sexta-feira, 1 de julho de 2011

Capítulo 110 – Amar a 628 Km de distância também é amar (Parte II)


Coloquei a chave à porta e nem a Quimera me veio receber, pois já dormia na sua caminha, junto da varanda da cozinha. Na sala ele não estava e a casa estava toda às escuras, com excepção do quarto, de onde uma luz difusa provinha, trespassando a porta encostada.
Descalcei-me, abandonando os sapatos junto do hall de entrada, e pé ante pé, avancei, abrindo a porta, que se prostrava entreaberta. A imagem que encontrei não era de todo a esperada, David de boxers, deitado bem no centro da cama, com metade do corpo do lado que me pertencia, e a outra metade do lado dele e de olhos fixos na televisão, que estava ligada num canal de desporto (para não variar!).

- Boa noite… - cumprimentei baixinho ao mesmo tempo que pousava a minha mala no cadeirão do quarto

Ele nem sequer se deu ao trabalho de me responder, mas visto que até era compreensível, livrei-me da roupa que tinha no corpo, ficando somente com uma camisola dele e tentei deitar-me do seu lado, mas ele não abriu espaço para isso, permanecendo bem no meio da cama.

- Dê, quero deitar-me… - anunciei da forma mais calma que me foi possível e acabei por me surpreender com tamanho autocontrole

- Vai deitar na sua casa, no seu quarto, na sua cama, sozinha…! – ripostou de forma fria e clara, sem retirar o olhar do televisor por um milésimo de segundo

Tive vontade de lhe mandar dois berros ali mesmo, perguntar se estava a gozar com a minha cara ou não tinha a mínima noção do que estava a dizer, mas controlei-me. Ou melhor… O enorme orgulho de que sempre fora alvo durante toda a minha vida, controlou-me, e fê-lo da melhor maneira. Assim que senti os meus olhos inundarem-se de lágrimas virei-lhe costas e tão rapidamente como me libertei das minhas roupas, trocando-as somente por uma camisola dele, fiz o contrário. Despi a peça de roupa que lhe pertencia e continha o seu cheiro, e atirei com ela com força para cima da cama. Vesti as minhas calças num pulo e a camisola num ápice, abrindo a porta do quarto bruscamente para me ir embora.

- Vai onde?! – nesse momento ele deu um pulo da cama e elevou a voz, para que eu travasse os meus movimentos

- Fazer o que me mandaste! Deitar-me na minha casa, no meu quarto, na minha cama… Sozinha!

- Não, espera, fui um bobo… - ele segurou-me pelo braço, mas não tive qualquer dificuldade em livrar-me do seu toque.

- A desculpa é sempre a mesma… Larga-me! – apoiando-me na parede do hall fiz um enorme esforço para calçar novamente os meus sapatos, enquanto ele e Quimera, que já havia acordado com os nossos gritos, andavam em torno de mim, descentralizando-me do meu ponto de equilíbrio

- Adriana, fica, vai… Tá sendo bobinha! Te amo, foi uma coisa sem sentido, tudo bem… Vamo dormir juntos…

- Não quero, David… Vou dormir na minha casa e não na tua casa!

- É nossa, amô… Já te falei!

- David, estou-me a borrifar! Esta casa é tua, aquele quarto, a sala, a cozinha… O dinheiro no banco é teu, a fama é tua, o estatuto é teu e sinceramente, só quero distância disso tudo…

- Quer distância de mim, portanto…

- Não é distância de ti, mas simplesmente não aguento mais estas desconfianças! Quando eu digo que estou cansada, é porque eu estou cansada, não faças logo filmes de que não quero estar contigo… Às vezes não posso, enfia isso nessa cabecinha!

- Pronto, cê ganhou…

- Não quero ganhar, queria o mínimo de respeito…

- Cê tem meu respeito!

- Não, não tenho… Tu finges que eu tenho o teu respeito e de vez em quando a coisa até funciona…

- Agora tá sendo injusta, pô!

