sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Capítulo 100 – A nossa noite (parte III)

Olá, peço desculpa pela demora em postar um capítulo novo mas as aulas deixam pouco tempo livre e o meu Word tem-me dado problemas, espero que compreendam e gostem deste novo capítulo. Beijinhos e comentem! :)
***
David saiu para a cozinha e eu segui-o, havia uma dúvida que me estava a matutar na cabeça.
Entrei, ele estava a começar a arrumar as coisas e quando sentiu a minha presença olhou-me sobre o ombro.

- Não ia tomar banho? – a voz dele acalmava-me

- Ia mas mudei de ideias, faço-te companhia e depois vou…
- Hum… Isso me parece bem mas p’ra ser justo eu depois vou ter de fazer companhia p’ra você no banho... – vi no seu rosto uma expressão clara de safadeza

- Não te preocupes que depois da recompensa de eu te estar a fazer companhia, trato eu, mas não será essa, seu safado! – passei-lhe a mão pelos caracóis e sentei-me na bancada ao lado do lava loiças, onde ele lavava a loiça

Limitei-me a olhá-lo durante largos segundos enquanto ele continuava a passar a loiça por água e a arrumar as coisas.

- Sim… - ele não me olhou

- Sim o quê?

- Pergunta de uma vez o que quer perguntar, já percebi que tá alguma coisa atormentando essa cabecinha! – ele já me começava a conhecer, melhor do que muita gente e isso deixava-me com um certo orgulho, afinal melhor do que termos uma pessoa que amamos do nosso lado e sermos correspondidos, é termos essa pessoa e ela mais do que companheiro ser melhor amigo
- Ontem à noite… Estive muito mal? – perguntei de uma só vez tentando controlar o sangue que me aflorava às maçãs do rosto

- O quê? – ele não tinha percebido a minha pergunta, fechou a torneira e encarou-me

- Ó David tu percebeste… Se te desiludi, se estive bem… Se gostaste… - vi que o rosto dele buscava palavras mais precisas e claras – Se te dei prazer… - e no mesmo instante que disse isso baixei o olhar para as minhas mãos

Pela minha vista periférica vi-o secar as mãos num pano e senti-o aproximar-se mim. Ele pousou as mãos nas minhas coxas despidas e colou o seu corpo ao meu.

- Deixa de ser, boba, sim?

- Não me estás a responder à pergunta, David…

- Olha p’ra mim, por favor? – ele colocou a mão no meu queixo e obrigou-me a olhá-lo nos olhos
– Essa pergunta é muito boba! Cê foi perfeita…Foi maravilhosa! – sorriu-me mas nem assim me tranquilizou – Cê arrasou comigo! – um sorriso safado surgiu-lhe no rosto e fui obrigada a rir
- És muito tonto, tu! – acusei sorrindo

- Ué, isso é um sorriso? Me mostra vai? – ele começou a fixar-se no meu sorriso

Fiz um sorriso que mais se pareceu a uma careta e ambos nos rimos.

- Tens a certeza, David? É que foi a primeira vez que fiz aquilo e tu já és experi… - ele calou-me com um beijo calmo e apaixonado

- Tenho a certeza, moleca! – a voz carinhosa dele fez-me arrepiar
- O que é que me chamas-te? – perguntei num sorriso
- Moleca, minha moleca! – afirmou sorrindo

- Eu amo-te, meu tontinho! – beijei-o carinhosamente – Isto está muito bom mas eu tenho de ir tomar banho Sr. David! – saltei da bancada afastando-o

- Tá bom, mas se despacha tá?

- Juro! – eu sabia que não iria despachar-me pois o banho para mim é um ritual que gosto de levar com calma e prolongar sempre que tenho hipótese disso.

Beijei-o rapidamente nos lábios e saí na direcção da casa de banho. Numa questão de segundos livrei-me da camisa de David e da minha roupa interior e enfiei-me debaixo do chuveiro de água escaldante.
Ouvia-o andar de um lado para o outro, mexia em coisas e isso provocava alguns ruídos que me impediam de tomar o meu banho tranquilizante em silêncio. Lavei o corpo e o cabelo, fechei a torneira e enrolando-me numa toalha saí do banho. Em frente ao espelho penteava-me quando ele bateu à porta.

