"ADRIANA"
As semanas seguintes seguiram-se calmamente, já namorávamos há quase um mês e via o David em média três a quatro vezes por semana mas falávamo-nos todos os dias, por chamadas ou mensagens. Não dava para matar completamente as saudades mas qualquer momento com ele já era bom o suficiente desde que fosse com ele.
O aniversário dele estava próximo e o Ruben andava a organizar um jantar com pagode num espaço nos arredores de Lisboa mas o David ainda não me tinha falado em ir, não me tinha convidado.
Achei que como em princípio os pais dele estariam presentes que ele não me ia querer lá, e então também não toquei no assunto e fingi não saber da festa.
O aniversário dele estava próximo e o Ruben andava a organizar um jantar com pagode num espaço nos arredores de Lisboa mas o David ainda não me tinha falado em ir, não me tinha convidado.
Achei que como em princípio os pais dele estariam presentes que ele não me ia querer lá, e então também não toquei no assunto e fingi não saber da festa.
21 de Abril:
Era véspera do seu aniversário, e estávamos a dois dias de fazermos um mês de namoro e nesta semana ainda não tinha estado com ele e por consequência ele continuava sem dizer nada acerca da festa. Não posso esconder que de certa maneira estava magoada com a atitude dele. Até porque ele sabia que eu sabia da realização da festa e mesmo assim não comentava nada comigo em relação à mesma. Pude concluir que ele não queria a minha presença mas nem por isso fiquei chateada e continuei a agir normalmente com ele.
Nessa manhã acordei muito cedo, o tempo andava escasso e por isso ainda não tinha comprado nenhuma prenda para ele e na verdade não fazia a mínima ideia do que lhe iria oferecer. Calhava-me até bem ele só fazer anos amanhã e ser sábado, porque significava que hoje era sexta e a única aula que tinha era Geometria Descritiva de manhã uma vez que a minha professora de Desenho andava a faltar.
Acordei então de manhã muito bem-disposta, vesti-me e liguei à Andreia na esperança que ela me pudesse acompanhar numa ida à Baixa para comprar alguma coisa para oferecer ao David.
- Bom dia! – cumprimentou-me uma voz muito bem disposta do outro lado do telefone
- Bom dia! Espero não te ter acordado… - desejei receosa
- Não, nada disso! Estou acordada à um tempão! – acalmou-me logo
- Olha, tenho um convite para te fazer… O que me dizes a uma ida de raparigas à baixa?
- Hum… Compras? – perguntou-me ela num tom de entusiasmo que eu rapidamente adivinhei
- Sim… Amanhã o David faz anos e ainda não lhe comprei nada… Além disso ando a ver se compro umas roupinhas para mim, e aproveitávamos púnhamos a conversa em dia e almoçávamos qualquer coisa por lá… - sugeri
- Hum, isso parece-me fantástico! Até porque hoje estou sozinha… O Fábio tem treinos e depois vai almoçar com o resto dos rapazes por aí… – rematou ela feliz
- Então eu ainda tenho de ir a uma aula de Geometria descritiva agora de manhã por isso só estou despachada daqui a uma hora e meia… - informei-a
- Então queres que te vá buscar? – ofereceu-se a Andreia prontamente
- Não é preciso, pudemos encontrar-nos ao pé do Largo Camões por volta das onze que é o tempo que eu preciso para ir à aula e entretanto apanhar o metro até ao Chiado…
- Por mim está óptimo! Encontro-me lá contigo a essa hora! Beijinho! – despediu-se sorridente
- Beijinho, até logo – despedi-me também e desliguei
Olhei em redor do quarto, já estava pronta mas não encontrava a minha mala. Andei rapidamente até à sala, eram oito e meia e eu tinha meia hora para chegar à escola.
Lá estava ela, em cima do sofá. Coloquei lá dentro as minhas chaves, o meu telemóvel, uma garrafa de água e bati a porta de casa.
