terça-feira, 28 de junho de 2011

Capítulo 110 – Amar a 628 Km de distância também é amar (Parte I)



O final do campeonato aproximou-se a uma velocidade assustadora, pois eu nem dei pela contagem final até ao jogos e no segundo sábado de Maio, jogou-se a penúltima partida. O Benfica jogou fora e tinha a possibilidade de se sagrar campeão frente ao Futebol Clube do Porto.

- Toma cuidado, amô… Não quero que nada de mal te aconteça! – alertou-me David enquanto percorria o corredor do hotel, onde estavam hospedados, do seu lado

- David, eu sei! Não é o primeiro jogo que vejo nas Antas! Relaxa, vai tudo correr bem…

- Tem certeza?

- Absoluta!

- Pronto, pronto! Não vou dizer mais nada então! – ele sorriu, mas percebi que um inquietante estado de nervosismo se apoderava dele

- Olha pra mim… - segurei o seu rosto entre as minhas mãos e fixei os nossos olhares – Vai tudo correr bem, eu prometo!

- Eu sei, obrigado, meu amô! Vou fazer de tudo pra gente ser campeão!

- Senão forem hoje, serão no próximo jogo… Está escrito assim, é esse o nosso destino! Seremos sempre eternos campeões, é essa a mística encarnada!

- Amô, confessa! Cê anda espiando as palestras do Mister Jesus! – partimo-nos os dois em gargalhadas estridentes no meio do elevador

- É, amor! É isso mesmo! – ele beijou-me calmamente, mas teve de interromper a nossa união, pois o elevador deu sinal e alguns jogadores e respectivas namoradas e esposas, juntaram-se a nós

Uma amálgama de línguas e pronúncias juntaram-se no ar, formando um burburinho exaustivamente confuso de descodificar, mas na verdade nem me dei ao trabalho de o fazer. Aquilo era o plantel benfiquista, puro e genuíno. Não eram os jogadores, os defesas, os avançados, os médios… Eram os homens, os pais, os filhos, os namorados, os esposos, os seres humanos… Nervosos, fracos e muitos deles a um ínfimo passo de realizar um sonho de anos e anos de vida, o que era o caso do meu David. Uni as nossas mãos e apenas as separei, quando na saída do hotel, ele teve de enfrentar uma multidão de adeptos, o que me pareceu bastante incoerente uma vez que nos encontrávamos em pleno centro da cidade invicta. Demos um beijo leve e longe de olhares indiscretos, especialmente dos dos fotógrafos e jornalistas, e ele seguiu o seu caminho no autocarro da comitiva encarnada, rumo ao estádio do dragão.

- Vamos? – perguntou Paulinha, que se aproximou de mim sem eu dar conta e logo após se ter despedido, também de Roberto

- Sim, vamos… - respondi com um sorriso, agora já nervoso

Não quis dar parte fraca na frente de David, mas mais do que naquele estado pelo meu Benfica, estava-o por ele… Porque sabia que naquela noite tinha hipótese de realizar um sonho e que de certa forma iria ficar desiludido se tivesse de o adiar por mais uma semana. Fomos no meu carro, mas sob a condução de Paula, que era sempre muito prudente e cuidadosa. Os nossos lugares estavam assegurados no camarote, pois de outra forma, David e Roberto nunca nos teriam deixado assistir, tendo em conta o elevado grau de risco ao qual o jogo estava submetido.

“Amor, vai com toda a garra, todo o esforço, vais arrasar! No final estarei à tua espera nas garagens da Luz, Amo-te!♥” – enviei-lhe uma última SMS, já depois do aquecimento e sei que ela a viu, apesar de não ter respondido

Mal entrou em campo foi a mim que o seu olhar procurou e rapidamente me encontrou, junto da tribuna presidencial, com Luís Filipe Vieira, Rui Costa e outros dirigentes desportivos de ambos os clubes. Detestava aquele tipo de formalismos, mas David só conseguiu aqueles lugares e como eram os únicos seguros tive de me sujeitar, mas pelo menos tinha a minha Paulinha para conversar e desabafar. O apito inicial foi dado pelo árbitro Olegário Benquerença, o que despoletou em mim, um estado inicial de concentração máxima. O David estava a marcar Hulk, ele era um peso bruto e violento, o que me deixou de coração nas mãos durante os noventa minutos. Infelizmente o Benfica não conseguiu levar para Lisboa o titulo de Campeão Nacional, pois apesar da época mediana, o Porto apresentou-se extremamente forte e organizado naquela noite.
Todos saíram de campo derrotados, apesar de terem alcançado um justo e merecido empate. Antes que a confusão se alargasse eu e a Paulinha, descemos às garagens e entrámos no meu carro, directas para Lisboa. Chegámos lá muito tarde, mas o senhor da portaria tinha ordens específicas para nos deixar aguardar no piso subterrâneo destinado ao estacionamento a chegada do autocarro da comitiva benfiquista.

- Bolas, eles estão a demorar… - reclamou Paulinha, apesar da impaciência não ser um dos seus defeitos

- Calma, já devem estar quase a chegar…

- Disseste isso há uma hora atrás!

- Eu sei… - torci o nariz como que pedindo desculpa, mas infelizmente não tinha o dom do condão e nem David, nem Roberto respondiam às nossas mensagens ou telefonemas

- Vou lá acima perguntar se sabem alguma coisa, ou se se passou algo…

- Vou contigo! – ofereci-me imediatamente, pois vindos da cidade do Porto, eu já tremia de preocupação temendo o pior

- Não… Fica aí para o caso deles chegaram! Eu não demoro nada! – disse com um sorriso

- Ok, tudo bem… Volta rápido! – pedi dando-lhe um beijinho no rosto

- Volto, pequenina… Volto já já! – ela saiu na direcção do elevador e deixou-me ali, à espera de um sinal deles

Ao fim de cinco minutos da sua ausência, um BMW preto deu entrada nas garagens, pelo modelo e depois pelos vidros fumados, vi que era Luís Filipe Vieira e o Rui Costa, que seguiam em amena cavaqueira.

- Sim, precisamos definitivamente de começar a analisar propostas… - elucidou o presidente

- Claro… Já temos algumas em cima da mesa em relação a esses quatro jogadores… - eles saíram do carro conversando e nem deram pela minha presença

- Sim, mas os dois negócios mais significativos são sem dúvida o do Di Maria e o do David … Vão ajudar bastante nas contas encarnadas!

- Sim, e há clubes que estão só à espera da consagração do campeonato para avançar com propostas também…

- Já contactaste com algum dos empresários deles?

- Sim, contactei com o empresário do David, mostrou-se disponível a negociações e diz que qualquer oportunidade que surja, boa para o David e para o clube será com toda a certeza analisada… - revelou Rui Costa com um ténue sorriso

- Então parece-me que se o Real Madrid mantiver a proposta em cima da mesa e nenhum clube a superar, temos negócio! – concluiu Vieira com uma extrema satisfação na voz e esfregando as mãos, pois podia já adivinhar o dinheiro que David faria render aos cofres da Luz

O meu coração mirrou, o meu pior pesadelo estava diante dos meus olhos e nunca desejei tanto, que o Benfica falhasse a sagração do campeonato. Sem eu dar conta, os meus olhos ficaram rasos de lágrimas, porque eu queria o melhor para David, era mais do que óbvio e certo, mas ele não se podia ir embora naquele momento… Não naquele momento, quando eu ainda não o podia acompanhar, ou pelo menos não tinha capacidade, nem maturidade para isso. Finalmente aqueles dois deram pela minha presença e silenciaram-se imediatamente.

- Boa noite, Adriana… - cumprimentou Rui, sempre bem-disposto

- Boa noite… - correspondi, fazendo um enorme esforço para não deixar nenhuma das minhas lágrimas egoístas cair

O Presidente não se pronunciou como já era hábito e entrou no elevador de acesso ao piso superior acompanhado por Rui. Foi esse mesmo elevador, que um minuto depois me devolveu Paula, radiante e correndo na minha direcção.

- Estão a dar entrada no estádio, vêm aí! – anunciou aos saltinhos, mas a sua expressão rectificou-se ao ver-me de olhos rasos - Que foi, Adriana? Que aconteceu? – perguntou-me com uma extrema preocupação e cuidado

Não lhe consegui responder, pois o autocarro deu entrada no recinto e estacionou bem na nossa frente. Um a um os jogadores começaram a sair e um pouco mais animados apesar da derrota.

- Paula, vou à casa de banho, se o David perguntar por mim diz-lhe isso… - solicitei muito rapidamente

- Mas vais mesmo, ou vais embora? – inquiriu totalmente confusa, pois não era do seu domínio o assunto que me tinha deixado naquele estado

- Vou, vou mesmo… Diz-lhe que se quiser pode ir andando, e depois encontro-me com ele na sua casa…

- Que se passou para estares assim? – perguntou-me arqueando a sobrancelha

- Depois explico-te, agora tenho de ir… - anunciei assim que senti as primeiras lágrimas correrem-me o rosto e David a cruzar a porta do autocarro

Corri até ao elevador, pressionei o botão vezes e vezes sem conta na esperança de que este chegasse mais depressa, mas obviamente que não surtiu efeito.

- Cadê, Adriana? – ouvi a voz de David sumida e assim que as portas se abriram na minha frente, entrei  e dei ordem de subida

Não necessitava de ir à casa de banho, mas somente de estar sozinha e chorar tudo o que tinha a chorar. Sentei-me no chão do W.C, levei os joelhos ao queixo, encolhida sobre mim própria, e deixei que as lágrimas atravessassem o meu rosto de forma silenciosa e sem qualquer preocupação em ser apanhada. Mas quanto mais pensava na ideia de ver David partir para outro clube, mais o meu choro se intensificava, acabando mesmo por se tornar desesperado. Chorei compulsivamente durante alguns minutos até que ouvi passos no corredor.

