segunda-feira, 18 de julho de 2011

Capítulo 111 - A vida segue... (Parte II)



Foi quando vi essa rapariga embater os seus lábios de encontro aos do amigo de David, aquele que eu recordava somente de vista, que um flash veio à minha cabeça e relembrei a recente festa de aniversário de David, era de lá que os conhecia… Mariana e Pedro (!), era assim que se chamavam, eram somente um casal de namorados, o que levou a que os meus ciúmes se desfizessem rapidamente. O David porém não se coibiu de me lançar olhares provocadoramente altivos apesar de termos duas pistas a separar-nos, que se encontravam vazias, o que acabava por facilitar a visibilidade, infelizmente.

- Ele não tira os olhos daqui… - constatou Kika, olhando também na direcção deles

- Deixa-o olhar… Não tem problema! – apesar de ter os olhos rasos de lágrimas, os meus lábios revelaram um pequeno e tímido sorriso

Assim que elas retomaram as jogadas, eu perdi-me olhando-os discretamente. O David estava muito animado e se na verdade não estava, representava plenamente o papel, que confesso, me destroçou o coração! Ele estava ali, feliz (!), como se a nossa relação de um ano e a proximidade de ainda mais tempo, não tivesse conhecido o seu fim há coisa de uns dias. Gargalhava fortemente, sorria em abundância e falava alto, como se eu fosse o motivo da chacota geral, como se eu não importasse mais… Senti-me pequenina, tão pequenina que foi essa posição que assumi no meu lugarzinho. Descalcei os sapatos de jogo e coloquei os meus, permitindo-me então levar os joelhos ao peito e aí repousar a minha cabeça.

- Adriana, é a tua vez! – recordou Catarina sorrindo e arrancando-me da minha observação atenta

- Não me apetece mais jogar, meninas… A Kika joga por mim, não é? – quase que lhe implorei com o olhar que o fizesse e como boa amiga que era, acabou por ceder

- Sim, eu jogo por ela… - consentiu calçando os sapatos que até há bem pouco tempo atrás se encontravam nos meus pés

“Obrigada” - agradeci gesticulando com os lábios e ela limitou-se a sorrir e a tomar o meu lugar no jogo, o que não a podia ter deixado mais feliz, pois encontrava-me na segunda posição da tabela e tendo em conta o seu fraco e desmoralizador desempenho a nível do bowling, era razão para felicidade.

Inevitavelmente e apesar de ter lutado muito contra isso, os meus olhos voltaram a procurar aquelas figuras todas que me eram tão familiares. Vi então Inês, futura mulher de Ruben, que antes não observara porque se encontrava recolhida num cantinho e alheia ao jogo, visto que este também não era de todo o seu forte. O David não resistiu a sorrir-me cinicamente e a avançar para a pista do jogo com uma confiança no corpo e em cada movimento, que chegava a ser confundida com arrogância. Pareceu-me ver ali um David diferente do normal, pelo menos daquele a que eu estava a acostumada e pela expressão da Dona Regina não era só eu que pensava assim.

- Ah, que fraquinho, velho! – David gozou descaradamente com Gustavo que havia falhado o lançamento

Ele limitou-se a resignar-se e caminhar para um dos lugares livres, mas como reparou no meu olhar sobre si, foi educado e amigo fiel como sempre. Olhou-me com uma extrema ternura e acenou-me, mantendo sempre um sorriso delicado e meigo no rosto. Muito timidamente correspondi, mas a tristeza dominou aquele sorriso, como dominara todos os outros que eu havia dado desde o fim da minha relação com o homem que ainda amava…
Pelo simples facto de ele me ter acenado, os restantes presentes notaram a minha presença, ou melhor, aqueles que ainda não o haviam feito, como era o caso dos pais de David, de Ruben e de Inês. Sorriram-me e acenaram, tal como o Gu fizera e eu tentei retribuir da forma mais carinhosa possível.

