Assim que as autoridades francesas tiveram em suas mãos o retrato de Adriana, não demoraram nem um segundo até o dispersarem por todos os membros da equipa e iniciarem as buscas por toda a cidade. Alice estava num total estado de nervosismo e esperava a qualquer hora ganhar forças suficientes para contactar os pais dela e informar-lhes do sucedido. Quem se mantinha completamente alheio à situação era David, que contando as horas para o encerrar de mais um dia vagaroso, abandonava o centro de treinos, na periferia do hotel, juntamente com Ruben, servindo-se de um ou dois dedos de conversa.
- Pocha, estou tão cansado… - indagou Ruben, enquanto esticava os seus braços em frente ao corpo de modo a fazer todas as suas articulações estalarem, libertando a tensão acumulada dos dois treinos daquele dia – Acho que hoje quando cair na cama até vai parecer mentira!
- Não vem não, manz… Escusa de vir com essa conversa, pois hoje é a minha vez de tomar banho primeiro! – relembrou David num laivo de perspicácia, muito próprio de quem já conhecia todas as manhas do melhor amigo
- Oh, podias abrir uma abébia… Estou mesmo a precisar de descansar!
- Olha, tá precisando você e eu, que treinei tanto ou mais que você!
- Pronto, pronto… Não está mais aqui quem falou! – Ruben acabou por ter de se render às evidências do acordo estipulado no início do estágio
O fausto formado no átrio do hotel era de tal forma apelativo, que toda a comitiva encarnada foi sustida no espaço, impossibilitando a sua retirada aos quartos, no intuito de se refugiarem em descanso. Conseguiram arranjar por fim um pequeno canto, junto de uma colossal coluna de mármore, onde tinham uma ligeira vista de toda a situação, mas poucos eram aqueles que compreendiam o que de facto estava a acontecer.
- Fogo, tanto polícia, mano! – balbuciou Ruben, deixando o seu olhar espantado percorrer todas as autoridades presentes, permitindo ao seu lado mais impressionável vir ao de cima
- Pode crer… O que será que está acontecendo, manz? – também David foi vítima de um laivo de curiosidade, que rapidamente se alastrou aos restantes jogadores da equipa da Luz
- Rapazes, subam para os vossos quartos… Assim que puderem descer para jantar serão avisados! – ordenou num tom tão formal quanto possível, o preparador físico do clube encarnado – Rapazes! – teve de chamá-los novamente e desta vez num tom de voz mais elevado, para que estes libertassem a atenção de toda a confusão policial que os envolvia e acatassem a sua ordem
- ‘Tamo indo, chefinho… ‘Tamo indo! – Luisão foi o primeiro a subir no elevador juntamente com um grupo de mais três ou quatro colegas de profissão
Após isso todos os outros foram tomando o seu lugar no ascensor e remontando aos pisos superiores, inclusive a equipa técnica. Para o fim restou David e Ruben, que desconhecendo os seus próprios motivos, foram incapazes de se movimentar, o pouco que fosse, do sítio onde se encontravam.
Os homens altos e encorpados, que envergavam uma farda azul detalhadamente polida e arranjada, passeavam-se nas entradas do hotel, comunicando entre si através de auriculares e transportando nas mãos fotos da jovem Adriana, da qual ainda não havia quaisquer notícias.
- Anda, mano… Vamos subir, senão atrasamo-nos para jantar! – Ruben passou a mão nas costas de David, onde implantou uma suave chapada de modo a chamá-lo à realidade, que lhes era imposta pelas regras rígidas do clube
- É… Vamo, manz!
Moveram-se lado a lado, até chegarem junto do elevador e quando este se abriu na frente deles, largou uma fornada de gente… Entre os seguranças, encontrava-se Alice, com mais umas quantas fotos de Adriana na mão e preparando-se para fazer o derradeiro telefonema para os pais dela.
- Eles têm de a encontrar… Não aguento mais esta falta de notícias! – proferiu num tom nervoso, enquanto remexia com o polegar no ecrã táctil do telemóvel
- Tem calma… Ela vai aparecer, eles vão encontrá-la! – um dos seguranças que se encontrava do lado de Paulo, cabisbaixo e molestado com a situação, passou-lhe uma pasta com as fotografias dela e Alice fez questão de a abrir
- Quero que espalhem a foto dela por toda a gente… Têm de a encontrar o mais rápido possível! – ordenou vigorosamente, distribuindo as fotos pelos dois seguranças que estavam encarregues de gerir as buscas, juntamente com as autoridades parisienses
Foi nesse mesmo momento, que ao lançar um olhar despojado de qualquer intenção maliciosa, Ruben perscrutou a imagem de Adriana nos variados retratos que percorriam nas mãos de Alice. O seu coração empancou e o seu pensamento ficou levemente conturbado, pois desconhecia por completo a presença dela em Paris… quanto mais no mesmo hotel onde estava instalado com a equipa.
- Espera, David! – chamou imediatamente pelo amigo, que tomava já meio caminho para dentro do elevador
- Que é agora, manz? – este retomou até junto de si e observou com atenção o mesmo cenário, que Ruben fitava de olhos esbugalhados
- É ela… - proferiu num suspiro de cepticismo – É ela, mano! É a Adriana! – concluiu com uma expressão de pânico, ao perceber que todo aquele aparato era sinónimo do seu desaparecimento
- Que Adriana, manz? - inquiriu, não querendo acreditar tratar-se da mesma pessoa que o deixara há dois meses atrás… com uma carta
- A Adriana, puto! A nossa Adriana… É a foto dela! – as feições fantasmagóricas que dominavam o rosto de Ruben, não arranjaram meio de se dissolverem e permanecerem impenetráveis até este constatar o que de facto se passava – Olhe, desculpe…
Ruben seguiu atrás de Alice e todos os seus mandantes, deixando para trás David, que ainda se encontrava meio em choque com toda a situação. Não com o desaparecimento dela… Porque esse ainda lhe era desconhecido, mas sim com o facto de a mulher que amava ter estado aquele tempo todo ali tão perto e sem ele ter o entendimento de nada. O coração dilacerado pela dor de todas as palavras deixadas juntamente com a carta, desaprendeu a bater… desaprendeu a sobreviver e retomou à dor que achava já ter conseguido domar… aparentemente!
