Adriana
Entrei no restaurante, o meu coração saltava-me do peito e eu tremia. Não de frio, não de medo, pois o momento de pânico já havia passado mas sim dos nervos.
Da vergonha de ter de enfrentar as pessoas naquela sala.
Sentei-me no primeiro sofá que me apareceu á frente, logo colado à porta, sentei-me nele e deixei a minha cabeça tombar sobre as mãos apoiadas nos joelhos durante breves segundos. A minha respiração acalmou e eu tentei controlar as lágrimas. Levantei-me e ergui a cabeça.
Uma neblina de lágrimas turvava-me a vista, senti-me tonta mas finquei os pés no chão a cada passada que dava na direcção deles.
Senti o olhar de David cravado em mim e o vinco que cruzava a sua testa denotava alguma inquietação.
Senti o olhar de David cravado em mim e o vinco que cruzava a sua testa denotava alguma inquietação.
- Então voltaste? – perguntou imediatamente Ruben muito divertido, mal cheguei ao pé deles
Apenas consegui assentir positivamente com a cabeça. Um nó travava-me a garganta, esforcei algo a sair mas nada. O medo estava-me a sufocar.
- Adriana, estás bem? Estás tão pálida… - disse Bianca num tom visivelmente preocupado
- Estou bem... – finalmente consegui falar – Preciso só que algum de vocês me empreste dinheiro para o táxi, se faz favor – pedi desembaraçada olhando para David e Ruben
- Dinheiro, meu amô? – perguntou David desconfiado
- Mas tu ainda há bocado quando abriste a carteira tinhas uma nota de vinte e outra de cinquenta… - descaiu-se Inês
- Pois mas não tenho mais… - eles olhavam-me esperando uma explicação – Eu tinha mas acabei de ser assaltada ali fora… - a voz falhou-me no fim da frase
Senti os olhos de David arregalarem-se postos em mim.
- Assaltada? Mas quem? Cê tá bem? – David atropelou-me com questões ao mesmo tempo que me agarrava no braço e passou a mão no meu rosto gelado
- Estou bem, David – senti necessidade de o afastar e num gesto brusco obriguei-o a soltar o meu braço – Só preciso de dinheiro para ir para casa… - pedi nervosa
- Nem pense que depois disto cê vai sozinha! – rematou David e eu fuzilei-o com o olhar
- Não penso porque vou mesmo! – contrapus e desta vez foi ele que me censurou com o olhar numa expressão de “Eu bem te avisei!”
- O que é que te levaram? – perguntou Ruben
- Levaram-me o telemóvel, o dinheiro e o cartão de crédito… Preciso de um telemóvel para cancelar o cartão… - Bianca estendeu-me automaticamente o seu e eu sorri-lhe em agradecimento
Tentei concentrar-me mas não me recordava do número do meu gestor de conta, corri até á minha mala, tirei a carteira e encontrei o cartão. David acompanhou-me até junto da mala onde estava a carteira, era visível a sua preocupação e nervosismo. Liguei ao gestor e cancelei o cartão, sem qualquer problema, quando me preparava para colocar o telemóvel no bolso a mão pesada de David interceptou-me o movimento.
- Que é isso? – perguntou horrorizado observando a mancha de sangue que eu tinha na palma da mão esquerda
- Não é nada de especial, relaxa! – pedi-lhe tentando manter-me calma também
A verdade é que no meio daquela confusão eu nem me apercebera que tinha um corte na mão. Mas o toque de David perturbava-me. Eu amava-o mas o toque dele recordava-me aquilo que tinha passado há minutos, e sentia-me tão suja, tão envergonhada que não queria que ninguém me toca-se muito menos David. As lágrimas queriam precipitar-se em meus olhos mas eu controlei-as.
- Não é nada? A gente vai levar você no hospital! – ele nem me deixou responder e saiu furioso em direcção á sua cadeira, vestiu o casaco e agarrou na chaves do carro, eu juntei-me a ele
- Não vou a hospital nenhum! Isto foi só um cortezinho de nada! Um bocado de água, pressão e estou como nova! – eu tentava parecer bem mas eu fazia um esforço imenso por não me desmanchar num choro rompido
- Não diz besteira, vem! – ele insistiu agarrando-me no braço levemente
- Não David! Larga-me! - o toque dele tornou-se insuportável e afastei-o, senti o corte abrir-se mais e senti mais sangue jorrar
- Adriana! – ele ainda chamou por mim seguindo-me
- Deixa-me David! Fica aí! – ordenei sem o olhar
Dirigi-me à casa de banho com as primeiras lágrimas a cortarem-me o rosto.
Liguei a torneira, a pressão da água era forte e corria-me pelo corte. Um fio vermelho misturava-se com a água límpida torvando-a, entrava pelo ralo.