- Meninas, vou lá fora fumar um cigarro… - avisei, pois precisava sair dali

- Mas desde quando é que tu voltaste a tocar num cigarro, Adriana? – questionou Catarina muito surpresa e erguendo a sobrancelha esquerda

- Desde agora! – afirmei muito segura e remexi na mala dela, que eu sabia ser fumadora habitual, roubando-lhe um cigarro e levando emprestado um isqueiro – Não demoro…

Afastei-me sem lhes dar tempo de me darem o merecido raspanete.
O percurso que realizei até ao exterior do Funcenter, por uma porta de acesso lateral, teve de se consumar pela passagem na pista 1. Todos me olharam, mas eu levava o cigarro bem escondido na palma da minha mão cerrada e o isqueiro na outra.
Saí sem olhar para trás e assim que alcancei a liberdade de um espaço livre, pelo menos de David, senti o ar quente de Verão preencher-me os pulmões e queimar-me as veias. Recostei-me lateralmente a uma parede de pedra, estava fria o que nem era de todo desconfortável tendo em conta dos 40º que se faziam sentir naquela tarde abafada e tipicamente lisboeta. Preparei-me para colocar o cigarro na boca e acendê-lo, há muito que não tocava num e não era que quisesse fazê-lo, mas precisava de tentar pelo menos tirar aquela tensão e frustração do meu corpo, mas não me pareceu que fosse surtir qualquer efeito. Ainda assim fiz uso dele até ao fim e pelo menos fiquei um pouco mais relaxada, um pouco mais livre de pensamentos e conformada para retomar àquele espaço com a ideia fixa de o abandonar. Enchi os meus pulmões de ar puro numa só inspiração e rodei sobre os calcanhares disposta a fazê-lo.

- Ah, era aqui que cê tava! – vi-o bem na minha frente, sem perceber muito bem quais eram as suas intenções, mas ainda assim detive-me na frente dele


***


(David) 

Vi ela saindo, sabia que tava magoada, mas a dor que ela sentia não devia ser nada, nem de perto, comparada com a minha. Tentei parecer muito animado, como se já a tivesse esquecido e por momentos acabei esquecendo mesmo, mas sempre que olhava pro lado, na direcção da pista 4… Meu mundo se voltava a centrar nela, me relembrando todas as razões porque meu coração ainda batia.

- David, é sua voz de jogar, pô! – reclamou o Gustavo vendo que me encontrava perdido nos pensamentos mais sórdidos

- Ah, claro… Sou eu! – rapidamente me livrei daquelas duas jogadas, que saíram miseráveis, mas nem com isso me importei mais e saí na direcção da mesma porta por onde ela havia saído há minutos atrás

- David, vais onde? – perguntou o Ruben, exercendo pressão com a sua mão no meu ombro

- Vou resolver uma questão… - me virei pra ele, disposto a enxergar seu rosto e vi que um tanto quanto de consternação o dominava e óbvio que concluí porquê assim que ele começou falando

- David, não piores mais as coisas… Não a magoes mais, por favor! – suplicou num tom piedoso, mas que a mim não me comoveu em nada

- Não vou piorar nada, vou só conversar… - esbocei um sorriso delicioso assim que minha memória me avivou do que eu planeava fazer

- Não, eu conheço-te… Sabes tão bem quanto eu o que planeias fazer e só te tenho a dizer uma coisa: não vais ganhar nada com isso!

- Eu não planeio fazer nada, Ruben… Me deixa ir, por favor!

- Não vou deixar, vais magoá-la de propósito, vejo isso na tua cara, David…

- E se for, manz?

- Se fores? Ainda perguntas? Ela pode ter errado, David, e sim, com toda a certeza o fez e nisso dou-te toda a razão do mundo, mas ela também é humana, também tem sentimentos e por muito que penses o contrário ela ama-te… Além disso, o David que eu conheço não gosta de fazer mal às pessoas e vais magoá-la, vais acabar por destruir o muito pouco que sobra daquele coraçãozinho…

- Manz, fala a sério! Porque é que eu me hei-de importar com alguém e com os sentimentos de alguém que tá nem aí pros meus? – dei uma resposta muito rápida, soltei um breve sorriso e segui o meu caminho

Dei bem de caras com ela tentando retomar o caminho pra dentro do recinto. Nossos corpos ficaram colados e isso nos primeiros segundos balançou comigo, mas rapidamente vesti minha armadura de ferro, bloqueei meus sentimentos e me preparei para a mais doce vingança.

