domingo, 2 de janeiro de 2011

Aqueceu-me o coração!

Boa Noite caras leitoras :)

Há minutos entrei no meu blog e deparei-me com um comentário para aprovação que me deixou completamente rendida e de coração nas mãos. Vocês leitoras sabem o quanto os comentários são importantes para quem está do lado de cá a escrever para vocês, às vezes com muito esforço para postar tao regularmente quanto possível. E todos os comentários são importantes mas às vezes tudo se resume a um comentário e acho que até hoje nunca havia recebido um assim, e pelo trabalho que essa pessoa teve a escrever um comentário tão grande e tão explicativo vi-me na obrigação de o agradecer publicamente.
Este comentário, depois de uma vitória do meu querido clube, aqueceu-me completamente o coração e eu tinha mesmo de agradecer à pessoa que o fez, à Daniela.
Muito Obrigada por um comentário destes pois são comentários assim que me incentivam a continuar a escrever e já agora para satisfazer a tua curiosidade tenho 16 anos :)
Mas como nem só de um comentário se fazem os meus leitores, quero agradecer com o mesmo carinho aos meus outros leitores que comentando ou não, lêm a minha fic e fazem com que valha a pena todo o empenho que coloco nela.

Beijinhos grande a todos :D

Nota: Hoje não irei postar pois tive um pequeno precalço com o meu Word (novamente) e vou ter de passar novamente o capítulo do meu caderno para o computador e voltar a corrigí-lo, espero que entendam... De qualquer das maneiras ainda vou tentar fazer um esforço para postá-lo mas não prometo nada uma vez que amanhã as aulas começam e eu teno de acordar cedo.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Caros leitores,

Quero agradeçer todo o apoio que me têm dado e os vossos miminhos e palavras de apoio nos comentários que me deixam. É muito importante para mim saber que gostam do que escrevo.
Aproveito também para vos desejar um Feliz Ano 2011 cheio de alegria e muita saúde.
Cá nos encontramos para o ano! :D

Beijinhos e umas entradas em grande!! ^^

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Capítulo 100 – A nossa noite (parte I)

A noite tinha sido perfeita! Há muito tempo que eu não se sentia assim tão completa, tão feliz e com um homem que realmente me amava do seu lado.
Ele tentava abrir a porta de casa, no meio da penumbra do corredor, e eu olhava-o sorrateiramente e os meus lábios rasgavam-se num sorriso.
Cada contorno do seu rosto, do seu corpo e da sua personalidade faziam-me crer que eu era a mulher mais sortuda do mundo por ter do meu lado, aquele que eu considerava ser, o melhor homem do mundo.

- Tá olhando assim para mim porquê? – perguntava-me ele divertido ao mesmo tempo que tentava acertar com o buraco da fechadura

- Sei lá! – respondi-lhe eu descontraidamente

- Sei lá não é resposta! Tenta outra vai! – disse ele conseguindo abrir finalmente a porta

- Porque te amo! – respondi-lhe o mais sinceramente possível

Às vezes até me sentia mal, mas era inevitável controlar os meus olhares, ele é tudo o que se podia desejar. Bem, na verdade ele é muito mais do que o que se podia desejar.
Ele estancou com a minha resposta, acho que não estava á espera, não era a primeira vez que lhe dizia que o amava mas aquele “Porque te amo!” soou tão sincero, tão genuíno! Disse-o do coração, sem pensar no que responder, foi espontâneo. E agora eu começava a perceber que amar o David tornara-se tão espontâneo, e necessário, como respirar.
Ele demorou alguns segundos a digerir a minha resposta, porque havia sido apanhado de surpresa, acho que ele achou que eu ia responder tudo menos aquilo, naquele momento. Quando finalmente se recompôs os olhos dele brilhavam e um sorriso contrastante havia inundado o seu rosto perfeito.
Eu delirava com aquele sorriso, quando ele me sorria assim acho que todas as partes do meu ser tremiam num misto de nervosismo e emoção.
O meu coração disparou quando o vi vir na minha direcção, com aqueles olhos fixos em mim, na minha boca. Eu sabia que ele me ia beijar, e não queria fazê-lo ali. Escapei-lhe por entre os braços, puxei-o levemente entrando dentro de casa e fechei a porta atrás de nós.
Ele percebeu que eu não queria beijá-lo no corredor, qualquer pessoa poderia aparecer, e mesmo que não aparece-se ninguém, aquilo fazia parte da minha personalidade, eu amava-o mas não gostava de expor assim os meus sentimentos, as minhas demonstrações de afecto, em frente de pessoas que eu não conhecia, e aqueles momentos eram só meus e do David e eu não queria ter de correr o risco de ter de partilhá-los com mais ninguém.
Ele sabe como eu sou, e apenas soltou uma gargalhada abafada e voltou a dirigir-se para mim da mesma maneira, com o mesmo olhar, aquele que me deixava tão fraca mas com o coração a mil.
Antes de algo ser dito ou feito ele pousou o saco de desporto e o meu casaco sob a mesinha do hall.
Posso jurar que quando as mãos dele tocaram o meu rosto, a minha pele ardeu sob as palmas das suas mãos.
O seu toque tão quente, tão macio, tão seu, e que eu podia reconhecer, onde fosse, sem hesitar durante um segundo sequer.
Ele fechou os olhos e eu fechei os meus também, as suas mãos continuavam postas no meu rosto, e eu, em gesto de resposta e dando-lhe uma espécie de sinal de permissão para me beijar, pousei as minhas mãos pequenas, comparadas com as dele, sob a camisa que cobria o seu peito.
Os meus olhos não viam, mas as minhas mãos sentiam que a distância entre nós estava a encurtar e nos meus lábios sentia já a respiração ofegante de David.
A minha mão direita, que estava pousada sobre o lado esquerdo do seu peito, sentia o seu coração descompassado e em perfeita harmonia com o meu, que da mesma forma desesperada batia por um beijo.
Senti os seus lábios quentes a tocarem levemente os meus. Tentei unir as duas bocas mas ele fugiu-me, eu abri os olhos e vi-o na minha frente, com os dele também abertos e sorrindo como sinal de satisfação, ele queria provocar-me, fazer-me “sofrer”. Eu podia ler esse desejo na sua expressão marota e sempre brincalhona.
Voltei a fechar os olhos, não iria deixar aquilo barato.
Ele voltou a aproximar-se do meu rosto, voltei a sentir a respiração dele nos meus lábios entreabertos, segundos depois senti os seus lábios tocar muto levemente nos meus. Tentei afastar-me mas ele desceu uma das mãos do meu rosto para a minha cintura, puxou-me forte contra o seu corpo, e beijou-me. Acho que ele adivinhou que eu não iria deixar aquilo barato e antes que eu lhe fizesse o mesmo, ele adiantou-se e deu-me um beijo.
Oh Meu Deus! E que beijo! Os lábios dele aplicavam uma pressão sobre os meus, não me magoava, mas revelava um enorme desejo. Ele aplicou alguma pressão também na minha cintura e empurrou-me ligeiramente, de maneira a que rodámos mais ou menos 45º e empurrou-me, mas com todo o cuidado para não me aleijar, contra a parede, mas sem nunca separarmos nossas bocas.
Senti um arrepio percorrer-me a espinha quando ele enterrou a cabeça dele no meu pescoço e me beijou. Senti algo húmido e quente contra a minha pele, era a língua dele. Movimentava-se juntamente com os lábios contra o meu pescoço e dava-me uma sensação indescritível.
Senti então uma leve mordiscada na pele do pescoço, eu tremi da cabeça aos pés, nas mãos de David, até a força nos joelhos me faltar e ele solta uma gargalhada abafada no meu pescoço.
Ele descontrolava-me com aquelas pequenas brincadeiras, e ele sabia-o tão bem mas mesmo assim fazia-as porque lhe dava um certo gozo ver-me assim desorientada, a tremer que nem varas verdes nos seus braços.
Ao fim de algumas brincadeiras, divididas entre o meu pescoço e o lóbulo da minha orelha, finalmente volto a ver-lhe o rosto.
E que perfeição! A luz ligeira que invadia o corredor, pela janela da sala e vinda do pequeno candeeiro, em cima do aparador do hall onde estávamos, deixava-o mais belo que nunca.
Os olhos dele brilhavam, estavam ligeiramente mais escuros e um sorriso tímido invadia-lhe o rosto.
Beijei-o no canto direito da boca, foi a vez de ele tremer. Tinha de provocá-lo mais um pouco.

- Tenho de ir andando – sussurrei-lhe ao ouvido em jeito de provocação e tentando afastar-me dele dando a entender que tinha mesmo de me ir embora

E de facto tinha mesmo de ir, estava a ficar tarde e eu ainda tinha de apanhar um táxi para casa pois não queria que ele tivesse de conduzir àquelas horas da noite.
Ele não deixou, puxou-me para ele e o meu coração acelerado fez ricochete no peito dele. Ele sentiu e sorriu vitorioso. Eu adorava estes joguinhos que sedução com David, faziam-me apaixonar sempre mais, e mais, e mais, pelo homem maravilhoso que era meu. Sim, meu! Que bem me sabe dizer isto.
Beijei-lhe a linha do maxilar, era a minha vez de brincar no pescoço dele. Beijei-o em pequenos toques dos meus lábios contra a pele dele.
O cheiro dele inebriava-me. Era um cheiro único, era só dele, como eu costumo dizer: era cheiro de David. Fiz-lhe uma carícia mais atrevida, e passei-lhe a minha língua na curva do pescoço, segui para a maçã-de-adão, e dei um pequeno beijo aí. Ele tremeu que nem um menino pequeno quando leva um berro. Eu ri-me sem ele ver, claro. Finalmente consegui perceber o prazer que ele tinha em sentir-me tremer por ele, pelo toque dele, porque eu também sentia o mesmo quando ele tremia por mim.
Desvie-lhe ligeiramente os caracóis, e entre os meus lábios puxei a pele do pescoço dele sem o magoar, soltei e dei um pequeno beijo na zona. Olhei para ele e sorri, ele pôde perceber pelo meu sorriso atrevido que lhe acabara de fazer um chupão, mas pela expressão dele não creio que se tenha importado, pois olhava para mim sorrindo maravilhado.
Beijei-lhe a boca e mordi-lhe o lábio inferior muito carinhosamente, quando ia a fugir da boca dele, senti os lábios dele puxarem os meus e a língua dele percorrer-me o lábio inferior de uma ponta à outra. Se a minha boca não tivesse unida à dele ter-se-ia aberto um sorriso do tamanho do mundo. As nossas bocas separaram-se selando o beijo com vários toques de lábios seguidos.

