domingo, 3 de outubro de 2010

Capítulo 73 - É a minha única certeza!

Quando um coração se fecha, faz muito mais barulho que uma porta. Levar com uma porta dói muito. Dói sempre, o dia inteiro, a todas as horas e todos os minutos.
Dói de manhã, assim que regressamos do abençoado estado de inconsciência em que o sonos nos guarda, quando olhamos para o lado e perguntamos “e agora?!”. Dói quando olhamos para o espelho embaciado onde existem os fantasmas de frases de amor escritas com a ponta dos dedos. Dói quando respiramos, quando falamos, quando ouvimos, quando pensamos…
Dói um bocadinho menos quando nos rimos, quando os amigos nos abraçam…
Mas o que mais dói é saber que alguém que ainda amamos nos fechou o coração. O coração de Adriana doía, doía como nunca, quando ela precisou de uma reacção de David, ele simplesmente se remetera ao silêncio e fugira, ele simplesmente lhe fechou a porta do seu coração.


Adriana deixa o seu corpo enfraquecido de tanto choro cair sobre o primeiro degrau das escadas. Sentada aí, ainda muito próximo da porta do apartamento de David, deixa a sua cabeça pender sobre as pernas encolhidas e chora.
Do lado de dentro, David pensa no que Adriana teria ficado a pensar, depois de tão duras palavras. Ela podia ser mais nova, e aquela relação podia ser crime perante a lei, mas como é que se pode chamar crime ao simples facto de amar? Ele só tinha a certeza de uma coisa, aquilo podia ser crime, ela podia ser uma miúda, e talvez aquilo fosse o maior erro da vida dele, mas era o erro mais bonito que ele alguma vez vivera.
Convencido de que Adriana já estaria pelo menos fora do prédio David agarra nas chaves de casa e do carro e mete-as no bolso das calças.
Dirige-se á porta, abre-a, e sai. Carrega no botão para chamar o elevador, mas o silêncio que se fazia sentir no hall dos elevadores, é interrompido por um soluçar leve. David volta atrás. Vê então Adriana sentada no primeiro degrau das escadas a chorar. O seu coração apertado, ordena-lhe que fale com ela e lhe peça desculpa por tudo o que dissera.
Adriana estava de costas para ele, ele senta-se então do seu lado, na mesma posição que Adriana, com as pernas ligeiramente encolhidas.

Nos primeiros minutos David não diz nem faz nada, senão vê-la chorar. Aquilo estava-lhe a custar mais do que tudo na vida. David abraça o corpo curvado e soluçante de Adriana. Ao sentir o calor do seu abraço, o pranto de Adriana aumenta e por entre lágrimas e soluçares Adriana vai soltando uns quantos “Desculpa-me”.
Ela sentia-se muito mal por ter magoado David com palavras que nem eram as suas, com ideias que nem eram as suas, mas sim do seu pai. Mas também lhe custava muito relembrar as palavras que ouvira da boca de David, ele tinha sido muito duro com ela.


- Obrigada! – chuta David despertando Adriana a sair da posição encolhida em que estava e a olhá-lo nos olhos

- Obrigada por quê? Por te ter dito aquilo e ter-te magoado desta maneira? – pergunta Adriana ainda com algumas lágrimas a escorrerem-lhe pelo rosto

- Obrigada por ter sido sincera! – disse David com um sorriso terno aproximando o seu rosto do dela

- Tu não existes… Eu digo-te que o meu pai não quer a nossa relação por causa da tua nacionalidade e tu ainda me agradeces por o ter feito?

- Agradeço porque pelo menos foi sincera, como é que ia ficar a nossa relação já com uma mentira tão grande no inicio? – pergunta David apesar de não procurar uma resposta – Foi preciso coragem para você me contar uma coisa daquelas!

- Foi, não sei como o fiz… Eu só tinha uma certeza! Não te queria magoar mas acho que não havia maneira de te contar uma coisa daquelas sem o fazer… - diz Adriana aproximando o seu rosto mais um pouco do de David

David agarra na mão de Adriana e levanta-se das escadas.

- Vamo entrar! – pede David e Adriana segue-o e fecha a porta de casa.
Ambos se encaminham até á sala num profundo silêncio, sentam-se lado a lado e Adriana esperava uma resposta de David.

- Não vou mentir… Me magoou, e muito!

- Também me magoaste com aquilo que disseste! Eu nunca menti em relação á minha idade, tu sabes que eu só tenho 17 anos e isso nunca me pareceu um problema para ti e depois atiras-me estas coisas á cara? – diz Adriana revoltada

- Eu não tinha intenção de magoar você, mas eu só quero que você fique bem com o seu pai, e você tem de entender que enquanto você tiver 17 anos o seu pai ainda manda em você, meu amor…

- Meu amor? Primeiro lixas-me e depois é meu amor! – diz Adriana irritada

- Ei, não fica assim! Eu já falei p’ra você! Foi mal! Eu pisei na bola com você, cê sabe que eu tou nem aí p’ra sua idade, mas me preocupa que você fique chateada com seu pai por minha causa…