- Ah, era aqui que cê tava… - murmurei com um sorriso triunfal nos lábios

Ela me olhou nos olhos, senti seu olhar trilhar meu rosto e morrer nos meus lábios, que jamais deixaria ela voltar a beijar de livre vontade e sem meu consentimento. Ao fim de alguns segundos, vi a Adriana baixar a cabeça e tentar se escapar para sair daquele espaço ao ar livre, que era somente frequentado por nós naquele instante.

- Tá pensando que vai onde? – a segurei firme pelo braço e voltei a colar os nossos corpos

- David, deixa-me ir, por favor… Não preciso de ouvir mais nada, eu estou já de saída! – ela tentou voltar a fugir, mas eu não permiti isso, mantendo a mesma posição

- Não vai embora sem primeiro a gente resolver nosso lance! – pela primeira vez soltei o braço dela, que tava começando a ficar vermelho de eu o estar apertado pra ela não fugir

- Mas o que há para resolver?

- Ué, não me diz que não quer ficar de bem comigo… - sorri de forma carinhosa e passei meus dedos nas bochechas dela

- Quero, claro que quero… Tu sabes disso!

- Então vamo’ ficar bem! – meus lábios tocaram o seu rosto e minhas mãos afastaram seus cabelos, abrindo passagem para aquela pele perfumada e irresistível que acabei polvilhando de beijinhos

- Vamos? Assim do nada? – questionou confusa, afinal de contas ela me conhecia bem demais

- Sim, a vida é demasiado curta pra gente perder tempo longe de quem amamos… - proferi cada uma daquelas palavras quase num sussurrou e sempre olhando aquelas dois olhos, que durante um ano se resumiram ao meu mundo

Não dei mais tempo para ela dizer o que fosse e deixei meus lábios roubarem um beijo aos dela. Depois da sua resistência passiva, minha língua abriu caminho e acabou tocando a dela num bailado harmonioso. Confesso que a minha ideia era me vingar, mas aquele beijo estava detonando o que restava do meu frágil autocontrolo. Nossos lábios se descolaram e selaram o momento com dois toques rápidos. Ela sorriu de uma felicidade extrema e eu a acompanhei porque estava feliz por sentir de novo seus lábios, mas queria fazer ela sofrer do mesmo jeito que havia feito comigo.

- Ai, amo-te tanto… - sussurrou e me tentou dar mais um beijo, mas fugi e desatei rindo que nem um bobo possuído de uma crueldade, que não era de todo minha – Estás a rir-te do quê, amor?

- Do quê? Nossa, cê ainda pergunta? – continuei gargalhando ao mesmo tempo que segurava minha barriga e ela me ficou olhando ali, no mesmo sitio, sem se mover um milímetro e aguardando uma explicação – Como cê é boba mesmo…

- Hã? Que queres dizer com isso? – as pernas dela tremeram e devido a esse erro vacilante se segurou na parede, usando uma mão contra a mesma

- Cê achou o quê, bobinha? Que eu te beijava, cê dizia que me ama muito e tava tudo bem? Foi fácil demais essa! – continuei rindo, mas meu coração tava ficando quebrado ao ver os olhos dela ficarem rasos de lágrimas

- Não acredito que estás mesmo a fazer isto… - duas lágrimas percorreram verticalmente seu rosto de candura imensurável e pereceram em seus lábios

- Foi fácil fácil enganar você! – me glorifiquei acompanhando o momento com um sorriso triunfantemente delicioso no rosto

- Tu fizeste isto de propósito para me magoar…? Tu não podes estar a falar a sério! – ela enxugou friamente as lágrimas que ainda lhe molhavam as faces rosadas e me encarou – Eu tenho sentimentos, estás a magoar-me, David!

