sábado, 30 de outubro de 2010

Capítulo 93 - De quê? (Parte II)

- Não tou entendo… Eu já falei p’ra você que estou sempre que posso com você… - declarou novamente não percebendo ao que me estava a referir

- Não em estou a referir a isso bolas! – gritei até ficar ofegante e fiz uma pausa para recuperar o fôlego – Eu estou-me a referir á merda da festa! Eu sou tua namorada David! Pensava que no mínimo, mesmo que não me convidasses porque os teus pais lá estão e é muito cedo para nos apresentares, me ias falar sobre isso e explicares as tuas razões, mas não! Continuas a agir como se nada se passasse! Como se não existisse merda de festa nenhuma! – David ia falar mas interrompi-o antes disso – Ou melhor tu não finges que a festa não existe finges é que eu não existo! Que não sou tua namorada! – e foi inevitável

As lágrimas que estavam controladas voltaram a precipitar-se pelo meu rosto.
Ele olhava-me desesperado perante o meu choro impaciente e incontrolável. Veio na minha direcção e as mãos dele, enxugaram as minhas lágrimas, lágrimas essas que corriam com a mesma certeza que o rio corre para o mar, na exacta direcção das curvas do meu rosto, umas em direcção á boca, outras precipitando-se para o meu pescoço.
Quando senti as suas mãos escaldantes sobre o meu rosto fechei instintivamente os olhos, não queria ter de o olhar.
Eu soluçava violentamente e tentava respirar, como que nem uma menininha que fica horas a chorar. Precisei de dois minutos para me acalmar. Os soluços foram diminuindo, a respiração acalmou e as lágrimas desapareceram dos meus olhos. Ganhei então força para encarar David, ele olhava-me carinhosamente como se olha-se para a única razão da sua existência, e talvez não estivesse muito longe da verdade.

- Cê viu o montão de disparates que disse? Tá chorando por besteira! – disse-me muito calmo

- Besteira, David? – tentei imitar o sotaque dele, tirei as mãos dele do meu rosto e afastei-me dele
- Besteira sim! Cê acha que eu não ia convidar você p’ra minha festa? – perguntou-me com um sorriso irónico a rasgar-lhe o rosto

- Tanto não convidavas que não convidaste! Eu também não esperava que o fizesses porque sei que os teus pais vão lá estar e tu não mos queres apresentar já, e nem sei se o queres fazer mas pelo menos podias ter-me dito isso… Eu ia compreender! Juro que ia compreender! – jurei com as lágrimas a sufocarem-me novamente

- Cê pirou de vez, meu doce! - acusou-me divertido tentando esconder o sorriso que lhe travava o rosto

- Isso agora diz que eu pirei! - resmunguei e as lágrimas estrangularam-me novamente

- Meu amor... - preparando-se para aproximar os seus lábios dos meus mas eu impedi-o afastando-me - Deixa de besteira vai! Eu te amo gata! Cê sabe disso!

- Mas ages como se eu não existisse! Eu não te pedia que me levasses à porcaria da festa para me apresentares aos teus pais, porque eu sei que eles lá vão mas podias ter-me dito que querias que eu fosse mas como os teus pais lá vão estar era melhor eu não ir, e era simples! Eu não tinha ido!! - a última frase saiu-me mais amarga

- Agora cê tá me acusando de não ter falado com você ou de não querer te apresentar aos meus pais? - perguntou-me visivelmente confuso

- De não teres falado comigo! - esclareci-o sem pensar duas vezes na resposta

- Meu amor, cê é minha namorada! Se eu não te convidei foi porque cê não precisa de convite! Eu presumi que você simplesmente viria... Como minha namorada! Nunca me passou pela cabeça pedir a você que não fosse por causa dos meus pais...

- Oh, David! Achas mesmo que não precisava de convite? Eu senti que estava a ser deixada para trás, que não me querias lá por causa dos teus pais... - confessei e baixei o rosto para o chão

- Cê achou o quê? Que eu não te queria lá p'ra não ter de apresentar você p'ros meus pais? - eu assenti afirmativamente com a cabeça - Cê é mesmo tola! A gente só namora há um mês mas é claro que eu quero apresentar você p'ra eles! Simplesmente não te convidei porque achei que como cê é minha namorada era óbvio que tava convidada! - vi pelo seu olhar e tom de voz que estava a ser sincero

- Desculpa, eu andei este tempo todo a guardar este disparate para mim e a tratar-te com indiferença... Desculpa, a sério!

- Tá perdoada! Mas promete p'ra mim que da próxima vez que houver algo que esteja te perturbando cê fala comigo...