- Ela disse pra você que vinha à casa de banho? E não especificou qual? Só esse piso e essa área, têm mais de seis! – reconheci imediatamente a voz do meu namorado

- Oh David, não disse… Ela disse só que vinha, mas era rápida! Vamos esperar…

- Não vamo’ nada… Tô sentindo que algo não tá bem! Vai procurar ela…

- EU?! - o tom de voz de Paulinha subiu vertiginosamente

- Claro você, cê é que é a mulher aqui, Paula!

- Eu não vou andar a vasculhar as casas de banho todas do estádio, não tem sentido nenhum!

- Deixa de ser tola, são só essas daqui…

- São “só” seis! – ironizou a minha Paulinha e tive vontade de rir, pois a forma que ela estava a usar para me proteger era comicamente enternecedora

- Bolas, qual é o vosso problema? São casas de banho de gajas ya, e daí? Não há ninguém no estádio sem sermos nós! Não vão vocês procurá-la, vou eu! – a voz determinada de Ruben, fez-me estremecer e dar um pulo muito rápido do chão, para passar água nos olhos

- Tá doido, manz?! É a casa de banho das mulheres… - alertou, o sempre correcto, David

- E daí? Aposto que vou encontrá-la em menos de nad… - ele não precisou acabar de falar, pois a porta da casa de banho abriu-se e ele apanhou-me com os olhos vermelhos de tanto chorar – Adriana… - murmurou baixinho

- E aí, manz… Encontrou? – o David gritou, mas eu fiz sinal a Ruben para que ficasse em silêncio

- Espera, vou procurar… - anunciou sem nunca tirar os olhos de mim e deixou a porta fechar-se – Que se passou? – inquiriu já junto do meu corpo e passando as mãos nos meus cabelos

- Nada, Ru… Estou só com uma daquelas minhas alergias…

- Adriana, não sou parvo! Já te conheço, diz-me lá a verdade… - pediu enxugando os últimos vestígios de lágrimas que ainda residiam na minha face

- Ai, Ruben… Sinto-me tão ridícula por estar assim! – confessei baixando o olhar

- Ei, ridícula porquê? Alguém te fez mal? Foi aqui no estádio? Foi no estádio dos porcos? Tu diz-me que eu resolvo tudo! – ele prontificou-se à minha defesa, mas na verdade não havia nada que ele pudesse fazer, para evitar uma das piores desgraças da minha vida

- Não… Ninguém me fez mal! Ninguém, senão o ganancioso do Presidente do nosso clube! Às vezes até tenho vergonha de lhe chamar isso… - afirmei revoltada

- Que te fez ele? Disse-te alguma coisa por causa dos lugares nos camarotes das Antas?

- Não, antes isso… Mas ouvi uma conversa dele com o Rui acerca da venda dos jogadores agora na abertura do mercado! Acho que eles não me viram, estavam a conversar descontraidamente e infelizmente ouvi o que não quis…

- O que eles disseram?

- Falaram sobre dois casos específicos, um deles o David… Dizem que já têm propostas em cima da mesa, uma delas do Real Madrid… - tentei acabar de falar, mas o Ruben interrompeu-me

- O REAL MADRID? – falou entusiasmado

- Shiuuu! Fala baixo! – ordenei bichanando – Sim, o Real Madrid e até agora é a melhor… Quando se sagrarem campeões as ofertas vão subir de certeza, pelo menos estão ambos plenamente convictos disso!

- O Real Madrid é óptimo, o David vai tripar com a ideia! – revelou com um enorme sorriso

- O David não pode saber, aliás, nem eu devia saber… Se bem que se o empresário dele sabe, o David com certeza já não está “às escuras” em relação ao assunto…

- Se ele soubesse de alguma coisa já tinha comentado comigo pelo menos… Falamos muito acerca do assunto e ele diz que está feliz no Benfica!

- Ele está feliz onde lhe derem mais dinheiro… A ele e ao Presidente!

- Não sejas assim… Sabes muito bem que o David ama a camisola que veste!

- Sim, ama… Mas a vida dele não será para sempre no Benfica! – assumi imediatamente

- Então se sabes isso, porque é que estás nesse estado? Porque é que estiveste a chorar?

- Ruben, queres mesmo que te faça um desenho? Não vês, que se ele se for embora, a nossa relação acaba?

- Oh Adriana, as coisas não são bem assim…

- As coisas são exactamente assim, Ruben!

- Não são… Só são, se vocês os dois entenderem!

- Eu não posso acompanhá-lo, não agora… Tu sabes disso! Também tenho os meus sonhos, as minhas ambições, os meus planos, e eles estão todos em Portugal!

- Tá bem, mas não podes condenar já a relação sem pelo menos tentarem…

- Se tentarmos isto vai acabar da pior maneira e vamos acabar por nos odiar…

- Adriana, há relações há distância! – ele tentou parecer convincente, mas sinceramente não acreditei numa única palavra do que ele disse

- Ya, ya! Primeiro convence-te tu disso e depois aí falamos… - enxuguei as mãos e coloquei o papel no caixote do lixo

- MANZ? – a voz de David ecoou pelo recinto quase em encerramento

- VOU JÁ! – gritou bem na minha frente

- Vamos, ele vai desconfiar…

- Adriana, vais ter de falar com ele… Conversarem…

- Não vou falar com ele, Ruben… Vou magoá-lo, porque estou a ser egoísta!

- Ele é bem capaz de recusar qualquer proposta para ficar no Benfica, ele é feliz aqui: no clube e em Portugal! A sério que sim… Até porque ele nunca te iria deixar ficar para trás, conheço-o e sei que o que sente por ti, nunca sentiu por ninguém com tamanha intensidade…

- Não tenho dúvidas algumas de que é feliz, mas ele aspira a mais e a oportunidade vai bater-lhe à porta, há que aproveitar… Faz-me só o favor de não comentares nada com ele…

- Não, podes confiar, mas pensa bem no que vais fazer, piolha… Não deites tudo a perder antes de uma decisão final, sim?

- Sim, podes ficar sossegado, quando o tempo chegar, logo pensarei nisso, isto foi só o choque inicial…

- Vá, anda cá, minha chocadinha! – ele brincou, aninhou-me nos seus braços e conseguiu animar-me um pouco

Seguimos os dois lado a lado, até encontrarmos David, Paula e Roberto no corredor de acesso às casas de banho, à nossa espera.

- Estava vendo que não! – barafustou David, mas um sorriso delineou-lhe os lábios assim que me viu surgir junto de Ruben

- Calma… Pusemo-nos na conversa e esquecemo-nos que vocês estavam cá fora! – Ruben tranquilizou-o com palavras serenas e eu fi-lo com os meus lábios nos seus

- Tava cheio de saudadji, amô… Não me tava esperando lá em baixo…

- Eu estava, mas necessidades fisiológicas, tenho uma bexiga pequenina! – brinquei rindo

- Cê sabe que isso é um dos sinais de gravidez? – relembrou-me, entusiasmado, um assunto que já estava esquecido na minha memória há semanas, apesar de estar com um atraso

- Sei, David… Sei… - tive de forçar um sorriso, pois de facto poderia estar grávida e a saída dele tornara-se inerente

- Adriana… - a voz de Rui Costa invadiu o nosso espaço

- Sim?

- Posso falar contigo um instantinho?

- Claro…

- A sós…

- Com certeza… - dei um selinho em David, que nos olhou com estranheza e afastei-me o suficiente para que ninguém pudesse ouvir a conversa

- Ouve, não sei se ouviste o que foi dito lá em baixo, mas com toda a certeza o fizeste e preciso de pedir-te que te mantenhas em silêncio, tanto com David, como com qualquer meio de comunicação social… Não pudemos criar buracos de fuga de informação no clube! – tive vontade de me rir, pois se havia coisa que o meu clube tinha em demasia era buracos para fuga de informação, mas aquilo até tinha uma certa ironia

- Não se preocupe, irei manter a maior descrição possível! Qualquer negócio será comunicado em primeira mão a David, pois eu não tenciono dizer nada…

- Obrigado, é importante para a estabilidade dele para o próximo jogo e para a equipa em geral…

- Sim, eu compreendo… - concordei com alguma indiferença

- Bem, é só… Obrigado pelo teu tempo…

- Nada que agradecer, sempre às ordens! – ironizei, dando a entender que tudo naquele clube seguia as ordens de “descrição” do senhor Luís Filipe Vieira, o que era com toda a certeza um desses casos

- Boa noite… - Rui rodou nos seus próprios calcanhares e iniciou um percurso inverso, na direcção do gabinete da presidência

- Rui, desculpe… - chamei à atenção dele, fazendo-o parar a três metros de distância – Vai mesmo acontecer, não vai? – referi-me directamente à venda de David naquele mercado e a expressão dele tornou-se de pesar

- Lamento, Adriana… Tem uma boa noite… - esboçou um sorriso ténue e deixou-me ali no corredor, na tristeza de um “sim” cem por cento certo, que deitou por terra todos os meus sonhos para a nossa relação.

- Amô!

- Diz… - respondi a David, assim que me aproximei deles

- Que queria ele?

- Sabes se a viagem de regresso tinha decorrido sem qualquer incidente… É muito simpático! – forcei um sorriso, que apesar disso, surgiu completamente natural

- Hum, tá bom… Vamo’ embora pra casa então?

- Vamos, mas eu hoje vou dormir a minha casa… - declarei, pois no meu estado não iria conseguir partilhar o mesmo espaço que David, quanto mais a mesma cama

O casal presente e Ruben, perceberam que uma conversa de casal se adivinhava e começaram a andar na direcção do elevador, para nós os seguirmos.

