quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Capítulo 41 - Provas (Parte II)

Diogo - Então estive bem?
Adriana - Muito bem! (sorri)
Diogo - Gostas-te?
Adriana - Sim... Era a nossa música.
Diogo - É a nossa música!
Adriana - Nós já não existimos... Era a nossa música!
Diogo - Eu ainda não desisti. Enquanto não te tiver perdido para ele não desisto... (olha-a nos olhos aproximando-se para a beijar mas são interrompidos)
Professora - Meninos! É o dueto já a seguir!
Adriana - Estamos prontos stôra!

Sobem ambos ao palco e cantam a música que composeram juntos "Love the way you lie - Rihanna ft. Eminem" em clima de grande intimidade.
De seguida seguia-se a cena de representação, a última prova.
Adriana e Diogo estavam todos vestidos de preto, no inicio do palco e com um metro de distância um do outro pousando o olhar no público.

Adriana - No começo somos tomados pelo o mais puro dos sentimentos...O jeito meigo, o olhar forte e penetrante, a pele macia e o sorriso inesquecível desperta dentro de nós algo sincero e verdadeiro que nos faz bem. (olha para David)
Diogo - Sentimos o coração bater mais forte no simples acto de pegar na mão e no trocar de caricias, achamos que nos tornamos tolos infantis em ficar feliz com coisas tão simplórias, na verdade estamos a apaixonar-nos por alguém que achamos especial. Pouco a pouco entregamos nosso respeito, afecto, espírito e sem nos dar conta estamos refém da paixão.
Adriana - Sei que não sou o única a ter experimentado esse viciante sabor e com toda a certeza aqui diante de mim existe alguém que está passando ou passou por isso e se ainda não ocorreu saiba que ainda viverá a beleza do amor por que ele não escolhe idade, época ou momento simplesmente acontece.
Diogo - O exato instante do primeiro beijo ocorrido na praça diante do céu estrelado num dia de domingo, a primeira noite de amor com as luzes apagadas pela timidez inicial como se fôssemos dois virgens ao descobrir o encantamento do prazer carnal...
Adriana - ...os intermináveis recados matinais para desejar bom dia, as recordações de cada passagem de tempo tudo e completamente tudo faz parte das nossas vidas, independente de pessoa, sexo, maturidade temos guardado em sete chaves cada segundo dessas ocasiões por que elas ficarão marcadas em nossa mente, corpo, protegida em nossas almas como o mais precioso tesouro. Que seja eterno enquanto dure disse uma vez um poeta, é verdade!
Diogo - Lentamente de maneira sorrateira como se fosse uma naja negra prestes a destilar seu mortal veneno as diferenças começam a aparecer no início pouco se nota, mas aos poucos vamos descobrindo que aquela pessoa que julgávamos tão especial não é toda aquela candura celestial. As alterações de humor, comportamento irregular são o primeiro sinal que algo começa a desandar, com receio relevamos para não ser incômodos, tentamos nas entrelinhas transmitir conforto até chegar ao ponto que o nosso afago não é mais suficiente para o próximo. As ligações tão freqüentes começam a parar, as mensagens desaparecem, aos poucos surge uma barreira invisível que nos prende e tortura, sentimos falta de algo, procuramos lutar com todas as forças, fazemos das tripas coração, é como se levássemos um soco na consciência e ficássemos inertes perante a situação, mil questionamentos aparecem tentando explicar mais nenhum supre a necessidade da razão.
Adriana - Os passeios vão ficando para trás, os rostos risonhos de felicidade dão lugar a caras sérias e pouco amigáveis, as conversas tornam-se um martírio, o brilho nos olhos não são mais os mesmos e no fundo surge à dúvida de como isso teria acontecido. Será que não me dediquei tanto? Será que o magoei? Onde eu posso ter errado? O que fiz para ser tratada assim? (olhos rasos de lágrimas e postos em David) Protegidos na solidão do nosso quarto choramos escondidos nas fronhas dos travesseiros por que não queremos que saibam que estamos a sofrer de amor e cada manhã tentamos nos refazer, mas no momento falho de distração pegamo-nos relembrando de cada segundo vivido, caricia, toque, beijo,juras de amor, brincadeiras inocentes tudo tão impregnado em nossos frágeis corpos que de alguma forma nos sentimos presos ao passado recente.
Diogo - Mesmo constrangido, envergonhado sem saber a razão tentamos entrar em contato pela ducentésima vez na improvável expectativa de pelo menos dizer um Olá, tentar conversar. Os minutos são nossos piores inimigos passam velozmente quando mais se precisa e lentamente quando queremos apressar os passos. Quando a ligação cai damos conta de quanto somos fracos e de certo modo idiotas porque sofremos por alguém que despreza nossa dedicação, nos ignora e magoa.
Adriana - O coração sofre, o corpo sente, a mente sabe da dor que retalha as emoções, que golpeia impiedosamente o orgulho, dilacera nosso mais intimo ser, procuramos protecção no conforto das cobertas, sabedoria no silêncio inquietante, motivação inexistente, locupletado pelo nada, não temos forças para desabafar no mais melancólico choro de tristeza. Ficamos tão confusos que nem percebemos que a amargura está prestes a dominar completamente vencendo a auto-estima debilitada. (vira-se para Diogo)
Diogo - Ao fechar os olhos sentimos a pele junto a nossa, o cheiro, o gosto da boca, a mordida nos lábios, a fungada no pescoço que arrepia os pêlos é como se nada de ruim tivesse acontecido... (Diz já com o seu corpo colado ao de Adriana e os seus rostos a dois centimetros de distância)

