez na frente da sua cara e abri a porta – Anda…

Fui eu que o guiei até ao interior da luxuosa e agradável suite. Tudo estava do jeito que eu pedira… Haviam pétalas sobre a cama, uma garrafa de champanhe e dois flutes preenchiam o espacinho vazio em cima do aparador da pequena sala, uma taça com morangos, no ar pairava um aroma abaunilhado de incenso e o espaço estava quase às escuras.

- Posso abrir? – perguntou David dominado pela impaciência

- Não, dá-me mais dois segundos! – corri para acender as velas com o isqueiro e apagar as poucas luzes artificiais que restavam acesas na suite

- Amô… Me deixa abrir, pô! Não aguento mais!

- Pronto, já está… - tomei lugar do lado dele, conferindo uma última vez aquele cenário incrível, completado pela enorme janela envidraçada que dava a perfeita visão sob a paisagem marítima que cobria o horizonte

- Já posso?

- Podes, amor…!

Ele abriu os olhos, adormecidos pela escuridão, muito devagarinho, acho que por momentos ele julgou estar a ver mal, tamanha era a beleza do cenário.

- Tá brincando…

- Não, muito a sério! É tudo nosso por esta noite… - dei um beijo no braço dele, pois devido à diferença de alturas, era a única coisa que conseguia alcançar

- Pô, amô… Te amo! – ele uniu rapidamente as nossas bocas, para esconder a emoção que estava a dilacerá-lo de forma indulgente

- Também te amo, muito! – afirmei sorrindo

- Vem, amô… - ele puxou-me até junto do aparador e fez a pressão da garrafa de champanhe libertar-se, para seguidamente o servir nos flutes

Demos um pequeno toque com os copos, sem nunca desviar o olhar um do outro, e o dele, quase que parecia queimar. Percorreu a minha figura com uma intensidade e uma paixão avassaladoramente assustadoras. Bebemos ambos um pouco do champanhe e o travo amargo, combinado com a temperatura cálida do mesmo, fizeram-me arrepiar a espinha.

- Toma, amor… - retirei um dos morangos da taça e dei-lhe metade à boca, para o restante ficar para mim

- Nossa, que gostoso, amô… - ele colou os nossos corpos e beijou-me – Quero ficar assim para sempre…

- Vamos ficar assim para sempre…! – jurei-lhe sussurrando sorridente

Ele deu-me um leve beijo e deu-me um morango para comer.

- Au, me mordeu, amô! – ele riu-se e comeu o pouco que sobrou do meu morango

- Desculpa… - sorri e dei-lhe um beijinho carinhoso no dedo

- Parece um sonho… - murmurou mexendo no meu rosto e afastando os cabelos, que o rodeavam

- Não é, amor… Estou de volta de Nova Iorque e bem aqui na tua frente!

- Não é isso, mô… Parece um sonho cê ter aparecido assim na minha vida e ter tornado ela tão perfeita! Cê é um sonho…

- Sou o teu sonho e juntos estamos a viver o mais belo sonho de amor… - segredei com um sorriso tonto nos lábios

- O melhor sonho do mundo… - ele beijou-me calmamente

Aquilo que começou por ser somente um beijo sereno, acabou por se transformar no impulsionador da intensidade do momento que se seguia. Tínhamos estado dois meses longe um do outro, onde qualquer contacto físico tinha sido nulo, mas nem era isso que nos fazia falta. Não era uma questão de sexo, ou puro prazer… Era uma questão de amar e ser amado, de dar tudo e receber muito mais. Era uma questão de nos entregarmos e nós estávamos dispostos a isso… Cambaleando sobre os seus pés, ele agarrou em mim, até tirar os meus do chão, e levou-me ao colo até à cama. Todo o percurso foi feito, por entre um beijo desmedidamente apaixonado, mas sereno. Queríamos amar-nos, mas sem qualquer urgência ou noção de tempo. Ele pousou-me delicadamente sobre o manto de pétalas que cobria o colchão e sorriu-me carinhosamente.

- Te quero muito, Adriana… - a intensidade com que ele proferiu o meu nome, fez-me estremecer sobre a cama e fez meu coração disparar quase até me sair pela boca

- Eu também, amor… Muito! – confessei já meio ofegante

Apoiado num dos braços, para não me magoar com o seu peso, voltou a fazer dos meus lábios, seus. A minha mão esquerda, desceu da nuca dele, percorrendo toda a espinha, até encontrar a bainha da camisola, e aí a transpor para entrar em contacto com o corpo dele. Ficou somente em contacto com a pele das suas costas, mas ajudou-me a puxar a camisola para cima. Separando momentaneamente os nossos lábios, ele permitiu tirar-lha e atirá-la para o chão do quarto. De forma igualmente delicada, livrámo-nos de todas as peças de roupa que cobriam os nossos corpos e ficámos despojados um para o outro, e finalmente prontos para aquele acto de rendição.

- Posso, amô? – perguntou num tom de respiração acelerada e intranquila

- Podes, amor… Relaxa! – acariciei-o na face direita, pois senti que uma ponta de nervosismo o consumia por dentro

- Desculpa, tô nervoso… - confessou-me com um sorriso desajeitado e envergonhado no rosto

- Não é a primeira vez que estamos juntos, amor… Não tens de estar nervoso! – dei-lhe um beijinho no lábio inferior e senti-o estremecer

- Mas é a primeira vez que estamos juntos em dois meses…

- Nada mudou, o nosso sentimento é o mesmo e a vontade de ser tua só aumenta a cada minuto que te tenho por perto… - ele uniu as nossas bocas e eu não resisti a morder-lhe o lábio inferior carinhosamente – Relaxa, amor… Somos só nós!

- Obrigada, amô… Te amo muito! - voltámos a beijar-nos tranquilamente e senti-o então descontrair

- Eu também… - rematei com um sorriso calmante no rosto

Assim que ele uniu os dois corpos, senti-me novamente a mulher mais amada do mundo e pude ler no seu olhar, que estava igualmente feliz. Fizemos então amor, durante toda a noite, ou pelo menos o que restava dela, e sempre com um enorme sorriso no rosto. Quando os nossos corpos exaustos vacilaram, adormecemos lado a lado, com a certeza de que nos pertencíamos mutuamente, independentemente da distância que o destino nos pudesse impor… e essa era maior do que aquilo que imaginávamos.



