Estivemos juntos na praia até o sol se pôr sobre a linha do horizonte e uma brisa quente encher o ar que nos envolvia.
- Amor, vamos indo? – eu retirei a minha cabeça relaxada do ombro dele e fiz um trejeito molengão com os braços
- Ui meu amô, cê anda muito preguiçosa ultimamente…
- Ando cansada, só isso! Sabes como é… Escola, testes, exames, castings… - a minha voz arrastava-se
- E depois essa viagem longa, cê tá abusando meu amô! Exigindo demais do seu corpo, tá precisando de férias aqui com o seu namoradão! – ele apertou as minhas costas contra o seu tronco definido
- Então e aqui estou eu! Pronta para uma semaninha de férias maravilhosas! – suspirei imaginando os longos banhos de sol que iria apanhar naquela praia, os longos passeios que iria dar de mão dada com David, sim porque ali eu não precisava ter medo de ser apanhada por qualquer objectiva mais curiosa
- Vai ser a melhor semana dessas férias! – ele esboçou um sorriso luminoso e esborrachou os nossos corpos um contra o outro e selou um beijo na minha orelha
- Ó David sabes que horas são? É que eu não quero que a tua mãe faça o jantar sozinha, eu posso ajudar…
- Larga de bobagem a gente tem mais é de ficar assim, agarradinho, bem juntinho, o dia todo, a noite toda, a semana toda… - a sua voz foi ganhando uma gradação cada vez mais preguiçosa em consequência do conforto que a situação que descrevia lhe proporcionava
- E vamos ter esse tempo agora vamos para casa, não vamos chegar só na hora do jantar, vá lá! – pedinchei e levantei-me da areia erguendo-me na frente dele
Ele levantou-se também e colocou-se por trás de mim.
- Amô tem o bumbum cheio de areia! – brincou
- Parvo! Tira se faz favor! – pedi mordendo o lábio inferior
- Tira você!
- Oh não sejas assim… Sabe melhor se for carinho teu… - assumi o meu jeito de menina
- Mimada! – acusou sorrindo mas sacudiu entre palmadinhas suaves a areia das minhas nádegas
- Muito obrigada, senhor David Marinho! – agradeci num tom sério
- De nada, senhora Adriana Vale! – ele alinhou na brincadeira
Ele passou o braço por cima dos meus ombros e percorremos o caminho, curto, até sua casa.
**
David
Entrámos em casa e Adriana não sossegou até conseguir infiltrar-se na cozinha p’ra ajudar minha mãe. Eu sei o quanto ela detestava se sentir inútil ou incapaz por isso dei uma força, e pedi a minha mãe que deixasse de lado a ideia de que “visita não ajuda” e a deixa-se entrar nos cozinhados nem que fosse fazendo alguma coisa simples.
Ela tava do lado da minha mãe, enquanto esta lavava os legumes, Adriana os cortava finamente p’ra minha mãe colocar na sopa.
Meu pai se sentou do meu lado na mesa da cozinha assistindo TV, no pequeno ecrã por cima do frigorífico.
Bem, na verdade ele assistia TV porque eu tava completamente vidrado em Adriana e na maneira como ela se relacionava tão facilmente com minha mãe. Se bem que eu tenho certas dificuldades em encontrar alguém com quem Adriana não se relacione facilmente pois ela é uma pessoa muito acessível.
A minha cabeça me fez voar até longe, p’ra bem junto do dia do meu aniversário quando ela e meus pais se viram pela primeira vez. Ela não tinha feito nada que não fosse característico dela, algo para impressionar meus pais, ou manipula-los. Limitou-se a ser ela própria, genuína e perfeita, pelo menos aos meus olhos.
A minha mente levou-me mais atrás, ao dia em que a beijei pela primeira vez, naquela noite amena na praia preferida dela. Sorri perante essa recordação e fui interrompido pelo toque do meu pai.
- Hã? – respondi depois de ter sido puxado de tão belas recordações para a realidade
- Tou falando com você meu filho! Não ouviu não?