- Prometo! Desculpa! A sério! - desculpei-me sinceramente

Senti o abraço de David abafar-me, ele não tinha ficado chateada e para variar, eu tinha sido precipitada e não tinha falada com ele como devia ter feito.

- Amo-te David, juro!

- Te Amo mais, meu anjo! - sussurrou-me ao ouvido desviando os meus cabelos soltos do pescoço

O telemóvel de David tocou nesse momento e ele soltou-me, olhou-me nos olhos pedindo permissão para atender e eu dei-lha.

- Alô? Oi mãe! Sim, então tudo confirmado! Eu pego vocês! Beijão! Vos amo! - falou divertido ao telemóvel

Não lhe perguntei quem era, sabia que eram os seus pais e então limitei-me a sentar no sofá e ele sentou-se a meu lado.

- Eram meus pais... - informou-me sorridente

- Está tudo bem com eles? – perguntei ao mesmo tempo que cruzava as pernas

- Sim, era só p’ra confirmar as horas que o avião deles chega amanhã ao almoço! Vou pegar eles no aeroporto… Cê vem comigo! – rematou sorridente olhando na minha direcção

- Eu? – perguntei muito surpreendida – Ó amor eu não posso ir…

- Ué? Porque não?

- O que é vamos dizer aos teus pais? “Olha essa daqui é minha amiga Adriana!” – ironizei imitando o sotaque dele

- Não, vamo dizer que é a minha namorada!

- David, ainda é muito cedo! Só namoramos há um mês…

- Então senão os vir no aeroporto irá ver na minha festa de anos… - informou-me seguro daquilo que dizia

- Pois, por isso é que não vou á festa… - confessei

- Cê não vai na minha festa de anos? – perguntou meio chateado

- Não, amor… Não é que eu não queira mas não quero que os teus pais fiquem já a conhecer-me pelo menos não como tua namorada… Isso vai dar uma carga formal muito grande á nossa relação…

- Então cê vai e eu não te apresento como namorada! – tentou negociar

- Vou como amiga? – perguntei

- Sim, como amiga! Fazer o quê né? – encolheu os ombros em jeito de conformação

- Oh, não faças essa carinha! – coloquei-me de joelhos no sofá e rastejei até ele

- Eles tavam vindo cá p’ra conhecer você… - contou-me

- Oh amor mas pensa lá! Agora sê um bocadinho racional… É muito cedo! Vamos deixar a nossa relação ficar mais sólida, concisa e aí apresentas-me á tua família inteira se quiseres! Ao Brasil inteiro se quiseres! – brinquei

- Deixa de bobeira! – Finalmente tinha-lhe arrancado um sorriso, tímido. Mas era um sorriso. – Eu já falei p’ra você que te amo?

- Não… - desviei conversa

- Ah, eu acho que sim… - ele entrou na brincadeira

- Hum, garanto que não! Não falou uma única vez!

- Te amo! Muito! Te Amo! – calei-o com um beijo

- Nem tou acreditando que amanhã vou passar os meus anos do seu lado, com seus carinhos, seus beijos… - disse deliciado e roubou-me outro beijo

- Mas não vais… Amanhã não vai haver nada disto! Os teus pais vão lá estar! – relembrei-o

- Ah, assim não! É sacanagem! – refilou

- É sacanagem! – imitei o sotaque dele – Deixa de ser refilão… - beijei-o rapidamente nos lábios

Deixei o meu corpo cair sobre o do David, recostei-me no peito dele.
Acabámos por ficar juntos até altas horas da noite.

- Amor é quase meia-noite! – disse-lhe pousando o comando da playstation

- Ah, me deixa acabar o jogo vai! – pediu-me concentrado

- Hum, sendo assim senão queres os meus Parabéns eu vou andando para casa… - e dirigi-me á porta da sala

Numa questão de segundos senti uma mão puxar-me contra o seu corpo.
Deixei a minha cabeça cair para trás sobre o ombro dele. Senti a respiração ofegante dele junto ao meu ouvido e os lábios dele junto ao meu pescoço. Tremi, fechei os olhos e sorri.

- Não faz assim não… Fica! – pediu-me ele desviando os meus cabelos do pescoço

Desci o meu olhar até ao relógio que tinha no pulso, estava quase na hora.
Virei-me de frente para o David, aproximei a minha boca da dele, ele ia-me beijar mas eu apenas lhe mordi o lábio inferior. Quando ele se preparava para unir as nossas bocas e deixar a sua língua descobrir a minha boca, eu fugi e corri para junto do sofá. Ele tentou apanhar-me mas não o deixei, e pus-me em cima do sofá, descalça.
O David estava preparado para me agarrar mas eu pus a minha mão em sinal de stop, aberta no ar e ele parou.