- Tenho mesmo de ir… - disse-lhe eu consciente de que já era tarde, ainda tinha de ir de táxi até casa e virei-lhe costas

- Não tem não… - disse-me ele num tom provocador e agarrando-me por trás a cintura e puxando-me contra o corpo dele, enterrou a sua cabeça no meu pescoço e mordeu-me o lóbulo da orelha, o que me fez estremecer novamente

- Tem de ser… Tu sabes que sim! – disse-lhe plenamente consciente de que a minha vontade era de ficar ali ou de que ele viesse comigo enquanto que ele continuava atrás de mim, agarrado à minha cintura beijando-me o pescoço, as costas, os ombros e as orelhas. Virou-me de frente para ele e encostou-me de novo à parede

- Fica comigo… Só mais essa noite… - sugeriu-me ele por entre vários beijos curtos e olhando-me profundamente nos olhos

Eu estava aterrorizada. Tinha medo da carga formal que aquilo acarretaria. O ambiente estava quente entre nós, estávamos sozinhos, em casa dele e a situação perfeita estava criada. Tremi só de pensar na ideia.
Eu sabia que estava preparada mas tinha medo do momento em si mas mais do que isso, tinha medo de o desapontar, pois não seria a primeira vez que ele fazia aquilo, ao contrário de mim.
Mas eu amo-o, não podia esperar uma vida inteira até deixar de ter medo, para me entregar a ele da última maneira que faltava, fisicamente. E se eu esperasse por esse momento a vida inteira na esperança de não ter medo, então acho que esse momento nunca chegaria.
Eu sei que o David não ia forçar nada que eu não quisesse, o problema era que eu queria, apesar de estar aterrorizada. Acho que o clima instalado dava a plena noção de qual era a minha vontade mas David ainda não tentara nada mais… O que devia eu fazer para lhe dar o sinal de avanço?
Olhei para baixo, e vi que ele estava excitado. Fiquei corada e acho que ele percebeu, pois tentou disfarçar a sua erecção forçando-me a olhar para o seu rosto, nos olhos dele. Era a situação perfeita para lhe dar sinal de que era aquilo que queria mas não sabia bem o que fazer ou como o fazer.
Deixei a minha mão, que até ao momento estava pousada no seu ombro, deslizar pelo peito, até baixo. Não sei como arranjei coragem de o fazer, mas fi-lo!
A minha mão ficou pousada no cinto de David, ele beijava-me mas sentiu a minha mão e então separou as nossas bocas e olhou para baixo, para confirmar que aquele toque era meu.
Ele levantou a cabeça na minha direcção, o seu olhar estava meio confuso mas muito brilhante.
Decidi que o que acabara de fazer tinha sido a maior estupidez da minha vida, senti-me corar, mas fui incapaz de tirar a mão do cinto dele agora que ele já a tinha visto.
Não sabia bem o que fazer, tentei sorrir mas o meu rosto estava congelado, completamente inerte mas o dele mostrava um sorriso escondido, mas eu não tinha a certeza se aquilo era um sorriso de felicidade ou um sorriso de “Não quero fazer isto… O que é que você tá fazendo?”.
Sem qualquer reacção, e com a (falta de) expressão dele só me ocorreu beijá-lo.
Senti então a mão dele, descer-me da nuca, para as omoplatas, meio despidos pelo vestido, e passar-me no meio da espinha, mesmo sobre o fecho do vestido. Quando chegou ao fundo das costas a sua mão parou e deixou de me beijar. Eu não queria que ele pára-se, por isso deixei a minha mão subir de novo para a sua barriga e acariciei-lhe os músculos tonificados, corei ligeiramente com o toque. Não contente com o facto de ele continuar sem me beijar de novo voltei a deixar a minha mão pousar sobre o cinto dele. Ele voltou a descer o olhar para confirmar que o toque era meu, encarou-me com os seus olhos castanhos-esverdeados e eles estavam mais escuros e as suas pupilas dilatadas.

- A gente não tem de fazer nada, não quero pressionar você – confessou-me sincero

- Mas eu quero amor… - confessei-lhe envergonhada

- Tem certeza, meu amor? – perguntou-me num tom de voz receoso mas muito carinhoso

- Toda a certeza do mundo! – respondi-lhe num sussurro

Ele sorriu-me e eu quase desvaneci nos braços dele. Deixei as minhas mãos subirem até ao peito dele e tocarem o primeiro botão da camisa com intenção de a desabotoar.

- Meu amor… – senti a voz dele falhar e pude perceber que ele ainda não estava convencido da minha decisão

- Quero ser tua! – sussurrei-lhe ao ouvido

Disse-lhe aquilo ao ouvido, porque acho que de outra maneira, encarando-o, teria sido incapaz de tal coisa.
Ele sorriu. Aquilo deixou-me satisfeita.

- Te amo! – ouvi da boca dele no meio do beijo que entretanto me dava

Muito timidamente, e como quem não sabia muito daquelas coisas deixei as minhas mãos empurrarem o casaco dele para trás e ele deu-lhe o jeito, foi o suficiente para o casaco cair ao chão.
Ele sorriu-me e eu sorri-lhe meio envergonhada. Eu não sabia o que fazer, era a primeira vez que o fazia e estava cheio de medo de parecer ridícula na frente dele.
Então voltei a beijá-lo, enquanto as minhas mãos percorriam a fileira de botões da camisa e os desapertavam um a um.
Ele agarrou os meus quadris entre as suas mãos grandes e quentes, o seu toque queimou-me a pele mesmo por cima do tecido do meu vestido.
Ele percebeu que eu estava nervosa, então agarrou-me na mão puxando-me para o quarto dele. Travei-lhe o movimento, e curvei-me ligeiramente, sem lhe largar a mão para retirar os sapatos de salto que deixei espalhados no hall junto do casaco dele. Ele riu-se e voltou-me a puxar com delicadeza. Ele seguia á frente e eu atrás, a mão dele tocou num pequeno interruptor do lado da porta que fez umas luzes fracas nas mesas-de-cabeceira acenderem quando ele se ia a virar para mim atirei-me nos braços dele e beijei-o como nunca o havia feito. Apanhei-o de surpresa, desprevenido, desarmei-o, ao menos assim estaríamos de igual para igual nessa noite: completamente desarmados um para o outro. Parei. Ele tirou a camisa, eu senti o meu coração disparar, o meu corpo estremecer, a respiração faltar-me, sentia-me como se fosse morrer. O tronco dele despido era perfeito, já o tinha visto em tronco nu, mas não naquelas circunstâncias, passei-lhe a minha mão gelada no peito descendo para os abdominais e a respiração dele acelerou seguida de um gemido de dor. Eu tinha sido um pouco cruel, ele estava super quente e as minhas mãos geladas dos nervos. Sorri-lhe como pedindo perdão e ele desmanchou-se também num enorme sorriso que me deixou pior do que já estava.
Em menos de dois segundos senti os lábios húmidos dele contra os meus e fechei os olhos, deixei-me levar. Beijá-lo era um acto tão natural como respirar, e igualmente essencial á minha sobrevivência.
Senti o tronco nu dele contra o meu corpo e as mãos dele percorreram todas as curvas e recantos do meu corpo.
As mãos dele percorriam as minhas costas e eu beijava-lhe o rosto, ele pousou as mãos no fecho e lentamente foi movendo-o até ao fim.
Ele olhou-me nos olhos, consegui perceber que ele me pedia permissão para continuar, assenti-lhe positivamente com a cabeça e ele pousou a mão na alça direita do meu vestido.
Foi descendo-a lentamente ao mesmo tempo que percorria o meu ombro com beijos, depois despiu-me a alça esquerda da mesma maneira. Olhou-me nos olhos, fiz o mesmo e sorri-lhe, ergui os braços no ar, queria que ele me tirasse o vestido e ele assim o fez.

- Te amo, como nunca amei ninguém…

- Quero tanto ser tua…

Muito carinhosamente foi puxando-o delicadamente e atirou-o para o chão, beijei-o.
Naquela noite explorara cantos da boca de David que desconhecia e ele fazia o mesmo na minha.
Ele descalçou-se e tirou as meias, ainda bem, detestava ver homens de boxers e meias. Eu desapertei-lhe o cinto, mas com os nervos as minhas mãos acabaram por atabalhoar-se todas ao tentar desapertar o botão e o fecho. Ele riu-se, olhou para mim como que pedindo permissão e fê-lo ele mesmo.
Ficámos então ambos em roupa interior.
Ele sentou-se no fundo da cama e eu deixei-me ficar encostada à parede que ficava de frente para onde ele estava, com as mãos atrás das costas, e baloiçando-me nos dois pés cruzados á minha frente. Eu sorria-lhe e ele fazia o mesmo para mim.
Se aquele momento ia mesmo acontecer eu tinha de ir buscar protecção. Foi a primeira coisa em que pensei, e desde que David tentara fazê-lo e me prometeu que esperaria pelo momento certo eu andava sempre com um preservativo, não fosse o momento certo chegar quando eu menos esperasse.
Então olhei em minha volta procurando a minha mala, lembrei-me que ficara no hall de entrada sobre o aparador. Dirige-me para lá mas senti uma mão ardente agarrar-me o braço com firmeza, era David.
Ele puxou-me contra si e os nossos corpos semi-nus ficaram colados e os nossos rostos a milímetros de distância.

- Tá indo onde? – perguntou-me ele num sussurro

- Buscar uma coisa… - respondi-lhe afastando-me dele e revirando a minha mala sobre o tocador

Encontrei o preservativo, escondi-o na mão, cerrei o punho e muito nervosa entrei novamente dentro do quarto onde ele esperava por mim sentado no fundo da cama.
Aproximei-me dele, deixei os meus joelhos descaírem ligeiramente, agarrei um punhado de cabelo dele, pois a cabeça dele estava ao nível da minha barriga. Brinquei com alguns dos seus caracóis enquanto ele se ria como uma criança.
Curvei-me e beijei-o enquanto a minha mão desceu do cabelo para o rosto. As nossas bocas separaram-se do beijo curto e eu estendi-lhe a mão abrindo-a e revelei o que havia no seu interior.
Ele riu-se, achei que estava a gozar comigo, mas só depois percebi o quão ridícula acabara de ser, era óbvio que um matulão como ele devia ter daquilo em sobra e demasia.
Ele agarrou no que tinha na mão e atirou-o para o chão, ele aterrou muito perto da porta do quarto e ambos olhámos para confirmar. Quando nos fitámos novamente ele colocou a mão esquerda na minha cintura e puxou-me para ele, obrigando-me a curvar as costas para o beijar.
Sem saber bem porque, reagi a um impulso do meu corpo e beijando-o coloquei a minha mão direita em torno da nuca dele, abri ligeiramente as pernas e sentei-me sobre o colo dele.
Conseguia sentir a excitação dele contra o meu corpo, em parte porque estava sentada em cima dele e não me havia lembrado de tal pormenor.
Ele parou de me beijar, acho que ficou surpreendido por eu tomar aquela iniciativa. Mas toda eu tremia dos nervos.
Ele beijou-me e deixou a sua boca escorregar dos meus lábios para a minha orelha.

