segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Capítulo 102 – Não faças isto, por favor! (Parte II)

As semanas passavam a correr, não havia um único dia que eu não falasse com David e esbarra-se com Diogo em alguma praia ou rua de Portimão, a situação começava a tornar-se insustentável.




- Foda-se, estou farta de ver este gajo à frente! – praguejei ao ver Diogo entrar na esplanada onde eu e Débora comíamos um gelado


- Hey, relaxa… Senão lhe ligares ele também não diz nada!


-Ah sim, claro! É que tudo me acontece! Primeiro a revista, depois algumas pessoas já acharem que me viram em algum lado, mas sonham elas que é da revista e depois este a aparecer em todo o lado, a toda a hora, nas minhas férias!
- Não é por isso que as férias deixam de ser boas…Pena estarem quase no fim, as duas semanas passaram a correr! – ela lamentava-se da fartura, aquelas férias tinham sido óptimas apesar da distância de David e da proximidade indesejada de Diogo


- Estás a reclamar de barriguinha cheia! Estas férias foram óptimas, apesar de tudo… - corrigi relembrando toda a inconveniência de Diogo


- Hum, é verdade… E a noite de despedida hoje é p’ra rebentar, só acaba de manhã!


- Hum, estou mortinha! – fiz um sorriso carregado de entusiasmo e dei outra colherada na taça de gelado




***


Eu e a Débora ficámos prontas bastante cedo, passámos no restaurante do hotel para jantar e seguimos para o Sasha summer sessions, uma festa bastante badalada e conhecida no mundo da tertúlias cor-de-rosa e à qual o acesso me era bastante facilitado.





Mostrei a minha pulseira na entrada e Débora fez o mesmo, entrámos automaticamente e ainda pedíamos as bebidas quando fomos interceptadas pelo maior empecilho da noite.

- Boa noite, belezas! – cumprimentou Diogo num tom pejorativo

“Oh por amor de Deus, só me faltava mais este!” – foi o meu primeiro pensamento
- Boa noite, Diogo… - respondi friamente

- Boa noite – cumprimentou também Débora

- Estás linda… - falou apenas para mim
- Obrigada – fiz um sorriso amarelo

- Estão sozinhas?

- Sim, mas estamos bem assim! – contrapus antes que ele nos convidasse a juntar a si

- Já percebi, mas já sabem se quiseres companhia a malta está na mesa de ali… - apontou para um canto do espaço onde se realizava a festa, mas eu nem desviei o olhar nessa direcção

- Obrigada, mas não será preciso! – esbocei um novo sorriso amarelo, agarrei Débora pela mão e saí da frente dele

- Também não era preciso teres respondido assim… Ele até estava a ser simpático…- sussurrou-me Débora enquanto eu a puxava apressadamente

- Nós sabemos muito bem onde é que esta simpatia dele acaba sempre e sinceramente a minha pachorra para ele, acabou! – eu estava decidida a manter a distância dele naquela noite

A festa avançou noite dentro, dancei e bebi juntamente com Débora, mas ela passou com certeza os seus limites e a meio da noite teve de se sentar, mas nem assim eu estava determinada a acabar com o meu divertimento.
Foi aí que Diogo se aproveitou da minha falta de companhia e me arrastou até um canto com menos confusão no intuito de falar.

- Preciso muito falar contigo…

- Não estou a ver sobre o quê… - tentei virar costas, mas com alguma violência intencional ele puxou-me de novo para si

- Sobre ti… Sobre mim… Sobre nós!