- Desculpe pai! Tava aqui lembrando de umas coisas…
- Com esse sorriso bobo na cara tava lembrando dela com certeza! – meu pai falava baixinho p’ra que minha mãe e ela não nos ouvissem – Meu filho, posso perguntar uma coisa p’ra você?
- Claro, pai! Pergunta o que cê quiser!
- Ela não é igual às outras pois não? – ele parecia intrigado mas por outro lado eu sabia que ele me conhecia demasiado bem p’ra saber a resposta àquela pergunta
- Não, pai! Não mesmo!
- E? Cê ama ela?
- Pô, que o senhor acha? É claro que amo ela… Muito! Lembra quando cê falava p’ra mim que eu um dia ia encontrar uma mulher perfeita para mim, a mulher da minha vida, aquela que iria estar disposta a trilhar esse caminho comigo? Bem… Acho que eu encontrei! – assumi envergonhado mas muito sincero
- Era o que eu desconfiava… - ambos soltámos gargalhadas satisfeitas
- Os meninos tão rindo do quê? – minha mãe se tinha voltado do balcão na nossa direcção e Adriana a acompanhou
**
Adriana
Depois de muito insistir e com o apoio de David, Dona Regina quebrou a regra de boa anfitriã e deixou-me ajudá-la.
Ela lavava os legumes e eu cortava-os finamente para colocar na sopa.
Senti a presença de David e do seu pai atrás de nós e vi-os sentados na mesa da cozinha a ver televisão, se bem que o olhar de David estava mais interessado em mim.
- Tá bom assim, Dona Regina? – perguntei parando de cortar
- Tá óptimo! Mas faz um favorzinho e me trata pelo meu nome?
- Ai não consigo trata-la por tu, desculpe…
-Faz um esforço… Senão consegue me trate por Dona Rê que nem todo o mundo! – ela era uma mulher muito sorridente e sem dúvida muito bonita, e alguns dos seus traços recordavam-me os de David
- Eu vou tentar então… Mas não prometo nada, é difícil! – rimo-nos suavemente e prosseguimos com as nossas tarefas e com a conversa
- Cê é sempre assim tão calminha e reservada? – perguntou-me ela
- Sim, não faz muito parte da minha personalidade ser espampanante e aquela coisa toda. Sou alegre sim, animada mas não sinto necessidade de exagerar e sobre expor-me.
- Não me interprete mal mas eu reparei que apesar de bonita, animada e muito comunicativa cê não é infantil, é bastante madura p’ra idade que tem…
- Mas também gosto das minhas brincadeiras…
- É que nem todo mundo… Cê já olhou bem p’ro moleque de 23 anos com quem tá namorando? – ambas nos rimos
- Oh, o David é super divertido, do lado dele não há como conter um sorriso, uma gargalhada. É um ser humano magnifico e claro um namorado dedicado, mas eu sou suspeita… - brinquei e ela riu-se
- Sim, o David é muito fiel à educação que recebeu, nunca deixou que qualquer sucesso o impedisse que enxergar o caminho já trilhado e as suas dificuldades…
- Eu sei e é isso que também admiro muito nele como pessoa, a sua humildade. Bem isso e aquele sorriso lindo, tenho de admitir que o seu filho é de facto muito bonito! – ri-me
- Bem, eu e o meu marido fizemos o trabalho direitinho então – ambas nos rimos discretamente
- Fizeram sim, têm um filho lindo e de uma educação extraordinária! – elogiei e sorri
- Posso perguntar uma coisa p’ra você? Mas sem você se ofender…
- Claro, pergunte o que quiser Dona Regi... Dona Rê! – corrigi a esforço
- Cê ama mesmo meu filho não ama? – o sangue subiu-me ás maças do rosto com aquela pergunta
- Ah… Ah… Ó Dona Rê agora apanhou-me desprevenida… Mas tenho de ser sincera e não é por estar na presença da mãe dele, mas amo-o… Muito! – confirmei envergonhada
- Dá p’ra ver sabe? A sua dedicação a ele, o seu carinho, a maneira como seus olhos brilham quando fala nele, quando olha ele, o seu sorriso quando está com ele, e o meu filho tá do mesmo jeito. Até um cego enxerga esse amor!
