quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Capítulo 98 - O Regresso (Parte I)

Olá leitores,
muito obrigada pelos comentários pois são eles que me dão força para escrever.
Neste capítulo volto a narrar na 3ª pessoa, espero que gostem! :D
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A viagem até Portugal foi longa e Adriana fê-la quase toda a dormir, já David usou-se daquelas horas para poder admirá-la, observá-la, garantindo que ela estava bem.
Desde que a conhecera, ele tinha aquela necessidade inexplicável de a proteger, num abraço, num beijo, ou simplesmente num olhar.
Assim que o avião aterrou David deu a mão a Adriana até descerem pela mangueira de desembarque.

- Amor, a partir de agora segues sozinho… - informou Adriana soltando-lhe a mão

- Amô, não quero deixar você sozinha agora não… - ele voltou a aproximar o seu corpo do dela
- David, a sério! Os media devem andar por aí, vamos evitar que eles nos vejam juntos…

- Não quero saber deles não! O que importa agora é você! Por favor… - David implorava num olhar meigo mas Adriana não estava de todo disposta a ceder

- Não David, a sério! Segue para a tua casa… Eu vou até à minha casa deixar as malas e sigo para a casa dos meus pais… Depois eu ligo-te e logo nos vemos, pode ser?- informou num ténue sorriso
David sabia que Adriana era uma pessoa de ideias firmes e não valia de nada insistir porque ela não iria ceder.

- Tá bom, mas então me deixa depois ir ter com você… Promete que liga! – pediu num leve beicinho

- Prometo, David! Agora vai! – ordenou Adriana afastando-se dele
- Te amo, viu? – ele roubou-lhe um beijo rápido mas muito sentido
- Eu sei, eu também! – ela passou-lhe a mão levemente nos caracóis e afastou-se na direcção de recolha de bagagens

Adriana estava visivelmente abatida, ela adorava o seu avô e mantinha uma relação muito próxima com ele e perdê-lo não era sequer possibilidade.
Não foi difícil identificar a sua mala no meio de tantas que o tapete rolante arrastava, uma vez que a sua era preta às bolas brancas. Mal a viu agarrou nela, colocou-a no chão em modo de arrastar e saiu na direcção da zona de táxis.
A entrada do aeroporto de Lisboa estava num reboliço fora do normal e depressa Adriana percebeu porquê, David estava rodeado por um bando de “abutres” como ela gostava de se referir aos media.

- David! Aqui!

- David!

Cada um pronunciava o seu nome aos berros, tentando cativar a sua atenção e assim obter o direito de fazer uma pergunta e com alguma sorte, quem sabe duas.
- Como foi passar as férias junto dos seus pais? – perguntou um dos abutres

- É sempre bom matar saudades de casa, mas a gente se habitua ficando longe, e Portugal é a minha nova casa. Mas este tempo no Brasil me fez muito bem, tou como novo e pronto para a nova temporada! – afirmou educado como sempre

- E em relação ao seu coração? Alguma brasileira conquistou o seu coração nestas férias ou este já pertence a alguma portuguesa? – chutou rapidamente outro jornalista

- Eu já afirmei… Amo a minha mãe e sou casado com o futebol. Na altura certa eu vou saber quando a menina certa aparecer na minha vida – David era perito em fintar as perguntas dos jogadores tão bem como fintava os adversários dentro das quatro linhas
- Então o David permanece solteiro? – insistiu o jornalista

- Já afirmei, sou casado com o futebol e a minha vida pessoal em nada interferirá na minha carreira e desempenho pelo Benfica… - ele deu pela presença de Adriana junto à área dos táxis e soltou um leve sorriso

Ela correspondeu ao sorriso, mandou parar um táxi, o senhor colocou a sua mala na bagageira e ela entrou no táxi sob o olhar atento de David.
Depois de uma viagem de avião tão longa Adriana precisava desesperadamente de descansar mas ela não o iria fazer tão facilmente enquanto não soubesse do estado do seu avô.
Depois de passar na sua casa para deixar as malas seguiu rapidamente para a casa dos seus pais a fim de falar com eles


***

- Mas mãe, eu quero ir ver o avô! – pedia desesperadamente

- Ouve Adriana, amanhã é o casamento do teu primo… Não há necessidade nenhuma de ires de propósito para cima hoje, a viagem é grande e não arranjarás autocarro – contra argumentava a mãe

- Mas mãe eu preciso ter a certeza que ele está bem…

- Ouve, o avô está bem! E além disso ele desconhece a gravidade do seu estado por isso vamos ter de nos manter discretos… Por favor!

- Tudo bem, mas amanhã eu vou ver o avô com toda a certeza e ninguém me impede! É o casamento do meu primo!

- Tudo bem… Amanhã vê-lo. – concordou a mãe dando-lhe um abraço
- Eu vou indo… A viagem foi longa e eu preciso desesperadamente de descansar!

- Tá bem filha, vai com cuidado… - a mãe levou-a até à porta

- Mãe, é verdade! O David vai acompanhar-me no casamento… - revelou com um sorriso intocável
- Ainda bem, filha! Vai ser bom ver-vos juntos! – a mãe também lhe sorriu
Adriana despediu-se da mãe e desceu a escadaria do prédio até ao metro, mas foi interrompida pelo toque do seu telemóvel. Era uma mensagem de David.

“Amô, mal possa me diz qualquer coisa. Queria estar com você hoje, senão quiser entendo, deve tar enjoadona de mim! :P
Beijão
Te amo!”

A mensagem de David foi a única capaz de lhe colocar um sorriso na cara e apressou-se em responder

“Enjoadona de ti? Mas isso é possível? :P Eu estou a ir para casa… Vou comer qualquer coisa e descançar, podes passar por lá… Se quiseres até passavas cá a noite, mas é só uma ideia claro!
Beijão
Amo-te”

Quando ela ia a entrar em casa recebeu a resposta dele à mensagem.

“Dormir aí? Topadissimo! Vou só preparar qualquer coisa p’ra vestir e vou p’raí…
Beijão
Até já
Te amo”

Sorriu, guardou o telemóvel e foi tomar um duche rápido antes dele chegar.
Ele tocou à campainha e ela correu para lhe abrir a porta, ainda calçando uma pantufa precisando assim de se apoiar no vão da porta para não cair.

- Oi! – David cumprimentou-a com um sorriso e aproximou-se para a beijar

- Olá, amor! – Adriana endireitou-se depois de calçar a pantufa e deu-lhe um beijo nos lábios – Entra! – ordenou entrando para a sala de estar

- Onde deixou as minhas coisas? – perguntou erguendo um pequeno saco desportivo no ar

- Mete no meu quarto…- ela sorriu-lhe e ele saiu na direcção do corredor

Adriana dirigiu-se à cozinha pois tinha o jantar ao lume. Abriu a porta do forno e tirou de lá de dentro um tabuleiro de bacalhau com natas que ela sabia que David tanto adorava.

- Hum, que cheiro gostoso! – David envolveu-a por trás num abraço pousando a sua cabeça no ombro dela depois de lhe roubar um beijo no pescoço

- Fiz para ti! Não são os cozinhados maravilhosos da Dona Regina mas acho que se come… - sorriu em tom de brincadeira

- Tá mais que óptimo! Com a fome que eu tou como qualquer coisa! – David deu-lhe um beijo na nuca e soltou-a

- Então Sr. Esfomeado ponha aí a mesa enquanto eu vou cortar o pão…

David e Adriana jantaram calmamente e depois de alguns minutos a ver televisão foram-se deitar entregando-se ao cansaço que os tomou.

***

Adriana acordou na manhã seguinte rebolando para o lado da cama que na noite anterior havia sido ocupado por David.
Um choque térmico apoderou-se do seu corpo, o lado da cama de David estava vazio e por consequência frio. Adriana abriu os olhos e constatou que estava de facto sozinha. Ainda meio zonza tentou perceber se havia barulho vindo do banho ou da sala mas nada, um silêncio profundo apoderava-se da casa.
Com os olhos semi cerrados e ainda cambaleando, devido ao seu estado de recente acordada, foi até à casa de banho mas de facto não havia sinal de David.
Viu um pequeno bilhete sob a sua mesa de cabeceira e sorriu adivinhando ser de David.