- Olhe, desculpe! – Ruben bateu com o indicador nas costas de Alice, na esperança de a conseguir demover daquela caminhada tão apressada, que chegava a desgastar o mármore que forrava o pavimento do átrio
- Desculpe? – esta olhou-o de cima abaixo, apesar de saber muito bem quem ele era e a relação de proximidade que mantinha com Adriana – Posso ajudá-lo em alguma coisa?
- Sim, na verdade pode… - o seu indicador ergueu-se no ar, desenhando um percurso imaginário da direcção da fotografia que ela segurava em suas mãos - Essa rapariga… Eu conheço-a!
- Não… Eu creio que não! – ela tentou fugir e virar-lhe costas, pois David havia-se juntado do lado de Ruben no intuito de compreender o que estava a acontecer e procurar esclarecer as dúvidas e tormentos, que preenchiam o seu peito
- Alice, não faças isso! – Paulo sabia o quanto Adriana ainda amava David e o quanto preservava a relação de amizade que mantinha com Ruben, por isso não achou correcto ocultar-lhes o seu desaparecimento – Sabes bem o que ela iria achar disto…
- Paulo, não te metas! – sussurrou entre dentes, trocando um olhar ameaçador com o segurança, que estava sob as suas ordens de ferro – Mais uma vez… Peço desculpa, mas não posso ajudá-lo! – direccionou um breve aceno de cabeça a Ruben e virou-lhe costas transportando a foto de Adriana entre as mãos
- Oiça… Alice! – recorrendo à informação dada por Paulo, Ruben tentou uma nova investida, pois precisava realmente de tirar aquela dúvida, que o estava a atormentar
- Manz, esquece isso… Esquece… - indagou David, ao segurar-lhe no braço para interromper o novo percurso que o amigo se preparava para trilhar, atrás da agente… talvez por medo das suspeitas se confirmarem e em menos de nada ter de enfrentar a única mulher que tanto temia ver nos últimos tempos, por medo de falhar e voltar entregar-se ao sofrimento que aprendera a aprisionar
- Não esqueço nada, David… É ela, eu tenho a certeza! – firmou na totalidade das suas certezas e desenvencilhando-se da mão do melhor amigo no seu braço – Oiça, Alice! Alice! – apesar de ele ter seguido atrás dela, esta não se dignou a parar, tendo sido Paulo, que ficou para trás, o porto que Ruben encontrou para se esclarecer
- Oiça, menino… - surgiu do lado esquerdo do seu corpo e fazendo-se acompanhar de um compasso nervoso – Eu sei que o menino a conhece…
- É a Adriana, não é? – questionou, apesar de saber muito bem qual a resposta, que acabou por lhe ser confirmada por Paulo
- Sim, é… É a Adriana! Eu sou o segurança dela… Paulo, prazer! – estendeu-lhe a mão, que acabou por ser apertada, transparecendo o estado de nervosismo que se havia então instaurado em Ruben
- Ruben Amorim, prazer… O que é que lhe aconteceu?
- Pois… - Paulo deteve-se alguns segundos ao relembrar a quota-parte de culpa que possuía em toda aquela situação – A Adriana desapareceu… Mas já mobilizámos todos os recursos possíveis para a encontrar!
Foi então a vez de David se ressentir. Era de facto Adriana… A mulher da sua vida, o amor vivido e findado… Era ela que tinha estado tão perto naquelas últimas horas, apesar da ausência do seu conhecimento, e agora era ela que estava desaparecida, algures pelas ruas de Paris, sozinha… Foi inevitável um rasgo de preocupação não preencher o único órgão vital que ainda conseguia sentir no meio de tanta dor.
- Eu quero ajudar… Eu vou à procura dela! – prontificou-se o melhor amigo de Adriana, batendo com as mãos junto das coxas
- Não precisas, Ruben… Nós temos as melhores equipas em campo, ela vai aparecer! – um burburinho provindo de junto das equipas de busca, invadiu todo o ar envolvente – Se me desculpam, eu tenho de ir… Mantenham a calma! – soltou um último conselho e deixou os dois amigos sozinhos, somente remetidos à companhia um do outro
- Eu não acredito… - as mãos de Ruben passaram pela cabeça, tentando despentear os cabelos que mantinha rentes, junto do couro cabeludo – Ela esteve aqui e não disse nada…
David manteve-se inerte… Incapaz de falar, incapaz de pensar, incapaz de agir. O medo havia congelado toda a sua razão, impedindo-o de fazer o que quer que fosse, inclusive responder ao melhor amigo. Não sabia se o choque maior era a hipótese eminente de a puder ver, ou se o facto de estar desaparecida, sem ter deixado qualquer rasto.
- Mano, quero ir à procura dela! – insistiu Ruben, dando-lhe um leve encontrão de modo a forçá-lo a regressar à realidade
- A gente não pode… Temos de ir tomar banho, pra depois descer pra jantar… - ele fez um esforço enorme para manter a frivolidade imposta por toda a mágoa que ela lhe havia causado
- David… É a Adriana! É a nossa Adriana! Não estás minimamente preocupado? Ela desapareceu, puto… Desapareceu!
- Eu não sei de quem cê tá falando, mas temos obrigações para cumprir… Cê já sabe que pudemos arranjar problemas senão estivermos prontos na hora!
- David, pára com isso! É claro que sabes quem ela é… É claro que estás preocupado, só estás a tentar ser forte, mas eu conheço-te… Eu conheço-te!
- Cê quer que eu faça o quê? – questionou num ar de prepotência evasiva – Eu não me vou preocupar com uma pessoa, que durante tanto tempo ficou nem aí pra mim!
