O final do campeonato aproximou-se a uma velocidade assustadora, pois eu nem dei pela contagem final até ao jogos e no segundo sábado de Maio, jogou-se a penúltima partida. O Benfica jogou fora e tinha a possibilidade de se sagrar campeão frente ao Futebol Clube do Porto.
- Toma cuidado, amô… Não quero que nada de mal te aconteça! – alertou-me David enquanto percorria o corredor do hotel, onde estavam hospedados, do seu lado
- David, eu sei! Não é o primeiro jogo que vejo nas Antas! Relaxa, vai tudo correr bem…
- Tem certeza?
- Absoluta!
- Pronto, pronto! Não vou dizer mais nada então! – ele sorriu, mas percebi que um inquietante estado de nervosismo se apoderava dele
- Olha pra mim… - segurei o seu rosto entre as minhas mãos e fixei os nossos olhares – Vai tudo correr bem, eu prometo!
- Eu sei, obrigado, meu amô! Vou fazer de tudo pra gente ser campeão!
- Senão forem hoje, serão no próximo jogo… Está escrito assim, é esse o nosso destino! Seremos sempre eternos campeões, é essa a mística encarnada!
- Amô, confessa! Cê anda espiando as palestras do Mister Jesus! – partimo-nos os dois em gargalhadas estridentes no meio do elevador
- É, amor! É isso mesmo! – ele beijou-me calmamente, mas teve de interromper a nossa união, pois o elevador deu sinal e alguns jogadores e respectivas namoradas e esposas, juntaram-se a nós
Uma amálgama de línguas e pronúncias juntaram-se no ar, formando um burburinho exaustivamente confuso de descodificar, mas na verdade nem me dei ao trabalho de o fazer. Aquilo era o plantel benfiquista, puro e genuíno. Não eram os jogadores, os defesas, os avançados, os médios… Eram os homens, os pais, os filhos, os namorados, os esposos, os seres humanos… Nervosos, fracos e muitos deles a um ínfimo passo de realizar um sonho de anos e anos de vida, o que era o caso do meu David. Uni as nossas mãos e apenas as separei, quando na saída do hotel, ele teve de enfrentar uma multidão de adeptos, o que me pareceu bastante incoerente uma vez que nos encontrávamos em pleno centro da cidade invicta. Demos um beijo leve e longe de olhares indiscretos, especialmente dos dos fotógrafos e jornalistas, e ele seguiu o seu caminho no autocarro da comitiva encarnada, rumo ao estádio do dragão.
- Vamos? – perguntou Paulinha, que se aproximou de mim sem eu dar conta e logo após se ter despedido, também de Roberto
- Sim, vamos… - respondi com um sorriso, agora já nervoso
Não quis dar parte fraca na frente de David, mas mais do que naquele estado pelo meu Benfica, estava-o por ele… Porque sabia que naquela noite tinha hipótese de realizar um sonho e que de certa forma iria ficar desiludido se tivesse de o adiar por mais uma semana. Fomos no meu carro, mas sob a condução de Paula, que era sempre muito prudente e cuidadosa. Os nossos lugares estavam assegurados no camarote, pois de outra forma, David e Roberto nunca nos teriam deixado assistir, tendo em conta o elevado grau de risco ao qual o jogo estava submetido.
“Amor, vai com toda a garra, todo o esforço, vais arrasar! No final estarei à tua espera nas garagens da Luz, Amo-te!♥” – enviei-lhe uma última SMS, já depois do aquecimento e sei que ela a viu, apesar de não ter respondido
Mal entrou em campo foi a mim que o seu olhar procurou e rapidamente me encontrou, junto da tribuna presidencial, com Luís Filipe Vieira, Rui Costa e outros dirigentes desportivos de ambos os clubes. Detestava aquele tipo de formalismos, mas David só conseguiu aqueles lugares e como eram os únicos seguros tive de me sujeitar, mas pelo menos tinha a minha Paulinha para conversar e desabafar. O apito inicial foi dado pelo árbitro Olegário Benquerença, o que despoletou em mim, um estado inicial de concentração máxima. O David estava a marcar Hulk, ele era um peso bruto e violento, o que me deixou de coração nas mãos durante os noventa minutos. Infelizmente o Benfica não conseguiu levar para Lisboa o titulo de Campeão Nacional, pois apesar da época mediana, o Porto apresentou-se extremamente forte e organizado naquela noite.