 

Obrigada a todos aqueles que não desistiram da fic!
Aqui vos deixo mais um capítulo, espero que gostem!
Não se esqueçam de comentar, pois é muito importante saber o vosso feedback! :)
Beijinhos
Drii

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Capítulo 109 - Quando o amor não é loucura, não é amor... (Parte III)



Olhei para a pequena Sofia e toda a gente, que me olhavam admiradíssimos, uma vez que me julgavam do lado de lá do Atlântico e com regresso previsto apenas dentro de três dias.

- Quem é? Gente já chega de brincadeira! – refilou o David impaciente

Com as minhas mãos consegui sentir que os olhos dele estavam húmidos e que se tinha emocionado muito com o vídeo e ainda mal ele sabia o que estava para vir. Ele tentou soltar-se, mas como não conseguiu começou a tocar-me muito cuidadosamente e de repente parou todos os seus movimentos, ficando exactamente onde estava, com as mãos sobre as minhas.

- Parabéns, meu amor… - sussurrei junto do ouvido dele até o sentir arrepiado

Rapidamente ele se soltou das minhas mãos, levantou-se bruscamente e acabou dois metros afastado de mim. Os seus olhos verdes estavam esbugalhados e todo ele tremia, como se fosse um menino pequenino acabado de levar um berro. Os seus olhos, que por si só já estavam vermelhos, ficaram completamente rasos de lágrimas e vidrados em mim. Ao vê-lo assim não tive como resistir e acabei por deixar que as lágrimas invadissem também os meus olhos grandes e muito castanhos. Fiquei a olhá-lo, esperando vê-lo tomar uma reacção e apesar de tudo aquilo ter sido uma questão de segundos, a mim pareceu-me uma eternidade, porque sempre que eu e o David estávamos juntos era assim… O relógio abrandava, parava e entrava no tempo, no nosso tempo… Finalmente, dirigiu-se na minha direcção e apenas com duas passadas uniu os nossos corpos, abraçando-me até ficar com os pés fora do chão. Os seus braços envolveram fortemente a minha cintura e os meus o seu pescoço, onde enterrei a cabeça para chorar. Calmamente, os nossos choros acabaram por se misturar, completamente embalados pelo rodopiar leve e singelo dos nossos corpos, imposto por David.
Olhámo-nos, aquilo parecia demasiado irreal e tive de lhe tocar para ter a certeza de que não estava a sonhar. Quando a espera não dava mais para aguentar e a urgência se tornou maior, as nossas bocas uniram-se e as nossas línguas fundiram-se tranquilamente, sem sequer nos importarmos com quem estava à nossa volta. Não sei quanto tempo nos beijámos, mas ele aguentou-me com os pés fora do chão esse tempo todo e quando o beijo findou, regressámos ao abraço apertado, enterrando os rostos no pescoço um do outro.

- Que saudadji, amô… Que saudadji… - sussurrou ele apertando-me para si

- Já passou, amor… Já passou, eu estou aqui! – dei-lhe um beijinho no pescoço e senti-o estremecer completamente

Finalmente os meus pés tocaram novamente o chão e as mãos dele tocaram a minha cara, para confirmarem que era mesmo eu.

- Não tô nem acreditando que é você! Não consigo acreditar! – ele foi abanando a cabeça negativamente e rematou enchendo-me os lábios de beijinhos doces e repenicados

- Podes acreditar… Sou eu, mor! – ele acariciou-me a face direita muito calmamente e com um enorme brilho nos olhos, ainda húmidos do choro

- Porque cê não falou nada? Cê disse que vinha em três dias! E aquele vídeo? E como cê me ligou desejando os parabéns se devia tar viajando para agora conseguir tar aqui? E como cê veio se tá gravando o CD? – ele bombardeou uma série de perguntas, percebi então que estava muito confuso

- Calma, amor… - afaguei-lhe o rosto e muito carinhosamente com os meus polegares enxuguei-lhe as lágrimas – Eu sei que falei que vinha daqui a três dias, mas era porque te queria fazer esta surpresa hoje… Andei a dar no duro para despachar o CD e conseguir chegar a tempo, e quando te liguei estava mesmo, mesmo, quase a embarcar!

- Ai, eu não tô acreditando! – ela esboçou um sorriso lindo de verdadeira felicidade – É mesmo você, muleca! – ele beijou-me vezes e vezes sem fim nos lábios

- Sou, sou eu… - suspirei de encontro aos lábios dele uma última vez antes de nos beijarmos

- Oh casal maravilha! – a voz irritante e sempre, muito pouco oportuna de Ruben, quebrou o momento

- Que quer, ó? – David não me soltou e olhou por cima do meu ombro para ele

- Queria um abraço da minha melhor amiga! Eu sei que és o aniversariante, mas não precisas de te transformar num puto egoísta! – refilou Ruben, forçando um beicinho

- Oh o muleque! Tô feito com você, pô! A namorada é minha, se enxerga, babaca!

- Ei, se a tua namorada está aqui, agradece-me a mim, que a ideia foi minha! – ripostou prontamente e tive vontade de o esganar

- Olha, e se as pessoas hoje vão ter um jantar decente, podem agradecer-me a mim, que do outro lado de lá do oceano tratei de tudo, sim Senhor Ruben Filipe?

Todos os presentes se riram e eu e David aproveitámos para trocar mais um beijo e apreciar o sabor um do outro com toda a calma do mundo. No final compartilhámos um sorriso sincero de verdadeira felicidade.

- Oh meninos, agora vou concordar! Já chega aí do mel, há pessoas que também querem um carinho da pequenita! – refilou a minha doce Paulinha sorrindo

- Paulinha! – soltei imediatamente David e corri para a abraçar fortemente – Que saudades, amor!

- Podes crer! Nem falando contigo quase todos os dias dava para matá-las!

- Não mesmo! – soltámo-nos calmamente e permanecemos de mãos unidas – Mas diz-me, como estás? E o Ro?

- Estou bem… O espanholito anda por aí! – ambas nos rimos e dum canto da sala vi Roberto acenar-me sorrindo, era a maneira de ser dele, sempre discreto e simples – Mas diz-me tu! Porque não disseste que vinhas? Achei que só te podíamos esperar dentro de três dias, enganaste-nos bem!

- A ideia era essa! Quanto mais gente soubesse, mais depressa este menino aqui descobria!