- Poupa-me, Diogo! Não existe mais um nós! Tu não estás bom da cabeça…
- Gostas assim tanto dele? – ele começou a aproximar o seu corpo do meu e eu tremi
- Diogo…
- Diz-me! Gostas assim tanto dele? – ele manteve a proximidade perturbadora
- Sim… Eu amo-o! – afirmei segura
- E a mim? Já não me amas? – quando dei conta os lábios dele estavam mais próximos dos meus,
o meu corpo oscilou de cima abaixo
Diogo sabia tão bem como eu que tinha sido o meu primeiro amor e usou isso a seu favor, ele sabia como me dominar. Qualquer aproximação dele far-me-ia, sempre, e infelizmente sempre, balançar, mas eu tinha esperanças que um dia deixasse de o fazer.
- Não… Tu és passado... – murmurei com a voz trémula
- Não acredito em ti… - senti o hálito dele nos meus lábios
- É a verdade… - refutei com alguma segurança na voz, mas eu estava incomodada com aquela proximidade tão curta das nossas bocas
- E se eu te beijasse agora? Vais dizer que não ias sentir nada? – ele não podia fazer aquilo, eu era fraca e talvez fosse vacilar, e eu não queria, não podia fazê-lo
- Tu não vais fazer isso! – pedi e o desespero notou-se na minha voz
- Não? – a testa dele enrugou-se e olhou-me nos olhos – Tu já me devias conhecer melhor…
- Não o vais saber, porque sabes que sou comprometida, que amo o meu namorado…
- A ele não lhe devo respeito nenhum… - a mão dele rodeou a minha cintura, ele ia mesmo fazê-lo
- Não me faças isto… Por favor! – implorei quase com as lágrimas a cegarem-me

