- Diogo? – infelizmente, a minha voz escapuliu-se pelas vias respiratórias um pouco mais estrangulada do que aquilo que eu esperava
- Olá, miúda! – roubou-me um abraço, deixando-me sem tempo para qualquer reacção sem ser a de retribuir – Não esperava de todo encontrar-te por aqui! – proferiu num jeito animado, assim que libertou as amarras do meu corpo e permitiu a si mesmo, perscrutar toda a minha figura
- Pois… - disse calmamente, tentando buscar as palavras correctas, a ponto de ser educada – Também não esperava de todo encontrar-te aqui!
- Vim a trabalho… Tenho um acordo com uma discográfica de cá! – informou-me com um sorriso de orelha a orelha, expressando bem a sua felicidade a nível profissional – E tu? Não me digas que vieste ver os meninos da Luz!
- Não, de todo! – esclareci imediatamente, numa voz agressiva e um pouco aflita – Vim a trabalho também… Tenho um concerto daqui a dois dias!
- Hum, isso é óptimo… Li no outro dia algo a teu respeito sobre um concerto que deste na Europa!
- Sim… Tenho girado por aí nestes últimos tempos… - os meus braços cruzados na frente do peito, permitiram aos ombros que se encolhessem num jeito natural e fazendo-se acompanhar por um sorriso leve e triste
- Está a ser bom?
- Sim… Vai dando para preencher a cabeça, conhecer pessoas novas… Cultura a mais, nunca pesa na bagagem! – proclamei de forma engraçada, deixando a minha cabeça agitar-se leve e totalmente no ar
- Sim, isso é bem verdade! – ambos sorrimos de forma a aliviar o silêncio constrangedor que se instalou – E… Então… - pareceu-me que ele procurava uma dupla de palavras que o auxiliassem no que pretendia dizer, mas por alguma razão não as conseguia encontrar
- Então o quê? – perguntei com uma expressão de à vontade e também em silêncio permaneci aguardando somente uma resposta
- Não tens estado em Portugal…
- Não, estive lá uns tempos depois de ter vindo de Nova Iorque e assim, mas somente quatro dias… - sorri levemente ao relembrar os amigos e a família, que haviam ficado para segundo plano naquelas férias
- Então viste as revistas… - Diogo baixou a cabeça e deu menos intensidade à sua voz enquanto se pronunciou e inevitavelmente recordei aquilo que demorara semanas para esquecer
- Sim, vi… Mas está tudo bem, assunto arrumado e esquecido! – finquei com orgulho de mim mesma e da força de vontade que arranjara para me abstrair de tudo o mais, concentrando-me somente no trabalho
- Lamento imenso o que aconteceu… Eu sei que gostavas dele e que todos achavam que era para valer!
Aquela sinceridade… Há muito que não a encontrava em Diogo, muito menos sem qualquer razão aparente, parecia somente ele, a ser sincero e revelando os seus bons princípios, que herdara dos pais aquando criança. Não evitei sorrir levemente e percorrer pela primeira vez o seu rosto com o meu olhar.
As expressões de menino agora haviam amadurecido. Os cabelos loiros, que outrora usara a caírem-lhe sobre a testa, estavam então perfeitamente cortados e uniam-se numa pequena polpa frontal, mantida por uma reduzida dose de gel fixante que os forçavam a resistir à gravidade. O rosto límpido e a pele curtida pelo sol, típico num praticante de surf, haviam agora dado lugar a uma barba mal feita… Diria que de dois ou três dias, mas que lhe assentava charmosamente bem. O seu perfume, que eu recordava como uma mistura dos cheiros da praia, agora era nada mais do que a mescla do aftershave que salpicava o seu rosto e de pequenas gotas de perfume de homem, que transbordavam pelos seus poros. O sorriso de miúdo que outrora recordara tão bem, era então mais viril, mas mantendo aquele laivo de traquinice, que sempre o iria caracterizar. Diogo não era mais um miúdo… Agora era um homem! Um homem em aparência, um homem em compostura, um homem em atitudes… Um homem… Como eu nunca o tinha conhecido.
As expressões de menino agora haviam amadurecido. Os cabelos loiros, que outrora usara a caírem-lhe sobre a testa, estavam então perfeitamente cortados e uniam-se numa pequena polpa frontal, mantida por uma reduzida dose de gel fixante que os forçavam a resistir à gravidade. O rosto límpido e a pele curtida pelo sol, típico num praticante de surf, haviam agora dado lugar a uma barba mal feita… Diria que de dois ou três dias, mas que lhe assentava charmosamente bem. O seu perfume, que eu recordava como uma mistura dos cheiros da praia, agora era nada mais do que a mescla do aftershave que salpicava o seu rosto e de pequenas gotas de perfume de homem, que transbordavam pelos seus poros. O sorriso de miúdo que outrora recordara tão bem, era então mais viril, mas mantendo aquele laivo de traquinice, que sempre o iria caracterizar. Diogo não era mais um miúdo… Agora era um homem! Um homem em aparência, um homem em compostura, um homem em atitudes… Um homem… Como eu nunca o tinha conhecido.
- Sim, mas tudo na vida tem o seu fim… Este foi o nosso, já tinha de ser! – rapidamente me martirizei interiormente por ter proferido aquelas palavras, pois apesar de todas as disparidades e discussões, ele ainda me conhecia… por vezes, melhor do que ninguém
- Ainda defendes essa ideia tola, pequenina? – soltou uma gargalhada quente e estranhamente reconfortante, que me fez sentir um pouco mais à vontade e entrar na conversa com ele, que continuava perdido em memórias do passado, do tempo em que andávamos juntos e quando o nosso amor não era pretérito perfeito, mas sim presente e… futuro
- Sim… Continuo a acreditar no mesmo! Quando acaba, acaba… Não vale a pena martelar nas mesmas ideias, foi por isso que nunca nos conseguimos reconciliar depois do fim… - relembrei prontamente, reparando que lhe tinha colocado um sorriso, agora mais triste, nos cantos da boca – E como vais tu? E a tua namorada? – desviei o assunto de “nós”, se é que ainda lhe podia chamar assim, numa tentativa falhada de sair ilesa da situação anterior
- Ah, pois… - os seus olhos soltaram-se dos meus e durante instantes percorreram o corredor, onde entre uma respiração entrecortada, acabou por libertar um suspiro – Ela acabou comigo…
- Oh, desculpa, Diogo… Lamento imenso, não sabia! – senti-me mal por o ter feito recordar algo que provavelmente preferia esquecer, porque no final de contas eu conhecia muito bem aquela sensação
- Não faz mal, miúda… Estou a ultrapassar bem a situação. Gostava dela, mas com toda a certeza que também não era o amor da minha vida! – apesar de ele se ter rido naturalmente, eu fui incapaz disso, porque se ele não tinha perdido o amor da sua vida, eu conhecia alguém que infelizmente não podia dizer o mesmo… eu
- Então talvez tenha sido melhor assim… Espero que corra tudo pelo melhor nesses campos! – desejei de forma sincera, pois apesar de todo o mal que um dia ele me havia feito experienciar, era-me difícil guardar algum rancor, depois de toda a ajuda que me tinha prestado naquele dia no Colombo
- Também eu espero o mesmo… Então e tu? Aposto que já chovem milhões de rapazes atrás de ti! – assegurou dando uma pequena risada, que soou deliciosamente bem aos meus ouvidos, quase como uma melodia harmoniosa
- Sim, chovem imensos! – a ironia conotou a minha voz, revelando a pequena brincadeira que havia iniciado – Acredita que estou muito bem assim, Diogo… Sozinha! Acho que não é de todo a altura para me apaixonar de novo…
- Mas pode ser altura de voltar aos amores antigos… - por segundos pensei que se estivesse a referir a ele próprio, e então aí a nova imagem que possuía dele teria caído a meus pés, mas conseguiu surpreender-me – Eu já o vi por aí no perímetro do hotel… Estava com a equipa!