- Ele não desconfiou de nada, que totó! – ambas nos rimos e David teve de intervir

- Amô! Não goza comigo, viu? – um beicinho delineou subtilmente aqueles lábios de perdição

- Ai, não goza comigo, viu? – imitei-o sorrindo e roubei-lhe um beijinho nos lábios, que apagou o pequeno beicinho

- Quer saber? Tô nem aí se cê me goza, desde que esteja aqui comigo! – ele abraçou-se por trás fortemente e rematou com um beijão no pescoço, que me deixou arrepiada desde o topo da espinha até à planta dos pés

- Bem, agora que a princesa de Nova-Iorque aqui está, vamos masé comer que eu vim do treino e para trazer este otário, nem comi nada! – desabafou Ruben esfregando a barriga de forma a consolá-la

- Ruben Filipe, comporta-te! – a Inês deu-lhe uma belinha na cabeça e todos se riram, mas ainda assim seguiram-no até à mesa do jantar

- Oh minha filha, que linda que cê tá! – a Dona Rê que ficou para trás comigo e com David, abraçou-me – Mas tá mais magrinha! Se alimentou direito?

- Sossegue, Dona Regina… Eu estou bem! De volta a casa, sã e salva!

- Mas tá mais magra, se nota na sua cintura, nas suas pernas!

- Um quilo ou dois, nada de especial! Isto é falta de amor do seu filhote! – o David voltou a enlaçar a minha cintura e a puxar-me para o corpo dele

- Sabe como é, mamãe, sem meu amor essa muleca, não é nada! – ele pousou a cabeça no meu ombro direito

- Olha o convencido, hã? Tô feita ao bife contigo, jeitoso! – estiquei a mão e com sorte ainda lhe consegui acertar de raspão nos caracóis

- Realista, meu anjo! Re-a-lis-ta! – ele repenicou-me a face direita, à medida que proferiu as sílabas da palavra

- Vá, meu filho, larga do mel e vamo’ comer que tá todo o mundo esperando…

- Sim, todo o mundo! – reduzi a minha forma de falar à deles os dois e senti o David derreter, pois amava ouvir-me falar assim

- Vamo’! – quando seguíamos os três, ele deixou a mãe tomar avançou e acabou por me puxar atrás

- Olha aí, temos de ir… - resmunguei totalmente arrepiada por sentir a respiração quente dele no meu pescoço

- Tava morrendo de saudade… Sou o homem mais sortudo do mundo por te ter! – confidenciou-me à medida que os seus lábios macios percorreram cada milímetro da pele da minha nuca

- Estás a exagerar… Não fiz nada demais! Simplesmente limitei-me a vir mais cedo, porque me foi possível, fi-lo de coração!

- Eu sei… Diz que me ama, tô louco pra ouvir isso há dois meses!

- Que te amo, é? – sorri, fora do perímetro de visão dele e quando me virei de frente para ele, desfiz o sorriso

- Sim, que me ama… Diz, diz, tô morrendo de saudade!

- Eu… Adriana Vale, amo-te… - sussurrei pertinho do ouvido dele, motivando-o a fechar os olhos para absorver a magia e sinceridade de cada palavra sussurrada perto de si

- Como é bom, meu Deus! – ele permaneceu sem me ver, mas um sorriso majestoso delineou-lhe os lábios e a sua cabeça abanou negativamente de um lado para o outro

- Eu amo-te… Amo-te… Amo-te… Amo-te… - ciciei vezes sem conta adunada ao pescoço dele

- Também te amo, meu amô… Mais que tudo nessa vida!

Encarámo-nos uma vez mais, os nossos lábios encontraram-se e um sorriso totalmente apaixonado, assomou em nossos rostos.

- Davi’, Adriana, venham! – chamou a mãe dele já sentada do lado do Sr. Lau

- Tamo’ indo, mãe! Tamo’ indo… - ele deu-me a mão e um último olhar foi trocado, nós sabíamos o que ele queria dizer…


***


O jantar foi uma animação total, mas reparei que a pequena Sofia, nem sequer tinha tocado na comida e o seu olhar estava tolhido no nada.

- Sofiazinha… - chamei com um sorriso, mas ela não me ligou nenhuma – Sofia…

- Que quelhes?! – o seu tom de voz saiu surpreendentemente ríspido, para uma pequena de somente três anos e que por hábito era sempre extremamente doce

- Oi, tá falando assim porquê, filha? – a Brenda entrevei-o, mas eu achei totalmente desnecessário

- Deixa, Brenda…

- Não deixa nada, Adriana! Essa não foi a educação que a gente lhe deu! Falou assim porquê, minha filha?

- Porque ela não gosta mais de mim! – respondeu com os olhos rasos de lágrimas

- Gosto, meu amor… Claro que gosto!

- Não, não gostas! Chegaste e foi só beijinhos ao Calacolhe, à Pauwinha, ao Ruben e nada pa mim!

- Oh meu doce, anda cá… - ela saltou imediatamente da cadeira e correu para mim, onde a acolhi no meu colo – A madrinha ama-te muito! Tenho miminhos e amor para toda a gente!

- Tens mesmo? – ela ocupou-se a puxar e a torcer as pontas dos meus cabelos cacheados

- Tenho! Olha, um montão! – enchi-a de beijinhos, até ela não aguentar mais e se desmanchar em gargalhadas – Viste? Tenho ou não tenho?

- Tens, Inha, tens… Descu’pa!

- Não faz mal, meu amor…! – demos um selinho rápido nos lábios

- Olha que o Calacolhe fica com ciúmes!

- Não te preocupes, ele já está habituado! – a menina soltou uma gargalhada aguda e sonora, mas completamente deleitosa

- Podes dar miminhos ao David, eu shaio, mas depois quero-te um dia só para mim!

- A gente faz assim, pequenininha! Cê me libera a sua madrinha agora, e depois eu te pego para cê passar um dia connosco, passear, comer sorvete, jogar videogame e dormir lá em casa, tá bom assim? – o David propôs-lhe algo totalmente irrecusável

- Tipo uma festa?! – a menina arregalou os olhinhos – Shiiim! Hoje, calacole! Hoje!

- HOJE?! – o David arregalou também os seus e pela sua cabeça deve ter-lhe passado o mesmo que na minha: era tempo de matar saudades…

- Shim! Shim! Shim! – a pequena bateu palminha toda alegre e satisfeita

- Oh amor, hoje não pode ser… A madrinha está cansada, tem de descansar da viagem! Para a semana, pode ser?

- Oh… Tá bem, pode… - ela fez uma expressão de desalento e regressou ao seu lugar

- Oh Sofia, não fiques assim… Hoje há festa na mesma, só que a festa é outra! – brincou Ruben com um sorriso safado

- Cala a boca, Ruben! – atirei-lhe com um guardanapo de pano à cabeça e o danado, conseguiu escapar-se e ainda gargalhou que nem um perdido

- Oh tia Rê e tio Lau, isto hoje promete! Cheira-me que daqui a nove meses têm um netinho!

