quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Capítulo 98 - A chegada (Parte II)

Acordei lavada em lágrimas e com um aperto no peito evidente. O meu coração batia descompassado, julguei que aquilo era um pesadelo e depressa ocorri com a minha mão ao outro lado da cama para confirmar a presença de David. Mas assim que vi que a cama estava vazia e fria dei um pulo automático, assim como o meu coração, ficando sentada na cama ainda com os olhos meio fechados.

- Isto foi um sonho! Isto foi um sonho!- murmurei repetidamente tentando convencer-se a mim mesma

Levantei-me da cama na esperança de ouvir qualquer barulho proveniente da casa de banho ou da sala, mas nada, o mesmo silêncio da suposta manhã anterior invadia a minha casa.
O meu coração ficou mais apertado no peito e uma película cristalina vidrou os meus olhos. Abri-os repetidamente de forma a acordar e ainda cambaleando corri até à casa de banho, revistei-a de cima a baixo e nem sinal de David.
Regressei ao quarto, não encontrei o saco dele, nem as suas coisas e então desviei o meu olhar para a cómoda na esperança de encontrar algum bilhete, alguma coisa que me desse a certeza de que aquilo fora um sonho. Mas nada.
Nada senão vazio… E vazio foi tudo aquilo que encontrei. À minha volta e no meu coração.
Assim mesmo como estava vestida de dormir, com um vestido de alcinhas curto, descalça, percorri cada divisão daquela casa numa correria.
Fui ao escritório, seguidamente à casa de banho do corredor, ao quarto de hóspedes… E a cada divisão que invadi mais a certeza de que aquilo não fora um pesadelo. Maior o desespero, maior o controlo para não chorar apesar da enorme vontade e necessidade de o fazer.
Eu sabia que precisava chorar aquela perda, mas pouco mais me lembrava do dia anterior, aquele que eu julgava ter sido um sonho, mais um pesadelo…
Lembrava-me claramente de acordar, como naquela manhã, numa cama vazia e fria, lembrava-me de encontrar o bilhete de David, de abrir a porta a Ruben e este me dar a trágica notícia e lembrava-me claramente de desejar que o “Mais tarde” do bilhete chegasse, apesar de saber que era impossível. Mas para além disso, e já não era pouco, nada mais me lembrava.
Como é que David tinha morrido? Como é que ele tinha morrido sem eu sequer ter a oportunidade de me despedir, de lhe dar um último beijo, um último “Amo-te”?
Mas a réstia de esperança que ainda tinha de que aquilo havia sido nada mais do que um pesadelo, um horrível pesadelo, fez-me correr até à porta da sala.
A azulejaria fria do corredor, queimava-me os pés, arrepiava-me a espinha, mas a vontade de encontrar David era tanta que nada mais importava.
Cheguei à sala e encontrei o mesmo que nas restantes divisões, o vazio… O vazio e a ausência de David.
Afinal não tinha sido um sonho… Era bem real tudo aquilo que senti, tudo aquilo que vivi.
Era bem real que dali em diante teria de viver a minha vida sem David…
O meu corpo, em desalento, cambaleou até à parede mais próxima do sofá e tombou sobre a mesma.
Todo o meu corpo era arrefecido pela baixa temperatura da parede, que era consideravelmente mais baixa que a ambiente.
Mantive o olhar vidrado na janela, sob a linha do horizonte, onde o céu se abatia sobre o rio Tejo e o sol começava a espreitar.
Eu não conseguia mais segurar as lágrimas e deixei o meu corpo rodar na direcção na parede. Pousei as mãos na parede, virando costas à sala, apoiei a minha cabeça na parede e entreguei-me ao sofrimento. O silêncio foi envolvido pelo meu soluçar quase inaudível.

- Bom dia, meu amô! – um tom de voz animado rasgou o ar

O meu coração parou naquele momento, se eu não soubesse o momento que estava a viver iria jurar que era a voz de David.
Virei-me na direcção da porta da cozinha e vi David na minha frente. Os caracóis angelicais perfeitamente desalinhados e aloirados, os olhos brilhantes e bem despertos e o seu típico sorriso, tão perfeito e para o qual não havia palavra que o melhor o descrevesse do que delicioso.
Julguei estar perante de uma miragem, achei que a minha cabeça me estava a trair fazendo-me acreditar que na minha frente ainda tinha David quando na verdade a vida já o havia arrancado de mim.
Abri os olhos intermitentemente e nada, aquela figura esbelta na minha frente, a figura de David não desaparecia. O ar começou a faltar-me e eu tive de respirar pela boca pesadas lufadas de ar para conseguir acalmar.

- David? – chamei o seu nome em palavras estranguladas
Não me movi do sítio onde estava e David olhava-me com estranheza, confuso com a minha atitude. Eu tinha medo de não obter resposta e de ser novamente atirada para a realidade onde ele não existia, onde eu teria de aprender a lidar com a sua perda. Em silêncio aguardei expectante uma resposta ou simplesmente o som da voz dele, que tardava em chegar.

