Acalmei-me, decidi que tinha de encontrar um rumo para onde ir, um lugar onde me sentisse segura, onde alguém me compreende-se. O meu telemóvel vibrou no meu bolso e eu atendi recompondo-me primeiro.
- Olá Bi! – o nome de Bianca surgiu no visor e senti um calorzinho no lado esquerdo do meu peito
- Olá, Dri! – adivinhei-lhe um sorriso no rosto – Estás onde?
- Ah… Estou na rua, porquê?
- Tu esqueceste-te?
Nesse momento a memória avivou-se, eu e a Bianca tínhamos combinado que ela se iria mudar lá para casa nesse dia e eu tinha-me esquecido.
- Desculpa, desculpa… Esqueci-me completamente! Estás onde?
- Estou aqui à porta do prédio, toquei, toquei, ninguém atendeu então resolvi ligar-te
- Ó Bi, desculpa… Eu vou já p’ra casa! Espera aí por mim…
- Não te preocupes, tenho tempo… Além disso estou acompanhada, o Salvio está comigo!
- Ok, vou tentar despachar-me. Beijinhos!
- Beijinhos princesa! – desligámos as duas a chamada em simultâneo
***
Tomei o caminho até casa o mais depressa que pude e entrei quase a correr pelo portão do condomínio. Não a via nem a ela nem a Salvio em lado nenhum, aproximei-me da porta do meu lote.
- Adriana! Adriana! – a voz dele surgiu nas minhas costas ~
Olhei para trás e vi-a metendo a cabeça fora do carro de Salvio e resolvi aproximar-se, mas ela encarregou-se de sair do carro para nos cumprimentar-me em condições, afinal já não nos víamos desde o início das férias.
- Princesa! – ela correu na minha direcção e abraçámo-nos prolongadamente
- Que saudades, minha feiosa! – apertei-a mais contra mim, finalmente um pouco de segurança no meio de tudo o que me estava a acontecer
- Também eu, tantas…Tantas! – senti-a sorrir e quebrámos o abraço
- Desculpa, ter-me esquecido, mas fui dormir a casa do David como ele chegou ontem…
- Oh como te compreendo… - olhou de relance para Salvio que estava dentro do carro com um sorriso parvo no rosto a olhar para ela, eles eram felizes e transpareciam isso melhor do que ninguém – Se foi para estares com ele foi por um bom motivo, estás desculpada!
- Bem, vamos levar as tuas coisas, então? – perguntei ajeitando a mochila que tinha às costas
- Sim, vamos! Vai ser a minha primeira noite nesta casa! – ela sorriu visivelmente feliz
***
Bianca já tinha arrumado as suas coisas, estava instalada e pronta para aquela nova fase da sua vida. Depois de um jantar caseiro eu e ela deitámo-nos no sofá já com os pijamas vestidos e pusemo-nos a ver um filme, “Nothing Hill”.
- Ai este filme é lindo, bolas! – a Bianca enfiou mais uma pipoca na boca
Estávamos as duas deitadas no sofá, encostadas numa pilha de almofadas e enroscadas numa manta quente. Um balde de pipocas estava no meio de nós e as gargalhadas eram constantes por parte dela, via-se que estava feliz por estar ali. Mas apesar de eu estar feliz com a sua presença, a discussão com David não me saía da cabeça e o filme pouco me interessava, pois para além de já o ter visto seis vezes, o filme que corria na sua vida era bem pior com aquele e com poucas hipóteses de um “Final feliz!”.
- Princesa, não estás a gostar do filme? – a voz de Bianca fez-me regressar àquele espaço
- Hã? - acabei por dizer, quando o meu pensamento se voltou a focar nela
- Ouviste o que te perguntei?
- Não, desculpa… Estava longe daqui
- Pois, isso eu percebi… Tu estás muito estranha!