Todos saíram de campo derrotados, apesar de terem alcançado um justo e merecido empate. Antes que a confusão se alargasse eu e a Paulinha, descemos às garagens e entrámos no meu carro, directas para Lisboa. Chegámos lá muito tarde, mas o senhor da portaria tinha ordens específicas para nos deixar aguardar no piso subterrâneo destinado ao estacionamento a chegada do autocarro da comitiva benfiquista.
- Bolas, eles estão a demorar… - reclamou Paulinha, apesar da impaciência não ser um dos seus defeitos
- Calma, já devem estar quase a chegar…
- Disseste isso há uma hora atrás!
- Eu sei… - torci o nariz como que pedindo desculpa, mas infelizmente não tinha o dom do condão e nem David, nem Roberto respondiam às nossas mensagens ou telefonemas
- Vou lá acima perguntar se sabem alguma coisa, ou se se passou algo…
- Vou contigo! – ofereci-me imediatamente, pois vindos da cidade do Porto, eu já tremia de preocupação temendo o pior
- Não… Fica aí para o caso deles chegaram! Eu não demoro nada! – disse com um sorriso
- Ok, tudo bem… Volta rápido! – pedi dando-lhe um beijinho no rosto
- Volto, pequenina… Volto já já! – ela saiu na direcção do elevador e deixou-me ali, à espera de um sinal deles
Ao fim de cinco minutos da sua ausência, um BMW preto deu entrada nas garagens, pelo modelo e depois pelos vidros fumados, vi que era Luís Filipe Vieira e o Rui Costa, que seguiam em amena cavaqueira.
- Sim, precisamos definitivamente de começar a analisar propostas… - elucidou o presidente
- Claro… Já temos algumas em cima da mesa em relação a esses quatro jogadores… - eles saíram do carro conversando e nem deram pela minha presença
- Sim, mas os dois negócios mais significativos são sem dúvida o do Di Maria e o do David … Vão ajudar bastante nas contas encarnadas!
- Sim, e há clubes que estão só à espera da consagração do campeonato para avançar com propostas também…
- Já contactaste com algum dos empresários deles?
- Sim, contactei com o empresário do David, mostrou-se disponível a negociações e diz que qualquer oportunidade que surja, boa para o David e para o clube será com toda a certeza analisada… - revelou Rui Costa com um ténue sorriso
- Então parece-me que se o Real Madrid mantiver a proposta em cima da mesa e nenhum clube a superar, temos negócio! – concluiu Vieira com uma extrema satisfação na voz e esfregando as mãos, pois podia já adivinhar o dinheiro que David faria render aos cofres da Luz
O meu coração mirrou, o meu pior pesadelo estava diante dos meus olhos e nunca desejei tanto, que o Benfica falhasse a sagração do campeonato. Sem eu dar conta, os meus olhos ficaram rasos de lágrimas, porque eu queria o melhor para David, era mais do que óbvio e certo, mas ele não se podia ir embora naquele momento… Não naquele momento, quando eu ainda não o podia acompanhar, ou pelo menos não tinha capacidade, nem maturidade para isso. Finalmente aqueles dois deram pela minha presença e silenciaram-se imediatamente.
- Boa noite, Adriana… - cumprimentou Rui, sempre bem-disposto
- Boa noite… - correspondi, fazendo um enorme esforço para não deixar nenhuma das minhas lágrimas egoístas cair
O Presidente não se pronunciou como já era hábito e entrou no elevador de acesso ao piso superior acompanhado por Rui. Foi esse mesmo elevador, que um minuto depois me devolveu Paula, radiante e correndo na minha direcção.
- Estão a dar entrada no estádio, vêm aí! – anunciou aos saltinhos, mas a sua expressão rectificou-se ao ver-me de olhos rasos - Que foi, Adriana? Que aconteceu? – perguntou-me com uma extrema preocupação e cuidado
Não lhe consegui responder, pois o autocarro deu entrada no recinto e estacionou bem na nossa frente. Um a um os jogadores começaram a sair e um pouco mais animados apesar da derrota.
- Paula, vou à casa de banho, se o David perguntar por mim diz-lhe isso… - solicitei muito rapidamente
- Mas vais mesmo, ou vais embora? – inquiriu totalmente confusa, pois não era do seu domínio o assunto que me tinha deixado naquele estado
- Vou, vou mesmo… Diz-lhe que se quiser pode ir andando, e depois encontro-me com ele na sua casa…
- Que se passou para estares assim? – perguntou-me arqueando a sobrancelha
- Depois explico-te, agora tenho de ir… - anunciei assim que senti as primeiras lágrimas correrem-me o rosto e David a cruzar a porta do autocarro
Corri até ao elevador, pressionei o botão vezes e vezes sem conta na esperança de que este chegasse mais depressa, mas obviamente que não surtiu efeito.