- Diogo, não me interessa saber o que ele faz ou deixa de fazer! – proferi, mesmo sabendo que mentia a mim mesma e que Diogo suspeitaria do mesmo
- Sabes que o orgulho nunca fez bem a ninguém, Adriana… Mais vale dar o braço a torcer e recuperares o homem de quem gostas do que ficar parada… De braços cruzados… - um trejeito meigo, indicou a minha pose, tal qual ele a descrevera e nesse mesmo instante, libertei os meus braços para que caíssem do lado do tronco – O orgulho não nos faz ganhar nada, só perder…
- Eu sei disso, mas neste caso não há mais nada a ganhar, nem a perder… Sou só eu! Solteira, trabalhadora, estudante dentro de semanas, a viver a vida que sempre quis e que neste momento me realiza…
- Será que realiza? – a pausa que provocou foi quebrada pelo toque do seu telemóvel, que se apressou a atender – Estou no corredor da minha suite… Sim, vou já aí ter, até já! Beijinhos! – colocou o aparelho electrónico dentro do bolso do casaco e voltou a encarar-me
- Se tiveres de ir, tudo bem… - incentivei-o, pois na verdade não havia mais qualquer tema de conversa entre nós
- Sim, tenho de ir… - encolheu os ombros e os seus lábios preencheram-se de um sorriso desolador – Pudemos ver-nos mais tarde, se calhar…
- Tenho ensaio depois de almoço… - desculpei-me numa voz educada, que transmitiu na mesma a gratidão pelo convite, apesar de não o puder aceitar
- Pudemos sair amanhã, então… Tenho a manhã livre e talvez pudéssemos dar uma volta por Paris, ainda não vi nada desde que cheguei! – exclamou de forma alegre e extremamente animada, que infelizmente acabou por me contagiar
- Sim, talvez seja uma boa ideia… - os meus lábios abriram-se num sorriso ténue, enquanto a minha cabeça se preocupou em acenar positivamente, somente uma única vez – Depois digo-te alguma coisa, pode ser?
- Claro… Como tu preferires! De qualquer das formas o meu quarto é o 28, alguma coisa não hesites em bater! – os seus lábios quentes e macios, tocaram a pele da minha testa, ligeiramente suada devido ao nervosismo de querer encontrar Alice minutos antes, mas entretanto ter visto Diogo, que se encontrava totalmente fora dos planos
- Obrigada, Diogo…
Ele seguiu até à ponta oposta do corredor, virou à esquerda até as suas passadas se tornarem quase imperceptíveis e entrou numa das portas, pois rapidamente a ouvi bater e pela intensidade do barulho, deveria ser de carvalho, dando a entender que o quarto seria um dos mais luxuosos e mais caro de todo o hotel. Ressenti-me ali, completamente sozinha e buscando em algum canto um pouco de conforto, um pouco de paz… Precisava encontrar Alice e ordenar-lhe para que encontrasse outro hotel e de preferência o mais depressa possível, mas onde raios andavam os meus seguranças quando mais precisava deles? Segurei o telemóvel e deixei tocar uma data de vezes, mas nem sinal do outro lado da linha.
Raramente Alice se mostrava incontactável, especialmente para mim… Procurei então um elevador naquela imensidão de corredores e quando por fim achei um, encontrei também, hirto e inquebrável, o meu segurança Paulo.
Raramente Alice se mostrava incontactável, especialmente para mim… Procurei então um elevador naquela imensidão de corredores e quando por fim achei um, encontrei também, hirto e inquebrável, o meu segurança Paulo.
- Bolas, estava a ver que nunca mais encontrava uma cara conhecida! – proferi num gesto mudo, para o chamar à atenção
- Andava à nossa procura, menina?
- Sim… Mais precisamente da Alice, mas não sei dela e nem atende o telefone!
- Não se preocupe… Ela desceu até ao restaurante para providenciar o seu almoço e ordenou-me que encaminhasse a menina até lá!
- Não me informou de nada, mas também creio que não irei necessitar de qualquer almoço, pois a estadia aqui será bem mais curta que o esperado! – ainda segurando o telemóvel numa das mãos, apressei-me, com a outra, a pressionar o botão de chamada do elevador
- A suite não é do seu agrado, menina? Pelo que a Alice disse é uma das mais procuradas do hotel… Tem uma vista belíssima! – enquanto o pobre coitado proferia o discurso, que muito provavelmente lhe havia sido encomendado por Alice, assim que descobriu a presença da comitiva encarnada ali, rodou o seu corpo e posicionou-se em frente à porta do elevador, com as mãos descaídas e levemente unidas no fundo do tronco
- Sim, a vista é linda e a suite agradável, mas eu não quero ficar neste hotel… E o Paulo e a Alice sabem muito bem porquê! - entrei no elevador na sua frente, mas nem o facto de estar de costas me impediu de perscrutar o olhar atrapalhado de Paulo, pois com toda a certeza que a possibilidade que acabara de equacionar, era um facto
- Creio que seja melhor a menina falar com a Alice com calma, tenho a certeza que seja qual for o problema encontrarão uma solução!
- Só espero, Paulo… Só espero! – estanquei ali mesmo a nossa troca de palavras, mas a conversa continuou em silêncio, cessando somente no rés-do-chão
Ali junto da porta encontrei outro dos meus seguranças, que se juntou a Paulo, seguindo atrás de mim, enquanto eu percorria todo o átrio interior do hotel. A zona de refeições situava-se para o lado direito da recepção e eu sabia que era ali que iria encontrar a minha agente e colocar todas as minhas exigências em cima da mesa.
- Adriana, Adriana! – a voz de uma criança, abortou a minha caminhada e abrandei o passo para a observar
- Calma, calma… - ergui a mão no ar, num jeito de ordem, para manter os meus seguranças, sempre prontos a agir, mais calmos e serenos
- Pouvez-vous me donner un autographe? – solicitou a pequena menina de cabelos loiros a caírem-lhe pelos ombros
- Bien sûr, mon chéri! – com o habitual sorriso nos lábios e simpatia nos gestos e forma de falar, agachei-me perto da criança tomando o seu bloco de notas - Comme tu t'appelle?
- Caroline, je m'appelle Caroline! – aquele nervosinho miudinho tomava conta da pobre criança, mantendo-a de olhos esbugalhados e mãozinhas atarefadas numa brincadeira de ata-desata, junto do corpo
- Vous avez un nom très beau, Caroline! – sorri-lhe levemente e iniciei a escrita no papel - Pour Caroline, un gros bisou sur ce beau visage, Adriana! – li-lhe o que havia escrito e a pequena criança corou
- Vous pouvez prendre une photo avec moi?
- Oui, ma belle! – segurei a menina nos meus braços e a mãe que estava por perto fez a máquina disparar sobre os nossos sorrisos
- Merci, Adriana ... Ce fut un plaisir de vous voir!
- Le plaisir était pour moi, ma petite! – ergui-me sobre os meus sapatos de salto alto e presenteei-a com dois beijinhos no rosto
- Je vais voir votre concert! – afirmou com um arzinho muito entusiasmado e ternurento - J'espère que vous me voir et me souviens!
- Bien sûr, ma chérie ... Quand vous me voyez en agitant, vous pouvez être sûr qu'il est fait pour vous! – a ingenuidade das crianças eram sem dúvida entusiasmante e por isso mesmo, que me custava alimentar um pouco mais um sonho de menina?
- Vraiment? Merci, merci beaucoup! Rendez-vous là, Adriana! Au revoir... – agitou-me a pequenina mão vezes e vezes sem conta e eu enterneci-me ao retribuir-lhe o gesto
- Au revoir, ma petite! – retomei o meu caminho de retorno ao restaurante, mas avistei alguns membros da comitiva encarnada
Recuei levemente até sentir as minhas costas embaterem em algo… O peito forte e inchado de Paulo, aparou-me daquela que teria sido uma queda perfeita. Segurou-me num dos braços, chamou o outro segurança e entre a escuridão que envolvia os seus trajes, consegui caminhar até Alice sem que ninguém conhecido me visse. Lá estava ela… Zincando no pobre empregado de mesa, subornando-o por uma mesa melhor, por um almoço que fosse do meu agrado, por um espaço mais arejado, por comida mais saborosa… Nada estaria nunca do jeito que Alice gosta, mas isso era facto evidente contra o qual desistira de lutar há já muito tempo.
