Durante todo o almoço fiquei sentada do lado de David e nem ele, nem eu, pronunciámos qualquer palavra um ao outro e pouco conversámos com as restantes pessoas presentes. A meio da refeição busquei um sorriso dele mas nem consegui que ele me encarasse, entendi então que ele devia estar mesmo magoado comigo, quem sabe com o meu silêncio. Mas eu estava mesmo a endoidecer ou ele tinha-me convidado, indirectamente é certo, para ir viver com ele? Para Ruben que conhecia demasiado bem os dois, foi evidente a tensão entre nós.
A verdade foi que toda aquela situação me incomodou muito. Já me tinha habituado ao estado de calma que a nossa relação alcançara e aquela espécie de discussão feita no silêncio, sem palavras, com apenas olhares acusadores, olhares esses que magoavam e discussão essa onde ele levava clara vantagem, estava a endoidecer-me completamente.
Enquanto esperávamos pela sobremesa David pousou a sua mão esquerda sobre a mesa, ligeiramente inclinada para o meu lado e eu não resisti a entrelaçar os meus dedos nos dele. Mas pela primeira vez, desde que começáramos a namorar David fugiu ao meu toque e soltou-se da minha mão, mais uma vez sem me encarar. Aquilo acabara de passar todos os limites e o Ruben percebeu que todo o meu corpo se contraíra de raiva. Uma coisa era ele estar magoado e não querer olhar para mim outra coisa era desprezar-me com toda aquela frieza quando eu buscava simplesmente um gesto de carinho.
“Calma” pude ver os lábios de Ruben gesticular para mim.
Resolvi alinhar no jogo de David e afastei-me ligeiramente dele iniciando conversa com Inês, senti então o olhar dele pousado em mim, como se fossemos um pequeno íman, eu um pólo e ele outro, completamente opostos mas que se atraíam mutuamente.
Encarei-o e ele não fugiu com o olhar. Debaixo da mesa coloquei a minha mão sobre a perna dele e ele sacudiu-a novamente com a maior das friezas. Censurei-o com o olhar e ele, demonstrou-me com o seu, que estava magoado. A minha mãe entrou na sala, seguida pela minha tia e pela minha avó, e como já era hábito traziam várias sobremesas à escolha e foi evidente a satisfação de Ruben que deu um pulo imediato na cadeira.
A verdade foi que toda aquela situação me incomodou muito. Já me tinha habituado ao estado de calma que a nossa relação alcançara e aquela espécie de discussão feita no silêncio, sem palavras, com apenas olhares acusadores, olhares esses que magoavam e discussão essa onde ele levava clara vantagem, estava a endoidecer-me completamente.
Enquanto esperávamos pela sobremesa David pousou a sua mão esquerda sobre a mesa, ligeiramente inclinada para o meu lado e eu não resisti a entrelaçar os meus dedos nos dele. Mas pela primeira vez, desde que começáramos a namorar David fugiu ao meu toque e soltou-se da minha mão, mais uma vez sem me encarar. Aquilo acabara de passar todos os limites e o Ruben percebeu que todo o meu corpo se contraíra de raiva. Uma coisa era ele estar magoado e não querer olhar para mim outra coisa era desprezar-me com toda aquela frieza quando eu buscava simplesmente um gesto de carinho.
“Calma” pude ver os lábios de Ruben gesticular para mim.
Resolvi alinhar no jogo de David e afastei-me ligeiramente dele iniciando conversa com Inês, senti então o olhar dele pousado em mim, como se fossemos um pequeno íman, eu um pólo e ele outro, completamente opostos mas que se atraíam mutuamente.
Encarei-o e ele não fugiu com o olhar. Debaixo da mesa coloquei a minha mão sobre a perna dele e ele sacudiu-a novamente com a maior das friezas. Censurei-o com o olhar e ele, demonstrou-me com o seu, que estava magoado. A minha mãe entrou na sala, seguida pela minha tia e pela minha avó, e como já era hábito traziam várias sobremesas à escolha e foi evidente a satisfação de Ruben que deu um pulo imediato na cadeira.
- Assim é que eu gosto! A tia estraga-nos com mimos! – salientou com um enorme sorriso estampado no rosto e esfregando as mãos
- Deixa-me adivinhar Ruben vais querer provar de todas para te certificares de que é seguro todos comerem? – brincou a minha mãe
- Claro, tia! Até parece que já não me conhece… - a gargalhada foi geral
A minha mãe iniciou a distribuição de comida e eu perdi-me em pensamentos. Pensamentos sobre mim, sobre David, sobre como a minha vida era antes de conhecer David e como ela se tornou fantástica depois de ele ter entrado nela.
