Engoli as lágrimas que ainda queriam cair, desviei o olhar noutra direcção e coloquei as mãos nos bolsos. Estava determinada a passar por eles como senão tivesse visto os seus sinais e rumar directa a casa. Ao aproximar-me da mesa coloquei o meu olhar no chão e avancei rapidamente, para acelerar o momento. Já tinha ultrapassado a mesa e festejava sozinha com os meus pensamentos. “Yes, desta já me livrei! Obrigada meu Deus!”, pensava eu quando fui surpreendida.
- Ei garota! – ouvi a voz do Gustavo, que me chamou a pedido da Dona Regina, mas nem isso me fez parar ou abrandar o passo acelerado – Ei, Adriana!
- Bolas! – vociferei entre dentes devido à insistência dele e fui obrigada a parar, olhando para trás de forma a vê-los
- Não viu eu te fazendo sinal, minha filha? – questionou a Dona Regina, enquanto em passadas curtas e receosas, eu me aproximava da mesa deles
- Não vi, Dona Regina… Desculpe! Boa tarde a todos! – cumprimentei assim que alcancei a cabeceira da mesa, ficando mesmo frente a frente com David, que se encontrava sentado na outra ponta – Precisa de alguma coisa? – retirei os óculos e arrastei-os para o topo da minha cabeça
- Não… Só queria convidar você pra sentar aqui com a gente! – ela sorriu educadamente
Posso dizer que fiquei surpreendida com o convite, pois só demonstrava que ela não estava magoada comigo, não guardava qualquer rancor e devia ser das poucas pessoas que compreendia a minha intenção quando o deixei. Só o queria proteger, só lhe queria dar a hipótese de voar mais alto, mas não valia a pena pensar nisso naquele momento, afinal o passado é de pedra e já ninguém o podia mudar.
- O quê?! – o David não demorou nada a reagir e eu limitei-me a baixar o olhar assim que ouvi a sua voz – Só pode ‘tar brincando… - murmurou em surdina e soltando um sorriso cínico para Ruben e Gustavo, que o encararam com um olhar repreendedor
- Olha aí, puto… - alertou Ruben, dando-lhe sinal para acalmar um pouco
- Obrigada pelo convite, mas não vou puder aceitar… Estou com um bocadinho de pressa, tenho mesmo de ir… - agradeci num tom de voz cordial e educado, que se fez acompanhar de um terno sorriso àquela pessoa que eu já tinha em conta como uma figura maternal
- Oh, que pena… Não pode mesmo ficar? Só uns minutinhos…
- Mãe, se ela falou que não pode, deixa ela ir! – o David falou de forma agressiva e quando a mãe o ia repreender, surpreendentemente foi o Sr. Ladislau a fazê-lo
- Filho, cala a boca… A conversa não é com você e está passando os limites!
- Desculpem, eu não quero provocar desconforto a ninguém… Eu vou mesmo indo! – esbocei um último sorriso
- É, vai mesmo! Já vai tarde, segue e some, não aparece mais nas nossas vidas! – desejou o David, retaliando-me
- Davi’, tá abusando… - sussurrou-lhe Gustavo, olhando-me com uma enorme pena
- Minha filha, senta por favor… - implorou a mãe dele, como se quisesse usar aquele lanche para se desculpar da atitude que David estava a ter
Nesse momento surgiu nas minhas costas a única pessoa que naquele momento me poderia trazer problemas, ou melhor, ainda mais problemas! O Diogo… Este saía do restaurante de sushi com uma pequena encomenda nas mãos e caminhava, enquanto fechava a carteira.
- Obrigado, até à próxima! – disse educadamente ao senhor do restaurante e o seu tom de voz, habitualmente animado, fez despertar o olhar das pessoas que estavam sentadas na mesa à minha frente
Também parei a conversa para o olhar, ele viu-me, mas não se aproximou, seguiu como senão me tivesse visto. Ao menos assim, poupava-me qualquer constrangimento, poupava-me um novo olhar de censura de David, pelo menos pensava assim, até este ter aberto a boca, para me apunhalar com as suas palavras.
