quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Capítulo 95 - A festa (Parte III - Adriana)

Cheguei à porta do espaço onde se estava a realizar a festa. Eu sabia que não podia voltar atrás e nem eu queria.
Sabia que dentro de segundos eu estaria frente a frente com os pais de David.
Não havia mais como evitar aquele momento, enchi os meus pulmões de ar e um impulso de coragem e adrenalina preencheu as minhas veias.
Dei um passo em frente e empurrei a pesada porta preta de vinil.
Ouvia uma música ambiente brasileira, como já era de esperar, o ambiente estava escuro mas tinha bastantes focos de luz, no meio dos burburinhos que se ouviam uma voz realçou-se.
Só vi a pequena Sofia a saltar do colo de uma senhora bem-posta, que primeiramente não reconheci, a gritar pelo meu nome e a correr na minha direcção.
Agarrei-a ao colo.

- Olá, minha bichinha! - cumprimentei ao mesmo tempo que a agarrei e a beijei na bochecha prolongadamente

- Olá Aiana! - cumprimentou-me ela e enlançou os braços em torno do meu pescoço dando-me um beijo doce no rosto

- Estás boa, meu doce?
- Estou e tu estás atrasada! - repreendeu-me com o indicador espevitado

- Eu sei, eu sei... - assumi sorrindo-lhe

Vi o olhar de David iluminar-se com a minha entrada e o seu corpo ergue-se impulsivamente da cadeira onde estava sentado e dirigiu-se na minha direcção sob o olhar atento da mulher que eu finalmente reconhecera, a sua mãe.

- Ó, meu amor! Tava vendo que não vinha mais... - disse-me com um leve sorriso no rosto

- Deculpa, esta cena de não ter carta não dá com nada! - praguejei sorrindo-lhe discretamente

- Tava todo mundo te esperando p'ra jantar...

- Eu sei, eu mandei não esperarem... - informei-o convencida de que Ruben não lhe dissera nada

- O Ruben falou p'ra mim mas eu quis esperar...

- Olhem? - a voz de Sofia, que estava ainda no meu colo, interrompeu a nossa conversa

- Fala, meu doce! - pediu David ao mesmo tempo que lhe passava os dedos nas bochechas rosadas da tenra idade

- Vocês sabem que eu gosto muito de vocês não sabem? - perguntou

O David sorriu-me e eu também lhe sorri.

- Sabemos minha bichinha... Sabemos! - confirmei ao mesmo tempo que a minha mão desviava os cabelos do rosto dela

- Olhem eu preciso de ir ter com a mamã, mas eu já volto para ao pé de ti! - assegurou-me e eu coloquei-a no chão, em poucos segundos ela desapareceu correndo por entre o grupo de pessoas

- Tou louco para te beijar! - provocou o David ao mesmo tempo que eu mantinha os pais dele debaixo de olho assegurando-me de que não me comprometia

- David... Vá lá! É só esta noite... Não te custa nada! - avisei-o calmamente

- Não faz assim... Só um! Eles nem vão ver! - disse ao mesmo tempo que se aproximava espetando o rosto na minha direcção

- Nem um, nem dois! - rematei afastando-o de mim e seguindo na direcção de Ruben que nos observava divertido

- Boa noite! - Cumprimentei todos

Todos me responderam inclusive a mãe do David e o Pai. Senti o David juntar-se ao grupo e ele estava colado atrás de mim, eu não pude deixar de me sentir constrangida.
O Gustavo levantou-se e veio na minha direcção cumprimentar-me com dois beijinhos.

- E aí piquinininha, tudo bom? - perguntou-me o Gustavo com um grande sorriso no rosto

- Tudo e contigo, Gu? - perguntei-lhe educamente devolvendo-lhe o sorriso

- Tudo em cima como sempre! - respondeu-me divertidissimo

- Estou a ver... - eu e o Ruben rimo-nos da boa disposição do Gustavo

- Tava vendo que nunca mais chegava! - a voz de Brenda surgiu por trás de mim

- Olá! Atrasei-me! - desculpei-me imediatamente

- Sem problema mas tava faltando você no grupo das meninas! - disse-me divertida

- Ou se faltava! - rematou Inês a juntar-se à conversa

- É incrível! Sempre que à festa estás toda animada! - disse-lhe rindo

- Olha ela! Até pareçe! Vai mas é comemorar aqui com o namoradã.. - percebi que Inês iria chamar-lhe aquele nome que usava para gozar com o nosso mel todo: namoradão.
Travei-a falando por cima dela

- Olha vamos mas é comer que eu ouvi dizer que estava tudo à minha espera! - disse meio ofegante por ter escapado por pouco àquela

- Vens comigo lavar as mãozinhas? - pediu-me Sofia encostada às minhas pernas

- Claro, anda! - dei-lhe a mão e encontrei o David a sorrir-me

Sorri-lhe também e passei por ele em direcção á casa de banho.

- Precisava ter visto a sua cara! - gozou ele

- Esta foi por pouco! - suspirei de alívio e prossegui em caminho à casa de banho

Lavei as mãos e as da pequena Sofia e quando regressei ao salão já estavam todos sentados nos seus lugares. Notei dois lugares vagos entre a Brenda e a Andreia.
Eram para mim e Sofia. Aproximei-me, larguei a mão de Sofia e sentei-a do lado de Brenda, deixando assim o lugar do lado de Andreia e frente a David para mim.
Sentei-me em frente a ele e instantaneamente um sorriso rasgou-lhe o rosto.
Fixei o meu olhar nele, eu não o queria largar nunca mais. A minha vontade era mesmo puder dar-lhe um beijo, abraçá-lo, fazer nem que fosse um carinho no seu rosto, no seu cabelo, mas eu não podia.
Os meus pensamentos foram interrompidos pela voz de Andreia que estava sentada à minha direita.

- Adriana? Dri? - ela chamava insistentemente por mim

- Sim! Desculpa! O que é que estavas a dizer?

- Ouviste alguma coisa que te disse?

- Não, Andreia. Desculpa estava com a cabeça noutro lado! - desculpei-me

- O teu telemóvel está a tocar! - alertou-me ela e só aí o consegui ouvir

Abri a minha mala e procurei o telemóvel, não demorei muito a encontrá-lo, não conheci o número e hesitei um pouco em atender.
Olhei para David e pude ver na cara dele um rasgo de preocupação ao notar a minha hesitação. Ele fez um movimento leve de cabeça como se me incentiva-se
a atender o telemóvel. Fi-lo. Uma voz inglesa fez-se ouvir do outro lado do telefone.

