sábado, 30 de abril de 2011

Capítulo 107 – Finalmente nos 18 (Parte III)


O resto do meu dia de anos foi muito calmo e passado, única e exclusivamente com David. Os dias de Novembro escasseavam e aproximávamos a passos largos do Natal. Os primeiros planos começavam a ser traçados, as primeiras prendas a serem compradas e as primeiras decorações a serem colocadas na capital portuguesa. O David continuava determinadíssimo em passar o Natal em Lisboa comigo e não me sobrava outra opção, sem ser a de fazer à Dona Regina, o tão prometido telefonema, e pôr o meu plano em prática.

- Alô, minha filha! – a voz animada dela surgiu rapidamente do outro lado do telefone

- Olá, Dona Regina! – cumprimentei com um sorriso no rosto

- E aí, minha filha? Tava esperando seu telefonema desde do seu niver!

- É verdade, mas até lá ainda pensei que o teimoso do seu filho mudasse de ideias, mas como não mudou, vou ter de pôr o meu plano em prática! – brinquei rindo-me

- O que é que esse menino anda fazendo dessa vez?!

- Nada, Dona Regina… Mas meteu na cabeça que como eu não vou ao Brasil passar o Natal, que ele vai passa-lo cá comigo… Mas eu não me sinto bem com isso! Afinal ele está habituado aos pais e não deve ficar cá sem os senhores e ainda por cima por minha causa!

- Oh, mas fazer o quê? Esse menino é cabeça dura, minha filha… Desencana! Com ele cê não vai ganhar, ele quando enfia uma na cabeça, ninguém muda isso! Mas a gente não se importa que ele fique aí com você…

- Mas importo-me eu, Dona Regina! Afinal pais são pais… Então eu pensei, se Maomé não vai á montanha, a montanha vem a Maomé!

- Como assim, minha filha?

- Então, pensei que a Senhora e o seu marido, podiam vir cá passar o Natal… Assim eu ficava com a minha família, o David com a dele, mas estávamos juntos!

- Cê pensou mesmo no assunto, minha filha…

- Pensei… Mas pensei também que queria fazer disto uma surpresa para o David! Ele merece, mais do que ninguém ele merece!

- Minha filha, por mim podem contar connosco! A Belle vai mesmo passar o Natal com a família do Leandro por isso, eu e o Lau íamos ficar aqui sozinhos com o David, se ele viesse…

- Então posso preparar mais dois pratos na mesa para os senhores? – eu fiquei louca de felicidade, ia conseguir passar o Natal com a minha família, mas ter David do meu lado

- Pode sim! – notei também um certo entusiasmo na voz da Dona Regina

- Mas há um senão, Dona Regina… - disse meio a medo

- Que foi, minha filha?

- É que vamos passar o Natal com a minha família toda… Ou seja os senhores vão conhecer os meus pais…

- Vamo’? Óptimo, ‘tava louca para conhecer os dois seres humanos fantásticos que educaram uma menina linda que nem você!

- Oh, muito obrigada, Dona Rê! Então vou providenciar as passagens, e eu estarei lá para os ir buscar quando o voo chegar! Garanto! – sorri entusiasmada com a ideia

- Tudo bem, minha filha… Vai ficar sendo um segredinho só nosso e do Lau! Cuida bem do meu filho, beijo!

- Beijo para a Dona Regina e para o Sr. Lau! E outro para a Belle e o Leandro! Adeus! – desliguei a chamada e corri para a agência de viagens para providenciar tudo

Eles chegariam na manhã da véspera de Natal, eu iria buscá-los e levava-os directamente para a Quinta da minha família, onde mais tarde David iria ter.
Até ao Natal, e entre decorações, compras e encomendas, os dias esgotaram e estava na hora dos pais do homem da minha vida chegarem.
Acordei muito cedo, vesti uma roupa simples, apenas para os ir buscar ao aeroporto e seguir viagem para o Baleal.

Fui no meu carro, que na bagageira já contava com todas as prendas e roupas minhas e do David para a noite de Natal.
Quando cheguei ao aeroporto o avião deles já tinha dado entrada na pista e pouco a pouco já via pessoas a saírem pela porta de desembarque.

- Adriana! – a voz doce e amena da Dona Regina, foi imediatamente reconhecida pelo meu coraçãozinho

O meu corpo ergue-se do banco, e a meu corpo acompanhou a rotação da minha cabeça, na direcção da mãe de David. Do seu lado vinha o Sr. Ladislau empurrando o carrinho das malas e extremamente sorridente como a sua esposa. Aproximámo-nos uma da outra e abraçámo-nos fortemente.