- Não, estou apenas cansada…- menti, não estava com a mínima disposição para falar da discussão parva que tinha tido como David e da maneira como tinha saído daquela casa, sem lhe dizer grande coisa
- Foi a revista? – perguntou ela, sem sequer me fazer qualquer introdução, foi directa ao assunto
- Também já viste? – a minha testa enrugou-se tamanha era a minha indignação
- É um bocadinho difícil não ver… Está mesmo na capa… - ela fez uma expressão tristonha
- Pois… Infelizmente está bem na capa para todos verem! – o tom de censura na minha voz foi bastante claro
- É por isso que estás assim? – ela colocou-me cuidadosamente a franja atrás da orelha
- Sim… Não gostei de ver a minha vida exposta! – e antes que eu pudesse dizer mais qualquer coisa o meu telemóvel vibrou em cima do sofá
“David a chamar…” – pude ler no ecrã e automaticamente, pousei o telefone sob o sofá
Era a primeira vez que ele me procurava depois de ter saído naquela manhã de casa dele.
Era a primeira vez que ele me procurava depois de ter saído naquela manhã de casa dele.
- Não vais atender? – perguntou-me ela
- Não… Depois da discussão que tivemos por causa da revista a vontade de o ouvir não é nenhuma! – ele desistiu pois o telefone deixou de tocar
- A falarem é que as coisas se resolvem…- não precisei de lhe contar mais nada sobre a nossa discussão, ela percebeu imediatamente que não estava à vontade com o assunto
- O David deixou tudo bem claro, não confia em mim… E agora se falássemos seria de cabeça quente e eu ainda ia dizer coisas que estão aqui entaladas e não o quero magoar! – o meu coração estava apertadinho ansiando por uma nova chamada dele que não chegou nessa noite
***
No dia seguinte o Benfica iria ter o primeiro jogo da época, o de apresentação, no estádio da Luz frente ao Mónaco, um jogo particular. Apesar de estar chateada com o David e de ele não me ter ligado mais desde a noite anterior eu estava decidida a ir ao jogo, nem que tivesse de o assistir nas bancadas e era exactamente isso que eu ia fazer.
- Princesa, estou pronta! – ouvi a Bianca gritar da sala, logo depois de ter ouvido os saltos dos seus sapatos percorrerem a tijoleira do corredor.
Estava a acabar de me arranjar, agarrei na minha mala, enfiei as pulseiras no pulso e saí do quarto.
Estava a acabar de me arranjar, agarrei na minha mala, enfiei as pulseiras no pulso e saí do quarto.
- Já aqui estou! – disse atravessando o corredor até chegar perto dela
- Uau! Estamos todas lindonas, estamos! – soltou um piropo
- Oh deixa-te de coisas, estou normal!
- Se isso é normal… Vai lá, vai!
- Oh deixa de ser totó! Vamos, mas é embora senão depois apanhamos muito trânsito…
Acabámos por sair de casa no carro da Bianca que conduziu até ao estádio e chegámos lá em menos de vinte minutos. Ela entrou com o carro para as garagens, faltava mais de duas horas para o jogo.
- Acho que viemos demasiado cedo… Nem os carros todos deles ainda cá estão! – disse tirando a chave da ignição
- Nunca é cedo demais! Comemos qualquer coisa, bebemos qualquer coisa, vamos à Megastore, vais ver que passa num instante! – saí do carro e nesse instante senti o meu telemóvel vibrar
“De: Paula
Olá, mi amor!
Acabei agora de chegar ao carro com o meu espanhol, vocês já cá estão? Besos!”
Desde que conhecera Paula, namorado do Roberto, na festa de anos de David que um grupo muito restrito de meninas se havia formado: Paula, Bianca, Inês, Andreia, Brenda, eu e Catarina, a namorada de Aimar que eu tinha conhecido há três meses atrás.
Éramos raparigas simples, novas e com prazer em viver, e por isso logo desde início a empatia tinha sido imediata e o grupo formou-se naturalmente.
