Adriana
Acordei cedo, na verdade muito cedo porque o meu sono ainda estava ajustado com a hora portuguesa, isso ou era o David que era um grande dorminhoco porque ainda permanecia silencioso e adormecido, junto a mim.
Eu estava de lado e ele também, frente a frente, os rostos muito próximos e a mão dele caída sobre a minha anca.
Percorri todo o seu rosto com a minha mão, delicadamente, subi até aos seus caracóis e desembaracei-os, suavemente para não o acordar.
Rocei levemente o meu nariz no dele e ele não acordou, estava a dormir profundamente.
Levantei-me muito devagarinho, calcei os chinelos e reparei numa fotografia que estava numa moldura sob a mesa-de-cabeceira de David. Era uma foto nossa, não evitei um sorriso e nem pude evitar agarrá-la para ver melhor.
Destrambelhada como sou, a moldura caiu-me das mãos, e como qualquer pessoa esperando que aquilo diminuísse o barulho quando na verdade não o faz, apressei-me a apanhá-la e coloca-la no sítio. Senti um braço quente envolver-me a cintura e puxar-me para me sentar na cama e assim o fiz.
- Caráca, já tá de pé? – perguntou David com uma voz ensonada e com a sua cara encostada às minhas costas
- Desculpa se te acordei, eu ia à casa de banho mas a moldura caiu… - a minha voz estava visivelmente arrependida
- Não se preocupa não, eu volto a dormir! É sem problema! – ele percorreu a minha espinha com beijos até chegar á nuca, eu arrepiei-me – Vai lá no banheiro mas volta depressa p’ra bem juntinho de mim – a sua voz ternurenta arrastava-se de cansaço
Demorei alguns minutos e quando voltei a enfiar-me na cama, e apesar de o julgar outra vez adormecido pois estava de olhos fechados, ele puxou-me imediatamente de encontra o seu corpo
- Demorou muito! – queixou-se sem abrir os olhos
- Não demorei quase nada, amor…
- Demorou sim! A cama já tava esfriando sem você… - queixou-se
- Mas agora já cá estou, estás quentinho…– aninhei a minha cabeça no seu peito
Durante breves segundos, o quarto foi tomado por um silêncio profundo que dominava toda a casa, apenas as nossas respirações profundas e desencontradas se ouviam.
- Amô? – perguntou numa voz sonolenta
- Hã? – respondi de olhos fechados sem tirar a cabeça do seu peito
- Te amo! – respondeu com um sorriso nos lábios, que me foi visível porque levantei momentaneamente a cabeça do seu peito para lhe alcançar o rosto e roubei-lhe um beijo demorado nos lábios
- Eu também, gato! Agora dorme… - ordenei e voltei a deitar-me sobre o peito dele com um sorriso a inundar-me o rosto
David não demorou muito a adormecer e eu também não.
*******
Fiz um esforço por abrir os olhos, sentia alguém a beijar-me as bochechas, a testa, as orelhas, o pescoço e os lábios. Reconheci o sabor daquele beijo e ainda de olhos fechados, sorri.
- Bom dia, meu amô! – ouvi a voz desperta dele perto do meu rosto
Entreabri os olhos e a luz incomodou-me, coloquei imediatamente a mão à frente. Vi o rosto de David na minha frente. Abri e fechei novamente os olhos, abrindo-os finalmente quando estavam minimamente acostumados à luz difusa que invadia o quarto.
- Bom dia, amor… - eu sentia-me relaxada e a voz acompanhava o meu estado de espírito e do meu corpo
David roubou-me um beijo e uma carícia mais atrevida com a língua na minha.
- Cê não quer ir aproveitar e curtir um solzinho? É que tem tado mau tempo por isso aproveita! – ele estava visivelmente animado com a ideia e eu sorri perante o seu entusiasmo, quase que de criança
- Hum, praia… Sol… Está mesmo a apetecer e se ainda por cima anda escasso para estes lados, o melhor é mesmo de aproveitar! – sentei-me na cama e ele sentou-se do meu lado
Passei novamente as mãos sobre a cara de maneira a acordar melhor. Eu sabia que o meu acordar não devia ser das coisas mais bonitas de se ver, até porque quando Débora dormia comigo dizia sempre que eu acordava com uns olhos enormes, maiores que o normal e os meus caracóis completamente desalinhados.
