segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Capítulo 92 - Eu tentei compreender a atitude dele... (Parte II)

Arrumei o meu Ipod Touch na mala e fiz o resto da viagem, até à estação do Chiado, num profundo silêncio.
Não chorei, já não tinha mais lágrimas para chorar. Saí e aproveitei as longas escadas rolantes da saída do Chiado para me recompor, assim a Andreia não iria notar o meu estado.
Cheguei à saída do metro e finalmente avistei o céu. O dia estava fresco mas um sol brilhante tomava conta do céu. Sorri sozinha agradada pelo tempo e dirigi-me ao largo Camões que ficava a cinco metros. Depressa reconheci Andreia que estava sentada num banco mesmo no meio do largo. Ela viu-me e sorrimos as duas.

- Olá! – cumprimentou-me com dois beijos no rosto

- Olá! Desculpa o atraso mas perdi o primeiro metro… - desculpei-me

- Sem problema também cheguei à pouco tempo… O trânsito em Lisboa…Já sabes como é!

- Ok, então parece que estamos as duas mesmo a tempo! – sorrimos

- Então e queres começar por onde? – perguntou-me curiosa

- Não sei, talvez pela Salsa, estou mesmo a precisar de umas calças de ganga… - disse-lhe sorrindo do disparate que acabara de dizer, se havia coisa que não me faltava eram calças de ganga

- Por mim… - concordou sorrindo

Subimos e descemos a baixa vezes sem conta, entrámos em montes de lojas mas foi na H&M que a Andreia viu um vestido pelo qual se apaixonou.

- Epá é tão giro! – disse colocando-o á sua frente
- Sim, é mesmo muito giro! – concordei , o vestido era de facto muito bonito

- Ainda não comprei nada para levar à festa do David amanhã… Já pensaste no que vais levar? – perguntou-me com alguma naturalidade e segurando o vestido na mão

- Pois a festa… O vestido… Ah na verdade eu não vou á festa! – chutei rapidamente – Olha vamos almoçar! Estou cheia de fome! – acrescentei saindo de junto dela sem lhe dar a mínima hipótese de me perguntar o porquê da minha ausência na festa

Acabámos as duas a almoçar num restaurante muito simpático. Eu comi filetes de linguado com sumo de limão e arroz de tomate e ela comeu o mesmo. Quando já íamos na sobremesa ela voltou a tocar no assunto da festa.

- É verdade! Não me chegaste a dizer porque é que não vais á festa… - disse ela pondo uma colherada de mousse de manga à boca

- Pois… Porque…

- Porque… - insistiu ela

- Porque o David não me convidou! – confessei atropelando as palavras

A Andreia desmanchou-se numa gargalhada e eu fiquei estática a olhar para ela sem perceber a razão de tamanha risada. Finalmente ela acalmou-se.

- Não te convidou? Essa é boa! Conta outra! – pediu-me dando outra colherada na mousse

- Juro! Ele já falou da festa à minha frente, com o Ruben e mais de meio plantel do Benfica mas ainda não me convidou…

- Tás a falar a sério? – perguntou-me com os olhos muito esbugalhados
- Claro que estou! Achas que eu ia brincar com uma cena destas? Nem sequer falou comigo sobre a festa! Nada de nada! E então eu tenho tentando evitar o assunto, parecer que está tudo bem mas isto está a dar cabo de mim! – confessei deixando o meu rosto abater-se

- Oh, és namorada dele! Não precisas de convite! - defendeu-o prontamente

- Oh, isso não é bem assim Andreia… Não é normal! Ele nem sequer falou comigo sobre a festa! Nada! Nada de nada! – realcei

- Oh ele deve achar que estás automaticamente convidada porque és namorada dele e não sentiu necessidade de o fazer…

- Hum, claro! Mas está enganado…
- Talvez devesses falar com ele… - sugeriu-me ela acabando com a mousse

- Achas? Não me vou auto convidar! Se ele não me quer lá eu não vou! É simples…

- Tens a noção que podes prejudicar a vossa relação com isto? – perguntou-me seriamente

- Tenho mas não quero de todo que o David se sinta forçado a ter-me lá só porque somos namorados… Até entendo… Os pais dele estão lá e ele não me deve querer apresentar aos pais…
- Hã? Tás parva de todo! Achas? O David anda todo babado desde que é teu namorado! Nem sei onde é que ele mete tanto orgulho… Acho que ele não ia fazer uma coisa dessas por esse motivo e se o fizesse falaria contigo… Acredita! – acalmou-me ela mas eu não fiquei muito convencida

“After all this time, I never thought we'd be here, Never thought we'd be here, When my love for you is blind, But I couldn't make you see it, Couldn't make you see it, That I loved you more than you'll ever know, and part of me died when I let you go…” – o meu telemóvel tocou e eu procurei-o na mala, agarrei-o, era David.