Olhei-me no espelho enquanto a água corria. Tinha os olhos vermelhos e ligeiramente borrados de chorar, passei com a minha mão sã sobre o borrado limpando-o. Senti-a diferente, não via a mesma Adriana, via uma, muito parecida comigo mas muito mais amargurada.
Ouvi a porta da casa de banho abrir-se e não evitei gritar.
- David, baza daqui! – gritei sem ver quem era
- Sou eu, desculpa… Vim só ver como estavas… - perdoou-se Bianca aproximando-se da bancada do lavatório
- Desculpa…
- Isso está mau… - disse ela aproximando-se com a toalha turca e pressionando o golpe que ardeu
- Obrigada mas isto já passa… - fiquei eu a pressionar o golpe e encostei-me numa parede da casa de banho
- Estás bem? – perguntou-me ela
- Sim, estou… - a minha voz falhou-me
- Lembras-te da nossa conversa? Para mim és transparente… Não sei bem como mas és… - disse ela confusa com as próprias palavras
Sorri-lhe e senti-me segura. Duas lágrimas escorreram-me pelo rosto.
- Queres contar mais alguma coisa que se passou? – perguntou-me ela
- Ele tentou… ele tentou… - eu gaguejava – ele tentou violar-me – revelei por fim e rompi num choro
Bianca abraçou-me.
Bianca abraçou-me.
Senti-me reconfortada no seu abraço. Era estranho o facto de a conhecer á duas horas e isso ser o suficiente para me sentir segura.
- Lamento, lamento muito… - disse ela – Tens de contar ao David, precisas de ajuda! De falar! – aconselhou ela e eu quebrei o abraço
- Não! O que é que ele vai ficar a achar de mim? Não sou capaz!
- Claro que és! Ele não vai achar nada! Vai ajudar-te! – assegurou-me num tom de voz firme
- Achas? – perguntei-lhe
- Ele ama-te não? – ela não buscava uma resposta – Então… - abraçámo-nos outra vez mas fomos interrompidas por David
- Posso, gente? – perguntava ele espreitando por uma brecha da porta da casa de banho
- Podes sim - disse Bianca – Eu vou sair… Vocês ficam à vontade… Coragem! – disse esta última frase apenas dirigindo-se a mim e saiu
Quando dei por mim tinha David colado na minha frente pondo-me um penso rápido no corte.
- Não era preciso… - ainda tentei dizer
- Shiu… Não fala nada, minha boba! – pediu-me num sorriso discreto continuando concentrado na sua tarefa
- David, eu preciso de falar contigo… - disse num suspiro e ele olhou-me atentamente – O homem… O assaltante… Ficou chateado com as poucas coisas que tinha e… - comecei a gaguejar – e ele... ele… David, promete-me que ficas calmo! – quis assegurar-me
- Fico calmo? Como assim? Que aconteceu? - perguntava-me cada vez mais confuso
- Ficas calmo ou não? – insisti
- Fico! Agora me conta vai! – exigiu visivelmente nervoso
- Ele tentou violar-me… - disse num único suspiro – Mas ele ouviu barulhos e fugiu antes disso… - rematei
- Ele o quê? – David tinha um tom de voz elevado e estava visivelmente irritado – Eu mato aquele cara! – jurou dando um soco na bancada da casa de banho e eu tremi de medo
- Me desculpa, vai… - pediu abrindo os braços na minha direcção
Ele apercebeu-se que me tinha assustado e tentou abraçar-me mas eu não deixei.
- Que foi?
- Desculpa… Não consigo… - desculpei-me
- Mas eu não sou ele… - ele estava magoado
- Eu sei que não mas isto é tão recente amor… Tira-me só daqui! Por favor! – implorei
Ele virou-me costas e ia abrir a porta quando lhe travei o movimento.
- Ainda me amas certo? – perguntei sem o olhar nos olhos
- O que cê acha? Meu amor por você não muda assim, não! – afirmou ele obrigando-me a olhar nos seus olhos
Beijei-o levemente nos lábios, o máximo de tempo que consegui depois da experiência por que tinha passado.
Ele deu-me a mão e saímos da casa de banho.
- Mãe, Pai, venham eu vou vos deixar em casa e depois vou levar ela… - informou-os dirigindo-se à entrada
- David, não é preciso! – insisti
- Larga de ser cabeça dura! – ele refilou e eu perdi os argumentos.
Saímos do restaurante de mãos dadas, entrámos no carro dele, eu no lugar de pendura, ele a conduzir e os pais atrás. Seguiamos em silencio e eu perdida em pensamentos, não os melhores, os mais recentes.
- Tá pensando em quê? – perguntou ele metendo-se comigo
- Que estraguei o teu dia de anos… Desculpa!