Olhei para o lado onde ele estava e vi-o olhar-me fixamente.
- Que foi? – perguntei passando a mão pelo cabelo e constatando que este estava num desalinho total
- Cê até acordando é perfeita! – elogiou-me e eu corei
- Não há ninguém perfeito! – repreendi-o e sorri pondo-me de pé
Senti o meu corpo, apesar de relaxado, com os músculos presos e senti necessidade de me alongar.
Espreguicei-me demoradamente, erguendo os braços no ar, unidos pelas mãos, em biquinhos de pés e por consequente a minha camisola subiu deixando-me com um pedaço de barriga exposto. Senti as mãos, sempre ardentes de David contra a minha pele, arrepiada pelo choque térmico da temperatura da cama para a temperatura ambiente, e um espasmo percorreu o meu corpo desde o topo da espinha. A boca dele encostou-se ao meu ouvido numa respiração ofegante e ele abraçou-me com força contra si.
- Há sim! Você! P’ra mim é perfeita! – ele finalizou a conversa ali
- Teimoso! – ainda tentei refilar mas em vão
Ele beijou-me apaixonadamente, selou aquela noite de companhia e amor mútuo, e abraçou-me. E só havia duas maneiras de o poder abraçar, ou em bicos de pés, ou ele elevando-me, devido à diferença de alturas.
A boca dele percorreu um trilho cuidadosamente delineado pelo meu maxilar, desceu até ao pescoço e regressou à minha boca.
- Hum… Que bom! – suspirei de satisfação – Os teus miminhos sabem tão bem…
- Tava com saudade de mim, lá em Portugal era? – perguntou gozão e encarando-me
- Hum… De ti, de ti, nem por isso, que és um bocado melga e chato mas dos teus mimos, sim… - a cara dele formou uma expressão séria aguardando uma resposta igualmente séria –Claro que tive! Já te disse!
- Mas sabe bem ouvir… Vezes sem conta! – enterrou a cabeça no meu pescoço e subiu até ao ombro onde me acariciou com os lábios
- Morri de saudades tuas lá em Portugal! – confidenciei sorrindo – Amor… Amor… - ele permanecia molengão com a cabeça no meu pescoço – Temos de nos ir vestir se queremos aproveitar este solzinho milagroso de inverno!
- Sim, vamo! – ele puxou-me até à casa de banho – Tem cuidado ao temperar a água que se alguém puxar a água na cozinha cê se queima! – alertou ele ao mesmo tempo que desviava as cortinas da banheira
- David, eu sei como funciona uma banheira! – brinquei com ele rindo
- Eu sei que sabe mas estava explicando p’ra você as manhas da minha banheira! – riu-se também
- Pronto, muito obrigada mas eu acho que me vou conseguir entender com ela! – enrolei os meus braços em torno do pescoço dele
- Cê hoje tá muito engraçadinha! – reclamou
- Sabes como é… - sacudi os meus caracóis todo embaraçados no ar – Agora vai-te arranjar para irmos logo para a praia! – pedi empurrando-o para fora da casa de banho
- Fica aí se arrumando então, que eu vou tomar banho no banheiro do corredor p’ra gente se despachar ao mesmo tempo. Te amo! – e saiu dando-me um leve beijo no rosto
Eu tomei um banho rápido, sequei o cabelo e entrei no quarto ainda envolvida na toalha, para me vestir.
Sentei-me na cama e enquanto passava o creme nas pernas ia cantarolando uma música que já familiar no meu acordar. Mas fui interrompida pela entrada de rompante do David no quarto e dei um pulo pondo-me em pé
- Que susto! – exclamei com a mão pousada no peito
A cara do David estava divertidíssima, parecia que tinha visto assombração. Coçava os caracóis e estava visivelmente constrangido. Baloiçou-se vezes sem conta sob os próprios pés, desviou o olhar e focou-o novamente em mim outras tantas até que quebrou o silêncio.