- Oh minha filha, tanto tempo! – sorrimos as duas ainda de corpos colados

- Pode crer, Dona Regina! Desde as férias no Brasil já lá vão cinco meses! – finalmente quebrámos o abraço e olhámo-nos

- Nossa, cê tá cada vez mais bonita… Meu filho teve muito gosto! – elogiou o Sr. Ladislau

Corei, abracei-o também e trocámos dois beijinhos.

- Obrigada! – agradeci ainda levemente vermelha – E a viagem foi calma?

- Sim, foi muito bem… Só ‘tamos é loucos de saudade do nosso filho!

- Não se preocupe, Dona Regina! Em menos de nada estão com ele… Aposto que a esta hora ele está no décimo quinto sono e muito longe de imaginar que os senhores cá estão. Vai ficar louco de felicidade! – sorri muito confiante de que assim seria e assim foi

Segui viagem com eles no meu carro, prossegui às primeiras apresentações e a minha mãe e a Dona Regina criaram imediatamente uma grande empatia. O Sr. Ladislau era mais reservado, mas manteve uma conversa amena com o meu pai e restantes homens da família, enquanto eu me entretive com a ajuda do meu afilhado a arrumar as prendas debaixo da árvore. O almoço foi servido e a Dona Regina fez questão de ajudar, o que fez com que uma grande concentração de mulheres se instalasse na cozinha. Com o meu afilhado no colo juntei-me então a elas.

- Sim, mas o Benfica é mesmo o melhor do mundo! – foram as primeiras palavras que apanhei mal entrei na cozinha e proferidas pela Dona Regina

- Claro que é, o meu marido é que degenerou! – queixou-se a minha mãe e todas as mulheres presentes se riram

- Muito bem, sim senhora! Os homens estão lá fora, mas o tema futebol acontece dentro destas quatro paredes! – brinquei pousando o pequenote na bancada

- ‘Tava conversando com a sua mãe sobre o Benfica… - informou a Dona Rê com um sorriso

- Eu percebi! – sorri-lhe também

- Ó inha… - o meu pequenote dirigiu-se a mim de forma trapalhona como já era hábito – Por falar no Benfica… Onde está o moço de caracoles com quem estás shempre aos beijinhos? – ele fez uma carinha muito confusa, como se algo lhe tivesse a escapar

Todos se riram na cozinha, mas desde que o meu afilhado conhecera David a empatia havia sido imediata. Na verdade porque o David tinha muito jeito com crianças e era sempre extremamente carinhoso.

- Oh, amor… O David está quase aí a chegar, teve de descansar um bocadinho para no próximo jogo estar cheio de força e o Benfica ganhar, shim? – falei-lhe de forma melosa e mexendo-lhe nos cabelos

- Mas eu tenho muntas saudades dele… - o bebé fez um beicinho lindo e completamente comovente

O meu telemóvel começou a tocar nesse momento, era ele.

- Olha é ele, vês? Deve estar quase a chegar! Ainda vem a tempo de lanchar contigo, não é? – sorri-lhe novamente – Queres atender?

- Shiiiiiim! – o menino fez uma enorme festa e estendeu-me as mãos para que lhe desse o telemóvel

Atendi e coloquei em voz alta, pousando-o nas suas mãos pequeninas e abertas em conchinha

- Amô? – apesar de não estará ver David, consegui-lhe adivinhar um sorriso no rosto, apenas pelo seu tom de voz

- Olhá, David! – como sempre o bebé era um trapalhão a falar, mas sempre super doce

- Olá, pequenote! Ué, pensei que tava ligando para a jeitosa da sua madrinha! – ele para não variar meteu-se com o menino de forma muito divertida, que dominava o seu jeito de miúdo-homem

- A jeitoja da madinha, está aqui… Mas eu quelia falar contigo, poque tinha saudades…

- Muleque, eu ‘tou chegando e mal eu pise aí a primeira coisa que eu faço é matar essas saudades, sim?

- Shiiiiim! – o menino bateu palminhas e eu sorri enternecida

- E aí? Agora me vai dizer onde está sua madrinha? – notei uma certa impaciência e saudade na voz de David, e eu estava igualmente assim para o ver

- Ela fugiu com um jogadole do spoting! Não, não! Do Poto! – o menino meteu-se com David, relembrando uma brincadeira que Ruben tivera com este e todas na cozinha se desmancharam a rir

- Ela o quê? – a voz de David soou levemente aflita

- Oh, amor, não podes dizer essas coisas ao David… - acariciei-o nas faces e tentei tirar-lhe o telemóvel das mãos, mas ele não deixou

- Amô, que conversa é essa, pô? Tomei maior susto!

- Calma, amor… Não vês que o menino estava a brincar, obviamente! Achas que alguma vez eu dormiria com o inimigo? – ri-me e novamente todas as outras o fizeram

- Acho bem, mesmo! – ele não se conteve e riu-se – Oh amô, eu tou chegando… Mas tou chegando naquele cruzamento em que me perco sempre… É para cima ou para baixo?

