(David)
As chaves de casa que eu tinha dado para ela estavam pousadas em cima de um envelope branco. Fiquei confuso, mas segurei ele e abri, mas mal comecei lendo, as lágrimas se precipitaram pelo meu rosto.
“Meu amor,
Grandes pessoas, têm grandes sonhos.
Grandes pessoas, seres humildes, maravilhosos… Grandes pessoas como tu!
Nasceste com um propósito, uma razão… Para seres campeão, fazeres felizes as pessoas que te vêm jogar e mais do que um clube, representares uma nação. Para saíres do pequeno clube na tua cidade natal e fazeres voos mais altos…
O Benfica acolheu-te no seio de uma grande família e levou-te alto, meu pequeno grande campeão nacional! Mas agora que deste mais um passo é tempo de crescer, voar mais alto e obter maior projecção profissional. E acredita que ninguém merece tanto isso como tu, David… E há quem diga que jogadores como tu há muitos, eu digo: jogadores há muitos, como tu não há nenhum!
Nunca deixaste que o sucesso e a fama apagassem a tua humildade e simplicidade que tão bem herdaste dos dois seres maravilhosos que Deus te deu como pais.
Até agora ainda não deves ter percebido nada, mas dá-me tempo… Só mais algumas linhas! Só para eu me puder explicar correctamente, sem te magoar a ti nem a mim, mas principalmente a ti…
As especulações sobre a tua venda têm aumentado e eu fico muito feliz por ti, muito orgulhosa do meu mulecão! Mas como disse, grandes pessoas têm grandes sonhos e precisam de grandes pessoas do seu lado para os concretizar… E eu apercebi-me que talvez não seja uma pessoa grande o suficiente para o teu sonho. É como o teu pai disse uma vez: a mulher certa para ti tem de estar disposta a trilhar o caminho contigo, e talvez eu não esteja… Não desta maneira… E tu mereces a mulher certa e não podes, nem deves, contentar-te com menos que isso!
Sei que vais achar que sou egoísta, mas a verdade é que eu também tenho sonhos, grandes sonhos… E não sei se estou disposta a trocá-los pelos teus.
Agora deves estar a achar que não te amo porque não sou capaz de me sacrificar a mim e aos meus sonhos, mas a verdade é que te amo muito, às vezes até mais do que aquilo que eu julgava possível para uma pessoa só… Mas os meus sonhos estão aqui, a minha vida é aqui. E eu não te posso pedir que fiques, nem o irei fazer pois é injusto. Sei que estás a considerar ficar e até falaste com o presidente expressando essa vontade, mas não vou deixar que o faças, pelo menos não por mim… Oportunidades como esta só surgem uma vez na vida e tu tens de a aproveitar! Arrisca e atira-te de cabeça, amor!
Eu acredito que vais conseguir… Consegues sempre…
Isto é só mais um desafio e tu és o meu furacão, a minha força da natureza!
Sei o que isto significa para ti… É a concretização de mais um sonho de menino e não acho correcto desistir ou adiá-lo por mim. Prefiro privar-me do teu amor, do que privar-te da tua oportunidade de ser feliz.
É por te amar tanto que tomo esta decisão…
Antes que sejas vendido e fiques a odiar-me por não ir contigo, antes que a distância atire a nossa relação para a rotina, antes de nos odiarmos e apagarmos a nossa história e o nosso amor… Antes de tudo isso eu tomo esta decisão e afasto-me…
Liberto-te assim para viveres os teus sonhos, mas preservo o nosso sentimento, ainda que não possa ser vivido.
Por isso não me odeies, não me procures ou venhas atrás de mim para dificultar uma decisão que por si só já se tornou difícil…
Vai simplesmente atrás do teu sonho e guarda sempre aí, num cantinho especial do teu coração, todas as memórias de nós…
Lamento que as coisas acabem assim porque noutras circunstâncias teríamos sido perfeitos um para o outro.
Não imaginas como me custa escrever esta carta sabendo que em breve vais deixar de ser meu… Já tenho saudades e ainda nem te foste embora!
Espero que algum dia me possas perdoar por ter acabado as coisas assim, pois eu jamais serei capaz de me perdoar a mim mesma por o ter feito, especialmente por o estar a fazer desta maneira, por carta… Mas a tua voz ter-me-ia feito mudar de ideias e mais tarde ou mais cedo chegaríamos na mesma a um fim… Ao nosso fim! Ambos magoados, ambos a odiarmo-nos… E já que tem de chegar a um fim, ao menos que acabe da melhor forma possível, com as melhores recordações, as mais felizes…
O meu coração irá sempre pertencer-te e eu serei para sempre só tua… Mesmo que não estejamos juntos!
Sê feliz, meu anjo!
Até sempre,
Adriana“
Nesse instante minhas pernas perderam a força, meu coração parou de bater e meus olhos ficaram vermelhos de tanta raiva que estava sentindo.