- Chegou a dor? Sentiu? Viu como dói ser deixado? Viu como machuca ver a felicidade escapando entre os dedos? – falei com uma enorme raiva

- Tu não és assim… O David que eu conheço por muito que tivesse magoado jamais, mas jamais se serviria de uma vingança! Tu sabes que vais acabar por sair tão ou mais magoado do que eu desta situação!

- Eu, machucado? Não devemos estar falando da mesma pessoa… - voltei a me aproximar dela e roubei um selinho dos seus lábios – Não sinto mais nada por você!

- Não mintas, David! Sabes muito bem, que por muito que desejes não me amar, infelizmente ainda o fazes e é provável que os vás fazer por mais algum tempo… - ela falou friamente, mas isso não era impedimento para as lágrimas continuarem a cair a pique dos seus olhos

- Aí é que cê se engana… - beijei ela apaixonadamente

Nossas línguas se envolveram de uma maneira que até aquela data nunca o haviam feito, nem nas noites em que nos tínhamos entregado um ao outro intensamente.

- Cadê a paixão dos nossos beijos? – questionei com um sorrisinho cínico na cara

Havia sentido todo o sentimento daquele beijo, tanto da minha parte como da dela, mas aquilo fazia parte do meu plano e só ia parar quando a visse humilhantemente inconsolável na minha frente.

- Cadê o carinho de cada carícia? – meus dedos trilharam a maçã do seu rosto com um extremo cuidado

Ela estremeceu, fechou seus olhos e as lágrimas se intensificaram quase sem eu dar conta. Seu choro baixinho, se havia tornado descontrolado e ela estava a beira de soluçar que nem uma menina pequena. Puxei ela forte contra mim, pousando as minhas mãos nas suas nádegas e as apertando com desejo.

- Cadê a tesão de cada toque? – sussurrei bem pertinho dos seus lábios fazendo-a acreditar que ia unir as nossas bocas, mas fugindo no último segundo – Sumiu… Sumiu tudo! – gritei afastando os nossos corpos o mais possível

Ela nada fez, se limitou a chorar de olhos postos no chão, que servia de berço para todas as lágrimas que rojavam de seus lindos olhos. Nunca a havia visto naquele estado, chorando com todo aquele desespero, nem mesmo quando seu avô havia falecido. Meu coração mirrou, ficou tão apertado no lado esquerdo do meu peito, que já não estava nem capacitado de sentir meus batimentos, que se haviam tornado fracos e irregulares.

- Isso… Sofre! Sente essa dor! – desejei, mas porém sentindo essa mesma dor, porque quem ama de verdade e machuca, acaba saindo também machucado – Aproveitou bem os beijos? São os únicos que irá ter de mim até ao resto da vida…

- Tornaste-te um monstro! Um monstro! – ela finalmente quebrou o silêncio e fê-lo com um berro estridente

- O que é que cê me chamou?

- Monstro! És um monstro! – vociferou de olhos cerrados e chorando desalmadamente

Aquela palavra despoletou em mim um turbilhão de emoções e me joguei pra cima dela. Me havia chamado monstro? Como era possível? Eu que amava tanto ela… Que lhe queria tanto bem… Segurei seus braços, e se quisesse teria retirado seus pés do chão tamanha a força com que o fazia. Encostei ela com possança contra a parede até se ouvir um estrondo forte e encarei seus olhos. Ela só chorava e me olhava assustada, como se visse um… monstro! Sim, era isso mesmo que eu me havia tornado naquele momento, um monstro!
Quis remediar um pouco a situação e meus lábios automaticamente quiseram provar os lábios dela, mas ela desviou o rosto com uma mágoa imensa no olhar. Tentei fazê-lo outra tantas vezes, mas com ela sempre fugindo e por uma vez tentou fugir dos meus braços. Aí nem pensei mais, puxei ela pelo braço esquerdo, voltando a encostá-la contra a parede e uni as nossas bocas incessantemente. Foi um beijo longo, totalmente louco e muito sentido. Acho que senão estivéssemos em plena rua teríamos feito amor ali mesmo, sem pensar mais no assunto… Mas na minha cabeça aquela carta se avivou… Cada palavra, cada linha, cada despedida e com elas, uma enorme revolta se voltou a apoderar de mim.