- Relaxa, meu amor! – sussurrou-me ao ouvido e beijou-me de novo

Senti que ele se ia levantar e levar-me no seu colo. Ele estava em pé beijando-me, e agarrava-me na cintura, senti-me escorregar dos braços dele e então entrelacei as minhas pernas em torno da cintura dele.
Ele deixou uma das mãos subir até as minhas costas e deixou a outra na minha cintura.
As nossas bocas não se conseguiam separar. Ele andou comigo assim agarrada a ele com as pernas em torno do seu corpo, até á lateral da cama e muito delicadamente foi-se inclinando pousando-me em cima dela.
Parou de me beijar e eu só lhe conseguia sorrir. A boca dele descia agora para o meu peito, e ele percorreu a minha barriga com beijos. Eu estremeci e ele percebeu que me tinha deixado nervosa por isso não insistiu mais e voltou a procurar a minha boca.
Ele deitou-se sobre mim, ele era pesado mas era um peso agradável. O corpo dele estava quente, na verdade muito quente e o meu frio, por isso não recusei sentir aquela sensação tão agradável. Beijámo-nos, acariciámo-nos durante minutos, ele estava a ser super carinhoso e as mãos dele percorriam o meu corpo descobrindo cada curva, cada contorno.
Ele quebra o beijo e sinto o peso sobre o meu corpo desaparecer. Ele estava em pé ao lado da cama. Não percebi o que iria fazer por isso levantei-me e deixei-me estar sentada na cama. Ele abriu a gaveta da cabeceira e tirou lá de dentro um preservativo. Eu sorri-lhe. Tinha sido mesmo tosca ao achar que ele não teria daquilo para se precaver.
Coloquei-me de joelhos na cama, enquanto ele fechava a gaveta. Atirei as almofadas, vermelhas para o chão e abri a cama, puxei a colcha toda para trás até ao fundo da mesma enquanto ele olhava para mim. Ainda de joelhos fui arrastando-me em cima do colchão até chegar á lateral da cama onde ele se encontrava de pé.
Eu era mais baixa do que ele, e de joelhos em cima da cama a diferença de alturas continuava a ser considerável, por isso tive de puxá-lo, colocando a mão atrás do seu pescoço e puxando-o para mim para o conseguir beijar.
Ele foi deixando o seu corpo cair sobre a cama, e por consequência sobre mim.
Senti a mão ardente dele percorrer o meu corpo desde o topo da minha cintura, aos quadris e terminando nas coxas, eu tremia de medo mas um novo sentimento começava a apoderar-se de mim: o desejo. Ele empurrou o corpo dele contra o meu e eu senti todo o corpo dele, cada relevo, cada contorno, contra o meu corpo, quebrando o meu frágil auto-controlo.
Ele deixou os lábios dele percorrerem o meu decote, depois a minha barriga, o meu umbigo, parou, ele não queria que eu me sentisse forçada a nada. Eu também queria poder beijar o corpo dele. Dei uma reviravolta. Estava eu em cima agora. Beijei-o na boca, depois no peito tonificado, desci até á barriga e percorri cada contorno dos seus abdominais com beijos e algumas carícias com a minha língua. Voltei ao seu pescoço mas deixei as minhas mãos na barriga dele, elas desceram mais um pouco… Não sei onde arranjei coragem, mas acho que a naturalidade com que ele fazia tudo me estava a dar confiança para também o fazer. Beijava-lhe o pescoço e tocava-o por cima dos boxers, ele gemeu baixinho de prazer por entre os meus cabelos, pude perceber que não era pelos beijos no pescoço mas sim pelas carícias que lhe fazia. Ele travou-me os movimentos puxando-me os braços para o peito dele. Fiquei confusa, achei que estava a fazer alguma coisa mal. A minha cara contraiu-se de preocupação.

- Fiz alguma coisa de errado? – perguntei amedrontada

- Nada meu amor, cê tá sendo perfeita – confessou-me ele sorrindo imensamente

O meu corpo serenou, percebi que ele apenas não queria que eu insistisse em algo que podia não ser minha vontade apenas para o satisfazer. Delicadamente voltou-se a deitar sobre o meu corpo e beijou-me, acariciou-me, durante largos minutos. David era pesado e o meu corpo começava a ficar dormente então resolvi dar um pequeno impulso fazendo os nossos corpos rodarem e o meu ficar ligeiramente sobre o dele mas essa posição não me fazia sentir que estava eu sobre o controlo, até porque foi David que o tomou. Senti a mão esquerda dele, onde ainda tinha o relógio que ele raramente largava, percorrer-me a linha da coluna e pousar sobre o fecho do meu soutien. Uma nova preocupação invadiu-me. Ele iria ver-me nua e não era uma coisa a que eu estava habituada. Poucas pessoas me tinham visto assim, só a minha melhor amiga, a Débora, a minha mãe, e o meu primo, porque éramos muito chegados quase como irmãos e havíamos sido criados dessa mesma forma.
Senti uma enorme vergonha apoderar-se de mim e rapidamente o sangue aflorou-me as maças do rosto, travei o braço de David com a minha mão direita. David reparou e o seu rosto formou uma expressão confusa que pedia uma resposta.

- Tenho vergonha… – confessei-lhe em surdina e não precisava dizer mais porque ele percebeu ao que me referia

- De mim, meu amor? – perguntou ele baixinho com um sorriso carinhoso

- Desculpa mas não sou de expor o meu corpo e tu vais ver-me nua… - disse-lhe muito envergonhada

- Mas eu sou seu namorado, a gente tá junto, é a coisa mais normal… - disse ele com uma grande naturalidade

- Tenho vergonha na mesma… Sinto que me estou a expor… E eu tenho medo de te desiludir… Não sou perfeita, sabes… - insisti eu procurando perceber o que lhe ia na alma através do olhar

- Não tem vergonha de mim não, meu amor. Cê não se vai expor não! Cê vai ser minha e eu vou ser seu como nunca antes… Cê é perfeita e por isso o que quer que eu vá ver só vai confirmar as minhas suspeitas – disse ele divertido tentando acalmar-me

- Só tu! Desculpa-me! Isto é porque eu estou nervosa… - disse-lhe mais calma e com um sorriso tímido a espreitar-me os lábios

- Então relaxa! Eu te amo! Cê sabe disso! Você não tem que fazer nada que não queira! Eu posso esperar… Tenho todo o tempo do mundo! – disse ele muito calmo tirando a mão do fecho do meu soutien

- Não, não quero esperar! Eu amo-te! – disse-lhe muito convicta e voltando a colocar a mão dele sobre a minha espinha e ele sorriu muito carinhoso – Quero estar contigo… Esta noite quero ser tua. Quero que me faças tua, só tua!- acrescentei com um sorriso envergonhado e um brilho nos olhos que eram o bastante para reflectir a felicidade daquele momento

Ele olhou para mim uma última vez, com a mão pousada no meu soutien, como que pedindo permissão para continuar, sorri-lhe, roubei-lhe um outro beijo atrevido nos lábios, era a minha autorização para fazê-lo. Ele beijou-me a boca novamente, com um desejo, uma paixão, que eu nunca havia experimentado. Senti o elástico do soutien a fazer menos pressão nas minhas costas, ele já o tinha desapertado. Olhou-me nos olhos, encaminhou a sua boca para o meu ombro e percorreu-o de beijos até chegar á alça do soutien que carinhosamente desviou, primeiro uma, depois a outra. Num único movimento leve tirou-mo! Senti os meus seios despidos contra o peito dele. David colocou-se então de novo em cima de mim, impulsionou o seu corpo novamente contra o meu e ouvi-o gemer baixinho contra o meu pescoço. Colei mais ainda o meu corpo ao dele, achando que já não era mais possivel colá-los mais do que aquilo, e senti a erecção dele contra o meu corpo. Fiquei novamente nervosa, percebi que o momento estava breve e apesar de todo o cuidado e carinho de David eu não estava mais calma. Ele afastou ligeiramente o seu corpo do meu, fez um movimento rápido e voltou a colocar-se em cima de mim cuidadosamente. Percebi que ele estava agora completamente nu, mas desta vez não me senti envergonhada, ele tinha razão, estávamos prestes a unir-nos da última maneira possivel que nos faltava, a física, e vê-lo despido era a coisa mais natural do mundo. Ele sorriu satisfeito perante tanta calma minha. Senti então as mãos dele nos meus quadris, e os polegares dele a puxarem ligeiramente a única peça de roupa que me sobrava, o meu coração disparou e quase me faltou o ar. Ele ao contrário de mim parecia muito sereno, e tão naturalmente como que respirando, deixou-me nua debaixo do corpo dele. Ele olhava-me, não era um olhar perverso, mas sim um olhar doce, maravilhado.
Ele sorriu-me, beijou-me.

- As suspeitas confirmam-se, cê é perfeita! – afirmou num sussurro junto aos meus lábios, e com um sorriso doce, e os seus olhos colados nos meus

Fiquei feliz, não deu para esconder e os meus lábios rasgaram um sorriso enorme.
Ele voltou a beijar-me, agora os nossos corpos nus, estavam colados um no outro, ele agarrou no preservativo que estava em cima da cama, abriu-o e colocou-o. Voltou a fitar-me nos olhos e eu tremi! O momento tinha chegado!
Coloquei a minha mão sobre o peito dele, pedindo-lhe que esperasse, ele percebeu apesar de eu não ter usado palavras.

- David…

Sentia o coração dele bater acelerado, pude finalmente perceber que ele estava nervoso mas fazia um esforço por não o mostrar. Relaxei o meu corpo, retirei a minha mão do peito dele, beijei-o, sorri.
As palavras, os actos dele, faziam-me sentir mais segura. Estava pronta!
Ele posicionou então o seu corpo correctamente sobre o meu, e colocou uma das mãos na minha cara e outra na minha cintura.

- Eu te amo, meu amor! – jurou-me baixinho

- Eu também! – jurei-lhe também baixinho colocando as minhas mãos tremeluzentes nas costas dele