Fui correndo no quarto, abri o armário e as coisas dela tinham sumido. Suas roupas não estava mais lá, a camisola que deixava sempre no fundo da cama tinha desaparecido, sua escova de dentes não ocupava mais espaço no copo do banheiro…
- Não, não, não… - fui dizendo enquanto verificava que ela não tinha deixado nada
Nada! Nada que me pudesse provar que ela tinha sido real na minha vida… Nada que me pudesse provar o quanto havia sido feliz em seus braços… Regressei à sala e me sentei no sofá, esfregando freneticamente meus cabelos, não acreditava que aquilo estava mesmo acontecendo.
- Meu filho, que é isso? Tá bem? – minha mãe me tocou no rosto levemente
- Odeio ela, odeio ela, odeio ela… - ciciei para mim próprio e me ergui do sofá num laivo de raiva enorme
- Calma, meu filho… Que tá acontecendo? – minha mãe procurou me acalmar e entender a razão de tanta revolta
- TERMINOU COMIGO! ELA TERMINOU COMIGO! – gritei fortemente enquanto as lágrimas caíam por minhas faces
- Se acalma, Davi, por favor… - pediu o meu pai, completamente transtornado por me ver daquele jeito
- ODEIO ELA, ODEIOOO! – num impulso, derrubei tudo o que havia sob o móvel aparador junto da parede da sala e meus pais estremeceram com o barulho
Me encostei na parede e fiquei olhando tudo o que estava jogado no chão. Ela tinha acabado comigo, porque havia a possibilidade de eu abandonar o clube, hipótese essa que eu tinha excluído faz tempo para puder ficar com ela em Portugal. Me senti lixo, senti que não valia nada e que o que havíamos vivido era somente um sonho, que agora se tornara pesadelo…
- David, fala para a gente, meu filho… - minha mãe se aproximou calmamente, meio a medo, como se eu fosse algum monstro
- Acabou, mamãe… Acabou… Ela terminou comigo! – joguei a carta nas mãos da minha mãe, provando aquilo que eu acabara de falar
Meu pai se aproximou dela e, meio a custo, leu juntamente com minha mãe cada palavra que Adriana escrevera naquela maldita carta. Ao fim de alguns minutos, durante os quais chorei silenciosamente contendo a minha revolta, eles me olharam, com um enorme sofrimento.
- Oh, meu filho… - minha mãe largou a carta e me abraçou, tal e qual como eu precisava de ser abraçado num momento como aquele – Não chora não, meu amô… Não chora…
- Me deixou, mãe… Eu amo ela e ela me deixou… - desatei chorando como se fosse um menino pequeno e minha mãe me arrastou nos seus braços, até ficarmos os dois sentados no sofá
Chorei… Chorei muito durante algumas horas e sempre no conforto dos braços de uma das mulheres que eu mais amava no mundo. Eu tinha a certeza que podia amar Adriana, até mesmo por toda a vida, mas naquele momento, a estava odiando com todas as minhas forças…
***
(Adriana)
Acordei numa cama vazia, do meu lado esquerdo um bilhete dele dizendo que iria comprar pão para o pequeno-almoço. Rapidamente me levantei e de sangue frio, consegui arrumar tudo aquilo que era meu e se encontrava espalhado pela casa. Na minha cabeça estava muito certa de uma coisa: eu não ia ser impedimento para o sonho de David.
Depois de guardar tudo numa mala, prendi a Quimera pela trela e levei-a até à sala. Foi aí, que em frente a uma folha de papel e uma caneta, sentada na mesa, iniciei a despedida mais dolorosa da minha vida.
Assim que comecei a escrever, senti as lágrimas molharem-me a face e imediatamente um nó formar-se no meu coração, imaginando-o a ler aquilo. À medida que caminhava para as últimas palavras, o choro foi progredindo levando-me ao desespero, que culminou quando duas lágrimas fartas, embateram contra o papel, borrando a tinta da minha assinatura.
Não havia mais nada a fazer, nem outra decisão a tomar… Coloquei a carta dentro de um envelope, pousei-a em cima da mesinha do telefone e sobre ela, as chaves de casa dele que me tinha dado.
Segurei a Quimera pela trela, agarrei na minha mala e saí.
Eu sabia que por muito que aquilo doesse, era a decisão certa a ser tomada e somente o fazia pelo bem dele, porque o amava mais do que à minha própria vida e sabia como ele queria ver aquele sonho realizado. Demorei muito tempo a chegar até ali, até alcançar o topo… A conquistar David, a admitir o que sentia por ele, a aceitar que ele me amasse… Demorei tempo até me entregar de novo e aprender a amar ainda de coração magoado, mas naquele momento tudo se destruiu e se Deus criou o mundo em sete dias, eu em sete minutos destruí o meu…
***
Naquele dia, não recebi nenhuma notícia de David, o que já era de esperar, pois ele devia estar muito magoado comigo. Tinha a sua razão, mas eu tinha a minha… Apenas o fizera, para o puder libertar para o seu maior sonho, e só esperava não ter errado… Só esperava não ter feito nenhum disparate.