Porque é que eu não era capaz de acabar com aquilo? Porquê, se eu amava tanto o David?
Ele anulou a distância entre nos nossos corpos, mas quando ia fazer o mesmo com as nossas bocas eu afastei-me. Ele olhou-me com estranheza, para variar e desde que ele me conhecera eu tinha resistido à sua manipulação. Tinha-o feito por David, porque o amava, e Diogo era nada mais do que uma lembrança amarga do passado e que infelizmente teimava em atormentar o meu presente.
- Então? Não me vais deixar fazê-lo? Tens medo de quê, de sentir alguma coisa? – questionou-me seguro ainda numa vitória sobre o meu domínio
- Não, só que não precisas de fazê-lo, porque eu sei exactamente aquilo que vou sentir… Amo o David, Diogo. A nossa história, isto é se lhe pudemos chamar história ficou no passado e eu agora sou feliz, por isso permite a ti mesmo um pouco de dignidade nesta história, deixa-me ser feliz e vai à procura da tua felicidade, garanto-te que não é do meu lado.
Ele olhou-me, percebi que tinha ficado magoado, afinal ele amava-me tinha era levado demasiado tempo para o perceber, mais do que o meu coração esteve disposto a esperar.
- Eu não vou desistir… Não vou! – ele parecia decidido
- Diogo, por amor de Deus… Não me faças isto, por favor!
- Vou lutar… Pelo menos tenho esse direito…
- Não o faças, por favor… Se me amas como dizes , não o faças! – pedi desesperadamente
- Tudo bem, mas de esperar por ti não me podes impedir, vou sempre fazê-lo… - os olhos dele brilhavam de uma forma tão intensa que tive medo que essa mesma intensidade corresponde-se à do sentimento que o consumia, dia após dia
- Por favor, Diogo… Não esperes por alguém que não vai querer voltar
- Tu vais! Eu sei que vais… Olha-me nos olhos! – eu desviei a cara nesse exacto momento – Adriana, olha-me nos olhos, estou a pedir-te… - a voz dele era serena e a sua mão obrigou-me a olhá-lo nos olhos
O toque dele fez-me estremecer, há demasiado tempo que ele não me tocava, as nossas peles já nem se recordavam da leveza uma da outra. Olhei-o nos olhos, mas fechei-os seguidamente.
- Por favor… - sussurrou e senti a sua respiração nos meus lábios, tamanha era a proximidade das nossas bocas
Acabei por lhe fazer a vontade e abri os meus olhos, a primeira coisa que vi foram os seus grandes olhos azuis.
- Tu agora não vês essa hipótese, mas acredita que isto vai acabar… Vais querer ter alguém p’ra onde correr e nessa altura, esse alguém serei eu. Por isso prometo-te aqui, a olhar nos teus olhos, que um dia vais querer voltar e eu vou estar aqui, como sempre estive…
Um sopro gélido percorreu-me a espinha e provocou um espasmo nos meus músculos tensos. Assustava-me a hipótese dele ter razão, ele deu-me um beijo leve no rosto, mas muito sentido, virou-me costas não sem antes soltar um sorriso bem delineado e misturou-se na multidão dos festivaleiros que enchiam os recintos.
- Adriana, fofinha! – a voz tola da Débora, que estava bem mais do que alegre, surgiu nas minhas costas assim como o seu peso sob o meu corpo – Estavas aqui!
- Estava, estava, mas já vi que a ti isso ainda não te passou! – refilei com ela puxando-o para junto de mim – Por hoje a festa chega ao fim…
- Não… Mais um bocadinho! – pediu-me com as pernas bambas
- Eu vou-me embora, queres ficar, ficas! – soltei-me dela e avancei por entre a multidão tentando sair do espaço, esbarrei em alguém – Desculpe!
Quando olhei para cima, os grandes olhos de um azul profundo de Diogo estavam novamente cravados em mim. Ele segurou-me levemente na cintura devido à nossa proximidade.
- Adrianinha, espera por mim! – Débora surgiu do nada, dançando e rodopiando de forma tosca por entre a pista de dança
- Vamos embora, Débora… - puxei-a por um braço e o seu estado era claramente lastimável
- O que é que ela tem? – questionou-me ele
- Olha 17 bebidas a mais do que no início da noite! – ironizei
- Shii, que grande pifo! Eu ajudo-te… - ele agarrou em Débora pelo outro braço e enfiou-a no seu carro, disposto a levar-nos ao hotel
- Eu vou tentar chegar lá antes de vocês, mas se não estiver lá ela tem a chaves, deixa-a lá na recepção que eu entretanto devo chegar… - disse do lado de fora do carro lado a lado com Diogo
- Não digas disparates… Eu não mordo, podes vir connosco – ele fez uma pausa e um sorriso atrevido esboçou-lhe a boca – Ou estás com medo de não conseguires aguentar tão próxima de mim?
- Não digas disparates, simplesmente não quero confusões p’ró meu lado…
- Se te portares bem, não haverão confusões, deixa-te de cenas, entra lá no carro! – ele entrou p’ró lugar de condutor e eu segui e sentei-me no de pendura
Não tirei durante um minuto que fosse o olhar do vazio, apesar de sentir os olhos dele, colados em mim. Faziam trajectos cobertos de desejo pelo meu corpo e isso deixava-me incomodada, pois já não imaginava ninguém a fazê-lo sem ser David. E um sorriso leve iluminou a minha boca ao lembrar-me dele e do seu rosto, bem definido no meu pensamento.
- Chegámos, é aqui, certo? – perguntou espreitando pelo vidro aberto
- Sim, é aqui… Obrigada! – sorri forçosamente
Ele ajudou-me a tirar a Débora do carro e esta entrou pelo jardim do hotel a dentro a cantar e a rodopiar feita uma maluquinha, no meio daquilo tudo até tinha a sua graça.
- Mexe o kuduro, balança que é uma loucura, morena vem a meu lado, ninguém vai ficar parado… - a voz dela tornou-se sumida à medida que ela se afastou
- Obrigada por tudo, Diogo… - dei-lhe um beijo rápido no rosto e sem qualquer sentimento, sem ser o de gratidão

- Não me agradeças, eu quando disse que ia estar aqui p’ra tudo não estava brincar! – ele olhou-me profundamente nos olhos e eu tremi novamente, ele arrepiava-me de uma maneira para a qual não encontrava explicação – Boa noite, dorme bem… Vemo-nos por aí… - ele hesitou – … quem sabe!

