quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Capítulo 90 - Não tou agarrando você

“ADRIANA”

Coloquei a mão no manípulo da porta do pendura e antes que tivesse tempo de abrir o vidro desceu e eu pude vê-lo. Debrucei-me sobre a janela do carro e pus a cabeça para dentro.
Ele olhava para mim com uma expressão de miúdo malandro e um sorriso tímido.

- Boas! – cumprimentei-o - Achas que posso entrar? – perguntei brincando com ele

- Não sei, não! Não deixo entrar qualquer pessoa no meu carro… - ele alinhou na brincadeira e torceu o nariz

- Hum, estou a ver… Mas eu só queria mesmo uma boleia… - sugeri picando-o

- E tá indo p’ra onde? – perguntou-me ele com um ar matreiro

- Para onde o meu namorado me levar! – respondi-lhe com o maior sorriso que a minha boca me permitiu fazer e ele correspondeu fazendo outro igual

- Tá esperando o quê para entrar então? – perguntou-me com o sorriso mais escancarado que já lhe vira no rosto

Abri a porta do carro ao mesmo tempo que ele fechava a janela. Sentei-me e inclinei-me na direcção dele. Os lábios quentes dele embateram contra os meus muito suavemente e durante alguns segundos. Não hesitei e roubei-lhe outros dois beijos rápidos e repenicados nos lábios. Sorrimos.

- Então e essa boleia é p’rá onde garota? – perguntou-me dando continuidade à brincadeira.

- Para onde o teu boguinhas me levar! – respondi carinhosamente

- Cê chamou o meu carrão de quê? – perguntou-me com uma expressão clara, de falso ofendido

- De boguinhas! É querido! – respondi com um sorriso expectante

Ele desatou às gargalhadas e eu também não pude evitar contê-las.

- Então e onde é que o meu boguinhas pode levar a senhora? – perguntou brincando
- Hum, não sei mas esta senhora está mesmo a precisar de um banho e de trocar de roupa… - afirmei
- Hum, então que seja! – exclamou ele com um sorriso no rosto e colocando o carro em andamento.

Não demorámos mais de quinze minutos a chegar à minha casa. Ele estacionou o carro nas garagens e subimos agarrados para o elevador. Encontrámos a D. Joana, a velhota vizinha da frente que foi como sempre muito doce e amável e que nos aconselhou juízo, e nós rimo-nos claro.
Seguíamos então no elevador, os dois olhando-nos, eu num canto e ele noutro.

- Amor… - chamou ele numa voz preguiçosa e deixando pender o seu corpo para o lado enquanto apoiava o cotovelo num corrimão que ladeava o corredor nas laterais

Eu deixei-me ficar a olhá-lo. O seu pescoço estava ligeiramente caído para trás, a sua farta cabeleira deixava alguns caracóis caídos sobre a sua face, e a sua boca continuava a chamar por mim. Estava cansada, precisava desesperadamente de um banho e não lhe respondi. Não movi um único músculo e na posição que estava fiquei.
Ele percebeu o meu silêncio, desencostou-se do corrimão e veio ter comigo. Em menos de dois segundos tinha-o à minha frente, colocando as suas mãos grandes e sempre quentes, nos meus quadris. E
Ele olhava-me sem pudores, directamente, intensamente e indiscretamente. Senti o olhar deve desviar-se do meu rosto, dos meus olhos e pousar sobre os meus lábios. Percebi a mensagem dele.
Ele queria beijar-me e na verdade eu também queria muito mas poderia aparecer alguém e eu não gostava daquilo tipo de situações.
Ele avançou com os seus lábios na minha direcção mas eu travei-lhe o movimento erguendo a minha mão direita entre os nossos dois rostos. Ele fez um beicinho claro e eu tentei controlar o riso.

- Que carinha é essa? – perguntei-lhe brincando
- Cara de quem tá precisando de um beijo seu! – insistiu voltando a aproximar os seus lábios dos meus

- David, deixa-te estar onde estás! – ordenei empurrando-o para o canto do elevador que lhe pertencia e deixando-me ficar no meu – Deixa-te ficar aí senão não respondo por mim!

- A ideia é mesmo essa! – sugeriu com um ar maroto e aproximando-se novamente de mim

- David… - alertei-o voltando a forçá-lo a regressar ao seu canto

- Pronto, já parei! – disse num tom muito inocente

- Hum, hum, faz essa carinha que eu gosto! – ripostei provocando-o e o elevador deu sinal de chegada

Saí do elevador e ele seguiu-me. Enquanto caminhava até á minha porta procurava as chaves na mala e logo as encontrei. Quando no grande molho de chaves, chafurdava em busca da correcta senti uns braços fortes envolverem-me a cintura ternamente.
Esse abraço trouxe também uma respiração calma e quente contra o meu pescoço, e eu automaticamente arrepiei-me. Senti os lábios quentes e húmidos dele contra o meu pescoço.