- Como vai dormir na sua casa? – inquiriu com uma confusão inquietante nas expressões

- Vou dormir na minha casa, no meu quarto, na minha cama…

- Hum, isso é um convite, mô? – questionou sorrindo angelicalmente

- Estou cansada, David… - foi uma nega simples e curta, mas de fácil mensagem para David, pelo menos assim penso devido ao rumo que a conversa tomou

- Ah, não se preocupa, tenha uma muito boa noite! – afirmou num falso sorriso de felicidade

- Ei, não hajas assim… Se queres assim tanto eu vou dormir contigo ou vens tu dormir comigo na minha casa…

- Esquece, já entendi que não quer minha companhia!

- Não é não querer a tua companhia, mas estou cansada… Não te ia conseguir dar atenção nenhuma!

- Pô, não te tô nem pedindo pra transar, tô pedindo uma noite dormindo do seu lado, nos seus braços! – ele elevou ligeiramente o tom de voz, o que fez com que Paula, Roberto e Ruben ouvissem, para grande constrangimento de todos

- Fala baixo, por favor…

- Ahhh, agora como é pro seu lado, é “fala baixo, por favor…” Ah, me poupe, Adriana, otário é coisa que eu não sou!

- Bolas, David… Estás a ser infantil agora, o que é que te custa aceitares que preciso de descansar?

- E o que é que custa a você aceitar, que quero descansar do seu lado?

- Pronto, então descansas do meu lado, está decidido… Vais no teu carro, eu no meu e encontramo-nos na tua casa!

- Nossa casa… Nossa!

- Tua, ela é tua!

- É nosso cantinho… Tô muito farto de discutir isso com você!

- Então é fácil, não discutas! Cala-te e não digas mais nada!

- Tá bom…

Descemos os cinco no elevador, num silêncio profundamente arrebatador, especialmente para o meu coração. Quando alcançámos as garagens despedimo-nos todos uns dos outros e cada um seguiu para os respectivos carros. À saída o de Ruben parou do lado do meu e ambos abrimos os vidros.

- Adriana, vai com calma… Ele não sabe de nada e não tem a culpa!

- Eu sei, Ruben… Mas preciso do meu espaço, de estar sozinha e ele não compreende isso, porque não sabe de nada…

- Por isso não o podes culpar…

- E não culpo, mas não me culpes a mim, por estar a tentar digerir isto da melhor maneira que posso e magoando o menor número de pessoas possível…

- Lembra-te só de uma coisa, o essencial é não magoares a pessoa-chave no meio disto tudo…

- Eu sei, dele cuido eu, não te preocupes… Até amanhã…

- Até amanhã… - subi o vidro do meu carro e ele deu-me prioridade para passar na sua frente, rumo à saída

Entrei directa na estrada que ligava o Estádio da Luz a casa de David, mas pelo caminho ainda fiz um desvio parando na bomba de gasolina da 2ª circular, para me deliciar com um CBO, pois não comia nada desde as cinco da tarde e o relógio já marcava as três da manhã. Quando me senti totalmente saciada e de pensamentos mais calmos e claros, retomei o percurso em direcção a casa dele, sem saber bem o que esperar…





Obrigada a todos aqueles que lêm a minha fic e comentam, pois os comentários são sempre um enorme incentivo!
Aqui vos deixo mais um capítulo, espero que gostem!
Não se esqueçam de comentar, pois é muito importante saber o vosso feedback! :)
Beijinhos
Drii



domingo, 26 de junho de 2011

Capítulo 109 - Quando o amor não é loucura, não é amor... (Parte V)


Na manhã seguinte acordei com a luz difusa que penetrava a penumbra em que a suite estava envolta. Do meu lado ele ainda dormia profundamente e totalmente colado a mim. Relembrei como um sorriso no rosto a noite passada e guardei-a na minha memória como tendo sido uma das melhores da minha vida, mas do lado de David, quase todas eram classificadas dessa forma, pois ele era a melhor coisa da minha vida.
Tive pena de o acordar, pois o seu estado de dormência era profundo. A respiração era pesada, o corpo estava plenamente relaxado e em repouso sobre o colchão. Levantei-me devagarinho e como ainda estava despida, alcancei a parte debaixo da minha roupa interior e a camisola dele, e vesti-me. Ele movimentou-se um pouco na cama e abriu ligeiramente os olhos. Coloquei-me de joelhos do seu lado e comecei a beijar-lhe as costas despidas.

- Hum, amô… - a voz dele molengou assim como o seu corpo, que não movimentou um único músculo

- Bom dia, bom dia… - sussurrei junto do seu ouvido

- O melhor dia do mundo… - murmurou David com um sorriso lindo nos lábios

- Vou pedir o pequeno-almoço para nós… Queres o quê, mor?

- O que cê comer, amô…

- Vou pedir então, descansa mais um bocadinho… - desviei os caracóis que lhe cobriam a nuca e beijei-a, até o deixar todo arrepiado

Não demorou nada até David voltar a pegar no sono, estava realmente estafado. Conhecendo-o como conhecia, aquela devia ser das primeiras noites que ele dormia em condições em dois meses, ou seja, desde que eu partira que ele nunca mais descansara o suficiente.

- Bom dia… Quero o menu completo de pequeno-almoço para duas pessoas, por favor… - solicitei à camareira que me atendeu o telefonema – Sim, quarto 23… Ok, muito obrigada! Até já…

Olhei em meu redor, não tinha nada que fazer até o pequeno-almoço chegar e ele continuava ferrado a dormir. Aproximei-me da varanda, corri a porta e saí para me apoiar no beiral. Não sei quanto tempo ali estive, mas tenho a ideia que pedi o pequeno-almoço, vinte minutos antes e até lá, nem sinal dele. Senti um corpo muito quente, abraçar-me por trás e amarrar-me para si.

- Bom dia, gata linda! – a sua voz soou pertinho do meu ouvido e pude adivinhar-lhe um sorriso no rosto

- Bom dia, dorminhoco lindo! – ambos nos rimos levemente

- Tá fazendo o quê na varanda em vez de tar deitada do lado do seu gatão?

- Olha, estava a ver se o pequeno-almoço vinha… Pedi-o há mais de 20 minutos!

- Calma, a gente não tem pressa! Só tenho treino no final do dia, meu amô…

- Eu sei, mas tenho fome… - confessei sem jeito

- Ué, continua comilona?

- Claro, aprendi com o melhor namorado comilão do mundo! – virei-me para ele e roubei-lhe um beijo – Olha lá, que poucas vergonhas são estas? – inquiri ao vê-lo somente com um lençol em torno da cintura

- Então, só tá a gente no quarto, amô…

- Mas estás na varanda e há mais pessoas no hotel…

- Cê também está de calcinha e com a minha camisola, mô! – ele riu-se descaradamente e tive de lhe dar uma palmada no peito

- Respondão!

- Cê gosta! – ele deitou-me a língua de fora em jeito de desafio

- Vai masé vestir-te, ó!

- Ah, cê quer que eu me vista? E eu pensando que tava gostando de me ver assim só pra você… Só pra lembrar melhor do que andou perdendo esses dois meses…

- Hum, que convencidos que estamos!

- Realista, mô! Vai dizer que não gosta?

- Ah… Já nem me lembro bem, como é que posso saber se gosto?!

- Eu te mostro então! – ele preparou-se para abrir o lençol, mas rapidamente o travei

- Ei, estamos na varanda, David Marinho!

- Então vem comigo lá dentro e eu te mostro… - ele aproximou-se de mim e beijou-me no pescoço, o que me levou aos arrepios

Coloquei as minhas mãos no seu peito, o que me facilitou a tarefa de o empurrar até dentro da suite. Os nossos lábios uniram-se apaixonadamente e acabei por ser eu a livrar-me do lençol que envolvia o seu corpo. Caí debaixo dele em cima da cama e livrei-me da camisola dele que estava colada ao meu tronco. A sua boca foi directa ao meu pescoço e desceu até ao meu peito, que acariciou entre beijinhos e doces mordidelas, mas fomos interrompidos por alguém a bater à porta do quarto.

- Pô, não abre, amô… - ele continuou a acariciar-me

- Amor, tenho de abrir… Deve ser o pequeno-almoço!

- Não importa, já arranjei outro pequeno-almoço, não preciso mais desse não!

- Deixa de ser tolo, amor! – ri-me levemente e fiz força para que ele saísse de cima de mim

- Tolo nada, apaixonadão! – voltou a enrolar-se no lençol e roubou-me um beijo rápido

- É, é… Apaixonadão! – caminhei até à porta, vestindo a camisola de David

- Bom dia, está aqui o pequeno-almoço para dois… - foi um senhor que veio trazer o pedido, e pela expressão de David compreendi que isso o levou à loucura

- Obrigada, espere dois segundos… - enquanto o senhor empurrou o carrinho para dentro do quarto, eu fui buscar a minha carteira para lhe dar uma gorjeta – Aqui tem! – sorri entregando-lhe uma nota

- Muito obrigado, qualquer coisa é só chamar… - acenei cordialmente com a cabeça e fechei a porta – Vamos ao ataque! – anunciei enquanto o meu corpo preambulava na direcção do meu David

- Que é isso, pô? – encontrei o David sentando num divã da suite e com umas trombas do tamanho do mundo

- Isso o quê? – questionei, pois não compreendi onde ele queria chegar

- Isso! – ele observou o meu corpo de alto abaixo e apontou na minha direcção

- Que tem?

- Que tem? Que tem? Ainda pergunta? Pô, foi abrir a porta desse jeito pro cara!

- Eu não sabia que era um homem, David… E além disso não estou despida que eu saiba! – eu já adivinhava que os ânimos se iam exaltar, por isso preferi ignorá-lo e comecei a distribuir a comida pela mesa da suite

- Mesmo assim, se eu fosse abrir a porta desse jeito pra uma garota, cê já tava aí fritando!

- Oh David, são empregados de hotel… Estamos hospedados, eles estão aqui para nos servir, logo é perfeitamente normal que eu queira andar à minha vontade!