Passei a manhã do dia seguinte deitada na cama, e como na noite anterior tinha chorado tanto, já não me restavam nem forças, nem lágrimas para chorar mais o que fosse.
Olhei para a mesa-de-cabeceira e vi uma moldura com uma foto minha e dele. Segurei-a e atirei-a para dentro da gaveta superior, pois ser confrontada a toda a hora com aquelas memórias, estava a matar-me por dentro.
Os meus mais profundos pensamentos foram interrompidos pelo barulho da campainha a tocar incessantemente e de forma descontrolada. Tive de me levantar e ir abrir, pois Bianca não estava, tinha passado mais uma noite em casa de Salvio.
- JÁ VAI, JÁ VAI! – gritei tentando acalmar, quem do lado de fora continuava a tocar sem parar
Espreitei pelo óculo da porta e vi a Paulinha, sempre muito bem arranjada, com um vestidinho leve e fresco, típico do Verão e com os longos cabelos amarrados. Com um sorriso abri a porta na esperança de encontrar conforto nos braços de uma amiga, uma das mais importantes e especiais, mas a reacção foi bem diferente do que estava à espera.
- Bom dia, amor! – cumprimentei com um sorriso rasgado nos lábios
- O que raio te passou pela cabeça? – ela entrou pela casa a dentro disparada e falando num tom alterado
- Ei, ei! Calma… Que raio se está a passar? – fechei a porta e segui-a até à minha sala de estar
- O que é que se está a passar? Eu não sei, mas enquanto estás aqui no teu mundinho perfeito, lá fora há uma pessoa de rastos, porque foi deixado!
- Estás a falar de quem?
- Do David, Adriana! Quem mais havia de ser? Deixá-lo e ainda por cima com uma carta? Não conseguias ser mais cobarde que isso? – gritou-me em forma de censura
- Não fales assim comigo, Paula… Ninguém tem o direito de me julgar, muito menos tu!
- Eu tenho! Eu tenho, porque vim agora de casa do David e vi o estado em que ele está! Diz-me só onde é que estavas com a cabeça!
- Ele ia ficar por minha causa, amor! Eu não podia deixar… - falei de forma compreensiva, rezando para que ela compreende-se
- Desculpa lá, Adriana, mas não consigo compreender… Ainda por cima, uma carta? O David não merecia mais do que isso? Tens a noção do que ele sofreu quando chegou a casa e encontrou a carta? Quando procurou as tuas coisas e não encontrou nada? E ainda por cima a vergonha que passou porque os pais estavam com ele? Imaginas a dor que ele sente por se sentir abandonado? Imaginas como ele se sente mal, por te amar tanto, mas ao mesmo tempo odiar-te? – cada palavra que proferiu, fê-lo com o intuito de me magoar, para me chamar à razão, pois já me conhecia bem demais e sabia que aquela era a única maneira
- Desculpa… Desculpa… - os meus olhos ficara rasos de lágrimas e um desespero enorme apoderou-se de mim – Eu só queria que ele seguisse o sonho dele…
- O sonho dele neste momento eras tu, por isso é que ele ia ficar, Adriana… Não imaginas como ele está a sofrer! Eu vi e não acredito que aquele é o David que todos conhecemos!
- Amor, eu não o queria magoar… A sério que não, mas eu não ia conseguir fazê-lo cara a cara com ele, foi a única maneira que arranjei! Achas que queria deixá-lo? Achas que queria acabar com a nossa relação? Claro que não! Se estou arrependida? Muito! Se queres saber estou muito arrependida, mas sei que não posso voltar atrás, ele tem de seguir o caminho dele…
- Adriana, eu não duvido que estejas a sofrer, mas a decisão foi tua… De alguma forma estavas mentalizada, agora ele foi apanhado de surpresa… Ele achava que estava tudo bem, sai de casa, deixa-te a dormir, quando regressa encontra uma carta tua e nem sinal de ti…
- Eu sei que errei, eu sei… Mas fi-lo para bem dele, tenho plena consciência disso!
- Sabes que ele não te vai perdoar isto…
- Sei, eu sei… - o meu coração migou e as lágrimas rolaram pelas maças do meu rosto
- Vem cá… - ela abriu os braços e eu não hesitei, deixando-me abraçar – Não fiques assim, agora o mal já está feito, vamos encontrar uma solução…
- Não há solução… Está na hora dele seguir com a vida dele… - solucei brevemente, mas enchei o peito de ar para acabar de falar - … sem mim!
