Custou-me a adormecer sabendo que o dia seguinte me iria trazer uma realidade diferente daquela que tinha vivido nos últimos dias. Eu sabia que aquele era o trabalho de David e ele tinha obrigações, mas por muito curto que o afastamento dele fosse, provocava sempre saudade. Quando amamos, não é necessário estar sempre por perto de quem amamos, a toda a hora, a todo o segundo, porque isso sufoca ambos e pode acabar por matar o sentimento. Mas quinze dias não eram um par de horas ou de dias, era muito tempo, pelo menos mais do que aquele que eu estava disposta a manter-me afastada.
Ainda antes de adormecer mandei mensagem à Débora e combinámos rumar a Sul antes do almoço e finalmente acabei por adormecer logo após ela me responder à mensagem. Mas o meu descanso não durou muito mais do que um par de horas, o meu telemóvel vibrou sobre a mesinha de cabeceira e eu despertei.
Ainda antes de adormecer mandei mensagem à Débora e combinámos rumar a Sul antes do almoço e finalmente acabei por adormecer logo após ela me responder à mensagem. Mas o meu descanso não durou muito mais do que um par de horas, o meu telemóvel vibrou sobre a mesinha de cabeceira e eu despertei.
“De: David
Já falei p’ra você que te amo e que vou morrer de saudades suas? :$”
Aquela mensagem, para não fugir à regra e apesar do meu abençoado estado de ensonada, colocou-me um sorriso no rosto. Clarifiquei o olhar e com a mão tapando os olhos para a luz do visor do telemóvel não me ferir a vista, respondi-lhe.
“Para: David
Sim, por acaso já falaste, mas eu adoro ouvir isso, vezes e vezes sem conta :b
Não são horas de já estares a dormir, amor? Amanhã tens voo muito cedo..”
A resposta dele não tardou em chegar.
“De: David
Sim, já devia estar a dormir, mas estou sem vontade nenhuma… Não consigo parar de pensar que eu vou e você fica, não sei como vou aguentar tanto tempo longe de você! :S
Mas tem razão, vou fazer um esforcinho para dormir, beijos, minha gata!
Te um amo um montão, moleca :D ”
Sorri ao ler a última frase da mensagem, aquecia-me o coração e dava-me alento para suportar aquela distância que no dia seguinte ainda se tornaria maior.
“Para: David
Vais aguentar, sim! Se eu aguento tu também, meu anjo…
Dorme bem e boa viagem! Beijinhos ^.^
Amo-te muito, caracolitos :D “
Voltei novamente a adormecer quando o relógio já ia noite dentro, mas não sem antes colocar o despertador para cedo, havia uma coisa que eu tinha mesmo de fazer.
***
Acordei quando o despertador do meu telemóvel tocou irritantemente até me fazer levantar. Corri até à casa de banho do meu quarto, tomei um duche muito rápido, o que não era nada normal e vesti-me a um ritmo alucinante o que também não era nada normal em mim, excepto quando estava atrasada para as aulas, o que raramente acontecia
. 
Chamei um táxi e desci até à portaria do meu condomínio, o táxi demorou algum tempo o que só contribuiu para o aumento da minha ansiedade louca.
O meu telemóvel vibrou na minha mão e rapidamente li a mensagem de David.

Chamei um táxi e desci até à portaria do meu condomínio, o táxi demorou algum tempo o que só contribuiu para o aumento da minha ansiedade louca.
O meu telemóvel vibrou na minha mão e rapidamente li a mensagem de David.
“De: David
Bom dia, meu amor… Espero não ter acordado você. Mas cheguei agora no estádio p’ra seguimos p’ro aeroporto. Não devo ter possibilidade de falar mais com você até aterrar. Mal possa te ligo. Monte de beijos! Te amo muito ♥”
Não lhe respondi pois vi o táxi que chamara há mais de quinze minutos dobrar a esquina e parar mesmo na minha frente. Com a mesma rapidez que saí de casa, enfiei-me no táxi e informei o condutor do meu destino.
Em meia hora ele deixou-me no aeroporto. Estava quase em cima da hora e se me queria despedir de David só me sobravam quinze minutos para o encontrar e o fazer.
Marquei o número do Ruben e quando ouvi a voz dele do outro lado, iniciei a caminhada para entrar no aeroporto.
Bom dia, meu amor… Espero não ter acordado você. Mas cheguei agora no estádio p’ra seguimos p’ro aeroporto. Não devo ter possibilidade de falar mais com você até aterrar. Mal possa te ligo. Monte de beijos! Te amo muito ♥”
Não lhe respondi pois vi o táxi que chamara há mais de quinze minutos dobrar a esquina e parar mesmo na minha frente. Com a mesma rapidez que saí de casa, enfiei-me no táxi e informei o condutor do meu destino.