“Meu amô,
Tive de sair p’ra tratar de uns probleminhas, passar por casa e passar no estádio para falar com o presidente.
Mais logo a gente se vê…
Beijo
Te amo muitão gata”

Aquelas palavras aqueceram o seu coração, viajou até às mais felizes memórias do lado dele mas foi interrompida pelo soar da sua campainha. Olhou para as horas e viu que era realmente tarde, quase hora de almoço.
Espreitou pelo óculo da porta e viu Ruben, mas para variar o seu sorriso constante estava ocupado por um semblante carregado.
Ele entrou, não pronunciou nada, deu-lhe um beijo na testa e arrastou-a até ao sofá.

- Ó Ruben que cara é essa! – perguntou Adriana assustada

- Ó Adriana vais-me prometer que és forte!

As palavras proferidas por Ruben automaticamente provocaram um aperto no peito de Adriana.

- Não vou prometer nada enquanto não me disseres o que se passa! – Adriana elevou o tom de voz irritada e elevou-se no sofá

- Senta-te e ouve-me! – Ruben puxou-a para que se sentasse novamente – Esta manhã recebi um telefonema do hospital… - Ruben hesitou e respirou fundo - … o David teve um acidente de carro e… Não resistiu, teve morte imediata – os olhos de Ruben encheram-se de lágrimas

As pernas de Adriana tremeram e o seu coração quebrou-se a meio.

- O David? Não pode ser! – foram as únicas palavras que Adriana foi capaz de proferir antes da película cristalina que lhe turvava a visão, rebentar em lágrimas longas pela sua face

Ruben abraçou Adriana vagarosamente e ambos choraram durante largos minutos, ele chorava a perda de um amigo e ela chorava a perda do grande amor da sua vida.
A vida era injusta, prestes a roubar-lhe um dos homens da sua vida, o seu avô, e agora levava-lhe assim David, sem sobre aviso.
Adriana arrependeu-se de cada "Amo-te" guardado, que devia ter dito, sim porque talvez ele tivesse morrido sem nunca saber o quanto ela o amava.
Ruben afastou-se mais calmo e Adriana prosseguiu o seu choro até reler vezes sem conta o bilhete que David lhe deixara, especialmente a frase “Mais tarde a gente se vê…”.
Adriana encostou o bilhete ao seu peito e continuou a chorar sabendo esse “Mais tarde” nunca chegaria e que David não mais voltaria.
E agora? Como é que ela iria seguir a sua vida sem ele?

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Capítulo 97 – Férias (Parte IV)

Depois do pequeno-almoço seguimos finalmente para a praia.
Não estava um calor abrasador mas o solzinho que nos batia na pele, era suficientemente quente para aguentarmos a leve brisa fria que corria pelo ar.
Estendi a minha toalha lado a lado com a de David, ele estendeu-se sobre ela de barriga para baixo e em menos de nada adormeceu novamente.

- Parece incrível! Está sempre a dormir o raio do rapaz! – reclamei apesar de saber que falava sozinha

O sol começava a aquecer e o David não tinha posto protector solar e continuava a dormir ao sol. Alcancei a minha mala, tirei de lá o protector e ajoelhando-me perto dele passei-lho nas costas e foi quando ele acordou.

- Ué, tá fazendo o quê? Me deixa dormir! – reclamava mexendo-se sem abrir os olhos
- Cala-te ó! Não puseste protector queres apanhar um escaldão? – perguntei deitando-me novamente do lado dele na minha toalha

- Eu não apanho disso não! Isso é frescura! Coisa de menina! – chutou e afundou a sua cabeça nos braços cruzados à sua frente

- Mal-agradecido! – dei-lhe uma chapada nas costas e virei a cabeça para o outro lado remetendo-me ao silêncio

Senti a mão de David no fundo das minhas costas e depressa a sacudi mas ele insistiu e voltou a pô-la no mesmo sítio.

- Importas-te? – perguntei afastando a sua mão uma última vez

- Oh Gata… Não faz assim… - ele deitou o seu tronco sobre as minhas costas e encostou o seu queixo no meu ombro

- David deixa-me estar! – ordenei não virando o rosto na sua direcção

- Pô gata me desculpa, cê me acordou e eu fico mal disposto quando me acordam… - ele ia intercalando as suas palavras com suaves beijos na minha orelha mas nem esses me faziam virar o rosto para ele – Gata não faz assim, vai!
- Ó David deixa-me estar! Não te estou a incomodar pois não?
Ele calou-se, senti-o afastar-se de mim mas seguidamente senti o calor do seu corpo e alguém elevando-me no ar.

- David! Poem-me no chão já! – ordenei já em posição de saco de batatas no ombro dele – David já! – dei-lhe suaves chapadas no rabo mas ele não cedeu e iniciou uma caminhada até à beira da água – David! Nem penses! Tu nem penses! – eu continuava a gritar percebendo qual a ideia dele

-Shiu! Pára de gritar e de me bater por favor! – pediu ele mas eu intensifiquei mais as chapadas
Cerrei os punhos e em sequências exaustivas e incessantes soquei-o nas nádegas mas nem assim ele parou de andar.
Senti os primeiros salpicos de água nas pernas e encolhi-as instantaneamente uma vez que esta estava gelada em comparação com o meu corpo quente do sol.

- David, não por favor! – supliquei mas ele permaneceu indiferente e a água já lhe chegava às coxas

Senti ele inclinar-se para mergulhar e agarrei-me a ele fincando as minhas unhas na carne das suas costas. As partículas geladas da água entraram em contacto com a minha pele e eu gritei baixinho de dor. Rapidamente fiquei submersa debaixo de água e abri os olhos. Permiti-me a mim mesma enxergar uma silhueta familiar, difusa pela água, mas que depressa atribuí a David, uma vez que esta mesma silhueta me agarrava e puxava até emergir à superfície.
David surgiu perfeito na minha frente, os caracóis a escorrerem-lhe pelos ombros, os olhos mais verdes devido ao contacto com a água e os seus ombros perfeitamente delineados cobertos de pequenas gotas de água salgada.
Um sorriso, aliás (!), o seu sorriso, delineava-lhe os lábios, o seu sorriso…O mesmo de sempre, o seu sorriso… Perfeito, intocável e eterno!

- És louco! – exclamei ao vislumbrar o sorriso estampado na cara de David, agora à tona da água~

Ele ria-se e eu cedi, rindo-me com ele. Ele sabia sempre como encerrar uma pequena birra, e fazia-lo sempre com uma traquinice ou outra tão tipicamente suas.

- Já passou a birra, meu amô? – perguntou-me num tom trocista

- O que é que achas? – atirei-me nos braços dele, enlaçando o seu pescoço com os meus ~

Os meus lábios ansiosos e vacilantes procuraram a boca de David e uni-a à minha apaixonadamente, e na junção das mesmas as nossas línguas enrolaram-se freneticamente.
~
- Eu acho que isso foi um claro sim! – rimo-nos os dois
- Achas tu muito bem! – rematei roubando-lhe um último beijo
- Assim cê me mata! – reclamou deixando a sua cabeça carregada de caracóis molhados cair para trás

- Se é assim tão mau não faço mais… - ameacei sabendo que ele contestaria

- Faz sim! Nem brinque! – rime novamente juntamente com ele –São as melhores férias da minha vida! – confessou com um sorriso ao mesmo tempo que me agarrava e rodava na água

Coloquei as minhas pernas em torno da cintura de David e ele agarrou-me pela cintura. Beijámo-nos durante vários minutos, trocando carícias delicadas mas as coisas começavam a aquecer e as mãos ciosas de David procuravam as minhas curvas com uma certa avidez.
Deixei a minha mão descer para debaixo de água, de encontro à barriga perfeitamente delineada de David e pousei-a aí. Senti-o estremecer perante o meu toque e correspondeu ao mesmo segurando o meu rosto com a sua mão e beijando-me fielmente.
Os seus lábios abarcaram os meus, numa união perfeita, onde as nossas línguas se tocavam, as salivas se misturavam juntamente com algumas gotas salgadas do oceano. Fui obrigada a quebrar o beijo quando senti a mão livre de David subir da minha anca para as minhas costas, sobre o nó do meu biquíni.