- Alice… - chamei-a, ao mesmo tempo que abandonava o resguardo dos meus seguranças para conseguir falar com ela - Désolé de vous interrompre! – perdoei-me numa auto-recriminação ao ver o estado em que a minha agente estava a deixar o pobre rapaz – Preciso de falar contigo, Alice…
- Adriana, agora espera um pouco que estou quase a conseguir a mesa perfeita para ti! – virou-me a cara tão depressa, que mal me restava tempo para contrapor, mas de qualquer das formas não desisti
- Alice, tem de ser mesmo agora! – salientei, interrompendo a nova reprimenda que iria aplicar ao empregado de mesa
- Ne partez pas, je viens maintenant! – ordenou com o indicador espevitado no ar e seguiu-me até um canto da sala para que pudéssemos falar com toda a calma do mundo – O que é que aconteceu de tão importante que não pudesse esperar dois minutos?
- Eu quero ir para outro hotel! – proferi numa única respiração, que acabou por libertar o peso que balançava o ainda fragilizado coração, que transportava dentro do meu peito
- O QUÊ?! – a sua voz acutilante penetrou nos meus ouvidos, estalando alguns dos meus tímpanos, com certeza depois daquilo iria ouvir um bocadinho pior – O que é que estás para aí a dizer?
- Que quero ir para outro hotel… - repeti, apesar de saber que ela havia compreendido perfeitamente o meu pedido
- O quê? Mas tu estás doida, é? Tens a noção do trabalhão que tive para arranjar um quarto decente, no melhor hotel parisiense? Não digas asneiras, Adriana! – num gesto de não-relevância, virou-me costas, enquanto provocava um movimento ligeiro dos seus ombros, mas eu travei-a, voltando a trazer novamente a figura para o perímetro de alcance dos meus olhos
- Eu quero sair deste hotel, Alice… Vê se entendes bem o que estou a dizer!
- Adriana, é impossível conseguir arranjar outro hotel tão em cima da hora e ainda por cima em plenas férias de Verão! Os hotéis da cidade estão a abarrotar!
- Alice, pouco me importa se fico num hotel, numa pensão, até posso ficar num acampamento, agora certifica-te, que aqui eu não passo nem uma única noite! – fui clara em todas as minhas palavras, pois não estava de todo disposta a passar aqueles malditos dias com medo da minha própria sombra sempre que saía da clausura do meu quarto
- Adriana, vamos ser um bocadinho conscientes… Tens de ficar aqui, não há outro sitio para onde possas ir, aceita-o!
- Não posso aceitar… Tu sabias que eles estavam aqui e não disseste nada!
- Sim, eu sabia que eles estavam aqui, mas só o descobri no dia antes de termos partido para cá… Tentei arranjar outro sitio, mas não deu… - o seu tom de voz pacifico e então já ameno, revelou-me que apenas dizia a verdade e nada mais que a verdade, por muito que essa me pudesse custar alguns dias de felicidade
- Isto não me pode estar a acontecer… - sussurrei para mim mesma num desabafo profundo, que viajou directo para a minha alma
- Tem calma… Eu vou fazer de tudo para assegurar que não te cruzas com nenhum deles, eu garanto!
- Oh Alice, isso não tem sentido nenhum… Vai ser impossível conseguires que em três dias eu não me cruze com nenhum deles…
Um burburinho atufou naquela sala, decorada ricamente na típica forma de Paris, e nem precisei de rodar a minha cabeça para saber do que se tratava. Aquela parafernália de sotaques, de gargalhadas, de timbres vocais, eu já havia escutado vezes de mais na minha vida e isso tornara-as inesquecíveis e irremediavelmente inconfundíveis.
- Como eu dizia… - a palma da minha mão virou-se para cima e estendeu-se sobre o cenário, que se estendia na minha retaguarda
- Eu resolvo isto, Adriana… Eu não vou permitir que eles te vejam! – vi-a fazer sinal a Paulo e aos outros três seguranças para que se aproximassem – Tirem a Adriana daqui na maior das descrições e levem-na até ao quarto…
- Com certeza! – Paulo colocou o auricular no ouvido e desceu o seu olhar para os seus colegas de profissão – Venha connosco, menina…
Mesmo que tivesse tentado resistir, teria sido uma luta totalmente em vão, por isso preferi segui-los, sem impor condições, sem refilar, sem estrebuchar… Formaram um pequeno círculo em torno do meu corpo, afundando-me num mar de preto e retiraram-me dali tão depressa quanto lhes foi possível. A cada passada que dei, senti os meus pés perderem a intensidade e afundarem-se mais no chão de mármore, que revestia o enorme átrio. Não conseguia ver nada em meu redor, mas as vozes de Ruben e David, eram-me as mais familiares possíveis.
- Ei, manz… Pelo amor de Deus, vai com calma, ainda se engasga comendo desse jeito! – aquele doce timbre pereceu em mim tão rapidamente como uma flecha, deixando-me desejosa por mais… nem que fossem somente umas palavras, pois estava há tempo demais longe dele
- Venha, menina… Venha… - senti os braços do Paulo em redor do meu tronco, aprisionando-me dentro do elevador
Fiquei em silêncio… Os olhos deles navegavam sob a minha figura, mas mantive-me imparcial, esperando o refúgio do meu quarto, para libertar o sentimento de saudade que sufocava em meu peito. Assim que as portas do elevador se encerraram, as lágrimas despoletaram em meus olhos e um nó que fiz questão de manter no topo do meu estômago, ajudou-me a segurá-las. Nenhum dos meus seguranças se pronunciou durante toda a subida até ao andar que tínhamos como destino e assim que o atingimos, saí disparada, percorrendo o corredor em leves passadas e tranquei-me dentro da suíte. O tempo passou então… Os ponteiros do relógio avançaram num ritmo frenético sem eu nunca dar conta disso, ali completamente sozinha… Jogada naquela cama monumental do século XVII, que não me dava qualquer conforto ou sossego. Tudo me era estranho, tudo conferia uma enorme sensação de vazio que aos poucos se foi apoderando de mim, que aos poucos me foi induzindo num leve estado de inconsciência… Pela primeira vez em dois meses longe dele, sentia-me a vacilar novamente, mas mantinha a consciência de que isso não era o certo e eu precisava lutar. Mostrar que estava bem, que tinha superado e que de um jeito ou de outro, mas sempre de sorriso na cara, a minha vida tinha seguido…
***
- Adriana, acorda… - senti um leve empurrão no meu braço esquerdo e os meus olhos conferiram-me uma imagem difusa de Alice – Acorda…
- Hum… Mais um bocadinho! – virei-lhe costas, permitindo ao meu corpo que tomasse posse do outro lado vazio da cama
- Levanta-te… - os seus dedos finos trespassaram os meus cabelos e arrastaram-nos para fora da parafernália, que umas simples horas de sono, haviam transformado meu rosto
- Deixa-me dormir, Alice…
- Tens de ir comer qualquer coisa… Não almoçaste nada, mais umas horas e é o jantar!
- Não tenho fome… - abri então os olhos, que senti inchados provavelmente de tanto chorar
Há algum tempo que a Alice já não me via assim… Desde o regresso do Brasil, pois desde aí que impusera a mim mesma a regra de não chorar jamais pelo que havia acontecido, mas agora ali estava eu… A lutar contra todos os meus princípios, a quebrar todas as regras, a anular todas as barreiras, que havia imposto a mim mesma.
- Tens de comer qualquer coisa… Eles agora saíram para ir para o treino, não vais encontrar ninguém!