Em meia hora ele deixou-me no aeroporto. Estava quase em cima da hora e se me queria despedir de David só me sobravam quinze minutos para o encontrar e o fazer.
Marquei o número do Ruben e quando ouvi a voz dele do outro lado, iniciei a caminhada para entrar no aeroporto.
- Olá, minha feiosa. Acordada a estas horas? – ele parecia demasiado bem disposto para quem tinha acordado tão cedo
- Olá, feio! Sim, acordada a estas horas e já há algum tempinho…
- Então e ligaste-me para quê? – perguntou visivelmente curioso
- Para ouvir a tua linda voz… - gozei
- Oh, ligaste para te despedires de mim? Oh estás feita uma fofinha, o brasuca anda-te a fazer bem… - gozou comigo
- Não digas disparates, sim? É claro que não liguei para me despedir de ti, mas sim para te pedir um favorzão! - o meu tom de voz alterou-se à medida que a frase avançou
- Eu sabia que este telefonema trazia água no bico! Só me ligas quando precisas de favores… - fingiu-se amuado mas eu conseguia já distinguir muito bem os seus amuos dos seus falsos amuos, mesmo por telefone
- Não sejas assim, preciso mesmo que me ajudes! – fui firme e sucinta naquilo que disse, pelo menos o suficiente para ele entender que falava muito a sério
- Vá diz lá o que queres… É que não sei se sabes mas estou a quinze minutos de apanhar um avião para os Estados Unidos…
- Sei, claro que sei! O problema é mesmo esse… Preciso que me digas onde estão e que me arranjes maneira de chegar aí... Por favor! – implorei
- Ó linda, não me podias ter pedido isso antes, agora é muito em cima da hora… - a voz dele estava receosa
- Por favor, Ruben. Quero despedir-me do Dê e quero que seja surpresa!
- É assim, nós já estamos na sala privada à espera de embarcar, o máximo que posso fazer é pedir a alguém que te vá buscar, mas já não tens muito tempo…
- Então faz isso! – pedi imediatamente
Ele deu-me as instruções onde me iriam buscar mas quem acabou por aparecer foi ele.
- Finalmente! – praguejei assim que o vi
- Calma, sim? Tive de pedir a Mister se podias entrar lá…
- Mas não disseste nada ao David, pois não?
- Descansa que não disse nada, nem o Mister, avisei-o que era surpresa. Eu não sei o que é que fizeste ao homem mas ele adora-te!
- Deixa de ser parvo e leva-me lá de uma vez por todas! – pedi desesperada
Ele agarrou-me na mão puxando-me e entrámos nuns corredores de acesso que estavam vazios, ao fim de alguns cruzamentos avistei uma porta ladeada por dois polícias. Não foi difícil adivinhar que estava próxima do plantel encarnado.
- Ele está uma pilha de nervos porque não lhe respondes-te à sms, aviso já… - alertou-me antes de abrir a porta na nossa frente
Aquela sala estava numa perfeita barafunda. Ouvia-se um burburinho de fundo dominado pela voz da senhora que comunicava os embarques e fazia a chamada para os voos.
Ouvi umas gargalhadas prazerosas percorrerem a zona da entrada da sala, eram Aimar e Javi que falavam descontraidamente. Do lado direito da sala estavam o Mister e Rui Costa que numa postura formal mas mais descontraída trocavam dois dedos de conversa. E para cada canto que olhava tentava ver David, mas nada dele. Reconhecera todos os seus colegas mas dele nem sinal. Foi Ruben que me deu uma suave cotovelada no braço e fazendo um trejeito com a cabeça indicou-me uma direcção. O meu olhar seguiu-a e dei de caras com David, no fundo da sala, sozinho e sentado num banco sem largar o telemóvel.
- Eu disse-te que ele estava uma pilha… - relembrou-me Ruben ao meu ouvido
- Se calhar não devia ter vindo, só vou fazer pior… - eu queria dar-lhe um beijo antes de ele partir mas não queria dificultar uma despedida que por si só já o era
- Não digas disparates, acho que ele vai preferir uma despedida à séria do que uma mensagem… - o sorriso familiar de Ruben deu-me segurança
Agarrei no meu telemóvel e enviei uma mensagem a David.