Silenciei-me reflectindo com um sorriso no rosto as palavras da sua mãe mas a voz dela interrompeu esse silêncio
- Muito obrigada!
- Obrigada porquê?
- Por amar ele assim e o fazer tão feliz! Obrigada mesmo!
As gargalhadas de David e do seu pai interromperam a minha conversa e da Dona Regina.
- Os meninos tão rindo do quê? – ela virou-se na direcção deles e eu também
- Nada não, coisa de homem! – respondeu David ainda contendo umas quantas gargalhadas
- E as meninas tavam cochichando o quê? – perguntou o Senhor Ladislau
- Coisa de mulher! – eu e a mãe dele responde-mos ao mesmo tempo e entregámo-nos novamente a gargalhadas prazerosas
- Não é justo não! – resmungou David
- Sabe o que é que não é justo? Cê ficar aí quieto! Vai pôr a mesa, menino! – ordenou-lhe a mãe
- Tou indo, tou indo! Tudo eu! Tudo eu! – refilava sozinho
- Eu vou ajudá-lo! – e dirigi-me a ele que tirava os pratos do armário superior
Fomos pondo a mesa e enquanto eu dobrava os guardanapos junto à mesa senti um beijo, bastante barulhento, de David contra a minha bochecha direita.
- David! – falei baixinho
- Que foi? – respondeu-me no mesmo tom
- Olha os teus pais… - adverti colocando o guardanapo dobrado junto do prato
- E daí? Deixa de coisa! – ele roubou-me um beijo nos lábios e eu fiz uma cara zangada que depressa tive de desfazer quando ele agitou os seus fartos caracóis no ar, desfiz-me num sorriso rasgado e acabei de por a mesa com a ajuda dele
Foi um jantar agradável que terminou cedo com um café na sala de estar.
A Dona Regina e o Senhor Ladislau estavam sentados lado a lado mas em poltronas separadas e eu e David lado a lado, com a minha cabeça encostado ao seu ombro enquanto o seu braço esquerdo me passava sobre os ombros. Eu fazia um esforço por manter os olhos abertos mas o sono começava a levar a melhor.
- Minha filha, cê tá morta de cansaço! Vai dormir, vai! – incentivou a Dona Rê com um sorriso terno no rosto
- Pois, é melhor… - levantei-me do sofá e David seguiu-me – Podes ficar, amor… Não tens de te deitar já, eu fico bem! – sorri-lhe delicadamente
- Eu também tou cansadão! – disse espreguiçando-se
- Porque será? Cê mal dormiu esperando bater a hora de a ir pegar… - gozou a mãe e eu ri-me juntamente com ela e o seu pai
- Ah, sacanagem! Se unindo contra mim, sim senhor! – refilou mas riu-se também
- Bem, então boa noite! - despedi-me
- Boa noite mãe e pai! A sua bênção! – ele deu-me a mão e dirigimo-nos ao quarto
**
David
Ela vestiu o pijama, escovou os dentes e se deitou do meu lado.
- Ué? Não vai chegar p’ro pé de mim? – perguntei notando o espaço entre nós
- Chega-te tu! Estou demasiado cansada para me conseguir mexer – ela brincou
- Então vou eu aí… - joguei meu corpo p’ra junto do dela, esborrachando-nos um contra o outro
- David és pesado! – refilou por entre gargalhadas
- Cê disse que eu te podia abraçar! – contra argumentei
- Abraçar! Não esborrachar! – ela arregalou aqueles seus olhos lindos castanhos que nutriam um brilho mais especial a cada dia que passava
- Desculpa, é da saudade! Quando bate… - a minha voz arrastou-se
- Oh, também tive saudades.. muitas… - confessou contra o meu peito onde se havia aninhado
Virei meu corpo para cima, a cabeça nela pousou no meu peito despido e eu rodeei o seu corpo com o meu braço esquerdo e coloquei o direito debaixo da minha cabeça como apoio.
