Olá leitores,
muito obrigada pelos comentários pois são eles que me dão força para escrever.
Neste capítulo volto a narrar na 3ª pessoa, espero que gostem! :D
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A viagem até Portugal foi longa e Adriana fê-la quase toda a dormir, já David usou-se daquelas horas para poder admirá-la, observá-la, garantindo que ela estava bem.
Desde que a conhecera, ele tinha aquela necessidade inexplicável de a proteger, num abraço, num beijo, ou simplesmente num olhar.
Assim que o avião aterrou David deu a mão a Adriana até descerem pela mangueira de desembarque.
Desde que a conhecera, ele tinha aquela necessidade inexplicável de a proteger, num abraço, num beijo, ou simplesmente num olhar.
Assim que o avião aterrou David deu a mão a Adriana até descerem pela mangueira de desembarque.
- Amor, a partir de agora segues sozinho… - informou Adriana soltando-lhe a mão
- Amô, não quero deixar você sozinha agora não… - ele voltou a aproximar o seu corpo do dela
- David, a sério! Os media devem andar por aí, vamos evitar que eles nos vejam juntos…
- Não quero saber deles não! O que importa agora é você! Por favor… - David implorava num olhar meigo mas Adriana não estava de todo disposta a ceder
- Não David, a sério! Segue para a tua casa… Eu vou até à minha casa deixar as malas e sigo para a casa dos meus pais… Depois eu ligo-te e logo nos vemos, pode ser?- informou num ténue sorriso
David sabia que Adriana era uma pessoa de ideias firmes e não valia de nada insistir porque ela não iria ceder.
- Tá bom, mas então me deixa depois ir ter com você… Promete que liga! – pediu num leve beicinho
- Prometo, David! Agora vai! – ordenou Adriana afastando-se dele
- Te amo, viu? – ele roubou-lhe um beijo rápido mas muito sentido
- Eu sei, eu também! – ela passou-lhe a mão levemente nos caracóis e afastou-se na direcção de recolha de bagagens
Adriana estava visivelmente abatida, ela adorava o seu avô e mantinha uma relação muito próxima com ele e perdê-lo não era sequer possibilidade.
Não foi difícil identificar a sua mala no meio de tantas que o tapete rolante arrastava, uma vez que a sua era preta às bolas brancas. Mal a viu agarrou nela, colocou-a no chão em modo de arrastar e saiu na direcção da zona de táxis.
A entrada do aeroporto de Lisboa estava num reboliço fora do normal e depressa Adriana percebeu porquê, David estava rodeado por um bando de “abutres” como ela gostava de se referir aos media.
- David! Aqui!
- David!
Cada um pronunciava o seu nome aos berros, tentando cativar a sua atenção e assim obter o direito de fazer uma pergunta e com alguma sorte, quem sabe duas.
- Como foi passar as férias junto dos seus pais? – perguntou um dos abutres
- É sempre bom matar saudades de casa, mas a gente se habitua ficando longe, e Portugal é a minha nova casa. Mas este tempo no Brasil me fez muito bem, tou como novo e pronto para a nova temporada! – afirmou educado como sempre
- E em relação ao seu coração? Alguma brasileira conquistou o seu coração nestas férias ou este já pertence a alguma portuguesa? – chutou rapidamente outro jornalista
- Eu já afirmei… Amo a minha mãe e sou casado com o futebol. Na altura certa eu vou saber quando a menina certa aparecer na minha vida – David era perito em fintar as perguntas dos jogadores tão bem como fintava os adversários dentro das quatro linhas
- Então o David permanece solteiro? – insistiu o jornalista
- Já afirmei, sou casado com o futebol e a minha vida pessoal em nada interferirá na minha carreira e desempenho pelo Benfica… - ele deu pela presença de Adriana junto à área dos táxis e soltou um leve sorriso
Ela correspondeu ao sorriso, mandou parar um táxi, o senhor colocou a sua mala na bagageira e ela entrou no táxi sob o olhar atento de David.
Depois de uma viagem de avião tão longa Adriana precisava desesperadamente de descansar mas ela não o iria fazer tão facilmente enquanto não soubesse do estado do seu avô.
Depois de passar na sua casa para deixar as malas seguiu rapidamente para a casa dos seus pais a fim de falar com eles
***
- Mas mãe, eu quero ir ver o avô! – pedia desesperadamente
- Ouve Adriana, amanhã é o casamento do teu primo… Não há necessidade nenhuma de ires de propósito para cima hoje, a viagem é grande e não arranjarás autocarro – contra argumentava a mãe
- Mas mãe eu preciso ter a certeza que ele está bem…
- Ouve, o avô está bem! E além disso ele desconhece a gravidade do seu estado por isso vamos ter de nos manter discretos… Por favor!
- Tudo bem, mas amanhã eu vou ver o avô com toda a certeza e ninguém me impede! É o casamento do meu primo!
- Tudo bem… Amanhã vê-lo. – concordou a mãe dando-lhe um abraço
- Eu vou indo… A viagem foi longa e eu preciso desesperadamente de descansar!
- Tá bem filha, vai com cuidado… - a mãe levou-a até à porta
- Mãe, é verdade! O David vai acompanhar-me no casamento… - revelou com um sorriso intocável
- Ainda bem, filha! Vai ser bom ver-vos juntos! – a mãe também lhe sorriu
Adriana despediu-se da mãe e desceu a escadaria do prédio até ao metro, mas foi interrompida pelo toque do seu telemóvel. Era uma mensagem de David.