- Posso entrar, meu amor? – ouvi-a a voz dele abafada devido à separação que nos era imposta pela grossa porta de pinho

- Claro … - olhei durante alguns segundos para a porta e vi-o logo entrar, espreitando com a cabeça pela porta entreaberta – Não precisas de perguntar, ó totó!

- Mas é uma questão de respeito… - ele entrou e fechou a porta, juntando-se do meu lado – Podia estar pelada… - ele estava nitidamente a fazer com que eu me risse

- E tu nem nunca me viste despida, nem nada… - rimo-nos os dois

- Não interessa, podia querer sua privacidade! – rematou agarrando-me pela cintura
- Não tenho desses pudores contigo… Quer dizer, não agora! – concluí

Os lábios quentes dele beijaram a minha têmpora e apertaram-me mais contra si.
- Cê tomou banho muito rápido, caraca! – as expressões de David provocavam-me sempre uma enorme vontade rir, não dele, mas da maneira como ele falava. Agitava os caracóis no ar, abanando a cabeça de um lado para o outro, com um sorriso no rosto que tão bem o caracterizava e um olhar terno e meigo, um olhar de David. É aquele jeitinho de menino dele, que me enlouquece e me deixa completamente derretida mas ao mesmo tempo me faz rir, completando-me

- Então não paravas quieto de um lado para o outro, sempre a fazer barulho e eu não estava a conseguir curtir o banho então apressei-me…- confessei pousando a escova sobre a bancada

- Oh me desculpa, gata, mas estava preparando a roupa para me vestir depois do duche… - desculpou-se

- Não faz mal, eu vou vestir-me… Vê se te despachas, ó vaidoso! – desviei-me dele dando-lhe um beijo suave nos lábios e aproximei-me da porta da casa de banho no intuito de sair em direcção ao quarto

- Gata, minha gata… - senti-o puxar o seu corpo contra o seu e sussurrar estas palavras contra a minha nuca ao mesmo tempo que a beijava – Não quer curtir o duche comigo? – foi-me puxando para perto do polibã novamente

- Não te metas com ideias… Acabei de sair de lá! – refilei tentando aproximar-me novamente da porta mas os braços quentes de David que envolviam a minha cintura por trás, não me deixaram

- Vai de novo… - sussurrou ao meu ouvido na sua voz doce e envolvente

- Para quê, ó Mister Caracóis? – perguntei virando-me de frente para ele
- Para curtir o seu banho com calma… Com o seu namorado lindão! – fez o seu jeitinho de menino, agitando os caracóis no ar

- Lindão e convencidão! – brinquei com ele – Vai mas é tomar banho, sim? – dei-lhe um beijo rápido nos lábios e saí na direcção do quarto

Deixei-o na casa e banho e até ouvir a água do chuveiro começar a correr foi uma questão de segundos. A proposta dele era aliciante mas eu sabia que se me juntasse a ele no banho, iríamos prolongá-lo por entre carinhos e beijos. Não é que a ideia não me agradasse mas se queríamos sair para passear não nos podíamos demorar. Mas acabei por ceder, quando ao regressar à casa de banho para ir buscar o meu creme corporal, me deparei com os contornos perfeitos do corpo de David debaixo da água corrente. Ele enxaguava os cabelos e cantarolava sem nunca dar pela minha presença.

- Entre os soluços do meu choro eu tento te explicar, nos seus braços é o meu lugar, contemplando as estrelas minha solidão, aperta forte o peito é mais que uma emoção, esqueci do meu orgulho p’ra você voltar, permaneço sem amor, sem luz… - ele cantava desafinado
Depressa me desembaracei da toalha que me cobri o corpo e me enfiei devagarinho dentro do chuveiro com ele abraçando-lhe o tronco por trás.

- … sem ar! – ele estremeceu com a minha voz no seu ouvido e virou-se imediatamente para mim anulando a distância entre os nossos corpos

- Ué, mudou de ideia? – vi um sorriso de satisfação no seu rosto

- Mudei… Achei que ias precisar de alguém para te lavar as costas… - menti, brincando com ele

- Ah claro, alguém p’ra me lavar as costas… Conta outra, vai! – ri-me

- A verdade é que resolvi aproveitar o banho com o meu namorado, depois da noite que tivemos…

- Correcção! Depois da noite maravilhosa que tivemos – ele deu ênfase à palavra “maravilhosa” e eu corei