Adriana sabia que ele se ia aproveitar da situação, na verdade ela já esperava que ele o fizesse.
Adriana fechou os olhos e manteve os punhos fechados junto do seu corpo, Diogo agarrou-lhe o rosto com uma mão e os seus lábios procuraram os dela com uma avidez que não estava muito longe da violência. Adriana conseguia sentir a raiva de Diogo enquanto este descobri a resistência passiva da sua boca. Diogo colocou então a outra mão na cintura de Adriana ao mesmo tempo que os seus lábios quentes e suaves procuravam arrancar uma resposta aos de Adriana.
A sua mão ardente encontrou a pele de Adriana no fundo das costas e empurrou-a para a frente, curvando o corpo dela por baixo do seu.
Aquela onda de amor desequilibrou o frágil auto-controlo de Adriana, e a alegria infindável de Diogo naquele beijo fez ruir a auto-determinação de Adriana e desligou-a. O seu cérebro, desligou-se do corpo, e contra toda a lógica estava ali, em frente dos seus amigos, família, e David, a beijar Diogo.
Contra toda a lógica os lábios e lingua de Adriana estavam a mover-se ao ritmo dos dele de maneiras estranhas e confusas, mas que estavam a despertar em Adriana sentimentos novos.
Adriana não conseguia ver, ouvir ou sentir nada que não fosse Diogo. Afastam-se.
Adriana abre os olhos e ainda tinha na sua frente os lábios de Diogo e ele observava-a completamente maravilhado e em júbilo. Os seus rostos permaneciam encostados mas pouco a pouco iam-se afastando com o restante discurso.

Adriana - ... mas quando abrimos deparamos com a realidade cruel e vamos aprendendo da forma mais traumatizante e covarde que não podemos parar de viver, existe um mundo novo de sensações, novas paixões passageiras virão assim como amores intensos, marcantes e provocantes sabendo também que nada e nem ninguém poderá ocupar espaço que já pertenceu à outra como eu mesma tinha dito as lembranças ficam protegida em nossas almas como o mais precioso tesouro, mas não significa que não possamos mais amar ou ser amado. Nossas fotos, cartas, recados não existem mais tudo se perdeu num momento de fúria, só as recordações são bastante para não esquecer o lado prazeroso que vivemos, da magia adormecida esquecida em algum lugar do passado, infelizmente isto não é mais uma história de amor.

Adriana foi incapaz de olhar para David enquanto soltava as últimas falas do guião. Não olhava para ele, nem para ninguém, mantinha o seu olhar vidrado e brilhante, devido ás lágrimas que ela continha, em Débora que permanecia na última fila assitindo ao sofrimento da sua melhor amiga.
Todos aplaudem.
Adriana sente-se impávida. Fora sem dúvida a cena mais difícil que fizera em toda a sua vida. Não pelo conteúdo mas pelas pessoas que estavam na plateia a ver.
Adriana ganha coragem e olha para David, tentava decifrar-lhe o olhar mas nada.
Depois um rasgo de emoção. Ele parecia desiludido, mas mais do que isso magoado,mas ele recompõem-se e de novo os seus olhos ficam idecifráveis.
E agora como ficariam as coisas entre eles depois daquilo?

3 comentários:

Ana disse...

Aquela parte que do beijo da Adriana e do Diogo que adaptas-te do Eclipse ficou bem aqui ;)

P.B disse...

n sei ond é k arranjas tanta imaginaxao pa criares esta historia...mas so te digo ta linda...cada vex melhor

raquel . disse...

incrivel ... fantastico as falas deles ... sao lindas . amei este capitulo ...

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