- Desculpe lá, mas não é normal eu ter que ver a minha namorada ir abrir a porta de calcinha e camisola, pra um cara qualquer!

- Mas o que raio se está a passar contigo, David? Estás a fazer um drama por uma coisa simples…

- Ele te olhou toda! De cima abaixo, mirou cada pedacinho de você!

- Oh David, estás a exagerar… O senhor foi super educado!

- Foi educado, mas se pudesse tinha feito bem mais do que olhar!

- Olha David, já chega desta conversa! – sentei-me à mesa, comecei a comer e ele fez exactamente o mesmo, ficando os dois em silêncio

- Cê sabe que os homens te olham e mesmo assim facilita qu… - não o deixei sequer acabar de falar

- Acabou, David! Já chega… - ordenei dando um gole na chávena de café

O resto da refeição foi tida em completo silêncio, ele percebeu que me tinha magoado com a expressão utilizada, “mesmo assim facilita…”, devia ser a única coisa no mundo que eu fazia era não facilitar, uma vez que era comprometida e tinha a completa e perfeita noção disso.

- Amô… - foi a voz dele a arrancar-me dos mais remotos pensamentos

- Sim… - ripostei de forma fria, pois o meu pensamento adivinhou uma discussão descabida a caminho

- Desculpa… - a expressão de desalento que preencheu o seu rosto e vinculou os seus traços, deixou-me de coração mingado

- Estás desculpado, só não sabia que tinhas assim tão pouca confiança em mim…

- Não é em você, é neles…

- Típica desculpa de um típico ciumento! – revirei os olhos e limpei a boca com o guardanapo

- Se sou ciumento é com razão! – falou rapidamente acabando de mastigar um pouco do seu croissant simples

- Não, não é! Que eu saiba nunca te dei motivos para tal, nem para estares a agir dessa forma comigo!

- Você não, mas eles dão… Eles te olham, pô! Cê não enxerga isso?

- Tudo bem, David… Eles olham e daí? Não é contigo que estou, bolas?

- É comigo que cê tá, mas pode deixar de estar… As relações se destroem…

- Se continuares com esse comportamento e a falar dessa maneira, ai destroem-se de certeza! – murmurei e cheguei a minha cadeira para trás a fim de me levantar

- Ei, me compreende! – senti a mão dele puxar-me para ficar sentada de novo

- Não te fazia tão ciumento a sério que não, David…

- Não é ciumento, garota… É inseguro!

- Inseguro? E desde quando te dei razões para essas inseguranças?

- Não foi você, mas sim a distância que nos separou estes dois meses… Me deixou inseguro! Achei que cê podia ter achado um outro alguém! Achei que cê agora é melhor e que por isso merece alguém mais ao seu nível!

- Tu és o meu nível, David! Pensei que já tinhas compreendido isso… Ou achas que eu tinha deixado o sonho que estava a viver em Nova Iorque mais cedo, feito um voo exaustivo de horas, tudo para surpreender uma pessoa que não é o meu nível?

- Desculpa, cê tem razão… Tô sendo um bobo…

- Estás mesmo, Dê…

- Vem cá, vem… - ele abriu espaço no colo dele e eu não resisti a ocupá-lo – Desculpa esse babaca daqui, mas ele te ama muito e só faz borrada!

- Não faz mal, amor… Os ciúmes são saudáveis, mas em excesso destroem uma relação…

- Eu sei, me perdoa… Fui um babaca com cê! – a mão dele percorreu cada traço do meu rosto de forma muito atenta – Te amo muito, meu anjo… Muito!

- Eu sei, eu também, amor! Muito!

- Muito, muito? – perguntou ele com um sorriso doce e lindo

- Muito, muito, muito, muito, muito! – confirmei entre beijos repenicados nos seus lábios

- Muito, é? Então vem me mostrar o quanto! – ele levantou-se e foi-me empurrando até à cama

Acabámos por cair sobre ela e rapidamente ele se livrou da camisola que cobria o meu torso.
- Eu mostro-te, se me mostrares aquilo de há pouco… O que andei a perder durante dois meses!
- É pra já, garota! – os lábios dele enterraram-se no meu pescoço e ambos desatámos a rir, na nossa frente estendia-se um novo momento de entrega


***


Arrumámos as nossas coisas no pequeno saco que eu tinha trazido para aquela noite e descemos até à recepção.

- Está aqui a conta… - a senhora passou um talão com um numerário bastante avultado, para as minhas mãos

- Obrigada! – esbocei um sorriso educado e estendi o meu cartão de crédito

- Me deixa paga, amô… - pediu David baixinho, perto do meu ouvido

- É claro que não, a surpresa é minha, pago eu…

- Oh, me deixa, mô… Por favô!

- Nem por favor, nem meio por favor! Esteja caladinho, oh jeitoso! – rimo-nos suavemente e digitei o código que saldou a dívida

- Muito obrigada e regressem sempre que quiserem ao Cascais Miragem, teremos muito gosto em recebê-los…

- Muito obrigada! – sorrimos educadamente e retirámo-nos em direcção ao meu carro, que nos havia trazido ali na noite anterior

- Conduz você ou conduzo eu, amô? – questionou-me colocando o saco no banco de trás

- Podes conduzir se preferires…

- Eu prefiro, assim cê descansa, dá uma relaxada… - uniu as nossas bocas momentaneamente e entrou para o lugar do condutor

Copiei-lhe o gesto, ocupando o lugar vazio do seu lado e ele seguiu viagem.

- Amei essa noite… - confessou-me com um sorriso e de olhos postos na estrada

- Amaste mesmo, amor?

- Mesmo, mesmo, mesmo! Foi óptima, depois de dois meses longe, essa descarga de romantismo fez bem pra gente! Muito bem! – lançou-me um olhar, mas voltou a concentrar-se muito rapidamente na condução

- Ainda bem que gostaste, Dê… A intenção era mesmo essa! – finalizei com um sorriso e durante alguns quilómetros o silêncio dominou

- Cê acha que deu, amô? – questionou-me, sem seguir qualquer linha de discurso ou tema

- O quê, amor?

- As nossas tentativas de ontem… Acha que vai dar pra engravidar?

- Oh amor, não sei… A gente tentou, agora é esperar para ver. Queres assim tanto ser pai agora?

- Eu quero, mas como te disse… A gente tentou, se der, deu! Senão der é porque não tinha de ser e vamo’ deixar as coisas rolarem!

- É isso mesmo, amor… Somos muito novos, não nos vamos tornar obsessivos em relação ao assunto!

- Sim, isso mesmo! O que importa é a gente e o nosso, amor!

- É, isso mesmo! – confirmei com um sorriso apaixonado nos lábios


***

- Quimi! – assim que entrei em casa do David a minha cadela, ou melhor, a nossa cadela, saltou para cima de mim pedindo por mimos – Olá, pequenina! Estás tão grande… - olhei para David a fim de comunicar com este – Ela cresceu imenso!

- É, isso e se tornou numa destruidora compulsiva! Só esse mês, me roeu mais de três pernas das cadeiras da sala! – ambos nos rimos, enquanto ela continuou a andar à nossa volta alegremente com a cauda a agitar

- Oh doida, acalma-te… Vá, acalma-te! – pedi dando-lhe festinhas e finalmente, conseguindo avançar mais para dentro de casa

Pude constatar que tudo permanecia igual, tal qual como eu conhecera, ao abandonar o espaço há 61 dias atrás. Os meus lábios teimaram em demonstrar a alegria que dominava o meu coração por finalmente estar de regresso a casa, ao lar… Que podia até nem ser totalmente meu, mas de algum jeito já me pertencia, pelo menos já tinha a sua chave.

- Matando a saudade…? – perguntou David ao entrar na sala e abraçar-me por trás

- É, acho que é isso mesmo! Continua tudo perfeito, amor… Tal qual como me lembro!

- Não mudei nada desde que cê foi embora… Nada! – os lábios dele embateram com a pele perfumada do meu pescoço, o que levou as minhas pernas a fraquejarem

- Tá cansada, amô?

- Um bocadinho, a viagem foi longa e a noite não foi propriamente dormida! – ambos nos rimos sorrateiramente, mas permanecíamos felizes

- Anda, vem descansar um pouco… - ele puxou-me pela mão até ao seu quarto, do qual matei saudades simplesmente com um olhar

- Tudo igualzinho, que saudades, meu Deus… - balbuciei tirando os sapatos dos pés

- Vai ter tempo de matar saudades de tudo, amô… Agora descansa um pouco… - aconselhou-me ao dirigir-se para a janela, com o simples propósito de descer a persiana, o que me fez recordar o cenário de fundo da sua paisagem

- Ora aí está uma coisa da qual não tive saudades nenhumas! – comentei apontando para o Estádio José Alvalade XXI, que infelizmente ainda era elemento dominante na paisagem

O David riu-se e acabou de bloquear a entrada de luz no espaço que futuramente iria servir para meu descanso

- Cê não muda, minha benfiquista ferrenha! – beijou-me delicadamente nos lábios, mas com algumas dificuldades, uma vez que teimávamos em rir-nos do momento

- Sinceramente não sei onde estavas com a cabeça, quando vieste jogar para o Benfica e depois compraste esta casa… Foi burrice, mor! Acho que viver com vista para uma lixeira, era igualmente compensador e prazeroso!

- Nossa, cê voltou cruel por demais dos Estados Unidos! Já tô vendo que no próximo jogo com os lagartinhos, cê vai mandar vir, meu bem!

- Podes apostar, aprendi lá uns insultos, espectacular, morzão!