- Me desculpa pensei que já tivesse vestida… - desculpou-se desviando o olhar do meu corpo
- Não faz mal, amor. Podes entrar… - disse com um sorriso leve
- Ah… Ah… - ele gaguejava – Eu vou me vestir na casa de banho p’ra você ficar mais à vontade – informou caminhando na direcção da porta da casa de banho do quarto dele
- Podes ficar! Somos namorados, entre namorados não há desses tipos de constrangimentos – tentei manter-me calma se bem que a ideia de ele me ver sem roupa me intimidava
- Tem certeza? – perguntou sorrindo e com um vermelho suave a tingir-lhe as maças do rosto
- Sim, tenho! Podes ficar! – afirmei segura
Vesti o bikini e ele os calções de banho de costas um para o outro, e quando estávamos prontos virámo-nos um para o outro.
O David ficou mais corado e eu sorri. Ele tinha os olhos presos em mim e eu pude vê-lo gesticular as mãos que soavam do nervosismo.
Rodeei a cama até chegar junto dele, pousei as minhas mãos na barriga dele ainda húmida do banho para me conseguir equilibrar e dei-lhe um beijo suave nos lábios ao qual ele correspondeu.
Mas depressa ele se entusiasmou e as suas mãos quentes, que permaneciam junto do tronco, subiram até às minhas costas despidas e iniciaram um frenesim carinhoso entre o fim das minhas costas e os meus quadris. Ele apertava-me contra si com fulgor e eu provocava-o a cada segundo do nosso beijo que se alongava cada vez mais.
O David foi-me empurrando e caímos em cima da cama, ele sobre mim.
A mão direita dele percorreu a linha da minha silhueta apertando-me a pele da barriga, a carne das coxas, ao mesmo tempo que os lábios dele abocanhavam os meus sem cessar.
As minhas mãos percorreram as costas desde o topo até ao fundo, delicadamente mas cravei as unhas ligeiramente na sua carne quando ele me mordeu o lábio inferior deixando-me com uma leve dor, estranhamente agradável.
- David… - quebrei o beijo aproveitando para acalmar a minha respiração ofegante – Pode entrar alguém… - avisei-o mas ele voltou a beijar-me e eu não ofereci qualquer resistência
Por entre várias carícias delicadas fomos aproveitando o momento e prolongando um beijo que foi interrompido pela entrada de alguém no quarto.
- Meu filh… - a Dona Regina ficou parada na porta do quarto a olhar para nós e eu dei um pulo da cama empurrando o David para fazer o mesmo – Me desculpem mas eu pensava que você tava sozinho meu filho… Pensava que a Adriana ainda tava se arrumando… - desculpou-se visivelmente atrapalhada
- Sem problema, mãe, a gente também tava só acabando de se arrumar p’ra ir apanhar um solzinho! – respondeu muito à vontade e imediatamente a mãe assumiu a mesma posição de descontracção
- Eu vinha trazer a sua toalha de praia que cê pediu… - disse estendendo-lhe a mesma
- Obrigado, mãe! – ele agarrou a toalha e deu um beijo no rosto da mãe
- O café da manhã tá pronto… - informou com um sorriso
- Tudo bem. A gente vai já já! – informou num sorriso e a Dona Regina saiu do quarto fechando a porta
Eu senti-me tão envergonhada, deixei o meu corpo cair sobre a cama onde fiquei sentada com a cabeça enterrada nas mãos. Mas se por um lado eu ficara imensamente envergonhada pelo momento por outro lado todo o constrangimento tinha tido a sua certa graça e não demorei muito até ouvir as gargalhadas de David que se sentara do meu lado na cama.
- Estás-te a rir de quê, ó? – perguntei destapando a cara
- Da sua cara meu amor! Foi hilariante! Parecia que minha mãe era um bicho feio! – ele ria-se agarrado à barriga e com as lágrimas a inundarem-lhe os olhos
- Foi assim tão mau? – perguntei erguendo as minhas sobrancelhas
- Mau? Não foi bom demais! – e prosseguiu rindo e eu depressa me juntei a ele
As nossas gargalhadas foram interrompidas pela boca de David que inundou a minha boca de beijos ternos e repenicados intercalados por entre palavras.