- Tens a certeza? – a minha cabeça movimentou-se num singelo aceno, que se prosseguiu a um gentil beicinho em meus lábios
- Absoluta… Eu própria me certifiquei disso!
- Obrigada, Alice… - instintivamente lancei-me em seus braços e apanhei-a totalmente de surpresa – Desculpa ter descarregado em ti, não tens culpa de nada…
- Não faz mal… Sossega! – olhámo-nos mutuamente trocando simples gestos de carinho, daqueles quase de mãe e filha – Agora vamos pôr qualquer coisa nessa barriga, que sempre ouvi dizer saco vazio não se aguenta de pé!
- Sim, vamos… Será que posso ir dar uma volta pela cidade?
- Sozinha não, Adriana… - contrapôs num jeito compreensivo e inevitavelmente, fui forçada a entender a sua posição face ao assunto
- O Paulo pode ir comigo… Não me deixa em lado nenhum, prometo! – implorei, recorrendo-me daquele olhar que sabia possuir e que enfeitiçava qualquer coraçãozinho mole
- Tudo bem… Vais com o Paulo, mas não te afastas dele e mantém-te longe das áreas de grande confusão, pelo amor de Deus!
- Obrigada, obrigada, obrigada, Alice! – beijei-a vezes sem conta na face, agradecendo o voto de confiança e liberdade, que me estava a ser entregue
- Tu tem-me juízo Adriana, não me arranjes problemas… Estás sob os meus cuidados!
- Eu prometo que fico bem, Alice… O Paulo não me larga um segundo, já o conheces!
- Hum… Vá, vai lá arranjar-te então, que eu vou avisar o Paulo! – a sua mão sapateou levemente na minha nádega em jeito de incentivo, obrigando-me a saltar da cama e iniciar uma caminhada até à casa de banho
- Ah, Alice… Mais uma coisa! – detive-me no espaço, antes de chegar a transpor o vão da porta e olhei-a – Pede a ele que tire aquele fato preto e vá mais discreto senão as pessoas vão ficar a olhar para nós, como se fossemos duas aberrações!
- Tudo bem, Adriana… Vou ver o que posso fazer por ti! – gargalhou no seu jeito mandrião de ser, acenou-me positivamente e eu só tive tempo de corresponder com um sorriso, antes de a ver irromper pelo caminho de saída do meu quarto
Tomei um banho rápido, pois queria aproveitar aquele fim de tarde para conhecer alguns dos sítios mais emblemáticos daquela que sempre fora apelidada de “cidade do amor”. Uma roupa fresca foi a primeira escolha, pois um ar quente e levemente abafado, envolvia a capital francesa, custando por vezes até a respirar. Apanhei os cabelos ainda húmidos com uma bandelete, afastando-os totalmente do meu rosto e assim que coloquei os óculos de sol, assentes na cana do nariz, segui caminho para me encontrar com Alice.
***
- Alice, Alice! – agitei freneticamente um dos meus braços no ar, pois na outra mão segurava a mala, de modo a fazê-la parar o percurso desgastante que teimava percorrer sobre os mosaicos da entrada no hotel
- Ah, Adriana! – um sorriso abrasado acutilou sua face e acercou-se de mim numa calmaria, que me era de todo desconhecida – Estás muito bonita… Isso é tudo para um passeio pela cidade do amor?
A acentuação que conferiu à palavra, que nos últimos tempos mais me havia feito sofrer, juntamente com o comentário acerca da minha aparência, deu-me totais certezas da sua intenção. Por momentos senti-me envergonhada… Perdi o jeito e ruborizaram-se-me as faces. Andava sempre o mais arranjada possível, mas não podia esconder, que havia aprumado um pouco mais o meu aspecto, quem sabe talvez na esperança remota de querer e não querer encontrar David.
- Sim, é tudo para um longo e solitário passeio pela cidade do amor! – gargalhei revestindo toda a minha voz de uma suave ironia, que lhe passou totalmente ao lado e dei graças por isso, pois certamente se teria iniciado ali um pequeno conflito
- Sim, sim… Estou mesmo a ver que é para isso! – voltou a insistir num ar de prepotência absoluta, que me relembrou da minha mãe… também ela me conhecia demasiado bem, quando eu chegava mais as minhas ironias
- Bem… Lembrei-me agora de uma coisa! – tentei fazer um esforço enorme para me livrar do assunto e acabei por me encaminhar para outro, também um pouco sensível
- O que é que vem daí agora, Adriana? – advertiu-me imediatamente, enquanto eu seguia atrás dela pelo átrio
- Calma, não é nada demais… Só queria saber se amanhã de manhã posso ir dar uma volta por Paris com um amigo que também cá está hospedado – como seguia atrás de si, acabei por esbarrar de frente com o seu corpo, no exacto momento que rodou sobre os calcanhares para me olhar intermitentemente
- Um amigo? – a sua sobrancelha arqueada revelou-me qual a sua dúvida relativamente a esse amigo, de quem eu falava
- Sim, um amigo… E não, não é quem pensas! É o Diogo, aquela rapaz qu… - tentei explicar-lhe calmamente de quem se tratava, mas as suas palavras atropelaram as minhas numa rapidez revigorante
- O Diogo? O Diogo, o teu ex-namorado?
- Sim… O meu ex-namorado!
- Tu estás doida, Adriana? Estás mesmo a pedir para arranjar problemas… As revistas vão cair-te em cima! – vociferou de dentes cerrados, para que aqueles que nos rodeavam não noticiassem o seu enervado estado de exaltação
- As revistas não vão saber, Alice… Aqui nenhuma revista me segue e além disso somos duas pessoas, vamos normais a passear na rua, nem nos irão reconhecer! – firmei, numa clara esperança de puder experienciar um pouco mais aqueles dias em Paris
- Duas pessoas?! Tu nem penses que vais andar por Paris, com o teu ex-namorado e sem levar um dos seguranças… Lamento, mas não! – num tom suplicantemente imperativo alertou-me, permitindo às suas mãos abrirem uma das enormes portas de vidro, que nos conduziam ao exterior do hotel
- Olha a vergonha, Alice! Não posso sair com ele e levar um dos seguranças atrás! – contrapus imediatamente e senti o meu coração bombear forte dentro do peito, devido à surpresa da sua imposição
- Podes e vais levar! Será o Paulo, e não há mais discussão acerca do assunto! – com a mesma rapidez que nos colocou junto da entrada do hotel, fez sinal a um dos seguranças para que se afastasse
- Pronto, venceste! – ergui as minhas mãos no ar gentilmente em forma de rendição e após isso, firmei-as em meus bolsos – E olha lá, por falar em Paulo onde é que ele se enfiou?
- Estou aqui menina! – a voz grossa e rouca, que eu sabia pertencer-lhe surgiu do lado direito do meu corpo, fazendo-me estremecer de susto
- Aleluia, Paul… - não consegui acabar de falar, pois deparei-me com um cenário que me era de todo inabitual
A cena poderia ter tanto de cómica como de inesperada. Ali estava Paulo, bem do meu lado há coisa de uns cinco minutos e eu ainda não o tinha sequer reconhecido. Talvez porque o fato preto de fina estampa, que tinha por hábito envergar, havia sido substituído por uns jeans de lavagem escura e um polo azul-turquesa, que realçava os seus cabelos castanhos, pincelados com alguns grisalhos. Nos pés uns mocassins clássicos, que adicionados à falta do auricular no ouvido esquerdo, lhe davam sem dúvida uma aparência muito mais jovem e revigorante, chegando a nem aparentar os trinta e poucos anos de que era dono.
- Que foi, menina? Não faça essa cara, por favor! – ele substituiu o típico tique de ajeitar a gravata, com uma modesta compostura da gola do polo e olhou Alice por cima dos óculos de sol, em jeito de reprovação
- O Paulo está diferente! – indaguei, enquanto o meu olhar ainda absorvia cada detalhe da sua indumentária e me controlava para não soltar umas solenes gargalhadas, que teimavam em querer formar-se devido à expressão taciturna que transportava em seu rosto
- Não goze, menina! É que senão vou já vestir o fato!