- David… - chamei ofegante num sussurro

- Eu te quero… - o sussurro da voz dele era desesperado

Ele insistiu enterrando a sua cabeça no meu pescoço e começando a descer para o meu peito. A praia não tinha muitas pessoas e nós estávamos consideravelmente afastados da beira-mar. Mas eu sentia que apesar de já estar mais preparada para me entregar a ele aquele não era de todo o sítio indicado para o fazer.

- Te quero tanto… Tanto... - sussurrou David uma última vez beijando-me novamente

- David, aqui não é o sitio… - desmontei o puzzle que os nossos corpos formavam afastando-me ligeiramente dele mas ele insistiu numa aproximação – Desculpa… Eu amo-te mas não sinto que seja altura ainda, tenta compreender… Eu nunca estive com ninguém e quero ter a certeza de que não me vou arrepender de o fazer, entendes?

- Se acalma meu amô… - os seus olhos ternos fitavam os meus – Eu te quero mas eu espero… Me perdoe mas por vezes eu esqueço que você nunca teve com ninguém assim, o desejo de te amar é tanto que eu esqueço… Não tou querendo forçar nada, não!

- Eu sei e entendo o teu lado e acredita que não é por não achar que és o certo, é simplesmente porque quero ter certezas. Não gosto de me arrepender daquilo que faço… - ele sorriu-me ternamente e beijou-me

- Te amo, minha boba! – jurou contra os meus lábios envolvendo-me com o seu corpo

- Eu também… - confessei num suspiro perfeito enquanto posei a minha mão delicadamente na sua nuca

Afastei-me dele para mergulhar e quando emergi não o vi, olhei em redor e nada dele.
- David... David! - chamei por ele e não obtive resposta
O meu coração começou a acelerar até que senti uma respiração abafada no meu pescoço e uns braços envolvendo-me.

- Assustaste-me! – confessei apertando-me contra ele

- Tava de brincadeirinha! – atirou-me a língua de fora

Seguindo o ritmo daquele dia saímos da água por entre brincadeiras, até chegarmos às nossas toalhas notando que havíamos chegado há hora de almoço.
Comecei por vestir o meu vestido e escovar o cabelo ainda molhado para retirar os nós, enquanto David dobrava as toalhas.

- É verdade amor! Não me chegaste a dizer se me acompanhas no casamento do meu primo… - relembrei-o

- Cê tava falando sério quando me convidou? – perguntou surpreso

- Claro que estava… Já conheces o meu pai e a minha mãe, conheceres mais 150 pessoas não fará diferença nenhuma – ri-me e ele também

- Se você tem a certeza é claro que eu ia curtir muito de acompanhar você! – exclamou com a clara evidência de um sorriso nos lábios

- Óptimo! Então começa já a preparar a fatiota! – ordenei num sorriso ao mesmo tempo que apanhei a minha mala do chão e me abracei a David que tinha a toalha debaixo do braço, caminhámos assim até casa.
*******

Os dias seguiram-se, a maioria deles com o tempo enublado e com algum frio o que me deixou ligeiramente desapontada em relação á ideia que tinha do Brasil. O David levou-me a conhecer o Cristo Rei, a beber água de coco e a conhecer alguns dos lugares mais emblemáticos do Brasil. Além disso tinha organizado uma jantarada onde pude conhecer os seus familiares mais afastados e eu não sei se eles gostaram de mim mas eu com toda a certeza gostei deles. Comecei a perceber que toda aquela simpatia e calor não eram apenas próprios de David e da sua família mas sim do povo brasileiro.
Havia chegado o último dia de férias e eu e David regressávamos a Portugal no dia seguinte e dois dias depois tínhamos o casamento do meu primo.
Era o último jantar daquelas férias em casa dos pais de David e o ambiente estava animado como já era hábito.

- Não tou nem acreditando que passou tão depressa… Me habituei com vocês aqui… - confessou Dona Regina limpando levemente a boca com o guardanapo

- Oh mãe não fica assim… Cê sabe que eu volto e no que depender de mim essa daqui volta também! - ele provocou-me claramente com o "essa daqui"

- Olha aí! Respeitinho é muito bonito, ó caracolinhos! – dei-lhe uma leve sacudidela nos caracóis e todos se riram incluindo David

- Foi uma maneira carinhosa de chamar, meu amô! – fez um olhar demasiado carinhoso para conseguir resistir e eu passei-lhe a mão levemente no rosto

- Eu digo-te a maneira carinhosa! – provoquei-o com um sorriso no rosto

Fui interrompida pelo meu telemóvel, pedi licença e levantei-me para o atender.

- Tou sim?

- Adriana? – a voz trémula da minha mãe ouviu-se do outro lado da linha

- Sim, sou eu… A mãe está bem? Está com uma voz esquisita… - eu conhecia a minha mãe suficientemente bem para saber que algo estava errado

- Estás sentada? Sozinha? – perguntou ansiosa
- Não, espere um pouco mãe… - olhei para David que me olhava visivelmente preocupado e afastei-me para o nosso quarto – Pode falar mãe... Está tudo bem com o pai? Consigo?

- Connosco está tudo bem…

- Então? É alguma coisa com os avós? – eu começava a ficar preocupada e um aperto que surgiu no meu peito deixou-me incomodada

- Ouve Adriana, eu não te queria estragar as férias mas tu precisavas de saber mais cedo ou mais tarde e quando chegasses a Lisboa e não nos encontrasses em casa, ficarias preocupada por isso ficas já a saber…

- Mas o que é que aconteceu mãe?

- Ouve, mantem a calma… O avô sentiu-se mal, fomos ao hospital… Fizeram exames…

- Está tudo bem com ele, não está? – perguntei quase que implorando por uma resposta positiva
- Adriana, o cancro do avô voltou! – aquelas palavras bateram fundo e eu bloqueei – Adriana? Estás aí? Adriana?

- Como voltou? Há um ano atrás os médicos garantiram que estava tudo controlado, que ele o tinha vencido!

- Pois mas está pior… Além de ter voltado, passou dos órgãos internos para os ossos…

- Para os ossos? Mas que tratamento é que o avô vai fazer então?

- Adriana… Não há tratamento possível… É esperar, o médico desenganou-nos…

As lágrimas formaram-se nos meus olhos e eu controlei-me

- Não é possível! Não me conformo! Eles dizem sempre que não há nada a fazer mas há sempre alguma coisa a fazer! Sempre! – o meu tom de voz estava elevado e provavelmente havia-se ouvido na sala uma vez que David espreitava pela porta do quarto, fiz –lhe sinal que entrasse
- Tem calma filha…

- Calma nada! Amanhã estou de volta a Lisboa! Vamos ter de resolver isto! Tem de haver algum engano

Eu apenas teimava em enganar-me a mim própria, a verdade era demasiado dolorosa.

- Infelizmente não há engano nenhum… Amanhã vemo-nos! Beijinho! – e desligou a chamada~

O meu corpo tombou sobre a cama e eu desatei num choro sentimento. Tão rápido quanto comecei a chorar senti David sentar-se do meu lado e os seus braços rodearem-me.

- O que aconteceu meu amô? – perguntou preocupado ~

- O meu avô, David… O cancro dele voltou…. – foram as únicas palavras que consegui soltar antes de retomar um choro do qual não consegui sair mais

- Não fique assim, meu anjo. Ele vai procurar um bom médico, eu ajudo vocês se for preciso! Mas não fica assim, me mata ver você nesse sofrimento… - apertei mais David e enterrei a minha cabeça no seu peito – Não fique assim, por favor! Eu te amo…

O meu rosto subiu até alcançar o de David e lavada em lágrimas roubei-lhe um beijo, precisava ter a certeza de que apesar de Deus estar prestes a roubar-me um dos homens da minha vida, não me levaria também aquele. Sim! Porque era isso que David se tornara um dos homens da minha vida. ~

- Não me deixes! – pedi em palavras abafadas contra o seu peito

- Nunca, meu anjo! Nunca! – respondeu passando a mão nos meus cabelos

Naquela noite adormeci chorando, nos braços de David que me acarinhou com o maior amor do mundo. Acabei por adormecer e ele também, assim que me viu mais calma e descansando.
*****

Na manhã seguinte despedi-me de todos, agradecendo a hospitalidade e o amor com que me acolheram e ainda recebi palavras de coragem da Dona Regina, do Senhor Ladislau e de Isabelle.
Seguimos juntos para o aeroporto, e estávamos dentro do avião esperando este decolar a qualquer momento.
Estava perdida em pensamentos, memórias, e especialmente no meu avô, rapidamente uma neblina turvou meus olhos. Senti a mão quente de David apertar a minha e desviei o olhar da janela do avião para ele.