- Estás a ser injusto… Pensei que ao fim deste tempo todo já tinhas percebido que tudo o que ela fez foi para fazer com que conseguisses realizar o teu sonho, David… Pára com esse egoísmo, quando eu ainda sei que a amas… - ele ia refutar imediatamente, mas Ruben cortou-lhe a fala – E não adianta negares, eu sei bem que ainda a amas e pensas nela, só que não dizes nada…
- Adriana! – a voz acutilantemente nervosa de Alice rasgou o ar que preenchia o espaço
Lá vinha ela… Perfeitamente serena, perfeitamente calma, perfeitamente dona de si. Perdera-se por passeios em Paris, mas não encontrou qualquer problema na hora de encontrar o caminho de regresso, apenas se recorreu de algumas informações dadas por moradores locais. Tanto Ruben como David, perscrutaram a entrada do hotel, na esperança de encontrarem a figura correspondente ao nome e assim foi… Envergando uma saia preta travada, que lhe dava um pouco acima do joelho e um top sem alças, levemente florido e discreto, Adriana segurava na mão a mala negra e os óculos no topo da cabeça, repuxavam para trás os cabelos, que lhe emolduravam perfeitamente o rosto construído de traços leves. As pequenas sabrinas que tinham em seus pés, soqueavam a tijoleira, dando leves passadas na direcção de Alice, pois mantinha-se totalmente à margem da situação e a presença de tantos polícias causou-lhe estranheza.
- Pequenina… - ao abrir passagem por entre todos os policiais, Ruben apertou-a em seus braços, onde regularizou a respiração assustada pelo medo em perdê-la
- Ruben?! – questionou-se num misto de pânico e receio, pois não havia nenhum sinónimo de "Ruben" melhor do que "David"
- Estás bem? – as suas mãos afagaram o rosto da pequena Adriana, num gesto de leviandade certeira, demonstrativa do alívio que sentia então
- Estou… Estou óptima! Mas… - o seu olhar rodou todo o cenário circundante, constatando que todos mantinham o olhar em si - … o que raio se está a passar aqui?
Ele não teve tempo de lhe responder, pois foi interrompido pelo histerismo inquietante de Alice, que numa corrida breve e forçada, se acercou dos dois disposta a implantar-lhe o maior sermão que alguma vez proferira a alguém em toda a sua vida… e provavelmente o maior, que Adriana alguma vez ouvira.
- Adriana, que seja a última vez que desapareces assim, sem prestar cavaco a ninguém, porque deixaste toda a gente preocupada! – deu inicio à sua dissertação, não abrindo qualquer brecha para a intervenção dela na conversa – Onde raio te meteste? Não tens o mínimo de responsabilidade?
- Oh Alice, tem calma, por favor… - solicitou o sempre calmo Paulo, num tom monótono, mas agora mais calmo depois do aparecimento dela – Deixa-a falar pelo menos!
- Calma? Tu és a única pessoa aqui que não tem o direito de pedir calma a ninguém! A culpa disto tudo foi tua, seu irresponsável… Podes ir fazer as tuas malas, pois regressas ainda hoje a Portugal… Estás despedido! – fincou de forma implacável e usando o indicador, que perfurou o ar, delineando um caminho recto na direcção do elevador
- Calma lá, Alice… A culpa não é do Paulo! – ao trocar um ar piedoso com ele, sentiu-se culpada, pois o seu segurança corria o risco de perder o trabalho e ela bem sabia o quão falta lhe fazia o dinheiro, para sustentar as duas pequenas filhas… Mariana e Clara, de três e cinco anos – A culpa foi minha…
- Não, menina… A culpa foi minha, sim! – automatizando alguns dos seus primordiais princípios enquanto segurança privado, assumiu impiedosamente a sua atitude, remota pela culpa que lhe consumia as entranhas – Não mereço mais o voto de confiança que me foi dado e a Alice tem toda a razão em despedir-me!
- Paulo, não digas isso! – avisou-o, assim que compreendeu a forma como este se contorcia de dor e arrependimento por a ter deixado sozinha por instantes – Aqui ninguém vai despedir ninguém… Eu já disse que a culpa foi minha!
- Mas onde te enfiaste, Adriana? – foi então a vez de Ruben intervir na conversa e sobrepor o assunto eminente do despedimento de Paulo – E porque é que não disseste que estavas em Paris e no mesmo hotel que o resto do pessoal?
- Oiça… Não acho oportuno vocês falarem agora… Agora é altura da Adriana descansar, pois foram demasiadas emoções! – fazendo seguir o hábito, Alice intrometeu-se na conversa e insistiu em controlar a vida de Adriana ao milésimo de segundo, provocando nesta um enorme constrangimento por falta de poder na sua agenda
- Alice, por favor… - cerrando os maxilares, para conseguir suprimir a enorme raiva que sentia naquele momento, a melhor amiga de Ruben, direccionou um ar furioso à agente – Eu vou falar com o Ruben e se quiseres esperar, óptimo para ti… Senão o elevador fica já ali… - forçou um sorriso educado e muito pouco discreto aos olhos de todos
- Adriana… - ela forçou uma nova investida, mas esta estava disposta a levar a sua avante e assim acabou por fazê-lo
- Primeiro que tudo… Eu não te disse que estava em Paris, nem no mesmo hotel, porque planeava amanhã passar pelo centro de estágio e pôr a conversa em dia… Mas eu ia dizer-te que estava cá! – começou por se justificar ao melhor amigo, enquanto as suas mãos se envolviam numa brincadeira de enrola-desenrola, afogando o verdadeiro motivo da sua falta de notícias
- Adriana… Pelo menos tinhas mandado uma mensagem, dito um “Olá, tudo bem?”, ou vais dizer que não tiveste tempo? – infelizmente, ele conhecia-a melhor do que aquilo que esta esperava e deslindou em cada gesto seu o nervosismo da presença de David, a qual ainda não havia sido notada por ela
- Ruben… Vá lá, agora não! – suplicou numa breve troca de palavras, que apenas pretendiam arrastar para bem longe o tema de conversa que se havia tornado proibido entre eles: David – Amanhã eu vou ter contigo e pomos a conversa toda em dia… Agora estou demasiado cansada!