- Ué! Tá boba? Não estragou nada não! Cê não teve culpa! – ele pousou a mão dele sobre a minha que estava na lateral do banco
- Estraguei sim! E além de estragar ainda dou trabalho! – refilei e ele sorriu-me
- A gente depois fala sobre isso! Pai, Mãe, chegámos! – informou estacionando o carro
- Obrigado meu filho! Fiquem com Deus ! – desejou Dona Regina
- Fiquem com Deus! Boa noite! – desejou o Senhor Ladislau
- Sua bênção meus pais! Fiquem com Deus! – despediu-se David e eles saíram do carro
Ele ligou-o novamente e apercebi-me que ele tomava o caminho contrário á minha casa.
- David, a minha casa é naquele sentido… - corrigi-o apontando na direcção correcta
- Eu sei! – disse-me sorrindo
- Ah, sabes e vais para ali? – perguntei
- Sim… Cê vai p’ra minha casa!
- Não, não vou! – disse-lhe segura
- Vai sim! Cê não tá percebendo, eu não tou pedindo tou informando! – fiquei novamente sem argumentos e remeti-me ao silêncio
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Eu tinha uma t-shirt do David vestida e estava a abrir a cama enquanto ele se despia.
Eu tinha uma t-shirt do David vestida e estava a abrir a cama enquanto ele se despia.
- Desculpa mais uma vez ter estragado este dia… - perdoei-me ao mesmo tempo que colocava a almofada na cabeceira da cama
- Já falei p’ra você que não estragou nada! - ele vestiu a t-shirt do pijama
- Estraguei sim! Já viste como acabaste a tua noite de anos? – perguntei desanimada
- Vi sim! Do lado da mulher que amo! – confirmou sorrindo e juntando-se a mim a abrir a cama
- Oh… Só tu! – deitei-me e senti o corpo quente dele deitar-se do meu lado.
Ficámos frente a frente, sem dizer nada. Eu olhava-o nos olhos e ele a mim. Não sei o que leu nos meus olhos mas depois de tanto silêncio ele quebrou-o.
- Não pensa mais nisso não, gatinha… - pediu-me enquanto desviava a franja do meu rosto
- Contigo aqui é impossível… - disse-lhe
Vi-o erguer a mão para colocar na minha cintura mas ele coibiu-se de o fazer.
- Podes tocar-me… - informei-o – Já estou mais calma!
- Me deixa tocar você? – perguntou-me sorrindo discretamente
- Deixo sim… Tu não és ele… - afirmei
Ele pousou a sua mão na minha cintura e puxou-me contra o seu peito onde me aninhei.
- Desculpa se te magoei com aquela atitude…
- Não se preocupa não! Eu compreendi aquilo não deve ter sido fácil e eu devia ter tado do seu lado p’ra te defender! – disse revoltado
- Mas não estavas e nem adianta ficares a pensar nisso! – proibi-o pois não queria que se sentisse culpado de uma coisa que não dependia dele
- Não tava porque você não quis, foi teimosa. Mas já foi! Vamo esquecer isso! Você é a minha minininha e agora está aqui nos meus braços e eu posso proteger você! – apertou-me contra o seu peito
- Sabes, David? Apesar de tudo hoje foi um dos dias mais felizes da minha vida! – confessei contendo as lágrimas
- Porquê? – perguntou espantado
- Porque a tua atitude, o quereres apresentar-me aos teus pais, tudo… Percebi o quanto te amas… - aconcheguei-me no peito dele
Adormeci assim com ele fazendo-me um cafuné nos cabelos, a noite era longa mas o dia seguinte adivinhava ser muito mais.
11 comentários:
Ai que queres que te diga, já sabes muito bem o que penso e que quero...
Continua...
Beijão
Drii, as tuas descrições, as tuas falas, basicamente tudo, são espectaculares !
Cada vez amo mais a tua fic, a sério, escreves de uma forma que...olha nem há palavras ! +.+
Sinto-me mesmo uma privilegiada, as "minhas deixas", que tu escreves, são lindas, e espero bem que na realidade te sintas assim comigo também...^^ A mim podes-me dizer tudo, Maria Adriana =D
Obrigadãoo (L)
Beijãooo,minha coisinha !! xD
lindo...
quero mais...
posta mais hoje, por favor...
cada vez está melhor a tua fan fic...
continua...
oooooooh, que lindo amor, já me fizeste chorar outra vez, sua parva!
beijo <3
Oh meu deus, como eu chorei neste e no outro capítulo.
Sempre lindo, continua
Lindo!!!
Mais um por favor!!!!!!
Adoro a tua fan fic...... :D
Oh my Good, adoro a tua fic DRI...
Continua linda...
Passa pelo o meu blogue e comenta.
LinK: http://xaninha--dl23.blogspot.com/
quando é que vais postar mais??
Adoro a tua fan fic!!
beijo
altamente viciada!!!!
Muito bom, só o amor para ajudar nesta situação.
Muito bom
Continua
Beijinhos
mais por favor :D(a)
parabéns, está fantástico!
SLB ♥
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