quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Capítulo 100 – A nossa noite (parte II)

Desculpem a demora em postar este capítulo mas agora as aulas começaram e não postarei tão frequentemente como nas férias, espero que compreendam e além disso tenho tido uns problemas com o meu word e já várias vezes perdi o que já tinha escrito.
Espero que gostem, beijinhos ^^
Dri


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Sentia o meu corpo dormente e a respiração pesada de David intensificava essa sensação, ele permanecia profundamente adormecido do meu lado mas eu despertara novamente e não conseguia voltar a adormecer.
Dei voltas e voltas na cama mas nada me fazia pegar no sono outra vez. Resolvi então levantar-me e ir até à cozinha beber um copo de água. Vesti a parte debaixo da minha lingerie e a camisa de David pois era o que estava mais à mão, e mesmo descalça, fui até à cozinha e servi-me dum copo de água. Enquanto o bebia acabei por reparar na vista deslumbrante que se mostrava sob a varanda de David.
Pousei o copo na bancada e abri, devagarinho para não acordar David, a porta da janela de acesso à varanda.
Uma brisa quente, típica de uma noite amena do verão português, envolvia o ar e dava-me uma sensação de leveza. Pousei os meus cotovelos no beiral da varanda e deixei-me ficar, perdida em memórias e perdida naquela vista nocturna. Uma memória bem recente veio à minha memória

***

19 de Julho – Brasil
A mãe de David organizara um pagode para conhecer o resto da família, eram todos muito simpáticos e calorosos, como todo o povo brasileiro mas eu precisava de apanhar ar e vim até ao calçadão da praia. A praia à noite era lindíssima. Senti uns braços amarrarem-me por trás com muito carinho.

- David? – perguntei sem olhar

- Quem mais havia de ser? – apertou-me mais contra si e deu-me um beijo no rosto – Tá fazendo o quê sozinha aqui fora?

- Apanhar ar… Está uma bagunçada lá em casa! – sorri, afastei-me dele e sentei-me no murinho que separava o areal e o calçadão

- A família é grande e as crianças são muitas, cê se habitua… - ele sentou-se do meu lado, colado a mim

- A minha família também é enorme ó esqueces-te? Eu preciso de me habituar é ao que sinto…Ao que sinto aqui nesta casa, é incrível! - suspirei e afastei o meu olhar para o mar quando senti as lágrimas aflorarem-me o rosto

- Tá chorando porquê? Quer voltar p’ra Portugal? Tá com saudade de todo o mundo? – David aproximou-se mais de mim e eu encarei-o vendo no seu rosto uma expressão preocupada

- Não… Estou a chorar porque estou feliz… - confessei entre soluços

- Tá feliz e tá chorando? – ele passou os dedos no meu rosto, o seu tom de voz era compreensivo

- Sim, estou feliz, tão feliz… - senti o sorriso de David rasgar-se à medida que ia falando – Adoro tudo naquela casa…- sorri e olhei para ele – As pessoas… As luzes… Os cheiros… Os barulhos…Tudo me faz sentir estranhamente feliz, estranhamente em casa – David sorria-me descaradamente

- Essa agora também é sua casa! – ele agarrou o meu rosto entre as suas mãos e obrigou-me a encará-lo – Cê agora também é parte dessa família…Da minha família - por entre lágrimas não me contive e sorri

- Obrigada – agradeci olhando-o nos olhos

- Não chora mais não, minha bobinha! – apertou-me contra ele

- Sabes uma coisa, David? – tirei a cabeça do seu peito e encarei-o – Agora, tu és a minha casa!

Ambos sorrimos e beijámo-nos não foi preciso dizer mais nada.

***

Ao relembrar este momento cantarolava sozinha e baixinho a primeira música que compusera a pensar em David.

- Tell them all I know now, shout it from the roof tops , write it on the sky line, All we had is gone now. Tell them I was happy, and my heart is broken, all my scars are open, tell them what I hoped would be…Impossible, impossible, impossible, impossible…

A minha lembrança foi interrompida por uns braços escaldantes em torno do meu corpo. Era David. Ele beijou-me nas bochechas, no pescoço, na nuca e deixou a sua cabeça pousa no meu ombro, permanecendo abraçado a mim.

- Cantando? – perguntou-me

- Não tinha sono… - ele suspirou e sorriu

Eu percebi que ele tinha acordado ao notar a minha ausência na cama, sorri e permanecemos assim alguns segundos.