“Para: Paula
Olá, mi amor :)
Olá, mi amor!
Acabei agora de chegar ao carro com o meu espanhol, vocês já cá estão? Besos!”
Desde que conhecera Paula, namorado do Roberto, na festa de anos de David que um grupo muito restrito de meninas se havia formado: Paula, Bianca, Inês, Andreia, Brenda, eu e Catarina, a namorada de Aimar que eu tinha conhecido há três meses atrás.
Éramos raparigas simples, novas e com prazer em viver, e por isso logo desde início a empatia tinha sido imediata e o grupo formou-se naturalmente.
“Para: Paula
Olá, mi amor :)
Acabei de chegar agora ao estádio mais a Bianca. Estás onde? Besos!”
A resposta dela não tardou em chegar.
“De:Paula
Estou na catedral mais as meninas… Venham ter connosco! :) Até já!”
- Bianca, as meninas estão todas na catedral… - informei com os olhos ainda postos no telemóvel e com ela já do lado de fora do carro trancado
- Então vamos ter com elas… Estou a morrer de saudades! – um sorriso inundou os seus lábios, não iria fazer-lhe aquela desfeita
- Ok, vamos lá!
Seguimos as duas até ao corredor de acesso à Catedral, mas antes de entrar parámos à porta da casa de banho.
- Vou só à casa de banho, vai andando que eu já lá vou ter… - ela assentiu positivamente com a cabeça e seguiu sem mim
***
A resposta dela não tardou em chegar.
“De:Paula
Estou na catedral mais as meninas… Venham ter connosco! :) Até já!”
- Bianca, as meninas estão todas na catedral… - informei com os olhos ainda postos no telemóvel e com ela já do lado de fora do carro trancado
- Então vamos ter com elas… Estou a morrer de saudades! – um sorriso inundou os seus lábios, não iria fazer-lhe aquela desfeita
- Ok, vamos lá!
Seguimos as duas até ao corredor de acesso à Catedral, mas antes de entrar parámos à porta da casa de banho.
- Vou só à casa de banho, vai andando que eu já lá vou ter… - ela assentiu positivamente com a cabeça e seguiu sem mim
***
David
Desde a noite anterior que aquele maldito telefonema que lhe fiz não saía da minha cabeça. Estava a duas horas do jogo, o nervoso miudinho tava batendo e nem sinal dela. Provavelmente não viria nem no jogo e eu tava precisando ouvir a voz dela me desejando “Boa sorte”. Meu coração tava apertadinho e no meu peito batia uma saudade danada daquela muleca, mas eu não podia ligar mais, porque se ela não tinha atendido era porque não queria falar comigo e eu ia esperar as coisas se acalmarem um pouquinho mais para a procurar.
Já quase todos tinham do seu lado a sua namorada, esposa e filhos e eu tava sozinho do lado do manz. A Paula desde que chegara com o Roberto não tinha largado aquele maldito telemóvel e do grupo de amigas, só tava faltando ela e Bianca, o que ainda me dava alguma esperança de a qualquer altura a ver surgir por aquela porta, bem do lado dela.
- Boa tarde, gente! – Bianca entrou nesse exacto momento pelas portas da catedral
Meu coração parou, meu olhar buscou por ela, mas nada senão o vazio. Aguardei uns segundos, mas Bianca fechou a porta atrás dela, vinha sozinha… Esmoreci ao perceber que Adriana não vinha ao jogo, que pelo menos não ia poder vê-la.
Todas as meninas correram na direcção de Bianca para a cumprimentar, por entre gargalhadas, gritinhos e sorrisos todas mataram as saudades. Durante dois minutos fizeram uma rodinha cochichando sobre algo, coisas de mulher! Deu um beijo nos lábios de Salvio e ficou junto dele. Faltavam apenas menos de duas horas para o jogo e sensação de vazio dentro do meu peito aumentava.