Cheguei mesmo a tempo às aulas, que especialmente hoje, passaram a voar. Aproveitei e no final da aula mostrei uns exercícios que tinha feito em casa ao professor apenas para treinar para o teste que se aproximava. Ele olhou-os com muita atenção ao mesmo tempo que eu reparava em Débora, Ana, Catarina e Kika, que esperavam junto à minha mesa por mim. O professor disse-me que estavam todos certos e felicitou-me, despedi-me dele e aproximei-me delas.
- Então como é que estavam os exercícios? – perguntou-me Kika como quem não queria a coisa
- Estavam todos bem… - declarei enquanto os colocava dentro de uma pasta onde tinha um conjunto de desenhos em A4 e outros exercícios de Geometria Descritiva
- Ainda bem! Mas isso já não seria novidade! Matas-te a estudar… - disse Catarina
- Sim, tem de ser… Os exames estão quase ai! – declarei enquanto coloquei a minha mala ao ombro
Saí da sala, elas seguiam atrás de mim e cochichavam sobre mim como se eu ali não estivesse. Elas julgavam que falavam baixo o suficiente mas como os corredores da escola estavam visivelmente vazios eu conseguia ouvir perfeitamente os cochichos dela.
- Ela está estranha… - sussurrou Kika
- Sim, devíamos perguntar-lhe o que se passa… - acrescentou Ana
- Estou preocupada com ela… - declarava Catarina
- Já viram bem a carinha dela? – suspirou Débora
Virei-me para trás e encarei-as e elas estagnaram no mesmo sitio onde estavam sem terem tempo de se afastarem.
- Importam-se de não falar de mim como se eu não estivesse aqui? – perguntei com aborrecimento na voz
- Não estávamos a falar de ti – disparou Ana disfarçando muito mal
- Ah pois sim! Agora sou surda querem ver? Desembuchem lá! O que é que querem saber? – perguntei mais calma e retomei o passo
Elas viram que lhes acabara de dar livre-trânsito para me perguntarem o que quisessem… mas isso não significaria que eu iria responder. Juntaram-se duas do meu lado esquerdo e as outras duas do meu lado direito
- O que é que se passa contigo? – perguntou Ana curiosa
- Andas estranha… - constatou Kika
- Andas triste! – rematou Catarina
- E não digas que não que bem te conheço! – ripostou Débora sem me deixar sequer negar as afirmações delas
- Ando cansada, só isso! – declarei calmamente
- Me engana que eu gosto! – disse Catarina com um certo desdém na voz
- São só uns problemas pessoais… Mas não quero falar muito sobre isso… Até porque estou atrasada! Tenho de estar na Baixa às onze por isso… Beijinhos Meninas! – desatei a acelerar o passo tentando fugir a mais qualquer pergunta que elas quisessem fazer
- Eu também vou apanhar o metro… Espera por mim! – ouvi a Débora gritar atrás de mim numa corrida furiosa e em menos de nada tinha-a do meu lado
Ela não tocou mais no assunto, pelo menos até termos apanhado o metro e nos sentarmos numa carruagem que ia praticamente vazia. Eu já sabia que ela ia insistir no assunto e por isso limitei-me a colocar um phone no ouvido disposta a ouvir música.
- Vais descer onde? –perguntei-lhe enquanto procurava uma música no meu Ipod touch
- Desço na Alameda… Vou ter com o Rafael! – declarou sorridente ao dizer o nome do namorado
- Ainda bem - disse mostrando um sorriso de alivio
- Ainda bem? Queres-me ver assim tão longe de ti? – perguntou-me ofendida
- Não nada disso! Simplesmente já sei que mais de cinco minutos dentro deste metro contigo vão acabar em conversas que não me apetecem muito ter… - disse ao mesmo tempo que colocava o phone que faltava no ouvido
- Agora vais-me ouvir Adriana Vale! – disse Débora num tom de voz muito chateado e puxando-me os dois phones das orelhas
Eu deixei-me ficar a olhar para ela, tentando adivinhar o rumo que aquela maldita conversa iria tomar.