- Não, não estou a ser injusta… Quantas vezes tu estás cansado e eu te dou o teu espaço para descansares?

- Todas as vezes e de todas essas vezes, o que é que eu te respondo? Que quero dormir com você do meu lado na mesma… Nunca te pus pra correr!

- E eu também não, acho que me interpretaste mal…

- Não, cê sabe que eu interpretei direitinho!

- Pronto, ganhaste! Estou-me a ir embora não é isso que queres? Ficares sozinho, na tua casa, no teu quarto, na tua cama? Vou fazer-te o favor! – virei costas disposta a abrir a porta de casa e desaparecer

- Amô… - ele apertou-me para si, forçando as minhas costas a encostarem-se no seu peito – Não quero discutir com você… Só quero dormir do seu lado, calmamente, sem discussões…

- Então pra quê isto tudo? Não tem sentido nenhum discutir assim…

- Tamo’ sendo bobinhos… Vem, dorme do meu lado, essa noite! – ele guiou-me na sua frente até ao quarto, sem nunca descolar a traseira do meu corpo, à dianteira do seu

- Vamos parar com estas coisas sem motivo… Só estamos a fazer mal a nós próprios!

- Paradinho! Tá prometido! – os lábios dele embateram na minha bochecha esquerda e automaticamente sorri

Enquanto me comecei a despir novamente, para colocar a t-shirt dele, ele ganhou avançou e deitou-se observando-me, de forma muito atenta, mas especialmente à minha barriga.

- Que foi? Estou mais gorda? – questionei, ao mesmo tempo que descia a t-shirt

- Não, mas tá atrasada… - ele esboçou um sorriso radioso

- Sim, estou… Mas é um atraso pequeno, posso simplesmente estar desregulada…

- Ou pode tar grávida! – chutou imediatamente de forma perspicaz

Pelas minhas contas, tendo em conta que na última vez com ele não nos precavemos e que eu estava com um atraso, poderia perfeitamente estar grávida.

- Sim, ou posso estar grávida… - confirmei sorrindo e deitando-me do lado dele

- Quero tanto que seja verdade, que cê teja esperando um neném meu… - a mão dele percorreu carinhosamente a minha barriga

- E eu quero muito dar-to, por isso já nós fizemos… Agora é esperar pra ver! – juntei a minha mão à dele e ficaram ambas assim, pousadas no meu ventre

- Amanhã eu compro um teste na farmácia e cê faz, essa espera me tá deixando louco…

- Tá bem, se queres fazê-lo já, eu faço! – sorri-lhe tranquilamente, pois a ideia de a gravidez se confirmar não me estava a assustar nem um pouco

- Cê tá calminha… Quer mesmo me dar um neném?

- Quero, quero muito dar-te um neném! – imitei o doce sotaque dele, que levou a que ambos gargalhássemos

- Vou ser o homem mais, mais, mais, mais, mais feliz do mundoooo! – beijou-me apaixonadamente, sem me dar hipótese de dizer mais nada

Foi nessa troca de beijos, que acabámos por adormecer lado a lado, prontos para enfrentar o dia que vinha pela frente.


***

Um cheiro enjoativamente doce provinha da cozinha e como do meu lado a cama estava vazia, eu adivinhei que David andava a fazer das suas. Acabei por me rir com os meus pensamentos e concluir que ele estava a fazer as suas maravilhosas panquecas para o nosso pequeno-almoço. Levantei-me da cama e dirigi-me à casa de banho, para lavar os dentes e atender ás minhas necessidades fisiológicas. Pois o baque não poderia ter sido maior, assim que me apercebi que tinha uma mancha de sangue nas cuecas, o que significava que não estava grávida e não passara de um atraso na menstruação. Acabei por me lavar, vestir uma lingerie lavada e pentear-me, para me puder juntar a ele na cozinha.

