Adriana percorria as ruas de Lisboa, completamente lavada em lágrimas, que tentava controlar mas estava a tornar-se mais forte que ela. Quanto mais ela se esforçava por não chorar mais as lágrimas lhe afloravam o rosto.
O seu pai nunca fora preconceituoso, também na verdade Adriana nunca namorara com alguém de uma cultura diferente, mas ela não achava normal aquela atitude do seu pai, logo pelo facto de ele também se ter casado com uma mulher, a mãe de Adriana, que é uma descendente de um luso-cipriota e de uma italiana.
Adriana não sabia para onde ir, o chão parecia-lhe fugir debaixo dos pés, e o seu coração pulsava com tal força que ela o podia sentir na cabeça, provocando uma dor desconfortável.
Ela vagueava sem rumo e não era que esse facto a assusta-se mas ela precisava de encontrar um porto seguro, alguém com quem desabafar, e a primeira pessoa que lhe ocorre é David. Mas como é que ela iria dizer-lhe, sem o magoar, que o seu pai não aprovava a relação porque ele era brasileiro?
Depressa o seu pensamento pára em Ruben, mas ele devia estar a aproveitar a folga para estar com Inês e ela não queria atrapalhar, apesar de saber que não o faria mas achou melhor assim. O seu pensamento pára então em Débora que por aquela hora já estaria a bufar no café junto à sua casa, esperando por Adriana, que entretanto e com toda aquela confusão estava atrasada porque se esquecera completamente.
Adriana entra então na primeira estação de metro que encontra, e trocando apenas uma vez de linha acaba por chegar perto de sua casa muito rapidamente. Mal avista o café consegue ver Débora, sentada na esplanada, com um copo de água á sua frente, toda estatelada na cadeira e bufando por tudo o que era lado, tamanho não era o aborrecimento.
Adriana dá então um toque apressado ao seu andar e em poucos segundos junta-se a Débora na esplanada.
- Bem! Estava a ver que não! Estava a ganhar caruncho de estar tanto tempo aqui à espera – resmunga Débora deixando uma lufada de ar sair-lhe pela boca, bufando novamente
- Desculpa, esqueci-me que tínhamos marcado o café! – desculpa-se Adriana prontamente
- Pois, aposto que foste ter com o David e te esqueces-te de mim… - diz Débora meio amuada
- Nada disso! Fui almoçar com os meus pais e fui dar uma volta mas acabei por perder a noção das horas… - diz Adriana já tentando controlar o soluçar
Ao sentir a voz, que tão bem conhecia, da sua melhor amiga falhar, Débora encara-a pela primeira vez desde que ela chegara. Podia ver a tez pálida, o seu nariz vermelho e o seu lábio superior ligeiramente inchado, o que denunciava facilmente que ela tinha estado a chorar sem sequer precisar de olhar para os seus grandes olhos, agora inchados.
- Adriana! O que é que aconteceu? Estiveste a chorar… - diz Débora recompondo-se na cadeira
- Não foi nada, só uns stresses com o meu pai – diz Adriana sentando-se
- Com o teu pai? Impossível! Tu e o teu pai nunca têm stresses… - diz Débora rindo ironicamente não acreditando no que Adriana lhe contava
- Débora, juro! Eu hoje fui a casa dos meus pais almoçar e contar-lhes que namoro com o David e ent… - Adriana tenta contar o sucedido mas Débora interrompe-a
- Calma lá! Tu namoras com o David? Com o David Luiz? – pergunta Débora num sussurro porque havia mais gente na esplanada
- Sim. Começamos ontem! Ou achas que voltei porquê? Saudades de Portugal? Por amor de Deus! – diz Adriana num tom de voz revoltado
- Ai fico tão feliz! Vocês são feitos um para o outro! – chuta Débora num tom de voz sincero que Adriana facilmente deslinda - Mas então onde é que surge o stress com o teu pai no meio disso tudo? – pergunta Débora confusa
- Pois… Eu contei aos meus pais que namorava com o David, e a minha mãe ficou muito feliz…
- Óbvio! Estavas á espera do quê da Dona Isabel? – pergunta Débora sorrindo
- Pois… Mas o meu pai não reagiu bem… - diz Adriana com um semblante carregado
- Oh, isso foi do impacto inicial! – diz Débora desvalorizando a situação