- Não, não… Está óptimo assim, Paulo! Eu é que estou na brincadeira consigo, é a falta de hábito… - os meus lábios esculpiram-se num sorriso, fruto do afecto que nutria por aquele senhor, que tão bem me acompanhara naqueles últimos meses
- Tenta não arreliar muito o Paulo, Adriana… - avisou-me Alice, com aquele impertinente indicador trespassando no ar
- Podes ficar descansadinha! – retorqui num sorriso calmante e sereno
- E tu não a largues um segundo, Paulo!
- Não te preocupes… Se há coisa que eu sei fazer bem é cuidar desta miudita! – os seus dedos deslizaram pelos meus cabelos e trocámos um olhar recheado de um sentimento quase paternal – Vamos embora?
- Vamos sim, senhor! – a minha cabeça acenou positivamente vezes sem conta, dando asno ao caminhar latente que os meus pés e os de Paulo seguiram, logo após nos temos despedido de Alice
O tempo que se seguiu foi mágico… Entrei no meu mundo, absorvi cada essência da atmosfera parisiense e entreguei-me de corpo e alma àquela doce sensação da despreocupação. O Paulo limitou-se a acompanhar-me… Não tanto na condição de segurança, mas mais na de amigo, de companheiro de momentos. Iniciei o meu passeio perto de Le Champs-Élysées, descendo toda a avenida até alcançar o afamado Arco do Triunfo. A seu tempo passeio junto da Torre Eiffel, o maior marco da cidade, porém não subi, pois com a hora de fecho eminente, as filas estavam uma loucura. Passei junto do Museu do Louvre, d’Orsay, de capelas e igrejas antigas, que um dia somente tinha visto no livro de história e agora estavam ali erigidas na minha frente. E acho que só pode compreender o verdadeiro encanto da cidade, quem a sente, quem a visita, mas mais do que isso… quem a vive!
- Isto é sem dúvida lindo… - pela primeira vez no espaço de duas horas, o Paulo resolveu-se a dizer algo e a ocupar com passadas longas o espaço vazio do meu lado
- Sim… Sempre sonhei vir cá um dia! – o meu olhar percorreu todo o cenário romântico, fazendo então com que um suspiro pesaroso irrompesse nos meus lábios
- Agora está cá, menina! Tem sorte em o seu trabalho lhe proporcionar este tipo de experiências… - colocou estrategicamente as mãos nos bolsos e prosseguiu caminhando do meu lado
- Sim… Mas eu já fazia planos de visitar Paris este Verão e afinal acabei por vir cá parar na mesma! – esforcei-me por sorrir, apesar da lembrança ainda ser dolorosa
- Sozinha? – não compreendi o que quis dizer e só pelo simples facto de ter deslindado a minha expressão confusa, apressou-se a clarificar a questão – Se planeava vir cá sozinha, no Verão…
- Ah, isso! – sem ter dado sequer conta a minha cabeça tombou para trás e acabei por sorrir – Não… Tinha companhia, Paulo! Muito boa companhia…
- A menina não consegue, sabe?
- Não consigo o quê, Paulo?
- Esconder essa mágoa… Está demasiado estampada no seu olhar! Mesmo quando não o vê! Só o simples facto de pensar nele, apaga-lhe o sorriso sincero do rosto…
- Oh Paulo… - uma respiração pesada e proveniente dos meus lábios, misturou-se com o ar quente e perfumado por um doce cheiro de croissants, que nos envolvia – É uma longa história… Acho que esta mágoa vai demorar para desaparecer!
- Era com ele que vinha a Paris? – detive-me… não queria correr o risco de relembrá-lo tanto, ao ponto de vacilar mais uma vez – Falar faz bem, Adriana… Liberta a alma, leva as mágoas e ameniza as dores!
- O Paulo fala como se soubesse todos os truques da vida…
- Sei alguns… Em matéria de amor sei bastantes até!
- Sofreu muito por amor? – questionei, num tom apelativo, que o convidou tranquila e silenciosamente para uma conversa de amigos
- Sofri um pouco, mas nunca como tu… Também são idades diferentes, vocês jovens vivem tudo com muita intensidade, levam tudo muito a peito!
- Lá está… Somos jovens e temos as emoções à flor da pele, com a idade isso passa-nos, penso eu! – bati a biqueira da minha sabrina numa pequena pedra que corrompia o meu percurso e esta saltitou até aterrar numa poça de água na outra ponta do jardim
- Passa… Pode ter a certeza que passa! O tempo leva-nos a ver coisas, que quando somos jovens, imaturos e orgulhosos, não conseguimos ver!
- Aconteceu-lhe isso?
- Sim… Aprendi que o orgulho não nos faz ganhar nada, só perder! – o seu dedo astuto dominou o ar, rodopiando levemente
“Onde é que eu já ouvi isto?!” – questionei a mim mesma num laivo de ironia, ao recordar a conversa matutina que havia travado com Diogo
- É, também já ouvi dizer que sim, Paulo... Mas e se fossemos comer qualquer coisa? Estou cheia de fome! – informei rapidamente, numa tentativa forçada de me escapulir à conversa e recordar David
- A menina é que sabe… Tem preferência?
- Hum… Sempre quis ir um daqueles típicos cafés franceses! – revelei muito entusiasmada com a possibilidade de experienciar algo com que sempre havia sonhado
- Então vamos ver se encontramos por aí algum! – ele fazia-me todas as vontades, como se de sua filha se tratasse e sempre com um sorriso nos lábios
Acabámos no Le Café Bleu, que como o próprio nome indicava era dominado pela cor azul. Um edifício lindíssimo de dois andares, relembrando a antiga elite francesa de séculos passados, e que em tempos havia dado espaço à boutique Lanvin. Naquela cidade respirava-se história, vivia-se magia e cada vez a vontade de abandoná-la se tornava cada vez menor…
- Era ele? – após termos feito os pedidos, ocupámos uma das mesas exteriores e iniciámos a nossa refeição, muito calmamente e em silêncio, mas foi o meu segurança a cortá-lo, após duas dentadas
- Era ele o quê, Paulo?
- A sua companhia para esta viagem… - aquela sua abordagem tão intimista, apanhou-me totalmente desprovida de palavras, por isso limitei-me a improvisar, a dizer o que me ia no coração, mesmo sabendo que isso me poderia causar sofrimento
- Sim, era ele… - confirmei com um sorriso triste habitando meus lábios
- Porque é que acabou, menina?
- É uma longa história… - a minha voz arrastou-se e aproveitei para dar mais um gole na chávena de café fumegante, que tinha na minha frente
- Hum… - o seu pulso esquerdo virou-se para cima, de forma a permitir-lhe alcançar com o olhar as horas que os ponteiros marcavam – Parece-me que temos tempo suficiente…
Fiquei alguns segundos em silêncio, enquanto o melhor olhar se intercalava entre a figura de Paulo e a paisagem mergulhada no rio Sena. Tudo o que sofrera parecia tão minúsculo junto de toda aquela beleza, toda a dor que sentira parecia tão ínfima perto da sensação de alegria, que aquele breve ar desconhecido me conferia. Os meus pulmões encheram-se de ar e o meu corpo de coragem, para iniciar uma narrativa dolorosa, mas que precisava exteriorizar.
- Fui eu que o deixei, Paulo… - comecei por dizer, dando de seguida um leve toque de lábios no guardanapo de pano, bordado com fio dourado nas orlas
- Deixou-o, menina? – reparei que ficou ligeiramente surpreendido, pois a avaliar pelo sofrimento que havia visto nos últimos tempos, a minha revelação não fazia qualquer sentido
- Sim, deixei-o… Ele ia rumar para Madrid, mas soube que estava a reconsiderar desistir por minha causa e antes que ele o fizesse, adiantei-me… - esclareci num tom meigo, entregando completamente a minha segurança nas mãos dele
- Foi um gesto bonito da sua parte…
- Ele não achou o mesmo, infelizmente… Acho que não escolhi a maneira correcta de o deixar! – indaguei com um sorriso irónico nos lábios – Saí de casa deixando uma carta…
- Amava-lo?