- Olha lá, Bianca, a Adriana vai ver o jogo em casa? – perguntou Ruben agarrando Inês pela cintura
- Não… Até parece que não conheces a Adriana! – Bianca tinha razão, ela era uma benfiquista ferrenha e só faltava aos jogos quando não dava mesmo p’ra vir
- Parece que não… Estou mesmo a ver que ela vai faltar a este jogo!
- Achas mal, Ruben, achas muito mal! – aquela voz, meu Deus! Meu olhar colou na direcção da porta e meu mundo parou de girar, aquele era meu novo ponto gravitacional
Desde a noite anterior que aquele maldito telefonema que lhe fiz não saía da minha cabeça. Estava a duas horas do jogo, o nervoso miudinho tava batendo e nem sinal dela. Provavelmente não viria nem no jogo e eu tava precisando ouvir a voz dela me desejando “Boa sorte”. Meu coração tava apertadinho e no meu peito batia uma saudade danada daquela muleca, mas eu não podia ligar mais, porque se ela não tinha atendido era porque não queria falar comigo e eu ia esperar as coisas se acalmarem um pouquinho mais para a procurar.
Já quase todos tinham do seu lado a sua namorada, esposa e filhos e eu tava sozinho do lado do manz. A Paula desde que chegara com o Roberto não tinha largado aquele maldito telemóvel e do grupo de amigas, só tava faltando ela e Bianca, o que ainda me dava alguma esperança de a qualquer altura a ver surgir por aquela porta, bem do lado dela.
- Boa tarde, gente! – Bianca entrou nesse exacto momento pelas portas da catedral
Meu coração parou, meu olhar buscou por ela, mas nada senão o vazio. Aguardei uns segundos, mas Bianca fechou a porta atrás dela, vinha sozinha… Esmoreci ao perceber que Adriana não vinha ao jogo, que pelo menos não ia poder vê-la.
Todas as meninas correram na direcção de Bianca para a cumprimentar, por entre gargalhadas, gritinhos e sorrisos todas mataram as saudades. Durante dois minutos fizeram uma rodinha cochichando sobre algo, coisas de mulher! Deu um beijo nos lábios de Salvio e ficou junto dele. Faltavam apenas menos de duas horas para o jogo e sensação de vazio dentro do meu peito aumentava.
- Olha lá, Bianca, a Adriana vai ver o jogo em casa? – perguntou Ruben agarrando Inês pela cintura
- Não… Até parece que não conheces a Adriana! – Bianca tinha razão, ela era uma benfiquista ferrenha e só faltava aos jogos quando não dava mesmo p’ra vir
- Parece que não… Estou mesmo a ver que ela vai faltar a este jogo!
- Achas mal, Ruben, achas muito mal! – aquela voz, meu Deus! Meu olhar colou na direcção da porta e meu mundo parou de girar, aquele era meu novo ponto gravitacional
***
Adriana
- Eh lá, seja bem aparecida! – disse o Ruben num sorriso matreiro ao ver-me entrar na catedral
- Boa tarde a todos! – a minha voz tentou sair o mais animada possível, mas para quem já me conhecia era óbvio que estava tudo menos animada
As meninas levantaram-se todas e correram na minha direcção para me abraçarem, fui apertada por todos os lados por mil braços diferentes.
- Ai pequenina! – a Paula foi a primeira a alcançar-me e esborrachou-me contra si
- Dri! – reconheci imediatamente a voz de Andreia e Catarina que me abraçaram logo de seguida
Logo de seguida foram os braços de Inês e Brenda que me envolveram naquela amálgama de corpos.