Senti os lábios quentes dele procurarem os meus e eu correspondi completamente àquele beijo cheio de sentimento. Ficámos alguns minutos debaixo de água numa troca de carícias e carinhos, quando senti as mãos de David percorrerem o meu corpo com mais fulgor e desejo. Ele saiu do duche durante breves segundos para ir buscar protecção e regressou num instante.
Apertei-o mais contra mim e rapidamente subi para o colo dele, enlaçando as minhas pernas em torno da cintura dele e beijei-o freneticamente ao mesmo tempo que me agarrava aos braços tonificados dele para não cair. Ele pousou as mãos nas minhas nádegas para me segurar e encostou-me contra a parede de azulejos. Por entre beijos e carícias mais atrevidas, David acabou por unir os nossos corpos. A água percorria os nossos corpos e difundia-se com a fina camada de suor que começava a notar-se sob a pele dos nossos corpos esgotados. As nossas salivas misturavam-se na união das nossas bocas e a elas juntava-se também algumas gotas de água do chuveiro. Atingimos o prazer máximo e gememos em surdina.
Se a primeira vez que tinha estado com ele tinha sido especial e inesquecível, a segunda não era muito diferente. Tirando que o nervosismo e os medos já não estavam tão latentes, que o sentido de entrega tinha sido muito maior e muito mais natural e que desta vez tinha sido muito mais prazeroso.
Sorrimos os dois quando ele se retirou do meu corpo, desta vez a sensação de vazio foi menor pois eu sabia que íamos voltar a ser um do outro dentro de pouco tempo.
Pousou-me no chão, envolveu-me num abraço e deixámo-nos ficar mais alguns momentos debaixo da água que corria pelos nossos corpos.

- Te amo… Te amo… - sussurrou-me ao mesmo tempo que me beijava delicadamente nos lábios

Não precisei dizer-lhe mais nada. Pousei a minha mão sob a sua testa e deixei-a percorrer um trilho perfeitamente seguro, o traço que delineava tão perfeito rosto como o dele. Passei a língua levemente nos seus lábios e abarquei-os na minha boca, delicadamente e apaixonadamente. Ele sabia tão bem quanto eu que nada reflectia melhor o nosso amor e qualquer palavra que usássemos para o demonstrar, do que um beijo. Cada beijo que dávamos era especial, inesquecível e inigualável. Nos nossos beijos colocávamos o sentimento que éramos incapazes de descrever por palavras: o nosso amor, uma vez que nenhuma que usássemos lhe fazia justiça.

- Amo-te cada vez mais, sabes? – encostei a minha testa à dele, colocando-me em pontas de pés uma vez que era a única forma de lhe alcançar o rosto

- Acredito, mas não ama mais do que eu! – afirmou decidido

- Eu é que amo mais!

- Que nada, sou eu moleca! – sorriu e beijou-me para me calar

E éramos capazes de ter ficado horas naquilo se ele não me tivesse calado num beijo. Que importa quem ama mais um ou outro, o que importa é que amamos o suficiente para estarmos juntos e para nos estregarmos um ao outro, como fazemos todos os dias, a todos os segundos, com cada carícia, cada beijo, cada olhar e cada sorriso.

- Vamos vestir-nos? – perguntei afastando o meu rosto do dele e preparando-me para sair do duche

- Para quê? Isso daqui tá tão gostoso… - ele voltou a puxar-me para ele e encostou as minhas costas á tijoleira fria que forra o duche

- Ai! – gemi de dor ao sentir o frio dos azulejos contra a minha pele a escaldar da água e do momento que vivera com David e automaticamente afastei-me deles, aproximando-me consequentemente mais de David

- Desculpa… - pediu sorrindo e agarrando-me pelos quadris

- Não faz mal…- senti ele abraçar-me novamente, sabia que ele queria prolongar aquele momento e ficar assim, durante mais alguns segundos, minutos talvez, quem sabe até horas - David… Vá lá! – enterrei a minha cara no pescoço dele – Já estou a ficar engelhada… - constatei ao ver a minha pele dos dedos toda encarquilhada devido ao prolongado tempo a que estava exposta à água

- Me mostra vai, minha queixinha! – ele agarrou-me na mão julgando que eu apenas dava aquela justificação para sairmos rapidamente do chuveiro – Ué, tá mesmo! Vamo sair daqui senão daqui a nada minha namorada fica congeladona! – gozou comigo
- Acho bem, Senhor David Marinho! – tentei manter um ar sério mas rapidamente me desfiz em gargalhadas

Ele saiu do duche à minha frente, agarrou numa toalha que usou para envolver a sua cintura e agarrou uma outra que usou para me envolver carinhosamente. Em seguida retirou-me de dentro do chuveiro, elevando-me a escassos centímetros do chão e apenas me pousou quando já estava do lado de fora.