- Bom dia, flor do dia! – ouvi aquela voz tão doce bem perto dos meus lábios assim que entrei no mesmo espaço que ele

- Bom dia! – tentei parecer tão bem quanto possível e as nossas bocas uniram-se, por vontade própria

- Tô fazendo um café da manhã gostosão, para a melhor namorada do mundo! – um sorriso enorme rasgou-lhe os lábios de forma travessa

David estava extremamente bem-disposto e eu até podia adivinhar qual o motivo, por isso não fui capaz de acabar com aquela felicidade logo ali naquele momento, sabia que era cobarde e injusto, mas preferi esperar pela altura certa.

- Hum, a melhor namorada do mundo está cheia de fome! – esbocei um sorriso leve e por cima do ombro dele espreitei as panquecas que ele tinha ao lume

- Hum, que bom! Isso é que eu quero, você com muita fome é bom sinal! – ele piscou-me o olho por achar que aquele era mais um sintoma da minha possível, mas não existente gravidez – Vamo lá a isso!

Ele colocou as panquecas num grande prato e pousou-o no centro da mesa da cozinha, onde nos sentámos para tomar o pequeno-almoço. Inicialmente conversámos sobre o jogo da noite anterior, mas rapidamente a conversa tomou um rumo que não me deixou qualquer hipótese de fuga.

- Tem calma, não foram campeões hoje, são para a semana na Luz… - incentivei e dei-lhe um beijinho nos lábios

- Acha mesmo? Tô ficando com dúvida…

- Ei, jogador do Benfica nunca duvida!

- Tem razão, se o mister Jesus me ouvisse dizendo isso, me dava um tiro! – ambos nos rimos e ficámos em silêncio comendo – Daqui a pouco vou na farmácia e compro o teste, amô… Quer ir comigo ou prefere ficar e eu trago pra você? – questionou-me de forma descontraída e confiante

- Ah… - comecei a gaguejar o que por si só era um péssimo presságio – Ah…

- Ah… O quê, meu anjo? Tá se sentindo bem?

- Tô, tô… Só que já não vai ser preciso ires comprar o teste… - anunciei de olhar baixo e a minha voz perdeu toda e qualquer intensidade

- Como não, meu anjo lindo? Temo de tirar essas duvidas, não dá pra viver, sem saber se tá ou não grávida…

- Não estou, tenho a certeza… - confessei quando finalmente o encarei olhos nos olhos e tudo o que encontrei foi desilusão e consternação

- Como cê pode ter certeza senão fez o teste? Mudou de ideias quanto ao neném? É isso não é? Não quer mais ser mãe de um filho meu…

- Não é nada disso, eu quero muito, mas sei que não estou grávida, porque não passou de um atraso, fui agora à casa de banho e estou menstruada…

- Tá? – vi os olhos dele ficarem turvos por uma forte neblina de lágrimas

- Tô… Desculpa…

- Não faz mal, não pede desculpa… - a voz dele baixou de tom, pois um pouco mais alto do que aquilo e teria se desmanchado em lágrimas ali na minha frente

- Eu sei que querias muito, mas talvez não seja a nossa hora ainda… - afaguei-lhe a pele das faces tão carinhosamente como consegui

- Pensei que já tinha chegado nossa hora, que ia ser pai… Já tinha lido artigos, já andava vendo coisinhas no shopping… Pô! - ele baixou a cabeça e vi as primeiras lágrimas caírem embatendo na superfície da mesa

Dei um pulo urgente do meu lugar e sentei-me no colo dele para que o pudesse consular.