- Nossa, como seu gosto tá mau desde que deixei você! – debochei da cara dela, assim que senti um sabor a tabaco na sua boca

Foi a humilhação final, ela não conseguiu dizer mais nada, me empurrou pra longe de seu corpo e desatou chorando. Seu corpo deslizou pela parede fora e aterrou no chão, onde ficou chorando… Sozinha! Porque eu a mirei uma última vez e voltei pra dentro, na promessa de nunca mais a desejar beijar, nunca mais a desejar querer, mas eu sabia que ia ser sempre assim, aquele amor não tinha jeito…



****


(Adriana)

Nunca tinha visto o David assim, tão vingativo… Tinha-me roubado um beijo, feito acreditar que tudo estava bem e iria ficar ainda melhor, para logo de seguida me humilhar, atirar o meu coração ao chão e pontapeá-lo como foi sua vontade. Não estava mais disposta a suportar nada daquilo! Assim que ele se foi embora, com um sorriso glorioso no rosto, igual ao que esbanjava sempre que vencia um jogo, levantei-me e procurei a porta de entrada. Enxuguei as lágrimas e fui directa à pista 4 chorando ainda silenciosamente.

- Adriana… - murmurou Kika baixinho vindo logo na minha direcção

- O resto das meninas? – perguntei confusa, quando vi a pista vazia

- A Catarina foi comprar mais um jogo para todas e a Ana e a Débora foram comprar sumos! – enquanto ela falava eu fui enfiando na minha mala o telemóvel, os óculos de sol e a carteira – Mas vais embora?

- Sim, vou… Não consigo mais estar aqui! – levantei a cabeça para a olhar nos olhos

- Adriana, que aconteceu? Porque estás nesse estado? – ela tocou as minhas faces eliminando algumas das lágrimas que aí tinham encontrado o seu abrigo

- Não quero mais falar nisso, só me quero ir embora… - pedi chorando e tremendo por todo o lado

- Vamo’ embora, gente… Esse sitio ainda ficando muito mal frequentado! – o David e os que o acompanhavam passaram por nós nesse momento em direcção à saída

Assim que fiquei em porto seguro, longe dele e dos que me eram conhecidos, o meu corpo tombou sobre a cadeira e o meu peito rebentou num soluçar aflitivo. Senti os braços da Kika envolverem-me e embalarem-me até ficar calminha. Ou melhor, até deixar de chorar e conseguir levantar-me para ir embora.


***


- Não vás já… - pediu a Catarina com uma expressão de tristeza no rosto

- Desculpem, meninas, mas não consigo ficar e divertir-me mais hoje…

- Oh, pequenina… - ela abraçou-me – Vais como? Queres que te dê boleia?

- Não precisas, amor… Estou de carro, está lá em baixo nas garagens!

- Nós levamos-te lá… - ofereceu-se rapidamente, mas eu queria mais era estar sozinha, sentir-me em porto seguro… no meu porto seguro!

- Desculpem, mas prefiro mesmo ir sozinha… É preferível! – esbocei um sorriso forçado e triste

- Tens a certeza?

- Sim, absoluta! – acenei positivamente com a cabeça somente duas vezes – Obrigada pela tarde, meninas!

- Oh, não tens de agradecer, queríamos era que te tivesses divertido mais…

- Deixem lá isso… Aproveitem vocês o resto do jogo! – dei um beijinho e um abraço em todas

- Vai dando notícias, sim? – a Catarina desviou compreensivamente uma mecha de cabelo, que me caía sobre os olhos

- Sim, tu também! – trocámos um último sorriso e eu segui o meu caminho, desta vez sozinha