- Depois diz que eu não te trato bem… - deitou-me a língua de fora

- Quando queres… Quando queres… - sorri, entrelacei os meus dedos nos dele e dei-lhe um beijo rápido nos lábios antes de seguirmos para o quarto

***

- David, já viste as horas? – perguntei ao agarrar nos meu telemóvel sob a mesinha de cabeceira e ao constatar as horas no mesmo – Já é tarde para irmos passear…

- Tarde que nada, temos o dia todo! – disse ao mesmo tempo que vestia a boxers
- O dia todo não é bem assim… Logo à noite tenho de ir jantar com os meus pais – relembrei-o ao mesmo tempo que abria a primeira mensagem das três que tinha recebido

Sentei-me na cama para ler as mensagens calmamente mas depressa senti o corpo de David atrás de mim, as suas mãos percorrerem-me os omoplatas e os seus lábios percorrerem-me a nuca com beijos.
“De: Mãe
Espero que tenhas chegado bem a casa, adorei ver-te feliz com o David. Adoro ver a minha filhota assim toda contente :) O pai e eu esperamos-te para jantar, traz o David se ele puder vir. Beijinhos. Amo-te muito filhota linda!”

Respondi-lhe.

“Para: Mãe
Sim, mãe, cheguei bem. Desculpa não ter dito nada mas chegámos muito tarde a Lisboa. Ainda bem que gostas de me ver assim feliz, isto há-de durar por muito e muito tempo se Deus quiser! Lá estarei mas duvido que o Dê possa ir, amanhã viaja cedo para o estágio em EUA, mas eu vou! (: Beijinhos também te amo muito, mãe linda! “

- Deus há-de querer… Deus e nós! – rematou David no meu ouvido

- Deus já quis no momento em que cruzou as nossas vidas e traçou o nosso Destino num só! – sorri-lhe e senti-o estremecer com as minhas palavras

Abri a mensagem seguinte.

“De: Bianca
Minha princesa, já comecei a embalar as minhas coisas… Depois das férias mudo-me lá para casa, espero que já esteja tudo bem contigo e com David. Beijinhos, Te Amo un motón! :D “
Respondi-lhe imediatamente, com a cabeça de David, sempre muito atento pousada em meu ombro e com as mãos dele e os lábios dele acariciando-me no pescoço e costas despidas.

“Para: Bianca
Olá princesa, ainda bem que começaste a embalar as tuas coisas, estou louca para dividir casa contigo. Vai ser a loucura :b E sim já está tudo bem comigo e com o David, vou de férias amanhã para o Algarve, mas vou dando noticias, Beijinhos. Amo-te muito, minha princesa! :D ”

Abri a última mensagem, que era da minha melhor amiga.
“De: Débora
Ó gorda da minha vida, desde que te chateaste com o teu zuca no casamento do priminho não me disseste mais nada, estou preocupada contigo :S Vê lá se dás à costa ou então vou ver-me obrigada a rumar a Sul sem a tua maravilhosa companhia, e assumamos que não seria a mesma coisa uma vez que aquilo é demasiado gajo só para mim :b Até porque estás de dieta mas nada te impede de ver o menu! :) Quando puderes liga-me para combinarmos o que falta. Beijão @ Te amo munto! :D “

“Para: Débora
Ó minha feiosa, desculpa não ter dito nada mas sabes como são os casamentos da minha família, uma autêntica agitação! Claro que dou à costa, podes contar comigo para as melhores férias do MUNDO!! Vai ser uma semana de muita farra e diversão mas sabes como é por muito engraçadinhos que os rapazinhos sejam só tenho olhos para o meu caracolinhos. E tu vê lá se ganhas juízo que és comprometida, sim? :b Logo ligo-te para combinarmos melhor o que falta. Beijos ^.^ Amo-te muito! “

- Não tou gostando nada dessa conversa da Débora, tá querendo desviar a minha namorada por maus caminhos… - refilou levantando-se e continuando a vestir-se