- Adriana? Filha? – a voz da minha mãe tirou-me daquele profundo estado de dormência
- Sim? – respondi meio confusa ainda tentando trazer o meu subconsciente à realidade
- Ouviste alguma coisa do que te disse? – perguntou inquieta
- Desculpa mãe… Estava longe, queres alguma coisa? – perguntei num sorriso leve
- A tua avó estava a dizer se hoje vai ser dose completa? – perguntou com um sorriso rasgado na cara
Era hábito eu provar um pouco de tudo porque a minha avó achava que eu tinha de me alimentar bem e essa boa alimentação passava pela degustação de todas as suas iguarias.
- Não, mãe… - respondi tentando parecer o melhor possível
- Não? Ai que a minha neta está doente! – a minha avó ficou aflita
- Ó! Não vês que ela hoje vai ficar-se só por uma… A preferida dela hoje está na lista... – o meu avô prontificou-se a acalmá-la
- Então, hoje é apenas a tua preferida? – perguntou a minha mãe já com um pratinho na mão pronta a servir-me
- Não…
- Então?
- Hoje não é nada…
- Como não?
- Não tenho fome… Estou cheia!
- Ó amigona, nunca se está cheio para os doces da tua avó! – Ruben insistiu tentando forçosamente colocar-me um sorriso no rosto
- Mas eu estou… Não tenho apetite! Vou subir e descansar… Com a sua licença meu avô, meu pai! – levantei-me pousando o guardanapo sobre a mesa e saí, subindo as escadas de acesso ao andar superior
Entrei no meu quarto, que naquela noite teria de partilhar com David. Abri a minha mala e troquei para uma roupa mais confortável. Uns calções de ganga curtinhos, um top básico verde e um casaco de malha castanho chocolate. Entrei na casa de banho privada do quarto, olhei-me ao espelho. Nem acreditava que por um mal-entendido, sim porque aquilo não passara de isso mesmo, um mal-entendido, que eu estava chateada com David e ele magoado comigo. Abri as portas dos armários que eu já tão bem conhecia, não me pertencessem eles. Encontrei um molho de elásticos e com um amarrei o cabelo num apanhado desajeitado. Ouvi então o meu telemóvel vibrar sob a mesinha de cabeceira, corri para atendê-lo e regressei à casa de banho.
- Alô gata! – ouvi a voz de Débora do outro lado do telefone
- Gata! Não sabes as saudades que tinha de ouvir a tua voz e não podia ter vindo em melhor altura… - desabafei ao mesmo tempo que me sentei na bancada da casa de banho
- Olha apeteceu-me ligar-te… Bateu aquela saudadinha e eu pensei, não é tarde nem é cedo, é já! – rimo-nos as duas
- Veio mesmo a calhar, estava a precisar de ouvir uma voz familiar que me acalmasse e nada como a voz da melhor amiga… - o meu corpo tombou sobre a parede do espelho da bancada
- Então? Problemas no paraíso? – brincou desconhecendo o que se passava
- É mais que o paraíso virou inferno! – desabafei sem pensar no que dizia
- Ui! Está assim tão mau? As férias no Brasil não correram bem?
- Oh correram, foi brutal! A família dele é cinco estrelas, ele foi impecável e estamos muito felizes…
- Então não entendo onde é que o paraíso virou inferno…
- Olha quando chegámos aqui ao casamento do meu primo e o David, em frente aos meus pais, ao Ruben e à Inês pediu indirectamente que fosse morar com ele ou isso ou eu fiz um granda filme…
- Então e tu que lhe respondeste?
- Não respondi nada…
- Como não? –ela estava visivelmente chocada
- A Bianca ligou-me nesse exacto momento! Abençoada! Eu fiquei tipo múmia, sem qualquer reacção a olhar embevecida para o Dê…
- Não te entendo! Juro que não te entendo! Se tu gostas dele onde é que está a crise de morarem juntos? Vocês amam-se, namoram há algum tempo… Estás a fazer um grande filme sim! Tu adoras fugir aos compromissos, amor…
- Talvez… Mas o pior foi que quando eu desliguei a chamada, o David estava lá e perguntou-me se eu estava a fugir dele e eu como não sabia como reagir simplesmente fugi dele porque a minha mãe nos chamou para ir almoçar. Foi o timming perfeito!