- Olá gata! – a voz dele soou muito feliz do outro lado do telefone

- Olá amor! – cumprimentei-o friamente
- Hey, que voz é essa?

- A minha… Então estás a almoçar com os rapazes? – perguntei-lhe tentando mudar de assunto
- Sim, acabei agora. Já sei que você foi almoçar com a Andreia que o Fábio me contou… Pensei em passar pela Baixa p’ra pegar você e p’ra tar um pouquinho junto até ao meu treino da tarde…
- Sim, pode ser! – assenti sem qualquer convicção

- Então eu te pego dentro de quinze minutos! – informou-me visivelmente feliz

- Ok, vou estar junto ao largo Camões…. – disse-lhe

- Beijo! Te amo! – não lhe respondi e desliguei

- Foste um bocado fria… - disse-me Andreia enquanto eu guardava o telemóvel na mala

- Talvez mas já estou farta de fingir que não se passa nada… Ele que diga o que quiser! Que sou infantil, parva, ele já sabe! Não sou nenhuma mulher! Sou uma miúda de 17 anos e tenho estes acessos de infantilidade se ele me quer vai ter de me querer com estes acessos também! – refilei
- Não sejas assim… O David é uma óptima pessoa e faz das tripas coração para estar sempre que pode contigo…

- Sim, não disse que não! Mas até isso é pouco… Queria estar mais vezes com ele sabes? Poder ir ao cinema! Ao café! Aos sítios banais que se vai com um namorado sem ser interrompida por fãs ou por ele a dizer que está na hora de ir para os treinos! Não sei lidar com isso! Não quero ser egoísta mas a verdade é que esta distância do David me deixa louca de saudades!

- Oh isso é normal… Eu também sentia o mesmo em relação ao Fábio mas com o passar do tempo habituas-te…

- E isso é quando? – perguntei-lhe impaciente

- Com o passar do tempo… - disse-me calmamente

- Quando a relação cai na rotina queres tu dizer! – refilei sem pensar no que dizia
- Não, tu não notas porque não és casada com o David. Quando casares com ele vais ver que quando ele chega a casa há sempre aquele carinho, dormem lado a lado e a ausência não é tanta… Quando casares com ele vais ver! – confortou-me Andreia sorridente

- Esquece! Por este andar não chegamos lá! – disse enquanto tirava o multibanco para pagar
- Adriana, hoje pago eu!

- Não, pago eu! Fica para a próxima! – e dei o cartão ao empregado

Despedi-me da Andreia e fui para o Largo Camões esperar David.
Ele demorou menos do que aquilo que prometeu, e em dez minutos vi-o virar à esquina e parar em frente ao largo.
Desejei que aquele carro abranda-se, que demora-se uma eternidade a chegar até mim. Não sabia como agir com ele. Tinha evitado tudo nas duas últimas semanas, todos os sentimentos, todas as lágrimas, todas as palavras. Mas eu sentia-me chegar a um limite, ao meu limite, e se o passa-se eu sabia que iria explodir. Por isso eu precisava de só mais uns segundos, talvez uns minutos, umas horas para me estabilizar de novo e aprender a agir de novo com ele ignorando a situação em que estávamos. Ele não saiu do carro e por isso eu entrei.

- Boa tarde, amorzão! – cumprimentou-me com um grande sorriso e inclinando-se na minha direcção

- Boa tarde! – disse colocando o cinto inexpressiva

- Cadê meu beijo? – perguntou ele muito confuso num beicinho

Dei-lhe um beijo rápido nos lábios, muito pouco sentido, que foi visivelmente desmoralizador mas ele não procurou mais conversas, ligou novamente o carro e seguiu caminho.
No inicio do percurso não dissemos nada. Limitámo-nos ao silêncio.
Ele tinha o olhar preso no infinito mas fingia estar atento à condução e eu ia ligeiramente torcida do banco olhando para pela janela.
Via as casas passarem rapidamente por mim, os outros carros também, e eu sentia aquilo mesmo. Que todo o mundo andava, todos andavam, menos eu. Todos seguiam com as suas vidas e eu estava ali, encalhada, sem qualquer esperança de salvação, sem qualquer esperança de recuperação. E na mesma situação que eu estava a minha relação e a de David. Uma relação tão recente, mas já com tanta coisa por dizer, tanto ressentimento, pelo menos da minha parte. Eu estava assim e a nossa relação também, a sofrer em silêncio, sem saber o que fazer, que rumo seguir, se andar em frente ou voltar atrás. Senti que o David estava visivelmente magoado com a minha atitude ao entrar no carro, mas hoje aquilo era o melhor que eu conseguia fingir. O melhor que eu conseguia disfarçar e fazer tudo parecer bem.
Sentia - o raivoso, nervoso, rodava o volante com alguma ferocidade e com a mesma força metia as mudanças.
Ao chegarmos a um cruzamento senti o pé dele fincar o acelerador mais fortemente que o habitual e logo de seguida ele virou o volante 180º na minha direcção para virar à direita.
Eu percebi que estávamos a ir para casa dele e a minha vontade era muito pouca.
Não que não gostasse de estar com ele, porque eu gostava, não porque não tivesse saudades dele porque essas eram muitas mas eu precisava de estar com ele conseguindo abstrair-me de toda aquela situação e hoje não era o melhor dia para isso. As minhas forças tinham chegado ao limite e eu já não conseguia fingir tão bem que nada se passava e ele acabaria por perceber que algo se passava por isso fiz-lhe um pedido.