- Bobinha! – ri-me para ele e atirei-me para cima da sua cama, que me pareceu naquele momento extremamente convidativa devido ao meu elevado grau de cansaço

- Ai, que booooom! – disse espreguiçando-se, para logo de seguida formar uma concha com o meu próprio corpo

- Isso, amô… Dorme! Dorme que eu vou ficar aqui do seu lado… - ele deitou-se calmamente do meu lado e abriu lugar para me aninhar no seu corpo

Não neguei o convite e fiz dos seus braços o meu confortável ninho de descanso.

- Obrigada, mor… Até já…

- Até já, anjinho… Te amo! – foram as últimas palavras que ouvi, antes de cair num sono profundo



***


Quando despertei horas depois encontrei somente uma cama tão vazia e fria, como a almofada, que acompanhava a minha lado a lado. Em cima dele um pequeno bilhete de letra trémula, que facilmente reconheci como de David, pois percebia-se que tinha sido escrito à pressa.

“Amô, cê tava dormindo tão bem que não tive coragem de acordar! Saí pro treino, mas deixei no forno o seu almoço, pro caso da fome bater! Se sinta em casa, meu anjo, não é já nem preciso dizer!
Nos vemos quando voltar a casa! :)
Beijo
Te amo muitão!
Do seu, David ♥“

Levantei-me, tomei um duche frio e servi-me de umas roupas que tinha em casa de David, para quando ficava lá a dormir. Ainda meio adormecida, apesar dos jactos de água fria, dirigi-me à cozinha e encontrei no forno o meu almoço. Um maravilho tabuleiro de lasanha, mesmo ao estilo do meu namorado, e que devorei com a maior das vontades pois já eram quatro e meia da tarde. Sentei-me no sofá, esperando a chegada dele e fazendo zapping na televisão. Assim que o vi cruzar aquela porta, com o saco de treino ao ombro e um enorme sorriso no rosto, tive a certeza que nada iria compensar o tempo que passei longe e que era bom… Muito bom, estar de volta!





Obrigada a todos aqueles que não desistiram da fic!
Aqui vos deixo mais um capítulo, espero que gostem!
Não se esqueçam de comentar, pois é muito importante saber o vosso feedback! :)
Beijinhos
Drii

terça-feira, 21 de junho de 2011

Capítulo 109 - Quando o amor não é loucura, não é amor (Parte IV)


O momento começou a transpor barreiras perigosas, barreiras que rapidamente seriam possíveis de acuar e que nos deixariam numa situação pouco confortável.

- Dê, não quero fazer nada aqui… - desabafei com medo de o magoar, mas achava que aquele, precisava ser um momento só nosso

- Não tem saudadji minha?

- Tenho, muita, mas aqui...? – torci o nariz

- Ainda falta pra festa acabar… E pelo menos quero dar uns beijos em você, mas respeito se preferir guardar esse momento só pra gente e nossa privacidade… - o sorriso dele foi totalmente tranquilizante

- Prefiro, amor… Desculpa, mas acho que tanto tempo longe um do outro merece uma coisa mais especial e nossa…

- Ei, ei! Não pede desculpa, bobinha! Me beija só e assim me faz o homem mais feliz do mundo! – ele esboçou um sorriso completamente babado e luminoso

- É só isso que eu quero… Fazer-te feliz! – as nossas bocas uniram-se e a troca de beijos foi muito intensa durante mais alguns minutos, pelo menos até retomarmos à festa


***


- Oh pequenina, estás com um ar tão maternal… - Ruben não resistiu a meter-se comigo, enquanto eu trocava mais uns beijos com David a um canto da sala

- Mas qual é a tua, ó?

- Epá, não sei… Estás com ar de mamã! – na sua boca um sorriso sereno delineou-se

- Ruben, eu não sei qual é a tua, mas se queres assim tanto bebés, tens aí a tua futura mulher do lado, pede-lhe e ela dá-tos!

- Ei, ei! Tinha que sobrar para mim, não?! – Inês resolveu dar o ar da sua graça e num trejeito cómico e muito próprio da personalidade dela, empinou o nariz

- Oh, não estou com vontade de ser papá, mas tio ou padrinho, já não me importava!

- Pois então escolhe outro alvo, porque se há coisa que eu garanto que não estou é grávida! – afirmei muito certa e senti o David gesticular qualquer coisa a Ruben – Ei, que foi isso? Eu vi! – ele fizera-lhe sinal para estar calado

- Nada não, amô… Só para esse babaca largar você de vez!

- David, David! Eu conheço-te, esqueces-te? Não vale a pena mentires-me… Podes começar a chutar! Vamos lá! – ele estava sentado numa cadeira e eu fiz do colo dele a minha, por sinal bem mais confortável

- Pô, cê só me arranja negócios desses, cara!

- Desculpa aí, mano!

- É, agora é “desculpa aí, mano!” – o David forçou uma voz de alguém que aparentava ter um problema mental e foi somente o bastante, para todos se rirem que nem uns perdidos

- Deixem-se lá de coisas, porque eu não tenciono esquecer! Vamos lá, Senhor David, comece a disparar! – ordenei sentada no seu colo

- Oh, eu que comentei com esse daí que gosto de nenéns…

- Oh mor, mas isso todos nós sabemos! Tu amas crianças, é um facto e daí?

- E daí, que eu andei pensando nisso enquanto cê teve fora…

- Correcção: ele andou pensando muuuuito nisso! – o Ruben teve de se meter na conversa, mas rapidamente eu e Inês o calámos, ela com um puxão de orelhas e eu com um olhar fuzilante

- Andaste a pensar em bebés? Agora é que não estou a perceber nada, David Marinho!

- Oh amô, pô! Andei pensando e quero muito ser pai… Agora!

- O quê?! Pai, agora? Mas está tudo louco?

- Oh amô, não fica brava comigo… Cê sabe que eu quero ter filhos!

- Sei, claro que sei! Eu também quero muito, mas quando tiver casada, o meu curso tirado e um emprego estável, não nestas circunstâncias!

- Tá, mas eu queria agora… - a sua expressão triste mirrou-me o coração, quase como se o tivesse a segurar bem apertadinho na palma da minha mão

- Oh amor… - encostei o meu narizinho ao dele e esperei que os seus olhos fitassem os meus – Eu sei que queres muito construir a tua família, mas vamos com calma… Ainda temos muito pra viver!

- Eu sei, mas sonhar não custa… - sussurrou sorrindo - A gente podia tentar… Uma vez que fosse! Só uma…

- Amor… Mais um bocadinho! Dá-me só mais um bocadinho e depois começamos a tentar, sim?

- Começamos mesmo? – perguntou super entusiasmado e com um sorriso que exprimia essa condição

- Mesmo, mesmo! – rematei beijando-o nos lábios

- Essa noite… - sussurrou de encontro aos meus lábios

- Um tempo, amor… Depois tentamos…

- Só uma vez… Senão der não deu, é porque não tinha de ser! Mas vamo’ tentar! Vamo’…

- Só esta vez, amor… Só esta… - sorri, pois de facto, aquilo fazia-me tão feliz como a ele

Tinha somente 18 anos, era verdade, mas tinha aquilo que muita gente não tinha: uma relação saudável e sólida, maturidade e uma pessoa do meu lado que também a possui, e amor, muito amor… Era só isso que necessitávamos para construir a nossa família.


***

- … para o menino David, uma salva de palmas! Ehhhh! – todos cantaram em uníssono e ele soprou as velas do bolo que eu tinha na mão

Pousei-o e beijei os lábios de David, quando este ainda tinha os olhos fechados para pedir um desejo.

- Pedi um filho… - confessou num murmúrio vagamundo, mas capaz de fazer acelerar o mais frio dos corações

- Vamos ver se se realiza… - completei sorrindo – Tenho uma prenda para ti…

- Uma prenda? Não precisa de mais nada, tendo você e o meu desejo realizado, não preciso de mais nada!

- Pois, mas eu preparei isto com carinho… Não queres?

- Quero, claro que eu quero, meu amô! Quero tudo o que é seu!

- Então dá-me cinco minutos!

- Dou! Te dou tudo o que cê quiser… Mas volta rápido!

- Volto! – beijei para me afastar, mas ele fez questão de prolongar o beijo ao máximo e da forma mais apaixonada possível

Quando regressei já trazia na mão aquilo que me interessava, um novo DVD. Só eu sabia o seu conteúdo, pois fora montado com a ajuda de um dos senhores do estúdio de Nova Iorque. Do meu lado vinha um colega de profissão, guitarrista, que me ia acompanhar naquela surpresa. Tomei o meu lugar no palco e coloquei o filme a passar. Este continha fotos nossas, minhas e de David, e a tradução da música que eu ia cantar, sobre ele e para ele.

- Slowly stars go out each night, Dark meets light, kiss the sun goodnight, New day comes as though life's just begun, You're now mine… And everytime you hold my hand, There's an understanding of who I am, New life is born, unlike before I'm now yours… - iniciei a música um pouco nervosa como sempre, ficava assim sempre que pisava um palco, por mais pequeno que fosse, como era o caso


Era uma música da minha autoria, que compus enquanto me encontrava nos Estados Unidos e foi talvez uma das que me deu mais gozo gravar. O David não percebia Inglês, daí eu ter preparado aquele vídeo, que passou atrás de mim, enquanto eu cantava a sua banda sonora ao vivo. Fi-lo de plena alma e com todo o coração. Cada palavra entoada foi sincera, cada frase composta veio do coração e por isso foi fácil imprimir-lhe a minha essência e o sentimento que nutria, sobre quem cantava. No final todos aplaudiram e encontrei David com um sorriso totalmente divinal bem na minha frente. Eram momentos assim que valiam a pena, tudo para puder ver naquela face angelical um sorriso, bem merecido.


***

- Bem, não te importas de levar então o Sr. Lau e a Dona Rê a casa, Ru?