- Hello! Can I talk with Ms. Adriana Vale? - cumprimentou uma voz feminina

- Yes, I am! Can i help? - perguntei sobre o olhar atento dos que mais estavam próximos na mesa

- I'm calling from Mr. Diddy Office!

- Just a moment please! - pedi e tapei o telemóvel dirgindo-me aos que estavam sentados na mesa - Com licença! - pedi levantando-me e afastei-me da mesa

- I'm talking because Mr.Diddy is interested in your work and want to make an offer! - deixei-me ficar em silêncio disposta a ouvir a proposta - He search new talent in music and wants you in his agency!

- Wow! This is really big! - exclamei surpreedida

Olhei para a mesa e todos prosseguiam animadamente a conversa apenas David ia espreitando expectante a minha expressão corporal na esperança de perceber com quem falava.

- This can open you a lot of doors in the music, and if you accept the proposal you will have a representative of the company in Portugal that will monitor closely your situation and work proposals

- Well, It sounds great but I think I need some time to think about it...

- Yes, sure! We need an answer within a week!

- Ok, I will think about it and I will call you then!

- Ok, thank you so much for your time! Bye!

- Bye! - desliguei a chamada e um sorriso iluminou o meu rosto

Aproximei-me da mesa e voltei a sentar-me em frente a David.

- Desculpem... Tive mesmo de atender... - desculpei-me ao mesmo tempo que colocava o guardanapo no meu colo novamente

- Tá tudo bem? - perguntou-me David ansioso

- Sim, coisas do trabalho! - desviei o assunto, não me apetecia ter de falar daquilo em pleno jantar de aniversário do meu namorado

- Tem certeza? - insistiu David, ele já me conhecia minimamente para saber que eu estava a esconder qualquer coisa

- Não te preocupes, a sério! Depois conto-te! - sorri-lhe educadamente

terça-feira, 9 de novembro de 2010

COMUNICADO

Olá leitores,
peço desculpa por não ter respondido mais cedo aos vossos comentários mas não me foi possível.
Eu sei que não tenho postado tão regularmente mas ando numa fase carregada de testes e trabalhos, espero que compreendam que por essas razões não me é possivel estar sempre a postar.
Espero que não desistam de ler a minha fic devido á pouca regularidade com que tenho postado.
Estou a contar conseguir postar hoje.
Obrigada por seguirem a minha FanFic :D
Beijo :)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Capítulo 95 - A festa (Parte II - David)

Quando ela saiu da minha casa eu corri p'ra me arrumar porque tinha de ir no aeroporto buscar meus pais. Em uma hora eu tava lá mesmo na hora da chegada deles, e o painel electrónico de desembarques confirmava que eles já tinhama aterrado.
Vi-os aparecerem na porta ao fundo lado a lado, muito sorridentes corri para abraçá-los.

- Oi mãe! - abracei-a com força p'ra matar todas as saudades

- Ai, meu filho! Que saudade...

Abracei meu pai e depois de pegarmos as malas dirigimo-nos pro meu carro. Iamos calados mas foi quando parámos num semáforo em plena Lisboa que a minha mãe quebrou o silêncio.

- Quem vai na festa logo a noite meu filho? - perguntou-me ela curiosa

- Ai mãe, todo o mundo de sempre...

- Ah, meu filho mas quem é todo o mundo? - ela insistiu

- O Ruben, a Anabela, o Virgílio, a Mafalda, o Luisão, a Brenda, a Sofia, aí mãe... Todo o mundo!

- E aquela moça? - perguntou-me ela olhando-me

- Que moça, mãe?

- A sua namorada! - disse-me muito divertida

- Ah... Não sei se vai, mas não contem que a apresente como namorada. Ela não quer... Ela acha que é muito cedo e eu vou ter de concordar...

- Cedo? Mas está tudo bem com vocês não está? - perguntou-me visivelmente preocupada

- Sim, mãe. Tá tudo bem...Mas a gente só namora há um mês e talvez ela tenha razão... É muito cedo!

- Vocês fazem como acharem melhor meu filho, mas eu vou querer conhecê-la! - disse-me sorrindo

- Tá bom, mãe! Não se preocupa não... Tudo a seu tempo!

Deixei meus pais na casa que eu costumo alugar para eles ficarem quando estão em Portugal, fui até minha casa arranjar-me e voltei a pegar eles. Quando chegámos na festa tava lá quase todo o mundo, e os que faltavam foram chegando menos Adriana.

- Aí manz! Ela não vem não! - disse-lhe ao aproximar-me dele

- Vem sim! Ela não te deixava agarrado! Deve ter-se atrasado... - ele acalmou-me

A verdade é que eu começava a achar que ela não vinha mais, tinha desistido com medo ou talvez receio de ter de ver os meus pais.

- Acha mesmo?

- Acho puto... Sossega que vou ligar-lhe! - ele deu-me uma palmada nas costas e saiu até à varanda do restaurante

- Então meu filho? Falta chegar muita gente? - perguntou-me o meu pai que entretanto se tinha juntado a mim mais a minha mãe

- Uma pessoa... Mas deve estar quase chegando... - disse não muito seguro

- É ela meu filho? - perguntou-me a minha mãe

- É sim... - assumi envergonhado
- Cê tá mesmo gostando dessa menina não tá, meu filho? - perguntou-me sorrindo
- Tou sim, mamãe! Muito...

- David... - a voz de Ruben interrompeu a nossa conversa

- Fala mano! Então?

- Relaxa... Está tudo em ordem... - descançou-me ele sem se adiantar muito mais

- Dona Rê! - a voz de Sofia, a filha de Luisão, fez-se ouvir

- Diga meu doce... - respondeu-lhe a minha mãe

- Pegas-me ao colo? - pediu a menina fazendo uma cara muito doce

- É claro! Vem cá! - disse a minha mãe sentando-se numa cadeira

Sofia saltou imediatamente para o colo dela e iniciou uma série de brincadeiras com a minha mãe

- Oiça lá moça... Cê acha que me pode dar minha mamãe? - pedi brincando com ela

- Não posso não! Não achas que andas a pedir demais? Agora andas com a mania de bebezão grande só porque fazes anos! - respondeu-me astutamente

Todos se riram mas eu continuava impaciente com a ausência dela.

- Mano, ela pediu que jantássemos sem ela... Secalhar é melhor começarmos... - seguriu-me Ruben sussurrando sentado a meu lado

- Não! Nada disso! A gente espera por ela!