Senti então ele unir os nossos corpos num movimento muito suave, mas a dor invadiu-me. Faltou-me o ar e o meu coração parou durante breves segundos. Era uma dor suportável mas não agradável. Ele voltou a entrar em mim e senti-o aplicar mais pressão, gemi de dor e inevitavelmente cravei as minhas unhas nas suas costas, magoando-o sem intenção. Iniciou então um ritmo lento, e podia vê-lo conter-se para não gemer de prazer enquanto eu fazia o mesmo mas para não gemer de dor e não deixar as lágrimas, que se formavam por detrás das minhas pálpebras, escorrerem-me pelo rosto.
Tentei acalmar-me e pensava “Isto vai passar, calma, vai passar”, mas não passava. Só piorava e eu começava a deixar o desespero apoderar-se do meu corpo.
Nesse momento tive uma certeza, aquele iria ser o pior momento da minha vida e ficaria muito aquém daquilo que eu tinha imaginado para a minha primeira vez, iria ser só dor e eu iria estar demasiado preocupada com isso para conseguir sentir qualquer união que fosse com David. E isso magoava-me. Fazia-o por ele, por nós, porque o amava, uma experiência que estava a ficar muito longe daquilo que eu tinha imaginado, mas talvez eu é que estivesse errada e tinha imaginado as coisas como elas não eram. Ele continuava a mover-se contra o meu corpo, beijava-me a boca e eu aproveitava esses beijos para suprimir os meus gemidos de dor. O David olhava-me nos olhos, ele sabia lê-los e percebeu claramente que me estava a magoar mas ele não ia parar, até porque eu não queria que ele o fizesse. Ele abrandou, hesitou, parou de unir os nossos corpos tão frequentemente. Vi nos seus olhos uma enorme preocupação. Deixou-se ficar dentro de mim durante alguns segundos mas sem se movimentar, voltou a entrar no meu corpo muito suavemente apenas aplicando alguma pressão. De repente e quando eu já estava plenamente convencida que aquilo não era nada do que eu tinha imaginado, senti um calor a percorrer o meu corpo. Um calor que vinha de dentro, como um friozinho no estômago, que me enchia o peito e latejava na minha cabeça. E que calor tão agradável! Não sei explicar como mas começou-se a sobrepor à dor. E eu queria mais daquele calor, daquela sensação e David começava a afastar os nossos corpos, então abri as minhas mãos que estavam pousadas nas costas dele e puxei o corpo dele para junto de mim. A sensação voltou. Ele voltou a unir os nossos corpos num ritmo suave e constante. Percebi que aquele calor trazia prazer e que este era proporcionado pelo facto de David estar dentro de mim. Agora estava tudo mais calmo.
Os olhos dele acalmaram e a dor que eu sentia também. Ele continuava a impulsionar o corpo dele contra o meu num vai e vem calmo, o calor aumentava e eu gostava dessa sensação. Mas algo maior estava para vir. Uma sensação que eu não sei explicar, apoderou-se de mim, como uma grande lufada de ar desde o topo da minha espinha até á ponta dos meus pés. Fez o meu coração disparar, a minha respiração tornou-se acelerada e irregular, as minhas pernas semi-encolhidas, encolheram-se ainda mais de prazer e eu tentei suprimir um gemido de prazer mas este saiu-me pelos lábios, muito baixinho. O David olhou para mim, sorriu, ele estava feliz por eu ter deixado de sentir dor e por agora, quando já só sentia prazer, podermos partilhar aquela experiência de igual para igual.
Ele continuava com os movimentos, cada vez mais rápidos e intensos e igualmente o prazer aumentava, as nossas respirações ofegantes na boca um do outro, misturadas entre beijos, os nossos cheiros, os nossos corpos ligeiramente suados completamente em contacto.
O prazer aumentava e nós disfarçávamos gemidos prazerosos, contra o corpo um do outro, o prazer aumentava e aumentava. As minhas mãos percorriam as costas dele, a minha boca fazia pequenos chupões nos seus ombros e pescoço. Inconscientemente eu cravava-lhe as unhas nas costas a cada nova onda de prazer que me envolvia. Beijávamo-nos no meio daquilo tudo, e o prazer era constante, o desejo, a paixão, mas o amor. O amor! Oh meu deus! O amor! Eu sabia que amava David mas aquilo era o culminar de tudo, de todos os meses juntos, de todas os carinhos, de todos os beijos, mas também de todas as discussões, de todas as birras, era o culminar da nossa relação, de nós!
Os nossos corpos movimentavam-se então num ritmo único, as nossas respirações ofegantes numa só, dissemos que nos amávamos e chamamos um pelo outro vezes sem conta enquanto os nossos corações ritmados e latejantes batiam em nossos peitos.
Eu não queria que aquele momento acabasse mas comecei a sentir o prazer chegar ao limite, o David também, os gemidos suprimidos aumentaram, agarrei-me ainda mais ao corpo dele, pousei a minha boca no ombro dele e fechei os olhos.
Atingi o prazer máximo, gemi, desta vez não deu para conter, não gritei, mas gemi de uma maneira suficiente para ele conseguir ouvir minimamente. Cravei as minhas unhas nas costas dele e arrastei-as, acabando por o arranhar ligeiramente num acto inconsciente. Todo o meu corpo tremeu percorrido por um arrepio e depois contraiu-se.
Ainda sentia vagas ondas de prazer pelo meu corpo, fazendo-me gemer, o David continuava a mover-se dentro de mim, mais e mais, ouvia-o controlar os seus gemidos, cada vez mais constantes, até que senti todo o corpo dele como o meu, tremeu e de seguida contraiu-se. Senti-o pulsar de mim, soltei novamente um gemido muito pouco envergonhado que foi acompanhado por um do mesmo tom, de David.
Ele parou. Encostou a sua testa na minha e os seus caracóis provocaram-me algumas cócegas, mas eu nem me importei. Deixei as minhas mãos passarem das costas dele para os seus braços, eram fortes, musculados, e eram meus. Ele era meu. E agora eu era dele! Agora mais do que nunca. Como nunca fora de nenhum outro homem. Pertencia-mos um ao outro. Inegavelmente! Sorrimos olhando-nos olhos nos olhos. A boca dele precipitou-se na direcção da minha. Os lábios quentes dele, tocaram os meus, muito carinhosamente mas apaixonadamente. A língua dele enrolou-se na minha com alguma agressividade que me agradou e os lábios dele abocanhavam os meus. Selámos o beijo com um leve toque de lábios.
Senti o meu corpo completamente esgotado e o David também parecia esgotado de tudo aquilo. Arrisco-me a dizer que aquele foi o momento mais feliz e mais inesquecível que alguma vez viverei. Senti-o retirar-se de mim, gemi ligeiramente, estava dorida mas sentia-me extremamente bem. Tenho que admitir que depois daquele momento, senti-lo fora de mim, trouxe-me uma noção, uma sensação de vazio. Sentia-me assim, como que incompleta, como se ele lá estivesse estado uma vida toda e agora já não, apesar de não ser assim.
Ele deixou o seu corpo estafado, cair do lado esquerdo do meu, sorriu-me, retirou o preservativo, e tapou-nos com o lençol. Senti-me mais quente então.
Ainda meio envergonhada do que se tinha passado, aninhei-me no peito dele. Mas senti-o puxar-me muito fortemente para ele. Os nossos corpos nus ficaram colados. Frente-a-frente um para o outro. Agora já não havia nada que eu não conhecesse nele e ele em mim.
Os nossos rostos estavam distanciados por dois centímetros, talvez nem tanto. Olhava-o nos olhos e ele nos meus. Não dizíamos nada. Nem era preciso, o momento acabara de falar por si, e dissera tudo: Nós amamo-nos! Senti a mão dele, pousar na minha cintura e deslizar para as minhas costas e eu fiz o mesmo, pousei a minha mão sobre o braço dele que tocava as minhas costas. O cansaço começava a apoderar-se de mim, fechei os olhos e segundos depois senti os lábios dele contra os meus. Aplicavam uma certa pressão desconcertante e que me dava vontade de nunca deixar de os beijar e senti a língua dele invadir a minha boca momentaneamente. Correspondi. Quebrámos o beijo e sorrimos.

- Amo-te! – foi a única coisa que lhe consegui dizer

- Eu te amo! – respondeu-me ele também exausto mas muito sincero, falou com o coração

Ambos fechámos os olhos. Adormeci nos braços dele, com uma certeza confortante para a minha alma e coração, amanhã iria acordar, aquilo não iria ser um sonho, e estaria nos braços dele: O grande amor da minha vida!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Capítulo 99 - O Casamento (Parte III)

Entrei disparada no quarto, precisava soltar as lágrimas que contive desde o que David me dissera. As suas palavras tinham sido duras, apesar de indirectas. Atirei-me para cima da cama, coloquei a cabeça sobre a almofada agarrando-me a ela e iniciei o meu pranto silencioso.
Comei a ouvir barulho no corredor e levantei-me com medo que alguém me apanhasse naquele estado. Eu era demasiado orgulhosa para aceitar que alguém me visse chorar assim, daquele jeito descontrolado, por um rapaz.
Entrei na casa de banho e limpei as lágrimas com lencinhos de papel perfumados que a minha mãe colocara sob a bancada. Sorri, só ela mesmo para se lembrar daqueles pormenores.


- Ai, David, David... Vais acabar por me enlouquecer! – desabafei falando sozinha ao mesmo tempo que me encarava no espelho enxugando as lágrimas

- Que pena, pois eu enlouqueci no momento em que conheci você! – vi-o encostar-se à ombreira da porta da casa de banho

Tive de me controlar para não voltar a chorar e olhei-o de soslaio. Atirei o lenço para dentro do pequeno balde do lixo e virei-me para David apoiando-me na bancada.

- Tá chorando porquê, minha boba? – perguntou com um novo olhar, um olhar carregado de carinho e compreensão

- Porque magoei uma pessoa que amo… - aproximei-me dele e acabei por passar pelo pequeno espaço que havia entre ele e a ombreira da porta e entrei no quarto

- E se sabe que magoou porque não pediu desculpa? – seguiu-me

- Porque lá está, sou uma otária! – sentei-me na cama e ele sentou-se do meu lado, muito próximo de mim – Desculpa… Eu podia ter adiado atender aquela chamada mas aquela tua indirecta deixou-me confusa… Sem reacção.

- Não foi indirecta, foi directa mesmo! Já tava pensando nisso desde as férias no Brasil… - ele baixou o olhar dele para as nossas mãos que agora estavam unidas sob a perna dele

- Mas eu devia ter-te ouvido, falado contigo mas não…E depois aquelas tuas atitudes à hora de almoço, magoaram-me! E as tuas palavras há bocado acabaram comigo! – deixei o meu olhar pender para o chão

- Cê é uma boba, eu sou um bobo! Nos magoámos mutuamente por besteira… - colocando a sua mão no meu queixo ele obrigou-me a olhar nos seus olhos

A sua respiração começou a fazer-se sentir nos meus lábios entreabertos e num gesto delicado ele uniu as nossas bocas. Senti a sua língua quente e húmida envolver a minha e senti o sabor da sua boca, do seu beijo, o sabor do David. O sabor natural dele, meio doce, completamente reconhecível e inconfundível com qualquer outro. Um sabor viciante, do qual mais provava mais queria e prolonguei assim o beijo. Ele quebrou o beijo, beijou a ponta do meu nariz e deixou o seu rosto ficar assim, colado ao meu.

- Me perdoa…

- Perdoo-te? Tás tonto? Tu é que tens de me perdoar por aquela porcaria tod… - ele interrompeu-me colocando o seu polegar sobre os meus lábios selando-os e repenicando-os com dois beijos lentos – David, deixa-me falar!

- Não há nada p’ra dizer, meu amô. Esquece, vai! - ele sorriu-me

- Está esquecido! – sorri-lhe também e demos um beijo

Naquela noite tivemos o jantar de ensaio e chegámos a casa tão estafados que adormecemos mal caímos na cama mas o novo dia adivinhava novas emoções.



****


Quando acordei já eram oito e meia, o que significava que dentro de uma hora teria de estar pronta para sair para o casamento e David também mas esse dormia do meu lado que nem um anjo

- David… David… - tentei despertá-lo

- Ah amô, me deixa dormir! – pediu virando-se de barriga para cima

- Deixa de ser molengão! – abanei-o com alguma convicção mas ele não me ligou e sentei-me então em cima dele dando-lhe suaves beijos por toda a cara

- Assim não vale… - resmungou mas depressa senti as mãos dele puxarem-me mais para si e ele erguer-se de modo a ficar sentado na cama

- Vês como acordas-te logo? – empurrei-o para que se deitasse novamente e soltasse o meu corpo

- Com um despertar desses, pudera! – ele voltou à posição em que estava e beijou-me novamente os lábios desejosamente

- Temos de nos ir arranjar… Daqui a uma hora temos de sair de casa! – informei pousando as minhas mãos na barriga dele

- Tem mesmo de ser? – perguntou encostando as suas costas na cabeceira da cama

- Sim, tem… Eu por mim ficava aqui … - a minha voz arrastou-se com a possibilidade de ficar ali com David

- … então fica, pô! – sugeriu puxando o meu corpo para si

- Não pode ser… Temos de nos ir arranjar, eu tenho de ir tomar banho! – tentei levantar-me mas ele não deixou

- Eu posso tomar banho com você… - sugeriu ao meu ouvido

- Logo de manhã já com estes pensamentos? Dorme pá! – apertei-lhe uma das bochechas

- Já falei p’ra você, me machuca que eu gosto! – fez novamente um sorriso safado
Enterrei o meu corpo no dele e a minha cabeça no seu pescoço. Podia sentir o seu perfume mesmo após uma noite de sono, continuava intocável.