- Ruben Filipe, calas-te? – perguntei irritada, mas mais do que isso, envergonhada

- Que é? Vais dizer que ao fim de dois meses separados, vocês vão passar a noite num hotel a contar carneirinhos para adormecer, queres ver?

- Hotel, amô? – o Ruben tinha dado cabo da surpresa e naquele momento, era certo que o ia matar

- Obrigadinha, Ruben! – refilei entre dentes

- Eish, desculpa! Esqueci-me que era surpresa…

- Desbocado d’um raio! – praguejei extremamente chateada, pois agora a surpresa tinha perdido toda a graça

- Não fica assim, amô… Eu finjo que não lembro do que ele falou! – o David tentou animar-me, pois a situação tinha-me levado a ficar com uma expressão clara evidente de desprazer

- Oh! Não vale a pena David, este parvo estragou tudo!

- Eu não sei que hotel é, amô! Nem sei que mais cê preparou pra gente! Esquece isso! Não tem mal, boneca… - ela segurou-me pelo queixo, até ficarmos olhos nos olhos

- Tem mal sim… Era uma coisa nossa! – ele deu-me um selinho curto nos lábios, que estavam unidos num ténue beicinho

- Shiu… Esquece isso, sim? – o toque dele no meu rosto, levou-me rapidamente a formar um sorriso embalado na ternura do meu sentimento por aquele homem

- Sim, mor! – beijámo-nos rapidamente e somente nos lábios, pois tínhamos uma mesa de mais de quarenta pessoas em nosso redor

O restante jantar foi calmo e claro, como não podia deixar de ser foi o pagode do Luisão e da turminha a animar a pista de dança. Desta vez até jogadores como Cardozo, Saviola e Salvio, se agitavam na pista, sob as lições dos brasileiros.

- Mulherada que dança é essa, que o corpo fica todo mole? Mulherada que dança é essa, que o corpo fica todo mole? É uma dança nova, que bole, bole, bole, bole! É uma dança nova, que bole, bole, bole, bole! – enquanto dançava na pista de dança, junto das meninas, senti uns braços apertarem-me por trás e arrastarem-me para fora dali

- Amor?! – chamei rindo, mas nem assim ele parou para me soltar

- Agora é minha! – ele levou-me até à sala dos cabides, onde os convidados depositavam as suas coisas

- Estamos aqui a fazer o quê, seu doido? – perguntei ao vê-lo fechar a porta

- Viemos dar assim uns beijinhos… - ele segurou-me o rosto com uma mão e a cintura com a outra, para facilitar a tarefa seguinte de unir as nossas bocas

As nossas salivas misturaram-se calmamente e o ritmo do beijo foi ditado por David, que primeiramente se manteve sereno e relaxado, mas depois agiu de forma diferente, tendo a sua língua viajado dentro da minha boca a uma velocidade estonteante e completamente apaixonada.

- Amor, vou ficar sem ar assim… - sussurrei por entre beijinhos

- Deixa ficar, depois te faço respiração boca-a-boca! – não me consegui controlar e acabei por gargalhar perante aquele sorriso traquina de miúdo – Que é? Não vai querer minha respiração boca-a-boca?

- Vou, claro que vou! – segurei-o pelos colarinhos e daquela vez, fui eu que comandei mais um dos beijos, mantive-me calma e pacifica, mas demonstrei o quanto o queria e quanto o amava – Vão dar pela nossa falta, vamos… - tentei passar mas ele puxou-o de encontro a uma parede e barrou-me a passagem

- Ninguém vai dar pela nossa falta… Tá todo o mundo dançando, amô! – a mão dele realizou uma trajectória curva pela minha face esquerda

- Oh mor, claro que vão! Além disso é a tua festa de aniversário, não tem sentido não estares presente… Namoramos lá!

- Oh, lá fica todo mundo mandando boquinhas do nosso mel e não posso te namorar como eu quero!

- Oh mor, podes claro que podes! – sorri levemente

- Não posso, não! Lá não posso te beijar e agarrar do jeito que eu quero!

- Podes, mor! Sou tua namorada, eles sabem disso, logo podes tudo…

- Acha que eu posso fazer disso lá? – ele segurou-me pelos glúteos apertando-os, colou o seu corpo ao meu com um ímpeto alucinante e beijou-me descontroladamente

- Não, isso não podes… - uma respiração ofegante abandonou os meus lábios e abarcou os dele, devido à distância que era imposta às nossas bocas, pelas testas unidas

- Ah então afinal não posso te namorar do jeito que eu quero! – voltou a beijar-me de forma mais calma, mas sem nunca soltar o meu corpo, que mantinha tenso e colado ao seu

- Tens tempo de me namorares assim depois…

- E as saudadjis? Cê aguenta elas? É que eu tô morrendo pelos seus miminhos, amô…

- Olha, quando sairmos daqui, garanto-te que vais ter tudo aquilo a que tens direito e muito mais! Vais namorar-me assim, vais namorar-me como tu quiseres, mas agora temos de voltar…

- Oh, mais cinco minutinhos, por favor…

- Dê, agora é mais cinco, depois mais cinco, depois mais cinco, e entretanto passámos aqui o resto da festa!

- Que importa? Que se dane o mundo, eu só quero você! – voltou a beijar-me e não lhe consegui resistir

Quando dei conta estava totalmente mergulhada no nosso mundo, podia ser pequeno e somente transponível a nós dois, mas era nosso, era especial, e era isso que fazia dele, o melhor mundo para se viver.
Ele encostou-me delicadamente a uma parede e enquanto os nossos lábios permaneceram unidos, as suas mãos devanearam pelo meu corpo energicamente.

- Mor, calma… Pode entrar alguém… - relembrei, quando senti a mão dele escapulir-se para debaixo da minha camisola

- Não vai entrar ninguém, amô… Te garanto! – ele cravou a cabeça no meu pescoço e preencheu-o de leves dentadas

- Ai, Dê… - fiquei absolutamente arrepiada e com algumas cócegas – Vou ficar toda marcada!

- Não importa, amô! Cê é minha, tô só marcando o que é meu! – nem o meu aviso o fez parar e sinceramente, nem eu queria que ele parasse, as saudades eram mais que muitas apesar daquele não ser o sítio indicado para as matar, mas eu tinha uma bela noite reservada para nós…




Obrigada a todos aqueles que não desistiram da fic!
Aqui vos deixo mais um capítulo, espero que gostem!
Não se esqueçam de comentar, pois é muito importante saber o vosso feedback! :)
Beijinhos
Drii

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Olá, meninas!