Questionei-o, pois havia-me esquecido desse pequeno detalhe, que interferia com a minha surpresa, ou melhor, com aquele plano que em tempos fora uma surpresa e deixou de ser graças à boca de trapos de Ruben

- Não, levo-os numa boa! A menos que eles se importem… - tanto nós os dois, como David, que permanecia atrás de mim amarrando-me contra o seu corpo, os olhámos, esperando uma reacção

- Claro que não, meus filhos… A gente só quer é chegar em casa e dormir, que estamos muito cansados!

- Tem a certeza, Dona Regina? – perguntei, pois queria colocá-los o mais confortavelmente possível

- De certeza, minha filha… Vão sair, se divirtam e aproveitem pra namorar muito!

- Obrigada, mãe… - nesse momento congelei ao dizer aquilo

Mas que raio me tinha passado pela cabeça para chamar a mãe do meu namorado de “mãe”? Aquilo saiu-me tão natural, como inevitavelmente. Todos nos olhámos e eu senti-me pessimamente por o ter feito, tinha abusado, pelo menos a meu ver, mas surpreendentemente a reacção foi contrária à esperada.

- Desculpe, Dona Regina! Desculpe…

- Tenha calma, minha filha… Não há problema nenhum! Eu também não te chamo de “minha filha”? Vai dar no mesmo, não esquenta, não!

- Obrigada… - sorri de forma tranquila – Vamos então, amor? Ainda tenho de conduzir um bocadinho…

- Vamo’, mô! Até amanhã, gente! Sua bênção, meus pais…

- Vão com Deus, meus filhos… - respondeu a Dona Regina e tanto ela como o marido, deram-nos dois beijinhos

- Qualquer coisa, liguem! – disse David, já puxando-me pela mão

- Ah, não vamos ligar mesmo, que eu quero esse sobrinho para breve!

- Oh Ruben, cala a boca! – ordenei rindo-me

- Olha, olha! Não me digas que estás com vergonha dos sogrões? Eles querem é netos e depressa! Ponham-se masé a andar e treinem muito! – todos se riram, inclusive os meus “sogrões”, como Ruben lhes chamou

***

Conduzi durante meia hora até ao hotel Cascais Miragem, onde a minha surpresa já estava preparada e à espera de David. Pedi o cartão na recepção e subimos bem juntinhos no elevador.

- Vai me dizer o que nos está esperando?

- Nem pensar, quando chegares logo vês… Já basta o Ruben ter estragado meia surpresa!

- Hum, vindo de você vai ser coisa boa de certeza… E romântica! – acrescentou rindo-se

- Oh, já sabes como sou, por isso não vale gozar!

- Hum, não gozo não, meu anjo! Só te quero do meu lado, com ou sem romantismos! – beijámo-nos calmamente, mas durante pouco tempo, pois o elevador deu sinal de termos chegado ao nosso andar

- É aqui… - anunciei quando chegámos à porta do quarto 23

- Bom número! – brincou, abraçando-me por trás

- Até dizia que foi coincidência, mas estaria a ser desleal para contigo! Foi um dos meus pedidos extravagantes, que com uma notinha extra fez com que um casal de ingleses fosse desalojado! – ambos gargalhamos, mas quando percebemos que era tarde e nos encontrávamos no corredor, fizemo-lo em surdina

- Cê é doida, amô!

- Por ti, só se for… - beijei-o rapidamente – Vá, fecha os olhos!

- Vou fechar! – anunciou e de facto fê-lo, mas quando eu ia para abrir a porta ele espreitou sorrateiramente

- Ei, eu vi isso! Batota não vale, fecha bem!

- Pronto, pronto! – ele cerrou os olhos e eu comecei a fazer caretas na frente dele para confirmar que não estava de facto a ver nada – Então, amô? Ainda demora? – tapei a minha boca com a mão para que ele não ouvisse o riso

- Não, vamos já! – acenei uma última vez na frente da sua cara e abri a porta – Anda…

Fui eu que o guiei até ao interior da luxuosa e agradável suite. Tudo estava do jeito que eu pedira… Haviam pétalas sobre a cama, uma garrafa de champanhe e dois flutes preenchiam o espacinho vazio em cima do aparador da pequena sala, uma taça com morangos, no ar pairava um aroma abaunilhado de incenso e o espaço estava quase às escuras.

- Posso abrir? – perguntou David dominado pela impaciência

- Não, dá-me mais dois segundos! – corri para acender as velas com o isqueiro e apagar as poucas luzes artificiais que restavam acesas na suite

- Amô… Me deixa abrir, pô! Não aguento mais!

- Pronto, já está… - tomei lugar do lado dele, conferindo uma última vez aquele cenário incrível, completado pela enorme janela envidraçada que dava a perfeita visão sob a paisagem marítima que cobria o horizonte

- Já posso?

- Podes, amor…!

Ele abriu os olhos, adormecidos pela escuridão, muito devagarinho, acho que por momentos ele julgou estar a ver mal, tamanha era a beleza do cenário.

- Tá brincando…

- Não, muito a sério! É tudo nosso por esta noite… - dei um beijo no braço dele, pois devido à diferença de alturas, era a única coisa que conseguia alcançar

- Pô, amô… Te amo! – ele uniu rapidamente as nossas bocas, para esconder a emoção que estava a dilacerá-lo de forma indulgente

- Também te amo, muito! – afirmei sorrindo

- Vem, amô… - ele puxou-me até junto do aparador e fez a pressão da garrafa de champanhe libertar-se, para seguidamente o servir nos flutes

Demos um pequeno toque com os copos, sem nunca desviar o olhar um do outro, e o dele, quase que parecia queimar. Percorreu a minha figura com uma intensidade e uma paixão avassaladoramente assustadoras. Bebemos ambos um pouco do champanhe e o travo amargo, combinado com a temperatura cálida do mesmo, fizeram-me arrepiar a espinha.

- Toma, amor… - retirei um dos morangos da taça e dei-lhe metade à boca, para o restante ficar para mim

- Nossa, que gostoso, amô… - ele colou os nossos corpos e beijou-me – Quero ficar assim para sempre…

- Vamos ficar assim para sempre…! – jurei-lhe sussurrando sorridente

Ele deu-me um leve beijo e deu-me um morango para comer.

- Au, me mordeu, amô! – ele riu-se e comeu o pouco que sobrou do meu morango

- Desculpa… - sorri e dei-lhe um beijinho carinhoso no dedo

- Parece um sonho… - murmurou mexendo no meu rosto e afastando os cabelos, que o rodeavam

- Não é, amor… Estou de volta de Nova Iorque e bem aqui na tua frente!

- Não é isso, mô… Parece um sonho cê ter aparecido assim na minha vida e ter tornado ela tão perfeita! Cê é um sonho…

- Sou o teu sonho e juntos estamos a viver o mais belo sonho de amor… - segredei com um sorriso tonto nos lábios

- O melhor sonho do mundo… - ele beijou-me calmamente

Aquilo que começou por ser somente um beijo sereno, acabou por se transformar no impulsionador da intensidade do momento que se seguia. Tínhamos estado dois meses longe um do outro, onde qualquer contacto físico tinha sido nulo, mas nem era isso que nos fazia falta. Não era uma questão de sexo, ou puro prazer… Era uma questão de amar e ser amado, de dar tudo e receber muito mais. Era uma questão de nos entregarmos e nós estávamos dispostos a isso… Cambaleando sobre os seus pés, ele agarrou em mim, até tirar os meus do chão, e levou-me ao colo até à cama. Todo o percurso foi feito, por entre um beijo desmedidamente apaixonado, mas sereno. Queríamos amar-nos, mas sem qualquer urgência ou noção de tempo. Ele pousou-me delicadamente sobre o manto de pétalas que cobria o colchão e sorriu-me carinhosamente.

- Te quero muito, Adriana… - a intensidade com que ele proferiu o meu nome, fez-me estremecer sobre a cama e fez meu coração disparar quase até me sair pela boca

- Eu também, amor… Muito! – confessei já meio ofegante

Apoiado num dos braços, para não me magoar com o seu peso, voltou a fazer dos meus lábios, seus. A minha mão esquerda, desceu da nuca dele, percorrendo toda a espinha, até encontrar a bainha da camisola, e aí a transpor para entrar em contacto com o corpo dele. Ficou somente em contacto com a pele das suas costas, mas ajudou-me a puxar a camisola para cima. Separando momentaneamente os nossos lábios, ele permitiu tirar-lha e atirá-la para o chão do quarto. De forma igualmente delicada, livrámo-nos de todas as peças de roupa que cobriam os nossos corpos e ficámos despojados um para o outro, e finalmente prontos para aquele acto de rendição.

- Posso, amô? – perguntou num tom de respiração acelerada e intranquila

- Podes, amor… Relaxa! – acariciei-o na face direita, pois senti que uma ponta de nervosismo o consumia por dentro

- Desculpa, tô nervoso… - confessou-me com um sorriso desajeitado e envergonhado no rosto

- Não é a primeira vez que estamos juntos, amor… Não tens de estar nervoso! – dei-lhe um beijinho no lábio inferior e senti-o estremecer

- Mas é a primeira vez que estamos juntos em dois meses…

- Nada mudou, o nosso sentimento é o mesmo e a vontade de ser tua só aumenta a cada minuto que te tenho por perto… - ele uniu as nossas bocas e eu não resisti a morder-lhe o lábio inferior carinhosamente – Relaxa, amor… Somos só nós!

- Obrigada, amô… Te amo muito! - voltámos a beijar-nos tranquilamente e senti-o então descontrair

- Eu também… - rematei com um sorriso calmante no rosto

Assim que ele uniu os dois corpos, senti-me novamente a mulher mais amada do mundo e pude ler no seu olhar, que estava igualmente feliz. Fizemos então amor, durante toda a noite, ou pelo menos o que restava dela, e sempre com um enorme sorriso no rosto. Quando os nossos corpos exaustos vacilaram, adormecemos lado a lado, com a certeza de que nos pertencíamos mutuamente, independentemente da distância que o destino nos pudesse impor… e essa era maior do que aquilo que imaginávamos.