- Você tá bem, meu amô? – a voz dele era visivelmente preocupada

- Claro que estou bem… Nunca estive tão bem! – sorri

O que acabara de dizer era o mais sincero possível, era o que eu sentia.

- Tem certeza? – insistiu com um rasgo de preocupação a denotar-lhe a voz

- Tenho David, toda a certeza do mundo! – respondi permanecendo de costas para ele, senti então o seu coração disparar com as minhas palavras

- Vamo, dormir… - disse separando o seu corpo do meu

- Vai tu, eu fico aqui… - respondi vagarosamente voltando a apoiar os meus cotovelos no beiral da varanda

Senti David sair da varanda e entrar na cozinha, em direcção ao quarto mas tão rapidamente como o ouvi sair, ouvi-o entrar.
Senti novamente a presença dele a envolver o ar, ouvia a respiração pesada dele e percebi que algo o atormentava.

- Voltas-te? – virei-me para ele e ele aproximou-se de mim com a mesma velocidade em que entrara na varanda novamente

- Cê tá arrependida? – fiquei em silêncio – Cê tá arrependida de o ter feito comigo? – a dúvida e o desespero invadiam o rosto dele

- Não sejas tontinho! – aproximei-me dele e em bicos de pés passei as minhas mãos pelo seu rosto de pele suave – Não me arrependo de nada do que aconteceu naquele quarto! Nada! – sorri-lhe

- Então eu te magoei, foi isso não foi? Cê detestou e eu magoei você! – ele parecia desiludido com ele próprio

- Não é nada disso! Foi óptimo…Não me magoaste nada! - corei com as minhas palavras – Fizeste-me feliz ao sentir que me amavas mesmo…

- E eu te amo mesmo… - sussurrou-me sem me olhar nos olhos

- Eu também, fi-lo porque quis, além disso tu perguntaste-me se era mesmo isso que eu queria e eu garanti-te que sim por isso deixa-te de disparates, sim? – sorri dando-lhe um suave beijo

- Como cê tava aí querendo ficar sozinha pensei que tava arrependida e eu jamais me perdoaria se você se arrepende-se de o ter feito…

- Não me arrependi mesmo! Adorei! – sorri-lhe – E estava aqui sozinha a assimilar tudo, mais um momento nosso e a recordar aquela vez na praia, nas férias no Brasil em que me disseste que eu agora fazia parte da tua família

- E faz! É uma boa memória essa… Mas temos tantas e todas tão maravilhosas! – ele envolveu-me num abraço

Voltei a virar-me de costas para ele, a encarar a vista e ele voltou a abraçar-me por trás.

- Mas sabes, David? E eu sinto que posso admitir isto apesar de correr o risco de fazer figura de parva… - hesitei e ele aguardou pelo que me faltava dizer – Esta será sempre a melhor memória! Por muitas mais que venham… Será sempre a melhor porque foi o momento em que eu apenas deixei de saber que realmente nos amamos e o senti plenamente…

- Eu sempre soube, meu anjo. Sempre soube… - a voz dele arrastou-se e eu bocejei – Ué, parece que o sono tá chegando… - riu-se

- Tá sim… Estou a ficar cansada… - sorri envergonhada

- Vamo nos deitar, vem… - ele deu-me a mão e puxou-me

- David! – chamei-o e ele parou – Já viste o teu estado? – os meus olhos arregalaram-se ao ver as suas costas com alguns arranhões e um chupão discreto no pescoço

- Ué, culpa sua! Não me olha assim não… Você que fez os estragos! – rimo-nos e seguimos para o quarto

Acabámos por adormecer estafados por o momento que se passara horas antes.



***



David

Acordei e olhei p’ro relógio em cima da mesinha de cabeceira, eram 11 horas e 23 minutos e Adriana continuava dormindo do meu lado profundamente.
Reparei em como ela estava linda com a minha camisa vestida e em como a sua expressão se tornava ainda mais angelical quando estava a dormir. As pestanas compridas e escuras selavam os seus olhos adormecidos e saltavam à vista e uns caracóis rebeldes todos desalinhados invadiam a sua testa. Desviei-lhos e ela se mexeu levemente mas não acordou, eu sorri.

- Amô… - chamei dando-lhe suaves beijos na sua clavícula meio despida

- Deixa-me dormir, bolas! – praguejou enterrando a cabeça na almofada, automaticamente eu comecei a me rir

Vi-a desenterrar a cabeça da almofada, ainda com um olho fechado tentando perceber onde tava.

