Depois do pequeno-almoço seguimos finalmente para a praia.
Não estava um calor abrasador mas o solzinho que nos batia na pele, era suficientemente quente para aguentarmos a leve brisa fria que corria pelo ar.
Estendi a minha toalha lado a lado com a de David, ele estendeu-se sobre ela de barriga para baixo e em menos de nada adormeceu novamente.
Não estava um calor abrasador mas o solzinho que nos batia na pele, era suficientemente quente para aguentarmos a leve brisa fria que corria pelo ar.
Estendi a minha toalha lado a lado com a de David, ele estendeu-se sobre ela de barriga para baixo e em menos de nada adormeceu novamente.
- Parece incrível! Está sempre a dormir o raio do rapaz! – reclamei apesar de saber que falava sozinha
O sol começava a aquecer e o David não tinha posto protector solar e continuava a dormir ao sol. Alcancei a minha mala, tirei de lá o protector e ajoelhando-me perto dele passei-lho nas costas e foi quando ele acordou.
- Ué, tá fazendo o quê? Me deixa dormir! – reclamava mexendo-se sem abrir os olhos
- Cala-te ó! Não puseste protector queres apanhar um escaldão? – perguntei deitando-me novamente do lado dele na minha toalha
- Eu não apanho disso não! Isso é frescura! Coisa de menina! – chutou e afundou a sua cabeça nos braços cruzados à sua frente
- Mal-agradecido! – dei-lhe uma chapada nas costas e virei a cabeça para o outro lado remetendo-me ao silêncio
Senti a mão de David no fundo das minhas costas e depressa a sacudi mas ele insistiu e voltou a pô-la no mesmo sítio.
- Importas-te? – perguntei afastando a sua mão uma última vez
- Oh Gata… Não faz assim… - ele deitou o seu tronco sobre as minhas costas e encostou o seu queixo no meu ombro
- David deixa-me estar! – ordenei não virando o rosto na sua direcção
- Pô gata me desculpa, cê me acordou e eu fico mal disposto quando me acordam… - ele ia intercalando as suas palavras com suaves beijos na minha orelha mas nem esses me faziam virar o rosto para ele – Gata não faz assim, vai!
- Ó David deixa-me estar! Não te estou a incomodar pois não?
Ele calou-se, senti-o afastar-se de mim mas seguidamente senti o calor do seu corpo e alguém elevando-me no ar.
- David! Poem-me no chão já! – ordenei já em posição de saco de batatas no ombro dele – David já! – dei-lhe suaves chapadas no rabo mas ele não cedeu e iniciou uma caminhada até à beira da água – David! Nem penses! Tu nem penses! – eu continuava a gritar percebendo qual a ideia dele
-Shiu! Pára de gritar e de me bater por favor! – pediu ele mas eu intensifiquei mais as chapadas
Cerrei os punhos e em sequências exaustivas e incessantes soquei-o nas nádegas mas nem assim ele parou de andar.
Senti os primeiros salpicos de água nas pernas e encolhi-as instantaneamente uma vez que esta estava gelada em comparação com o meu corpo quente do sol.
Senti os primeiros salpicos de água nas pernas e encolhi-as instantaneamente uma vez que esta estava gelada em comparação com o meu corpo quente do sol.
- David, não por favor! – supliquei mas ele permaneceu indiferente e a água já lhe chegava às coxas
Senti ele inclinar-se para mergulhar e agarrei-me a ele fincando as minhas unhas na carne das suas costas. As partículas geladas da água entraram em contacto com a minha pele e eu gritei baixinho de dor. Rapidamente fiquei submersa debaixo de água e abri os olhos. Permiti-me a mim mesma enxergar uma silhueta familiar, difusa pela água, mas que depressa atribuí a David, uma vez que esta mesma silhueta me agarrava e puxava até emergir à superfície.
David surgiu perfeito na minha frente, os caracóis a escorrerem-lhe pelos ombros, os olhos mais verdes devido ao contacto com a água e os seus ombros perfeitamente delineados cobertos de pequenas gotas de água salgada.
Um sorriso, aliás (!), o seu sorriso, delineava-lhe os lábios, o seu sorriso…O mesmo de sempre, o seu sorriso… Perfeito, intocável e eterno!
- És louco! – exclamei ao vislumbrar o sorriso estampado na cara de David, agora à tona da água~
Ele ria-se e eu cedi, rindo-me com ele. Ele sabia sempre como encerrar uma pequena birra, e fazia-lo sempre com uma traquinice ou outra tão tipicamente suas.
- Já passou a birra, meu amô? – perguntou-me num tom trocista
- O que é que achas? – atirei-me nos braços dele, enlaçando o seu pescoço com os meus ~
Os meus lábios ansiosos e vacilantes procuraram a boca de David e uni-a à minha apaixonadamente, e na junção das mesmas as nossas línguas enrolaram-se freneticamente.