- Amo-te… - sussurrei baixinho

- Te amo mais… - disse desviando-me os cabelos da orelha

- Ficava assim para sempre… - desabafei voltando a encará-lo, os nossos rostos ficaram a centímetros um do outro

- É só você querer, já falei… - ele passou-me com o polegar levemente na maçã do rosto
- Como se eu não quisesse! Mas acredita que te fartas de mim antes desse para sempre…
- Não farto não… Para sempre é muito tempo mas se for passado do lado de quem amamos é bem aproveitado, uma eternidade do seu lado será sempre pouco! – ele beijou-me com paixão

Eu senti que estava pronta para me entregar a David e sucumbi ao desejo. Eu não sabia bem o que fazia mas passei as minhas mãos por baixo da camisola dele puxando-a para cima, ele facilitou erguendo os braços no ar e facilitando a sua remoção. Senti então as suas mãos quentes no fundo das minhas costas empurrando o top para cima. Continuávamos o beijo mas fomos interrompidos.

- Meus caros amigos! – Ruben gritou animado ao invadir o quarto sem bater à porta

- Pô cara, sempre oportuno! – reclamou David ao mesmo tempo que eu saia do colo dele

- Eish, desculpem lá – Ruben parecia visivelmente constrangido – Mas é que a tua mãe disse que se começassem a arranjar que daqui a uma hora saímos para a igreja…

- Tudo bem… Nós vamos já! – David vestiu a sua t-shirt e levantou-se da cama assim como eu
- E mais uma vez desculpem pessoal! – Ruben esboçou um sorriso sincero

- Não tem problema! – sorri-lhe também e ele fechou a porta atrás de si

David atirou-se para cima de mim fazendo-me cair sobre a cama.

- David… - chamei-o ao sentir a mão dele debaixo do meu top novamente

- Pô gata, só mais um carinho, vai… - os lábios dele colaram-se instantaneamente aos meus

- Estás tão mal habituado, amor… - enterrei as minhas mãos nos seus caracóis
- Ué, culpa sua…Me habitua mal! – riu-se e vi aquele sorriso angelical apareceu na minha frente

- Temos de nos ir arranjar… - informei com um ar aborrecido
- Tem mesmo de ser, né? – ele deu um pulo rápido da cama privando-me do seu abraço

- Ah… Só mais um beijo! – pedi levantando-me e colando-me ao corpo dele

- Depois o mal habituado sou eu! – reclamou dando-me um beijo no topo da cabeça
- Vá vamos! Vai te vestir! – empurrei-o para junto das suas coisas mas ele ainda teve tempo de me roubar um último beijo

Tomei um duche, vesti-me tão rápido quanto pude e passei o meu habitual perfume pelo corpo. David vestiu o seu fato preto e ficou pronto antes de mim e esperou-me sentado na cama, atento a cada passo meu.


- Apertas, amor? – pedi virando as costas para ele deixando à vista o fecho das costas aberto

- Claro, vem cá! – ele levantou-se e colocou-se nas minhas costas

Senti a mão direita dele percorrer a pele descoberta nas minhas costas, muito levemente. Aquele toque provocava-me algumas cócegas mas umas cócegas estranhamente deliciosas.
Os lábios dele colaram-se à minha nuca, descoberta pelo meu cabelo apanhado. Foi percorrendo a minha espinha com beijos até que senti ele descobrir o meu ombro e a sua língua acariciou a minha pele.

- David! Pedi-te que apertasses o vestido não que mo despisses! – refilei e ouvi-o abafar uma gargalhada na minha nuca

- Eu ia só confirmar se a sua roupa interior tava combinadinha com a roupa de fora… - a mão dele desceu até às minhas nádegas

- Safado! – acusei-o e ele riu-se
Instintivamente soltei-me dele e dei-lhe suaves chapadas no peito mas ele continuou a tentar beijar-me e eu intensifiquei as chapadas.

- Isso, me machuca que eu gosto! – dizia ele num sorriso safado e eu entendi que as chapadas não o incomodavam minimamente

Quando tentei falar ele roubou-me um beijo apaixonado e fogoso. Senti novamente as mãos dele invadirem as minhas nádegas e eu começava a entregar-me novamente ao desejo quando bateram à porta.

- Outra vez, ninguém merece! – refilou David baixinho contra os meus lábios e eu ri-me com o ar chateado dele

- Meninos, está tudo à vossa espera lá em baixo! – gritou Ruben do outro lado da porta

- Nós descemos já! – gritei afastando os meus lábios de David

- Tá bem, vou descer! Até já! – gritou Ruben e o silêncio voltou a imperar no corredor
David voltou a beijar-me sem me dar qualquer hipótese de refutação.

- David… - murmurei por entre o beijo mas acabámos por cair sob a cama com ele sobre mim
As mãos dele percorriam todas as curvas do meu corpo e apertavam as minhas coxas e quadris com fulgor.

- David, temos de ir! Há pessoas há nossa espera – consegui dizer quando os lábios dele libertaram a minha boca e se afundaram no meu pescoço

- Pô, tamo a toda a hora sendo interrompidos! – reclamou sentando-se na cama

- Eu sei mas temos mesmo de ir a este jantar, o meu primo matava-me se eu não aparecesse! – ele fez uma cara desconsolada – Vá lá amor, não fiques assim. A nossa hora há-de chegar… - tremi com as minhas palavras

Eu tinha a plena noção de que o meu momento de entrega a David estava para breve mas a ideia ainda me assustava apesar de eu ter a certeza de que era ele que eu queria, era ele que eu amava e era a ele que me queria entregar, da última maneira que me faltava.

- Tá bom, vem cá que eu aperto o seu vestido então… - apertou-o por entre carinho – Cê tá linda! – um brilho surgiu nos olhos dele

- És tão mentiroso! – acusei virando-lhe as costas

- Cê é a mulher mais bonita que eu já vi! – colocou-se na minha frente e roubou-me um beijo nos lábios, eu segurei a sua cabeça pela nuca

- Agora tenho a certeza que estás a mentir – ambos nos rimos e demos mais um beijo
Eu vesti o casaco e ele também, coloquei estrategicamente os meus óculos. Finalmente seguimos para o casamento no carro dele.
Foi uma cerimónia muito bonita e durante toda ela, David não soltou a minha mãe durante um minuto que fosse, nem tão pouco nos largámos até ao resto do dia. Somente quando o meu primo, o noivo, me tirou para dançar.
Era já de noite quando nos despedimos de todos, arrumámos as nossas coisas e nos dirigimos a Lisboa.
Combinámos passar em casa de David para ele mudar para uma roupa mais confortável antes de me ir por a casa e assim o fizemos. Mas algo me dizia que naquela noite não iria ser preciso ele levar-me a casa.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Capítulo 99 – O casamento (Parte II)

Durante todo o almoço fiquei sentada do lado de David e nem ele, nem eu, pronunciámos qualquer palavra um ao outro e pouco conversámos com as restantes pessoas presentes. A meio da refeição busquei um sorriso dele mas nem consegui que ele me encarasse, entendi então que ele devia estar mesmo magoado comigo, quem sabe com o meu silêncio. Mas eu estava mesmo a endoidecer ou ele tinha-me convidado, indirectamente é certo, para ir viver com ele? Para Ruben que conhecia demasiado bem os dois, foi evidente a tensão entre nós.
A verdade foi que toda aquela situação me incomodou muito. Já me tinha habituado ao estado de calma que a nossa relação alcançara e aquela espécie de discussão feita no silêncio, sem palavras, com apenas olhares acusadores, olhares esses que magoavam e discussão essa onde ele levava clara vantagem, estava a endoidecer-me completamente.
Enquanto esperávamos pela sobremesa David pousou a sua mão esquerda sobre a mesa, ligeiramente inclinada para o meu lado e eu não resisti a entrelaçar os meus dedos nos dele. Mas pela primeira vez, desde que começáramos a namorar David fugiu ao meu toque e soltou-se da minha mão, mais uma vez sem me encarar. Aquilo acabara de passar todos os limites e o Ruben percebeu que todo o meu corpo se contraíra de raiva. Uma coisa era ele estar magoado e não querer olhar para mim outra coisa era desprezar-me com toda aquela frieza quando eu buscava simplesmente um gesto de carinho.
“Calma” pude ver os lábios de Ruben gesticular para mim.
Resolvi alinhar no jogo de David e afastei-me ligeiramente dele iniciando conversa com Inês, senti então o olhar dele pousado em mim, como se fossemos um pequeno íman, eu um pólo e ele outro, completamente opostos mas que se atraíam mutuamente.
Encarei-o e ele não fugiu com o olhar. Debaixo da mesa coloquei a minha mão sobre a perna dele e ele sacudiu-a novamente com a maior das friezas. Censurei-o com o olhar e ele, demonstrou-me com o seu, que estava magoado. A minha mãe entrou na sala, seguida pela minha tia e pela minha avó, e como já era hábito traziam várias sobremesas à escolha e foi evidente a satisfação de Ruben que deu um pulo imediato na cadeira.

- Assim é que eu gosto! A tia estraga-nos com mimos! – salientou com um enorme sorriso estampado no rosto e esfregando as mãos

- Deixa-me adivinhar Ruben vais querer provar de todas para te certificares de que é seguro todos comerem? – brincou a minha mãe

- Claro, tia! Até parece que já não me conhece… - a gargalhada foi geral

A minha mãe iniciou a distribuição de comida e eu perdi-me em pensamentos. Pensamentos sobre mim, sobre David, sobre como a minha vida era antes de conhecer David e como ela se tornou fantástica depois de ele ter entrado nela.

- Adriana? Filha? – a voz da minha mãe tirou-me daquele profundo estado de dormência
- Sim? – respondi meio confusa ainda tentando trazer o meu subconsciente à realidade
- Ouviste alguma coisa do que te disse? – perguntou inquieta

- Desculpa mãe… Estava longe, queres alguma coisa? – perguntei num sorriso leve

- A tua avó estava a dizer se hoje vai ser dose completa? – perguntou com um sorriso rasgado na cara

Era hábito eu provar um pouco de tudo porque a minha avó achava que eu tinha de me alimentar bem e essa boa alimentação passava pela degustação de todas as suas iguarias.
- Não, mãe… - respondi tentando parecer o melhor possível

- Não? Ai que a minha neta está doente! – a minha avó ficou aflita
- Ó! Não vês que ela hoje vai ficar-se só por uma… A preferida dela hoje está na lista... – o meu avô prontificou-se a acalmá-la

- Então, hoje é apenas a tua preferida? – perguntou a minha mãe já com um pratinho na mão pronta a servir-me

- Não…

- Então?
- Hoje não é nada…
- Como não?

- Não tenho fome… Estou cheia!

- Ó amigona, nunca se está cheio para os doces da tua avó! – Ruben insistiu tentando forçosamente colocar-me um sorriso no rosto

- Mas eu estou… Não tenho apetite! Vou subir e descansar… Com a sua licença meu avô, meu pai! – levantei-me pousando o guardanapo sobre a mesa e saí, subindo as escadas de acesso ao andar superior

Entrei no meu quarto, que naquela noite teria de partilhar com David. Abri a minha mala e troquei para uma roupa mais confortável. Uns calções de ganga curtinhos, um top básico verde e um casaco de malha castanho chocolate. Entrei na casa de banho privada do quarto, olhei-me ao espelho. Nem acreditava que por um mal-entendido, sim porque aquilo não passara de isso mesmo, um mal-entendido, que eu estava chateada com David e ele magoado comigo. Abri as portas dos armários que eu já tão bem conhecia, não me pertencessem eles. Encontrei um molho de elásticos e com um amarrei o cabelo num apanhado desajeitado. Ouvi então o meu telemóvel vibrar sob a mesinha de cabeceira, corri para atendê-lo e regressei à casa de banho.