Venho agradecer pelo apoio têm dado, pelos comentários de incentivo e opiniões e também para responder a umas quantas perguntitas que me foram feitas!
Primeiro que tudo, devo tentar postar o próximo capítulo logo há noite, uma vez que estou em época de exames e o tempo fica apertadinho, espero que possam compreender! :c
E respondendo à pergunta da Rafaela em relação aos conjuntos de roupa que coloco nos capítulos, a maior parte deles, especialmente todos os mais recentes, são feitos por mim! :)
Em resposta a outra leitora, a música que toca no meu blog é "Someone like you - Adele"
Qualquer coisa que queiram saber mais e que eu possa responder, não hesitem em perguntar!

Até mais logo, pelo menos assim espero!
Beijinhos
Drii

terça-feira, 14 de junho de 2011

Capítulo 109 - Quando o amor não é loucura, não é amor (Parte II)


David

Depois do telefonema da minha boneca na noite anterior, acordei muito bem-disposto e prontíssimo para enfrentar um dia de trabalho, porque eu preferia esquecer que era o meu aniversário, senão tinha do meu lado a pessoa com quem mais queria festejar. Tomei um duche e quando ‘tava pronto pra sair de casa, meus pais me ligaram pra desejar feliz aniversário.
Acabei por falar somente alguns segundos com eles, me pareceram estranhos, mas nem liguei, achei que era somente a nostalgia de estarem longe num dia importante pra mim. Dirigi o meu carro até à caixa e entrei correndo pra me equipar.

- Vejam quem é ele! – o Ruben se dirigiu a mim e me abraçou – Parabéns, mano!

- Obrigado, Manz! – dei uma suave palmada nas costas dele e me soltei do seu abraço

Depois dele, todos me abraçaram e desejaram um dia feliz. Dia feliz… Como se isso fosse ser possível, tão longe da minha menina! O treino foi duro e os rapazes tentaram convencer-me a ir almoçar com eles no Colombo, mas eu tava sem vontade e claro, recusei!

- Oh mano, anda lá… É só almoçar! Tu vais ter de almoçar, por isso mais vale almoçares com companhia… - o Ruben ainda me tentou convencer

- Manz, já disse que não quero… Larga de me encher o saco! – acabei por bufar e coloquei o saco de treino na bagagem do meu carro

- Bolas, David! Deixa de ser teimoso… Anda lá!

-Pô, Ruben! Não quero, me deixa!

- Ok, não vou insistir mais… Mas fica sabendo que logo à noite vais ter a minha companhia para jantar! – tentei abrir a boca pra zincar nele, mas não me deu chance – E não aceito um não como resposta! – sorriu uma última vez e entrou no seu carro seguindo caminho

“Pô, vou ter que levar com esse babaca logo à noite!” – foi o meu primeiro pensamento, enquanto entrava no carro e iniciando a minha condução

Almocei sossegado no meu canto e longe de todo o mundo, não tava com vontade nenhuma pra grandes confusões. Sentado na cozinha, com um prato cheio de comida na frente, olhei em meu redor procurando um sinal que fosse da minha garota.
Tava louco de saudade e essa loucura era tamanha, que a minha única vontade era me enfiar no primeiro voo para os Estados Unidos e ver ela, mas eu sabia que isso era impossível.
Depois do treino da tarde tive de levar com o babaca do Ruben, que depois de tanto me chatear lá me convenceu a ir jantar fora com ele. Passei por casa, me aprontei todo e achei estranho que ele quisesse que eu fosse no carro dele, mas como tava sem a mínima vontade de discutir, acabei topando.



****


- Manz, o que a gente tá fazendo no BBC?

- Viemos jantar! – afirmou com um sorriso tranquilo

- Jantar no BBC? – questionei numa cara feia

- Sim! Ou preferias ir jantar a um sitio qualquer e ser incomodado no teu dia de anos?

- Não, isso não… Tá bom aqui mesmo! – encolhi os ombros, agarrei minha carteira e meu casaco e saí do carro

- Vamos a isso então! – o Ruben fez um sorriso de satisfação

- Tá sorrindo assim porquê, babaca? Não me diz que preparou um jantar romântico pra gente! – por uma das primeiras vezes naquela noite, eu me ri

- Como é que adivinhaste, oh cara de cu? Vamos entrar lá dentro, jantar à luz de velas, com rosas com todo o lado e um homem a tocar violino! – Ruben falseou um ar puramente romântico

- Cê é muito parvo mesmo! – ele desatou rindo da minha cara

Como tava sem vontade de ouvir mais nada, mas morrendo de fome segui na frente dele para entrar no BBC e a surpresa não podia ter sido maior. Num salão enorme vi meus amigos todos e meus pais, gritando “SURPRESA!”.

Noutra altura teria ficado muito feliz, e não é que não tenha gostado da surpresa, mas a ausência da pessoa que eu mais amava ali, era totalmente notória e muito entristecedora.
As primeiras pessoas que eu fiz questão de abraçar foram meus pais, apesar de ter estado com eles no Natal, tava morrendo de saudade.

- Oi, meu filho! Parabéns! – minha mãe sorriu linda como sempre e me deu um beijo no rosto

- Parabéns, muleque! – meu pai me deu um abraço e pela primeira vez desde que Adriana se fora embora, eu me sentia realmente amado por pessoas perto de mim

- Parabéns, Dêzinho! – Paulinha me abraçou, ela devia ser das pessoas mais próximas a Adriana nos últimos tempos

- Obrigada, Paulinha!

- Nada que agradecer! Só espero que sejas muito feliz, miúdo… - ela me apertou mais no seu abraço reconfortante

- Ai, tenho tanta saudade dela… Tanta saudade da minha muleca…

- Calma… Já só faltam três dias, certo? Pelo menos foi a informação que aquela meia-lecazinha me passou! – o jeito engraçado que ela falou, me deu vontade de rir

- Sim, isso mesmo! Três dias… Não tô nem vendo a hora disso chegar, pô!

- Vai chegar e muito depressa vais ver só!

- Tem que chegar, antes que eu morra de tanta saudade! Daqui a três dias, estou plantado no aeroporto esperando o avião dela dar sinal de desembarque na tabela! – afirmei super sorridente

- Calma, Dê… Tanta ansiedade não te faz bem e olha que ela está lá longe, mas sabe tudo sobre ti! Deve ser telepatia ou coisa do género! – ambos nos rimos suavemente

- A gente já se conhece muito bem e basta às vezes a voz um do outro e entendemos se algo se passa… E não escondo de ninguém que tô louco pra que ela chegue! Louco!