– Estás a rir de quê posso saber? – ela estava claramente mal disposta por ter sido acordada

- Bom dia, meu mau feitio! – apoiei-me no cotovelo para ficar reclinado e dei-lhe um
suave beijo nos lábios – Que bom humor matinal! Vai ser sempre assim?

- Bom dia amor, desculpa mas tenho mau acordar. Odeio que me acordem! – virou-se para o outro lado

- Mas já é tarde, cê não vai querer tomar o café da manhã ou tomar um banho? - enterrei os meus lábios na nuca dela e senti-a tremer com os meus beijos

- Ainda é cedo, podias deixar-me dormir mais um bocadinho…

- Cedo? São onze horas, meu amô.

- Estou cansada! – refilou – Estou sem energias nenhumas! – eu desatei numa risada pegada

- Não tá pior que eu e eu tou aqui acordado! – ela finalmente virou-se para mim

- Bolas, agora espantaste-me o sono. Que chatinho! – resmungou cruzando os braços na frente do peito – Já que me acordas-te agora vou querer o pequeno almoço na cama!

- Na cama? Cê vai ficar mal habituada…- avisei me sentado na cama

- Sim, na cama! É o mínimo que podes fazer depois de me teres acordado… - refilou sorrindo

- Ué, tou vendo que a minha menina além de mau feitio é caprichosa… - ela me deu uma chapada no ombro

- Mau feitio ainda aceito porque sou, agora caprichosa não sou mas acho que mereço um pequeno-almoço na cama… - ela foi aproximando o seu rosto do meu

- Acha que merece café da manhã na cama é ? – eu alinhei no joguinho dela

- Sim… - me roubou um beijo – Mereço… - e outro – Porque te amo…- outro- Muito… - finalizou com um beijo mais apaixonado

- Tá fechado! Café da manhã da cama então! – não resisti e de uma maneira ou outra eu ia acabar cedendo e dando o café da manhã que ela tanto merecia e queria

- Obá! – ela imitou o meu sotaque e ambos nos rimos por entre beijos

- Cê é mesmo muito boba! – dei-lhe um beijo – Minha boba!

- Então e esse café da manhã sai ou não?

- Claro, é já! – me levantei e saí do quarto mas voltei atrás espreitando pela porta – Mas não adormece não!

- Não, não… - me respondeu se enroscado novamente nos lençóis e já de olhos fechados



***


Quando entrei no quarto com o tabuleiro do café da manhã nas mãos ela permanecia imóvel enroscada nos lençóis. Eu ri sozinho e pousei o tabuleiro na mesinha de cabeceira e me aproximei dela. Sentei na beira da cama e a tentei despertar com beijos na nuca.

- Estou acordada, David… - disse sem abrir os olhos e sem se mexer

- Ah claro, tou vendo! – brinquei e ela começou a rir – O café da manhã tá pronto! – Ela deu um pulo e se sentou imediatamente na cama em frente a mim – Ué, isso é tudo fome?

- Não é vontade de comer, é diferente! - rimo-nos – Então e o que é que há no menu para o pequeno almoço, Senhor Marinho?

- Temos croissants com fiambre, torradas, sumo de laranja, café e fruta… Vai desejar mais alguma coisa, princesinha? – passei a minha mão carinhosamente no seu rosto

- Para além deste menu incrível desejo um beijo do namorado mais perfeito do mundo!

- Com todo o prazer! – nos beijámos como tantas outras vezes o tínhamos feito

- Passa-me o sumo de laranja, se faz favor. Tenho sede – passei-lho e coloquei o tabuleiro no meio de nós sobre a cama

- Hoje tens alguma coisa para fazer? – me perguntou dando um morango na minha boca

- Nada de especial, aturar a minha namorada… Fazer um programinha gostoso – falei acabando de mastigar

- Hum, até parece que sou muito difícil de aturar! – comeu a outra metade do morango – Então e se a namorada não puder ficar?

- Não fica, com muita pena minha mas fazer o quê, né?

- Pois…- ela riu-se e revirou os olhos

- Não pode ficar? – eu achava que ela tava de sacanagem mas depressa entendi que tava falando sério

- Posso claro que posso, tonto! Mas mais tarde quero ir jantar a casa dos meus pais… Vens?

- Hum, não posso. Hoje tenho que deitar cedo, amanhã tenho voo cedo para os Estados Unidos…

- Hum, é verdade… - vi na cara dela uma certa tristeza

- Que carinha é essa? – toquei levemente no seu queixo com os meus dedos

- Vais ficar tanto tempo fora… Vou ter saudades!