“Para: David
Sabes que nervoso, ficas uma gracinha? :b Pensei em despedir-me de ti em condições, e que maneira melhor de o fazer do que ao vivo e a cores? Que me dizes? ”
Um sorriso iluminou-me o rosto assim que enviei a mensagem e o vi agarrar no telemóvel. As mãos tremiam-lhe e muito a custo vi-o finalmente ler o corpo da mensagem. Primeiramente ele ficou meio atónico a olhar para o visor do telemóvel, acho que a mensagem não lhe foi logo perceptível, vi que ele a releu novamente e aí levantou a cabeça a olhou em todas as direcções em seu redor. Arrumou o telemóvel no bolso do casaco e continuou a sua busca pela sala que estava relativamente cheia.
Os movimentos rotativos da sua cabeça pararam assim que o seu olhar cruzou o meu, ele abriu e fechou novamente os olhos, deve ter achado que não estava a ver bem, que não era eu. Mas assim que voltou a abrir novamente os olhos, eu acenei-lhe ternamente e vi um sorriso do tamanho do mundo iluminar-lhe o rosto. Avancei na direcção dele num passo calmo mas ansioso e ele levantou-se do banco caminhando também na minha direcção. Ele estava muito bonito. Os seus caracóis rebeldes perfeitamente alinhados, os seus olhos mais claros que nunca, devido ao Verão e o fato do clube que lhe assentava perfeitamente e realçava a sua boa forma física.
O meu sorriso foi-se intensificando à medida que me aproximava dele, assim como o brilho no olhar dele também foi crescendo assim que a distância que nos separava diminui-a. Finalmente encontrámo-nos quase perto dos bancos onde ele estava sentado. Abraçámo-nos sem dizer uma única palavra. Eu pus-me em pontas de pés, os braços dele envolveram a minha cintura e os meus a sua cabeça e pescoço, e enterrámos as cabeças nos pescoços um do outro. Aquela era a última recordação que eu queria ter de David para aqueles quinze dias que se seguiam: o seu cheiro.
- Não tou acreditanto… - a voz dele era abafada contra a minha pela
- Podes acreditar, podes acreditar… - sussurrei e finalmente ele deixou-me encarar o seu rosto
- Cê é louca! Como cê entrou aqui? Porque não me disse que vinha? – ele bombardeou-me com perguntas enquanto me segurava contra si e eu permanecia em pontas de pés
- Tem calma, sim? Eu quis fazer-te uma surpresa e além disso decidi à última da hora, amor… Foi o Ruben que me ajudou a entrar aqui, foi-me buscar à entrada. – sorri-lhe ternamente
- Aquela babaca sabia e não me disse nada. Disse que tava falando com a mãe no telefone e que ia no banheiro. Ah depois eu mato ele! – ri-me com a expressão de David
- Não podia deixar-te ir, sem um beijo decente… - passei-lhe a mão levemente no rosto
- Então me dá esse beijo, vai! – pediu num sorriso safado
Aproximei a minha boca da dele e uni-a à dele muito calmamente. As nossas bocas exploraram momentaneamente a boca um do outro mas fomos interrompidos pela voz da senhora. “Primeira chamada para o voo Lisboa – Nova Iorque, na pista 4. Primeira chamada para o voo Lisboa- Nova Iorque, na pista 4”
Quebrámos imediatamente o beijo e o meu rosto desfez-se. Era ali que ia ter de me despedir dele.
- Não fica assim, volto logo, logo… - prometeu agarrando-me no rosto
À nossa volta todos começavam a agarrar nos seus pertences mais pessoais e a rumar à porta de embarque, senti um enorme nó formar-se na minha garganta e achei que não devia ter vindo, estava a piorar aquele momento.
- Eu sei, eu vou estar à tua espera, aqui, daqui a quinze dias… - falei pausadamente
Senti a saudade apoderar-se de mim e ele ainda nem tinha partido, controlei as minhas lágrimas pois não queria que ele se sentisse pior por partir e por me deixar ali. Mas muito calmamente a água rasou os meus olhos e estes preencheram- se de uma vermelhidão discreta.
- Pô, não chora… Assim não vou ser capaz de deixar você aqui…- a voz dele arrastou-se
- Desculpa…- sussurrei baixinho com as lágrimas a travarem-me a voz, sufocando-me
“Bora lá pessoal!” – a voz de Jorge Jesus fez-me ouvir por toda a sala, ele chamava os rapazes que ainda não tinham entrado
Senti-me ir abaixo com a chamada do treinador e David pressentiu isso, abraçando-me contra si, com força.
O corpo quente dele aqueceu o meu e deixei-me chorar durante segundos contra o seu peito.