- Não sejas assim, ela está na brincadeira, sabes bem como ela é…- defendi-a

- É mas eu acho melhor, cê vir comigo p’ros Estados Unidos, ao menos lá eu tenho olho em você e não fico lá pensando em quantos babacas ficam olhando minha namorada… - eu vi que eles estava a ficar claramente com ciúmes

- Deixa de ser totó, sim? Eles vêm, tu tens! – sorri-lhe

- Tá bom, tá! Se antes eu já ia ficar ligando e mandando torpedos p’ra você a toda a hora, depois desse aliciamento de sua melhor amiga não vou largar você nem um minutinho! – reforçou vestindo a t-shirt

- Já disse que podes ligar e mandar mensagens sempre que quiseres que eu hei-de estar sempre disponível! Além disso mesmo que eu não te diga o que ando a fazer com toda a certeza as revistas irão fazê-lo por mim uma vez que a proposta de gravar o CD nos estados unidos já saiu em todas as revistas. “Talento português brilha nos EUA” – relembrei a manchete de uma revista cor-de-rosa de há um mês atrás, eles conseguiam ser tão enjoativos e mal eles sonhavam que eu era namorada do defesa central brasileiro do Benfica

Mas ainda bem que assim era, se eu ia sair nas revistas que fosse por mérito próprio e não por ser simplesmente a namorada de um jogador de futebol.
No aniversário de David recebi o telefonema do gabinete do Diddy e claro que num país tão pequeno como Portugal, isso era algo em grande, especialmente quando a oferta era feita a uma aluna de 17 anos de uma escola de Artes Portuguesa. Tinham-me dado uma semana para responder à oferta e assim o fiz. Assinei contracto e desde aí que o correspondente da agência em Portugal me tinha lançado em algumas revistas, pequenas actuações e agora preparava a gravação do meu álbum que ainda não tinha data definida. Por isso tive de ver a minha cara, uma vez ou outra, estampada nas revistas cor-de-rosa, recheadas de mentiras e invenções e comigo a história era mais ou menos a mesma coisa. Escreviam coisas sobre mim mas também não se coibiam de publicar algumas mentiras, coisas sem fundamento como uma vez em que publicaram que eu era namorada há cinco anos do meu colega de curso Diogo e que este também tentava ingressar no mundo da música. Já não me importava com aquilo e se não me dissessem que eu lá aparecia eu nem saberia pois não me dava ao trabalho de as comprar.

- Cê sabe que eu prefiro saber as coisas por você… As revistas contam muitas mentiras!

- Sim é verdade, mas nunca se sabe até que ponto essas mentiras podem abalar as nossas vidas mas até agora nunca te dei razões para desconfiar pois não?

- Não, não deu! Cê sabe que eu confio em você senão a gente nem tava junto! – ele relembrou-me um principio que nos era comum, a base de qualquer relação é a confiança

- Ainda bem que pensamos da mesma forma… - sorri-lhe e continuei a vestir-me

Tirei da minha mala de viagem uma roupa simples, uns jeans claros e com uns rasgões, uma t-shirt vermelha do Mickey e uns ténis da mesma cor. Senti-me fresca e simples, aquela era eu e David já se tinha habituado ao meu lado mais de menina.

Aproximei-me dele para lhe dar um beijo, o que me foi difícil devido à diferença de alturas e rapidamente ele se apressou a gozar.

- Oh amô, cê é mesmo meia lecazinha… - ria-se perdidamente

- Meia lecazinha?! – a minha boca abriu-se em sinal de espanto adivinhando um dos meus falsos amuos – Está bem, David Luiz, a conversa fica por aqui! – virei-lhe costas mas senti o corpo dele imediatamente a abraçar-me por trás

- Oh Adrianinha não faz assim não… Te amo tanto, tanto! – ele dava-me graxa, gozava comigo mas eu adorava aquelas brincadeiras de miúdos que tão bem conotavam a nossa relação

- Adrianinha o escambau! Trata-me pelo meu nome decentemente está bem? – afirmei numa expressão séria que não o convenceu minimamente, uma vez que ele se desmanchou a rir e eu juntei-me a ele.

- Me desculpa, mas cê fica uma gracinha assim pequenininha! – fez-me uma caricia na cara e deu-me um leve beijo no canto da boca

- Não tenho a culpa de ter herdado o gene de pequenez da minha mãe… Mas eu gosto de ser assim pequenina!