- Vai… Vai lá deitar na cama dele! – jogou assim para o ar e desta vez não se coibiu de o fazer de forma suficientemente audível
Tive de fazer um esforço enorme para que nenhuma das lágrimas, que pendiam nos limites dos meus olhos, caísse e denunciasse o meu lastimável estado. Cada palavra que ele proferira naquela tarde tinha sido um novo soco no estômago, uma nova facada nas costas e nem sei dizer qual delas doeu mais, mas sem dúvida que aquela espécie de acusação entrou no meu coração para nunca mais sair. Todos olharam David tão surpresos quanto eu, vi que a Dona Regina acabara de atingir o seu limite de paciência com ele e antes que pudesse trazer alguma desavença àquela família, resolvi afastar-me.
- Estou mesmo com pressa, peço desculpa a todos! – acenei educadamente com a cabeça, coloquei os óculos na cara, porque já sentia as lágrimas a quererem sair e comecei a afastar-me
- Adriana! Adriana! Espere, minha filha! – nem a voz da Dona Regina me barrou, segui o meu caminho em direcção às garagens e não olhei mais para trás
***
Agarrei no meu telemóvel porque me sentia incapaz de conduzir naquele estado de nervos e a pessoa a quem ligar foi mais do que óbvio... Para a única pessoa que havia estado presente nos últimos tempos, para a única pessoa que eu sabia que jamais me iria falhar e que jamais me deixaria cair: a minha Paulinha.
- Alô Alô, gatita! – assim que ouvi a voz dela do outro lado da chamada, o meu choro tornou-se mais compulsivo – Amor, que tens? Que aconteceu? – perguntou imediatamente
- Vem-me buscar… Tira-me daqui, não aguento mais isto! – supliquei completamente perdida nas garagens
- Tem calma, meu amor… Que aconteceu? Onde estás?
- Estou nas garagens do Colombo… Não encontro o meu carro, o David está cá, quero sair daqui! Quero sair…! – gritei ao mesmo tempo que a minha mão, de punho cerrado, voo para soquear um poste
- Tem calma, sim? Respira fundo, olha com calma até encontrares o teu carro e eu vou tentar chegar aí o mais depressa possível!
- Obrigada, Paulinha, obrigada! – agradeci em total desespero e a chorar de forma descontrolada
- Não me agradeças e por favor, vê se te acalmas, shim? Para me puderes ajudar a encontrar-te aí, amor…
- Sim… Sim… Isto já passa… - disse entre soluços
- Até já, vou voar para ao pé de ti, princesa! Amo-te! – jurou na sua voz sempre doce e meiga
- Até já… Também te amo, Paulinha! – solucei e desliguei a chamada, porque finalmente avistei o meu carro
Tive a certeza que era o meu pela matrícula, era a única forma de o distinguir do de David, que se encontrava uns metros mais à frente. Deixei-me escorregar parede abaixo e foi sentada no chão, que lavada em lágrimas, esperei que alguém me viesse buscar.
- Adriana… - uma voz familiar interrompeu os meus pensamentos
- Diogo? – ergui a face e vi-o na minha frente, bem ali na minha frente…
Não mudara em nada as suas expressões faciais, se bem que o seu corpo tinha tomado contornos mais de homem e agora estava perfeitamente esculpido pelos dezanove, quase vinte anos, de que era dono.
- Ei, estás a chorar? – ele olhou-me com uma vivacidade no olhar, uma vivacidade que lhe desconhecia e que por momentos confundi com preocupação
- Não é nada, Diogo… - enxuguei as lágrimas e rapidamente me levantei do chão
- Como não é nada? Estás a chorar, miúda… - ele tocou-me suavemente e a minha cabeça viajou até outros tempos, àqueles em que ainda namorava com ele – Foi alguma coisa com o David?
- Sim… Nós acabámos… - revelei por entre soluços e os meus olhos voltaram a ficar rasos de lágrimas
- Oh miúda, não fiques assim… - o seu tom de voz foi estranhamente carinhoso, nunca poderia esperar aquela atitude de Diogo, muito menos depois de tudo o que já se havia passado entre nós
- Eu amo-o… Ainda o amo… - sussurrei chorando silenciosamente, mas sem ter coragem suficiente de fixar o meu olhar no dele
- Ai pequenina, vem cá…
E pela primeira vez desde que o conhecia, Diogo foi humano… Sim, humano, porque se consciencializou do meu estado de fraqueza e no entanto não teve qualquer intenção de se aproveitar disso. Abraçou-me… Um abraço de amigo, não um abraço de quem procurava mais alguma coisa, de quem esperava colher qualquer fruto de todo aquele sofrimento. Um simples e longo abraço de amigo… Senti-me muito bem, porque além de estar surpresa por ver o velho Diogo na minha frente, estava a receber um aconchego quando mais precisava dele.