- Não se esqueça que eu tou sempre aqui! Vou sempre estar! – pude ver a maior das sinceridades no seu olhar e por entre um sorriso deixei fugir duas lágrimas que ele enxugou com as pontas dos seus dedos

Seguimos viagem para Portugal, eu desconhecia mas estava a pouco tempo de perder uma das pessoas mais importantes da minha vida.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Olá!

Caros leitores,
depois de um periodo escolar muito atribulado estou finalmente de férias.
O que significa que irei ter mais tempo livre para trabalhar na minha fic, mas espero que entendam que a minha vida não é apenas o blog, e que o faço apenas por diversão por isso peço que mantenha o minimo de educação e respeito quando não posto com tanta frequência.
Apesar de estar de férias tenho trabalhos para fazer, tenho que estudar para consolidar matéria e ainda aproveitar um pouco para me divertir por isso peço que compreendam a demora que possa existir e capítulos.
Estou a acabar os acertos no próximo capítulo e amanhã ou segunda irei postá-lo.
Espero que não desistam da minha fic porque eu não desisti dela!
Beijinhos
Drii :D

sábado, 11 de dezembro de 2010

Capítulo 97 - Férias (Parte III)

Adriana

Acordei cedo, na verdade muito cedo porque o meu sono ainda estava ajustado com a hora portuguesa, isso ou era o David que era um grande dorminhoco porque ainda permanecia silencioso e adormecido, junto a mim.
Eu estava de lado e ele também, frente a frente, os rostos muito próximos e a mão dele caída sobre a minha anca.
Percorri todo o seu rosto com a minha mão, delicadamente, subi até aos seus caracóis e desembaracei-os, suavemente para não o acordar.
Rocei levemente o meu nariz no dele e ele não acordou, estava a dormir profundamente.
Levantei-me muito devagarinho, calcei os chinelos e reparei numa fotografia que estava numa moldura sob a mesa-de-cabeceira de David. Era uma foto nossa, não evitei um sorriso e nem pude evitar agarrá-la para ver melhor.
Destrambelhada como sou, a moldura caiu-me das mãos, e como qualquer pessoa esperando que aquilo diminuísse o barulho quando na verdade não o faz, apressei-me a apanhá-la e coloca-la no sítio. Senti um braço quente envolver-me a cintura e puxar-me para me sentar na cama e assim o fiz.

- Caráca, já tá de pé? – perguntou David com uma voz ensonada e com a sua cara encostada às minhas costas

- Desculpa se te acordei, eu ia à casa de banho mas a moldura caiu… - a minha voz estava visivelmente arrependida

- Não se preocupa não, eu volto a dormir! É sem problema! – ele percorreu a minha espinha com beijos até chegar á nuca, eu arrepiei-me – Vai lá no banheiro mas volta depressa p’ra bem juntinho de mim – a sua voz ternurenta arrastava-se de cansaço

Demorei alguns minutos e quando voltei a enfiar-me na cama, e apesar de o julgar outra vez adormecido pois estava de olhos fechados, ele puxou-me imediatamente de encontra o seu corpo

- Demorou muito! – queixou-se sem abrir os olhos

- Não demorei quase nada, amor…

- Demorou sim! A cama já tava esfriando sem você… - queixou-se

- Mas agora já cá estou, estás quentinho…– aninhei a minha cabeça no seu peito

Durante breves segundos, o quarto foi tomado por um silêncio profundo que dominava toda a casa, apenas as nossas respirações profundas e desencontradas se ouviam.

- Amô? – perguntou numa voz sonolenta

- Hã? – respondi de olhos fechados sem tirar a cabeça do seu peito

- Te amo! – respondeu com um sorriso nos lábios, que me foi visível porque levantei momentaneamente a cabeça do seu peito para lhe alcançar o rosto e roubei-lhe um beijo demorado nos lábios

- Eu também, gato! Agora dorme… - ordenei e voltei a deitar-me sobre o peito dele com um sorriso a inundar-me o rosto

David não demorou muito a adormecer e eu também não.


*******

Fiz um esforço por abrir os olhos, sentia alguém a beijar-me as bochechas, a testa, as orelhas, o pescoço e os lábios. Reconheci o sabor daquele beijo e ainda de olhos fechados, sorri.

- Bom dia, meu amô! – ouvi a voz desperta dele perto do meu rosto

Entreabri os olhos e a luz incomodou-me, coloquei imediatamente a mão à frente. Vi o rosto de David na minha frente. Abri e fechei novamente os olhos, abrindo-os finalmente quando estavam minimamente acostumados à luz difusa que invadia o quarto.

- Bom dia, amor… - eu sentia-me relaxada e a voz acompanhava o meu estado de espírito e do meu corpo

David roubou-me um beijo e uma carícia mais atrevida com a língua na minha.

- Cê não quer ir aproveitar e curtir um solzinho? É que tem tado mau tempo por isso aproveita! – ele estava visivelmente animado com a ideia e eu sorri perante o seu entusiasmo, quase que de criança

- Hum, praia… Sol… Está mesmo a apetecer e se ainda por cima anda escasso para estes lados, o melhor é mesmo de aproveitar! – sentei-me na cama e ele sentou-se do meu lado

Passei novamente as mãos sobre a cara de maneira a acordar melhor. Eu sabia que o meu acordar não devia ser das coisas mais bonitas de se ver, até porque quando Débora dormia comigo dizia sempre que eu acordava com uns olhos enormes, maiores que o normal e os meus caracóis completamente desalinhados.
Olhei para o lado onde ele estava e vi-o olhar-me fixamente.

- Que foi? – perguntei passando a mão pelo cabelo e constatando que este estava num desalinho total

- Cê até acordando é perfeita! – elogiou-me e eu corei

- Não há ninguém perfeito! – repreendi-o e sorri pondo-me de pé

Senti o meu corpo, apesar de relaxado, com os músculos presos e senti necessidade de me alongar.
Espreguicei-me demoradamente, erguendo os braços no ar, unidos pelas mãos, em biquinhos de pés e por consequente a minha camisola subiu deixando-me com um pedaço de barriga exposto. Senti as mãos, sempre ardentes de David contra a minha pele, arrepiada pelo choque térmico da temperatura da cama para a temperatura ambiente, e um espasmo percorreu o meu corpo desde o topo da espinha. A boca dele encostou-se ao meu ouvido numa respiração ofegante e ele abraçou-me com força contra si.

- Há sim! Você! P’ra mim é perfeita! – ele finalizou a conversa ali

- Teimoso! – ainda tentei refilar mas em vão

Ele beijou-me apaixonadamente, selou aquela noite de companhia e amor mútuo, e abraçou-me. E só havia duas maneiras de o poder abraçar, ou em bicos de pés, ou ele elevando-me, devido à diferença de alturas.
A boca dele percorreu um trilho cuidadosamente delineado pelo meu maxilar, desceu até ao pescoço e regressou à minha boca.
- Hum… Que bom! – suspirei de satisfação – Os teus miminhos sabem tão bem…

- Tava com saudade de mim, lá em Portugal era? – perguntou gozão e encarando-me

- Hum… De ti, de ti, nem por isso, que és um bocado melga e chato mas dos teus mimos, sim… - a cara dele formou uma expressão séria aguardando uma resposta igualmente séria –Claro que tive! Já te disse!
- Mas sabe bem ouvir… Vezes sem conta! – enterrou a cabeça no meu pescoço e subiu até ao ombro onde me acariciou com os lábios

- Morri de saudades tuas lá em Portugal! – confidenciei sorrindo – Amor… Amor… - ele permanecia molengão com a cabeça no meu pescoço – Temos de nos ir vestir se queremos aproveitar este solzinho milagroso de inverno!