- Três dias, três dias! – ela sorriu e passou as mãos nos meus cabelos

- Parabéns, caraca! Cê tá ficando muito velho! Qualquer dia tá que nem eu, careca, carequinha! – o Luisão esfregou a sua cabeça nula em cabelo e todos se riram

- Ué, nem vem! Não posso perder meus cabelos assim!

- Porquê, mano? Tá com medo de perder as fãs ou a namorada?

- A namorada, claro!

- Não se preocupa, Davi’, é dos carecas que elas gostam mais… - disse a Brenda e todo o mundo desatou rindo de forma super animada

- Calacole, palhabens! – a pequena Sofia, a filha do Luisão, saltou rapidamente pro meu colo

- Brigado, garotinha! – dei um beijinho na testa dela e esta sorriu meigamente

- Shabes quando a minha madinha volta, calacole? Tenho saudades dela…

- A sua madrinha tá voltando em três dias!

- Podes dizer-lhe que tenho muntas saudades dela, se faz favolhe?

- Posso, meu anjo… Eu digo pra ela e assim que ela puder te vai ver! Prometo! – sorri de forma carinhosa para a pequena menina

- Ob’igada, calacole! Olha uma coisa! Hoje danshas comigo! Eu p’ometi à minha mad’inha, que enquanto ela tivesse nos Estados ‘nidos, eu tata-va de ti e não deixava nenhuma rapalhinha meter-se contigo!

- Não se preocupa, bobinha! Só tenho olhos para a sua madrinha!

- Fala a sério, ela é uma gata?! – dissemos em uníssono a mesma frase e foi motivo geral de risota

Finalmente se aproximou de mim Ruben, um colega de equipa que me apoio quando eu mais precisei e que considerava meu melhor amigo, mas mais do que isso, um irmão.

- Não acredito que cê fez isso, manz! Te disse que não queria comemorar…

- David, deixa de ser assim… Não ias passar os teus anos fechado em casa, não tem jeito nenhum!

- Mas também não era preciso trazer meus pais!

- Ah, isso não me culpes a mim! Aliás, nada do que está a acontecer aqui é só culpa minha… Tive uma pequena ajudante… - ele fez um sorriso traquina, daqueles típicos dele, como se fosse um muleque acabando de fazer borrada

- Ué, como não? Não me diz que pôs todo o mundo te ajudando para me enganar!

- Não… É melhor que isso! – ele estendeu na minha direcção uma caixa de um CD com um laço vermelho – Toma, é um presente de uma pessoa especial…

- De quem? – perguntei segurando o presente na mão

- Abres, metes a passar e já vês! – ele sorriu tipicamente

Saiu de junto de mim, entregou o CD para um senhor, que o colocou passando projectado numa telinha, e os momentos que se seguiram, foram totalmente emocionantes.

“Olá, amor!!” – a imagem da minha Adriana surgiu na telinha, tava linda como sempre.

Seus cabelos longos e encaracolados soltos caindo pelas costas, seus olhos enormes rematados por aquelas pestanas lindas e fartas, seu sorriso doce e meigo e sua voz… Sua voz profundamente calmamente.

- Não tô acreditando! – falei com um sorriso emocionado e todos ficaram do meu lado assistindo o vídeo

“Hoje é o dia do teu aniversário e eu queria muito estar aí presente, mas infelizmente não é possível. Há dois meses que não te vejo, estou cheia de saudades e hoje perco um dia muito especial na tua vida. Sei que não estou aí, mas trabalhei para que a minha presença fosse notada e pudesses estar rodeado daqueles que amas e se tudo correu como planeei por esta altura, tens aí do teu lado uma encomendazinha directa do Brasil!” – olhei meus pais e eles me acenaram sorrindo, aquilo tinha sido coisa dela, claro

“Quanto à minha ausência aí, tenho-te a dizer que dentro de 3 dias estou de volta, mas ainda assim não podia deixar de fazer qualquer coisa hoje. Este vídeo mais do que para te felicitar pelos teus 24 anos…” – a voz dela começou a se contorcer pelas lágrimas e rapidamente vi seus olhos rasos – “…Serve para homenagear o homem maravilhoso que eu tive a sorte de Deus ter colocado no meu caminho. És um filho exemplar, um profissional dedicado e um ser humano extraordinário. Tenho de te agradecer por fazeres parte de mim e da minha vida, tornando-me na mulher mais feliz do mundo…” – à medida que fui vendo as palavras emergirem da boca dela, meu coração foi ficando acelerado e minhas pernas foram perdendo forças, por isso tive de me sentar numa cadeira para continuar assistindo – “Estamos juntos há já um ano e dois meses e o marco, que deixaste na minha vida e naquilo que sou enquanto pessoa, é muito importante e agora posso afirmar que tu és o homem da minha vida e aquele que espero vir a ser o pai dos meus filhos.
Lamento mesmo muito não puder estar do teu lado hoje, meu anjo…
Vejo-te em breve!” – ela jogou beijos com as mãos, soprando-os no ar – “Amo-te, namoradooooo!”

Quando chegámos no fim, a tela desvaneceu e a imagem dela sumiu.

- Também te amo, namorada... - sussurrei baixinho

A emoção me dominou por completo e tive de pressionar os meus olhos, para não deixar eles jogarem nenhuma lágrima. Minha cabeça tombou inertemente entre minhas mãos e fitei o chão, até as lágrimas se controlarem e não caírem. Ouvia barulho em meu redor, senti alguém perto e uma palmada reconfortante nas costas.

- Então, mano? – era Ruben

Não consegui responder, me deixei ficar naquela posição até meu coração acalmar e ganhar coragem de ligar pra ela agradecendo aquilo tudo, sem morrer de tanta saudade, e eu tava muito perto disso.
Uns passos vieram chegando cada vez mais perto, um burburinho inquietante dominou o espaço e umas mãos taparam meus olhos.