Comecei a caminhar para fora do Funcenter com o desejo de chegar a casa o quanto antes, pois sabia que já se adivinhava uma noite longa de choro e sofrimento. Aquela atitude de David tinha-me magoado de todas as maneiras possíveis, ele tinha sido um autêntico monstro e eu sabia que ele não era assim, mas eu estava somente a pagar a factura do que lhe havia feito e por isso, e só por isso, não me sentia capaz de o julgar. Passei novamente pela loja preferida dele, baixei a cabeça e ao contrário do que era normal, não me detive em frente à montra buscando algo para lhe oferecer, algo que fosse “a sua cara”, algo que ele gostasse… Limitei-me a caminhar sempre em frente e só virei à direita, quando cheguei à zona da restauração. Eram quase cinco da tarde, mas não havia quase ninguém nos cafés e restaurantes. Desci os óculos de sol para a cara e automaticamente os meus olhos ficaram rasos, pelo menos assim ninguém os poderia ver. As lágrimas começaram a rolar pelas minhas faces e eu limitei-me a enxugá-las, mas sem nunca travar a minha marcha. Quando passei em frente à casa dos crepes, reconheci os pais de David sentados numa mesa, estes acenaram-me e fizeram sinal para que me aproximasse, mas quando ia fazê-lo vi o David, o Gustavo e o Ruben chegarem com os tabuleiros cheios… Detive-me, sem saber bem o que fazer. E agora?

Antes de mais tenho mesmo de agradecer por todas as palavras que deixaram nos comentários ao último capítulo, estes incentivos são sempre importantes, não se esqueçam disso!
Aqui vos deixo mais um capítulo, espero que gostem!
Não se esqueçam de comentar! :)
Beijinhos
Drii


27 comentários:

paula. disse...

amor, ameeeeeeeeeeeei!

beijozão, amo-teee meu orgulho!

Unknown disse...

Acabei de reler o capítulo e a minha opinião só sai reforçada, adorei o capítulo!

A reacção do David não é muito bonita de se ver, mas é algo normal quando alguém nos magoa, é do ser humano reagir qd nos ferem mtas vezes n o fazemos da melhor forma possível e tu só o demonstraste neste capítulo isso mesmo.

É por estas e por outras que amo a tua fic, consegues colocar alguma realidade no meio da ficção!

Amor, continua assim!

És linda :D e o teu talento é algo único!

Adoro-te miúda :)

Beijinhos

Anónimo disse...

Ameei Ameeei Ameei Ameei *--*
Ixii o que será que acontece heim ? Quero mais rapidinho tá ?
BeijããO minha linda ♥

Gabii '

❣ The Pink. Eagle ❣ disse...

WOUAH!! Isto realmete ta ficando dificil comentar a tua fanfic! Nao a palavras mesmo!

FOGO! Esta LINDO, LINOD, LINDOH!

Como o David foi capaz, tadim esta mesmo magoado!


Eu agora fazia-lo bem pior! Sentava-me na mesa na boa e ria-me para provoca-lo! Como se nada tivesse acontecido!

Hum, estranho, Ruben ficou mal com ela?! Achei estranho não ir ter com ela..

CONTINUA!!

AMOOO A TUA HISTORIAA!!!

Daisy Tavarez disse...

O David ta mesmo revoltado peninha da Adriana... amei amei amei o capitulo
quero mais eheheheh*_*

Alexandra Reis disse...

estao tao bonito! Meu Deus! Ele foi tao mau para ela, nunca pensei q ele conseguisse fazer-lhe isso, mas mesmo assim nota-se que ele a ama, nem q sej aum pouco :( espero q eles fiquem juntos novamente :)

Beijo e continua por favor

Anónimo disse...

Ola!!Adorei o capitulo , esta cheio de emoção e sentimento . A Adriana e o David têm de se entendr , foram feitos um para o outro .... Só se estão a magoar um ao outro .... O David está mesmo muito magoado para ter feito isto á Adriana , mas também têm a sua justificação ..... Acho que é a altura de se entenderem ... :) ! A Adriana devia ir ter com eles á mesa ......

Nunca pares de escrever , pois tens muito talente ! :)

Fico á espera de mais :) !


Beijinhos


bye ( http://luta-por-um-sonho.blogspot.com )

Anónimo disse...