- Mas ao menos diz-me onde é que estiveste… Deixaste esta gente toda preocupada!
- Sim… Isso é uma pergunta à qual eu irei ficar muito satisfeita por obter uma resposta! – Alice não perdeu a oportunidade de se juntar mais uma vez à conversa, de forma inoportuna, tomando aquela sua pose altiva e tão bem conhecida como de mandona
- Andei por aí… Afastei-me durante uns segundos do Paulo para ver uma coisa e quando dei conta já estava sozinha e não o via em lado nenhum, então segui o passeio… Mas nunca pensei que se fosse criar este tipo de situação exagerada! – declarou num tom calmo, de alguém que não havia passado por qualquer sufoco, nem qualquer situação que lhe pudesse ter provocado medo ou mazelas futuras
- Mas tu és doida, Adriana? Tu perdeste do Paulo e em vez de vires para o hotel logo, segues com o passeio? – inquiriu de forma descontrolada, gesticulando os braços no ar frenética e histericamente – Não a sério… Arranjem-me um lugar no céu, porque eu mereço!
- Alice, tem calma… Não fales assim com ela, por favor! – foi mais uma vez o pobre Paulo, que apesar de ter toda a situação a reverter contra si, interveio na conversa e procurou serenar os ânimos
- Já te disse para não te meteres e subir para fazeres as malas, porque estás despedido…
- Alice, nem penses! – Adriana iria deixar bem clara a sua posição relativamente ao assunto, pois não podia permitir que uma pessoa inocente fosse despedida por sua culpa – Se o Paulo se for embora… Eu vou com ele e não há concerto para ninguém!
- Adriana, não entres por aí… Não comigo! – erguendo aquele indicador no ar e agitando-o, esperou conseguir intimidá-la suficientemente, ao ponto de a fazer desistir daquela ideia ridícula e totalmente descabida
- Ai vou entrar por aí, sim senhora… Se despedires o Paulo, esquece os restantes concertos… É só o que eu tenho a dizer! – firmou uma última vez, trocando com ela um olhar desafiador e espicaçado pelo tamanho da injustiça que Alice sabia estar a cometer
- Menina, não faça isso… - apesar dele ter tentado contra-argumentar e cortar por ali, aquele que poderia vir a ser um enorme conflito, Adriana não se deu por vencida e não o deixou acabar de falar
- Paulo… Eu tenho dito, ponto final! – afirmou num tom decidido e observou o seu Ruben com um sorriso lisonjeiro nos lábios – Então e tu… Pronto para amanhã me aturares durante cinco minutinhos?
- Adriana, amanhã tens a agenda muito preenchida… - Alice tentou mais uma vez, apesar de já o ter feito vezes demais, estragar os planos que Adriana firmava para o seu dia-a-dia
- Alice… Eu não perguntei nada, que me lembre! – não se coibiu de resguardar um sorriso malicioso, que levou a agente à loucura, tendo em conta todo aquele comportamento indecoroso de Adriana – Então, Ru, pronto ou não?
- Claro que estou pronto… Estava cheio de saudades tuas, não dás notícias há séculos! – indagou num sorriso sincero e saudoso, pois nunca se sentira assim em relação a ninguém… com todo aquele sentimento de protecção, como se de uma irmã de sangue se tratasse
- Oh… Andei meio agitada este Verão, mas prometo que irei dar mais notícias a partir de agora, eu juro! – foi também com um sorriso terno e convidativo, que se encolheu sob a alçada do abraço de Ruben e iniciou uma caminhada vacilante, rumo a alguém que lhe poderia trazer alguns dissabores… mais do que aquele Verão já havia trazido, mas em outras partes do mundo… - Mas diz-me… Como está a correr a preparação da equipa? Ando um pouco desligada das notícias…
- Tu desligada do Benfica? – um assalto de surpresa, domou a expressão de Ruben, fazendo-o levar a mão à testa da sua pequena menina, de modo a confirmar se a temperatura corporal estava normal – Só podes estar doente… Não é nada teu, Adriana!
- Oh, deixa de ser tolo! – entre gargalhadas entrecortadas pela respiração vacilante de uma eminente mentira, afastou a mão dele do seu rosto e repô-la no seu lugar, junto do corpo – Mas com viagem para cá… Viagem para lá… Perdi-me nas notícias!
- Adriana… Há uma coisa fantástica chamada internet, sabes? – aquele tom gozão e tão próprio de Ruben, acabou por vir ao de cima na pior das alturas
- Oh… Sei, mas… Não tive muito tempo! – rematou de forma atrapalhada, tentando encobrir da melhor maneira o motivo porque se desligara realmente do clube que sempre fora o do seu coração
- Ai, ai, Adrianinha… Como eu adoro conhecer-te assim tão bem! – declarou numa pose altiva, que abafou um sorriso sacana e desmedidamente brincalhão
- O que é que queres dizer com isso, oh?
- Tu não tiveste tempo… Ou não quiseste ter tempo? – num arco perfeito, que formou com a sobrancelha esquerda, perscrutou-lhe todo o rosto na esperança de o conseguir deslindar, somente com a observação do vinco espesso e marcado, que se formava na sua testa, sempre que algo a atormentava – É que são coisas bem distintas…
- Não… tive… tempo… - respondeu de forma hesitante o que foi tão claro para si como para Ruben, que a segurou mais fortemente para si, tentando aquietar o pequeno coração, que lhe batia atabalhoadamente dentro do peito, na tentativa vã de lhe trespassar a pele e expor para todos a dor que o dilacerava a cada batida insistente
- Pequenina… Conheço-te! – o narizito de Adriana enrugou-se no exacto momento em que sentiu o indicador do melhor amigo pressionar-lhe a pontinha empinada naturalmente – Sei que evitas… Mas mais tarde ou mais cedo o nome será ouvido, será falado, tu irás vê-lo… Irão falar e por muito que queiras, não o vais apagar assim!