- Meu amô, sabe o que eu tive pensando? – perguntei-lhe
- Hum… O quê? Isso não vai sair coisa boa… - a sua voz arrastava-se e eu podia adivinhar uma dificuldade dela p’ra manter os olhos abertos
- Não faz assim, eu tava pensando que a gente teve separado esse tempo todo e tamo morrendo de saudade um do outro por isso a gente podia aproveitar quando chegar em Lisboa…
- Hum, hum… - murmurou e aninhou-se mais contra o meu peito
- Podíamos tirar uns diazinhos, os últimos de férias só p’ra gente e quem sabe… P’ra fazer umas mudanças… Eu tive pensando, e …. A gente se gosta, se quer muito, queremos passar tempo junto por isso porque não morar junto? – sugeri e as últimas palavras saíram trémulas
Ela permaneceu num silêncio profundo e numa respiração pesada que envolvia o quarto. Com algum esforço espreitei por cima da sua cabeça e vi os seus olhos fechados, concluí que ela tinha adormecido.
Suspirei porque encarei aquele momento como um sinal que talvez fosse demasiado cedo p’ra convidar ela p’ra morar comigo. Dei-lhe um beijo suave no topo da cabeça, encostei a minha à dela e adormeci poucos minutos depois.

17 comentários:
Este casal está cada vez mais bonito! *.*
Quero mais. Beijão :D
São mesmo perfeitos, tal como a tua fic, Drii, é perfeita ^^
Eu tou completamente perdida de amores pela tua fic xD
Continua !!
Beijãooo (L)
=D
Grande capitulo, mas isso lá é hora de adormecer??
Adoro a tua fic.
Beijinho
lindo...
quero mais...
posta mais hoje por favor...
continua...
tou completamente viciada e tou adorando a tua fan fic...
que fofinhooo +.+
adorei ! :D
podes publicar agorinha mesmo o próximo capítulo que ninguém se zanga :b até te agradecemos.
beijinhooos ♥
Lindo!!!
Hum bem avisas-te que estavas a alterar o capitulo :P, ficou ainda melhor!!!
Bjs continua
LOOOL
Atão a Dri adormece quando ele tá a fazer um pedido altamente, isso não se faz...
Parabéns Dri, tá espectacular, como sempre
Adoro
Bjinho
Bruna Migueis
Drii adoro a tua fic...
Está o maximo muito linda mesmo...
Continua...
PS:Só uma coisa nos fins de Junho aqui em Portugal é verão mas no Brasil é pleno inverno.Mas não me importava de lá estar agora em Dezembro para ir a praia lol
Está muito boa a tua fic Dri.
Pena ela ter adormecido naquele momento... qual teria sido a reação dela??
Bjs
Mila
Eles sao mesmo fofos os dois *.*
Está lindo Dri!
Quero mais, ou melhor, queremos mais :b
Queremos mais, não nos deixes na espetactiva, vá lá *.*
*-* amei driii quero mais mulher ;)
Parabens pela tua fic! já a leio desde que postavas no site da ines, e a partir daí sigo-a atentamente! a tau capacidade de escrita é fantastica e tens imenso jeito para escrever!:)
beijinhos****
MAIS, MAIS, MAIS !
<3
nunca vi uma fic tão cativante como a tua. não há um capítulo que veja que não me emocie ou que faça aquele sorrisinho estúpido para o computador. tens um talento enorme e amo mesmo ler os teus posts. estou anciosa pelo próximo capitulo. beijinho grande e vou esperar anciosamente :) *
Ai Dri já estou a desesperar por um capitulo teu xD
Vais postar hoje?
estou a adorar (: escreves muito bem, parabens !
se quiseres ver o meu blog é este: oamortemdestascoisas-desilusão@blogspot.com , só criei hoje mas pronto (:
beijinho
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