Adorei Driii, mas o David e a Adriana têm de retomar rápido (:
Quero MAIS!

Marisa disse...

Que capitulo intenso de emoções

CAROLINA disse...

Tenho as lágrima a caírem-me pela cara de uma maneira inexplicável...

Espero que voltes a postar rapidamente :)

Lígia disse...

OMG este capítulo está repleto de emoções, está fantástico nem tenho palavras para o descrever decentemente...
Amei para não variar e conseguis-te colocar-me ainda mais curiosa e ansiosa pelo próximo capítulo que muito sinceramnete espero que postes rapidamente :)
Continua, porque a tua fic cada vez está melhor!
Beijinhos Lígia *_*

Fabi disse...

Não há palavras que cheguem para descrever este capítulo!
Obrigada Dri, por nos proporcionares leituras tão boas como esta! :)

Anónimo disse...

estou super chocada com a atitude do David !
Por muito magoado que ele esteja... não há direito...

fico à espera do próximo

beijinho

Catarina disse...

Bem o David esta mesmo mudado! So espero que consigam resolver as coisas o quanto antes :)
Amei como sempre... A cada dia nos surpreendes mais :)
Fico à espera do proximo!
Bjs

Anónimo disse...

Adriana, o que é que tu fizeste ao nosso David? Este não é o nosso David, este tá possuido, ele tá magoado,é certo, tá como um animal quando tá ferido,ataca, mas também não era preciso ser assim, coitada da Adriana. É dificil encontrar palavras para descrever o que escreves, só posso dizer o que já disseram aqui tantas vezes, tens um dom,espero que nunca o percas, porque o que escreves e a maneira como escreves toca-nos na alma e no coração.
Continua sempre assim, agora gostaria de saber o que a Adriana vai fazer,e espero que o menino Ruben ponha algum juizo no David, porque o que ele tinha ou perdeu-o ou deixou-o fugir.
Beijos

Fernanda

Ana disse...

tao lindo... tou sem palavras... tou super curiosa para ler os proimos capitulos...

quero mais...

continua...

sofiarc disse...

Estou realmente sem palavras, Adriana :|
Vá, sem palavras não estou (e tu vais perceber isso pois o comentário não é, de todo, um comentário típico meu - este é um bocadito maior :b), mas estou... sei lá... EM CHOQUE! Mas completamente fascinada, te garanto.

O capítulo está tão forte! Tão realista! (ao mesmo tempo que irrealista, porque jamais consigo imaginar o verdadeiro David a fazer tal atrocidade) Parece mesmo que nós estamos lá, no centro comercial, a assistir a tudo aquilo.

Devo te dizer que a mágoa e a revolta do David proporcionou um capítulo incrível! Um dos melhores, mesmo. Eu só consigo pensar "Coitadinha da Adriana!" :O
Fiquei mesmo sentida, juro!
E depois o facto de o Rúben não ir lá fora ver o que se passava entre eles... De não ir depois à pista 4 ver como ela estava... Ai, isso mexeu comigo! Foi muito estanho mesmo! (concordando com biaC)

Mas AMEI, claro! E, obviamente, quero mais capítulos, querida :)
Beijinho*

Anónimo disse...

Amei! Ai Dri que lindo! Ai amei amei!
Tou com pena da Adriana, o David tá parvo! Espero que ele mude de atitude! E a Adriana que vá falar com os pais dele sim :D
Quero mais rapido!
Amo isto!
Beijinhos

Anónimo disse...

linda ja nao agoento kero mais mais ate choro tanto pk kero mais

ElsaNeves disse...

Bem eu nem sei o que dizer, não sei como explicar por palavras aquilo que senti ao ler este capitulo, a perfeição das palavras para descrever toda a situação... um momento feio mas verdadeiro, erros que cometemos quando quem amamos os comete connosco.
Está perfeito!!! Brutal.
Queri mais e mais.
Beijinhos linda.

Rita A.* disse...

Amo a tua 'fic' +.+
Continua, tens imenso jeito :D

Anónimo disse...