- Sim, vamo! – ele puxou-me até à casa de banho – Tem cuidado ao temperar a água que se alguém puxar a água na cozinha cê se queima! – alertou ele ao mesmo tempo que desviava as cortinas da banheira

- David, eu sei como funciona uma banheira! – brinquei com ele rindo

- Eu sei que sabe mas estava explicando p’ra você as manhas da minha banheira! – riu-se também

- Pronto, muito obrigada mas eu acho que me vou conseguir entender com ela! – enrolei os meus braços em torno do pescoço dele

- Cê hoje tá muito engraçadinha! – reclamou

- Sabes como é… - sacudi os meus caracóis todo embaraçados no ar – Agora vai-te arranjar para irmos logo para a praia! – pedi empurrando-o para fora da casa de banho

- Fica aí se arrumando então, que eu vou tomar banho no banheiro do corredor p’ra gente se despachar ao mesmo tempo. Te amo! – e saiu dando-me um leve beijo no rosto

Eu tomei um banho rápido, sequei o cabelo e entrei no quarto ainda envolvida na toalha, para me vestir.
Sentei-me na cama e enquanto passava o creme nas pernas ia cantarolando uma música que já familiar no meu acordar. Mas fui interrompida pela entrada de rompante do David no quarto e dei um pulo pondo-me em pé

- Que susto! – exclamei com a mão pousada no peito

A cara do David estava divertidíssima, parecia que tinha visto assombração. Coçava os caracóis e estava visivelmente constrangido. Baloiçou-se vezes sem conta sob os próprios pés, desviou o olhar e focou-o novamente em mim outras tantas até que quebrou o silêncio.

- Me desculpa pensei que já tivesse vestida… - desculpou-se desviando o olhar do meu corpo
- Não faz mal, amor. Podes entrar… - disse com um sorriso leve

- Ah… Ah… - ele gaguejava – Eu vou me vestir na casa de banho p’ra você ficar mais à vontade – informou caminhando na direcção da porta da casa de banho do quarto dele

- Podes ficar! Somos namorados, entre namorados não há desses tipos de constrangimentos – tentei manter-me calma se bem que a ideia de ele me ver sem roupa me intimidava

- Tem certeza? – perguntou sorrindo e com um vermelho suave a tingir-lhe as maças do rosto

- Sim, tenho! Podes ficar! – afirmei segura

Vesti o bikini e ele os calções de banho de costas um para o outro, e quando estávamos prontos virámo-nos um para o outro.
O David ficou mais corado e eu sorri. Ele tinha os olhos presos em mim e eu pude vê-lo gesticular as mãos que soavam do nervosismo.
Rodeei a cama até chegar junto dele, pousei as minhas mãos na barriga dele ainda húmida do banho para me conseguir equilibrar e dei-lhe um beijo suave nos lábios ao qual ele correspondeu.
Mas depressa ele se entusiasmou e as suas mãos quentes, que permaneciam junto do tronco, subiram até às minhas costas despidas e iniciaram um frenesim carinhoso entre o fim das minhas costas e os meus quadris. Ele apertava-me contra si com fulgor e eu provocava-o a cada segundo do nosso beijo que se alongava cada vez mais.
O David foi-me empurrando e caímos em cima da cama, ele sobre mim.
A mão direita dele percorreu a linha da minha silhueta apertando-me a pele da barriga, a carne das coxas, ao mesmo tempo que os lábios dele abocanhavam os meus sem cessar.
As minhas mãos percorreram as costas desde o topo até ao fundo, delicadamente mas cravei as unhas ligeiramente na sua carne quando ele me mordeu o lábio inferior deixando-me com uma leve dor, estranhamente agradável.

- David… - quebrei o beijo aproveitando para acalmar a minha respiração ofegante – Pode entrar alguém… - avisei-o mas ele voltou a beijar-me e eu não ofereci qualquer resistência

Por entre várias carícias delicadas fomos aproveitando o momento e prolongando um beijo que foi interrompido pela entrada de alguém no quarto.

- Meu filh… - a Dona Regina ficou parada na porta do quarto a olhar para nós e eu dei um pulo da cama empurrando o David para fazer o mesmo – Me desculpem mas eu pensava que você tava sozinho meu filho… Pensava que a Adriana ainda tava se arrumando… - desculpou-se visivelmente atrapalhada

- Sem problema, mãe, a gente também tava só acabando de se arrumar p’ra ir apanhar um solzinho! – respondeu muito à vontade e imediatamente a mãe assumiu a mesma posição de descontracção

- Eu vinha trazer a sua toalha de praia que cê pediu… - disse estendendo-lhe a mesma
- Obrigado, mãe! – ele agarrou a toalha e deu um beijo no rosto da mãe

- O café da manhã tá pronto… - informou com um sorriso

- Tudo bem. A gente vai já já! – informou num sorriso e a Dona Regina saiu do quarto fechando a porta

Eu senti-me tão envergonhada, deixei o meu corpo cair sobre a cama onde fiquei sentada com a cabeça enterrada nas mãos. Mas se por um lado eu ficara imensamente envergonhada pelo momento por outro lado todo o constrangimento tinha tido a sua certa graça e não demorei muito até ouvir as gargalhadas de David que se sentara do meu lado na cama.

- Estás-te a rir de quê, ó? – perguntei destapando a cara

- Da sua cara meu amor! Foi hilariante! Parecia que minha mãe era um bicho feio! – ele ria-se agarrado à barriga e com as lágrimas a inundarem-lhe os olhos

- Foi assim tão mau? – perguntei erguendo as minhas sobrancelhas
- Mau? Não foi bom demais! – e prosseguiu rindo e eu depressa me juntei a ele
As nossas gargalhadas foram interrompidas pela boca de David que inundou a minha boca de beijos ternos e repenicados intercalados por entre palavras.

- Boba! Cê é uma boba! – foi dizendo enquanto me beijava
- Tu não aprendes! Vai mas é acabar de te vestir ó caracóis! – ordenei levantando-me na direcção do guarda vestidos

- Hey, olhe aí o respeito! Nunca brinque com os caracóis de um homem, tá bom? – a cara dele era de um gozo evidente mas ele controlava-se para não se rir

- Peço desculpa, Mister Caracóis! – falei num tom sério, mas depois de alguns segundos a olharmo-nos com expressões sérias acabámos por não aguentar e quebrámos o silêncio com risadas sentidas

Acabámos de nos vestir por entre troca de carícias e partilha de gargalhadas.

*****

Depois de nos arranjarmos saímos na direcção da cozinha onde a mesa do pequeno-almoço já estava posta, e onde já todos estavam sentados.

- Bom dia! – cumprimentei Isabelle e o Senhor Ladislau

- Bom dia! – responderam ambos em uníssono

- Meus filhos, se sentem e tomem o café da manhã que devem tar morrendo de fome – Dona Regina sorria e apontava a mesa.

Sentámo-nos na mesma ordem na noite passada, eu lado a lado com David, a Isabelle à minha frente e os pais dele nos extremos da mesa, a Dona Regina do lado de David e o Senhor Ladislau do meu.

- Só vai comer isso, minha filha? – perguntou Dona Regina quando eu agarrei numa torrada e a coloquei no prato

- Sim, não tenho muita fome – respondi envergonhada vertendo café para a minha chávena

A verdade era que do que estava sob aquela mesa, muito pouca coisa eu podia comer. Leite com cereais, iogurte, torradas com manteiga, leite machiato, ou café com leite estavam fora da lista uma vez que eu sou intolerante à lactose. Por isso sobrava comer pão sem nada, fruta e café.

- Mas não gosta da comida? – ela parecia visivelmente preocupada

- Não, não é nada disso! – aprecei-me a responder

- Na verdade, mãe… Eu esqueci de dizer p’ra você mas ela é intolerante à lactose, não pode comer quase nada do que aqui está… - informou David e eu fuzilei-o com o olhar
Dona Regina havia preparado aquilo com tanto carinho que eu tive pena de dizer aquilo, mas David não se coibiu de revelar a verdade.

- Eu vou preparar outra coisa p’ra você! – disse levantando-se

- Não, deixei estar, Dona Regina! Eu fico bem com as torradas, o café e a fruta! – sorri-lhe e ela retomou o seu lugar

- Tem certeza? – perguntou desconfiada

- Sim, não se preocupe!

Tomei o pequeno almoço sempre com a mão de David entrelaçada na minha e uma nova certeza começava a surgir, eu tinha ali uma segunda casa…

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Olá!