- Quem é? Gente já chega de brincadeiras, pô! – refilei completamente perdido depois daquele momento

Um silêncio profundo se instalou, tentei me soltar, mas não consegui. Fiquei então tocando aquelas mãos, me eram familiares, muito familiares… E uma brisa vinda não sei bem de onde, mas julgo ter sido um sopro do meu coração, que batia descompassado, trouxe para mim um perfume… E aquele perfume não dava pra enganar, mas talvez fosse somente minha mente me embusteando, me levando a sonhar… E seria somente isso, um sonho?!

sábado, 11 de junho de 2011

Capítulo 109 - Quando o amor não é loucura, não é amor (Parte I)



Os restantes dias que passei em Nova Iorque foram um suplício, o telefone tocava a toda hora. Era o David a querer falar comigo porque tinha saudades, os meus pais a mesma coisa e os amigos mais próximos seguiam-lhes o exemplo.
Eu estava animada com a gravação do CD e estava a poucos dias do regresso e a saudade era mais que muita. É um sentimento estranho, que proporciona dissabores corrosivos à alma. A saudade não tem forma nem cor, não tem cheiro nem sabor. Fala-se nela, mas não se vê e só pensa nela quem realmente acredita. E ela é uma parte da ausência, ela é parte do amor, tem realidade, mas quem a tem sente dor, muita dor… Uma dor miudinha, que cresce no nosso coração e que nunca vem sozinha. A solidão acompanha-a e quem a sente nunca esquece, nem nunca esquecerá o sentimento que não adormece por alguém que não está! Comigo foi exactamente desse jeito…
Podia estar longe de David, separados por quilómetros e quilómetros de distância, com um oceano a reforçá-la, mas nem por isso aquilo que sentia por ele parecia estar mais pequeno, muito pelo contrário! Parecia crescer de dia para dia, tanto que já nem cabia no meu sedento e humilde coração.
E nem a azáfama da gravação do CD e das aulas na faculdade, me impediam de acender cada vez um pouco mais a chama desse amor… Nem que fosse com uma simples mensagem carinhosa, ou um telefonema, só para ouvirmos pela voz um do outro, um “amo-te”.
Estava a gravar no estúdio, quando pela quarta vez em 40 dias, recebi um telefonema de Ruben.

- Alô! Seja muito bem aparecido, só liga à melhor amiga de 10 em 10 dias! – refilei imediatamente

- E ligo ao fim de 10 dias para te ouvir logo reclamar, bolas! – ele falou num tom provocativo que me endoideceu

- Olha lá, Ruben Filipe! Quem me ligou foste tu, senão me querias ouvir reclamar não ligasses!

- Eh lá, o bicho tá bravo para o lado da cidade das luzes! Isso é tudo o quê? Má-disposição matinal?

- Depende! Isso é tudo burrice? É que se contares bem a diferença horária, cá já são onze e meia e o meu dia já começou há muito!

- Pronto, está justificado o mau-humor! Acordaste cedo e ficaste assim! – ele riu-se levemente

- Olha lá, só me ligaste do outro lado do oceano, para me azucrinares as ideias?

- Não, liguei-te para saberes como estás!

- Eu estou bem… Estou quase a acabar a gravação do CD e dentro em breve de regresso ao meu país lindo! Nunca Nova Iorque me pareceu tão decadente…

- Não me digas que a cidade das luzes, perdeu o brilho! – ele ironizou e ambos nos rimos

- A minha luz é outra e ficou em Lisboa! – revelei mais apaixonada do que nunca

- Pronto, eu a pensar que me tinha livrado do zuca e do mel e agora vem-me esta!

- Oh, tá caladinho! Como está o meu menino? Ainda não falei com ele hoje…

- Olha o teu menino está a dormir que nem um calhau a estas horas! Liguei-lhe, atendeu todo ensonado e desligou a dizer que queria dormir mais 5 minutos! Já sabes como ele é…

- Coitado, anda cansado… - torci o nariz e um grande rasgo de preocupação percorreu o meu corpo

- Os treinos andam a ser puxados! O mister está a confiar que é este ano que somos campeões! – revelou-me todo confiante

- Eu tenho acompanhado os jogos daqui, vejo na net sempre que posso e o David mantém-me informada…

- Ah, então suponho que ele já te informou da última magnífica decisão dele! – notei um claro rasgo de ironia na voz de Ruben, e estava certa pois já o conhecia há anos

- Que decisão? – o meu coração saltou-me pela boca e sem saber bem porquê a primeira coisa que equacionei foi a saída dele do clube

- De não querer fazer festa de aniversário, nem estar com o pessoal… Diz que quer passar o dia sozinho! Não tem cabimento nenhum, Adriana!

- Ele não me contou nada… - revelei cabisbaixa, podia adivinhar que aquela decisão por parte dele se devia à minha ausência

- Pois, mas é o que ele vai fazer… Os pais dele queriam vir cá e tudo, e ele não deixa! Diz que vai passar o aniversário em casa, sozinho! Tens de falar com ele…

- Oh Ruben, conhecendo o meu namorado como conheço, ele está de ideias fixas na cabeça… Já sabes como é o David, quando toma uma decisão, toma mesmo!

- Mas custa-me… É o aniversário dele, pelo menos sair com o pessoal, ou fazer um jantar… Uma coisa simples!

- Eu posso falar com ele, mas duvido que vá mudar alguma coisa naquela cabecinha…

- Faz-me esse favor… Já sei que ele vai ficar chateado por te ter avisado, mas não tem sentido isto ser assim e se ele pode mudar de ideias, só tu podes fazer com que isso aconteça!

- Eu não prometo nada, Ru! Vou tentar, mas sabes como ele é teimoso…

- Tenta só! Por favor… - ele pedinchou do lado de lá da linha telefónica

- Tá bem, depois digo-te qualquer coisa, ok?

- Ok…

- Vá, beijinho então…

- Adriana, é verdade… - ele fez uma breve pausa

- Diz, Ru…

- Em Outubro deste ano tens um casamento…

- Tenho? – perguntei muito confusa e percorrendo mentalmente a minha agenda

- Tens… Pedi a Inês em casamento! – a voz dele revelou o sorriso que lhe inundava os lábios e eu soltei um gritinho entusiasmado

- Aiii! Parabéns, miúdo! Ai, fico tão feliz por ti…

- Obrigada, Adriana!

- Tenho de pensar já na minha indumentária! Quero estar toda jeitosa! – brinquei e soltei duas gargalhadas ténues

- Isso, põem-te bem bonita que quero que faças boa figura do meu lado no altar!

- Claro, Ruzinho… - respondi inconscientemente, até cair em mim – Pera aí! Do teu lado no altar?

- Claro, eu preciso de uma madrinha linda! Conheces-me alguém mais indicado?

- Oh Ru, obrigada… - uma lagrimazinha surgiu no canto do meu olho, mas não lhe permiti que caísse, pois estava rodeada de gente que por aquela altura, deviam estar a achar que me estava a dar alguma coisinha, uma vez que não entendiam nada do que falava

- Não me agradeças! Vai masé ligar àquele cara de cu e convence-o a comemorar o aniversário!

- Vou, claro que vou… Depois falamos! Beijinhos, feio! Adoro-te!