- Claro… Por isso mesmo é que o fiz, de outro jeito não teria tido a coragem de me vir embora, se o fizesse cara a cara!
- A menina quis proteger o que ele sempre havia ambicionado e afinal… Foi mal interpretada!
- Sim… Mas acho que mereci este sofrimento todo, compreendo que não deve ter sido fácil para ele chegar a casa e no lugar da namorada, encontrar um armário vazio, as chaves de casa e uma carta…- recordei com amargura na voz e expressão taciturna, as acções impiedosas que tinha cometido com David… fora sem dúvida cruel a maneira como tinha dado um fim ao nosso amor
- Ninguém merece sofrer, menina… Nem mesmo quanto comete asneiras, ainda para mais se estas estavam cobertas de boas intenções!
- De boas intenções está o inferno cheio… Foi o que sempre ouvi dizer! – as minhas sobrancelhas ergueram-se e juntamente com os meus lábios, que formaram um beicinho engraçado, deram origem a uma expressiva careta
- Arrepende-se do que fez, Adriana?
- Arrependo… Em parte arrependo, porque afinal ele ficou em Portugal e perdi-o, mas por outro lado não, pois sei que se fiz o que fiz, foi para resguardar o sonho dele e quem ama deve fazer isso sem olhar ao bem próprio!
- Para quem tem dezoito anos, essa compreensão do amor é de louvar! – disse calmamente, enquanto passeava as mãos na chávena de porcelana sobre a mesa – Quem me dera tê-la tido na sua idade…
- Tudo aquilo que já vivi serviu-me de alguma coisa… - o meu indicador contornou o rebordou da caneca, num passeio calmo e exasperante – Mal ou bem, pelo menos assumi tudo aquilo que fiz… Deixei-o, arrependo-me, mas não há mais nada que eu possa fazer, sem ser seguir com a minha vida!
- Ele está aqui tão perto, menina… Porque é que não fala com ele?
- Não adianta, Paulo… A minha história e a dele está terminada, tenho de seguir em frente do mesmo jeito que ele seguiu! – libertei um suspiro vagabundo, que ameaçava quebrar o meu coração a qualquer instante
- Lamento imenso, menina… A sério que sim… - notei-lhe a sinceridade na voz e não me coibi de sorrir em jeito de agradecimento
- Pode acreditar que ninguém lamenta mais do que eu… - acenei levemente com a cabeça e enterrei o olhar na chávena entretanto já vazia, após o lanche – Bem, vamos pagar então! – esbocei um sorriso falso de modo a aliviar o ambiente e regressar a praias seguras
- Claro, menina… Eu chamo o empregado!
- Não é preciso, eu vou lá… - ofereci-me, deslocando a mala do colo para o ombro e segurando a carteira
- Nada disso, para isso vou lá eu…
- Pronto, como preferir então… Eu espero aqui! – estendi-lhe uma nota de dez euros e limitei-me a sorrir
- Não saia daqui, menina, que eu não me demoro nada! – preveniu num tom alarmista
- Não se preocupe… Eu não me mexo nem um milímetro! – um tom brincalhão tomou conta do meu discurso e gargalhei levemente
- Não brinque, menina… Eu vejo já! – a sua figura desvaneceu-se por entre as portadas do antigo café e fiquei ali sozinha
Enfiei as mãos nos bolsos da saia travada, que envergava… O meu olhar correu toda a imagem, que se estendia na minha frente, mas poisou sobre um velhote, perto das margens do rio. Vestindo umas calças de sarja manchada de azul e uma camisa branca de Verão, proferia em francês suaves pregões, que incentivavam o negócio. Na sua frente tinha uma mesa repleta de cadeados, na dianteira da qual os casais de apaixonados passeavam em busca daquele que seria o perfeito para colocar os nomes de ambos e amarrar nas margens do rio, como promessa de amor eterno. A ponte Neuf era então a escolhida para juntarem os seus futuros eternamente, rumo à posteridade. Num simples gesto de curiosidade afastei-me da esplanada e caminhei na direcção do velhote, mas não se antes lançar um último olhar a Paulo, que aguardava na fila para pagar.
Por momentos desejei estar a fazer aquilo com David… Desejei voltar a tê-lo do meu lado, a beijá-lo, a amá-lo, a tocar-lhe… Mas sabia tão bem o quão impossível isso seria tendo em conta o desfecho trágico, daquela que teria sido a história de amor perfeita. Num desejo mórbido e impensado, comprei um cadeado vermelho com cerca de cinco centímetros de altura e auxiliada por uma caneta, emprestada pelo vendedor, fiz a minha inscrição na superfície metálica.
Por momentos desejei estar a fazer aquilo com David… Desejei voltar a tê-lo do meu lado, a beijá-lo, a amá-lo, a tocar-lhe… Mas sabia tão bem o quão impossível isso seria tendo em conta o desfecho trágico, daquela que teria sido a história de amor perfeita. Num desejo mórbido e impensado, comprei um cadeado vermelho com cerca de cinco centímetros de altura e auxiliada por uma caneta, emprestada pelo vendedor, fiz a minha inscrição na superfície metálica.
“Adriana & David, 23 de Fevereiro” – podia ler-se no metal avermelhado do cadeado
A lenda rezava que aqueles que prendessem o cadeado nos postes da ponte e jogassem nas águas do Sena a chave, ficariam juntos e felizes, enquanto aquele ali ficasse amarrado. Precisava tentar… Nem que fosse uma última vez, nem que fosse por uma lenda ridícula e sem qualquer tipo de fundamento. Olhei na direcção da antiga boutique e vi o Paulo já muito próximo da caixa de pagamento, o que me revelou o escasso tempo que me restava para finalizar a fantasia patética, que envolvia aquele pedaço de metal. Continuei o meu percurso, até pisar o tabuleiro da ponte e acercar-me de um dos postes laterais. Uma infinidade de cadeados, de todas as cores, possuíndo uma imensidão de nomes e datas amorosas, preenchiam quase todos os espaços vazios, que ainda restavam. Foi então a minha vez… Selei a união dos nossos nomes com um beijo, que me permitiu sentir a temperatura cálida do objecto e sem qualquer dúvida amarrei-o nas grades, onde tantos outros ocupavam lugar. Encerrei a sua fechadura, garantindo depois num leve puxão, que se encontrava apertado e inviolável. Um suspiro corrompeu a minha alma e inevitavelmente as lágrimas inundaram os meus olhos. Teria dado o mundo para o ter do meu lado naquele momento… Seria um momento bonito de viver em conjunto, unidos, enquanto casal, mas infelizmente a força das circunstâncias não o permitia. Fechei os olhos, sentindo as lágrimas deslizarem-me pela pele fresca do rosto, e num único movimento, repuxei o braço atrás jogando a chave ao rio… Não sei se havia algo a fazer relativamente à nossa relação, mas o juramento estava feito, esperava então pela realização da profecia… ali, sozinha, nas margens do Sena.
***
(Paulo)
Deixei-a no exterior do café com uma leve sensação de aperto no peito, mas como a conseguia manter debaixo de olho através das portadas envidraçadas, isso conferia-me uma maior sensação de segurança.