- Alô gata! – ouvi a voz de Débora do outro lado do telefone

- Gata! Não sabes as saudades que tinha de ouvir a tua voz e não podia ter vindo em melhor altura… - desabafei ao mesmo tempo que me sentei na bancada da casa de banho

- Olha apeteceu-me ligar-te… Bateu aquela saudadinha e eu pensei, não é tarde nem é cedo, é já! – rimo-nos as duas

- Veio mesmo a calhar, estava a precisar de ouvir uma voz familiar que me acalmasse e nada como a voz da melhor amiga… - o meu corpo tombou sobre a parede do espelho da bancada

- Então? Problemas no paraíso? – brincou desconhecendo o que se passava
- É mais que o paraíso virou inferno! – desabafei sem pensar no que dizia
- Ui! Está assim tão mau? As férias no Brasil não correram bem?

- Oh correram, foi brutal! A família dele é cinco estrelas, ele foi impecável e estamos muito felizes…

- Então não entendo onde é que o paraíso virou inferno…

- Olha quando chegámos aqui ao casamento do meu primo e o David, em frente aos meus pais, ao Ruben e à Inês pediu indirectamente que fosse morar com ele ou isso ou eu fiz um granda filme…
- Então e tu que lhe respondeste?

- Não respondi nada…

- Como não? –ela estava visivelmente chocada

- A Bianca ligou-me nesse exacto momento! Abençoada! Eu fiquei tipo múmia, sem qualquer reacção a olhar embevecida para o Dê…

- Não te entendo! Juro que não te entendo! Se tu gostas dele onde é que está a crise de morarem juntos? Vocês amam-se, namoram há algum tempo… Estás a fazer um grande filme sim! Tu adoras fugir aos compromissos, amor…

- Talvez… Mas o pior foi que quando eu desliguei a chamada, o David estava lá e perguntou-me se eu estava a fugir dele e eu como não sabia como reagir simplesmente fugi dele porque a minha mãe nos chamou para ir almoçar. Foi o timming perfeito!

- Vês? Adoras fugir aos compromissos, adoras fugir àquilo que sentes…

- Talvez… Eu amo o David e custa-me vê-lo assim magoado comigo. Se visses a indiferença com que ele me tratou ao almoço… Nem me deixou dar-lhe a mão!

- Poem-te no lugar dele! Nem que seja por dois segundos, amor. Tu ias gostar de convidar a pessoa que amas para morar contigo e essa pessoa simplesmente virar costas para ir atender uma chamada e fugir à resposta. A chamada podia esperar… Não esperou porque tu não quiseste!

- Ai Débora, já percebi! Não me dês mais na cabeça! – eu sabia que ela tinha razão, mesmo sem o sermão dela eu sabia que a minha atitude não tinha sido a correcta e que eu só tinha atendido aquela chamada porque veio na altura certa para fugir ao momento desconfortável em que David me pusera

- Pena só teres percebido agora… Não falaram?

- Não… Ainda não houve oportunidade. Ele ficou lá em baixo para a sobremesa e eu subi para mudar de roupa e descansar…

- Traduzindo, subiste para trocar de roupa e fugir mais uma vez dele e da conversa…

- Talvez… É que eu não sinto que estejamos chateados, ele está apenas magoado comigo e tu sabes como odeio desiludir as pessoas…

- Eu sei, amor… Como eu te conheço! Mas vai com calma, não fujas mais! Tudo o que tiveres a dizer diz mas cuidado para não seres bruta que eu já sei como és, sim?

- Sim, vou tentar…

- Não vais tentar, vais conseguir!
- Tudo bem! Vou conseguir…

- Se precisares de alguma coisa liga, sim?

- Tá bem… Obrigada! – sorri – Beijinho! – desligámos

Fixei o meu olhar nas luzes incandescentes do tecto, ofuscavam-me e faziam-me mergulhar novamente em memórias. Saltei da bancada da casa de banho num pulo, entrei pelo quarto a dentro, coloquei o telemóvel na mesa-de-cabeceira e quando me virei dei de caras com David sentado na beira oposta da cama. Julgava estar sozinha por isso a presença dele assustou-me, dei um enorme pulo silencioso e levei a mão ao lado esquerdo do meu peito tentando acalmar o meu coração descompassado.
Ele estava agarrado ao telemóvel a mandar mensagem mas eu percebi que ele ouvira a minha conversa ao telemóvel.
Eu tinha de fazer o que Débora me dissera, falar com ele e parar de fugir de uma vez por todas.
Mas antes de eu conseguir dizer o que fosse bateram à porta.

- Sou eu, o Ruben… - ouvi a voz dele abafada pela porta de carvalho fechada e fui abrir-lha – Desculpem… Mas eu queria saber se vocês querem vir dar uma volta de cavalo, a tua mãe mandou preparar quatro, era para mim e para Inês e para vocês…
- Eu não sei se estou com cabeça para isso… - eu tinha de ter mesmo aquela conversa com David

- Anda lá! – insistia Ruben

- Eu vou, Manz! – David pousou pela primeira vez o telemóvel e levantou-se na direcção da porta

- Assim é que é falar! E tu, linda? – Ruben sorria na minha direcção

- Eu dispenso… Fico mesmo por aqui! – sentei-me na cama

- Oh anda lá, sem ti não vai ter graça…

- Vai, claro que vai! Com certeza arranjarão melhor companhia do que eu! – mandei a piada para o ar e percebi que David ficou incomodado

- Não te posso obrigar… - Ruben resignou-se

- É, há muito tempo que já ninguém me pode obrigar a nada… Divirtam-se! – atirei o meu corpo para cima da cama

- Obrigada! – senti Ruben aproximar-se de mim e dar-me um beijo leve no rosto – Não ajas assim! – sussurrou-me ao ouvido e saiu atrás de David

Aquela atitude de David começava a sair fora de meu controlo, eu entendia que ele estivesse magoado e nada, mas mesmo nada, lhe tirava essa razão mas continuar a insistir em ignorar-me fazia-me sentir mal e não ia resolver nada. Mas em certa parte aquele convite de Ruben vinha mesmo a calhar, eu estava mesmo a precisar de arejar e nada como um passeio a cavalo numa tarde solarenga como aquela.
Calcei os meus ténis da Nike num ápice e desci as escadas passando pela sala, cheia de gente em amena cavaqueira, sem dizer o que fosse, podia ser que ainda os apanhasse nas cavalariças.

- Hey, então mudaste de ideias? – o rosto de Ruben iluminou-se

- Parece que sim… - sorri e abri a divisória do Sultão, o meu cavalo, para o tirar

- Vais aparelhar tu o Sultão? – perguntou Inês surpreendida
- Sim, aliás mesmo que alguém o tentasse aparelhar por mim ele não deixava… É um bicho bravo, só deixa montar e aparelhar quem ele quer e conhece… - expliquei ao mesmo tempo que lhe colocava os arreios

- Eu seria incapaz de aparelhar um cavalo, ainda levava um coice! – Inês gesticulava fazendo um olhar horrorizado

- Não digas disparates! Os cavalos são um animal lindíssimo! Não fazem mal a uma mosca…

- Não é bem assim, Inês… Ela aqui é que é uma valentona! – Ruben gozou comigo

- Tá calado ó! Senão queres que te atire com uma cenoura à cabeça – apontei para o balde das cenouras dos cavalos mas continuei a aparelhar o Sultão

- Hey, não é preciso tanto amor, fofinha! – Ruben meteu-se comigo

- Eu dou-te o amor, ó cabeça de ovo! – passei com a minha mão na sua cabeça quando passei junto de si, puxando o Sultão pelas rédeas

- Não esperas por nós? – perguntou-me ao ver que me coloquei em cima do cavalo
- É suposto esperar?

- Pensei que íamos todos juntos… - Ruben parecia desiludido

- Preciso de estar sozinha… Pensar… - confessei ao ver que David me ignorava completamente
- Mas… - Ruben foi interrompido

- Pô, deixa ela ir, manz! Ela tá mesmo precisando pensar… E mais vale só do que mal acompanhado! - David encarou-me novamente mas a voz dele teve um tom de censura, um tom de sarcasmo que me desagradou

Foi-me necessário conter as lágrimas que afloraram os meus olhos pois não queria dar parte fraca. Desci do Sultão entreguei-o ao vaqueiro para que o desemparelha-se e virei costas aos três.

- Vais onde? – perguntou Ruben confuso

- Perdi a vontade…Não quero obrigar ninguém à minha companhia. Vão e divirtam-se! – não olhei mais para trás, aquele era o meu limite

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Capítulo 99 – O casamento (Parte I)

David

Apesar de a minha menininha ter acordado sobressaltada com aquele maldito pesadelo, ela acabou por se acalmar e a viagem até à casa de família dela foi feita num envolto de serenidade.
Ela seguiu todo o caminho calada, escutando a música que passava na rádio mas sem nunca tirar a mão da minha perna, acho que porque o medo de aquele pesadelo ter sido verdade ainda a assaltava.
Já avistava o acesso da pequena estrada para a casa da família dela quando me apercebi do quão longe ela tava e resolvi quebrar o silêncio.

- Princesa? – eu chamei por ela e finalmente ela me encarou – Tá se sentindo bem?
- Sim, estava só para aqui a pensar… - respondeu com um falso sorriso tranquilo nos lábios

- A pensar no que não deve, certo? – elevei as sobrancelhas ao mesmo tempo que a censurei

- A pensar no meu avô… No sonho de ontem à noite… - revelou encolhendo-se mais no seu lugar

- Meu amô, não quero cê pensando nessas coisas não, viu? Foi só um sonho, desliga disso vai! Não vai acontecer nada não, eu tou aqui…

- Eu sei David mas aquele maldito sonho não me sai da cabeça! - ela parecia realmente incomodada com tudo aquilo

- Meu amô, esquece vai! Foi isso mesmo! Só sonho! – eu fui desviando o olhar da estrada p’ra tentar desvendar as expressões dela e a única coisa que encontrei foi um olhar completamente vidrado e desesperado

- Mas foi tão real… E a possibilidade de te perder assustou-me! Assustou-me como nunca nada me tinha assustado na vida… - o choro começou a ser evidente na sua voz

- Oi, cê não vai chorar não! Não quero ver você assim… Você tava vivendo muito o momento do seu avô e a possibilidade de o perder. E como tem muito medo que isso aconteça …

- … acabei por arrastar esse medo de perda para outra pessoa que amo e sem a qual não sei viver! – ela me interrompeu e completou o que eu ia dizer, não com as mesmas palavras que eu usaria mas com a mesma ideia que eu tinha

- Eu não vou deixar você e me mata ver você nessa angústia toda, meu anjo… - eu mantinha o olhar atento na estrada

- Ó David foi só um sonho mas podia ter sido realidade… E aí tu tinhas morrido sem sequer saberes o quanto eu te amo, sem te ter dado um último beijo… Sem me ter despedido! – o corpo dela tremeu quando pronunciou a última frase

- Eu sei o quanto você me ama e em relação a despedir, entre nós nunca poderá haver um adeus. Qualquer separação será sempre um até sempre… Estamos ligados de um modo que já não existe distância possível que nos separe… - ela me olhou profundamente nos olhos e sorriu, eu percebi que a tinha acalmado com as minhas palavras - E quanto ao seu avô vai com calma, como você mesma me disse ele não sabe da gravidade da situação e a sua mãe pediu p’ra você aproveitar o momento em família e esquecer essa doença… - eu tentei tranquilizar ela

- Sim, tens razão… Eu tenho de me tentar abstrair disto tudo. Aproveitar o momento em família... Matar saudades de quem já não vejo há imenso tempo e apresentar-te a todos… - ela sorriu e senti todo o seu copo relaxar

- Viu? Essa sim é minha menina falando… - desviei o olhar da estrada momentaneamente e vi-a sorrir – Viu? Esse sorriso… - ela escondeu-o – Ué? Cada o sorriso? Eu tava gostando… ela permaneceu escondendo o seu sorriso tão característico – Pô faz aì um sorrisinho p’ra mim vai… É o seu namorado que tá pedindo… - pedinchei

Ela fez um sorriso visivelmente forçado e feio que me deu uma vontade incontrolável de rir. Me fez lembrar aquelas menininhas pequenas fazendo birra e quando os papais lhes pedem um sorriso elas fazem um que mais parece careta.