- Ué, cê também vai passar uns dias de férias ao Algarve por isso não ia aproveitar nada comigo…

- Oh mas se estivesses cá eu não ia, amor…

- Mas vai, se diverte! – dei um gole no suco de laranja e ela uma dentada na torrada sem nada

- Vou mas não vou deixar de pensar em ti! – confidenciou meio envergonhada

- Óptimo porque eu vou ligar você a toda a hora! – prometi sorrindo

- Podes ligar, não vou largar o telemóvel um segundinho que seja! – prometeu também sorrindo

- É bom que não e toma cuidado com os portugas de lá que eu sei que são todos metidos á besta, ficam se achando e metem conversa com qualquer menina! – avisei relembrando a mim mesmo que os moços do Algarve e especialmente nessa altura do ano eram mesmo todos metidos à besta

- Eish, que namorado mais ciumento o meu! – ela se riu e se jogou em meu colo

- Ciumento nada, quem ama cuida e eu não quero perder você… - disse a verdade e a apertei mais contra mim

- E não vais perder, eu só tenho olhos para ti ó! – nos beijámos – Olha e agora já chega de tanto mel, amor…

- Cê gosta! – fiz um sorriso de menino pequeno

- Gosto pois mas não podemos ficar o dia todo nisto! Eu quero ir tomar banho…

- Tá bom, cê vai então tomar banho que eu vou por a loiça toda p’ra lavar, sim?

- Não queres ajuda? - me perguntou com os seus lábios colados aos meus e com segundas intenções

- Não precisa, não! Vai tomar seu banho, sim?

- Tá bem! – demos um beijo e eu sai com o tabuleiro na mão em direcção à cozinha

Comecei a colocar a loiça no lava loiças mas depressa senti a presença dela.

15 comentários:

Elsa disse...

Dri, começo a não ter palavras para definir o quanto gosto da tua FIC!!

Além do enorme jeito que tens para escrever, ainda tens a capacidade para criares uma história que bem podia ser real!

Adoro, amo a tua FIC

Continua...

Bjs, adoro-te minha linda :D

Fabi disse...

tão lindo *.*

Ana disse...

adorei...

quero mais...

continua...

ta muito bom...

ElsaNeves disse...

Adoro, simplesmente adoro a tua fic.

Beijinhos

Bianca. disse...

Concordo totalmente com a Caty !
Este capítulo está assim algo de...fantástico!! Foi escrito por ti por isso :p
Amei mesmo ^^
Continua, Linda <3
Beijãooo

DiiDii disse...

AdOreii, querO maiis!! =DD

COntiinua...

BjnhOo

Anónimo disse...

Hum...será que ela vai querer companhia para o banho?
Adorei, continua (:

Anónimo disse...

Como sempre amei!!!
E fantastica a tua fic, apesar de nao comentar muito venho cá ler sempre que posso!
Adoro-a!
Continua!
Beijinho

Anónimo disse...

Parabéns Drii !
Força :D

Anónimo disse...

Fantástico dri, força!
Mais !! :D

Ana Sousa disse...

Leio sempre a tua fic e digo-te, ela amarra-me ao pc como nenhuma outra o faz!
Tens a capacidade de tornar isto, á qual se chama história, algo que ao mesmo tempo é tão real.
A tua escrita é fantástica. Descreves aquilo que é amais preciso ao pormenor.
Pelo menos eu, quando a leio, passam-me imagens na cabeça de como isto é real, de como isto não é ficção, porque na realidade tudo isto acontece. És natural no que escreves e não inventas situações que não existem. E isso torna tudo tão real! *.*
É com enorme gosto que leio a tua fic.
Espero que não desistas dela. :D
Beijinhos
Ana Sousa

Anónimo disse...

Amei tal como sempre!
Escreves super bem, sinceramente devias falar com uma editora, e nao estou a brincar! :)
Quero mais!
Beijinho

Anónimo disse...

Dri por acaso nao sabes quem é o autor do blog http://melhorqueosonho.blogspot.com/ ?
E que eu tambem gostava dessa fic e agora ta privada.
Beijinhos

Matiee disse...

desculpa só ter comentado agora meu amô :s
não tenho tido paciência para tal coisa! :c

Adorei, mais uma vez! :)
Beijinhos, te amo minha drizona (L)

Anónimo disse...

Pra quando o próximo ?

Fico á espera :)

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