- Vou ter saudades tuas… - disse por entre o choro
- Eu também… Muitas! – afirmou convicto mas a sua voz falhou na última palavra
Quando o encarei, os seus olhos castanhos claros, raiados de verde, estavam circundados por pequenos veios vermelhos, percebi que ele se controlava por não chorar.
- Não, chora não… - pediu-me ao mesmo tempo que me enxugava as lágrimas com os seus polegares e eu assenti-lhe positivamente com a cabeça
Abracei-o mas fomos novamente interrompidos pela voz da última chamada para o voo que foi reforçada pela voz do treinador adjunto – “David, temos de ir!”
Permanecemos abraçados mais alguns segundos, beijei-o no pescoço, nos ombros, no maxilar e por fim nos lábios. O meu choro já estava controlado.
- Promete que não te esqueces de mim… - pedi quando os nossos rostos ficaram frente e frente
- Impossível, mesmo que eu quisesse… – esboçou um sorriso sincero
Senti-me mais calma e serena, estava mais segura daquela separação e de que por ser a primeira por motivos profissionais é que estava a custar tanto.
- E você promete que espera por mim… - pediu segurando-me no rosto
- Prometo! – sorri ao mesmo tempo que enxugava as lágrimas que me cruzavam o rosto e me delineavam os traços perfeitamente – Vá, agora vai! – ordenei puxando-o pela mão para junto da porta de embarque – Quando chegares, diz qualquer coisa, mesmo que já seja tarde, só para eu ficar descansada… - pedi já frente a frente com ele
- Eu digo! – afirmou seguro e roubou-me vários beijos rápidos nos lábios – Vou levar você no coração…
- Tu nunca vais sair do meu… - murmurei com o meu rosto colado ao dele
- E não se esqueça: a distância impede que eu te veja, mas não impede que eu te ame, viu? – aquelas palavras acertaram em cheio no meu coração, estava preparada para o deixar ir
Beijei-o rapidamente até ouvir o treinador adjunto chamar uma última vez por ele. Ele sorriu-me, agarrou nos seus pertences pessoais, roubou-me um último beijo e entrou pela porta de embarque lado a lado com o treinador adjunto. Ele ainda se virou para trás procurando-me, eu acenei-lhe uma última vez com um sorriso no rosto e virei costas. Não olhei mais para trás e percorri o caminho que Ruben usara para me trazer até ali. Saí daquele aeroporto mais vazia, menos eu… Mas nem por isso menos amada e disso eu tinha a certeza.
Apanhei um autocarro que me levou a casa, coloquei as minhas coisas junto à porta e esperei que Débora me mandasse mensagem para que descesse.
Apanhei um autocarro que me levou a casa, coloquei as minhas coisas junto à porta e esperei que Débora me mandasse mensagem para que descesse.
“De: Débora
Gorda, estou cá em baixo no carro à espera, despacha-te que eu não quero chegar muito tarde lá a baixo... Beijinho, até já! :)”
Coloquei a minha mochila às costas, agarrei na troley e desci o meu prédio. Entrei no carro onde a Débora me esperava impaciente, com uma certeza: fosse onde fosse, naquela pequena jornada uma coisa eu teria sempre como certa e sempre no meu coração: o homem da minha vida, David.
14 comentários:
Amei. Tu sabes bem o que acho desta fic. E um simples comentário não o descreve.
Eles são tão queridos, fiquei babada a ler isto.
Aiii ler isto depois da "nossa conversa" deixou-me enternecida! xDD
Amei, Adriana, Amei mesmo!!! Tá tão lindo +.+
AMEIIII
Continua, Princesa!
Beijo <3<3
quero mais...
continua...
cada vez ta melhor...
Adorei Drii :o
Aquela parte em que ela descreve quando começa a chorar está brutal!
Parabéns! Beijinhos*
Está tao lindooooo *.*
Entao a despedida uih uih (L)
Quero mais...
Beijinho*
Parabéns dri , continua :D
Está fantástica !
Tu és incrível adriana!
A tua escrita é fantástica, força :)
Tá tão bonito :D
Continua a escrever assim.
Eles são tão fofos *.*
Bem tu já sabes a minha opinião, já te disse qual era quando me mostras-te o capítulo :D
Sabes o quanto amo ler o que escreves, tens de facto um talento nato para a escrita
Continua minha linda
Adoro-te
Beijocas
QuerO maiis!! =DD
GOstO muiitO!!
COntiinua...
BjnhOo
Bem ler um capitulo teu é sempre uma emoção.
É mesmo especial o que escreves. Muito obrigado.
Continua
Beijinhos
Absolutamente perfeito!
AMEI :$
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