- Não sei do que falas, Ruben… - tentou desconversar rapidamente, pois sentia-se a caminhar sobre areias movediças e fora da sua zona de segurança – Acho que quem está doente és tu!
- O nome “David”… Diz-te alguma coisa? – ele não se inibiu de ir directo ao assunto, apesar de saber que de alguma forma isso iria lesar Adriana… ou pelo menos uma parte da Adriana que esta havia construído para abafar a saudade eminente de David , que a minava todos os dias um pouco mais
Ela baixou o rosto esperando perder de vista tudo aquilo que aquele simples nome lhe havia avivado na memória e atirá-lo para as pedras desgastadas, que lhe percorriam o espaço vazio debaixo dos pés, esperando que tudo desaparecesse… Que o tempo retrocedesse, que Ruben não tivesse tocado naquele nome, mas estava prestes a ser confrontada com a pior das realidades… Naquela espera vacilante em busca de palavras, que lhe permitissem responder correctamente a Ruben, a caminhada imposta pelos dois corpos, acabou por ser quebrada pelo embate do seu corpo no de outra pessoa… embora que de raspão.
- Ai, desculpe… Peço imensa desculpa! – apressou-se a dizê-lo, enquanto mantinha ainda os olhos no pé ligeiramente dorido, devido ao desequilíbrio provocado pela aspereza e força do outro corpo - Pardonne moi! – corrigiu imediatamente assim que se relembrou estar em terras francas
- Não tem mal, não… Cê tá bem? – aquela voz… não foi preciso mais nada até sentir o seu coração bater que nem um louco dentro do peito, implorando para que o deixassem sair, implorando para que o libertassem daquela prisão avassaladoramente amargurada
Os seus olhos procuraram a pessoa que menos queria ter na sua frente naquele momento, naquele sítio e ao fim de tanto tempo… David. As suas expressões perfeitamente intocáveis, os seus traços faciais canonicamente inalteráveis. Até o perfume era o mesmo… Nem isso mudara! Nem em essência, nem em quantidade, pois qualquer pessoa perfeitamente capacitada a nível de olfacto, teria sido capaz de o sentir na outra ponta do átrio. Ficaram ambos sem reacção, mas foi inevitável a busca mútua pelo olhar do outro… Os seus olhos fixaram-se somente nela, e os dela, somente nele.
- David… - acabou por dizer, talvez num teste que lhe desse as certezas necessárias de que aquilo não era nenhuma alucinação, fruto infundado da sua cabeça
- Oi, Adriana… - o coração dela ficou preenchido com o ténue sorriso que os lábios dele ameaçaram delinear, mas rapidamente este se desmoronou ao decifrar a frieza e indiferença, que lhe aveludava a voz – Tudo bom com cê?
- Olá, David… - um suspiro serenamente inquietante abandonou os seus lábios e foi-lhe necessário afastar o olhar, pois sabia que a qualquer segundo as lágrimas ameaçavam vacilar – Tudo bem comigo… E contigo?
- Tudo bem também… Como Deus quer, vai dando para levar! – apesar de se sentir a morrer pro dentro, ele mostrou-se incapaz de o admitir, especialmente na frente da mulher que ainda amava, pois não iria nunca ser aquele que dava parte fraca, demonstrando que infelizmente ainda necessitava dela para viver… e muito
- Ainda bem… - e ela acreditou em cada uma das suas palavras, apesar de serem as mentiras mais cruéis para ambos, mas ainda assim conseguiu formular um sorriso, apesar de este ter tanto de falso, como as palavras proferidas por David – Isso é que é preciso! – terminou, acenando brevemente com a cabeça num movimento ascendente
- É… Isso é que é preciso! – também ele se viu obrigado a montar um sorriso em seus lábios, apesar do estado lastimável em que se encontrava por dentro… afinal tinha na sua frente a mulher da sua vida, mas infelizmente ela não era, nem nunca mais seria, sua
- Bem… - depois do silêncio constrangedor, que Adriana se preparava para cortar, Ruben que se encontrava a cerca de dois metros resolveu intervir na conversa, disposto a fazer com que os dois melhores amigos se entendessem… de vez!
- Como é, meus amigos? – questionou ao mesmo tempo que deixou tombar o seu braço sobre os ombros de Adriana – Vamos aproveitar para jantar todos juntos?
- Ah… Eu não posso, Ruben! – ela sabia que era a única capacitada para recusar o convite, visto que David se encontrava subjacente às ordens do clube das águias – Tenho de me deitar cedo…
- Oh… Mas vais ter de jantar, por isso que diferença faz, jantares sozinha ou com o pessoal?
- Para mim faz toda, Ruben… Amanhã tomamos um café juntos, agora eu só quero subir, cair na cama e adormecer… - suspirou de forma pesada, deixando escapulir por breves segundos o reverso do seu estado de alma
- Pronto… Mas amanhã vou cobrar esse tal café! – indagou com um daqueles seus sorrisos travessos no rosto
- Sim… Amanhã antes do treino da tarde, eu procuro-te e tratamos disso, agora vou subir! – sorriu-lhe levemente e repenicou na sua bochecha, coberta pela barba de três dias, um terno beijo, expressão perfeita da sua sincera amizade
- Nós também vamos subir… Anda connosco! – ele não ia desistir assim tão facilmente de os ver juntos, ou pelo menos a terem uma conversa de adultos e cada vez dava mais provas disso
Ela não conseguiu encontrar nenhum argumento plausível que justificasse a sua ausência no elevador e por isso mesmo teve de se submeter a essa situação, sem qualquer objecção de escárnio para com David ou Ruben.