- Cadê, Adriana? – ouvi a voz de David sumida e assim que as portas se abriram na minha frente, entrei e dei ordem de subida
Não necessitava de ir à casa de banho, mas somente de estar sozinha e chorar tudo o que tinha a chorar. Sentei-me no chão do W.C, levei os joelhos ao queixo, encolhida sobre mim própria, e deixei que as lágrimas atravessassem o meu rosto de forma silenciosa e sem qualquer preocupação em ser apanhada. Mas quanto mais pensava na ideia de ver David partir para outro clube, mais o meu choro se intensificava, acabando mesmo por se tornar desesperado. Chorei compulsivamente durante alguns minutos até que ouvi passos no corredor.
- Ela disse pra você que vinha à casa de banho? E não especificou qual? Só esse piso e essa área, têm mais de seis! – reconheci imediatamente a voz do meu namorado
- Oh David, não disse… Ela disse só que vinha, mas era rápida! Vamos esperar…
- Não vamo’ nada… Tô sentindo que algo não tá bem! Vai procurar ela…
- EU?! - o tom de voz de Paulinha subiu vertiginosamente
- Claro você, cê é que é a mulher aqui, Paula!
- Eu não vou andar a vasculhar as casas de banho todas do estádio, não tem sentido nenhum!
- Deixa de ser tola, são só essas daqui…
- São “só” seis! – ironizou a minha Paulinha e tive vontade de rir, pois a forma que ela estava a usar para me proteger era comicamente enternecedora
- Bolas, qual é o vosso problema? São casas de banho de gajas ya, e daí? Não há ninguém no estádio sem sermos nós! Não vão vocês procurá-la, vou eu! – a voz determinada de Ruben, fez-me estremecer e dar um pulo muito rápido do chão, para passar água nos olhos
- Tá doido, manz?! É a casa de banho das mulheres… - alertou, o sempre correcto, David
- E daí? Aposto que vou encontrá-la em menos de nad… - ele não precisou acabar de falar, pois a porta da casa de banho abriu-se e ele apanhou-me com os olhos vermelhos de tanto chorar – Adriana… - murmurou baixinho
- E aí, manz… Encontrou? – o David gritou, mas eu fiz sinal a Ruben para que ficasse em silêncio
- Espera, vou procurar… - anunciou sem nunca tirar os olhos de mim e deixou a porta fechar-se – Que se passou? – inquiriu já junto do meu corpo e passando as mãos nos meus cabelos
- Nada, Ru… Estou só com uma daquelas minhas alergias…
- Adriana, não sou parvo! Já te conheço, diz-me lá a verdade… - pediu enxugando os últimos vestígios de lágrimas que ainda residiam na minha face
- Ai, Ruben… Sinto-me tão ridícula por estar assim! – confessei baixando o olhar
- Ei, ridícula porquê? Alguém te fez mal? Foi aqui no estádio? Foi no estádio dos porcos? Tu diz-me que eu resolvo tudo! – ele prontificou-se à minha defesa, mas na verdade não havia nada que ele pudesse fazer, para evitar uma das piores desgraças da minha vida
- Não… Ninguém me fez mal! Ninguém, senão o ganancioso do Presidente do nosso clube! Às vezes até tenho vergonha de lhe chamar isso… - afirmei revoltada
- Que te fez ele? Disse-te alguma coisa por causa dos lugares nos camarotes das Antas?
- Não, antes isso… Mas ouvi uma conversa dele com o Rui acerca da venda dos jogadores agora na abertura do mercado! Acho que eles não me viram, estavam a conversar descontraidamente e infelizmente ouvi o que não quis…
- O que eles disseram?
- Falaram sobre dois casos específicos, um deles o David… Dizem que já têm propostas em cima da mesa, uma delas do Real Madrid… - tentei acabar de falar, mas o Ruben interrompeu-me
- O REAL MADRID? – falou entusiasmado
- Shiuuu! Fala baixo! – ordenei bichanando – Sim, o Real Madrid e até agora é a melhor… Quando se sagrarem campeões as ofertas vão subir de certeza, pelo menos estão ambos plenamente convictos disso!