- Tudo bem! Eu bem lhe disse que não te ia conseguir convencer... - afirmou derrotado

- Aiana!! - ouvi Sofia chamar por ela num berro e saltar do colo da minha mãe em direcção à porta que ela cruzava, eu sorri instantâneamente

sábado, 6 de novembro de 2010

Capítulo 95 - A festa (Parte I - Adriana)

- Débora não sei mesmo o que vestir para levar ao aniversário dele! – reclamava eu tirando mais um vestido do armário e metendo-o em cima da cama onde já haviam
mais uns quantos

- Não acredito que me fizeste vir cá a casa só para te ajudar a escolher a roupa para a festa… - reclamava ela ao mesmo tempo que se sentava em cima da cama

- Oh, não sejas assim! Quero estar linda! Mas simples... – pedi divagando

- Qual é a dúvida? Vais estar linda de todas as maneiras… - elogiou com um sorriso sincero

- Oh, não digas disparates! – pedi-lhe voltando-me novamente para dentro do guarda-vestidos

- Olha eu gosto deste azul… - disse-me ela agarrando no ante-penúltimo vestido que eu tinha exposto sobre a minha cama

- Não, esse é demasiado curto não quero que os pais do David fiquem a pensar que sou uma exibicionista!

- Oh estás preocupada com quê? Da terra de onde eles vêm nem sequer vestidos usam, é logo despidas! Por isso acho que não os vais chocar… - gozou ela

- Epá não sejas parva! Isto é sério! – disse muito enervada

- Também não é preciso estares assim… Vais lá estar como se amiga por isso eles não te vão conhecer oficialmente como nora – ela acentuou a última palavra e soltou
uma estridente gargalhada

- Deixa de ser parva e de gozar comigo, se faz favor! – refilei com ela – Sim vou estar como amiga mas supõe que isto com o David fica sério, duradouro e ele vai-me apresentar á família, imagina ter de ouvir a D.Regina ou o Sr.Ladislau dizerem “Olha, mas a menina não é aquela da festa do David? Aquela que quase não tinha vestido?”
– eu fiz uma expressão horrorizada e a Débora riu-se

- Que teoria da batata! Mas pronto… Vamos lá escolher qualquer coisa jeitosa! – ela levantou-se da cama e veio para junto de mim, esmiuçar o guarda-vestidos

- Eu gosto disto! - disse ela com um conjunto em punho

- Sim, pareçe-me bem... - tirei-lhe rapidamente a roupa da mão e corri para a casa de banho





Quando voltei ao quarto, depois de um duche rápido para me vestir tinha-a sentada ao lado da roupa na cama com uma cara óbvia de quem aguardava uma resposta.
Abri a gaveta da minha cómoda e tirei de lá o meu creme. Apoiei a ponta do meu pé direito na beira da cama e comecei a espalhar o creme na perna, enquanto ela
permanecia com a mesma expressão.

- Sim... - incentivei-a a dizer o que tanto queria

- Sim o quê? - ela fez-se de desentendida e desmanchou a expressão rígida que comandava o seu tronco

- Quem não te conheça que te compre, o que é que queres perguntar? - fui directa e com a Débora eu sabia que podia ser assim que ela não me levaria a mal

- Estás nervosa? - perguntou-me

- Nervosa? - tentei clarificar a pergunta

- Sim, por ires conheçer os pais do David... É no mínimo importante não? - ela ergueu as sobrancelhas ao proferir a palavra "importante"

- Sim é, mas não estou nervosa porque técnicamente não os vou conheçer vou vê-los... - declarei, encolhi os ombros e troquei de perna, passei outra camada de creme

- Sim, mas está a mexer contigo o que eles possam pensar de ti porque o David pode não chegar e dizer "Mãe, pai essa é a minha namorada" mas eles vão saber decerteza quem tu és... O David vai dizer-lhes e mesmo que não diga eles vão acabar por perceber... A cumplicidade entre vocês é óbvia!

- Sim, mas isso não me está a preocupar eu vou ser a Adriana que todos conheçem e se eles gostarem de mim muito bem senão também não irei mudar nada para agradar a ninguém!

Eu namoro o David não os pais dele...

- Hum, estás a tentar parecer bem mas estás cheia de medo, Adriana... Eu conheço-te! Tu queres que eles gostem de ti por aquilo que és porque tens medo que o facto deles não gostarem de ti dite o fim da tua relação com o David...


Um espasmo percorreu-me o corpo perante tal pensamento, sacudi-o tentando afastar aquela sensação mas um nó formou-se no meu estômago.


- Talvez... - ela acertara em cheio no que eu sentia mas não quis confirmar preferi calar-me

- Não é talvez, é sim!Estás em pânico! - eu não lhe respondi e ela insistiu - Sabes que ele te ama, não sabes?

- Sei! - afirmei segura dos sentimentos dele

- Então ele nunca iria deixar-te por falta da aprovação da fam... - não a deixei acabar o que ia dizer

- Mas também sei que ele ama muito a família dele! - interrompi segura do que dizia - E tal como eu o deixei por pedido do meu pai, eu consigo imaginá-lo a fazer o mesmo por muito que isso lhe custasse... - a verdade era aquela e saiu-me assim naturalmente, por muito que doesse


- Mas o David não faria isso... - defendia-a muito certa da sua teoria


- Eu já estive naquela posição e sei como é difícil escolher, mas quando chega a decisão a escolha é óbvia! Eu sei do que falo... - disse ao mesmo tempo que fechava o boião de creme sem a olhar nos olhos

- Mas tu foste fraca! - acusou-me ela sem qualquer malícia ou intenão de me magoar

Ela estava certa! Eu tinha sido fraca, e talvez por isso não mereçesse nem metade daquilo que aquele homem me oferecia. Não mereçesse nem aquele amor mas ele continuava a insistir em dar-mo a mim. A mim, e única e exclusivamente a mim. Sem qualquer contra partida, qualquer permissa, dava-mo sem pedir nada em troca.
Nada a não ser o meu respeito, a minha fidelidade e amor mútuo. Eu chegava a sentir que não era merecedora de tal amor. Era demais para mim e eu não o merecia.
Mas estas palavras não podiam ser proferidas a David ou perto dele, ofendia-o e magoava-o muito. Eu sabia, ele dizia-me e eu podia vê-lo.

- Fui fraca mas aprendi. Aquilo serviu-me a mim como lição e ao meu pai!


- Pois mas o David não vai precisar de aprender lição nenhuma porque ele sabe bem o que quer...


- Eu também só o queria a ele mas acabei por ser forçada a uma escolha que não queria fazer... Foi como se me tivessem pedido para escolher entre o bater do meu coração ou o sopro dos meus pulmões... Preciso igualmente dos dois...


- Ao inicio não percebeste isso... Escolheste apenas uma mas depois não eras mais a mesma... Ainda bem que reconsideraste... Ainda bem que se acertaram porque acho que já ninguém vos imagina a existirem longe um do outro...