- Boba! Cê é uma boba! – foi dizendo enquanto me beijava
- Tu não aprendes! Vai mas é acabar de te vestir ó caracóis! – ordenei levantando-me na direcção do guarda vestidos
- Hey, olhe aí o respeito! Nunca brinque com os caracóis de um homem, tá bom? – a cara dele era de um gozo evidente mas ele controlava-se para não se rir
- Peço desculpa, Mister Caracóis! – falei num tom sério, mas depois de alguns segundos a olharmo-nos com expressões sérias acabámos por não aguentar e quebrámos o silêncio com risadas sentidas
*****
Depois de nos arranjarmos saímos na direcção da cozinha onde a mesa do pequeno-almoço já estava posta, e onde já todos estavam sentados.
- Bom dia! – cumprimentei Isabelle e o Senhor Ladislau
- Bom dia! – responderam ambos em uníssono
- Meus filhos, se sentem e tomem o café da manhã que devem tar morrendo de fome – Dona Regina sorria e apontava a mesa.
Sentámo-nos na mesma ordem na noite passada, eu lado a lado com David, a Isabelle à minha frente e os pais dele nos extremos da mesa, a Dona Regina do lado de David e o Senhor Ladislau do meu.
- Só vai comer isso, minha filha? – perguntou Dona Regina quando eu agarrei numa torrada e a coloquei no prato
- Sim, não tenho muita fome – respondi envergonhada vertendo café para a minha chávena
A verdade era que do que estava sob aquela mesa, muito pouca coisa eu podia comer. Leite com cereais, iogurte, torradas com manteiga, leite machiato, ou café com leite estavam fora da lista uma vez que eu sou intolerante à lactose. Por isso sobrava comer pão sem nada, fruta e café.
- Mas não gosta da comida? – ela parecia visivelmente preocupada
- Não, não é nada disso! – aprecei-me a responder
- Na verdade, mãe… Eu esqueci de dizer p’ra você mas ela é intolerante à lactose, não pode comer quase nada do que aqui está… - informou David e eu fuzilei-o com o olhar
Dona Regina havia preparado aquilo com tanto carinho que eu tive pena de dizer aquilo, mas David não se coibiu de revelar a verdade.
- Eu vou preparar outra coisa p’ra você! – disse levantando-se
- Não, deixei estar, Dona Regina! Eu fico bem com as torradas, o café e a fruta! – sorri-lhe e ela retomou o seu lugar
- Tem certeza? – perguntou desconfiada
- Sim, não se preocupe!
Tomei o pequeno almoço sempre com a mão de David entrelaçada na minha e uma nova certeza começava a surgir, eu tinha ali uma segunda casa…

15 comentários:
Adriana, depois do dia que tive, e que tu tão bem sabes, ler o capítulo me animou um pouco, a forma como descreve-te as situações / momentos me fez rir!!
Obrigada por tudo!! É nestes momentos que se vê as pessoas que estão á nossa volta! É certo que não fizeste muito, mas bastou teres me aturado para aliviar um pouco!!
Continua a escrever! É algo que fazes muito bem :D
Beijocas
este deve ter sido um dos meus capítulos favoritos *-*
ADOREI MESMO!
quando publicas o próximo, Dri ? :p
beijinho :)
tá muito bom...
quero mais...
posta mais hoje, por favor...
continua...
Gostei do capitulo. ;)
Eu sou intolerante à lactose :P
Bjs
Inês
Tá óptimo !!
Aquele momento de serem apanhados foi hilariante xD
Adorei !!
Continua ^^
Beijãoo, Princepesca =D
Só este e quando estavam os dois na Luz á noite *.*
Queroo mais :b
Continua, escreves muito bem ;)
Já tava com saudades :)
Muito bom, mesmo muito bom.
Ai k a D. Regina tinha mesmo de entrar...
Adorei!!
Beijinhos
Que lindos... *.*
Todos os dias venho aqui ver se já publicaste um novo cap.
E cada dia que passa é mais especial. Adoro a tua maneira de escrever.
Continua com esta tua fic que é maravilhosa.
Nem sempre comento, mas tens aqui uma fã =)
Parabéns pela tua fic.
Su
Oh este casal esta cada vez mais lindo +.+
Tu e o teu jeitão para a escrita!
Parabens linda...BJS
Castro
Magnífico :D
Quando postas o próximo???
Quando postas mais Dri?
Agora que estás de férias já postavas mais , não ??
MAIS :D
Já tenho saudades de um capitulo... por pequeno que seja... preciso mesmo de ler mais... :/
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