- O Real Madrid é óptimo, o David vai tripar com a ideia! – revelou com um enorme sorriso
- O David não pode saber, aliás, nem eu devia saber… Se bem que se o empresário dele sabe, o David com certeza já não está “às escuras” em relação ao assunto…
- Se ele soubesse de alguma coisa já tinha comentado comigo pelo menos… Falamos muito acerca do assunto e ele diz que está feliz no Benfica!
- Ele está feliz onde lhe derem mais dinheiro… A ele e ao Presidente!
- Não sejas assim… Sabes muito bem que o David ama a camisola que veste!
- Sim, ama… Mas a vida dele não será para sempre no Benfica! – assumi imediatamente
- Então se sabes isso, porque é que estás nesse estado? Porque é que estiveste a chorar?
- Ruben, queres mesmo que te faça um desenho? Não vês, que se ele se for embora, a nossa relação acaba?
- Oh Adriana, as coisas não são bem assim…
- As coisas são exactamente assim, Ruben!
- Não são… Só são, se vocês os dois entenderem!
- Eu não posso acompanhá-lo, não agora… Tu sabes disso! Também tenho os meus sonhos, as minhas ambições, os meus planos, e eles estão todos em Portugal!
- Tá bem, mas não podes condenar já a relação sem pelo menos tentarem…
- Se tentarmos isto vai acabar da pior maneira e vamos acabar por nos odiar…
- Adriana, há relações há distância! – ele tentou parecer convincente, mas sinceramente não acreditei numa única palavra do que ele disse
- Ya, ya! Primeiro convence-te tu disso e depois aí falamos… - enxuguei as mãos e coloquei o papel no caixote do lixo
- MANZ? – a voz de David ecoou pelo recinto quase em encerramento
- VOU JÁ! – gritou bem na minha frente
- Vamos, ele vai desconfiar…
- Adriana, vais ter de falar com ele… Conversarem…
- Não vou falar com ele, Ruben… Vou magoá-lo, porque estou a ser egoísta!
- Ele é bem capaz de recusar qualquer proposta para ficar no Benfica, ele é feliz aqui: no clube e em Portugal! A sério que sim… Até porque ele nunca te iria deixar ficar para trás, conheço-o e sei que o que sente por ti, nunca sentiu por ninguém com tamanha intensidade…
- Não tenho dúvidas algumas de que é feliz, mas ele aspira a mais e a oportunidade vai bater-lhe à porta, há que aproveitar… Faz-me só o favor de não comentares nada com ele…
- Não, podes confiar, mas pensa bem no que vais fazer, piolha… Não deites tudo a perder antes de uma decisão final, sim?
- Sim, podes ficar sossegado, quando o tempo chegar, logo pensarei nisso, isto foi só o choque inicial…
- Vá, anda cá, minha chocadinha! – ele brincou, aninhou-me nos seus braços e conseguiu animar-me um pouco
Seguimos os dois lado a lado, até encontrarmos David, Paula e Roberto no corredor de acesso às casas de banho, à nossa espera.
- Estava vendo que não! – barafustou David, mas um sorriso delineou-lhe os lábios assim que me viu surgir junto de Ruben
- Calma… Pusemo-nos na conversa e esquecemo-nos que vocês estavam cá fora! – Ruben tranquilizou-o com palavras serenas e eu fi-lo com os meus lábios nos seus
- Tava cheio de saudadji, amô… Não me tava esperando lá em baixo…
- Eu estava, mas necessidades fisiológicas, tenho uma bexiga pequenina! – brinquei rindo
- Cê sabe que isso é um dos sinais de gravidez? – relembrou-me, entusiasmado, um assunto que já estava esquecido na minha memória há semanas, apesar de estar com um atraso
- Sei, David… Sei… - tive de forçar um sorriso, pois de facto poderia estar grávida e a saída dele tornara-se inerente
- Adriana… - a voz de Rui Costa invadiu o nosso espaço
- Sim?
- Posso falar contigo um instantinho?