Bem, acho que os comentários que tens neste capítulo já disseram tudo mas sei que é sempre bom termos mais um comentário, e para além de tu o mereceres, eu era incapaz de sair daqui sem deixar a minha opinião.

Este foi sem dúvida um dos melhores capítulos que li neste blog! Já não bastava ser um dos meus blogs favoritos e estar mesmo no topo, para ainda seres capaz de nos surpreender tanto! Isto só mostrou o talento que tens dentro de ti, e que realmente ainda tens muito mais para nos dar! E continua a fazê-lo, pois como está à vista de todos, esse talento é muito apreciado!

Quando li isto consegui sentir uma mistura de sentimentos, mas acima de tudo, não senti que fosse só um conjunto de letras a formar palavras e frases, eu senti que estava lá a presenciar tudo! Consegui colocar-me na pele dela e acredita que consegui sentir algo cá dentro!

Na verdade, o David foi mauzinho :( Acho que agora as pessoas mais próximas, como por exemplo e principalmente o Rúben, deviam saber o que o David lhe fez... Até pareceu que ele não gostava assim tanto dela, como é que foi capaz de a ver assim assim e continuar?

Bem, conseguiste criar uma série de emoções diferentes em cada leitor e estás de parabéns por isso! Agora não te chateio mais, até porque o comentário já vai longo demais xD

Amei *.* Continua!
Beijinho :)

Jo disse...

E eu estou p'ra'qui assim... feita parva a olhar para o teu ESTRONDOSO capítulo de boca aberta! :o :o :o
Como é que ainda é possível ficar surpresa com aquilo que escreves? hein? como santo Deus?
É incrível Dri, é completamente incrível o enorme talento que tens... "as palavras fluem-me na garganta mas acabam por morrerem nos lábios" é esta a expressão que assenta que nem uma luva para descrever a brutalidade da tua escrita impressionante! Quanto a ti não sei, mas cá eu tenho a certeza que isto está cada vez melhor e ai de alguém que diga o contrário.. só deve ser mesmo um verdadeiro totó!
E pronto eu podia passar aqui o resto da noite a escrever e escrever, mas a verdade é que acho que as palavras que caracterizem o tem dom, já estão mais que gastas e quanto a isso, coração, não há nada que eu possa fazer! :b
E fico por aqui, já que não me resta fazer mais nada se não esperar que nos voltes a presenciar com mais um brilhante post! :D
Beijiãoooo meu anjinho! ^^
Adoro-teee <3<3<3

Rita Bastos disse...

Foi sem duvida um lado do David que não estava á espera de encontrar! parabéns pela criatividade, está lindo, mexe com vários sentimentos!

Jéssica disse...

Bem, mais uma vez dou-te os parabéns. Este capitulo está maravilhosamente bem escrito.

E agora vamos ao conteúdo.
O que é que se passa com o Rúben e com a Inês que eu não entendi? Mais com o Rúben que supostamente é o melhor amigo da Adriana. Os melhores amigos não deviam estar sempre presentes nos maus momentos?

Além de o David ter sido brutalmente monstro, a partir de agora, nunca mais terá moral para criticar o que o Diogo fez no passado à Adriana. Afinal ambos a magoaram muito, só não sei quem a magoou mais (acho que o David).

Quanto à ultima parte só espero que a Adriana vá até à mesa deles, mesmo com o David lá, seja o mais forte possível e diga aos país de David tudo o que ele tá a ser. Pode ser que abra os olhos.

Sinceramente, este novo David irritou me bastante. A Adriana deixou-o por amor e ele vinga-se desta maneira? Acho que agora já não é dever da Adriana ir atrás dele, mas sim ele atrás dela. O que ele fez não se faz a ninguém!


Casos como este há muitos (infelizmente).

Parabéns Drii

Monica disse...

Amei
Delirei com este capitulo, esta fantastico, cheio de sentimentos.
Bjs

Anónimo disse...

Espectacular, mesmo! :D
O David foi tão mau com ela :c
Espero que eles se entendam e tenhamos de volta a fofura e o mel desses dois xD

Beijinho, continua!

Enviar um comentário