- Pois mas eu não volto a desistir assim dele! Agora isto só acaba quando ele quiser! - disse segura

- Ele não vai querer... - disse ela convicta

- Então acho que vou ter de me contentar com uma vida inteira, feliz e preenchida do lado dele... - ambas nos rimos às gargalhas e eu continuei a arranjar-me

Em menos de meia hora fiquei completamente pronta mas depois de tanta coisa eu estava em cima da hora para ir para a festa e ainda tinha de apanhar transporte.
A Débora deixou-me de carro na entrada mais próxima do metro e seguiu para ir jantar com o seu namorado. Eu não demorei muito a apanhar o metro mas ainda tinha de fazer uma troca de linha para chegar ao destino.
Eu desci na Alameda e já contava com 15 minutos de atraso, eu sabia que o David já devia estar sobresaltado mas que se iria manter calmo devido à presença dos pais.
O metro estava atrasado mais de cinco minutos, e eu que tinha sempre a sorte de estar a chegar e apanhá-lo logo. O meu telemóvel tocou e eu atendi, era o Ruben.


- Sim? - perguntei


- Olha lá, onde é que te meteste? - perguntou-me impaciente


- Estou no metro da Alameda, estou à espera de apanhar o metro p'ra aí mas ele nunca mais aparece


- Então vê lá se te despachas... É que o David estava já super preocupado a fazer filmes que já te tinha acontecido alguma coisa... Senão fosse o facto dos pais dele aqui estarem ele já tinha saído disparado atrás de ti!


- Oh, diz-lhe que se acalme porque eu vou... Posso demorar mais um bocadinho mas chego!


- Ok, então nós esperamos já só faltas tu para começar-mos a jantar...


- Começem sem mim! Eu ainda devo demorar... - sugeri delicadamente


- Isso é alguma piada? O David não vai querer mas pronto... Eu digo-lhe! Se vires que demora muito enfia-te num táxi ou liga-me que vou buscar-te...


- Não te preocupes, eu vou aí ter e vê se convences o David a começar sem mim... - pedi-lhe


- Eu vou tentar mas não prometo nada... - formou-se um silêncio mas ele quebrou-o - Adriana?


- Sim?


- Vê se vens mesmo... Se faltas o David vai ficar muito magoado contigo... - disse-me num tom preocupado


- Não te preocupes... Agora vai lá convencê-lo! Beijo! Adoro-te, caramelo! - despedi-me entre risos


- Beijo! Adoro-te, pequenina! - ele desligou a chamada


O metro continuava sem aparecer e haviam muito poucas pessoas na estação.
Talvez aquilo fosse um sinal, um sinal de que não devia ir aquela festa que já tinha dado tantos problemas.
Ali sozinha, na estação fria e vazia do metro da Alameda, onde apenas algumas pinturas iluminavam o espaço comecei a questionar-me. A questionar-me se era aquilo que queria.
Se estava disposta àquele sacrificio por David. Sim! Aquilo era um sinal! Eu sabia que iria magoar David mas o destino ordenava-me que não fosse áquela festa.

Levantei-me do banco de pedra que me queimava a pele e virei costas à linha determinada a ir
para casa. Os meus sapatos oscilavam no pavimento cálido de pedra e os passos ecoavam no vazio da estação. Finquei o meu pé direito no primeiro degrau da escadaria de saída.

Eu sabia que David jamais me perdoaria mas eu precisava de me sentir segura.

Um assobio crescente aproximava-se e quebrou a minha subida para sair do metro. Eu parei e olhei para a linha. Aquilo era outro sinal.

A mensagem era clara, simples, e eu percebi-a à primeira. Eu queria e precisava de me sentir segura mas só havia um único sitio onde me sentir segura: junto de David. O metro parou na minha frente e as portas abriram-se. Eu entrei sem sequer balançar nos pés. Eu estava segura de mim! Era David que eu queria independentemente do que isso me pudesse custar.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Capítulo 94 - Que maneira gostosa de acordar...

Acordei de manhã e ainda era muito cedo mas se eu queria ir à festa de David e ir ao jogo de Domingo eu ia ter de conseguir acabar os desenhos hoje. Custou-me muito a levantar da cama é verdade mas eu sabia que a obrigação tinha de se sobrepor à vontade. Por isso a muito custo levantei-me, enfiei-me debaixo do duche, o que me ajudou a despertar, voltei ao quarto embrulhada na minha toalha de banho e vesti-me.




Saí de casa mesmo sem comer e apanhei o metro, e em seguida o autocarro para chegar até á casa de David. Subi as escadas, porque não me agradava muito andar de elevador sozinha num prédio que desconhecia. Não demorei muito a chegar a casa dele.
Não se ouvia nada vindo do interior da casa dele, e por isso mesmo deduzi que ele já não devia estar em casa ou então estaria a dormir. Coloquei muito devagarinho, e tentando fazer o minimo barulho possivel, a chave na fechadura, rodei, estava trancada e tive de dar três voltas no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio para esta se abrir.
Abri a porta e as dobradiças rangeram ligeiramente, entrei e fechei-a muito devagar sem fazer qualquer barulho.
Espreitei para a sala e estava vazia, a cozinha também, e eu não conseguia ver a minha capa que na noite anterior tinha deixado na sala. Voltei ao hall.
Foi então que reparei na minha pasta com um post-it lá colado.

“Bom dia, meu anjo!
Deixei aqui sua pasta p’ra que visse melhor… Por essa hora ainda devo tar dormindo mas se sinta em casa.
A gente se vê na festa!
TE AMO!
Beijo
David”

Eu tinha de me ir embora mas apetecia-me dar-lhe um beijo, nem que fosse de fugida, mesmo que ele estivesse a dormir, só para matar as saudades que iria sentir durante o dia e na festa, de o beijar, de o abraçar, de estar com ele.
A porta do quarto dele estava aberta e o silêncio que assombrava toda a casa no quarto dele era substituído por uma respiração pesada.
Entrei e vi-o todo destapado, apenas de boxers, de barriga para baixo a dormir.
Ri-me de o ver assim.
O rosto dele estava virado para o lado da janela por onde já entravam os primeiros raios da manhã. Queria ver o rosto dele, e por isso contornei a cama até ao lado da janela. Ele dormia que nem um anjo e o seu rosto estava sereno.
Aproximei-me e sentei-me na beirinha da cama livre, a única onde não havia um membro desajeitado dele a ocupar espaço.
Passei-lhe a mão no rosto levemente porque não o queria acordar, e depois deixei-a subir até aos caracóis.
Brinquei com um caracol rebelde dele que teimava em espetar na direcção do céu. Ele era teimoso mas eu não desisti até o ter colocado no lugar.
Aproximei o meu rosto do de David e dei-lhe um beijo leve na bochecha direita e ele mexeu-se muito lentamente mas não acordou.
Eu tinha de me ir embora mas a minha vontade era ficar ali com ele, nem que fosse só mais um bocadinho, mesmo que ele não acordasse. Não resisti, desviei-lhe os caracóis do pescoço e dei-lhe um beijo na nuca.
Ele mexeu-se novamente e refilou.