- Claro…
- A sós…
- Com certeza… - dei um selinho em David, que nos olhou com estranheza e afastei-me o suficiente para que ninguém pudesse ouvir a conversa
- Ouve, não sei se ouviste o que foi dito lá em baixo, mas com toda a certeza o fizeste e preciso de pedir-te que te mantenhas em silêncio, tanto com David, como com qualquer meio de comunicação social… Não pudemos criar buracos de fuga de informação no clube! – tive vontade de me rir, pois se havia coisa que o meu clube tinha em demasia era buracos para fuga de informação, mas aquilo até tinha uma certa ironia
- Não se preocupe, irei manter a maior descrição possível! Qualquer negócio será comunicado em primeira mão a David, pois eu não tenciono dizer nada…
- Obrigado, é importante para a estabilidade dele para o próximo jogo e para a equipa em geral…
- Sim, eu compreendo… - concordei com alguma indiferença
- Bem, é só… Obrigado pelo teu tempo…
- Nada que agradecer, sempre às ordens! – ironizei, dando a entender que tudo naquele clube seguia as ordens de “descrição” do senhor Luís Filipe Vieira, o que era com toda a certeza um desses casos
- Boa noite… - Rui rodou nos seus próprios calcanhares e iniciou um percurso inverso, na direcção do gabinete da presidência
- Rui, desculpe… - chamei à atenção dele, fazendo-o parar a três metros de distância – Vai mesmo acontecer, não vai? – referi-me directamente à venda de David naquele mercado e a expressão dele tornou-se de pesar
- Lamento, Adriana… Tem uma boa noite… - esboçou um sorriso ténue e deixou-me ali no corredor, na tristeza de um “sim” cem por cento certo, que deitou por terra todos os meus sonhos para a nossa relação.
- Amô!
- Diz… - respondi a David, assim que me aproximei deles
- Que queria ele?
- Sabes se a viagem de regresso tinha decorrido sem qualquer incidente… É muito simpático! – forcei um sorriso, que apesar disso, surgiu completamente natural
- Hum, tá bom… Vamo’ embora pra casa então?
- Vamos, mas eu hoje vou dormir a minha casa… - declarei, pois no meu estado não iria conseguir partilhar o mesmo espaço que David, quanto mais a mesma cama
O casal presente e Ruben, perceberam que uma conversa de casal se adivinhava e começaram a andar na direcção do elevador, para nós os seguirmos.
- Como vai dormir na sua casa? – inquiriu com uma confusão inquietante nas expressões
- Vou dormir na minha casa, no meu quarto, na minha cama…
- Hum, isso é um convite, mô? – questionou sorrindo angelicalmente
- Estou cansada, David… - foi uma nega simples e curta, mas de fácil mensagem para David, pelo menos assim penso devido ao rumo que a conversa tomou
- Ah, não se preocupa, tenha uma muito boa noite! – afirmou num falso sorriso de felicidade
- Ei, não hajas assim… Se queres assim tanto eu vou dormir contigo ou vens tu dormir comigo na minha casa…
- Esquece, já entendi que não quer minha companhia!
- Não é não querer a tua companhia, mas estou cansada… Não te ia conseguir dar atenção nenhuma!
- Pô, não te tô nem pedindo pra transar, tô pedindo uma noite dormindo do seu lado, nos seus braços! – ele elevou ligeiramente o tom de voz, o que fez com que Paula, Roberto e Ruben ouvissem, para grande constrangimento de todos
- Fala baixo, por favor…
- Ahhh, agora como é pro seu lado, é “fala baixo, por favor…” Ah, me poupe, Adriana, otário é coisa que eu não sou!
- Bolas, David… Estás a ser infantil agora, o que é que te custa aceitares que preciso de descansar?
- E o que é que custa a você aceitar, que quero descansar do seu lado?
- Pronto, então descansas do meu lado, está decidido… Vais no teu carro, eu no meu e encontramo-nos na tua casa!
- Nossa casa… Nossa!
- Tua, ela é tua!
- É nosso cantinho… Tô muito farto de discutir isso com você!
- Então é fácil, não discutas! Cala-te e não digas mais nada!
- Tá bom…
Descemos os cinco no elevador, num silêncio profundamente arrebatador, especialmente para o meu coração. Quando alcançámos as garagens despedimo-nos todos uns dos outros e cada um seguiu para os respectivos carros. À saída o de Ruben parou do lado do meu e ambos abrimos os vidros.
- Adriana, vai com calma… Ele não sabe de nada e não tem a culpa!