Naquele dia, ela ficou comigo até ser noite e me deixar a dormir na minha cama, um pouco mais calma e conformada com as circunstâncias, mas se o arrependimento já dominava, isso estava prestes a agravar-se…
***
No dia seguinte o Luisão deu um almoço na casa dele para os amigos mais próximos. A Paulinha garantiu-me que o David não iria lá estar e acabou por me convencer a ir, pois estar com a minha afilhada, a pequena Sofia, iria fazer-me bem. Estava um calor infernal, mas como andava sem grande pachorra para me arranjar, pelos motivos óbvios, resolvi vestir uma coisa simples e nem sequer me maquilhei.
Fiz o percurso no meu carro, ou melhor, naquele que David me tinha oferecido no aniversário, e como combinado, encontrei-me com Paulinha e Roberto junto do portão da casa de Brenda e Luisão.
- Então, amor? Vieste a pé? – a Paulinha aproximou-se imediatamente de mim, afagando-me o rosto
- Não, mas como não havia lugares tive de deixar o carro estacionado na rua detrás…
- Oh, podias ter mandado mensagem que eu tinha-te ido lá buscar, escusavas de ter vindo este bocadinho a pé e sozinha…
- Fez-me bem, sempre deu para passear um bocadinho! – sorri levemente, era o máximo que o meu coração fragilizado permitia
- Que carinha é essa, amor? – questionou quando já nos encaminhávamos na direcção da casa de Luisão
- É a minha, Paulinha… A única que eu tenho! – um forte suspirou quebrou a minha respiração regular e limitei-me a segui-la
- Mad’inha! – a pequena Sofia correu para os meus braços assim que me viu e ficou colada a mim que nem uma pequena lapa
- Como estás coisa linda da madrinha? – enchi-a de beijinhos por todo o rosto e esta correspondeu rindo-se muito, talvez porque lhe estivesse a fazer cócegas
- Agora que chegaste, muito bem, mad’inha! – a pequena menina esboçou um sorriso angelical e aqueles pequeninos olhos definiram o meu mundo numa questão de segundos
- Então e conta-me lá como vai a tua vidinha, pequerrucha?
- Vai munto bem, A’iana, mas tu e o caroleta estão a dever-me um dia de farra… - a pequenina relembrou-me a promessa que David lhe fizera na festa surpresa que eu lhe tinha organizado meses antes
- Pois, sabes, isso vais ter de falar com ele…
- Oh, mas tu namolhas com ele, quase vivem juntos, logo podes falhalhe tu!
- Sabes, amor… - eu ia iniciar um discurso sem saber muito bem como e tentar explicar à menina que eu e David não estávamos mais juntos, mas isso ia acabar por confundi-la a ela e magoar-me a mim
- Olha, a mamã está a chamar-te, Sofiazinha… - a Paula interrompeu a conversa, pois percebeu que eu ia entrar em solo instável
- Eu vou lhá, mad’inha, mas volto já! – ela arregalou aqueles dois pequenos olhos ligeiramente esverdeados e sorriu-me, deixando-me com aquela imagem antes de desaparecer, correndo jardim fora
- Estás bem, amor? – a Paulinha passou-me a mão delicadamente no rosto, provavelmente porque reparou nas lágrimas que me turvavam os olhos, mas que eu fazia um enorme esforço para conter
- Estou, está tudo bem… - menti o melhor que pude, mas para uma pessoa que me conhecia tão bem como ela, isso não era de todo suficiente
- Eu conheço-te, bocharro… - ela fez-me rir durante breves instantes e as lágrimas acabaram por percorrer tenebrosos caminhos nas minhas faces - Oh amor…
- Esquece, Paulinha… Eu estou bem! – montei o sorriso mais fingido e sofrido que alguma vez consegui e foi assim que permaneci para encarar todos os outros
Juntámo-nos aos restantes jogadores e ao grupo das nossas meninas, que já se encontravam lá, e por sinal bem animadas. Senti os olhos de todos os rapazes prenderem em mim, num certo ar de censura, menos os de Ruben. Ele conhecia-me, sabia que estava a sofrer e que naquele momento não queria falar mais sobre o assunto. Senti-me encurralada entre o olhar dele e o de Paulinha, duas das pessoas que já me conheciam melhor do que ninguém…
Contudo ela não pressionou mais, não forçou mais qualquer tema de conversa ou tocou no assunto proibido, pois percebeu que era por esses motivos que eu estava naquele estado. Já estava um pouco mais conformada com a ideia, mas sabia que mais tarde ou mais cedo ia acabar por ter de enfrentar David e esse seria o derradeiro confronto, do tudo ou nada, e infelizmente, estava bem mais perto do que eu esperava…
Aqui vos deixo mais um capítulo, espero que gostem!
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Beijinhos
Drii ♥