- Beijinhos, eu também! – sorri e desliguei a chamada

Estava radiante pela novidade do casamento, mas por outro lado a história do aniversário de David estava a matar-me por dentro. Ele não queria fazer nada para comemorar o aniversário e obviamente que seria por minha causa. Ou melhor, a causa seria a minha ausência… Foi pesarosamente, que vagueei na lista de contactos até chegar a “Mor♥” e pus a chamar.

- Oi?! – a voz dele saiu rouca e ensonada, mas eu permaneci em silêncio – Pô Ruben, se é você de novo, por favô, não me enche o saco!

- Olá, amor… - respondi de forma serena, para o despertar calmamente

- Amô? É cê? – soou-me mais animado

- Sou, meu amor… Sou eu… - respondi com um sorrisinho lindo

- Ai, que saudadji! – aquele tom meloso e mimadinho, derreteu por completo o meu coração e deu-me vontade de estar bem perto naquele momento
- Falámos ontem à noite, amor… Não passou assim tanto tempo!

- A saudadji é muita na mesma, amô! Já só saltam duas semanas pra cê chegar!

- Pois é, amor… Vai passar rapidão, prometo! Acordei-te não foi, mor?

- Foi, mas não se preocupa… Não me importei nem um pouco de despertar com a sua voz!

- Hum… Que românticos que estamos! – um sorriso esboçou meus lábios

- Sonhei com você e acordei assim! – ambos nos rimos levemente

- Já tinha tido notícias desse enorme estado de preguiçite… Acabei de falar com o Ruben…

- É? Esse babaca tá sempre me perguntando por você, pô! Que chato!

- Mas só me liga de 10 em 10 dias, tadito… Ele contou-me que não queres comemorar os teus anos, amor…

- Pô, esse cara tinha de dar com a língua nos dentes! – o David barafustou imediatamente e a sua voz clareou

- Ei, mor! Calma… Ele preocupa-se contigo e está só a garantir que o teu dia é especial…

- Entende uma coisa, Adriana: meu dia não vai ser especial, sem você aqui!

- Oh amor… - um sentido de culpa enorme desceu em mim, e as lágrimas sobre os meus olhos

- Culpa não é sua não! Mas tô no meu direito de não querer comemorar o meu niver, vai ser um dia como qualquer outro…

- Ao menos deixa os teus pais virem para te fazerem companhia…

- Não quero, amô! Quero estar sozinho… Vou no treino de manhã, almoço na minha casa sossegado, vou no treino da tarde, pego um filmezinho na TV e durmo, que no dia seguinte temo folga do treino da manhã!

- Não gosto disso assim… Devias fazer qualquer coisa! Nem que seja um jantar com o pessoal mais chegado, amor…

- Amô, não quero… Vai tar todo o mundo, com os seus “mais que tudo” e eu segurando vela? Não, brigado! Prefiro ficar por casa…

- Eles são teus amigos, deixavas os teus pais virem, faziam um jantarzinho, comemoravas e 3 dias depois eu chego a Lisboa!

- Amô, não insiste… Eu não quero!

- Pronto, não vou insistir mais, mas entristece-me que faças isso...

- Me desculpa, mas é assim que eu quero e vais ser do meu jeito…

- Tudo bem, amor… Eu não censuro! Vou ter de regressar para o estúdio, amor… Mais logo ligo-te, sim?

- Sim, meu anjo… Vou dormir mais um pouco! Te amo muito, beijozão enorme!

- Beijão, mor! Também te amo muito! – foi com um sorriso triste na cara que desliguei a chamada, a missão de o demover daquela ideia, tinha sido totalmente falhada


***



Na viragem do dia 21 de Abril, para 22 de Abril, tomei muita atenção ao fuso horário do país onde me encontrava e quando em Portugal bateu a meia-noite, já eu estava de telemóvel em punho para falar com David.

- Oi, amô! – ele pareceu-me animado apesar de tudo

- Olá, amor! Parabéeeeeeeeeeeens!

- Obrigado, meu anjo!

- Não tens nada que agradecer, quero que tenhas um dia muito feliz!

- Vou ter dentro dos possíveis, quando cê chegar e a gente fizer a nossa comemoração, aí é que vou ter um dia muito feliz!

- Já só faltam 3 dias, amor… - sorri só para mim – Já vão 24 aninhos, não é? Estás a ficar velho, bolas! – iniciei uma brincadeira

- É, pra uma garotinha de 18 que nem você, tô ficando velho mesmo…

- Mas os homens mais velhos são extremamente atraentes! – fingi uma voz sensual, o que levou a que ambos nos desatássemos a rir

- É…? Nossa, acho que não quero parar de envelhecer nunca, então!

- Oh, não sejas tontinho! – ri-me levemente

- Amô, tudo pra te ter sempre do meu lado… Já não sei viver sem você!

- Nem eu sem ti, amor… Mas o pior já passou, estamos a 3 dias de estarmos novamente nos braços um do outro!

- Ai meu Deus, vou te beijar tanto! Tô com muita saudadji dessa boca!

- Podes beijar, amor! Vamos matar as saudades todas! – sorri ao ver a animação dele

- Todas? Então te vou raptar dois meses para minha casa… Só para acordar todo o dia do seu lado! Sentindo sua pele, seu cheiro, o sabor do seu beijo…

- Vais ter isso tudo, meu amor… Vou dar-te muitos mimos, para compensar esta ausência, eu prometi-te!

- Tô louco pra saber como a gente vai comemorar só nós dois!

- Vai ser uma coisa simples, quando eu chegar vamos fazer um programinha, uma coisa caseira, mas que vai saber bem… Muito bem!

- Ai, já tô doido só de imaginar puder tocar você… Quanto mais fazer um programinha gostoso de namorados…

- Vamos ter, amor… Estamos a precisar! Tens a certeza que hoje não queres ir sair com o pessoal? Só um jantarzinho…

- Não, vou ficar por casa, mesmo…

- Pronto, tu é que sabes…

- É, eu que sei… Olha, amô, tenho de ir dormir, que amanhã o treino é cedo.

- Sim, vai amor… Descansa bem, beijinhos, amo-te muito, meu grandalhão!

- Eu também te amo muito! Beijozão, gata!

Desliguei a chamada, olhei em meu redor e nenhuma cara conhecida, mas dizem que a sensação de regressar a casa, é boa… muito boa!





Obrigada a todos aqueles que não desistiram da fic!
Aqui vos deixo mais um capítulo, espero que gostem!
Não se esqueçam de comentar, pois é muito importante saber o vosso feedback! :)
Beijinhos
Drii