Adriana pressionou o mesmo andar que o deles, o que provocou uma certa surpresa no rosto do seu amado, mas que ele se apressou a disfarçar na sua melhor tentativa de força, rezando para não fraquejar perante o coração imperioso que teimava chocalhar seu peito. Pela primeira vez desde a última que se viram, ele conseguiu observá-la com toda a atenção… Estava exactamente igual. Todas as expressões… Todas as feições… Não perdera o tique de enrolar a mexa de cabelo, que lhe caía sobre o ombro direito, apesar desta agora estar mais comprida, porque todo o seu cabelo também o estava... Ligeiramente mais aclarado e curtido pelo sol, mesmo estando preso pelos óculos de sol no topo da cabeça, batia-lhe um pouco abaixo do meio das costas e os canudinhos pelos quais sempre a conhecera, haviam sido substituídos somente por umas breves ondas artificiais, proporcionadas pelo ferro de modelar. O corpo ia-se delineando… As curvas tornaram-se mais acentuadas, o peito mais robusto tendo em conta a idade e a pose, ligeiramente mais altiva, apesar de isso estar um pouco relacionado com a sua tentativa de parecer bem na sua frente. O mesmo perfume que o havia embalado em inúmeras noites de entrega, permanecia entranhado nos seus poros e ali dentro foi arrastado pela brisa do ar condicionado, adoçando-lhe o meigo sabor da saudade… Oh, e essa consumia-o todos os dias também um pouco. Na sua frente tinha a mesma Adriana de sempre… Aquela menina indefesa, doce, meiga, mas agora mais mulher… mais dona de si e sem dúvida, muito mais independente de David.
- Ora cá estamos nós! – a animação estampada no timbre vocal de Ruben, cortou todos os pensamentos de David, que se apressou a desviar o olhar do corpo dela, no medo certo de puder ser apanhado em flagrante delito
- Bem… A gente fica aqui! – anunciou David, assim que pararam junto da porta da suite que dividia com o melhor amigo
- Parece que sim… - mais um sorriso forçado rasgou-lhe os lábios, tendo de concentrar-se em Ruben para não deixar cair nenhuma lágrima saudosa – Amanhã digo-te qualquer coisa então…
- Tudo bem… Vou ficar à espera, pequenina! – Ruben não temeu acolhe-la em seus braços ao pressentir toda a sua fraqueza e fragilidade – Adoro-te… - sussurrou bem perto do seu ouvido, num laivo de força e companheirismo, algumas das suas melhores qualidades como ser humano e amigo
- Eu também te adoro… Muito, grandalhão! – os seus olhos fugiram inevitavelmente na procura de David e sob o ombro do melhor amigo, acabaram por pousar na sua figura inerte, que observava o quadro de amizade no qual ele não se encaixava mais – Vá… Vai descansar, que este ano quero o Benfica campeão, se faz favor!
- Vamos fazer por isso… Cuida de ti! – beijou-lhe meigamente a testa e tanto ele como Adriana, esperaram uma reacção de David… algo que denunciasse uma possível despedida da sua parte, mas infelizmente nem um único sinal foi emitido
- Até amanhã… - desejou ela, encorpando todo o orgulho de que era dona, não estando assim disposta a fraquejar frente à frieza do seu ex-namorado, que ainda era dono do seu coração
Segurou a mala na dobra do braço, respirou fundo e depois de percorrer os dois rapazes com um único olhar assombroso de remorsos, virou costas. Não era mais audível qualquer barulho, pois o mármore do átrio ali era substituído por uma alcatifa intumescida e vermelha, que aveludava cada passo incessante dos seus pés, que lhe imploravam para que corresse na direcção de David e se jogasse em seus braços, mesmo que a sua vontade fosse outra.
- Vá lá, Adriana… Vá lá… - implorou a si mesma, mantendo os dentes cerrados, disposta a percorrer aquele corredor até ao fim, auxiliando-se do rasgo de adrenalina que latejava nas suas veias para não deixar as lágrimas caírem
Quando se julgava então perdida e disposta a entregar-se a mais um serão de choro na amálgama de colchas e cobertas, que forravam a sua cama, sentiu um oscilar passeante atrás de si, quase que numa corrida apressada em busca de algo. Manteve o seu ritmo, pronta para virar à esquerda e alcançar a sua suite, que estava pronta para a receber em mais uma noite de sofrimento, que somente se retiraria já de madrugada… vencido pelo cansaço.
- Adriana! – o quanto esperou para ouvir aquela voz… o quanto rezou para que ele viesse atrás de si, mas nem assim se deteve… talvez por medo – Adriana! – ele insistiu, dando mais dois passos na sua direcção
- Precisas de alguma coisa, David? – questionou-o com o coração nas mãos e a voz tão trémula, que quase encenou a desistência de uma batalha, que há muito havia perdido para o amor que ainda dizia sentir por ele
- Preciso… - teve de ser ele a percorrer metade do corredor para se puder juntar a ela, pois as suas pernas revelavam-se demasiado baloiçantes para se conseguirem mover facilmente – Preciso me despedir de você…
- Despedir de mim? – por cima do ombro de David, conseguiu ver Ruben com um sorriso triunfante nos lábios e recostando-se na ombreira da porta do seu quarto, aguardando pelo regresso do melhor amigo
- Sim… - acenou positivamente com a cabeça, num jeito meio trapalhão e cómico, que já era muito próprio dele, sempre que se encontrava nervoso – Até amanhã, Adriana…
- Até amanhã, David… - tentou desejar com a maior naturalidade possível, mas esta foi abalada assim que sentiu o toque dos lábios dele na sua bochecha esquerda, enquanto a sua mão segurava os cabelos que a cobriam
- Dorme bem, garota! – num momento de rendição, para o qual nem ele mesmo arranjou uma justificação, acabou por esboçar um sorriso doce e meigo… tão meigo, que ela julgou estar a ver na sua frente o David de sempre… o que sempre amara, sem qualquer capa ou máscara.
Adriana limitou-se a fazer o mesmo, apenas por breves segundos e apenas para ele, sem também ela saber muito bem o porquê daquela atitude. Ele seguiu a sua marcha rumo ao quarto, mas ela ficou no meio do corredor entregue à surpresa daquele seu comportamento e por isso mesmo, num impulso que não soube, nem quis controlar, procurou pôr tudo em pratos limpos.
- David… - a voz fraquejou-lhe, mas foi-lhe suficiente uma tossidela para se conseguir recompor – Porquê isto agora?