“Amô, mal possa me diz qualquer coisa. Queria estar com você hoje, senão quiser entendo, deve tar enjoadona de mim! :P
Beijão
Te amo!”
A mensagem de David foi a única capaz de lhe colocar um sorriso na cara e apressou-se em responder
“Enjoadona de ti? Mas isso é possível? :P Eu estou a ir para casa… Vou comer qualquer coisa e descançar, podes passar por lá… Se quiseres até passavas cá a noite, mas é só uma ideia claro!
Beijão
Amo-te”
Quando ela ia a entrar em casa recebeu a resposta dele à mensagem.
“Dormir aí? Topadissimo! Vou só preparar qualquer coisa p’ra vestir e vou p’raí…
Beijão
Até já
Te amo”
Sorriu, guardou o telemóvel e foi tomar um duche rápido antes dele chegar.
Ele tocou à campainha e ela correu para lhe abrir a porta, ainda calçando uma pantufa precisando assim de se apoiar no vão da porta para não cair.
- Oi! – David cumprimentou-a com um sorriso e aproximou-se para a beijar
- Olá, amor! – Adriana endireitou-se depois de calçar a pantufa e deu-lhe um beijo nos lábios – Entra! – ordenou entrando para a sala de estar
- Onde deixou as minhas coisas? – perguntou erguendo um pequeno saco desportivo no ar
- Mete no meu quarto…- ela sorriu-lhe e ele saiu na direcção do corredor
Adriana dirigiu-se à cozinha pois tinha o jantar ao lume. Abriu a porta do forno e tirou de lá de dentro um tabuleiro de bacalhau com natas que ela sabia que David tanto adorava.
- Hum, que cheiro gostoso! – David envolveu-a por trás num abraço pousando a sua cabeça no ombro dela depois de lhe roubar um beijo no pescoço
- Fiz para ti! Não são os cozinhados maravilhosos da Dona Regina mas acho que se come… - sorriu em tom de brincadeira
- Tá mais que óptimo! Com a fome que eu tou como qualquer coisa! – David deu-lhe um beijo na nuca e soltou-a
- Então Sr. Esfomeado ponha aí a mesa enquanto eu vou cortar o pão…
David e Adriana jantaram calmamente e depois de alguns minutos a ver televisão foram-se deitar entregando-se ao cansaço que os tomou.
***
Adriana acordou na manhã seguinte rebolando para o lado da cama que na noite anterior havia sido ocupado por David.
Um choque térmico apoderou-se do seu corpo, o lado da cama de David estava vazio e por consequência frio. Adriana abriu os olhos e constatou que estava de facto sozinha. Ainda meio zonza tentou perceber se havia barulho vindo do banho ou da sala mas nada, um silêncio profundo apoderava-se da casa.
Com os olhos semi cerrados e ainda cambaleando, devido ao seu estado de recente acordada, foi até à casa de banho mas de facto não havia sinal de David.
Viu um pequeno bilhete sob a sua mesa de cabeceira e sorriu adivinhando ser de David.
“Meu amô,
Tive de sair p’ra tratar de uns probleminhas, passar por casa e passar no estádio para falar com o presidente.
Mais logo a gente se vê…
Beijo
Te amo muitão gata”
Aquelas palavras aqueceram o seu coração, viajou até às mais felizes memórias do lado dele mas foi interrompida pelo soar da sua campainha. Olhou para as horas e viu que era realmente tarde, quase hora de almoço.
Espreitou pelo óculo da porta e viu Ruben, mas para variar o seu sorriso constante estava ocupado por um semblante carregado.
Ele entrou, não pronunciou nada, deu-lhe um beijo na testa e arrastou-a até ao sofá.
- Ó Ruben que cara é essa! – perguntou Adriana assustada
- Ó Adriana vais-me prometer que és forte!
As palavras proferidas por Ruben automaticamente provocaram um aperto no peito de Adriana.
- Não vou prometer nada enquanto não me disseres o que se passa! – Adriana elevou o tom de voz irritada e elevou-se no sofá
- Senta-te e ouve-me! – Ruben puxou-a para que se sentasse novamente – Esta manhã recebi um telefonema do hospital… - Ruben hesitou e respirou fundo - … o David teve um acidente de carro e… Não resistiu, teve morte imediata – os olhos de Ruben encheram-se de lágrimas
As pernas de Adriana tremeram e o seu coração quebrou-se a meio.
- O David? Não pode ser! – foram as únicas palavras que Adriana foi capaz de proferir antes da película cristalina que lhe turvava a visão, rebentar em lágrimas longas pela sua face
Ruben abraçou Adriana vagarosamente e ambos choraram durante largos minutos, ele chorava a perda de um amigo e ela chorava a perda do grande amor da sua vida.
A vida era injusta, prestes a roubar-lhe um dos homens da sua vida, o seu avô, e agora levava-lhe assim David, sem sobre aviso.
Adriana arrependeu-se de cada "Amo-te" guardado, que devia ter dito, sim porque talvez ele tivesse morrido sem nunca saber o quanto ela o amava.
Ruben afastou-se mais calmo e Adriana prosseguiu o seu choro até reler vezes sem conta o bilhete que David lhe deixara, especialmente a frase “Mais tarde a gente se vê…”.
Adriana encostou o bilhete ao seu peito e continuou a chorar sabendo esse “Mais tarde” nunca chegaria e que David não mais voltaria.
E agora? Como é que ela iria seguir a sua vida sem ele?
Adriana encostou o bilhete ao seu peito e continuou a chorar sabendo esse “Mais tarde” nunca chegaria e que David não mais voltaria.
E agora? Como é que ela iria seguir a sua vida sem ele?