- Bon soir, cinq euros et trente-cinq cents, s'il vous plaît ... – solicitou o jovem moço do café e limitei-me a entregar-lhe o dinheiro com um sorriso calmo em meus lábios – Merci, revenez souvent! – desejou imediatamente, assim que colocou o troco na palma da minha mão
- Merci beaucoup, bon soir! – agradeci educadamente com um sorriso nos lábios e virei costas, dando lugar à pessoa que se seguia na fila de pagamento
Caminhei até junto da mesa onde a tinha deixado, na esperança certa de que lá estaria, mas quando os meus olhos não a enxergaram, o meu coração disparou de forma frenética, num gesto que quase pareceu fazê-lo explodir no meu peito. O meu olhar desesperado percorreu tudo aquilo que me rodeava no intuito de confirmar que ela apenas se tinha afastado, mas nem sinal dela… Não estava em lado nenhum, por muito que ansiasse pelo contrário. Eu tinha-me distraído por uma questão de segundos, mas agora como iria eu explicar à Alice que a tinha perdido? Senti-me tal e qual aqueles pais irresponsáveis e desatentos, que em simples actos, em simples momentos de mera distracção, se desembaraçam dos filhos, chegando alguns a não vê-los nunca mais…
- Merda, merda, merda! – censurei-me a mim próprio, enquanto o meu olhar vagueava por todos os recantos da belíssima paisagem de Paris, que entretanto se havia tornado mais negra do que nunca
Desci cada avenida numa busca desesperada de algo que me fizesse reconhecê-la e levá-la em segurança até ao hotel, mas foi uma procura vã, pois regressei de mãos a abanar e sem saber onde Adriana poderia estar… Observei imediatamente os meus colegas, que avaliando o meu estado de consternação compreenderam imediatamente o que se havia passado, mas quando se tentaram aproximar, foram interrompidos pela entrada da imponente e imperdoável Alice, no átrio.
- Paulo, finalmente! Onde raio se enfiaram? – espreitou por cima do meu ombro, na clara espectativa de encontrar a figura de Adriana, mas só eu sei o quanto isso seria impossível – Onde está a Adriana? Já subiu ao quarto? Vou ter com ela! – em passadas largos, tomou o caminho do elevador, mas depois de me encher de coragem, fui obrigado a interrompê-la com a minha voz trémula e melindrosa
- Não, a Adriana não está no quarto… - indaguei num murmúrio auspicioso, que me poderia custar a carreira enquanto segurança pessoal
- Não? – ao rodar sobre os seus próprios calcanhares, tomou a livre vontade de me mirar de cima abaixo, buscando uma resposta rápida – Então onde é que ela está?
- Ah… Ouve Alice, eu tirei os olhos de cima da Adriana durante uns segundos e… - creio que pela expressão de pânico que assaltou o seu rosto, ela adivinhou a confissão que ameaçava emergir a qualquer segundo- … perdia-a. Foi um acidente!
- Tu o quê?! – a exaltação que moveu todo o seu corpo e voz, fez com que os restantes hóspedes ali presentes nos observassem atentamente, aguardando o desenrolar de uma conversa que tinha tudo para ser bastante acesa
- Tem calma… Foi um acidente! Eu fui pagar a conta, deixei-a na esplanada e quanto voltei ela não estava mais lá!
- Mas tu és um irresponsável, como é que a foste perder?! Paulo, ela não conhece nada em Paris… Tu és um irresponsável! – todas as acusações que me direccionou, aceitei-as tendo uma certa noção da realidade e achando que em parte até as merecia
- Foi um acidente, Alice… Eu não fiz por mal!
- E agora? E agora, como é que a vamos encontrar?
- Eu desci todas as avenidas em busca dela, mas não a encontrei… - informei, assim que senti um forte aperto no peito a bloquear-me a respiração leve e ritmada imposta pelos meus pulmões
- Oh meu Deus… O que vamos fazer agora?
- Não sei… Acho melhor chamarmos a polícia, para eles nos ajudarem nas buscas… - sugeri, disposto a assumir todas as minhas culpas no desaparecimento de Adriana
- Ouve bem, Paulo… Eu vou chamar a polícia para nos ajudar, mas independentemente do que acontecer, depois disto, estás despedido! – ameaçou-me num tom intimista, enquanto se recorreu do indicador para mo apontar
Aceitei a sua decisão, afinal havia falhado um dos princípios da minha profissão e era perfeitamente justo perder o emprego por isso… Numa questão de minutos o átrio do hotel inundou-se de polícias, chamados pelo rapaz da recepção a pedido de Alice, que em total desespero, arranjava maneiras infinitas de encontrar Adriana. Enquanto eu e ela nos reuníamos com o chefe policial, já os outros três seguranças moviam esforços na busca de Adriana pelas ruas parisienses.
- Tens alguma foto dela, Alice? – questionei, num jeito amedrontado, proferido na incerteza da maneira como ela me iria tratar
- Sim, aqui… - inesperadamente, passou-me uma foto dela para as mãos, onde estava perfeitamente feliz, sorridente e tudo isso me assustou, pois temia nunca mais retornar a ver aquela rapariga… e tudo por minha irresponsabilidade
- Voici ... C'est elle! – estendi a imagem da perfeita Adriana ao profissional que comandava as operações policiais, numa enorme esperança de que tudo se resolve-se da melhor maneira… mas e senão fosse assim?
Antes de mais quero pedir desculpa pela demora e pela falta de notícias acerca do capítulo, mas finalmente estou de férias e o tempo livre escasseia, mas graças a Deus, consegui terminá-lo e aqui vos deixo mais um pouco da história. :)
Espero que gostem e não se esqueçam de continuar a aumentar o número de comentários à história!
Beijinhos a todas as minhas queridas leitoras! :)
Drii ♥
P.s - Não sei quando irei conseguir postar o próximo, mas tentarei ser tão breve quanto me for possível :)


33 comentários:
Bem... tu não és capaz de imaginar a minha cara quando vi que era o Diogo. Quando vi que ele a aconselhou da melhor maneira fiquei contente, afinal ele tinha provado ser um HOMEM naquele dia no colombo.
Uma réstia de mim,tem esperança e quer que o Rúben encontre a Adriana e que eles conversem. Quer que ela lhe diga que sente falta do David, quer que o Rúben corra a dizer isso mesmo ao David e que este, bem, vá a correr ter com ela.
Achei maravilhoso o que a Adriana fez, e quem sabe a lenda resulte e um dia ela leve lá o David e lhe mostre o cadeado. Cadeado - vermelho - levas tudo ao pormenor . :)
Anseio por mais e como já te disse, espero que as férias continuem a ser boas.
Beijinhos ♥♥♥♥ Até breve
p.s: o Paulinho não pode (e no fundo, eu sei que não vai) ser despedido.
Adorei, quero mais!
É agora que a Adriana e o David se vão encontrar?
ai, amor! como é que num capítulo tão lindo como este eu não li antes? -.-
TÁ LINDO, LINDO, LINDO, MELHOR AMIGA DO MUNDO!
amo-te mais que tudo, beijozão! ♥♥♥♥
Lindo demais amor !
Então quando é que eles vão se encontrar ? Tem que ser agora please *-*
Beijooos !
Opah, sinceramente fica cada vez mais difícil comentar os teus capítulos! É porque não sei o que dizer, mesmo.
Esta FANTÁSTICO!!
LINDOO; LINDOOO; LINDOOOO :DD
Cadeado -->> ADOREII, pena como ela não disse ter sido com o David :P
Ansiosa pelo próximo capitulo, que será que se passou com a Adriana O.O
Continuaaaa *) beiJOOOO
PS: AMOOO LOUCAMENTE A TUA FANFICCC ^^
Olá, neste verão descobri a tua fanfic e logo comecei a lê-la, devo confessar que no 1º capítulo vi que se tratava do david luiz e do benfica (que desculpa dizer-te não gosto nada do clube) pensei em apagar o endereço do teu blog, mas o prefácio deixou-me de tal maneira presa ao ecrã que decidi dar uma chance á tua fanfic, e devo dizer-te que não me arrependo nada! Simplesmente é uma história linda, que apesar de o conteúdo em si retratar uma comum história de amor, a maneira como é escrita, o dom que tu tens para escrever e para expores os teus pensamentos fazem desta história uma grande mas mesmo grande história de amor! Desde que comecei a ler, senti felicidade, tristeza (e algumas lágrimas, principalmente com a morte do avô, o que me fez pensar como seria se me acontece a mim), saudade, enfim tudo o que a Adriana sentiu e não pude parar de ler nunca, e no fim do julho fui de férias, e consegui ler todos os capitulos de julho antes de ir. Devo confessar que na 2º semana de férias (onde não tinha acesso á internet) comecei logo a sentir saudades da tua escrita, da tua história, da Adriana e do David. Mal cheguei hoje, liguei o pc e fiquei feliz por poder ler mais 4º partes desta grande história.