- 5, 4, 3, 2, 1… - contava olhando para o meu relógio – Parabéns! – desejei olhando para ele e abrindo os braços no ar

Ele sorriu-me deliciado, andou na minha direcção e agarrou em mim.
Coloquei os braços em volta do pescoço dele e ele enlaçou a minha cintura elevando-me do chão. Os meus lábios tocaram os dele, acariciaram-se. As nossas línguas movimentaram-se numa dança lenta, senti-me completa.

- Te amo! – disse-me

- Eu também! Muito! – beijei-o novamente, quebrámos o beijo ele pousou-me no chão – Podes levar-me a casa, amor?

- Claro, vem eu te deixo lá! – disse puxando-me pela mão e levando-me até ás garagens.
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- Chegou! – disse ele enquanto tirava a chave da ignição

- Obrigada, amor! De metro teria demorado uma eternidade! – desabafei e passei a minha mão pelos seus caracóis, fazendo-lhe uma doce carícia

- Vem que eu te deixo lá em cima… - disse-me ao mesmo tempo que desapertou o cinto dele e o meu.

Saímos do carro e subimos no elevador trocados carícias recatadas.

- Pronto, agora sim cê tá entregue! – ele beijou-me suavemente nos lábios

- Obrigada outra vez amor! – agradeci sorrindo-lhe e roubando-lhe outro beijo leve

- Amanhã eu te pego p’ra festa…

- Não, eu vou lá ter… É melhor! Além disso tenho de acabar uns desenhos para entregar segunda que estão na past… - informava-o mas caí em mim – Oh meu deus! A pasta! Ficou em tua casa! Agora como é que faço os trabalhos? – constatei desesperada

- Calma amor… Eu vou a casa e te trago a pasta em menos de vinte minutos…

- Não David! É tão tarde! – adverti

- Então passa lá em casa amanhã de manhã p’ra pegar a pasta… - sugeriu

- Não, vou-te acordar se tocar à campainha!

O David agarrou no seu porta chave e tirou de uma das argolinhas uma chave grande, era de casa dele.

- Fica com ela, passa lá em casa p’ra buscar a pasta há hora que quiser! Mesmo que eu não esteja lá! Fica á vontade!

- Oh e tu entras em casa como? – perguntei-lhe preocupada

- Olha, essa é suplente! Tenho a minha! – disse sorridente

- Tens a certeza que não há problema?

- Não, problema nenhum, gatxinha! Vou indo! Amanhã a gente se vê na festa! Te amo! – despediu-se de mim dando-me um beijo nos lábios

- Eu também

Ele entrou no elevador e foi-se embora. Eu entrei em casa e adormeci mais sossegada por finalmente ter esclarecido tudo com ele.

13 comentários:

Anónimo disse...

Magnifico...

Quero mais... Cada vez tá melhor a tua fan fic... tou muito curiosa...

Se poderes posta mais hoje... por favor... continua

Catarina disse...

Oh LINDO...MARAVILHOSO...EXCELENTE...

Simplesmente ADOREI, mas isso já tu sabes!!

Continua...

Beijinhos desta GDF e por vezes GDT :P

paula. disse...

tá lindo meu amor!

hoje nem falámos :/

love you, beijo!

Sofia Mendes disse...

ammei driiiiii

Fabi disse...

que queridos +.+

Bianca. disse...

Opáh, acho que já se me acabaram as palavras...Mas eu volto a repetir: ADOREI !
Fantástico, Drii : DD
Olha, Drii:
ÉS A SESSÃO ! xDD

Anónimo disse...

oh, que fofinhos :D queremos mais Dri :) Beijinho *

Ass: Ana Moreira

ElsaNeves disse...

Eeehhh lá isso de ficar com a chave... ai ai no que isto irá dar...
Tou a morrer de curiosidade.
Muito bom, mesmo muito bom.
Beijinhos

Anónimo disse...

Cada vez mais espectacular....Sigo a tua fanfic há muito tempo e é completamente viciante.

Se quiseres passa pela minha.

http://osonhocomandaavida-carla.blogspot.com/

É bastante recente.
Beijinho

Anónimo disse...

Fantastico, como sempre!
Agora, queremos mais, para variar :D

Rita (miscarúúú) disse...

viciante... cada vez adoro mais!!!
agora quero saber como correu a festa :)

Anónimo disse...

Bem isso de a Adriana ficar com a chave de casa do David trás água no bico...São mesmo uns queridos os dois juntos.Continua.Bjs.

Anónimo disse...

nas ferias vinha aqui todos os dias... agora que as aulas comesaram grrrrrr.... mas sempre que posso leio, e gosto muito ... :D

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