- Tu andas super triste! Apagadinha de todo! Pareces uma zombie! Não dizes nada, não ages, não ris, só vives para os estudos e pouco mais! Por isso como tua melhor amiga eu exijo que me digas afinal que merda é que se anda a passar contigo? – disse-me num tom autoritário que fez um senhor que seguia perto de nós tomar sentido e eu disfarcei envergonhada desculpando-me
- Importas-te de falar mais baixo? – pedi-lhe incomodada
- Depende… Importas-te de me responder? – perguntou-me cruzando os braços em frente ao tronco
- Epá não é nada demais… Mas eu nunca pensei que a minha relação com o David pudesse ser assim…. – confessei
- Assim como? - questionou-me visivelmente confusa
- Assim… Tão complicada! Raramente o vejo, morro de saudades, está sempre em viagens para o estrangeiro ou para ir jogar fora e depois… - as palavras começaram a sair pelo meio de soluços - … e depois… depois vai fazer anos e vai fazer uma festa e age como se esta não fosse acontecer… Não me convida… Não… - as lágrimas começavam a correr pelo meu rosto – E não me convida porque acho que os pais dele vão… e ele tem vergonha de mim… não em convida para a festa porque os pais vão… - as lágrimas tinham tomado conta de mim e nada do que eu dizia fazia sentido – e eu finjo que nada se passa… tento estar bem com ele e …. E… - foi inevitável e o choro tomou conta de mim, a Débora abraçou-me
- Oh amor, já podias ter falado comigo… - dizia tentando confortar-me
- Eu sei, mas eu estava a tentar ignorar esta situação, a tentar aceitar a atitude dele… - dizia ao mesmo tempo que me agarrava mais ao abraço dela
- Oh amor… Olha para mim! Achas que vale a pena estares assim por causa disto? Senão estás feliz com esta relação sai dela!
- Mas eu amo-o… - argumentava mais calma
- Mas uma relação não é só amor! – contra argumentou ela e eu fiquei sem saber o que dizer
“Próxima estação: Alameda” – dise uma voz feminina que geralmente me dava sempre vontade de rir mas hoje não era dia para risota
- Vai, tens de sair na próxima paragem! O Rafael está á tua espera! – incentivei-a e limpei as lágrimas tentando parecer bem
- Amor… - ela ainda tentou contrariar-me
- Nada! Vai! Já mandei! – ordenei-lhe forçando um sorriso – Pelo menos já desabafei! Deitei tudo cá para fora!
- Ok, eu vou mas vamos ter de falar depois sobre isto! – disse dando-me um beijo na testa e saindo disparada antes que a porta se fecha-se
Agora que tinha despejado tudo estava bem mais calma.
A verdade é que tinha andado a tentar fingir que estava tudo bem, que nada se passava mas estava a tornar-se insuportável agir normalmente sabendo que ele não me tinha convidado para a sua festa de anos. Eu não esperava nem queria que ele me apresentasse aos pais apenas com um mês de namoro mas pelo menos ele poderia ter-me convidado, eu poderia ir como amiga ou então recusaria o convite dando-lhe uma boa explicação, mas tinha calhado bem.
Agora ele estava a agir como se eu não existisse e aquilo estava a magoar-me...
7 comentários:
Hey... agora fico curiosa para saber o motivo dele ainda não a ter convidado!!! LOOL
Continua... está cada vez melhor... surpreendes-me sempre em cada capítulo!!
Beijinhos
Magnifico...
Quero mais, se poderes posta mais hoje, tou muito curiosa...
Continua... Tou ADORANDO a tua fic...
DRIIIIII, TÁ LINDOOO *.*
adoro :P
Amei,amei,amei está lindo drii parabens. Estou coriosa para ver a parte do david e saber porque "raio" é que ele ainda não a tinha convidado pra festa, mas das duas uma ou ele não sabia da festa ou então esta a programar alguma coisa especial para a Adriana. Continua.BJS.
Cá pra mim ele nem sabe da festa...o.o Concordo com a Ana Marta ;)
Continua Adriana,escreves lindamente :)
beijinhos*
Gostei! Continua está muito bom, bjs
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