~
- Eu acho que isso foi um claro sim! – rimo-nos os dois
- Achas tu muito bem! – rematei roubando-lhe um último beijo
- Assim cê me mata! – reclamou deixando a sua cabeça carregada de caracóis molhados cair para trás
- Se é assim tão mau não faço mais… - ameacei sabendo que ele contestaria
- Faz sim! Nem brinque! – rime novamente juntamente com ele –São as melhores férias da minha vida! – confessou com um sorriso ao mesmo tempo que me agarrava e rodava na água
Coloquei as minhas pernas em torno da cintura de David e ele agarrou-me pela cintura. Beijámo-nos durante vários minutos, trocando carícias delicadas mas as coisas começavam a aquecer e as mãos ciosas de David procuravam as minhas curvas com uma certa avidez.
Deixei a minha mão descer para debaixo de água, de encontro à barriga perfeitamente delineada de David e pousei-a aí. Senti-o estremecer perante o meu toque e correspondeu ao mesmo segurando o meu rosto com a sua mão e beijando-me fielmente.
Os seus lábios abarcaram os meus, numa união perfeita, onde as nossas línguas se tocavam, as salivas se misturavam juntamente com algumas gotas salgadas do oceano. Fui obrigada a quebrar o beijo quando senti a mão livre de David subir da minha anca para as minhas costas, sobre o nó do meu biquíni.
- David… - chamei ofegante num sussurro
- Eu te quero… - o sussurro da voz dele era desesperado
Ele insistiu enterrando a sua cabeça no meu pescoço e começando a descer para o meu peito. A praia não tinha muitas pessoas e nós estávamos consideravelmente afastados da beira-mar. Mas eu sentia que apesar de já estar mais preparada para me entregar a ele aquele não era de todo o sítio indicado para o fazer.
- Te quero tanto… Tanto... - sussurrou David uma última vez beijando-me novamente
- David, aqui não é o sitio… - desmontei o puzzle que os nossos corpos formavam afastando-me ligeiramente dele mas ele insistiu numa aproximação – Desculpa… Eu amo-te mas não sinto que seja altura ainda, tenta compreender… Eu nunca estive com ninguém e quero ter a certeza de que não me vou arrepender de o fazer, entendes?
- Se acalma meu amô… - os seus olhos ternos fitavam os meus – Eu te quero mas eu espero… Me perdoe mas por vezes eu esqueço que você nunca teve com ninguém assim, o desejo de te amar é tanto que eu esqueço… Não tou querendo forçar nada, não!
- Eu sei e entendo o teu lado e acredita que não é por não achar que és o certo, é simplesmente porque quero ter certezas. Não gosto de me arrepender daquilo que faço… - ele sorriu-me ternamente e beijou-me
- Te amo, minha boba! – jurou contra os meus lábios envolvendo-me com o seu corpo
- Eu também… - confessei num suspiro perfeito enquanto posei a minha mão delicadamente na sua nuca
Afastei-me dele para mergulhar e quando emergi não o vi, olhei em redor e nada dele.
- David... David! - chamei por ele e não obtive resposta
O meu coração começou a acelerar até que senti uma respiração abafada no meu pescoço e uns braços envolvendo-me.
- Assustaste-me! – confessei apertando-me contra ele
- Tava de brincadeirinha! – atirou-me a língua de fora
Seguindo o ritmo daquele dia saímos da água por entre brincadeiras, até chegarmos às nossas toalhas notando que havíamos chegado há hora de almoço.
Comecei por vestir o meu vestido e escovar o cabelo ainda molhado para retirar os nós, enquanto David dobrava as toalhas.
- É verdade amor! Não me chegaste a dizer se me acompanhas no casamento do meu primo… - relembrei-o
- Cê tava falando sério quando me convidou? – perguntou surpreso
- Claro que estava… Já conheces o meu pai e a minha mãe, conheceres mais 150 pessoas não fará diferença nenhuma – ri-me e ele também
- Se você tem a certeza é claro que eu ia curtir muito de acompanhar você! – exclamou com a clara evidência de um sorriso nos lábios
- Óptimo! Então começa já a preparar a fatiota! – ordenei num sorriso ao mesmo tempo que apanhei a minha mala do chão e me abracei a David que tinha a toalha debaixo do braço, caminhámos assim até casa.