Caros leitores,
Quero aproveitar já para pedir desculpa pela minha ausência mas tive uns problemas pessoais e a escola, trabalhos e testes têm dificultado a postagem frequente de capítulos.
Espero que entendam que não é por falta de vontade mas sim por falta de tempo.
Aproveito também para vos agradecer por serem sempre leitores assiduos e pelos vossos comentários, que são sempre importantes para eu saber o que acham da história, do rumo que lhes estou a dar, e claro, críticas e sugestões serão sempre bem aceites :D
Quanto ao próximo capítulo eu espero postá-lo hoje mas senão me for possível, amanhã irei postar concerteza!
Obrigada por lerem e continuem a fazê-lo e a comentar!
Beijinho ^^

sábado, 4 de dezembro de 2010

Capítulo 97 - Férias (Parte II)

Estivemos juntos na praia até o sol se pôr sobre a linha do horizonte e uma brisa quente encher o ar que nos envolvia.

- Amor, vamos indo? – eu retirei a minha cabeça relaxada do ombro dele e fiz um trejeito molengão com os braços

- Ui meu amô, cê anda muito preguiçosa ultimamente…

- Ando cansada, só isso! Sabes como é… Escola, testes, exames, castings… - a minha voz arrastava-se

- E depois essa viagem longa, cê tá abusando meu amô! Exigindo demais do seu corpo, tá precisando de férias aqui com o seu namoradão! – ele apertou as minhas costas contra o seu tronco definido

- Então e aqui estou eu! Pronta para uma semaninha de férias maravilhosas! – suspirei imaginando os longos banhos de sol que iria apanhar naquela praia, os longos passeios que iria dar de mão dada com David, sim porque ali eu não precisava ter medo de ser apanhada por qualquer objectiva mais curiosa

- Vai ser a melhor semana dessas férias! – ele esboçou um sorriso luminoso e esborrachou os nossos corpos um contra o outro e selou um beijo na minha orelha

- Ó David sabes que horas são? É que eu não quero que a tua mãe faça o jantar sozinha, eu posso ajudar…

- Larga de bobagem a gente tem mais é de ficar assim, agarradinho, bem juntinho, o dia todo, a noite toda, a semana toda… - a sua voz foi ganhando uma gradação cada vez mais preguiçosa em consequência do conforto que a situação que descrevia lhe proporcionava

- E vamos ter esse tempo agora vamos para casa, não vamos chegar só na hora do jantar, vá lá! – pedinchei e levantei-me da areia erguendo-me na frente dele

Ele levantou-se também e colocou-se por trás de mim.

- Amô tem o bumbum cheio de areia! – brincou

- Parvo! Tira se faz favor! – pedi mordendo o lábio inferior
- Tira você!

- Oh não sejas assim… Sabe melhor se for carinho teu… - assumi o meu jeito de menina

- Mimada! – acusou sorrindo mas sacudiu entre palmadinhas suaves a areia das minhas nádegas

- Muito obrigada, senhor David Marinho! – agradeci num tom sério

- De nada, senhora Adriana Vale! – ele alinhou na brincadeira

Ele passou o braço por cima dos meus ombros e percorremos o caminho, curto, até sua casa.
**

David

Entrámos em casa e Adriana não sossegou até conseguir infiltrar-se na cozinha p’ra ajudar minha mãe. Eu sei o quanto ela detestava se sentir inútil ou incapaz por isso dei uma força, e pedi a minha mãe que deixasse de lado a ideia de que “visita não ajuda” e a deixa-se entrar nos cozinhados nem que fosse fazendo alguma coisa simples.
Ela tava do lado da minha mãe, enquanto esta lavava os legumes, Adriana os cortava finamente p’ra minha mãe colocar na sopa.
Meu pai se sentou do meu lado na mesa da cozinha assistindo TV, no pequeno ecrã por cima do frigorífico.
Bem, na verdade ele assistia TV porque eu tava completamente vidrado em Adriana e na maneira como ela se relacionava tão facilmente com minha mãe. Se bem que eu tenho certas dificuldades em encontrar alguém com quem Adriana não se relacione facilmente pois ela é uma pessoa muito acessível.
A minha cabeça me fez voar até longe, p’ra bem junto do dia do meu aniversário quando ela e meus pais se viram pela primeira vez. Ela não tinha feito nada que não fosse característico dela, algo para impressionar meus pais, ou manipula-los. Limitou-se a ser ela própria, genuína e perfeita, pelo menos aos meus olhos.
A minha mente levou-me mais atrás, ao dia em que a beijei pela primeira vez, naquela noite amena na praia preferida dela. Sorri perante essa recordação e fui interrompido pelo toque do meu pai.

- Hã? – respondi depois de ter sido puxado de tão belas recordações para a realidade

- Tou falando com você meu filho! Não ouviu não?

- Desculpe pai! Tava aqui lembrando de umas coisas…

- Com esse sorriso bobo na cara tava lembrando dela com certeza! – meu pai falava baixinho p’ra que minha mãe e ela não nos ouvissem – Meu filho, posso perguntar uma coisa p’ra você?
- Claro, pai! Pergunta o que cê quiser!

- Ela não é igual às outras pois não? – ele parecia intrigado mas por outro lado eu sabia que ele me conhecia demasiado bem p’ra saber a resposta àquela pergunta

- Não, pai! Não mesmo!

- E? Cê ama ela?

- Pô, que o senhor acha? É claro que amo ela… Muito! Lembra quando cê falava p’ra mim que eu um dia ia encontrar uma mulher perfeita para mim, a mulher da minha vida, aquela que iria estar disposta a trilhar esse caminho comigo? Bem… Acho que eu encontrei! – assumi envergonhado mas muito sincero

- Era o que eu desconfiava… - ambos soltámos gargalhadas satisfeitas

- Os meninos tão rindo do quê? – minha mãe se tinha voltado do balcão na nossa direcção e Adriana a acompanhou
**

Adriana

Depois de muito insistir e com o apoio de David, Dona Regina quebrou a regra de boa anfitriã e deixou-me ajudá-la.
Ela lavava os legumes e eu cortava-os finamente para colocar na sopa.
Senti a presença de David e do seu pai atrás de nós e vi-os sentados na mesa da cozinha a ver televisão, se bem que o olhar de David estava mais interessado em mim.

- Tá bom assim, Dona Regina? – perguntei parando de cortar

- Tá óptimo! Mas faz um favorzinho e me trata pelo meu nome?
- Ai não consigo trata-la por tu, desculpe…

-Faz um esforço… Senão consegue me trate por Dona Rê que nem todo o mundo! – ela era uma mulher muito sorridente e sem dúvida muito bonita, e alguns dos seus traços recordavam-me os de David

- Eu vou tentar então… Mas não prometo nada, é difícil! – rimo-nos suavemente e prosseguimos com as nossas tarefas e com a conversa

- Cê é sempre assim tão calminha e reservada? – perguntou-me ela

- Sim, não faz muito parte da minha personalidade ser espampanante e aquela coisa toda. Sou alegre sim, animada mas não sinto necessidade de exagerar e sobre expor-me.
- Não me interprete mal mas eu reparei que apesar de bonita, animada e muito comunicativa cê não é infantil, é bastante madura p’ra idade que tem…

- Mas também gosto das minhas brincadeiras…

- É que nem todo mundo… Cê já olhou bem p’ro moleque de 23 anos com quem tá namorando? – ambas nos rimos

- Oh, o David é super divertido, do lado dele não há como conter um sorriso, uma gargalhada. É um ser humano magnifico e claro um namorado dedicado, mas eu sou suspeita… - brinquei e ela riu-se

- Sim, o David é muito fiel à educação que recebeu, nunca deixou que qualquer sucesso o impedisse que enxergar o caminho já trilhado e as suas dificuldades…

- Eu sei e é isso que também admiro muito nele como pessoa, a sua humildade. Bem isso e aquele sorriso lindo, tenho de admitir que o seu filho é de facto muito bonito! – ri-me

- Bem, eu e o meu marido fizemos o trabalho direitinho então – ambas nos rimos discretamente
- Fizeram sim, têm um filho lindo e de uma educação extraordinária! – elogiei e sorri

- Posso perguntar uma coisa p’ra você? Mas sem você se ofender…

- Claro, pergunte o que quiser Dona Regi... Dona Rê! – corrigi a esforço
- Cê ama mesmo meu filho não ama? – o sangue subiu-me ás maças do rosto com aquela pergunta

- Ah… Ah… Ó Dona Rê agora apanhou-me desprevenida… Mas tenho de ser sincera e não é por estar na presença da mãe dele, mas amo-o… Muito! – confirmei envergonhada

- Dá p’ra ver sabe? A sua dedicação a ele, o seu carinho, a maneira como seus olhos brilham quando fala nele, quando olha ele, o seu sorriso quando está com ele, e o meu filho tá do mesmo jeito. Até um cego enxerga esse amor!