- Caraca, que bicho feio! – brinquei com ela
- Não gostas, não olhas! – respondeu sorrindo agora perfeitinha
- Assim eu gosto mais! – sorrimos ambos um para o outro e quando dei conta a gente tava chegando na Quinta da família dela, com o carro do Manz mesmo atrás de nós – Chegámo! – informei tirando a chave da ignição

Ela parou, olhou cada recanto que nos envolvia e sorriu timidamente. Depois de admirar tudo, ao mesmo tempo que eu a admirava a ela, ela fixou o seu olhar meigo em mim e me deu a mão com força.

- Obrigada por estares aqui, amor…
- Não me agradeça, tou aqui de coração! – e era verdade, eu tava ali porque queria tar do lado dela agora e nos meus planos, por toda a vida, mas isso ela ainda desconhecia…

- Amo-te! – ela se inclinou p’ra me beijar, saiu do carro e eu a segui tomando posição junto dela na bagageira

- Cê ultimamente anda maior gata! – afirmei reparando na roupa que ela trazia vestida

- Eish, que exagero! Estou normal, amor… - ela agiu naturalmente abrindo a bagageira p’ra retirar as nossas coisas

- Não tou exagerando… Eu tou namorando a mulher mais bonita desse mundo! – o meu orgulho era evidente nas minhas palavras e no meu sorriso

Ela me beijou sem sobre aviso e eu adorei que ela tivesse tomado a iniciativa, os beijos dela me deixavam sem jeito e cada vez mais apaixonado por ela, sempre que eu julgava que mais apaixonado do que aquilo era impossível. Entendi então que ela me beijou porque tava sem jeito e me quis calar.

- Boba! – acusei num sorriso dando-lhe um leve beijo na nuca assim que me virou costas
- Cala-te que tu gostas! – ordenou e roubou-me um outro beijo

E cada beijo nosso era assim, carregado de entrega, de emoção, de sentimento. As nossas línguas bailavam ordenadas na união de nossas bocas e o gosto natural do seu beijo, e inesquecível p’ra mim, era notável e me agradava. Um gosto doce e só dela, um gosto que eu nunca havia provado mas que me fascinava.

- Hum, Hum – uma tossidela visivelmente forçada invadiu o ar quebrando o silêncio, era o Manz
Quebramos o beijo e vimo-lo especado na nossa frente com Inês do seu lado escondendo uma gargalhada

- Desculpem interromper o casalinho mas os índices de mel atingiram valores altíssimos e a as abelhas estão em crise de produção! – antes de eu puder dizer o que fosse Adriana pregou um valente tapa na cabeça de Ruben – Autch! Aleijaste-me ó besta!

- Desculpa lá interromper o parvalhão mas os índices de estupidez atingiram valores altíssimos e a sua presença tornou-se insuportável ó príncipe! – ela atirou aquela piada que visivelmente aborreceu Ruben mas que provocou em nós e em Inês uma risota geral

- Isso, riam-se de mim! Riam-se! – Ruben estava visivelmente indignado – Isso Inês! Junta-te a eles também!

- Ò amor, desculpa lá mas ela teve graça… - Inês segurava a barriga de tanto rir

- Inha! – um grito doce foi audível vindo da porta de casa

Com a tamanha rapidez com que ouvimos o grito de criança vimos um pequeno bebê surgir e correr na direcção de Adriana e se jogar em seus braços.

- Meu bichinho! – ela agarrou ele ao colo e o abraçou com força
- Inha, eu tinha saudades… - a maneira trapalhona de falar revelava que aquele pequeno ser não passava de um bebê de tenra idade

- Também eu, meu amor! Muitas! – ela sorriu, um sorriso genuíno, um sorriso de verdadeira felicidade enquanto apertou mais aquele menino pequeno, de sorriso travesso e caracóis loiros espevitados contra si

- Ruben! – o menino voltou a gritar enquanto se jogou nos braços de Ruben e brincou com Inês
- Quem é? – perguntei num sussurro a ela

- É o meu afilhado… - respondeu com um sorriso e passando a sua mão no meu rosto

- Ó Inha? Quem é esse rapaz gande? - o pequeno erguia uma sobrancelha no ar tentando adivinhar quem eu era

- Anda cá! – o menino passou novamente para os braços dela – Este é o namorado da madrinha, o David!

- Ó madinha és mesmo mentirosa! Este não é o teu namorado, é o macarrão do Benfica que jogo ao lado do carecão! – todos nos rimos perante tamanha perspicácia do menino
- Ó amor é ele sim mas é meu namorado… - ela respondeu-lhe com toda a ternura possível
- Mas eu não quero! A madinha é minha e eu num quero! – o menino amuou e eu tive medo que ele não gostasse de mim

- Não queres porque amor?
- Porque ele também tem calacoles como eu e depois vais gostar mais dele do que de mim! – foi inevitável não nos rirmos novamente

- Ó meu amor, são amores diferentes… Tu vais ser sempre o meu bichinho e ele vai ser sempre o meu namorado mas não quer dizer que eu goste mais dele do que de ti… Muito menos porque ele tem caracóis! – explicou compreensiva

- Não mintas à criança, Adriana! – Ruben se meteu na conversa
- Tá calado, ó! – ela voltou a dar-lhe um tapa na cabeça – Não ligues ao que ele diz, bichinho… - fez-lhe uma leve festa no rosto

O pequeno se inclinou p’ra mim e agarrou num caracol meu puxando por ele, sorriu sozinho.

- Não impota! Os meus são melhores que os dele! – todos nos rimos novamente

O menino se atirou no meu colo e eu senti uma enorme vontade de ter um ser daqueles só meu. Só meu e da mulher que eu amava, um enorme instinto paternal desceu sobre mim. Apertei aquele ser contra mim e me juntei às gargalhadas dos restantes.

- Ó madinha isto aqui de cima é muito mais giro do que do teu colo! – afirmou a pequena criança fascinada pelo um metro e oitenta e oito a que estava do chão

- Cê tem razão, sua madrinha é uma fraquinha! – brinquei com o pequenote e ela me repreendeu com o olhar

- Faquinha! A madinha é uma faquinha! – o pequeno saltou do meu colo e num jeito trapalhão foi cantarolando essa frase ao mesmo tempo que se encaminhava para o interior da casa

- Fraquinha hã? – refilou, me fuzilou com o olhar e se aproximou – Com que então fraquinha?
- Ó amorzinho, tava de sacanagem… - me atrapalhei todo

- Tava de sacanagem? Cê tava de sacanagem né? – ela imitou meu sotaque e me deu vontade de rir – Ainda te ris? – ela avançava na minha direcção com um ar muito zangado

- Bem o circo vai pegar fogo e eu vou bazar antes que sobre para mim! – Ruben e Inês desapareceram com uma rapidez inacreditável

- Meu amô, vai com calma…

- Calma o tanas! Hoje estás feito! – ela me virou costas
- Vai onde? – perguntei confuso

- Vou mudar de roupa! – respondeu de forma bruta

- Deixa que eu te ajudo… - sugeri em jeito de safadeza encostando meu corpo nas costas dela

- Não te estiques, menino David! – ela me beliscou a barriga e eu gemi de dor

- Ai, ai, pronto tá bom! Eu nem chego mais perto de você! Me machucou!

- Desculpa, amor… Tava a brincar contigo só não gostei foi que arrastasses o meu menino para essa onda de Davidomaniacos! – ambos nos rimos

- Fazer o quê né? Eu sou uma gracinha… Ninguém me resiste! – fiz o meu charme p’ra cima dela e quando tava prestes a beijá-la ela me escapou

- Ai é? Vamos ver o que a minha família tem a dizer sobre isso, Sr. Irresistível! – ela me puxou por um braço até entrar em casa


***

Adriana

Apresentei o David aos meus familiares ele estava certo no meio de tanta brincadeira, todos simpatizaram com ele e os meus pais ficaram felizes por o rever ao fim de há já algum tempo.

- É um prazer reverte, rapaz! – o meu pai deu-lhe uma leve palmada nas costas
- O prazer é meu, senhor! – David respondeu-lhe educado com um sorriso nos lábios
- Estás com bom aspecto David, mais… mais… – a minha mãe não encontrava a palavra certa
- Mais gordo, mãe? É dos cozinhados da Dona Regina, porque ele cá só come refeições pré-cozinhadas! Solteirões sabes como é…– ambos nos rimos

- Aì, meu anjo, é só você querer mudar essa minha condição que eu topo na hora! – aquilo saiu disparado da boca de David e eu fiquei sem reacção

Ruben, Inês, os meus pais e David ficaram expectantes a olhar na minha direcção mas eu perdi qualquer reacção.
David acabara de me convidar para viver com ele de forma indirecta ou eu estaria a fazer um grande filme na minha cabeça. O toque do meu telemóvel interrompeu-me.
No ecrã identifiquei imediatamente que era uma chamada de Bianca, pedi licença e afastei-me até á varanda para atender a chamada.

- Olá princepesca! – disse num tom de voz animado que já lhe era tão característico

- Olá minha princesa! Tudo bem?

- Sim, tudo e contigo?

- Também… Acho que me salvaste do momento mais esquisito da minha vida!

- Então? - o seu tom de voz era preocupado, a entrega nesta amizade por parte de Bianca era evidente e eu não conseguia arranjar palavras para lhe agradeçer por muito que quisesse

- Acho que o David acabou de me convidar para morar com ele, indirectamente á frente dos meus pais do Ruben e da Inês…

- AHHHHHHH! – ouvi um grito histérico do outro lado do telefone – Mas isso é óptimo minha tonta!
- Era óptimo se eu não tivesse ficado tipo múmia a olhar para ele e tu me tivesses ligado para me salvar… - sentei-me na ponta de uma esteira que havia na varanda

- Olha lá tu não o amas?

- Pergunta parva, Bianca! Claro que amo!
- Então… Não queres poder acordar todos os dias nos braços dele?

- Ó princesa, sei lá! Eu e ele ainda nem sequer…

- Não? Epá isso tá assim tão mau?

- Não é mau… É que eu ainda sou virgem e tenho medo entendes? Mas estava na esperança de finalmente ganhar coragem e me atirar de cabeça!