- Gosta pouco, gosta! - disse-me num tom gozão

- David… - chamei mais uma vez mas em vão

Eu queria tanto abraçá-lo, tocá-lo, beijá-lo como ele a mim. Sorrimos os dois perante a minha cedência ao toque dele.
Deixei-o continuar a abraçar-me por trás e cheguei à porta de casa.
Meti á chave á porta e antes que a conseguisse rodar senti de novo os lábios do David contra a minha pele, arrepiei-me novamente, e o meu frágil auto-controlo quebrou.
Ele sorriu vitorioso pelo meio dos meus cabelos e eu deixei a minha cabeça cair sobre o ombro dele, encostei mais o meu corpo ao dele e deixei-me estar assim. O lado esquerdo do seu rosto ficou encostado ao lado direito do meu. Ele desviou os meus cabelos do pescoço e beijou-me novamente a pele, uma vez e outra, e depois no rosto.

- David… Quero entrar… - pedi-lhe tentando convencer-me de que era aquilo que queria

- Eu não tou agarrando você – disse num tom sacana e escondendo um sorriso obvio que já se adivinhava no seu rosto apesar de eu não o ver

Mordi o lábio inferior sorrindo, enchi os pulmões de ar e afastei o meu corpo do dele. Acabei de rodar as chaves e entrei logo seguida dele.

- Amor, fica á vontade! Vou tomar um banho e vestir outra roupa – disse-lhe e segui para o meu quarto.

Em meia hora estava pronta para sair de casa e juntei-me a ele que já esperava impaciente na sala fazendo zapping na televisão.



- Estou pronta! – anunciei calmamente colocando as minhas chaves na mala

- Hum, que gata! – disse ele apagando a televisão e colocando-se do meu lado – Até me sinto mal do seu lado assim vestido!

- Não digas disparates! – ordenei-lhe com carinho passando os meus dedos frios pela cara dele

- Cê sabe que te amo? – disse aproximando-se de mim

- Hum… Faço uma pequena ideia – disse brincando
- Não faz, não! – disse agitando os caracóis no ar

- Hum, então diz-me o quanto me amas! – pedi-lhe ternurenta
- Te amo um montão! Assim gigante! – jurou-me abrindo os braços no ar em jeito de criança irrequieta

- Que exagerado! – disse-lhe convicta

- Não é exagero não! É a mais pura das verdades! Te amo muitão! Te amo loucamente! – voltou a jurar-me agora com o rosto mais próximo do meu

- Amas-me como? – voltei a perguntar-lhe sorrindo porque ouvir aquilo sabia muito bem
Ele pousou a mão dele no meu rosto e eu olhei-lhe nos olhos quando as nossas testas se juntaram.

- Te amo um montão! – jurou-me e os seus olhos transbordaram sinceridade

Limitei-me a sorrir e ele humedeceu os seus lábios. Aproximou-os dos meus e beijou-me.
Um beijo apaixonado, sem quaisquer atrevimentos, louco, muito sentido mas puro. Um beijo que expressou as palavras simples de David. Quebramos o beijo e as nossas testas permaneceram unidas bem como as nossas mãos. Sorrimos.

- Eu também, meu amor. Eu também… - sussurrei-lhe contra os lábios num beijo curto

8 comentários:

Catarina disse...

Está lindo... adorei

Continua... :D

Bjs

Sofia Mendes disse...

AMo DRIIIII :P
Continuaaa!!!

JoanaR disse...

Ai estes dois... =) 'Tá lindo!!! :)

Bianca. disse...

Dri, as tuas descrições, quer seja dos beijos, dos momentos, opáh de tudo...São simplesmente magníficas !! ^^ Tens um jeitaço !!
Muitos Parabéns !! : DD
Continua !
Beijo !
*.*

Anónimo disse...

Magnifico, excelente, lindo...

Quero mais... Tou muito curiosa...

Continua... Se poderes posta mais hoje... por favor...

ElsaNeves disse...

Olá Dri:
É mesmo apaixonante a tua fic, adoro, como já sabes.
Continua, que eu não perco um capitulo.
Beijinho

Anónimo disse...

adoro, adoro, adoro... adoro a tua fic...
conrinua tens imenso jeito...

bjs :P

Rita disse...

Oh que lindos :)
Capítulo mais querido Dri

Beijinhos
Fico à espera de maaais

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