- Pessoal, preciso de respirar! – disse em tom de brincadeira, pois elas apertavam-me em todo o lado, soltaram-me, mas mantiveram-se próximas
- Pensámos que não vinhas… - declarou Catarina muito calmamente
- Eu vim com a Bianca, fui só ali à casa de banho! Ela não vos disse? – olhei para ela que estava abraçada a Salvio
- Sim, mas como nunca mais vinhas pensámos que tinhas fugido! – todas nos rimos levemente
- Bem, a conversa está óptima, mas eu quero ir comer um cachorro e ir á Megastore! Hoje sou simplesmente uma adepta ferrenha!
- Oh não vais ver o jogo aqui connosco? – a cara de Paula era de desilusão
- Não, estou a precisar de distância deste mundo exclusivo, ando a precisar de ser só eu. Simplesmente a miúda normal e anónima de 17 anos… Isso e só isso!
- Tudo bem, compreendemos… - a Catarina era sempre muito compreensiva, todas me sorriram
Nesse instante e ao lançar o meu olhar pelo resto da sala dei de caras com quem menos queria: David. Eu já sabia que o iria encontrar e uma parte de mim ansiava por isso, mas outra parte queria distância, precisava de distância. Os meus pés quiseram recuar, dar meia volta e assistir o jogo em casa. Senti a vista turva, o chão a fugir-me debaixo dos pés e o meu estômago a dar um nó. Mas o que raio se estava a passar comigo?
- Adriana, estás bem? – a voz e o toque de Paula despertaram-me – Estás pálida, amor…
Senti o sangue fugir-me das maçãs do rosto e o meu corpo meio fraco.
- Sim, estou bem! – ergui a cabeça e o mau estar passou, sorri-lhe
Quando olhei para David o seu olhar estava mais cravado em mim do que nunca, rezei para que aquele jogo passasse depressa para eu puder voltar a casa o mais cedo possível.
- De certeza? – ela insistiu, já me conhecia bem
- Sim, tudo bem! – sorri forçosamente
- Olha lá, ó piolhosa! – a voz de Ruben que estava na área dos sofás chamou-me à atenção e eu e o resto das meninas aproximámo-nos
- Diz lá, ó ranhoso! – entrei na brincadeira dele facilmente
- Vais ver o jogo aonde? – perguntou erguendo uma sobrancelha
- Bancadas! Ao pé dos No Name! – sorri, adorava aquela ala, dava-me um gostinho especial viver todos os momentos do jogo ali, no meio daquela gente que incorporava a verdadeira mística
- Que necessidade é que tens disso? Vê aqui com elas, ó… - percebi claramente que aquilo era uma encomenda de David
- Não… Senão fosse conhecer-te, eu era uma adepta normal e era lá que veria os jogos por isso vou agir como adepta normal e vê-lo lá! – sem dar conta acabei por prenunciar certas palavras que magoaram David
Com aquele discurso parvo e irracional eu acabara de cortar qualquer relação que houvesse entre mim e ele, dando a entender que Ruben era o último motivo que me mantinha ali quando na verdade todo o meu centro existencial e emocional era David e o olhar dele revelou tudo naquele momento: eu tinha-o magoado.
- Bolas, és teimosa! Aquilo é perigoso por causa dos petardos!
- Ai, Ruben, qual é a tua? Sempre assisti lá aos jogos e hoje vou assistir, ponto final!
- Teimosa!
- Chato! – deitámos a língua de fora em simultâneo um ao outro e todos se riram, inclusive David que o fez mais timidamente – Bem, vou comer um belo cachorro e seguir para as bancadas…
- Depois vai ter comigo à sala deles, despeço-me do Salvio e vamos juntas! – Bianca tomou lugar do meu lado
- Não é preciso! Eu vou de metro, amor…
- Vais o quê? – Bianca e Ruben fizeram um uníssono perfeito
- De metro? Sabem o que é? – ironizei
- Saber sei, mas tu não deves estar boazinha! – eu sabia que Ruben se preocupava comigo, mas eu já era crescidinha
- Ó miúda não faças uma cena dessas, ainda por cima depois das noticias que saíram, vais ser chacinada! – um silêncio aterrador instalou-se na sala depois daquele comentário do Fábio
Andreia fuzilou-o com o olhar, ele não fez por mal, mas todos já tinham percebido que eu e o David estávamos chateados e que o motivo era a revista. O David foi incapaz de me olhar nos olhos e o clima entre mim e ele ficou pesado.