- Mais cinco minutinhos… - pediu sem abrir os olhos

Eu ri-me em surdina e uni os meus lábios aos dele. Passei leve e rapidamente com a minha língua no lábio inferior dele e afastei as nossas bocas.

- Me diz que isso não é um sonho! – brincou ele sorridente sem abrir os olhos

- Não, não é um sonho, dorminhoco! – segurei a minha franja atrás da orelha para que não lhe fizesse comichão no rosto e acariciei-o com a ponta do meu nariz na bochecha – Desculpa se te acordei…

Dei-lhe um beijo na bochecha, outra na orelha, outro na testa e para finalizar um no ombro, onde deixei a minha cabeça pousar para o fitar com toda a calma.
- Que maneira gostosa de acordar! – disse finalmente abrindo os olhos

Ele olhou-me e sorriu. Eu levantei a cabeça do seu ombro e ele virou-se de barriga para cima.

- Não te queria acordar amor, desculpa. Deves andar estoirado mas não resisti a uns carinhos… - confessei tentando controlar o calor que aflorava as minhas maças do rosto

- Sem problema, paixão! Me faz bem acordar assim… - confessou a sorrir ao mesmo tempo que sentado na cama, envolvia a minha cintura com o seu braço direito e me puxava para si

Os nossos rostos estavam colados, o meu nariz encostado ao dele e as nossas testas também. Olhávamo-nos ambos nos olhos e o brilhos dos seus olhos iluminava os meus.

- Por mim acordava todo o dia assim… Para sempre! - jurou com os seus lábios quase colados aos meus

Eu senti a respiração dele nos meus lábios ao dizer estas palavras e foi-me inevitável sorrir-lhe.
- Para sempre é muito tempo… Não me vais querer aturar assim tanto tempo… - dei-lhe um beijo nos lábios e separei os nossos rostos mas mantive-os perto um do outro

- Eu estou disposto… Aposto que passar a minha vida inteira com você não vai ser sacrifício nenhum mais depressa se aborrece você de mim… - brincou sorrindo

- Deixa de ser parvo! Fartar-me de ti soa-me a impossível! – disse sorrindo e passando a minha mão no braço dele que estava em torno da minha cintura

- Sabe o que parece impossível? – perguntou-me com cara de casa
- O quê? – perguntei desconfiada torcendo o nariz

- Hey, não torce o nariz assim não que comigo não pega… - avisou e eu descontraí a cara – Acho impossível cê ainda não me ter dado um beijo decente hoje! – reclamou escondendo um sorriso

- Não seja por isso! – roubei-lhe um beijo apaixonado.

Senti as mãos deles envolverem o meu corpo e puxarem-me para si.

- David… Eu tenho de ir… - adverti-o separando-o do meu corpo
- Fica só um pouquinho… Só um pouquinho! – pedinchou forçando um beicinho nos seus lábios

- Só um bocadinho… - confirmei arregalando-lhe os olhos

- Sim, só um pouquinho! – confirmou sorrindo

Ele afastou-se ligeiramente para lá e eu deitei-me ao lado dele e dividimos a mesma almofada.
Ele ficou de barriga para baixo com a mão esquerda presa debaixo da almofada e a direita na minha cintura. E eu fiquei de lado, com uma mão debaixo da cabeça em posição de dormir e outra que brincava com os caracóis de David.

- Sabe que eu te amo? – perguntou-me ele sorrindo
- Sei, já disseste milhentas vezes! Mas não me canso de ouvir…

- Te amo!

- Eu também te amo! Muito! – disse sorrindo-lhe

- Eu sei, eu sei! – disse num tom convencido

- Ah! Que convencido! – ambos nos rimos á gargalhada – Amor, a que horas vais buscar os teus pais? – perguntei-lhe ao mesmo tempo que passava os meus dedos pela linha do seu maxilar

- Ao meio dia e meia… Mas lá p’ras onze e meia tou saindo de casa… Porquê? Quer ir comigo? – perguntou-me com uma luz a iluminar-lhe o rosto e o sorriso

- Não, estava só a perguntar por curiosidade…

- Ah, pensei que cê tinha mudado de ideias e me ia deixar apresentar eles pr’a você…

- Tudo a seu tempo! Tudo a seu tempo! – disse puxando-lhe levemente um caracol pequenino
- Amor, então vem cá! Se eu não vou puder te beijar hoje quero matar já as saudades! – pediu-me utilizando a mão que tinha pousada na minha cintura para colar o meu corpo ao dele
- Não faças assim… Sabes que não resisto… - disse afastando a minha boca da dele

- A ideia é essa! – ele calou-me com um beijo

Ficámos a trocar carinhos durante alguns minutos, beijos, festinhas. Os nossos corpos colados, e os nossos rostos também. Tão próximos que eu sentia a respiração dele nos meus lábios e ele também devia sentir a minha nos dele.

- Amor tenho de ir… - disse no fim de um beijo
- Já? – perguntou-me arrastando a voz

- Sim, senão logo a noite não posso ir á festa e amanhã não posso ir ao jogo…

- Hum, isso não! Se tem de ser… - disse dando-me mais um beijo leve
-Sim, tem… - roubei-lhe um beijo e levantei-me

Ele levantou-se atrás de mim e levou-me até à porta mesmo em boxers.
Ele abriu a porta e eu chamei o elevador e voltei a aproximar-me de David.

- Logo á noite eu estou lá no restaurante á hora combinada! – prometi sorrindo-lhe
- Tudo bem! Eu vou tar que nem louco esperando você! – disse-me constrangido

- Eu apareço não te preocupes…
- Senão fugir quando vir meus pais…
- É p’ra fugir? – perguntei assustada
- Não meu amor. Tou de sacanagem com você – disse aproximando-se num jeito safado
- Parvo! – ele roubou-me um beijo

Ouvi o barulho do elevador a chegar ao piso.

- David… O elevador… - consegui dizer por entre um beijo que me sufocava
- A gente… chama… de novo… - respondeu-me ele do mesmo jeito sem separar as nossas bocas

Continuámos a beijar-nos ignorando o elevador. Ouvi as portas do elevador fecharem-se e David quebrou o beijo.