Deu-me um beijo muito próximo do meu canto da boca, fechei os olhos e tive uma sensação de estar a retroceder no tempo, mas agora era diferente. Enquanto a minha cabeça me vazia viajar pelo passado, o meu coração arrastava-me até aos Estados Unidos, até ao coração do homem que eu amo, David.
Diogo podia balançar comigo, mas com as minhas certezas nunca!
Afastei-me até o ver entrar no carro e seguir o seu caminho, finalmente ele tinha ido embora e eu estava novamente sozinha. Amanhã estava novamente em Lisboa para ir buscar o homem que eu amava ao aeroporto, mas e agora?
Deveria eu contar-lhe o que se passara naquelas férias ou isso iria trazer-me problemas.
Diogo não balançou as minhas certezas, mas arrastou-me para um mar de dúvidas e medos… como sempre o fizera durante três anos.

16 comentários:

Ana disse...

quero mais...

continua...

Anónimo disse...

que as cenas nao fiquem más com o david pfv

DiiDii disse...

GOstO muiitO, mas iissO tu ja' sabes!!!*.*

AgOra querO maiis, shiim?

BjnhOs liinda

Bianca. disse...

Ela vai fazer alguma coisa com o Diogo? :O Não pode!!
Adoreiii, Drii :D
Continua!
Beijãoo (L)

entreamigas disse...

Muito giro minha linda, outra coisa não esperava de ti!

Quero mais! Mas a Adriana tem que contar ao Dávi o que se passou, se não isto ainda vai dar bronca... :x

Beijinhos

Guigui

Nii'i ♥ disse...

Pois o capitulo nao tá bom, tenho de melhorar.

Deixa-te de coisa sim? O Capitulo está lindooooooooo, como sempre menina dri (L)

Mas quero mais e sem discução possivel (;

Beijinhos*

entreamigas disse...

Eu não gosto do Diogo, não gosto dele e ponto... que tal retirares essa criatura da fic?? adoro dri, adoro msm...

toca a escrever mais que eu quero ler

Bjs miúda

Clara :P

Elsa disse...

Olha lá, mas este Diogo está numa de baralhar as ideias à Adriana??? Não estou a gostar disto!!! :S

Agora a sério... sabes como adoro mesmo a tua FIC, não sabes?? Que hei-de dizer mais... só me resta mesmo pedir muito mais...

Vê se postas rápido sim... ah e despachate a escrever aquilo que ambas sabemos, que quero ler sim :P

Bejinhos, minha linda
ADORO-TE GDF OU GDT como queiras :P

P.S. temos que animar, que tal uma noite daquelas que nos habituamos a ter com a Bianca??? Já tenho saudades desse tempo :P

Beijão linda

Diana Ferreira disse...

tá lindooo como sempre! mas espero que esse Diogo nao venha chatear! ela tem de ficar com o David, pq apesar do diogo ter olhos azuis, o david tem aqueles lindos caracois e um sorriso que vale por muito!

fico a aguardar pelo proximo!

beijinhos
Diana

Anónimo disse...

é só uma opinião ... gostei do capitulo menos das partes com o Diogo --' acho que deves contar ao david *-*
beijinhos, continua :D

ElsaNeves disse...

Bem, bem não gosto nada deste Diogo, que fantasma, a Adriana tem de enterrar este fantasma...
É melhor contar ao David, não os quero ver chateados... :(
Muito bom, mesmo muito bom. De ti só espero coisas assim :) :) :)
Quero mais
Beijinhos

Anónimo disse...

não costumo comentar,mas queria-te dizer que adoro a tua fic.tens muito jeito para escrever.

Beatriz disse...

Tá muito lindo :)

Curti buéé !

Carolinaa disse...

Adorei :D

Continua

http://undisclosed-desires-ca.blogspot.com/

Carolinaa disse...

Obrigada pelo comentário :D

Foste a primeira :D

beijinhos

paula. disse...

és mesmo cabrita, nem me avisaste que havia novo cap :oo

mas bem, as nossas conversas têm sido tão interessantes que nem tem havido tempo ahaha.

sabes o que podias fazer agora? passar aqueles caps que me mostraste à frente, e postares os segunintes *--*

beijão, drizona. te amo <3

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