Casa do Ruben.
Telemóvel toca.
Ruben – Sim?
Adriana – Sou eu! Não consigo dormir por causa daquilo (desabafa)
Ruben – Primeiro fazes os disparates e depois auto-martirizaste.
Adriana – Diz-me! Quão mau é o estrago?
Ruben – Adriana… (advertindo-a)
Adriana – Eu sei que já falas-te com ele! De certeza! Não mintas… Por favor!
Ruben – Sim… estive em casa dele (confessa)
Adriana – E?
Ruben – E nada!
Adriana – Diz-me! Não tenhas pena! O que é que ele disse?
Ruben – Como podes imaginar ele não estava propriamente feliz com aquilo que disseste dele…Adriana – Eu sabia! Ele deve estar super chateado e a odiar-me mas eu não queria… Não quis… Aquelas coisas… Não… (gagueja) Tu sabes!
Ruben – Sim, não disseste nada de jeito mas eu sei… (silêncio momentâneo) Tu gostas dele não é?
Adriana – Não! Nada disso! Não pode ser… (tentando convencer-se a ela própria do que estava a dizer)
Ruben – Eu conheço essa tua necessidade parva de afastares as pessoas de quem começas a gostar e a confiar… Com ele é assim…
Adriana – Mas não devia! Não com ele! Somos o oposto! Não vai dar certo! Além disso ele considera-me uma amiga! Amiga! (incrédula)
Ruben – Não deves ligar ao que ele diz… Ele as vezes consegue ser muito bronco… Como tu foste hoje… Vocês só precisam de uma coisa para dar certo e isso já está a começar a crescer…
Adriana – Não por favor! Não digas essa palavras! Não! (fazendo figas)
Ruben – Amor…Adriana – Bolas! Isto é pior do que o que eu imaginava!
Ruben – Lá porque não queres admitir não quer dizer que não o estejas a sentir…
Adriana – Bolas! Queria tanto que estivesses enganado… Queria não me importar tanto com ele e com o que aconteceu, queria que tudo na minha cabeça voltasse a ser como antes, queria nunca o ter conhecido!
Ruben – Mudar é bom!
Adriana – Mas não assim! Desta maneira! Com esta pessoa! Não quero magoá-lo!
Ruben – Ouve! Não vais fazê-lo! Eu sei que o Diogo sempre te fez acreditar que o problema eras tu mas não Adriana! O problema foi sempre ele! Isto só vai correr mal se tu quiseres que assim seja…
Adriana – És o melhor! Obrigada!
Ruben – Se me querer agradecer, faz o que tens a fazer! O correcto! Pede-lhe desculpas!
Adriana – Como é que eu vou fazer isso? Como é que eu lido com o que estou a sentir, peço desculpa ao David e ainda convivo todos os dias com o Diogo na escola?
Ruben – Como encaras sempre os teus problemas… Com esse sorriso e essa força de sempre!Adriana – Adoro-te!
Ruben – Eu também pequenina! Muito! (desligam)
Adriana sentia-se mais calma depois de falar com Ruben. Era sempre assim. No meio das tempestades as conversas com Ruben traziam a bonança no berço das palavras maduras e correctas do irmão mais velho que Adriana nunca teve mas que a vida lhe oferecera.Ela podia ainda não saber muito bem o que fazer mas sabia que não podia ficar sentada e esperar que David disse-se alguma coisa ou a perdoa-se sem que ela fizesse qualquer pedido de desculpas.
Depois de dar cinco voltas à sala Adriana resolveu enviar-lhe uma SMS, não porque não tivesse coragem para falar com ele cara a cara mas porque só o poderia fazer no dia seguinte, ou depois e esse depois poderia já ser tarde. Sem olhar muito para o telemóvel os seus dedos ágeis, e já habituados á posição de cada tecla, escreveram:
“Lamento tudo o que aconteceu hoje! Não sabes como lamento! Quero resolver tudo contigo, poder explicar-te cada palavra que disse e poder retirá-las uma a uma. Agora era a altura perfeita para voltares para ao pé de mim, olhares-me nos olhos e dizeres “Vamos começar tudo de novo! Olá, o meu nome é David!” tal como fizeste quando nos comecemos. Eu sei que o tempo não volta atrás mas todos cometem erros que acabam por afastar pessoas que são importantes para nós… E eu quero muito ter-te por perto. Mas nunca te aconteceu quereres tanto uma coisa que quando tens uma possibilidade de a teres ficas com medo dela? Vemo-nos por aí… Espero eu.”
Sem usar a lógica e com o mesmo instinto que lhe permitiu escrever a mensagem sem olhar, carregou no “OK” e enviou a mensagem.
Os seus olhos fixaram-se no telemóvel que durante 5 segundos teve no visor “a enviar…” e quando a lógica de Adriana ordenou ao seu polegar o cancelamento da mensagem, “Entregue” surgiu no visor e o coração cobarde de Adriana retraiu-se e afastou tudo à sua volta tal como Adriana fazia quando se sentia em jogo.
Mas agora a aposta era diferente e o preço a pagar por uma derrota seria demasiado caro: o seu coração.
3 comentários:
Amei (:
a mesnsagem k ela mandou ta d++++++
AWESOME
Parabens DRI
Lindo'
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