Silenciei-me reflectindo com um sorriso no rosto as palavras da sua mãe mas a voz dela interrompeu esse silêncio

- Muito obrigada!

- Obrigada porquê?

- Por amar ele assim e o fazer tão feliz! Obrigada mesmo!

As gargalhadas de David e do seu pai interromperam a minha conversa e da Dona Regina.
- Os meninos tão rindo do quê? – ela virou-se na direcção deles e eu também

- Nada não, coisa de homem! – respondeu David ainda contendo umas quantas gargalhadas

- E as meninas tavam cochichando o quê? – perguntou o Senhor Ladislau

- Coisa de mulher! – eu e a mãe dele responde-mos ao mesmo tempo e entregámo-nos novamente a gargalhadas prazerosas

- Não é justo não! – resmungou David

- Sabe o que é que não é justo? Cê ficar aí quieto! Vai pôr a mesa, menino! – ordenou-lhe a mãe
- Tou indo, tou indo! Tudo eu! Tudo eu! – refilava sozinho

- Eu vou ajudá-lo! – e dirigi-me a ele que tirava os pratos do armário superior

Fomos pondo a mesa e enquanto eu dobrava os guardanapos junto à mesa senti um beijo, bastante barulhento, de David contra a minha bochecha direita.

- David! – falei baixinho

- Que foi? – respondeu-me no mesmo tom

- Olha os teus pais… - adverti colocando o guardanapo dobrado junto do prato

- E daí? Deixa de coisa! – ele roubou-me um beijo nos lábios e eu fiz uma cara zangada que depressa tive de desfazer quando ele agitou os seus fartos caracóis no ar, desfiz-me num sorriso rasgado e acabei de por a mesa com a ajuda dele

Foi um jantar agradável que terminou cedo com um café na sala de estar.
A Dona Regina e o Senhor Ladislau estavam sentados lado a lado mas em poltronas separadas e eu e David lado a lado, com a minha cabeça encostado ao seu ombro enquanto o seu braço esquerdo me passava sobre os ombros. Eu fazia um esforço por manter os olhos abertos mas o sono começava a levar a melhor.

- Minha filha, cê tá morta de cansaço! Vai dormir, vai! – incentivou a Dona Rê com um sorriso terno no rosto

- Pois, é melhor… - levantei-me do sofá e David seguiu-me – Podes ficar, amor… Não tens de te deitar já, eu fico bem! – sorri-lhe delicadamente

- Eu também tou cansadão! – disse espreguiçando-se

- Porque será? Cê mal dormiu esperando bater a hora de a ir pegar… - gozou a mãe e eu ri-me juntamente com ela e o seu pai

- Ah, sacanagem! Se unindo contra mim, sim senhor! – refilou mas riu-se também
- Bem, então boa noite! - despedi-me

- Boa noite mãe e pai! A sua bênção! – ele deu-me a mão e dirigimo-nos ao quarto
**


David

Ela vestiu o pijama, escovou os dentes e se deitou do meu lado.
- Ué? Não vai chegar p’ro pé de mim? – perguntei notando o espaço entre nós

- Chega-te tu! Estou demasiado cansada para me conseguir mexer – ela brincou

- Então vou eu aí… - joguei meu corpo p’ra junto do dela, esborrachando-nos um contra o outro

- David és pesado! – refilou por entre gargalhadas

- Cê disse que eu te podia abraçar! – contra argumentei

- Abraçar! Não esborrachar! – ela arregalou aqueles seus olhos lindos castanhos que nutriam um brilho mais especial a cada dia que passava

- Desculpa, é da saudade! Quando bate… - a minha voz arrastou-se

- Oh, também tive saudades.. muitas… - confessou contra o meu peito onde se havia aninhado
Virei meu corpo para cima, a cabeça nela pousou no meu peito despido e eu rodeei o seu corpo com o meu braço esquerdo e coloquei o direito debaixo da minha cabeça como apoio.
- Meu amô, sabe o que eu tive pensando? – perguntei-lhe

- Hum… O quê? Isso não vai sair coisa boa… - a sua voz arrastava-se e eu podia adivinhar uma dificuldade dela p’ra manter os olhos abertos

- Não faz assim, eu tava pensando que a gente teve separado esse tempo todo e tamo morrendo de saudade um do outro por isso a gente podia aproveitar quando chegar em Lisboa…
- Hum, hum… - murmurou e aninhou-se mais contra o meu peito

- Podíamos tirar uns diazinhos, os últimos de férias só p’ra gente e quem sabe… P’ra fazer umas mudanças… Eu tive pensando, e …. A gente se gosta, se quer muito, queremos passar tempo junto por isso porque não morar junto? – sugeri e as últimas palavras saíram trémulas

Ela permaneceu num silêncio profundo e numa respiração pesada que envolvia o quarto. Com algum esforço espreitei por cima da sua cabeça e vi os seus olhos fechados, concluí que ela tinha adormecido.
Suspirei porque encarei aquele momento como um sinal que talvez fosse demasiado cedo p’ra convidar ela p’ra morar comigo. Dei-lhe um beijo suave no topo da cabeça, encostei a minha à dela e adormeci poucos minutos depois.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Capítulo 97 – Férias (Parte I)

Estávamos em fins de Junho, eu e o David estávamos juntos há três meses. O campeonato tinha acabado e por uma questão de três pontos ficámos em segundo lugar no campeonato, perdendo para o Braga. Os rapazes não tinham ficado agradados mas estavam às portas de uma nova época que se adivinhava grande.
Eu tinha-me aproximado muito de algumas pessoas do grupo como Paula, Matilde, Inês, Andreia e Bianca. E depois de descobrir que Bianca poderia entrar na minha faculdade, no curso de Design de ambientes, convidei-a a morar comigo na minha casa, uma vez que viver sozinha era muito deprimente apesar de libertador, mas sem dúvida que viver com Bianca seria uma alegria a cada dia. Ela havia-se tornado uma grande amiga e confidente com a qual esperava ainda partilhar grandes momentos.
David estava há quase um mês no Brasil mas eu não tinha podido ir porque ainda tinha aulas e treinos, e além disso época de verão era sempre óptimo para se arranjar bons castings.
Mas eu tinha prometido à Dona Regina e ao David que iria passar uma semana ao Brasil com eles, e finalmente o dia da viagem tinha chegado.
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O David ainda quis viajar para Lisboa para me acompanhar de novo até ao Brasil para eu não fazer a viagem sozinha mas obviamente que o proibi de tal coisa.
Depois de um voo muito demorado finalmente uma voz no avião comunicava a aterragem e a luz dos cintos acendia para que os prendêssemos. Foi uma aterragem calma e normal como tantas outras das viagens que eu já tinha feito.
Há quase um mês que já não via David e a vontade de o beijar, cair nos braços dele era mais que muita e eu estava ansiosa por finalmente o ver, mais do que para conhecer a restante família dele, ideia que me assustava um pouco.
O avião aterrou e eu desembarquei, quando saí pela porta de desembarque vi David com um enorme sorriso no rosto, as mãos enfiadas nos bolsos e o seu olhar preso em mim.
Deixei o carro onde tinha a minha mala para trás e corri para David. Atirei-me nos braços dele e ele elevou-me no ar rodando.


- Que saudade! – disse afagando o meu cabelo pela nuca

- Nem me digas nada! - disse num suspiro contra o seu ouvido

Ele pousou-me levemente no chão e senti os seus lábios procurarem os meus com uma certa avidez que não estava longe da violência. Uma carícia perfeita da qual já tinha imensas saudades. Deixei a sua língua invadir a minha boca e a minha enlaçou-se na dele, uma dança apaixonada e suficiente para matar todas as saudades.
A língua atrevida dela percorreu o meu lábio inferior e os seus dentes puxaram-no delicadamente. Sorrimos e quebrámos o beijo.