- Eu sei, Ruben… Mas preciso do meu espaço, de estar sozinha e ele não compreende isso, porque não sabe de nada…
- Por isso não o podes culpar…
- E não culpo, mas não me culpes a mim, por estar a tentar digerir isto da melhor maneira que posso e magoando o menor número de pessoas possível…
- Lembra-te só de uma coisa, o essencial é não magoares a pessoa-chave no meio disto tudo…
- Eu sei, dele cuido eu, não te preocupes… Até amanhã…
- Até amanhã… - subi o vidro do meu carro e ele deu-me prioridade para passar na sua frente, rumo à saída
Entrei directa na estrada que ligava o Estádio da Luz a casa de David, mas pelo caminho ainda fiz um desvio parando na bomba de gasolina da 2ª circular, para me deliciar com um CBO, pois não comia nada desde as cinco da tarde e o relógio já marcava as três da manhã. Quando me senti totalmente saciada e de pensamentos mais calmos e claros, retomei o percurso em direcção a casa dele, sem saber bem o que esperar…
Obrigada a todos aqueles que lêm a minha fic e comentam, pois os comentários são sempre um enorme incentivo!
Aqui vos deixo mais um capítulo, espero que gostem!
Não se esqueçam de comentar, pois é muito importante saber o vosso feedback! :)
Beijinhos
Drii ♥
15 comentários:
Olha minha menina... apesar de saber assim por alto o rumo da história... aviso que ainda assim continuo super curiosa... ainda me matas um dia!!! LOL
Quero mais, à e p n variar está excelente :)
beijos
Opah está tão lindoo este capitulo (aliás como todos os outros) :b Sabes sempre surpreender e colar um leitor ao ecrã do pc, com o teu talento e imaginação! :)
Mal posso esperar para ler a continuação, minha linda!
Beijãooooo **
Juca <3
O capitulo está fixe, aliás, como sempre, só não gostei da maneira como falas-te do presidente do Benfica, acho que ele tem realizado um excelente trabalho e não merece que escrevam isso sobre ele. Peço desde já desculpa se não concordarem, mas é apenas a minha opinião. De resto está irrepreensível. xD
mais uma vez fantastico...
quero mais...
continua...
Oooii leio desde o início , está lindo dms , mais não está acabando não né ?
Diz que nãão *-*
Bjoos&Bjooos
Continuuuuuuuuuuuuua ;D
Tá muito bom, estou a ver k vai haver acçao, já tinha saudades daqueles capitulos mais dramaticos :P
E também já tinha saudades do Ruben :D tenta coloca-lo mais vezes, se puderes claro :D
Beijinhos
Nini
Está tão lindo +.+
Escreves tão bem ^^
Estou super curiosa, continua...
Beijinhos :)
cê nem me avisó, minina, bem! #
tá lindo, já tji tinha falado!
tji amo, muito! beijozão, mó! <3<3<3
Olá :)
Bem sou uma leitora assídua, mas poucas vezes comento, desculpa :x. Mas é qe chego a um ponto que não encontro palavras para escrever sobre os teus capítulos, sem ser que são fantásticos e qe me colam ao ecrã com uma força indescrítivel! Continua com o optimo trabalho pq eu pelo menos, adoro!
Beijinhos
Escusado será dizer que adorei ... Por mim passava o dia todo a ler capitulos da tua fic!
Fico à espera do proximo ;)
Bjs
Cada vez gosto mais, a sério +.+
Está lindooo , estou ansiosa por ler mais (:
Bem, mais uma vez o capítulo está maravilhosamente fantástico.
Gostei de como falas do presidente do Benfica (afinal eu sou uma Sportingista ferrenha, o que não impede que goste dos jogadores do Benfica).
Sinceramente, a gravidez dela parece evidente pelo que tu disseste, ainda para mais que ele está prestes a ir embora..
Só te peço para não os separares nem sequer penses em acabar com a relação deles, o meu coração não aguenta :s
Beijinho ***
olá minha querida! :)
gostei muito do capitulo, mas isso eu faço sempre questao de frisar e nao me canço de voltar a repetir isso! :)
olha eu precisava de falar contigo, e como eu fiquei com o teu email, quando pus o meu blog em privado e tu enviaste para teres acesso à fic, nao te importas que fale contigo por aí?
beijinhos, depois diz alguma coisa! ;)
ah! quero proximo capitulo rapidinhoo!! ;)
Diana Ferreira
Estou a adorar, espero sinceramente que eles fiquem bem.
Continua, se quiseres visita o meu blog:
http://amudanca-elisa.blogspot.com/
Bjs
Como sempre do nada deixas-nos com o coração nas mãos... mete é a Adriana a contar tudo ao David e pronto.
Adoro o que escreves.
Beijinhos
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