- Vês? Adoras fugir aos compromissos, adoras fugir àquilo que sentes…
- Talvez… Eu amo o David e custa-me vê-lo assim magoado comigo. Se visses a indiferença com que ele me tratou ao almoço… Nem me deixou dar-lhe a mão!
- Poem-te no lugar dele! Nem que seja por dois segundos, amor. Tu ias gostar de convidar a pessoa que amas para morar contigo e essa pessoa simplesmente virar costas para ir atender uma chamada e fugir à resposta. A chamada podia esperar… Não esperou porque tu não quiseste!
- Ai Débora, já percebi! Não me dês mais na cabeça! – eu sabia que ela tinha razão, mesmo sem o sermão dela eu sabia que a minha atitude não tinha sido a correcta e que eu só tinha atendido aquela chamada porque veio na altura certa para fugir ao momento desconfortável em que David me pusera
- Pena só teres percebido agora… Não falaram?
- Não… Ainda não houve oportunidade. Ele ficou lá em baixo para a sobremesa e eu subi para mudar de roupa e descansar…
- Traduzindo, subiste para trocar de roupa e fugir mais uma vez dele e da conversa…
- Talvez… É que eu não sinto que estejamos chateados, ele está apenas magoado comigo e tu sabes como odeio desiludir as pessoas…
- Eu sei, amor… Como eu te conheço! Mas vai com calma, não fujas mais! Tudo o que tiveres a dizer diz mas cuidado para não seres bruta que eu já sei como és, sim?
- Sim, vou tentar…
- Não vais tentar, vais conseguir!
- Tudo bem! Vou conseguir…
- Se precisares de alguma coisa liga, sim?
- Tá bem… Obrigada! – sorri – Beijinho! – desligámos
Fixei o meu olhar nas luzes incandescentes do tecto, ofuscavam-me e faziam-me mergulhar novamente em memórias. Saltei da bancada da casa de banho num pulo, entrei pelo quarto a dentro, coloquei o telemóvel na mesa-de-cabeceira e quando me virei dei de caras com David sentado na beira oposta da cama. Julgava estar sozinha por isso a presença dele assustou-me, dei um enorme pulo silencioso e levei a mão ao lado esquerdo do meu peito tentando acalmar o meu coração descompassado.
Ele estava agarrado ao telemóvel a mandar mensagem mas eu percebi que ele ouvira a minha conversa ao telemóvel.
Eu tinha de fazer o que Débora me dissera, falar com ele e parar de fugir de uma vez por todas.
Mas antes de eu conseguir dizer o que fosse bateram à porta.
- Sou eu, o Ruben… - ouvi a voz dele abafada pela porta de carvalho fechada e fui abrir-lha – Desculpem… Mas eu queria saber se vocês querem vir dar uma volta de cavalo, a tua mãe mandou preparar quatro, era para mim e para Inês e para vocês…
- Eu não sei se estou com cabeça para isso… - eu tinha de ter mesmo aquela conversa com David
- Anda lá! – insistia Ruben
- Eu vou, Manz! – David pousou pela primeira vez o telemóvel e levantou-se na direcção da porta
- Assim é que é falar! E tu, linda? – Ruben sorria na minha direcção
- Eu dispenso… Fico mesmo por aqui! – sentei-me na cama
- Oh anda lá, sem ti não vai ter graça…
- Vai, claro que vai! Com certeza arranjarão melhor companhia do que eu! – mandei a piada para o ar e percebi que David ficou incomodado
- Não te posso obrigar… - Ruben resignou-se
- É, há muito tempo que já ninguém me pode obrigar a nada… Divirtam-se! – atirei o meu corpo para cima da cama
- Obrigada! – senti Ruben aproximar-se de mim e dar-me um beijo leve no rosto – Não ajas assim! – sussurrou-me ao ouvido e saiu atrás de David
Aquela atitude de David começava a sair fora de meu controlo, eu entendia que ele estivesse magoado e nada, mas mesmo nada, lhe tirava essa razão mas continuar a insistir em ignorar-me fazia-me sentir mal e não ia resolver nada. Mas em certa parte aquele convite de Ruben vinha mesmo a calhar, eu estava mesmo a precisar de arejar e nada como um passeio a cavalo numa tarde solarenga como aquela.