- Isto o quê? – colocando as mãos nos bolsos das calças de fato-de-treino, acabou por se aproximar dela, balançando-se sobre os próprios calcanhares
- Este gesto… Onde é que isto nos vai levar?
- A mim até ao meu quarto e a você até ao seu… - respondeu-lhe de forma descontraída e deixando deslizar todo o seu olhar no corredor, que se arrastava por detrás da figura dela
- Eu estou a falar a sério… Acho que devíamos pôr de parte estes rancores todos! Estivemos juntos tanto tempo e foi tão bom… - por segundos o coração de David acelerou, ao sentir no modesto discurso de Adriana uma possibilidade de reconciliação – Acho que devíamos pelo menos preservar a nossa amizade… Ser amigos, como dois adultos que somos!
- Amigos? – todas as expectativas dele foram assoladas pela afirmação dura e crua de Adriana, mas nem isso o deixou abalar-se – Claro… Porque não?
- Sim… Também acho que será bom para todos! – esboçou um breve sorriso, tentando conformar-se com a nova palavra que ocupava o espaço, que um dia havia pertencido à palavra “namorados” – Amigos!
- É… Amigos! – selaram o acordo com um aperto de mão, o símbolo mais impessoal que pode haver de uma relação entre duas pessoas que se conhecem tão bem como David e Adriana
- Não digo para esquecermos as nossas mágoas, porque eu tenho as minhas e tu as tuas… Cada um com a sua devida razão e não é isso que está em discussão, mas acho que é melhor assim… Um amor como o que sentimos foi tão forte, que pelo menos algum sentimento de amizade e carinho deve sobrar, apesar das circunstâncias! – o facto de Adriana ter colocado o amor deles como pretérito perfeito, fez o coração de David disparar a mil, para logo de seguida perecer tristemente no lado esquerdo do seu peito
- Claro… Pelo menos poupamos o desconforto no meio da nossa galera! – disfarçou com um sorriso falso, o melhor que conseguiu, a enorme dor que acutilava dentro de si e o dilacerava a cada segundo da sua presença um pouco mais
- A nossa galera, não é mais nossa… O único de nós que continuará a frequentar aquele grupo de amigos és tu, por isso quanto a isso, não tens de te preocupar! Só temos de compartilhar um com o outro o mínimo de educação… Só isso! – aquela pose frívola, totalmente oposta àquilo que ele conhecia nela, fê-lo duvidar durante céleres instantes, se aquela seria a mesma Adriana por quem se apaixonara há mais de um ano atrás
- Será como cê quiser… Não vale mais a pena lutar contra aquilo que já foi, ambos cometemos erros e agora é bola prá frente!
- Isso mesmo… - demonstrou um sorriso, que obrigou o seu olhar a esconder-se do dele – Sendo assim vou andando… O resto de uma boa noite!
- Pra você também… - voltaram a despedir-se com uma troca de sorrisos e viraram costas, dispostos a rumaram cada um para o seu respectivo quarto – Ah! Mais uma coisa, Adriana…
- Diz… - mais uma vez ela deteve-se no seu caminho, rodando somente um pouco o eixo do seu corpo na direcção dele
- O nosso título é de amigos, mas o sentimento é outro…
Logo após ter feito tal confissão, despiu-se de toda a sua coragem e caminhou em passadas largas, desaparecendo pela porta da suite, juntamente com Ruben.
Ela ficou no meio do corredor… Tentando absorver lentamente o que ele dissera e tentando compreender o significado das suas palavras, sem lhe empregar segundos sentidos, ou deixar-se iludir por qualquer das suas vontades. Num acto de desistência, acabou por também rumar ao seu quarto, onde se entregou ao luxo de um banho de espuma relaxante, que a deixou tão mole e bambeada, que somente teve tempo de comer uma peça de fruta que sobrara do pequeno-almoço, vestir uma t-shirt larga e cair na cama. Na sua cabeça um turbilhão de pensamentos reinou, até o sono imperialista chegar, vencê-la por completo e ascender ao trono…
Aqui vos deixo mais um capítulo da minha história e com um enorme pedido de desculpa por toda a demora, mas com as férias, já se sabe...
Quero também aproveitar para vos agradecer todo o apoio, todos os comentários, pois isso alimenta-me de um novo vigor para escrever e é muito importante!
Não se esqueçam de deixar a vossa opinião em comentário!
Beijinhos a todas as minhas queridas leitoras :)
Drii ♥

34 comentários:
Liiindoo mesm ! *.*
Nao demores a publicar pfv ^^
Isto está LINNNDDDDOOOOO!!
volta a escrever depressa please *.*
LINDO DEMAIS , MEU DEUS , VOCÊ CADA DIA QUE PASSSA ME SURPREENDE MAIS E MAIS ADRIANA *O*
EU ENTENDO MAIS FAZ DE TUDO PRA NÃO DEMORAR PFV MINHA LINDA , ADOREI A ATITUDE DO DAVID ^^
BEIJINHOS !
esta muito bom, parabens
beijinhos e continua
Amei ... Alias como sempre! Cada vez mais viciada e surpreendida com o talento que possuis ;)
Nunca deixes de escrever :)
Fico à espera do proximo!
Bjs
excelente...
quero mais...
continua...
Está lindo, por favor não demores a publicar.
Lindo, lindo, lindo.
Minha linda :)
Andavas tu com tanta conversa que não estavas a gostar do capítulo... pois tenho a dizer que ADOREI
Surpreendeste-me, não estava nada á espera que a conversa entre o David e a Adriana corre-se assim tão bem!
Adorei
Continua
Beijocas
Adorei Driii, quero mais, escreves super bem (:
lindooo mais por favor *-*
junta-os rapidoo *-*
ASS. monica
Oh meu deus AMEI +.+, cada vez escreves melhor Drii *-* quase que me vinham as lágrimas aos olhos ... espero mesmo que fiquem juntos posha :P
Espero que postes rápido o próximo capitulo :DD
beijinhoos **
Adorei meu amor!