- Oh amor, em frente! – ri-me porque de facto o David tinha péssima orientação

- Isso, ri! Ri de mim, que quando eu chegar aí cê me paga!

- Uau! Estou cheia de medo, David Marinho! – disse num tom sarcástico e falsamente assustado

- É bom que tenha ou esqueceu que vai dormir no mesmo quarto que eu?

- Amor! O telemóvel está em altifalante!

- Tá de sacanagem! – acho que ele achou que estava a brincar com ele e respondeu de forma muito descontraída

- Não, está mesmo! Está tudo na cozinha… A minha mãe, as minhas tias, as minhas primas, a minha avó… - enumerei, mas excluí a mãe dele como era óbvio

- A Rê, Rê, Rê! – gritava o menino agitando os braços no ar e automaticamente saltei para lhe tapar a boca

- O que é que esse garotinho falou?

- Nada, amor… Nada! Não ligues que isto já é do sono!

- Tá bom… Olha amô!

- Diz…

- Tou morrendo de saudade… - o tom da sua voz foi meloso, e esta arrastou-se levemente

- Amor, altifalante! – relembrei-o, rindo-me perante os olhares enternecidos de todas na cozinha

- Que tem? Eu te amo, isso não é segredo nenhum e não tenho problema nenhum em o admitir!

- Ohhhhhhhhh! – um uníssono perfeito inundou o ar

- És um totó, vê lá é se te despachas então, amor…

- Tá bom!

- Qualquer coisa que te percas liga-me… Mas a partir de agora á fácil, acho eu!

- Tá bom, eu te ligo! Beijão, amô da minha vida! Txi amo muitão! – um sorriso tonto surgiu na minha cara

- Madinha, txi amo! – o menino imitou as palavras de David e tanto nós do lado de cá do telefone, como David se riu

- Eu também, meu amor… - mexi-lhe nos cabelos e dirigi-me depois ao telemóvel – Também te amo, amorzão! Até já!

- Até já, lindona! – desliguei a chamada rapidamente

Um alarido instalou-se na cozinha, David estava quase a chegar e a surpresa dos pais estava prestes a ser feita. A confusão abrandou, quando ouvimos o barulho de pneus na estrada de gravilha da entrada e um buzinar: era ele!

- Calacole! Calacole! Calacole! – o meu afilhado começou a cantarolar e a bater palminhas, louco de entusiasmo

- Dona Regina, fique na sala com o Sr. Ladislau que eu vou buscar o David!

- Eu vou contigo, Madinha! – ofereceu-se o pequenote

- Não vais nada, amor… Deixa a madrinha ir buscar o David e depois falas com ele, sim? – a mãe dele, a minha prima, segurou-o nos braços e deu-lhe um beijinho das faces

- Tá bem… - o menino resignou-se às ordens da mãe – Mas manda-lhe já um beijinho e um abracinho meu! – acrescentou, num sorrisinho que já revelava os seus pequeninos dentes de leite

- Eu mando, amor! Volto já! – dei um beijo na face da mãe dele e da minha e saí na direcção do portão

Ainda percorria o pequeno percurso de pedra entre a porta de casa e o portão e já via o David do lado de fora, encostado ao carro, de mãos nos bolsos e um sorriso lindo e radioso, que já era a sua imagem de marca.

- Amor! – corri para o alcançar e joguei-me nos seus braços

- Ai, amô… - ele apertou-me para si e retirou levemente os meus pés do chão

- Ai, que saudades, borracho! – ri-me juntinho do seu ouvido, acho que nunca o havia chamado assim ele riu-se também

- Borracho?! Nossa, que elogiozão, viu?! – rimo-nos os dois e beijei-o

Sem pensar em mais nada, beijei-o! Beijei-o e limitei-me a beijá-lo, com muita calma, sem urgências, de forma saudosa, porque na verdade já não estava com ele há quase uma semana. Primeiro porque ele andava muito concentrado nos treinos e com horários super apertados, e depois porque estava em época de entrega de trabalhos e de provas de avaliação o que tornava o meu tempo livre completamente nulo.

- Que saudade dessa boca, meu Deus… - ele sussurrou ofegante bem juntinho dos meus lábios

- Mata-as, mata-as todinhas! – disse sorrindo

- Pode apostar que vou matar todinhas! – ele beijou-me de forma calma, mas muito sentida

- Já estão todos à tua espera e o meu afilhado louco para te ver! – ela riu-se relembrando toda a ternura do menino

- Eu sei, o muleque ‘tava doidão no celular! – ele riu-se e beijou-me nos lábios

- Pois, mas o muleque vai ter de esperar, porque eu tenho uma surpresa para ti! A minha prenda vem adiantada… - o meu rosto rasgou-se num sorriso matreiro

- O que é que cê andou aprontando, amô?