- Deixa-me em casa se faz favor… - pedi-lhe sem o olhar

- Pensei que a gente ia tar junto essa tarde… - contrapôs visivelmente desiludido

- Pois mas não sei se é boa ideia… - disse-lhe calmamente

- Porquê? – Perguntou magoado

- Porque estou cansada! – chutei a primeira coisa que me ocorreu e não olhei para ele porque ele perceberia que eu estava a mentir

- Pensei que cê nunca tava cansada p’ra mim… - insistiu num tom monocórdico

- E não estou mas hoje não foi um bom dia! – defendi, insistindo no meu pedido

- Me desculpa mas hoje não vou levar você p’ra casa… Quero tar com você! Falar, namorar! Não tivemos junto nem um dia esta semana! Tou morrendo de saudades suas! – disse desconsolado e com a voz a ficar cada vez mais aguda

- Pucha David! Deixa-me em casa, vá lá! – pedi já meio aborrecida

- Não vou deixar você em casa não… - dizia acelerando e estávamos muito perto da casa dele

- Porra David! Então deixa-me sair! – gritei muito chateada e ele olhava-me confuso e sei abrandar o carro – Abranda a merda do carro que eu quero sair! – gritei com ele e ele estremeceu com os meus berros

Não me olhou nos olhos, parou o carro, eu não disse uma única palavra e ele também não. Ficámos assim, parados na estrada que dava acesso à sua casa e sem dizer uma palavra que fosse durante largos minutos.
Uma enorme raiva tomou conta de mim, fechei os olhos com força e cerrei o punho que estava assente no manípulo da porta. Odiei-o! Naquele momento odiei-o por não ser capaz de ser sincero comigo e dizer-me de uma vez por todas que não me queria na festa. Odiei-o por não ser homem o suficiente para não deixar a nossa relação cair na rotina devido à distância. Odiei-o porque apesar disso ele continuava a ser demasiado perfeito, odiei-o porque ele é lindo, porque ele é a melhor pessoa que já conheci.
Mas mais do que isso, e independentemente de tudo, odiei-o por me amar tanto.
Depois senti um nó no estômago que rapidamente aflorou a garganta e ficou mais, e mais apertado.
Mal conseguia respirar, tinha um aperto no peito que me pressionava o coração.
Esse estava ainda pior que o nó na minha garganta. Estava suprimido, recolhido e mirrado no lado esquerdo do meu peito. Batia muito devagar, desacelerado, num ritmo descompassado.
Senti às lágrimas formarem-se por detrás das minhas pálpebras cerradas e controlei-me para não as deixar cair mas isso aumentou a sensação de falta de ar no meu peito.
Naquele momento odiei-me, acho que nunca na vida me tinha odiado tanto a mim mesma como naquele momento. Odiei-me por ter deixado a saudade sufocar a nossa relação, por ter deixado a rotina acabar com o nosso amor. Odiei-me por ter enterrado dentro de mim, durante aquelas duas semanas, coisas que precisava de lhe ter dito por mais que tivessem doído.
Sufoquei! As lágrimas tornaram impossível respirar e tive de as deixar correr o meu rosto mas apressei-me a limpá-las. Enchi novamente os meus pulmões de ar.

- O que é que tá acontecendo com a gente? Cê anda fria comigo… Distante… - disse-me vagarosamente buscando que eu o olha-se nos olhos mas eu não o fiz

Desapertei o cinto, agarrei na mala que estava sobre o meu colo e saí do carro. Não sabia bem para onde ir nem como ir mas a hipótese era única, para onde quer que fosse iria sozinha e a pé.
Ouvi o David sair do carro atrás de mim, e trancá-lo. Ouvia os pés dele baterem apressadamente contra o alcatrão mas nem assim hesitei e continuei a andar.