- Fizeste de propósito! – acusei-o e ele riu-se

- A gente chama outro… Até lá… - ele tentou roubar-me outro beijo e eu fugi

- Até lá vou de escadas! Beijo! – disse descendo as escadas

- Amô? – ele chamou

- Sim? – parei no meio das escadas
- A capa? – perguntou rindo-se com a minha pasta em punho

Suspirei rindo-me e voltei a subir os três degraus que descera. Tirei-lhe a capa da mão e dei-lhe um beijo rápido que ele fez questão de prolongar. Sorrimos. Eu desci as escadas e saí do prédio dele. Eu tinha de fazer os desenhos, continuar com a minha rotina, mas a possibilidade e ir ver os pais de David estava a aterrorizar-me. Será que vai tudo correr bem?

sábado, 30 de outubro de 2010

Capítulo 93 - De quê? (Parte II)

- Não tou entendo… Eu já falei p’ra você que estou sempre que posso com você… - declarou novamente não percebendo ao que me estava a referir

- Não em estou a referir a isso bolas! – gritei até ficar ofegante e fiz uma pausa para recuperar o fôlego – Eu estou-me a referir á merda da festa! Eu sou tua namorada David! Pensava que no mínimo, mesmo que não me convidasses porque os teus pais lá estão e é muito cedo para nos apresentares, me ias falar sobre isso e explicares as tuas razões, mas não! Continuas a agir como se nada se passasse! Como se não existisse merda de festa nenhuma! – David ia falar mas interrompi-o antes disso – Ou melhor tu não finges que a festa não existe finges é que eu não existo! Que não sou tua namorada! – e foi inevitável

As lágrimas que estavam controladas voltaram a precipitar-se pelo meu rosto.
Ele olhava-me desesperado perante o meu choro impaciente e incontrolável. Veio na minha direcção e as mãos dele, enxugaram as minhas lágrimas, lágrimas essas que corriam com a mesma certeza que o rio corre para o mar, na exacta direcção das curvas do meu rosto, umas em direcção á boca, outras precipitando-se para o meu pescoço.
Quando senti as suas mãos escaldantes sobre o meu rosto fechei instintivamente os olhos, não queria ter de o olhar.
Eu soluçava violentamente e tentava respirar, como que nem uma menininha que fica horas a chorar. Precisei de dois minutos para me acalmar. Os soluços foram diminuindo, a respiração acalmou e as lágrimas desapareceram dos meus olhos. Ganhei então força para encarar David, ele olhava-me carinhosamente como se olha-se para a única razão da sua existência, e talvez não estivesse muito longe da verdade.

- Cê viu o montão de disparates que disse? Tá chorando por besteira! – disse-me muito calmo

- Besteira, David? – tentei imitar o sotaque dele, tirei as mãos dele do meu rosto e afastei-me dele
- Besteira sim! Cê acha que eu não ia convidar você p’ra minha festa? – perguntou-me com um sorriso irónico a rasgar-lhe o rosto

- Tanto não convidavas que não convidaste! Eu também não esperava que o fizesses porque sei que os teus pais vão lá estar e tu não mos queres apresentar já, e nem sei se o queres fazer mas pelo menos podias ter-me dito isso… Eu ia compreender! Juro que ia compreender! – jurei com as lágrimas a sufocarem-me novamente

- Cê pirou de vez, meu doce! - acusou-me divertido tentando esconder o sorriso que lhe travava o rosto

- Isso agora diz que eu pirei! - resmunguei e as lágrimas estrangularam-me novamente

- Meu amor... - preparando-se para aproximar os seus lábios dos meus mas eu impedi-o afastando-me - Deixa de besteira vai! Eu te amo gata! Cê sabe disso!

- Mas ages como se eu não existisse! Eu não te pedia que me levasses à porcaria da festa para me apresentares aos teus pais, porque eu sei que eles lá vão mas podias ter-me dito que querias que eu fosse mas como os teus pais lá vão estar era melhor eu não ir, e era simples! Eu não tinha ido!! - a última frase saiu-me mais amarga

- Agora cê tá me acusando de não ter falado com você ou de não querer te apresentar aos meus pais? - perguntou-me visivelmente confuso

- De não teres falado comigo! - esclareci-o sem pensar duas vezes na resposta

- Meu amor, cê é minha namorada! Se eu não te convidei foi porque cê não precisa de convite! Eu presumi que você simplesmente viria... Como minha namorada! Nunca me passou pela cabeça pedir a você que não fosse por causa dos meus pais...

- Oh, David! Achas mesmo que não precisava de convite? Eu senti que estava a ser deixada para trás, que não me querias lá por causa dos teus pais... - confessei e baixei o rosto para o chão

- Cê achou o quê? Que eu não te queria lá p'ra não ter de apresentar você p'ros meus pais? - eu assenti afirmativamente com a cabeça - Cê é mesmo tola! A gente só namora há um mês mas é claro que eu quero apresentar você p'ra eles! Simplesmente não te convidei porque achei que como cê é minha namorada era óbvio que tava convidada! - vi pelo seu olhar e tom de voz que estava a ser sincero

- Desculpa, eu andei este tempo todo a guardar este disparate para mim e a tratar-te com indiferença... Desculpa, a sério!

- Tá perdoada! Mas promete p'ra mim que da próxima vez que houver algo que esteja te perturbando cê fala comigo...

- Prometo! Desculpa! A sério! - desculpei-me sinceramente

Senti o abraço de David abafar-me, ele não tinha ficado chateada e para variar, eu tinha sido precipitada e não tinha falada com ele como devia ter feito.

- Amo-te David, juro!

- Te Amo mais, meu anjo! - sussurrou-me ao ouvido desviando os meus cabelos soltos do pescoço

O telemóvel de David tocou nesse momento e ele soltou-me, olhou-me nos olhos pedindo permissão para atender e eu dei-lha.

- Alô? Oi mãe! Sim, então tudo confirmado! Eu pego vocês! Beijão! Vos amo! - falou divertido ao telemóvel

Não lhe perguntei quem era, sabia que eram os seus pais e então limitei-me a sentar no sofá e ele sentou-se a meu lado.

- Eram meus pais... - informou-me sorridente

- Está tudo bem com eles? – perguntei ao mesmo tempo que cruzava as pernas

- Sim, era só p’ra confirmar as horas que o avião deles chega amanhã ao almoço! Vou pegar eles no aeroporto… Cê vem comigo! – rematou sorridente olhando na minha direcção

- Eu? – perguntei muito surpreendida – Ó amor eu não posso ir…

- Ué? Porque não?