*******
Os dias seguiram-se, a maioria deles com o tempo enublado e com algum frio o que me deixou ligeiramente desapontada em relação á ideia que tinha do Brasil. O David levou-me a conhecer o Cristo Rei, a beber água de coco e a conhecer alguns dos lugares mais emblemáticos do Brasil. Além disso tinha organizado uma jantarada onde pude conhecer os seus familiares mais afastados e eu não sei se eles gostaram de mim mas eu com toda a certeza gostei deles. Comecei a perceber que toda aquela simpatia e calor não eram apenas próprios de David e da sua família mas sim do povo brasileiro.
Havia chegado o último dia de férias e eu e David regressávamos a Portugal no dia seguinte e dois dias depois tínhamos o casamento do meu primo.
Era o último jantar daquelas férias em casa dos pais de David e o ambiente estava animado como já era hábito.
- Não tou nem acreditando que passou tão depressa… Me habituei com vocês aqui… - confessou Dona Regina limpando levemente a boca com o guardanapo
- Oh mãe não fica assim… Cê sabe que eu volto e no que depender de mim essa daqui volta também! - ele provocou-me claramente com o "essa daqui"
- Olha aí! Respeitinho é muito bonito, ó caracolinhos! – dei-lhe uma leve sacudidela nos caracóis e todos se riram incluindo David
- Foi uma maneira carinhosa de chamar, meu amô! – fez um olhar demasiado carinhoso para conseguir resistir e eu passei-lhe a mão levemente no rosto
- Eu digo-te a maneira carinhosa! – provoquei-o com um sorriso no rosto
Fui interrompida pelo meu telemóvel, pedi licença e levantei-me para o atender.
- Tou sim?
- Adriana? – a voz trémula da minha mãe ouviu-se do outro lado da linha
- Sim, sou eu… A mãe está bem? Está com uma voz esquisita… - eu conhecia a minha mãe suficientemente bem para saber que algo estava errado
- Estás sentada? Sozinha? – perguntou ansiosa
- Não, espere um pouco mãe… - olhei para David que me olhava visivelmente preocupado e afastei-me para o nosso quarto – Pode falar mãe... Está tudo bem com o pai? Consigo?
- Connosco está tudo bem…
- Então? É alguma coisa com os avós? – eu começava a ficar preocupada e um aperto que surgiu no meu peito deixou-me incomodada
- Ouve Adriana, eu não te queria estragar as férias mas tu precisavas de saber mais cedo ou mais tarde e quando chegasses a Lisboa e não nos encontrasses em casa, ficarias preocupada por isso ficas já a saber…
- Mas o que é que aconteceu mãe?
- Ouve, mantem a calma… O avô sentiu-se mal, fomos ao hospital… Fizeram exames…
- Está tudo bem com ele, não está? – perguntei quase que implorando por uma resposta positiva
- Adriana, o cancro do avô voltou! – aquelas palavras bateram fundo e eu bloqueei – Adriana? Estás aí? Adriana?
- Como voltou? Há um ano atrás os médicos garantiram que estava tudo controlado, que ele o tinha vencido!
- Pois mas está pior… Além de ter voltado, passou dos órgãos internos para os ossos…
- Para os ossos? Mas que tratamento é que o avô vai fazer então?
- Adriana… Não há tratamento possível… É esperar, o médico desenganou-nos…
As lágrimas formaram-se nos meus olhos e eu controlei-me
- Não é possível! Não me conformo! Eles dizem sempre que não há nada a fazer mas há sempre alguma coisa a fazer! Sempre! – o meu tom de voz estava elevado e provavelmente havia-se ouvido na sala uma vez que David espreitava pela porta do quarto, fiz –lhe sinal que entrasse
- Tem calma filha…
- Calma nada! Amanhã estou de volta a Lisboa! Vamos ter de resolver isto! Tem de haver algum engano
Eu apenas teimava em enganar-me a mim própria, a verdade era demasiado dolorosa.
- Infelizmente não há engano nenhum… Amanhã vemo-nos! Beijinho! – e desligou a chamada~
O meu corpo tombou sobre a cama e eu desatei num choro sentimento. Tão rápido quanto comecei a chorar senti David sentar-se do meu lado e os seus braços rodearem-me.
- O que aconteceu meu amô? – perguntou preocupado ~
- O meu avô, David… O cancro dele voltou…. – foram as únicas palavras que consegui soltar antes de retomar um choro do qual não consegui sair mais
- Não fique assim, meu anjo. Ele vai procurar um bom médico, eu ajudo vocês se for preciso! Mas não fica assim, me mata ver você nesse sofrimento… - apertei mais David e enterrei a minha cabeça no seu peito – Não fique assim, por favor! Eu te amo…
O meu rosto subiu até alcançar o de David e lavada em lágrimas roubei-lhe um beijo, precisava ter a certeza de que apesar de Deus estar prestes a roubar-me um dos homens da minha vida, não me levaria também aquele. Sim! Porque era isso que David se tornara um dos homens da minha vida. ~
- Não me deixes! – pedi em palavras abafadas contra o seu peito
- Nunca, meu anjo! Nunca! – respondeu passando a mão nos meus cabelos
Naquela noite adormeci chorando, nos braços de David que me acarinhou com o maior amor do mundo. Acabei por adormecer e ele também, assim que me viu mais calma e descansando.