- Meu amô, cê tá se sentindo bem? – a voz de David quebrou o silêncio

Era ele! Era ele! Aquilo não passara de um maldito pesadelo. As minhas pernas perderam a força e eu tive de me apoiar com uma mão na parede para não cair. Por entre lágrimas sorri e recompus-me lentamente, pronta para me jogar nos braços dele.
David continuava a olhar para mim, confuso mas eu iniciei uma corrida leve na sua direcção e atirei-me para cima dele, abraçando-o ao mesmo tempo que enlaçava as minhas pernas em torno da cintura dele.

- És mesmo tu! – disse beijando-lhe o rosto em todo o lado antes do meu choro se intensificar e eu o abafar, enterrando a minha cabeça no pescoço dele

- O que tá acontecendo, meu amô? – David permanecia confuso mas de qualquer forma esborrachava-me contra si

- Não há bilhete… Não há Ruben…Não há acidente… - fui soltando palavras sem qualquer sentido para David

- Que bilhete? Mas o que tem o Ruben? O que cê ta falando? – David estava cada vez mais confuso

- Não digas nada! Abraça-me só! – ordenei esmagando-o mais num abraço e apertando mais a cintura dele com as minhas pernas, enquanto ele me segurava pelas nádegas garantido que eu não caía

Ele acedeu ao meu pedido e abraçou-me mais, ambos os corpos estavam unidos, colados um ao outro. Retirei a cabeça do pescoço de David e esborrachei os meus lábios contra os dele. A minha língua invadiu a boca dele num beijo desesperado ao qual ele correspondeu carinhosamente.
Quebramos o beijo, eu encostei a minha testa à dele e suspirei de alívio. Fora o pior pesadelo da minha vida. Roubei-lhe mais uns quantos beijos repenicados nos lábios e David correspondeu sempre sem nunca me pousar no chão.

- E agora me explica o que tá acontecendo? – perguntou-me David quando eu lhe saltei do seu colo para o chão

- Tive um pesadelo… Sonhei que acordava numa cama vazia e depois o Ruben aparecia e dizia que tinhas morrido… Parecia tão real… - começei novamente a fazer um beicinho ao relembrar os momentos de pânico que vivera há minutos atrás

- Oh meu amô, eu tou aqui! Vivinho, só p’ra você! – David sorria tentando acalmar-me e abrindo os braços implorou por um abraço

- Ainda bem! Pareceu tudo tão real… E depois acordei e não te vi, entrei em pânico! – confessei com as lágrimas a invadirem-me os olhos novamente e agarrei-me ao corpo dele

O meu desespero era visível na linguagem corporal, na tensão dos meus músculos e nas lágrimas que insistentemente me corriam pela cara.

- Tem calma, meu amô. Eu tou aqui, foi só um pesadelo, meu anjo… - David abraçou –me e afagou-me os cabelos suavemente – Eu não ia sair assim sem dizer nada, tava só preparando o café da manhã p’ra gente…

Ele limpou-me as suas lágrimas carinhosamente com os seus lábios e com as pontas dos dedos. Deixou os seus lábios descerem até meu pescoço, às minhas orelhas e depois até à minha clavícula cobrindo-me de beijos.

Tá com fome? – perguntou-me curioso com aquela carinha de menino que lhe era tão característica

- Alguma… Bem, na verdade, muita! – rimo-nos em uníssono

- Ainda bem porque eu preparei um banquete p’ra minha princesinha! – ele sorriu apontado na direcção da mesa da cozinha

- Princesinha? Hum… Estamos a evoluir! – deitei-lhe a língua de fora e virando costas dirigi-me à cozinha e olhei tudo com atenção

- Então? Aprovado? – brincou David abraçando-me por trás, ao juntar-se a mim na cozinha

- Ah… - hesitei torcendo o nariz – Aprovadíssimo! – Sorri e dei-lhe um beijo rápido

Tomámos o pequeno-almoço calmamente, arrumei as minhas coisas, passamos em casa dele para ir buscar as suas e encontramo-nos com Ruben e Inês, que também tinham sido convidados para o casamento e seguimos viagem para o casamento do meu primo. Ia ser um fim-de-semana animado e quem sabe, o momento em que todas as certezas seriam confirmadas…
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Peço desculpa se o último capítulo lesou alguém, inclusive o próprio David, mas a minha intenção não era de todo essa...
Aqui está a continuação que já estava escrita, uma vez que a minha ideia era fazer disto apenas um pesadelo, mas deixando essa suspeita no ar de maneira a prender os leitores.
De qualquer das formas espero não ter aborrecido ninguém pois não era de todo minha intenção.
Obrigada por lerem e não se esqueçem de deixar o vosso comentário com opinião :)
Beijinhos ^^

25 comentários:

Elsa disse...

Adriana, sei que pedis-te para deixar o comentário, mas se ontem deste cavo de mim, hoje estou mais para "morta" do que outra coisa!