 

Obrigada a todos aqueles que não desistiram da fic!
Aqui vos deixo mais um capítulo, espero que gostem!
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Beijinhos
Drii

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Capítulo 109 - Quando o amor não é loucura, não é amor... (Parte III)



Olhei para a pequena Sofia e toda a gente, que me olhavam admiradíssimos, uma vez que me julgavam do lado de lá do Atlântico e com regresso previsto apenas dentro de três dias.

- Quem é? Gente já chega de brincadeira! – refilou o David impaciente

Com as minhas mãos consegui sentir que os olhos dele estavam húmidos e que se tinha emocionado muito com o vídeo e ainda mal ele sabia o que estava para vir. Ele tentou soltar-se, mas como não conseguiu começou a tocar-me muito cuidadosamente e de repente parou todos os seus movimentos, ficando exactamente onde estava, com as mãos sobre as minhas.

- Parabéns, meu amor… - sussurrei junto do ouvido dele até o sentir arrepiado

Rapidamente ele se soltou das minhas mãos, levantou-se bruscamente e acabou dois metros afastado de mim. Os seus olhos verdes estavam esbugalhados e todo ele tremia, como se fosse um menino pequenino acabado de levar um berro. Os seus olhos, que por si só já estavam vermelhos, ficaram completamente rasos de lágrimas e vidrados em mim. Ao vê-lo assim não tive como resistir e acabei por deixar que as lágrimas invadissem também os meus olhos grandes e muito castanhos. Fiquei a olhá-lo, esperando vê-lo tomar uma reacção e apesar de tudo aquilo ter sido uma questão de segundos, a mim pareceu-me uma eternidade, porque sempre que eu e o David estávamos juntos era assim… O relógio abrandava, parava e entrava no tempo, no nosso tempo… Finalmente, dirigiu-se na minha direcção e apenas com duas passadas uniu os nossos corpos, abraçando-me até ficar com os pés fora do chão. Os seus braços envolveram fortemente a minha cintura e os meus o seu pescoço, onde enterrei a cabeça para chorar. Calmamente, os nossos choros acabaram por se misturar, completamente embalados pelo rodopiar leve e singelo dos nossos corpos, imposto por David.
Olhámo-nos, aquilo parecia demasiado irreal e tive de lhe tocar para ter a certeza de que não estava a sonhar. Quando a espera não dava mais para aguentar e a urgência se tornou maior, as nossas bocas uniram-se e as nossas línguas fundiram-se tranquilamente, sem sequer nos importarmos com quem estava à nossa volta. Não sei quanto tempo nos beijámos, mas ele aguentou-me com os pés fora do chão esse tempo todo e quando o beijo findou, regressámos ao abraço apertado, enterrando os rostos no pescoço um do outro.

- Que saudadji, amô… Que saudadji… - sussurrou ele apertando-me para si

- Já passou, amor… Já passou, eu estou aqui! – dei-lhe um beijinho no pescoço e senti-o estremecer completamente

Finalmente os meus pés tocaram novamente o chão e as mãos dele tocaram a minha cara, para confirmarem que era mesmo eu.

- Não tô nem acreditando que é você! Não consigo acreditar! – ele foi abanando a cabeça negativamente e rematou enchendo-me os lábios de beijinhos doces e repenicados

- Podes acreditar… Sou eu, mor! – ele acariciou-me a face direita muito calmamente e com um enorme brilho nos olhos, ainda húmidos do choro

- Porque cê não falou nada? Cê disse que vinha em três dias! E aquele vídeo? E como cê me ligou desejando os parabéns se devia tar viajando para agora conseguir tar aqui? E como cê veio se tá gravando o CD? – ele bombardeou uma série de perguntas, percebi então que estava muito confuso

- Calma, amor… - afaguei-lhe o rosto e muito carinhosamente com os meus polegares enxuguei-lhe as lágrimas – Eu sei que falei que vinha daqui a três dias, mas era porque te queria fazer esta surpresa hoje… Andei a dar no duro para despachar o CD e conseguir chegar a tempo, e quando te liguei estava mesmo, mesmo, quase a embarcar!

- Ai, eu não tô acreditando! – ela esboçou um sorriso lindo de verdadeira felicidade – É mesmo você, muleca! – ele beijou-me vezes e vezes sem fim nos lábios

- Sou, sou eu… - suspirei de encontro aos lábios dele uma última vez antes de nos beijarmos

- Oh casal maravilha! – a voz irritante e sempre, muito pouco oportuna de Ruben, quebrou o momento

- Que quer, ó? – David não me soltou e olhou por cima do meu ombro para ele

- Queria um abraço da minha melhor amiga! Eu sei que és o aniversariante, mas não precisas de te transformar num puto egoísta! – refilou Ruben, forçando um beicinho

- Oh o muleque! Tô feito com você, pô! A namorada é minha, se enxerga, babaca!

- Ei, se a tua namorada está aqui, agradece-me a mim, que a ideia foi minha! – ripostou prontamente e tive vontade de o esganar

- Olha, e se as pessoas hoje vão ter um jantar decente, podem agradecer-me a mim, que do outro lado de lá do oceano tratei de tudo, sim Senhor Ruben Filipe?

Todos os presentes se riram e eu e David aproveitámos para trocar mais um beijo e apreciar o sabor um do outro com toda a calma do mundo. No final compartilhámos um sorriso sincero de verdadeira felicidade.

- Oh meninos, agora vou concordar! Já chega aí do mel, há pessoas que também querem um carinho da pequenita! – refilou a minha doce Paulinha sorrindo

- Paulinha! – soltei imediatamente David e corri para a abraçar fortemente – Que saudades, amor!

- Podes crer! Nem falando contigo quase todos os dias dava para matá-las!

- Não mesmo! – soltámo-nos calmamente e permanecemos de mãos unidas – Mas diz-me, como estás? E o Ro?

- Estou bem… O espanholito anda por aí! – ambas nos rimos e dum canto da sala vi Roberto acenar-me sorrindo, era a maneira de ser dele, sempre discreto e simples – Mas diz-me tu! Porque não disseste que vinhas? Achei que só te podíamos esperar dentro de três dias, enganaste-nos bem!

- A ideia era essa! Quanto mais gente soubesse, mais depressa este menino aqui descobria!

- Ele não desconfiou de nada, que totó! – ambas nos rimos e David teve de intervir

- Amô! Não goza comigo, viu? – um beicinho delineou subtilmente aqueles lábios de perdição

- Ai, não goza comigo, viu? – imitei-o sorrindo e roubei-lhe um beijinho nos lábios, que apagou o pequeno beicinho

- Quer saber? Tô nem aí se cê me goza, desde que esteja aqui comigo! – ele abraçou-se por trás fortemente e rematou com um beijão no pescoço, que me deixou arrepiada desde o topo da espinha até à planta dos pés

- Bem, agora que a princesa de Nova-Iorque aqui está, vamos masé comer que eu vim do treino e para trazer este otário, nem comi nada! – desabafou Ruben esfregando a barriga de forma a consolá-la

- Ruben Filipe, comporta-te! – a Inês deu-lhe uma belinha na cabeça e todos se riram, mas ainda assim seguiram-no até à mesa do jantar

- Oh minha filha, que linda que cê tá! – a Dona Rê que ficou para trás comigo e com David, abraçou-me – Mas tá mais magrinha! Se alimentou direito?

- Sossegue, Dona Regina… Eu estou bem! De volta a casa, sã e salva!

- Mas tá mais magra, se nota na sua cintura, nas suas pernas!

- Um quilo ou dois, nada de especial! Isto é falta de amor do seu filhote! – o David voltou a enlaçar a minha cintura e a puxar-me para o corpo dele

- Sabe como é, mamãe, sem meu amor essa muleca, não é nada! – ele pousou a cabeça no meu ombro direito

- Olha o convencido, hã? Tô feita ao bife contigo, jeitoso! – estiquei a mão e com sorte ainda lhe consegui acertar de raspão nos caracóis

- Realista, meu anjo! Re-a-lis-ta! – ele repenicou-me a face direita, à medida que proferiu as sílabas da palavra

- Vá, meu filho, larga do mel e vamo’ comer que tá todo o mundo esperando…

- Sim, todo o mundo! – reduzi a minha forma de falar à deles os dois e senti o David derreter, pois amava ouvir-me falar assim

- Vamo’! – quando seguíamos os três, ele deixou a mãe tomar avançou e acabou por me puxar atrás

- Olha aí, temos de ir… - resmunguei totalmente arrepiada por sentir a respiração quente dele no meu pescoço

- Tava morrendo de saudade… Sou o homem mais sortudo do mundo por te ter! – confidenciou-me à medida que os seus lábios macios percorreram cada milímetro da pele da minha nuca

- Estás a exagerar… Não fiz nada demais! Simplesmente limitei-me a vir mais cedo, porque me foi possível, fi-lo de coração!

- Eu sei… Diz que me ama, tô louco pra ouvir isso há dois meses!

- Que te amo, é? – sorri, fora do perímetro de visão dele e quando me virei de frente para ele, desfiz o sorriso

- Sim, que me ama… Diz, diz, tô morrendo de saudade!

- Eu… Adriana Vale, amo-te… - sussurrei pertinho do ouvido dele, motivando-o a fechar os olhos para absorver a magia e sinceridade de cada palavra sussurrada perto de si

- Como é bom, meu Deus! – ele permaneceu sem me ver, mas um sorriso majestoso delineou-lhe os lábios e a sua cabeça abanou negativamente de um lado para o outro

- Eu amo-te… Amo-te… Amo-te… Amo-te… - ciciei vezes sem conta adunada ao pescoço dele

- Também te amo, meu amô… Mais que tudo nessa vida!

Encarámo-nos uma vez mais, os nossos lábios encontraram-se e um sorriso totalmente apaixonado, assomou em nossos rostos.