- O que é vamos dizer aos teus pais? “Olha essa daqui é minha amiga Adriana!” – ironizei imitando o sotaque dele

- Não, vamo dizer que é a minha namorada!

- David, ainda é muito cedo! Só namoramos há um mês…

- Então senão os vir no aeroporto irá ver na minha festa de anos… - informou-me seguro daquilo que dizia

- Pois, por isso é que não vou á festa… - confessei

- Cê não vai na minha festa de anos? – perguntou meio chateado

- Não, amor… Não é que eu não queira mas não quero que os teus pais fiquem já a conhecer-me pelo menos não como tua namorada… Isso vai dar uma carga formal muito grande á nossa relação…

- Então cê vai e eu não te apresento como namorada! – tentou negociar

- Vou como amiga? – perguntei

- Sim, como amiga! Fazer o quê né? – encolheu os ombros em jeito de conformação

- Oh, não faças essa carinha! – coloquei-me de joelhos no sofá e rastejei até ele

- Eles tavam vindo cá p’ra conhecer você… - contou-me

- Oh amor mas pensa lá! Agora sê um bocadinho racional… É muito cedo! Vamos deixar a nossa relação ficar mais sólida, concisa e aí apresentas-me á tua família inteira se quiseres! Ao Brasil inteiro se quiseres! – brinquei

- Deixa de bobeira! – Finalmente tinha-lhe arrancado um sorriso, tímido. Mas era um sorriso. – Eu já falei p’ra você que te amo?

- Não… - desviei conversa

- Ah, eu acho que sim… - ele entrou na brincadeira

- Hum, garanto que não! Não falou uma única vez!

- Te amo! Muito! Te Amo! – calei-o com um beijo

- Nem tou acreditando que amanhã vou passar os meus anos do seu lado, com seus carinhos, seus beijos… - disse deliciado e roubou-me outro beijo

- Mas não vais… Amanhã não vai haver nada disto! Os teus pais vão lá estar! – relembrei-o

- Ah, assim não! É sacanagem! – refilou

- É sacanagem! – imitei o sotaque dele – Deixa de ser refilão… - beijei-o rapidamente nos lábios

Deixei o meu corpo cair sobre o do David, recostei-me no peito dele.
Acabámos por ficar juntos até altas horas da noite.

- Amor é quase meia-noite! – disse-lhe pousando o comando da playstation

- Ah, me deixa acabar o jogo vai! – pediu-me concentrado

- Hum, sendo assim senão queres os meus Parabéns eu vou andando para casa… - e dirigi-me á porta da sala

Numa questão de segundos senti uma mão puxar-me contra o seu corpo.
Deixei a minha cabeça cair para trás sobre o ombro dele. Senti a respiração ofegante dele junto ao meu ouvido e os lábios dele junto ao meu pescoço. Tremi, fechei os olhos e sorri.

- Não faz assim não… Fica! – pediu-me ele desviando os meus cabelos do pescoço

Desci o meu olhar até ao relógio que tinha no pulso, estava quase na hora.
Virei-me de frente para o David, aproximei a minha boca da dele, ele ia-me beijar mas eu apenas lhe mordi o lábio inferior. Quando ele se preparava para unir as nossas bocas e deixar a sua língua descobrir a minha boca, eu fugi e corri para junto do sofá. Ele tentou apanhar-me mas não o deixei, e pus-me em cima do sofá, descalça.
O David estava preparado para me agarrar mas eu pus a minha mão em sinal de stop, aberta no ar e ele parou.

- 5, 4, 3, 2, 1… - contava olhando para o meu relógio – Parabéns! – desejei olhando para ele e abrindo os braços no ar

Ele sorriu-me deliciado, andou na minha direcção e agarrou em mim.
Coloquei os braços em volta do pescoço dele e ele enlaçou a minha cintura elevando-me do chão. Os meus lábios tocaram os dele, acariciaram-se. As nossas línguas movimentaram-se numa dança lenta, senti-me completa.

- Te amo! – disse-me

- Eu também! Muito! – beijei-o novamente, quebrámos o beijo ele pousou-me no chão – Podes levar-me a casa, amor?

- Claro, vem eu te deixo lá! – disse puxando-me pela mão e levando-me até ás garagens.
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- Chegou! – disse ele enquanto tirava a chave da ignição

- Obrigada, amor! De metro teria demorado uma eternidade! – desabafei e passei a minha mão pelos seus caracóis, fazendo-lhe uma doce carícia

- Vem que eu te deixo lá em cima… - disse-me ao mesmo tempo que desapertou o cinto dele e o meu.

Saímos do carro e subimos no elevador trocados carícias recatadas.

- Pronto, agora sim cê tá entregue! – ele beijou-me suavemente nos lábios

- Obrigada outra vez amor! – agradeci sorrindo-lhe e roubando-lhe outro beijo leve

- Amanhã eu te pego p’ra festa…

- Não, eu vou lá ter… É melhor! Além disso tenho de acabar uns desenhos para entregar segunda que estão na past… - informava-o mas caí em mim – Oh meu deus! A pasta! Ficou em tua casa! Agora como é que faço os trabalhos? – constatei desesperada

- Calma amor… Eu vou a casa e te trago a pasta em menos de vinte minutos…

- Não David! É tão tarde! – adverti

- Então passa lá em casa amanhã de manhã p’ra pegar a pasta… - sugeriu

- Não, vou-te acordar se tocar à campainha!

O David agarrou no seu porta chave e tirou de uma das argolinhas uma chave grande, era de casa dele.

- Fica com ela, passa lá em casa p’ra buscar a pasta há hora que quiser! Mesmo que eu não esteja lá! Fica á vontade!

- Oh e tu entras em casa como? – perguntei-lhe preocupada

- Olha, essa é suplente! Tenho a minha! – disse sorridente

- Tens a certeza que não há problema?