Calcei os meus ténis da Nike num ápice e desci as escadas passando pela sala, cheia de gente em amena cavaqueira, sem dizer o que fosse, podia ser que ainda os apanhasse nas cavalariças.
- Hey, então mudaste de ideias? – o rosto de Ruben iluminou-se
- Parece que sim… - sorri e abri a divisória do Sultão, o meu cavalo, para o tirar
- Vais aparelhar tu o Sultão? – perguntou Inês surpreendida
- Sim, aliás mesmo que alguém o tentasse aparelhar por mim ele não deixava… É um bicho bravo, só deixa montar e aparelhar quem ele quer e conhece… - expliquei ao mesmo tempo que lhe colocava os arreios
- Eu seria incapaz de aparelhar um cavalo, ainda levava um coice! – Inês gesticulava fazendo um olhar horrorizado
- Não digas disparates! Os cavalos são um animal lindíssimo! Não fazem mal a uma mosca…
- Não é bem assim, Inês… Ela aqui é que é uma valentona! – Ruben gozou comigo
- Tá calado ó! Senão queres que te atire com uma cenoura à cabeça – apontei para o balde das cenouras dos cavalos mas continuei a aparelhar o Sultão
- Hey, não é preciso tanto amor, fofinha! – Ruben meteu-se comigo
- Eu dou-te o amor, ó cabeça de ovo! – passei com a minha mão na sua cabeça quando passei junto de si, puxando o Sultão pelas rédeas
- Não esperas por nós? – perguntou-me ao ver que me coloquei em cima do cavalo
- É suposto esperar?
- Pensei que íamos todos juntos… - Ruben parecia desiludido
- Preciso de estar sozinha… Pensar… - confessei ao ver que David me ignorava completamente
- Mas… - Ruben foi interrompido
- Pô, deixa ela ir, manz! Ela tá mesmo precisando pensar… E mais vale só do que mal acompanhado! - David encarou-me novamente mas a voz dele teve um tom de censura, um tom de sarcasmo que me desagradou
Foi-me necessário conter as lágrimas que afloraram os meus olhos pois não queria dar parte fraca. Desci do Sultão entreguei-o ao vaqueiro para que o desemparelha-se e virei costas aos três.
- Vais onde? – perguntou Ruben confuso
- Perdi a vontade…Não quero obrigar ninguém à minha companhia. Vão e divirtam-se! – não olhei mais para trás, aquele era o meu limite
19 comentários:
Adriana, já sabes o que acho deste capítulo!! AMEI!!!
Quero o próximo postado! Quero ler o 100 agora já corrigido :P
COntinua linda
bjs
quero mais...
acabas na melhor parte... eles têm que se resolver...
continua...
tou curiosa pelo proximo...
adorei o cap dri, adorei msm. mas agora quero mais... nao dá para pores so mais um hoje... dia de cap 100 tem que ser especial...
fico a espera
Bjs
Clara
AdOrO a tua fiic!!
QuerO maiis, rapiidiinhO.. =D
BjnhO
Drii, estou super curiosa pelo proximo.
Muito giro mesmo!
Beijinhos
Guigui
Amei Dri *.*
Brilhante, meu doce, brilhante, apesar de ser um pouco tristinho adorei!!
Continua ^^
Beijãooo (L)
Simplesmente fantástico.
Que dois teimosos, para quando a reconciliação??
O cap. 100 tem de ser em grande.
Bjs
ja estou ansiosa pelo proximo... gosto muito desta historia
Brutal! :D
Força Drii , está fantástico!
Continua :D
ÓÓÓÓÓHHHHH, eu não queria nada que eles ficassem chatiados, mas pronto, é a vida!!!
LOLOL
Bjokas e continua...
Tatty
Sabes se vais postar o próximo capitulo hoje?
Adorei o capitulo, estou ansiosa pelo proximo.
xD
Adorei mesmo Dri ^^
Vais postar hoje?
adorei.... continua com o excelente trabalho. Gosto muito desta historia
AI :o
mais drii !!
:D
para qd o proximo? gosto muito desta historia. parabens :)
Adorei!!! Oh quero a reconciliação! Quero mais!!
Visita o meu http://lisa-fairytale.blogspot.com/
Beijinho
Adoro a tua fic.
Quero mais...
Beijinhos
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