Minha linda, descreves-te o momento de forma tão real, que não pude deixar de reviver o meu passado tão recente :S

Ainda assim adorei! Cm disse tá real...

Continua

bjs

beatriz c e carolina disse...

agoraaa sim driiii , fogoo que susto

Kika* disse...

ainda bem nao facas mais aquilo queres que eu morra.

Anónimo disse...

Muito bom,como sempre.
Acho que, e isto é só a minha opinião, que não lesas-te ninguém, até porque isto é uma história, uma ficção.
Continua o bom trabalho.. :D

Anónimo disse...

Dri és simplesmente genial, eu adorei o cap anterior e este. Eu percebi a tua intenção de ser um pesadelo =)

Continua... Quando esta fic acabar, escreve mesmo um livro, eu serei a primeira a comprar.

Desculpa não comentar em todos os cap., mas são todos unicos.
Adoro.
Parabéns =)

Su

❣ The Pink. Eagle ❣ disse...

aii rapariga ias me assustando com o ultimo capitulo...assim ta melhor, mtOO melhor XDD

adorei, cada palavra que escreves manda-nos para o mundo irreal que é tao real ao memo tempo..

posta maiSS *)

Ana disse...

perfeito...

quero mais...

tá excelente, mas que susto que eu apanhei...

continua...

Anónimo disse...

óptimo , como sempre :)
conseguiste o teu objectivo , deixaste-nos a todas cativadas (mais do que o normal)!
continua assim <3

Beatriz disse...

Ai, Dri. Eu bem sabia que tu não eras capaz de fazer isso ao David....
Parabéns pelo teu trabalho
Quero mais :B
Continua

Anónimo disse...

cada vez melhor...
Continua... è impossivel nao gstar desta história...

Parabens.

Sara disse...

Tinha a certeza que não nos ias desiludir...

Como sempre as tuas descrições parecem tão reais que parece que estam a acontecer mesmo à minha frente!

paula. disse...

lindo, lindo, lindo!

tu sabes bem como mexer com os meus sentimentos, primeiro começo a chorar como uma madalena, e no final já sorriu. grrrrrrrr


e... tenho muito que falar contigo! :D

daniela disse...

Ai, um suspiro de alivio!
Ainda bem que foi só um pesadelo Drii!
Força, está fantástico.
Mais uma vez parabéns, és fantástica a escrever!
Feliz Natal :D

Anónimo disse...

Estou muito mais aliviada! :D

Como sempre está maravilhoso o capítulo.
Continua.

Beijinho

Joaninhaa

Anónimo disse...

Olá, há muito tempo que acompanho a tua fic mas agora, tenho que dar a minha opinião.
Adoro a maneira como escreves, é muito real mas no entanto já vais no capitulo 98 e ainda não vejo fim nesta fan fic. Desculpa se te estou a magoar mas, já andas a enrolar um bocado. Ela já foi para Londres, para América, para todo o lado quase. Está na altura de assentares com esta relação. Acho que a partir de agora já é enrolar a história.
No entanto, continua assim e chegas longe. Beijinhos

Ana Sousa disse...

Não tenho intenção de contrariar alguém, mas não acho que a fic tenha que acabar, está espectacular, e eles ainda têm muito por passar!
Sim isto é uma história, mas que narra vivamente a realidade! A drii retrata simplesmente muitos pormenores do dia-a-dia, o que no meu ponto de vista é bom, e que nao tenho minimamente vontade que ela acabe :)
Mas é só o minha opinião ;)
Drii és espectacular :D
BEIJINHO
ANASOUSA*

Anónimo disse...

AHAHAHAH ! eu sabia que era só um pesadelo :D
Assustaste-me Drii!
Parabéns, continua :D
(Posta hoje sim? :$)

Castro disse...

Adriana Maria isto não se faz!!

Ainda bem que o pobre rapaz nao morreu x)

Sofia disse...

Minha Dri! Muito melhor! Acabei de ler o teu capitulo e estou cada vez mais maravilhada com a tua fic. Parebens e continua!
Beijão grande :p
http://mariailoveyou.blogspot.com/

Di disse...

Gosto imenso da tua fic :)

Anónimo disse...

ó *.*
tão fofinhooooos!!
ainda bem que era apenas um pesadelo :O
continua drii, força nisso.
e se não é a pedir muito, que tal postares um agora? :$
beijinhos *

Anónimo disse...

... drii mais capitulos por favor, e mais longo :$
Parabéns, continua :D

Bianca. disse...

Eu sabia ^^
AMEI, e já sabes o que penso !
Continua !
Beijãoooo (L)

ElsaNeves disse...

Fogo!!! Que pesadelo...
Muito bom Dri, que grande escrita.
Muito bom mesmo.
Beijinhos

Anónimo disse...

desde o principio que adoro esta historia... è uma daquelas historias que nos faz sonhar e acreditar no amor.. uma daquelas historias de amor que todas queriamos viver com aquela intensidade que nos faz fazer as maiores loucuras. continua com o teu excelente trabalho...


Miana

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