*****
Na manhã seguinte despedi-me de todos, agradecendo a hospitalidade e o amor com que me acolheram e ainda recebi palavras de coragem da Dona Regina, do Senhor Ladislau e de Isabelle.
Seguimos juntos para o aeroporto, e estávamos dentro do avião esperando este decolar a qualquer momento.
Estava perdida em pensamentos, memórias, e especialmente no meu avô, rapidamente uma neblina turvou meus olhos. Senti a mão quente de David apertar a minha e desviei o olhar da janela do avião para ele.
- Não se esqueça que eu tou sempre aqui! Vou sempre estar! – pude ver a maior das sinceridades no seu olhar e por entre um sorriso deixei fugir duas lágrimas que ele enxugou com as pontas dos seus dedos
Seguimos viagem para Portugal, eu desconhecia mas estava a pouco tempo de perder uma das pessoas mais importantes da minha vida.
26 comentários:
que lindo amor, aquela parte... lembrei-me da nossa conversa de tarde.
te amo, muiiiiiiiiiiiiiiito <3
adorei driiiiii
espero o proximo
quase que me vieram as lágrimas aos olhos :s
tá lindo drizona !
te amo viu ? *.*
Lindo, a espera compensou :P
Fiquei sem palavras!
Continua
bjs
lindo dri, como smp adorei... tens o dom de me surpreender em cada capitulo...
espero o tempo que for preciso por novos capitulos, nao vou desistir da tua fic...
bjs
Clara
" Perfeito, intocável e eterno! " -Esta frase *.*
Esta cap foi lindo, Drii, lindo !!
Amei mesmo, parece tudo mesmo real mas tão real...
Continua !
Beijãooo (L)
magnifico...
fico á espera do proximo capitulo...
continua...
voltaste em grande :)
Sou uma leitora assídua da tua fic e todos os dias venho cá ver se há algo novo. Gosto imenso da fic.
Acho é que esta parte final está um bocadinho dramática demais, ainda assim fico á espera do próximo capítulo :)
Mais hoje?
:D
ó *.*
acredites ou não , esta fic é viciante adriana!
continua força !
Adorei.. Está realmente muito bom..
Parabéns Continua
Beijinhos
Ai meu deus! É só desgraça!
Etes dois :O
Mas vá, eles são tão fofinhos :$
continua driii!!
Muito bom, fantastico, como sabes adoro a tua fic.
Já tinha saudades.
Continua
Beijinhos
coitada da dri :o
está fantástico :D
queremos o próximo capítulo :b
beijinhooo :)
Como sempre adorei, amo esta história e a maneira como escreves nem se fala.
Parabéns, e quero o próximo!!
Beijão ♥
o menino david é um quanto atrevidinho!!
continua drii! espero que com estas fériazinhas tenhas mais tempo para postar mais capitulos, esta fic está fantástica!!!!!
AdOreii!! COmO adOrO sempre.. =DD
POsta maiis rapiidO..
Please!!
BjnhOO
É impressionante a forma como escreves, como traduzes perfeitamente os momentos e os cenários vividos! Parabéns Adriana!
Continua :D
Todos os santos dias ao final da tarde, estou colada ao teu blog a ver se existem mais capitulos! Esta fic vicia qualquer um. A tua escrita é maravilhosa. Espero por mais capitulos! Força Driiii!
Leio quase todas as fic's mas esta é a única q me faz levantar um sorriso parvo da cara para o ecran do computador.
Quero mais capitulos, e hoje por favor!!!! (A)
Venho aqui religiosamente todos os dias.
A verdade é que fico trsite quando não postas nada driii! No entanto, tens os meus parabéns!
Já pensas-te seguir a carreira de escritora de romances? A sério que tens um dom especial para a escrita. Continua driii!
Joana Fazenda
Muitos Parabens Drii :D
esta fic é um espetaculooo :)
continua assim :D
Suzziie <3
Muito gira, como sempre, mas também um pouco dramática.
Desculpa perguntar(eu sei que a tua vida não é a fic e que tens coisas para fazer), mas quando é que pensas postar mais um capitulo? É que estou a morrer de curiosidade.. (literalmente).
Bjs, continua
Lindo.É mesmo comovente,até me vieram as lágrimas aos olhos.
Já sabes, estamos á espera de mais, quando puderes, claro.
Ass: Catarina
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