- Hum, vais ter de esperar para ver!

Dei-lhe a mão e avançámos juntos para dentro de casa. Nunca tivera tantas certezas como naquele dia, ao ver as nossas famílias unidas, que ele poderia perfeitamente ser o marido com que eu tanto sonhara, o pai que eu tanto desejara para os meus filhos. E essa foi das poucas certezas que me preencheu nesse dia, pois estava a segundos de ver a reacção dele à minha surpresa…



Obrigada pelas 200,000 visitas! :)
Deixo-vos mais um capítulo para comemorar este número grandito!
Espero que gostem e comentem!
Beijinhos
Dri

20 comentários:

paula. disse...

ai amor, que lindo, que lindo, que lindo!

que orgulhão, meu deus! és um génio e és minha!

amo-te muito, beijão <3<3

DiiDii disse...

Não me parece que ele va' reagir mal, muito pelo contrario, por isso acredito que vai tudo correr bem!! ;)
Continua liinda.. :D
BjnhO

Ana disse...

fantastico...

quero mais... agora tou curiosa para ver a reacçao dele...

continua...

Catarina disse...

Ai isto nao se faz ... Estava praticamente colada ao pc pronta para "ler" a reacção dele quando o capitulo acaba XD
Acho que é escusado dizer que estou a morrer de curiosidade :P
Fico à espera do próximo
Bjs
Catarina

monik disse...

Sem palavras para descrever.
Adorei
Fico a espera do próximo.
Bjs
Monica

Alexandra Reis disse...

Ai adorei, ahah o menino estava quase a dizer a supresa dela xD Coitado do David, nem sabe o que lhe espera :P

Fabi disse...

Lindo!
Que capítulo ternurento! :)

Beatriz disse...

Primeiro, isto não se faz.... Então estava eu a ler o capitulo esperando ansiosamente a reacção dele, e o capitulo, puf, acabou
Segundo, adorei como sempre
E agora estou curiosíssima...
Beijinhos

Anónimo disse...

Se tu soubesses o quanto e que tanto eu amei este capítulo! Amei amei amei completamente! Está tão perfeito! +.+
Amei!
Continua, princesa
Beijãoo <3 <3

Ass: Bianca Tavares

Ps: Só consigo comentar em anónimo, não dá de outra maneira :/

Rita Bastos disse...

sempre bom dri , és uma escritora maravilhosa. nunca pensaste em juntar todos os capitulos e enviar para uma editora e tentares a tua sorte ? pode ser que corra bem :)
é claro que talvez devas mudar o nome do david , não sei , não entendo muito disso , mas acho que tinhas grandes hipótes!
continua com o grande trabalho /ritabastos

Daisy Tavarez disse...

adoreeeiiii está simplesmente lindo
quero mais mais e mais DRI
Parabéns por nos dar esse privilégio
bjin*_*

AmanteBenfiquista23 disse...

Dri adorei mesmo, continua a escrever, quero ler mais..
Beijo

AnOcas disse...

ADOREII e estou mesmo muito curiosa pelo próximoo capitulo +.+

Está cada vez mais linda a história :DD

ElsaNeves disse...

Menina Dri é mesmo fantástico o que escreves, amei a conversa ao telemovel com o miudo. Foi muito bom mesmo, o dificil é tu escreves algo mau, melhor é impossivel.
Beijinhos.

Jo disse...

ADOREI, ADOREI, ADOREI e está dito!
Sem sombra de dúvida que este capítulo está muito ternurento... enfim, está lindooo!
Escusado mesmo será dizer que me deixas-te (mais uma vez, para variar um pouquinho :b) a morrer de curiosidade e expectante por uma nova postagem! ;)

Beijão*
Júca ♥

Mary disse...

Amei amei amei!
Que ternurento este capítulo!
Está mesmo lindo!
Bjs

Diana Ferreira disse...

oh minha queridaa tá tao lindoo o capitulo, aliás como sempre! :D

ri me imenso com o pequenino, e por pouco nao se descuidava! :P

agora quero ler essa continuaçao!!!! sim??

beijinhos ^^

Ana Sousa disse...

Adoro adoro adoro adoro e volto a adorar!
:D

Já tinha saudades de vir ler aqui :c
Lindoooo lindoo lindoo
O pequenote é tão fofinho *.*

Estou mortinha por ler o próximo! Quero ver a reacção do David +.+

Amoo como escreves, amo mesmo!

Beijinhos
Ana Sousa*

Carolina disse...

Adriana, já pensas-te em criar um ebook com a fic?
Assim quem quisesse ler a fic pela primeira vez, lia de uma forma mais rápida e fácil :)
Pensa nisso ;)

Amei este capitulo !!

Anónimo disse...

kero mais vala

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