- Estás a pensar demais… Vocês ama-se, o David jamais te magoaria…

- Eu sei mas se isto entre nós não resultar eu tenho medo de olhar para trás e me arrepender de ter sido com ele…

- Se tu o amas como dizes e for feito por amor, não te vais arrepender. Garanto! – a segurança na voz de Bianca aqueceu-me o coração de uma maneira que há muito uma amizade minha não o fazia
- Obrigada princesa! Muito obrigada! – sorri

- Não me agradeças! Lembras-te do que me dizes sempre? A amizade não se agradece retribui-se? Vai lá ser feliz!

- Vou sim! Beijinho! Te amo princesa!

- Yo te amo un moton, mi princepesca! Besos! – e desligou a chamada

Uns passos na varanda fizeram-me virar a cabeça para ver quem era mas tão certo como a imagem que os meus olhos me davam, o meu coração me dava a certeza que era David, e confirmou-se.
- Era a Bianca…- quebrei o ambiente informando-o apesar de ele não me ter pedido qualquer justificação – Queria saber se estava tudo bem…

Ele não me respondeu e nem tão pouco se moveu do sítio onde estava. Tentei passar para entrar dentro de casa mas ele inicio uma brincadeira e sempre que eu me virava para o caminho livre ele barrava-me.

- Tá fugindo de mim? – ele já me conhecia e se eu era incapaz de o olhar nos olhos algo se passava
Continuei de olhos presos à tijoleira que cobria o pavimento da varanda e em movimento esguios tentando livrar-me dele mas ele insistia e eu sabia que algum de nós teria de ceder. Mas foi a voz da minha mãe que ditou essa cedência.

- Adriana, está na hora do almoço! Vem!
Foi ele a desistir e com a desilusão evidente do meu silêncio estampada no rosto, deixou-me passar sem me olhar sequer nos olhos.
Tomei o caminho para dentro de casa perseguida por ele e pela sua desilusão e pela sombra... Pela minha sombra, carregada de mais um estrago que eu tinha feito com medo da entrega total à vida de David, ao nosso amor mas mais do que isso, com medo da entrega total a David.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Capítulo 98 - A chegada (Parte II)

Acordei lavada em lágrimas e com um aperto no peito evidente. O meu coração batia descompassado, julguei que aquilo era um pesadelo e depressa ocorri com a minha mão ao outro lado da cama para confirmar a presença de David. Mas assim que vi que a cama estava vazia e fria dei um pulo automático, assim como o meu coração, ficando sentada na cama ainda com os olhos meio fechados.

- Isto foi um sonho! Isto foi um sonho!- murmurei repetidamente tentando convencer-se a mim mesma

Levantei-me da cama na esperança de ouvir qualquer barulho proveniente da casa de banho ou da sala, mas nada, o mesmo silêncio da suposta manhã anterior invadia a minha casa.
O meu coração ficou mais apertado no peito e uma película cristalina vidrou os meus olhos. Abri-os repetidamente de forma a acordar e ainda cambaleando corri até à casa de banho, revistei-a de cima a baixo e nem sinal de David.
Regressei ao quarto, não encontrei o saco dele, nem as suas coisas e então desviei o meu olhar para a cómoda na esperança de encontrar algum bilhete, alguma coisa que me desse a certeza de que aquilo fora um sonho. Mas nada.
Nada senão vazio… E vazio foi tudo aquilo que encontrei. À minha volta e no meu coração.
Assim mesmo como estava vestida de dormir, com um vestido de alcinhas curto, descalça, percorri cada divisão daquela casa numa correria.
Fui ao escritório, seguidamente à casa de banho do corredor, ao quarto de hóspedes… E a cada divisão que invadi mais a certeza de que aquilo não fora um pesadelo. Maior o desespero, maior o controlo para não chorar apesar da enorme vontade e necessidade de o fazer.
Eu sabia que precisava chorar aquela perda, mas pouco mais me lembrava do dia anterior, aquele que eu julgava ter sido um sonho, mais um pesadelo…
Lembrava-me claramente de acordar, como naquela manhã, numa cama vazia e fria, lembrava-me de encontrar o bilhete de David, de abrir a porta a Ruben e este me dar a trágica notícia e lembrava-me claramente de desejar que o “Mais tarde” do bilhete chegasse, apesar de saber que era impossível. Mas para além disso, e já não era pouco, nada mais me lembrava.
Como é que David tinha morrido? Como é que ele tinha morrido sem eu sequer ter a oportunidade de me despedir, de lhe dar um último beijo, um último “Amo-te”?
Mas a réstia de esperança que ainda tinha de que aquilo havia sido nada mais do que um pesadelo, um horrível pesadelo, fez-me correr até à porta da sala.
A azulejaria fria do corredor, queimava-me os pés, arrepiava-me a espinha, mas a vontade de encontrar David era tanta que nada mais importava.
Cheguei à sala e encontrei o mesmo que nas restantes divisões, o vazio… O vazio e a ausência de David.
Afinal não tinha sido um sonho… Era bem real tudo aquilo que senti, tudo aquilo que vivi.
Era bem real que dali em diante teria de viver a minha vida sem David…
O meu corpo, em desalento, cambaleou até à parede mais próxima do sofá e tombou sobre a mesma.
Todo o meu corpo era arrefecido pela baixa temperatura da parede, que era consideravelmente mais baixa que a ambiente.
Mantive o olhar vidrado na janela, sob a linha do horizonte, onde o céu se abatia sobre o rio Tejo e o sol começava a espreitar.
Eu não conseguia mais segurar as lágrimas e deixei o meu corpo rodar na direcção na parede. Pousei as mãos na parede, virando costas à sala, apoiei a minha cabeça na parede e entreguei-me ao sofrimento. O silêncio foi envolvido pelo meu soluçar quase inaudível.

- Bom dia, meu amô! – um tom de voz animado rasgou o ar

O meu coração parou naquele momento, se eu não soubesse o momento que estava a viver iria jurar que era a voz de David.
Virei-me na direcção da porta da cozinha e vi David na minha frente. Os caracóis angelicais perfeitamente desalinhados e aloirados, os olhos brilhantes e bem despertos e o seu típico sorriso, tão perfeito e para o qual não havia palavra que o melhor o descrevesse do que delicioso.
Julguei estar perante de uma miragem, achei que a minha cabeça me estava a trair fazendo-me acreditar que na minha frente ainda tinha David quando na verdade a vida já o havia arrancado de mim.
Abri os olhos intermitentemente e nada, aquela figura esbelta na minha frente, a figura de David não desaparecia. O ar começou a faltar-me e eu tive de respirar pela boca pesadas lufadas de ar para conseguir acalmar.

- David? – chamei o seu nome em palavras estranguladas
Não me movi do sítio onde estava e David olhava-me com estranheza, confuso com a minha atitude. Eu tinha medo de não obter resposta e de ser novamente atirada para a realidade onde ele não existia, onde eu teria de aprender a lidar com a sua perda. Em silêncio aguardei expectante uma resposta ou simplesmente o som da voz dele, que tardava em chegar.

- Meu amô, cê tá se sentindo bem? – a voz de David quebrou o silêncio

Era ele! Era ele! Aquilo não passara de um maldito pesadelo. As minhas pernas perderam a força e eu tive de me apoiar com uma mão na parede para não cair. Por entre lágrimas sorri e recompus-me lentamente, pronta para me jogar nos braços dele.
David continuava a olhar para mim, confuso mas eu iniciei uma corrida leve na sua direcção e atirei-me para cima dele, abraçando-o ao mesmo tempo que enlaçava as minhas pernas em torno da cintura dele.

- És mesmo tu! – disse beijando-lhe o rosto em todo o lado antes do meu choro se intensificar e eu o abafar, enterrando a minha cabeça no pescoço dele

- O que tá acontecendo, meu amô? – David permanecia confuso mas de qualquer forma esborrachava-me contra si

- Não há bilhete… Não há Ruben…Não há acidente… - fui soltando palavras sem qualquer sentido para David

- Que bilhete? Mas o que tem o Ruben? O que cê ta falando? – David estava cada vez mais confuso

- Não digas nada! Abraça-me só! – ordenei esmagando-o mais num abraço e apertando mais a cintura dele com as minhas pernas, enquanto ele me segurava pelas nádegas garantido que eu não caía

Ele acedeu ao meu pedido e abraçou-me mais, ambos os corpos estavam unidos, colados um ao outro. Retirei a cabeça do pescoço de David e esborrachei os meus lábios contra os dele. A minha língua invadiu a boca dele num beijo desesperado ao qual ele correspondeu carinhosamente.
Quebramos o beijo, eu encostei a minha testa à dele e suspirei de alívio. Fora o pior pesadelo da minha vida. Roubei-lhe mais uns quantos beijos repenicados nos lábios e David correspondeu sempre sem nunca me pousar no chão.

- E agora me explica o que tá acontecendo? – perguntou-me David quando eu lhe saltei do seu colo para o chão

- Tive um pesadelo… Sonhei que acordava numa cama vazia e depois o Ruben aparecia e dizia que tinhas morrido… Parecia tão real… - começei novamente a fazer um beicinho ao relembrar os momentos de pânico que vivera há minutos atrás

- Oh meu amô, eu tou aqui! Vivinho, só p’ra você! – David sorria tentando acalmar-me e abrindo os braços implorou por um abraço

- Ainda bem! Pareceu tudo tão real… E depois acordei e não te vi, entrei em pânico! – confessei com as lágrimas a invadirem-me os olhos novamente e agarrei-me ao corpo dele

O meu desespero era visível na linguagem corporal, na tensão dos meus músculos e nas lágrimas que insistentemente me corriam pela cara.

- Tem calma, meu amô. Eu tou aqui, foi só um pesadelo, meu anjo… - David abraçou –me e afagou-me os cabelos suavemente – Eu não ia sair assim sem dizer nada, tava só preparando o café da manhã p’ra gente…

Ele limpou-me as suas lágrimas carinhosamente com os seus lábios e com as pontas dos dedos. Deixou os seus lábios descerem até meu pescoço, às minhas orelhas e depois até à minha clavícula cobrindo-me de beijos.

Tá com fome? – perguntou-me curioso com aquela carinha de menino que lhe era tão característica

- Alguma… Bem, na verdade, muita! – rimo-nos em uníssono

- Ainda bem porque eu preparei um banquete p’ra minha princesinha! – ele sorriu apontado na direcção da mesa da cozinha

- Princesinha? Hum… Estamos a evoluir! – deitei-lhe a língua de fora e virando costas dirigi-me à cozinha e olhei tudo com atenção

- Então? Aprovado? – brincou David abraçando-me por trás, ao juntar-se a mim na cozinha

- Ah… - hesitei torcendo o nariz – Aprovadíssimo! – Sorri e dei-lhe um beijo rápido

Tomámos o pequeno-almoço calmamente, arrumei as minhas coisas, passamos em casa dele para ir buscar as suas e encontramo-nos com Ruben e Inês, que também tinham sido convidados para o casamento e seguimos viagem para o casamento do meu primo. Ia ser um fim-de-semana animado e quem sabe, o momento em que todas as certezas seriam confirmadas…
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Peço desculpa se o último capítulo lesou alguém, inclusive o próprio David, mas a minha intenção não era de todo essa...
Aqui está a continuação que já estava escrita, uma vez que a minha ideia era fazer disto apenas um pesadelo, mas deixando essa suspeita no ar de maneira a prender os leitores.
De qualquer das formas espero não ter aborrecido ninguém pois não era de todo minha intenção.
Obrigada por lerem e não se esqueçem de deixar o vosso comentário com opinião :)
Beijinhos ^^