- Não fiques assim, meu amor… Estou aqui, estou aqui… - sussurrei baixinho no embalo do nosso abraço

- Eu queria tanto… - murmurou perdido em lágrimas

- Querias e vais ter… Olha pra mim! Olha pra mim, amor… - pedi e depois de algum esforço ele acabou por fazê-lo – Vamos deixar isto correr normalmente, o que tiver de ser será e quando chegar a nossa hora, Deus vai dar-nos o filho que queremos…

- Te amo… - jurou com os olhos cravados nos meus, mas cheios de lágrimas

- Eu também, eu também… - murmurei e uni calmamente as nossas bocas, enquanto sentia ainda as lágrimas escorrerem-lhe pelas faces e morrerem nas minhas mãos, que faziam um enorme esforço para lhe segurar o rosto – Vai ficar tudo bem…

- Fica do meu lado, pra sempre…

- Fico, meu amor, eu fico…

- Promete, amô… Promete que não me deixa nunca…

- Fica prometido, amor! Fica prometido… - selámos a promessa com um beijo calmo, mas intenso, que demorou para chegar a um fim

A promessa estava feita e seria eu capaz de cumpri-la?





Obrigada a todos aqueles que lêm a minha fic e comentam, pois os comentários são sempre um enorme incentivo!
Aqui vos deixo mais um capítulo, espero que gostem!
Não se esqueçam de comentar, pois é muito importante saber o vosso feedback! :)
Beijinhos
Drii
 
 
 

15 comentários:

paula. disse...

que liiiiiiiiiindo *-* (volto a dizer ahaha)

és perfeita, melhor amiga!

bejozão, amo-te muuuuuuuuuuuuuuuuuito <3<3<3

Anónimo disse...

Amei!!
Oh que pena ela nao tar gravida :(
Eles nao podem acabar se ele for para fora oh :(
Amo a tua fic!
Posta mais rapido!
Beijinhos

Jo disse...

Aiii gostei tantooooo!!!
Dri já sabes perfeitamente o que penso quanto àquilo que escreves, mas nunca é demais relembrar... AMO, AMO e volto a AMAR!!
O teu talento é irreversível e só cresce mais à medida que o tempo passa! :)
Continua porque eu já estou ansiosa para ler o póximo!
Beijinhos minha lindjinha! ^^
Juca*

Anónimo disse...

Perfeiiiiiiiiito mt perfeitoo *-*
Pena que foi um alarme falso né ? mais a vez deles vão chegar (Yn'

Drii sou mt sua fã <33
Espero que sua fiic não termine nunca nunquinha '
BjããoO

Catarina disse...

Adorei! Estes dois sao mesmo unha com carne =P
So espero é que a Adriana consiga cumprir com a promessa ...
Fico à espera do proximo ;)
Bjs

Anónimo disse...

qual o nome dessa musica q toca ?

Drii disse...

O nome da música é "Someone like you - Adele" :)

Unknown disse...

Dri Maria... nem sei o q dizer!
Isto assim n está c nd... caramba n há dto!

Apesar de já ter assim uma peq grande ideia do q vem por aí n consigo deixar de ficar super curiosa!!

COntinha mha linda

Bjs

Anónimo disse...

Olaaaa


Ameiii :p


continua .....


beijinhos :)

ElsaNeves disse...

Mais um grande capitulo!!!
Adoro a tua fic.
Beijinhos.

CAROLINA disse...

Ola , como sempre , adorei .

Tenho um pedido a fazer-te : segunda feira faço anos e gostava que publicasses um capítulo e o dedicasses a mim .

Achas que da ?

Beijinhos

Carolina :)

Anónimo disse...

Ola......


Começei uma nova fic neste blog


http://luta-por-um-sonho.blogspot.com/


Se quiseres acompanha-la és muito bem vinda :)


Continua com o bom trabalho que tens feito


beijinhos :p

Bianca. disse...

Está lindo, mesmo, lindo! :)
Continua.
Beijo :)

Anónimo disse...

drii nao a palavras adorei agora estou a morrer de coriosidade bjkas

Anónimo disse...

Amo! A tua fic é linda, é a melhor de todas, juro! Escreves mesmo super bem!
Continua e posta rapido para nao me dar uma coisinha de tanta curiosidade :D
Beijos

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