- Davi’, Adriana, venham! – chamou a mãe dele já sentada do lado do Sr. Lau

- Tamo’ indo, mãe! Tamo’ indo… - ele deu-me a mão e um último olhar foi trocado, nós sabíamos o que ele queria dizer…


***


O jantar foi uma animação total, mas reparei que a pequena Sofia, nem sequer tinha tocado na comida e o seu olhar estava tolhido no nada.

- Sofiazinha… - chamei com um sorriso, mas ela não me ligou nenhuma – Sofia…

- Que quelhes?! – o seu tom de voz saiu surpreendentemente ríspido, para uma pequena de somente três anos e que por hábito era sempre extremamente doce

- Oi, tá falando assim porquê, filha? – a Brenda entrevei-o, mas eu achei totalmente desnecessário

- Deixa, Brenda…

- Não deixa nada, Adriana! Essa não foi a educação que a gente lhe deu! Falou assim porquê, minha filha?

- Porque ela não gosta mais de mim! – respondeu com os olhos rasos de lágrimas

- Gosto, meu amor… Claro que gosto!

- Não, não gostas! Chegaste e foi só beijinhos ao Calacolhe, à Pauwinha, ao Ruben e nada pa mim!

- Oh meu doce, anda cá… - ela saltou imediatamente da cadeira e correu para mim, onde a acolhi no meu colo – A madrinha ama-te muito! Tenho miminhos e amor para toda a gente!

- Tens mesmo? – ela ocupou-se a puxar e a torcer as pontas dos meus cabelos cacheados

- Tenho! Olha, um montão! – enchi-a de beijinhos, até ela não aguentar mais e se desmanchar em gargalhadas – Viste? Tenho ou não tenho?

- Tens, Inha, tens… Descu’pa!

- Não faz mal, meu amor…! – demos um selinho rápido nos lábios

- Olha que o Calacolhe fica com ciúmes!

- Não te preocupes, ele já está habituado! – a menina soltou uma gargalhada aguda e sonora, mas completamente deleitosa

- Podes dar miminhos ao David, eu shaio, mas depois quero-te um dia só para mim!

- A gente faz assim, pequenininha! Cê me libera a sua madrinha agora, e depois eu te pego para cê passar um dia connosco, passear, comer sorvete, jogar videogame e dormir lá em casa, tá bom assim? – o David propôs-lhe algo totalmente irrecusável

- Tipo uma festa?! – a menina arregalou os olhinhos – Shiiim! Hoje, calacole! Hoje!

- HOJE?! – o David arregalou também os seus e pela sua cabeça deve ter-lhe passado o mesmo que na minha: era tempo de matar saudades…

- Shim! Shim! Shim! – a pequena bateu palminha toda alegre e satisfeita

- Oh amor, hoje não pode ser… A madrinha está cansada, tem de descansar da viagem! Para a semana, pode ser?

- Oh… Tá bem, pode… - ela fez uma expressão de desalento e regressou ao seu lugar

- Oh Sofia, não fiques assim… Hoje há festa na mesma, só que a festa é outra! – brincou Ruben com um sorriso safado

- Cala a boca, Ruben! – atirei-lhe com um guardanapo de pano à cabeça e o danado, conseguiu escapar-se e ainda gargalhou que nem um perdido

- Oh tia Rê e tio Lau, isto hoje promete! Cheira-me que daqui a nove meses têm um netinho!

- Ruben Filipe, calas-te? – perguntei irritada, mas mais do que isso, envergonhada

- Que é? Vais dizer que ao fim de dois meses separados, vocês vão passar a noite num hotel a contar carneirinhos para adormecer, queres ver?

- Hotel, amô? – o Ruben tinha dado cabo da surpresa e naquele momento, era certo que o ia matar

- Obrigadinha, Ruben! – refilei entre dentes

- Eish, desculpa! Esqueci-me que era surpresa…

- Desbocado d’um raio! – praguejei extremamente chateada, pois agora a surpresa tinha perdido toda a graça

- Não fica assim, amô… Eu finjo que não lembro do que ele falou! – o David tentou animar-me, pois a situação tinha-me levado a ficar com uma expressão clara evidente de desprazer

- Oh! Não vale a pena David, este parvo estragou tudo!

- Eu não sei que hotel é, amô! Nem sei que mais cê preparou pra gente! Esquece isso! Não tem mal, boneca… - ela segurou-me pelo queixo, até ficarmos olhos nos olhos

- Tem mal sim… Era uma coisa nossa! – ele deu-me um selinho curto nos lábios, que estavam unidos num ténue beicinho

- Shiu… Esquece isso, sim? – o toque dele no meu rosto, levou-me rapidamente a formar um sorriso embalado na ternura do meu sentimento por aquele homem

- Sim, mor! – beijámo-nos rapidamente e somente nos lábios, pois tínhamos uma mesa de mais de quarenta pessoas em nosso redor

O restante jantar foi calmo e claro, como não podia deixar de ser foi o pagode do Luisão e da turminha a animar a pista de dança. Desta vez até jogadores como Cardozo, Saviola e Salvio, se agitavam na pista, sob as lições dos brasileiros.

- Mulherada que dança é essa, que o corpo fica todo mole? Mulherada que dança é essa, que o corpo fica todo mole? É uma dança nova, que bole, bole, bole, bole! É uma dança nova, que bole, bole, bole, bole! – enquanto dançava na pista de dança, junto das meninas, senti uns braços apertarem-me por trás e arrastarem-me para fora dali

- Amor?! – chamei rindo, mas nem assim ele parou para me soltar

- Agora é minha! – ele levou-me até à sala dos cabides, onde os convidados depositavam as suas coisas

- Estamos aqui a fazer o quê, seu doido? – perguntei ao vê-lo fechar a porta

- Viemos dar assim uns beijinhos… - ele segurou-me o rosto com uma mão e a cintura com a outra, para facilitar a tarefa seguinte de unir as nossas bocas

As nossas salivas misturaram-se calmamente e o ritmo do beijo foi ditado por David, que primeiramente se manteve sereno e relaxado, mas depois agiu de forma diferente, tendo a sua língua viajado dentro da minha boca a uma velocidade estonteante e completamente apaixonada.

- Amor, vou ficar sem ar assim… - sussurrei por entre beijinhos

- Deixa ficar, depois te faço respiração boca-a-boca! – não me consegui controlar e acabei por gargalhar perante aquele sorriso traquina de miúdo – Que é? Não vai querer minha respiração boca-a-boca?

- Vou, claro que vou! – segurei-o pelos colarinhos e daquela vez, fui eu que comandei mais um dos beijos, mantive-me calma e pacifica, mas demonstrei o quanto o queria e quanto o amava – Vão dar pela nossa falta, vamos… - tentei passar mas ele puxou-o de encontro a uma parede e barrou-me a passagem

- Ninguém vai dar pela nossa falta… Tá todo o mundo dançando, amô! – a mão dele realizou uma trajectória curva pela minha face esquerda

- Oh mor, claro que vão! Além disso é a tua festa de aniversário, não tem sentido não estares presente… Namoramos lá!

- Oh, lá fica todo mundo mandando boquinhas do nosso mel e não posso te namorar como eu quero!

- Oh mor, podes claro que podes! – sorri levemente

- Não posso, não! Lá não posso te beijar e agarrar do jeito que eu quero!

- Podes, mor! Sou tua namorada, eles sabem disso, logo podes tudo…

- Acha que eu posso fazer disso lá? – ele segurou-me pelos glúteos apertando-os, colou o seu corpo ao meu com um ímpeto alucinante e beijou-me descontroladamente

- Não, isso não podes… - uma respiração ofegante abandonou os meus lábios e abarcou os dele, devido à distância que era imposta às nossas bocas, pelas testas unidas

- Ah então afinal não posso te namorar do jeito que eu quero! – voltou a beijar-me de forma mais calma, mas sem nunca soltar o meu corpo, que mantinha tenso e colado ao seu

- Tens tempo de me namorares assim depois…

- E as saudadjis? Cê aguenta elas? É que eu tô morrendo pelos seus miminhos, amô…

- Olha, quando sairmos daqui, garanto-te que vais ter tudo aquilo a que tens direito e muito mais! Vais namorar-me assim, vais namorar-me como tu quiseres, mas agora temos de voltar…

- Oh, mais cinco minutinhos, por favor…

- Dê, agora é mais cinco, depois mais cinco, depois mais cinco, e entretanto passámos aqui o resto da festa!

- Que importa? Que se dane o mundo, eu só quero você! – voltou a beijar-me e não lhe consegui resistir

Quando dei conta estava totalmente mergulhada no nosso mundo, podia ser pequeno e somente transponível a nós dois, mas era nosso, era especial, e era isso que fazia dele, o melhor mundo para se viver.
Ele encostou-me delicadamente a uma parede e enquanto os nossos lábios permaneceram unidos, as suas mãos devanearam pelo meu corpo energicamente.

- Mor, calma… Pode entrar alguém… - relembrei, quando senti a mão dele escapulir-se para debaixo da minha camisola

- Não vai entrar ninguém, amô… Te garanto! – ele cravou a cabeça no meu pescoço e preencheu-o de leves dentadas

- Ai, Dê… - fiquei absolutamente arrepiada e com algumas cócegas – Vou ficar toda marcada!

- Não importa, amô! Cê é minha, tô só marcando o que é meu! – nem o meu aviso o fez parar e sinceramente, nem eu queria que ele parasse, as saudades eram mais que muitas apesar daquele não ser o sítio indicado para as matar, mas eu tinha uma bela noite reservada para nós…




Obrigada a todos aqueles que não desistiram da fic!
Aqui vos deixo mais um capítulo, espero que gostem!
Não se esqueçam de comentar, pois é muito importante saber o vosso feedback! :)
Beijinhos
Drii