Esta lindo e é o que digo,tens um dom!
Para quem ainda nao leu a minha aqui tem:
http://vivereamarporlisboa.blogspot.com/
Posta rapidinho sim?
Te adoro garota <3
Pipa
amei!!!
quero mais pff :P
http://umanovadefinicaodeamor.blogspot.com/
simplesmente lindo...já não sei o que dizer. a maneira como escreves é brutal, consegues passar tão bem os sentimentos.
fantástico!
Oieeeeeeeeeeee :D
Ameiiiiiiiiiiiiiiiii :P
quero mais , sim ?
beijinhos*
oh... acabou na melhor parte:(
Adorei a atitude do David, no inicio manteve-se afastado e a tentar perceber toda a situaçao , mas acima de tudo a tentar controlar as emoçoes. mas no fim, ah no fim, ele teve a atitude certa!, adorei a frase dele :"O nosso título é de amigos, mas o sentimento é outro…"
Nesta simples frase, ele conseguiu dizer o que sentia sem o dizer pelas palavras exactas... e ela vai percebê-las!!
Espero anciosamente por um novo capitulo, e acredito que eles ainda fazem as pazes em Paris.
Parabens, esta cada vez melhor.
beijinhos
Oh meu deus, eu sabia eu sabia que ele ia dar o braço a torcer e voltava para trás. Coitadinhos, mas eles não percebem que se magoam um ao outro quando mudam as coisas para um tempo acabado, quando ainda o que sentem é presente?
Estou com as lágrimas nos olhos minha querida, isto está perfeito.
"- O nosso título é de amigos, mas o sentimento é outro…" Espero que se resolvam rapidamente.
Beijinhos
está tão LINDOOOOOOOOO!
espero que estejas a ter umas optimas férias e que publiques o mais depressa possível, que a vida sem a tua fic fica uma secaaaaaa ;)
beijinho !
Bem, além de não comentar todos os teus capitulos, leio-os sempre, porque é das melhores fics que alguma vez li, muito bem escrita e com optimas ideias, é simplesmente incrível! E em cada final só apetece continuar a ler e ler e ler...
Continua assim!
Beijinho
Valeu apena esperar,adorei,tá lindo,mais um fantástico capitulo.Ainda bem que não aconteceu nada à Adriana, e finalmente eles encontraram-
-se, agora não há como escapar, e com o Ruben armado em casamenteiro...
A Adriana tá mais mulher e isso saltou à vista do David.Com que então amigos,cheira-me que esta amizade vai longe.Agora fiquei mesmo curiosa em saber como vão acabar estes dias em Paris.
Continua a escrever assim, desta maneira enebriante e viciante.
Beijos
Fernanda
Isto está cada vez melhor :') Drii, tu tens a capacidade de nos colocar dentro da história e isso é fantástico! (isto começa-se a tornar repetitivo, digo sempre a mesma coisa, mas é a verdade!)
Continua Drii, e o mais rápido possível! Beijinho enorme! **
Ana Moreira :) *
Lindo...sem palavras para descrever a conversa da Adriana com o David!!
AMEI o que o David disse: "- O nosso título é de amigos, mas o sentimento é outro…"
para quando o proximo capitulo?
espero com muita ansiedade o proximo :P
Bjs
Adorei este capitulo! (tal como os outros todos claro xD )
Nesse cafézinho que combinaram, bem que podia aparecer o David em vez do Rúben e podiam dar os dois o braço a torcer, amam-se têm é que ficar juntos!
Beijinhos, posta rapidinho sim? (:
Palavras para quê?! Está simplesmente GENIAL!
amei o capítulo :)
continua
Fogo pah!
Em primeiro lugar: AMEI o capítulo!
Em segundo lugar: é óbvio que valeu a pena esperar. Vale sempre a pena esperar por um capítulo teu.
Em terceiro lugar: quase que me dava uma coisinha ao ler este capítulo. Quer dizer, anda aqui uma pessoa à espera que eles se fiquem bem de uma vez por todas e afinal não! O David também podia facilitar um bocadinho, não é? Se não vai ser ela a facilitar... ao menos ele! Bolas! Eles separados não dá! Foram feitos um para o outro!
Pronto e é tudo!
Continua que isto cada vez fica melhor.
Beijinhos!
Ai ai ai Maria!
Isto assim dá cabo de mim num instante. Eu amo isto, amo mesmo...
Como tu escreves, já não há mais palavras. É genial! A história, é genial! A maneira como nos fazes entrar nela, é genial! Tudo é genial!
Ai minha linda, O David já deu um pequenito passo, ou grande. A Adriana devia facilitar, acho que devia ser ela a dar o Braço a torcer..
Mas seja como fores que leves a história para a frente, eu vou amar!
Quero mais, minha linda.
Beijinho, Ana Sousa
oi drii , tá fantástico !! tenta publicar o mais rápido que puderes ;)
ai rapariga, que tu deixas-nos malucas!!! tá tao lindo, brutal! eu amei este capitulo, entao a ultima parte, por momentos pensei que o David fosse esquecer tudo e perdoar a adriana!
por favor nao demores muito a postar o proximo capitulo, se nao ainda me dá alguma cosinha má!! xD
fico à espera, sim??
beijinhos linda
então adriana quando vais postar de novo? :)
espero que estejas a ter umas óptimas férias :D
este capítulo está LINDO sem dúvida
Quero maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaais! ;.;
O capitulo está lindoo *.*
Esta ultima conversa foi qualqer coisa de fantastica, entao a ultima declaração do David :O AMEI
Quero outro assim que possivel.
Bijinho, continua.
Amo!!!
Escreves super bem!
Que vicio, tou sempre a desejar que chegue o proximo capitulo!
A tua fic deixa-me completamente colada ao pc!
Obrigada por escreveres tao bem e por nos deixares ler esta magnifica historia!
Publica mais depressa por favor!
Beijinhos
Proxiimo Capitulo estamos á tua esperaaa !!
Touu muiitoo ansiosaaa !!
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