- Eu também gosto muito, fica maior gracinha! – roubou-me um beijo sem sequer me dar hipótese de refilar novamente com ele

- Isso cala-me com beijos! – refilei
- Calo mesmo! – deu-me uma série de beijos repenicados, mas sentidos, nos lábios e eu estremeci

- Então e depois de tanto mimo, vamos fazer o quê amor? – perguntei sorrindo
- Eu tenho ainda de fazer a minha mala p’ra amanhã viajar ou se esqueceu?

- Hum, é verdade… Deixa que eu ajudo-te! – ofereci-me

- Nada disso, quero aproveitar todos os segundinhos com você depois a gente pensa nisso, tá? – acenei-lhe positivamente com a cabeça e imediatamente o rosto dele formou um sorriso perfeito e escancarado

- E vamos onde, amor?

- Não sei, quer fazer o quê?

- Não sei, mas estamos nas férias de verão e os sítios públicos vão estar cheios, quero evitar confusões e a hipótese de sermos apanhados, amor… Podemos ir dar um passeio por um sítio mais recatado, sei lá!

- Por onde? – perguntou sem qualquer ideia
- Olha, já sei! Podíamos ir a Sintra, à Quinta da Regaleira, aquilo é lindo… - senti a minha voz distanciar-se assim como o meu pensamento

- Não conheço, não!

- Não? Vais adorar, aquilo é lindo… Já lá estive imensas vezes

Eu e o David acabámos por seguir para um passeio prolongado pela Quinta da Regaleira, trocámos mimos, passeámos de mão dada e ainda tirámos algumas fotos, sem que ninguém o abordasse para pedir um autógrafo, um beijinho, ou qualquer outra coisa. Depois do nosso passeio acabámos por nos dirigir a um restaurante muito simpático em Sintra, onde comemos qualquer coisa leve devido às horas a que terminámos o nosso passeio pela Quinta, quer dizer eu comi porque para David nenhuma refeição é leve.
Acabei por conseguir convencê-lo a jantar em casa dos meus pais mas não sem antes passarmos em casa dele para eu o ajudar a fazer a mala. Daí seguimos para casa dos meus pais, claro que o meu pai, e para não variar sempre que se reunia com o David, usou mais de uma hora do jantar para falar de como o futebol português estava e como o lastimável estado do seu Sporting o deixava aborrecido. Quase que subornava o David para o convencer a ir prestar serviço à equipa contrária, claro que isso acabou por ser motivo claro que risada, uma vez que o meu pai estava em desvantagem numérica de três benfiquistas para um lagartão.
Despedimo-nos dos meus pais e pedi a David que me levasse a casa, como já era hábito.
- Tá entregue, gatinha…- roubou-me um beijo rápido apenas nos lábios

- Obrigada, amor e desculpa ter-te dado trabalho, que amanhã tens de acordar cedo… - torci o nariz desculpando-me

- Não se preocupa não… Mas de facto cê podia ter facilitado tudo se tivesse dormido em minha casa… Juntinho de mim… - ele fazia uso da palavra “juntinho” para a situação em que estávamos e cada vez colava mais e mais o seu corpo ao meu

- Podia não podia? – fiz uma breve pausa – Mas não era a mesma coisa! – o sorriso no seu rosto desvaneceu-se – Esta é a minha casa, aquela é a tua casa, por isso não fiques mal habituado, já dormimos juntos umas férias inteiras no Brasil e mais estes dias…

- Hum, tá bom mas não me culpa por ficar mal habituado mas foi tanto tempo que acho que já nem sei dormir sozinho…- ele coçou a cabeça ao mesmo tempo que a sua face expressou o estado de vergonha em que se encontrava

- Claro que sabes, e senão sabes habituas-te outra vez, sim?