- Não, problema nenhum, gatxinha! Vou indo! Amanhã a gente se vê na festa! Te amo! – despediu-se de mim dando-me um beijo nos lábios

- Eu também

Ele entrou no elevador e foi-se embora. Eu entrei em casa e adormeci mais sossegada por finalmente ter esclarecido tudo com ele.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Capítulo 93 - De quê? (Parte I)

Mas ele percebeu que eu não queria aquele abraço, não queria que ele me tocasse, essa era a verdade, já não sabia se a repulsa que sentia era maior por ele ou por mim.
Ele agarrou-me na mão, levou-me até ao carro e conduziu até à sua casa, subimos no elevador completamente calados mas de mãos unidas. Não recusei, não podia recusar, aquela mão dava-me um certo consolo.
O silêncio invadiu o ar durante todo o percurso e as lágrimas assaltaram os meus olhos. Doía! Doía muito! A todas as horas, todos os segundos.
Mas as lágrimas não doem, o que dói são os motivos que faziam elas caírem. O David via-me chorar silenciosamente e assistia passivo sem me largar a mão.
Chegámos a casa dele, finalmente descolamos as nossas mãos, ele ficou no hall a pousar as chaves de casa e eu precipitei-me para a sala.
Eu sabia que aquela iria ser uma conversa difícil. Sentei-me no sofá com a cabeça entre as mãos e esperei que ele se juntasse a mim.
Ele entrou, completamente calado, e sentou-se em frente a mim, na pequena mesa de apoio no centro da sala apoiando os antebraços nas pernas.
A verdade é que eu estava muito assustada, eu não sabia como é que ele ia agir comigo, se iria ser bruto, calmo, se ficaria zangado, não conseguia decifrá-lo pois uma grande neblina de sentimento turvava-lhe o olhar.

- Eu não sei o que tá acontecendo com a gente meu amor mas as suas atitudes me magoaram muito…- confessou ele ao retirar o seu olhar do chão e ao prendê-lo em mim

- Eu sei que não tenho agido da melhor maneira… Mas nem eu sei como é que chegámos a este ponto… - confessei e agora encarava-o tentando não chorar

- Eu não sei o que é que tá passando na sua cabecinha mas você tem de falar, a gente pode resolver qualquer problema falando que nem a gente tá fazendo agora…

- Eu sei mas há assuntos que não devem ser falados…

- Pelos vistos devem… Eu tenho reparado que nestas últimas duas semanas cê anda esquisita comigo… Meio fria, distante… Dei o desconto por causa dos seus testes, achei que era só stress mas agora tou achando que é bem mais do que isso… - ele olhou nos meus olhos esperando que eu lhe respondesse mas não fui capaz, eu sabia que se o fizesse um choro rompido assaltaria a minha voz – Vai continuar não falando nada? Assim não vamos chegar a lugar nenhum, meu amor…

- É isso mesmo que se está a passar connosco David! O tempo passa, passa, e tudo à nossa volta anda, e nós aqui! Parados, sem chegar a lugar nenhum! – afirmei com alguma raiva na voz levantando-me do meu lugar

- Não tou entendendo… Eu pensava que tava tudo bem com a gente… Cê não quer mais tar comigo? – perguntou-me também elevando a voz e o seu corpo da mesa

- Não é nada disso! Claro que quero! Eu não quero parecer egoísta mas a nossa relação não está a funcionar! Simplesmente não está a funcionar! Eu não sei lidar com a saudade! Com o facto de não puder estar contigo a qualquer hora, quando quero, onde quero… Tu podes saber lidar com a saudade mas eu não… E nem sei se quero! – confessei aos berros correndo o risco de o magoar

- Cê sabe que é assim… Sempre foi! A minha profissão me exige isso e além disso eu faço tudo o que posso p’ra tar com você… - ele também gritava comigo como nunca antes tinha gritado

Olhei-o nos olhos e vi que estes começavam a ficar vermelhos, ao passo que os meus já estavam inundados de água que acabou por escorrer pelo meu rosto fora em duas lágrimas gordas.

- Uma, duas vezes por semana… Não chega David! Eu tenho uma necessidade louca de te… -
gritava mas não fui capaz de terminar a frase

- De quê? – perguntou ele afrontando-me

- De te amar… - afirmei muito sincera num berro estrangulado

- Não é o que tá parecendo… - disse visivelmente magoado

- Desculpa David! Já disse que não quero parecer egoísta, mas eu amo-te e por isso quero estar contigo, sempre que possivel, mas eu entendo que nem sempre dê! Mas eu preciso de tempo para aprender a lidar com a distância

- Que distância? Eu tento estar presente o mais que posso! Te ligo, mando mensagens, tento ir dos treinos ter com você nem que seja por meia horinha, muitas vezes estou cansadão, mal me aguentando em pé, mas ainda assim e por burro! Sim, burro! Te amo desse jeito descontrolado e faço tudo p’ra tar com você e p’ra quê? Para depois ouvir acusações dessas? – perguntava aos berros e com a dor a cruzar-lhe o rosto

- Desculpa! Eu sei que fazes os possíveis e os impossíveis e não te acusei disso mas eu não sei viver com isto e com o facto de não te ver todos os dias, estar sempre que quero contigo, sairmos, e com… - hesitei e desviei o meu olhar do dele, eu já não gritava mas o meu tom de voz continuava elevado

- Com o quê? – perguntou-me ele perante a minha hesitação num tom também elevado

- Com nada David! Esquece! Nós nem devíamos estar a ter esta conversa – confessei magoada gritando novamente

- Devíamos sim! Cê sabe que pode falar tudo p’ra mim! – agarrou-me na mão

- Mas não é nada! – confirmei soltando a minha mão da dele com algum desprezo

- Como é que não é nada se você fala comigo desse jeito, anda longe, foge do meu toque e me olha com esse olhar de quem tá magoada comigo e eu continuo sem entender porquê… - censurou-me sem piedade

Não fui capaz de lhe responder… Ele acertara nos pontos-chave. O que é que eu lhe poderia dizer perante aquilo?
Qualquer resposta que desse iria sair azeda, porque o assunto das saudades estava resolvido mas o da festa ainda não. E não me apetecia minimamente tocar nesse assunto. Não porque sabia que me estaria a auto convidar, e porque eu não o queria fazer. Aproximei-me da ombreira da porta da sala.
Ele seguiu-me primeiro com o olhar e depois ficou a olhar-me. Encaminhei-me até ao hall para agarrar na minha mala, ele não me seguiu talvez porque percebeu que eu não ia falar mais sobre o assunto.
Agarrei na minha mala, olhei para o visor do telemóvel que não tinha nenhuma mensagem ou chamada não atendida. No visor do meu telemóvel vi uma foto minha e do David, a sorrir, era a foto do casamento da Catarina. Apesar de forçados parecíamos felizes. Voltei a colocar as coisas onde estavam. Não podia deixá-lo ali assim, ambos chateados um com o outro em vésperas do seu dia de anos.
Pior do que estávamos não podíamos ficar, e eu tinha de desabafar aquilo, ou agora ou depois, e se íamos ficar assim ao menos que ele soubesse o motivo. Regressei à sala e ele permanecia onde o deixara ficar, em pé no meio da sala. Coloquei a mão na ombreira da porta com medo que os meus joelhos falassem, enchi os pulmões de ar e confrontei-o.

- Quanto tempo mais vais fingir que eu não existo? – perguntei-lhe num tom enfurecido