Isto tudo é para te dizer, que apenas comento agora a tua fanfic, pois quis comentá-la no último capítulo que tivesses escrito e não em capítulos de 2010. Quero pedir-te e aconselhar-te que NUNCA pares de escrever e de publicar esta história, pois para mim tornou-se um grande mas mesmo um grande vicio.
Relativamente ao capítulo que hoje publicaste, mal posso esperar para ver o que aconteceu á Adriana, e estou ansiosa pelo reencontro dela com o David.
Compreendo que não tenhas muito tempo para publicares mas mal possas, adorava que publicasses, pois vou ansiar pela leitura do próximo!
Espero que tenhas muita sorte na tua vida, que invistas no teu dom de escrita e que um dia possa ver um livro teu nas livrarias, e se isso acontecer podes ter a certeza que tens aqui mais uma compradora, disposta a ler todos as tuas publicações.
Prepara-te para daqui em diante eu ser mais uma comentadora de todos os teus capítulos publicados. Por issos beijos e até ao próximo capítulo, que eu espero estar para breve :)
Quero mais.
Quero o David e a Adriana juntos, adorei a parte do cadeado, e como sempre a tua história fez-me chorar :)
Quando puderes posta mais please!
Minha linda :)
Acabei de ler o capítulo e mais uma vez adorei :)
Mas agora fiquei com a pulguita atrás da orelha... então a Adriana desaparece... malandreca... ela nunca gostou de ter os seguranças atrás dela... será que com este pseudo desaparecimento ela vai esbarrar com o David???
Quero mais... muito mais... contínua sempre :)
Beijocas
Catarina Silva
P.S. desculpa não consegui comentar com a minha conta :s
Oieeeeeeeeeeeeeee :D
Adoreiiiiiiiiiiiiii :D
Eu quere-os juntosssssssssss :p
Quero mais *_*
Beijinhos*
Fogo pah! E eu a pensar que era o David e aparece-me o Diogo! E agora ela desapareceu! Ora bolas! O que virá a seguir? Estou tão curiosa, desejosa pelo próximo capítulo.
Bjs
Não vale a pena dizer mais nada....simplesmente sou fanática da tua fic
Muito fixe... espero que ele se encontrem brevemente, a cidade do amor é o cenário perfeito para isso acontecer *.*
Gostei muito do capitulo! Quando é que os juntas??
Qual é o nome da musica?
Fantastico como sempre ... E nao te preocupes que a espera é sempre compensada por estes capitulos que deixam sempre a vontade de ler mais XD
Fico à espera do proximo!
Bjs
ai Adriana Maria tu queres matar-nos de curiosidade?? isto nao se faz, é muita emoçao junta!! :p :p
tá LINDO, LINDO! e eu tenho cá um feeling que esta estadia da adriana em paris ainda vai dar que falar, entao o "desaparecimento" dela... quero mesmo saber o que vai acontecer! só tenho pena do paulo, coitado!
quero mais minha linda, sim?
beijinhos
Eu a pensar que era o David e afinal é a melga do Diogo? Este hotel deve ter mel. E onde é que a menina Adriana se meteu?Marota,pirou-se e faz a cabeça dos seguranças em água, agora fiquei curiosa, será que é desta que eles se encontram? Espero bem que sim,já não era sem tempo.Já não há palavras para descrever o que escreves, só posso dizer que adoro cada vez mais e que tou desejosa que eles se orientem,continua.
Beijos
Fernanda
continua com o excelente trabalho . parabéns Drii
beijinhos
Nos entendemos que estejas de férias, aproveita bem. tenta ser o mais breve possivel a publicar ;)
kiss
Oh, esquece, está lindo! :)
Eu gostei imenso!
Continua!
Beijo (:
Eu a pensar que ela ia cruzar-se com o David e afinal foi com o Diogo :P
Parabéns Dri, a história está cada vez melhor! :)
A musica é do James Morrison - Broken Strings ft. Nelly Furtado.
Excelente capitulo, para não variar! xD
Adorei este capitulo!!! Mas devo dizer que fiquei um bocadinho desiludida ao inicio ao perceber que era o Diogo e nao o David.
Amei a parte do cadeado e a conversa com o Paulo!!
Agora espero que este desaparecimento sirva para alguma coisa e que ela finalmente se encontrei com ele e que conversem.
Mais uma vez, muitos Parabens!
continua =)
Bjs
depois de ler o capitulo quase chorei. Está lindoooooooooo x)
Amo, amo, amo *.*
O melhor blog, sem dúvida!!!
Continua :)
P.S.: Tenho uma nova fanfic : http://lovetolive-fanfic.blogspot.com
Bjs :)
EXCELENTE...
QUERO MAIS...
CONTINUA...
quando vem outro capitulo? :( tenta ser rápida drii.
Está mágico.... cada capitulo k escreves prende me mais à historia. Já tou ansiosa para ler o próximo
está mesmo super perfeitoooo!
estou ansiosa.
BEIJINHOS DRRII
tens um dom para a escrita. fico contente por o diogo se estar a tornar um homem.
Continua por favor bj
Eu já te conheço é fácil de notar, fica transparente ver no seu olhar, o que está passando na sua cabeça… - vi os lábios dela formarem a primeira frase da música ao mesmo tempo que dançávamos, ela sorriu-me envergonhada
- Se eu não! Estivesse com você, estaria sem ninguém e faço promessas p’ra te provar…Te provar! - cantei baixinho também o inicio do refrão e ela me sorriu com um enorme brilho nos olhos
"
- Prometo ser fiel a você, te amar com o fogo da paixão, não quero mais ninguém, pode crer e deixo tudo em suas mãos – cantámos ambos sem afastar os nossos rostos um do outro
- Avise a quem queira saber que este amor é p’ra durar p’ra sempre! – finalizei eu fazendo-a rodar"
Acho que o David e a Adriana deviam lembrar-se desta musica e perceber que o amor deles será para sempre!!
Também deviam lembrar-se de cada jura de amor e de cada promessa que fizeram e disseram um ao outro e perceber que ja chega de estar afastados e de serem casmurros....
Ambos erraram, ambos se magoaram e mas principalmente ambos se amam e merecem uma nova oportunidade. tem de ser o david a encontrar a adriana desta vez...
bjs
Amei a tua história, quero mais *.*
Adoro esta tua fic!!! Estou totalmente viciada... leio vezes e vezes sem conta...
estou tao tristinha por eles ainda n terem feitos as pazes :(
caramba eles prometeram que seria para sempre
"- Amor… É mesmo para sempre? – perguntei finalmente, meio a medo e mantendo-me de costas para ele
- É, meu amô… Te garanto que é para sempre! Do nosso jeito, vai sempre haver um para sempre…
Os braços dele apertaram-me para si com uma enorme segurança, como se aquilo que a sua boca proferira, fosse totalmente verdade e o único elemento verdadeiro na vida e no coração dele. Amor, era o sentimento-rei, na nossa relação.
- Sempre… Sempre… Sempre… Sempre… - fiquei a ouvi-lo sussurrar esta palavra, muito baixinho, junto do meu ouvido."
Oh Adriana, tá na hora de os voltares a juntar!!
E mais uma vez adorei o capitulo!
beijinhos
Olha, minha linda, não sei que te dizer. Mesmo!
Isto é sempre tão sensacional, tão único! :)
Fico urgentemente á espera do próximo.
Esse momento dos aloquetes, como eu conheço essa sensação!
Amei. É um vicio!
Escreves maravilhosamente bem.
Beijinhos minha linda ;)
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