- Adriana espera por favor! – ouvia a voz desesperada dele a chamar por mim

- Vai-te embora David! – ordenei-lhe sem olhar para trás

Ele corria e eu andava por isso as dificuldades dele em alcançar-me não foram muitas. Senti uma mão claramente forte a agarrar-me o braço com alguma rispidez. Fui forçada a olhar na direcção dele.

- David podes largar-me? – pedi tentando controlar as lágrimas que me corriam pela cara

- Não vou largar você enquanto a gente não sentar e não falar sobre o que raio tá acontecendo connosco! – praguejava irritado

- Não sei David! Diz-me tu! O que é que está a acontecer connosco afinal? – e foram as últimas palavras que consegui pronunciar antes de um choro sentido arrebentar no meu peito e tornar impossível falarO David olhava-me assustado, preocupado e vi na expressão corporal dele um desejo nítido de me abraçar.

17 comentários:

dplsnts23 disse...

nao consigo ver

Anónimo disse...

Entao nao publicate nada dri! :D

Anónimo disse...

ohhh, e ja tao chateados outra x... nao pode ser assim... va la, quero essa reconciliaçao o mais rapido possivel... poe so mais um hoje dri, please...

bjs :P

paula. disse...

iaiaiai, que vai haver porrada, puseste-me a chorar, e agora quero outro!

Camila disse...

Adorei este capitulo principalmente os odeio-o , odeio-me;) lol esta giro continua quando chegar ao capitulo 100 fazemos uma party, em casa do David xD

Catarina disse...

Dri já nem sei como é possível mas a cada capítulo tu surpreendes-me sempre isto está EXCELENTE, MARAVILJOSO, BRUTAL, LINDO, EMOCIONANTE,... enfim podia estar aqui o resto da noite que mesmo assim não tinha palavras para descrever o quanto adoro a tua fic!

Continua... acabas sempre na melhor parte!

Beijinhos

Bianca. disse...

Mataste-me com estes dois capítulos, Dri, estão óptimos e o teu nível de escrita é muito elevado e não digas que não !
Amei !!
Continua, e eles tem de ficar bem ^^
Beijão !

❣ The Pink. Eagle ❣ disse...

opah!! mais uma vez deixaste me de boca abert ^^
ta memo bom esse capitulo, finalmente ela falou..mas tbam agora tou curizissima!! quero saber o motivo do nao convite, e realmente concordo com a andreia, é namorada dele, ele deve ter pensado que nao era preciso convite..TOu mORREndo de ansiadade, pra LEr o PRoxiMO!!

^.^ vao fazer as pazes,meu dedo de mindinho contou.me :PP (tem que fazer) quero um daqueles beijoS apaixonadosS :D

PS: adoro como escrevs, sabes mesmo utilizar as palavras de modo a tocar.nos, tal como um bol livro!!e é isso que a tua fic é um bom livro virtual *.*

=DD posta maiS hoJEE!! pleaSEE!!

Ana M. (anamoreira.dl@gmail.com) disse...

Simplesmente lindo, Dri

Está muito bom este capítulo. Tão real. Ah... como isto acontece mesmo em todas as relações :(

Bem, espero que uma boa conversa ajude ;)

beijinho e boa escrita
Anamoreira :P

❣ The Pink. Eagle ❣ disse...

*****Q*U*E*R*O***M*A*I*S*!*!*!*!*****
:D

*****Q*U*E*R*O***M*A*I*S*!*!*!*!*****
*****Q*U*E*R*O***M*A*I*S*!*!*!*!*****
*****Q*U*E*R*O***M*A*I*S*!*!*!*!*****
*****Q*U*E*R*O***M*A*I*S*!*!*!*!*****

xD

❣ The Pink. Eagle ❣ disse...

oHH aDRiaNA e a tua Fan FIC a melhoR!!
mOstRA a Tua raçA, QuereR e AmbiçaO!!
noS so QuerEmoS mAiS cApituloSS!!

:PPPP

Ana Marta disse...

Ai Drii esta tua fic e fantastica e viciante e ainda por cima acabas os capitulos nas melhores partes isso não se faz loool.Quero o proximo capitulo por favor Driii,pleaaaaaaasssssseeeeee...

Anónimo disse...

Isto não se faz! Aacabar o capitulo assim...
Q tal antecipar o próximo?
Lindooo!

ElsaNeves disse...

Olá Dri:
A tua escrita é mesmo muito boa, eu nunca dizia a idade que tens pela escrita madura que nos apresentas, realista, é mesmo muito boa, gosto muito.
Amo a tua fic.
Quero mais capitulos.
Beijo

Fabi disse...

está tão perfeito Dri! Parabéns :)

Anónimo disse...

linda ontem deixaste-me com uma enorme curiosidade... va posta la...

bjs

Ana disse...

Magnifico, excelente...

Quero mais... tou muito curiosa...

Se poderes posta mais hoje... por favor...continua...

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