- Adriana, não vais de metro! – foi Ruben que desviou o assunto
- Adeus, pessoal! Adeus, Rubenzinho! – disse de fugida já tomando o caminho para os corredores internos do estádio
***
Faltava meia hora para o jogo começar, os jogadores estavam em aquecimento e a cerimónia de apresentação já havia sido feita. Eles aqueciam no relvado, notava que David estava meio distraído, longe dali e pouco se esforçava, tão bem como o conhecia e pela maneira como o mister o olhava adivinhava-se uma fraca demonstração.
Tive medo que fosse por minha culpa aquela desconcentração, que fosse pela falta do ritual de “Boa Sorte” quer fosse por telefone ou cara a cara, acompanhado de um beijo.
Relembrei o sabor do seu beijo, o toque dos seus lábios e uma nostalgia invadiu-me.
Tremi de cima a abaixo a ouvir um dos cânticos dos NN que me ensurdeceu durante meio minuto.
Eles retiraram-se para os balneários e senti o meu coração mirrar ao ver o David, que era sempre bem-disposto e alegre, sair cabisbaixo e com o sorriso, que lhe iluminava sempre o rosto, extinguido.
- Eh lá, seja bem aparecida! – disse o Ruben num sorriso matreiro ao ver-me entrar na catedral
- Boa tarde a todos! – a minha voz tentou sair o mais animada possível, mas para quem já me conhecia era óbvio que estava tudo menos animada
As meninas levantaram-se todas e correram na minha direcção para me abraçarem, fui apertada por todos os lados por mil braços diferentes.
- Ai pequenina! – a Paula foi a primeira a alcançar-me e esborrachou-me contra si
- Dri! – reconheci imediatamente a voz de Andreia e Catarina que me abraçaram logo de seguida
Logo de seguida foram os braços de Inês e Brenda que me envolveram naquela amálgama de corpos.
- Pessoal, preciso de respirar! – disse em tom de brincadeira, pois elas apertavam-me em todo o lado, soltaram-me, mas mantiveram-se próximas
- Pensámos que não vinhas… - declarou Catarina muito calmamente
- Eu vim com a Bianca, fui só ali à casa de banho! Ela não vos disse? – olhei para ela que estava abraçada a Salvio
- Sim, mas como nunca mais vinhas pensámos que tinhas fugido! – todas nos rimos levemente
- Bem, a conversa está óptima, mas eu quero ir comer um cachorro e ir á Megastore! Hoje sou simplesmente uma adepta ferrenha!
- Oh não vais ver o jogo aqui connosco? – a cara de Paula era de desilusão
- Não, estou a precisar de distância deste mundo exclusivo, ando a precisar de ser só eu. Simplesmente a miúda normal e anónima de 17 anos… Isso e só isso!
- Tudo bem, compreendemos… - a Catarina era sempre muito compreensiva, todas me sorriram
Nesse instante e ao lançar o meu olhar pelo resto da sala dei de caras com quem menos queria: David. Eu já sabia que o iria encontrar e uma parte de mim ansiava por isso, mas outra parte queria distância, precisava de distância. Os meus pés quiseram recuar, dar meia volta e assistir o jogo em casa. Senti a vista turva, o chão a fugir-me debaixo dos pés e o meu estômago a dar um nó. Mas o que raio se estava a passar comigo?
- Adriana, estás bem? – a voz e o toque de Paula despertaram-me – Estás pálida, amor…
Senti o sangue fugir-me das maçãs do rosto e o meu corpo meio fraco.