- Não não foi Débora! O meu pai pediu-me que acabasse com “esta palhaçada” – diz Adriana num tom de voz irónico – porque eu e o David somos muito diferentes…
- Muito diferentes? Não percebi… - diz Débora confusa
- Pois ao inicio nem eu, ele rodeou falando das idades, estatuto social e a conversa acabou na cultura… - conta Adriana olhando Débora nos olhos
- Naa!! O teu pai não é assim! – afirma Débora começando a perceber ao que Adriana se referia
- Pois mas foi assim! Ele disse que ele não era o rapaz que ele tinha imaginado para mim, que eu merecia melhor e que devia acabar com ele antes que me magoasse porque isto não fazia qualquer sentido, e tudo porque ele é brasileiro! – diz Adriana num tom pejorativo
- Ai que mau, Adriana. Não é o facto de ele ser brasileiro que muda alguma coisa pois não? – pergunta Débora já confusa em relação ao que a amiga sentia uma vez que ela sabia que não havia nada que Adriana amasse mais do que a família
- Claro que não! Eu disse ao meu pai que se aquilo era uma escolha entre ele e o David a minha decisão estava tomada e levantei-me da mesa
- Estás a falar a sério? – pergunta Débora chocada com a atitude de Adriana
- Débora, eu amo o David, pode parecer piroso mas neste momento eu posso amar a minha família mas se eles não me apoiam nisto que tipo de amor é o deles? O David é importante, bolas! – diz Adriana num tom de voz tristonho
- Pois… Mas eu nunca te imaginei a tomar uma decisão dessas… - diz Débora escondendo a surpresa que teimava em querer invadir-lhe o rosto
- Eu sei, acho que o meu pai também não esperava por isso é que me disse aquelas coisas. Eu posso tê-lo desiludido, e sei que o fiz, mas ele nunca me tinha desiludido, e muito menos desta maneira… Agora é bola para a frente! Quando ele mudar de ideias em relação á pessoa que o David é eu estou disposta a conversar, mas de outra maneira lamento… - diz Adriana muito decidida da sua escolha
- E o que é que o David achou disto tudo? – pergunta Débora curiosa
- Não achou nada! – diz Adriana friamente
- Nada? Quer dizer tu discutes com o teu pai, marco raro na história nacional, ainda por cima por causa dele e ele não diz nada? Nem uma palavra de apoio? – diz Débora censurando-o
- Nada disso parva! Ele não disse nada porque eu nem sequer lhe contei… Como é que esperas que eu lhe diga que o meu pai não aceitou o namoro porque ele é diferente? “Olha desculpa lá amor, mas o meu pai não aceitou a relação porque és brasileiro então eu cortei relações com ele até ele reformular a sua opinião!” Estás louca só pode! – diz Adriana num tom irónico
- Pois também não pode ser assim mas vais ter de lhe contar… De uma maneira ou outra… - adverte Débora num tom sensato
- Eu sei que sim, mas tenho medo de magoá-lo… Como se ser brasileiro fosse algum crime, odeio pessoas preconceituosas! – diz Adriana batendo levemente com o seu punho cerrado na mesa
- Mas ele vai compreender, a culpa não é tua…
- A culpa não é minha mas afinal de contas ele é meu pai! E eu já sei que o David se vai sentir mal com uma situação destas… Como é que eu vou continuar a minha relação com ele sabendo ele que o meu pai não gosta dele pela nacionalidade? – chuta Adriana deixando a pergunta no ar
5 comentários:
Esta muito fixe dri continua linda...BJS.
continua Dri :)
Ana Moreira
coitadinho do david :X
mas eles vao superar isto...
beijo dri, quero mais :)
Adriana, continua. Gosto muito da tua fic, adoro lê-la. Chego da escola e corro logo para o computador para ver se já postaste mais alguma coisa. Acho que tens um grande jeito para escrever e muitas vezes sinto que é mesmo real :) espero que tenham um final feliz :)
beijinhos
simplesmente espectacular :D
eu não tenho mt geito para comentar, mas eu prometi.
Acho q deves de continuar, a história está num ponto fantástico mesmo :)
beijinhos, matie do chat =)
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