- Que saudade de beijar você… - assumiu e encostou a sua testa na minha, os seus caracóis caiam sobre a minha testa e provocavam-me cócegas

- Então mata-as! – ordenei e voltei a beijá-lo, puxando-o para mim com as minhas mãos atrás da sua cabeça

- Nossa, tá me parecendo que eu não sou o único com saudade, não… - brincou num sorriso matreiro

- Não podes ser sempre o único não é, meu moleque? – respondi mantendo o tom de brincadeira e um sorriso na cara

- Mas a gente vai ter de matar essa saudade mais tarde porque tá todo o mundo nos esperando p’ra almoçar… - ele soltou-me a mão e voltou atrás para ir buscar a minha mala onde a tinha deixado – Vamo? – ele estendeu-me a mão e eu dei-lha

Avançámos pelo aeroporto até á saída, entrámos no carro que David costumava usar quando ir ao Brasil e demorámos 20 minutos a chegar a casa dele.
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- Chegámos! – anunciou parando o carro em frente a um prédio muito simpático que era dividido da praia por uma avenida e um calçadão

- Isto é tudo tão bonito! – assumi com um certo fascínio admirando o mar pela janela do lado de David

Saímos do carro, ele tirou a minha mala da bagageira e deu-me a mão até entrarmos no prédio.
David chegou á porta de casa e tirou as chaves do bolso mas sem nunca me largar a mão. Antes que ele abrisse a porta de casa esta abriu-se á nossa frente e vi a Dona Regina.

- Minha querida! – cumprimentou Dona Regina abrindo os seus braços para me prender num abraço

- Dona Regina! – abracei-a com força e sorrimos as duas

- Entrem, entrem! – ordenou a mãe dele puxando-me carinhosamente por uma mão, o David seguiu-nos e fechou a porta atrás de nós – Como foi a viagem? Correu tudo bem?

- Sim, tudo bem! Foi longa mas correu muito bem! – sorri educadamente

- Ainda bem! – ela sorriu-me e virou a sua cara para o corredor de onde vinham algumas risadas e vozes

- Mãe? Eles já chegaram? – ouvi uma voz feminina e depressa surgiu uma rapariga que seguia em frente ao Senhor Ladislau, reconheci-a como sendo Isabele, a irmã de David devido a umas fotos que eu já tinha visto deles juntos

- Chegaram sim! – a Dona Regina respondeu-lhe docilmente e saiu do meu lado para lhe passar a mão no rosto

- Minha filha… - o Senhor Ladislau veio sorridente na minha direcção e deu-me um abraço caloroso
- Olá, Senhor Ladislau!
- Tudo bom, minha filha?

- Sim, tudo e com o senhor? – perguntei retomando o meu lugar do lado de David

- Tudo óptimo! Agora que você chegou muito melhor – sorriu-me e eu correspondi – O meu filho sem você fica difícil de aturar! – ele fingiu sussurrar e rimo-nos todos inclusive Isabele

- Não me vai apresentar a sua namorada não, maninho? – perguntou Isabele a David

- Vou sim, ó casula! Essa daqui é minha irmã, Isabele, e Isabele essa é minha namorada, Adriana! – ele apresentou-nos e eu dei dois beijinhos a ela

- Muito prazer! – disse-lhe

- O prazer é meu! Cê ainda é mais bonita ao vivo do que nas fotos! – elogiou e eu corei

- Oh obrigada! Tu também és muito bonita, já vi que é mesmo de família – brinquei e rimo-nos todos

- Bem, vamo instalar a Adriana… - disse a mãe – Você vai ficar no quarto do David por isso meu filho leva a mala dela…

Eu gelei, eu estava na casa dos pais dele e iria dividir quarto com ele. O que é que o pais dele ficariam a pensar. Calei-me e segui-o até entrarmos no quarto dele.

- Bem-vinda ao meu palácio! – disse brincando sentando-se na cama e eu fechei a porta atrás de mim

- Oh David não acho correcto ficar no teu quarto… O que é que os teus pais vão pensar?
- Que a gente somos namorados! E é o que somos! Deixa de besteira!

- Eles vão pensar que dormimos juntos! – sussurrei envergonhada

- Não vão, meu amô. Acredita! Eles me conhecem, sabem tudo a cerca da minha vida por isso eles sabem que entre a gente ainda não houve nada…

- Contaste-lhes? – perguntei chocada

- Não mas eles me conhecem! Desencana vai, meu doce! – ele aproximou-se de mim e fez os nossos narizes tocarem-se – Sim? – perguntou numa voz melada

- Sim… - respondi docemente e ele beijou-me suavemente nos lábios

- Vamo que tá todo o mundo nos esperando p’ra almoçar depois do almoço a gente arruma tudo… - e dirigimo-nos à sala

Depois de um almoço muito agradável, onde conheci ainda melhor os pais dele, e pela primeira vez e irmã e o cunhado que minutos depois se juntou a nós, eu e ele arrumámos as minhas coisas no armário dele e seguimos para um passeio sozinhos na praia.

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Ele estava sentado de pernas entreabertas e eu no meio delas, à beira mar.

- Amô, promete que nunca mais vamo passar férias longe um do outro! Esse mês pareceu uma eternidade! - reclamou com os seus lábios encostados ao meu ouvido

- Oh, estás a exagerar! Custou sim, muito mas aguentámos! – tentei desvalorizar a saudade mas ele sabia que tinham sido muitas

- Ah fala por você! Eu tive mais do que cinco vezes p’ra apanhar um voo p’ra Portugal! Tava louco de tanta saudade! – ele deu-me uma série de beijos no pescoço e apertou-me mais contra si, com as mãos que rodeavam a minha cintura

- Sabes que é uma das coisas que mais gosto em ti é seres assim meio maluquinho! – brinquei e sorri

- Ah mas me conta as novidades, como tá Portugal? – perguntou-me

- Amor, nós falamos todos os dias, até mais do que uma vez, já sabes de tudo o que possas imaginar! Bem tirando que a Bianca, depois de sabermos se entrámos na mesma faculdade se muda lá para casa... - Hum, disso eu não sabia não! – ele agitou os caracóis

- Ficas a saber! – sorri-lhe e deixei a minha cabeça tombar sobre o ombro dele

Os lábios ternos dele percorreram o meu pescoço, subiram até à minha orelha e seguidamente até á minha linha do maxilar. Eu sorri quando senti os seus lábios na minha maça do rosto.

- Até do seu perfume eu tinha saudade… - ele enterrou a cabeça no meu pescoço

- Não mudou… É o mesmo! – informei

- Eu sei, reconheceria esse cheiro nem que fosse no fim do mundo! – senti-o rasgar um sorriso contra a pele do meu pescoço

- Oh… - senti-me emocionada com as palavras dele

Ajoelhei-me no meio das pernas dele ficando então de frente para ele. Encostei o meu nariz ao dele e sorri-lhe.

- Sabes do que é que eu senti mais saudade? – perguntei
- Do quê? – ele parecia curioso

- De te ouvir dizer que me amas, nos olhos… - confidenciei afastando os nossos rostos

- Jura? – perguntou num sorriso rasgado que lhe iluminava claramente os olhos

- Sim… - senti-me envergonhada

- Te amo, minha minininha! Te amo! Te amo! Te amo! – jurou por entre beijos que me dava com alguma intensidade

- Obrigada! Obrigada! – agradeci sorrindo e enterrei a minha cabeça no pescoço dele, beijando-o no rosto várias vezes

- Já falei p’ra você não me agradecer uma coisa que dou instintivamente com o coração… - advertiu-me mais uma vez

- Eu sei mas não consigo evitar… - encarei-o nos olhos agarrando o seu rosto com as minhas duas mãos

Beijei-o sequencialmente nos lábios como foi minha vontade e senti as mãos dele apertarem a minha cintura contra o seu corpo.

- Amo-te! – disse-lhe olhando-o nos olhos

- Te amo demais, minha perdição! – jurou-me e eu fechei os olhos absorvendo o momento

Era só eu e ele, o mar e as nossas juras de amor.