- Sim, estou bem! – ergui a cabeça e o mau estar passou, sorri-lhe
Quando olhei para David o seu olhar estava mais cravado em mim do que nunca, rezei para que aquele jogo passasse depressa para eu puder voltar a casa o mais cedo possível.
- De certeza? – ela insistiu, já me conhecia bem
- Sim, tudo bem! – sorri forçosamente
- Olha lá, ó piolhosa! – a voz de Ruben que estava na área dos sofás chamou-me à atenção e eu e o resto das meninas aproximámo-nos
- Diz lá, ó ranhoso! – entrei na brincadeira dele facilmente
- Vais ver o jogo aonde? – perguntou erguendo uma sobrancelha
- Bancadas! Ao pé dos No Name! – sorri, adorava aquela ala, dava-me um gostinho especial viver todos os momentos do jogo ali, no meio daquela gente que incorporava a verdadeira mística
- Que necessidade é que tens disso? Vê aqui com elas, ó… - percebi claramente que aquilo era uma encomenda de David
- Não… Senão fosse conhecer-te, eu era uma adepta normal e era lá que veria os jogos por isso vou agir como adepta normal e vê-lo lá! – sem dar conta acabei por prenunciar certas palavras que magoaram David
Com aquele discurso parvo e irracional eu acabara de cortar qualquer relação que houvesse entre mim e ele, dando a entender que Ruben era o último motivo que me mantinha ali quando na verdade todo o meu centro existencial e emocional era David e o olhar dele revelou tudo naquele momento: eu tinha-o magoado.
- Bolas, és teimosa! Aquilo é perigoso por causa dos petardos!
- Ai, Ruben, qual é a tua? Sempre assisti lá aos jogos e hoje vou assistir, ponto final!
- Teimosa!
- Chato! – deitámos a língua de fora em simultâneo um ao outro e todos se riram, inclusive David que o fez mais timidamente – Bem, vou comer um belo cachorro e seguir para as bancadas…
- Depois vai ter comigo à sala deles, despeço-me do Salvio e vamos juntas! – Bianca tomou lugar do meu lado
- Não é preciso! Eu vou de metro, amor…
- Vais o quê? – Bianca e Ruben fizeram um uníssono perfeito
- De metro? Sabem o que é? – ironizei
- Saber sei, mas tu não deves estar boazinha! – eu sabia que Ruben se preocupava comigo, mas eu já era crescidinha
- Ó miúda não faças uma cena dessas, ainda por cima depois das noticias que saíram, vais ser chacinada! – um silêncio aterrador instalou-se na sala depois daquele comentário do Fábio
Andreia fuzilou-o com o olhar, ele não fez por mal, mas todos já tinham percebido que eu e o David estávamos chateados e que o motivo era a revista. O David foi incapaz de me olhar nos olhos e o clima entre mim e ele ficou pesado.
- Adriana, não vais de metro! – foi Ruben que desviou o assunto
- Adeus, pessoal! Adeus, Rubenzinho! – disse de fugida já tomando o caminho para os corredores internos do estádio
***
Faltava meia hora para o jogo começar, os jogadores estavam em aquecimento e a cerimónia de apresentação já havia sido feita. Eles aqueciam no relvado, notava que David estava meio distraído, longe dali e pouco se esforçava, tão bem como o conhecia e pela maneira como o mister o olhava adivinhava-se uma fraca demonstração.
Tive medo que fosse por minha culpa aquela desconcentração, que fosse pela falta do ritual de “Boa Sorte” quer fosse por telefone ou cara a cara, acompanhado de um beijo.
Relembrei o sabor do seu beijo, o toque dos seus lábios e uma nostalgia invadiu-me.
Tremi de cima a abaixo a ouvir um dos cânticos dos NN que me ensurdeceu durante meio minuto.
Eles retiraram-se para os balneários e senti o meu coração mirrar ao ver o David, que era sempre bem-disposto e alegre, sair cabisbaixo e com o sorriso, que lhe iluminava sempre o rosto, extinguido.