- Eu entendo que te preocupa, mas a mim também! E eu contei-te, sabia que te ia magoar, que ias ficar mal, que provavelmente me ias odiar, mas estava á espera que me desses um abraço, dissesses que estava tudo bem. Eu esperava tudo menos que te calasses, virasses costas e fosses trocar de ténis! Por amor de Deus! – ironiza Adriana

- Eu precisei de digerir tudo primeiro, pensar com clareza, me afastar um pouco e ai falar com você…

- Ah, e então cada vez que precisares de digerir algum assunto afastas-te de mim? Pensava que havia confiança entre nós… - diz Adriana meio desiludida

- Não foi uma questão de confiança, mas eu não queria que você me visse daquele jeito e se sentisse culpada por algo que não é da sua responsabilidade. Mas eu estou com você, e a gente tá nisso junto! Não vamo desistir assim! E me perdoa por ter dito aquelas coisas, foi um disparate! Eu estava meio de cabeça perdida e falei sem pensar… - perdoa-se David beijando-a levemente no rosto

- Não tem mal! Pareçe que acabamos por nos magoar um ao outro… - diz Adriana num tom de voz mais calmo – Eu só não quero que me fiques a odiar por aquilo que o meu pai disse, como eu já disse não quero saber se és português, brasileiro, chinês, marroquino… Quando olho para ti não vejo isso, vejo simplesmente o David, o meu David! – diz Adriana colocando a sua mão no rosto dele

- Eu não vou odiar você, eu sei que você não pensa assim… Eu te amo por isso mesmo! – confessa David com um sorriso no rosto – Vamo esquecer o que o seu pai disse e depois a gente pensa nisso com mais calma, e assim ele tem mais um tempo para pensar no que disse…

- Sim, tens razão! É melhor assim… - Adriana cala-se durante uns segundos – David?

- Sim? – pergunta ele erguendo a sua sobrancelha curiosamente

- Sabes que te amo não sabes? – pergunta ela com os seus grandes olhos castanhos suplicantes

- É a minha única certeza! – diz ele usando a frase que era de Adriana

Adriana não consegue evitar e sorri deliciada a David.

Ele não se esquecia de nada e isso deixava-a orgulhosa porque nós só não nos esquecemos das coisas que são realmente importantes.
Ela fecha os seus olhos, vê todos os momentos que já vivera com David, havia uma grande razão para ele ainda estar ali, a lutar por tudo aquilo contra o seu pai, o amor que sentia por aquele homem maravilhoso. Os seus pensamentos são interrompidos por uns lábios quentes e suaves contra os seus.
Os lábios de David pressionavam os de Adriana com ardor, e ela traçava novos trilhos na boca dele, que já tão bem conhecia.
Os lábios de Adriana pareciam querer abarcar os de David mantendo-os completamente submissos à sua vontade, aos seus beijos.
Ambos quebram o beijo.

-Promete que não vais deixar que isto nos separe… - pede Adriana ainda com os seus lábios a escassos centímetros dos de David

- Prometo, meu amor. Prometo! – disse David num suspiro vagabundo interrompido por um outro beijo de Adriana

13 comentários:

A Vida De Uma Adolescente disse...

Tao querido Driii +.+

"mas como é que se pode chamar crime ao simples facto de amar? Ele só tinha a certeza de uma coisa, aquilo podia ser crime, ela podia ser uma miúda, e talvez aquilo fosse o maior erro da vida dele, mas era o erro mais bonito que ele alguma vez vivera" Que fofo! Amo amo amo +.+

Matie disse...

Adoreii Drii *-*
Cada vez melhor ^^
Será escusado para te pedir para continuares :P

beijinhos :)

Catarina disse...

Muito bom mesmo! Continua...

catysilva

Anónimo disse...

A fic cada vez está melhor, por favor mantem esta historia ate onde não der mesno nais. AMO, AMO, AMO, nunca é demais dizer. Esta é a fic que sigo todos os dias, é LINDA!!

Anónimo disse...

Esta foi a primeira fic q li e adorei....
Continua, está espectacular ;)
Beijinhos
SP

jANEE disse...

ai amei *-* ainda bem que se resolveram...


quero mais driiiiiiiiiiii :9

Ana Marta disse...

Estou a ficar sem palavras para descrever a tua fantastica fic drii a serio mesmo porque acho que ja disse tudo mas mais uma vez vou dizer que amo a tua fic e quero++++++.BJS.

Anónimo disse...

esta fic é simplesmente fantástica... escreves muito bem. continua!!!

Anónimo disse...

isto está cada vez melhor! continua Dri :)

Ana Moreira

Bárbara disse...

Lindo dri :D

Rita disse...

Opá adorei este capítulo!
Continua Dri, é linda a tua fic (:

Anónimo disse...

Está um espanto!!
Lindo, super carinhoso e romântico...*.*
Continua!!!
Ass: Bianca ( do chat ) : )

Diana Pereira disse...

Será possível ter lido 73 capitulos num só dia? o.O
Bem disse a Mosquita do "Batom para que te quero" que esta história é viciante! Estou a adorar! Amanhã continuo a leitura :D Beijinhos!

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