- Oh mas era só mais hoje… Antes de eu ir embora, vamos ficar quinze dias sem nos vermos…
- Passam a correr, se aguentámos um mês aguentamos quinze dias… - tentava minimizar a situação mas eu sabia que me ia custar ficar este tempo todo separada dele mesmo que ele estivesse constantemente a mandar mensagens e a ligar-me, nunca daria para compensar a saudade e o vazio que ele deixava com aquela partida

- Fala por você, acho que largo o estágio no meio e venho correndo p’ra cá! – fez um sorriso safado

- Não digas disparates, sim? – passei-lhe a mão levemente no rosto – Agora vai andando, que amanhã tens de estar cedo no aeroporto
- Vou morrer de saudades suas… - afirmou cabisbaixo
- Ó amor, vá lá! Não faças isto… Odeio despedidas – era a verdade, detestava despedidas, traziam um sabor agridoce. Doía saber que ficaria separada dele tanto tempo mas saber que de dentro em breve o teria de novo em meus braços acalmava-me
- Não é despedida, é um até já! A gente se vê daqui a quinze dias, sim? – sorriu-me

- Sim! – suspirei e sorri, tentando parecer o melhor possível pois eu sabia que por si só a situação já era difícil para ele

Sabia que lhe custava tanto a ele partir vendo-me ficar, como me custava a mim ficar, vendo-o partir.
Os lábios dele precipitaram-se na minha direcção no intuito de me roubar um beijo, o último, o último de quinze dias. Quando os lábios dele esborracharam os meus, o meu coração mirrou, ficou pequenininho e reduzido a batimentos leves no canto esquerdo do meu peito. Senti as lágrimas turvarem-me os olhos por debaixo das minhas pálpebras cerradas e controlei-me por não chorar. Para quê dificultar uma situação que por si só já era difícil?

- Vá, vai lá! – senti a voz falhar-me e rezei para que ele não percebe-se
- Me espera… - pediu agarrando-me o rosto com as duas mãos

- Espero… Claro que espero… - sorri e roubei-lhe um último beijo – Vá, agora vai… - ordenei quando senti que estava a chegar ao meu ponto de ruptura e quando o atingisse seria impossível controlar-me

Ele beijou-me novamente e virou-me costas. Por entre a penumbra do corredor da minha casa, pareceu-me ver os seus olhos brilharem devido às lágrimas que eu julgava que ele estava a conter com muito esforço. Ainda chamei por ele, mas tão seguro dos seus passos, permaneceu seguro do seu caminho. Abriu a porta, saiu, olhou uma última vez para trás, acenei-lhe e soprei um beijo, e ele entrou no elevador. Agora só dali a quinze dias…

15 comentários:

paula. disse...

onde é que eu já vi essa moleca, ein?

adorei, gata de mi vida! <3

Ana disse...

lindo...

quero mais...

continua...

cda vez ta melhor...

Elsa disse...

AIAIAIAI...não sei o que dizer!!!

AMEI...ADOREI...QUERO MAIS...

Beijocas mha linda

Anónimo disse...

Continua estou a adorar :p

AnOcas disse...

LINDOOO Dri +.+


quero mais eheh :P

DiiDii disse...

QuerO maiis!! =D

AgOra vãO cOmeçar as saudadesa apertar!! =P

COntiinua...

BjnhOo

Anónimo disse...

Amei!! Lindo como sempre!
Beijinho

Anónimo disse...

valeu apena a espera por um novo capitulo, ADOREI,LINDO
continua
biejinho

Anónimo disse...

adriana como tu cativas uma pessoa, a maneira como tu escreves faz com que as pessoas vivam a historia... eu tb fiquei com lagrimas nos olhos... enfim mais um capitulo amazing.
ass: kelly^.^
Obrigada

Anónimo disse...

Lindo *.*
Mais :D

Bianca. disse...

Este cap foi mesmo wowww +.+
Ameiii mesmo!!
Continua, Princesa ^^
Beijinhos <3<3

Baunilha & Chocolate disse...

Fanfic da Marie, que outrora estava a ser publicada no seguinte blog : www.david--luiz.blogspot.com , já se encontra online no blog " Baunilha & Chcolate".

Visita e deixa a tua opinião, não irás ficar indiferente :')

www.baunilha--chocolate.blogspot.com

Luara Quaresma disse...

Quanta intensidade!

Anónimo disse...

ABSOLUTAMENTE FANTÁSTICA ADRIANA!
parabéns , continua :D

Sóh Isabel disse...

driii adorei

informo a todas as seguidoras da fanfic O Destino 23 que alguem me hackeou a conta e apagou o blogue :'(
por isso tenho estado tanto tempo sem postar
assim sendo criei outra http://23amorunico23.blogspot.com/
Espero que sigam aderindo
Obrigado

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