20 comentários:
que lindo, mi amor!!
já sabes como ando curiosa e ainda complicas, jisas!
te amooooo <3<3
Esta' O ma'xiimO O capiitulO, Driiziinha!!
EstOu super curiiOsa, pOsta rapiidO. Shiim? =D
GMDT..<3
BjnhOs
magnifico...
quero mais...
continua... tou super curiosa para ver os proximos capitulos...
Olha lá... mas quando é que metes estes dois bem???
Continua...
Adoro-te :D
Beijocas
Que lindo *.*
só tenho pena que nao seja postado quase todos os dias, mas eu também sei que custa muito arranjar tempo quando se estuda... eu sinto o mesmo !
Boa Sorte, e contínua :)
Coitado do rapaz, ao menos podias-lhe ter desejado boa sorte Dri Maria! Vê lá se eles fazem as pazes rápido, sim? :p
Beijinhos
Guigui
mais, mais... publica mais que assim o meu coração não aguenta... o David triste não, é tão dificil imaginá-lo assim... adorei o cap linda, fico há espera do próximo...
Bjs :P
Clara
Senhora excelentissima Adriana, tenho apenas umas coisas a apontar a este maravilhoso a capitulo.
A primeira é que acho de muito mau tão acabar na melhor parte, se é que a excelentissima me entende.
A segunda, a rapariga a poder ir de carro vai de metro? Nao aconselho nada.
A terceira é que deduzo que dessa cabecinha já estejam mil e uma ideias para acontecer algo de mal á rapariga, por isso, desde já aviso que se isso acontecer teremos que ter uma conversita assim mais para o fisica, se é quem me percebe.
Nao tendo nada mais a apontar, deixo escrito apenas que foi bastante agradável ler este capitulo e que espero ansiosamente que a excelentissima tenha a vondade e postar um novo e maior capitulo.
Sem mais assunto de momento, despeço-me.
Um beijinho*
Ps: Diz lá que até nem sei fazer uma comentário chic xD
Gosto muito de ti linda (;
FANTÁSTICO !
DRIIIII :c
então e eles os dois ? quando resolvem as cenas ? é preciso exaltar-me é ? MAU!
Tá lindãoo, meu amô!
Te amo (L)
Que lindo!
Amei!
Oh coitadinho do David!
Eles tem que fazer as pazes!
Quero mais!
Beijinhos
Como já me habituaste um lindo capitulo, sempre especial.
Mas eu não gosto nada de os ver chateados e tristinhos. Não me parece nada boa ideia ela ir de metro... Mesmo neste capitulo fartei-me de ir com a conversa dela com o Ruben. Muito bom.
Mas fica sempre um amargo de boca, pois quero mais...
muito mais :)
Beijinhos Dri e publica rápido :)
MARAVILHOSO
CONTINUA... POSTA RAPIDO, QUERO MAIS!!!!!
BJS
Está tão lindo, GOD! :D
Eu amei!! E já te disse, mas volto a repetir, tu escreves incrivelmente bem!!
Continua, Princesa
Beijão (L)
Está lindo... Eu estou desejosa de ler mais e de preferência a Adriana e o David juntos, pode ser?
Posta rápido...
menina Dri como sempre este capitulo está lindoooo!!!
e eu quero ver o David e a adriana juntos outra vez sim? nao faz sentido estares separados!!
continua linda porque eu tou viciada coma tua escrita!!
beijinhos
POSTA RAPIDO!!!!!
QUERO MAIS
eu acho que o david deve sofrer mais um bocadinho xD
ele tratou a pobre da Adriana muito mal...
continua... estou a amaaaaaaaaaar!!
beijinhos
drii nao vais acabar com a fic pois não? adorei publica rapidooo
QUERO MAIS!!!!!
POSTA RAPIDO!!!!!
MUITO RAPIDO
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