- Ai… - ciciei, soltando uma respiração bafejada contra o peito dele
- Calma, não fiques assim… Por favor, mata-me ver-te assim… - ele apertou-me mais contra si e foi passando os dedos pelos meus cabelos
Não sei explicar, mas aquilo de alguma forma surtiu um efeito relaxante em mim, pelo menos fez-me parar de chorar tão intensamente. Não sabia o porquê dele estar a fazer aquilo, mas li em cada gesto de ternura por parte dele, uma extrema vontade de me ver sorrir… Era só isso que ele pretendia.
- Epá miúda, não sei que raio de efeito é esse que tens, mas ficas ainda mais encantadora com esses olhinhos de choro… - ele passou o seu indicador na ponta do meu nariz e inevitavelmente soltei uma pequena gargalhada
- E não sei que raio de efeito é esse que tens, mas sorrir era a última coisa que esperava vir a conseguir fazer hoje… - confessei desviando uma madeixa dos meus cabelos para trás da orelha
- Também não te sei dizer, mas ainda bem que funciona, pois prefiro mil vezes ver esse sorriso lindo na tua carinha, piolha! – ambos sorrimos e olhámo-nos
Desde que namorava com David que nunca mais ficara tão próxima de Diogo e logo com aquela paz toda pelo meio. Talvez fosse alguma espécie de sinal… De que David fora um meio para eu chegar àquele fim, que surpreendentemente um dia, havia sido o início de tudo. Tive vontade de bater em mim própria por equacionar tamanha estupidez, mas eu não podia negar que Diogo estava diferente… Amava-o? Não, nem por sombras! Gostava dele? Nem tão pouco mais ou menos, mas como ser humano capacitado de sentimentos e emoções, não podia negar que aquele golpe de misericórdia era no mínimo tocante. Contudo a minha felicidade adivinha-se tão longe daqueles braços, daquele coração, daquele homem… A minha felicidade estava com David e essa havia-nos sido roubada no mesmo instante em que eu selei aquela carta e saí por aquela porta, deixando para trás somente um turbilhão de palavras...
***
(David)
Assim que a Adriana fugiu de nós senti os olhos de todos presos em mim, mas ainda assim continuei a comer, com um enorme peso na consciência pelo que havia dito e feito a ela naquela tarde.
- Oiça bem, David, porque eu só vou dizer uma vez! Que seja a última vez que você age dessa maneira, porque essa não foi a educação que eu e o seu pai demos para você! A gente tem aturado tudo de você nesses dias, mas já chega! Agora cê passou os limites! – minha mãe me dedurou na frente de todo o mundo
- Mas mãe… - tentei ripostar, mas ela nem isso deixou
- Mas mãe nada, Davi’! O que cê fez agora e aqui foi uma tremenda falta de educação! O filho que eu criei não gosta de fazer mal pra ninguém, pelo menos não de propósito! Eu não me tô colocando do lado de nenhum de vocês, porque sim, ela errou… Errou, porque te ama demais e só quis deixar você viver seu sonho, mas o fez da maneira errada, é verdade! E cê tá errando porque tá aí agindo que nem um moleque em vês de correr atrás e esquecer essas bobeiras… Para amar e ser amado! A partir de hoje não se queixa que não é feliz, porque senão é feliz, é porque não quer!
Fiquei olhando minha mãe, ela nunca havia falado comigo daquele jeito, nunca se tinha voltado contra mim daquela forma, pelo menos por causa de uma garota, mas percebi que com Adriana era diferente, porque ela a amava como se fosse uma filha… Não uma filha de sangue, mas uma filha de coração! Não consegui comer mais nada do lanche, mas depois de todos o terem feito, descemos no elevador até às garagens e o cenário que encontrei foi ironicamente perfeito.
- O que é que aquele palhaço pensa que está a fazer? – vociferou Ruben disposto a partir pra cima de Diogo
- Calma, velho… Não tá fazendo nada demais! – foi Gustavo que o acalmou e impediu de atropelar aqueles dois e o seu momento “de amor”
O carro dela estava a poucos metros do meu, talvez dois ou três no máximo, e junto do capô do seu carro, lá se encontrava ela… Nos braços daquele que um dia havia sido seu namorado. Sim, confesso que senti ciúme, muito ciúme! Uma vontade imensa de ir lá, afastar aquele cara da minha menina e a tomar em meus braços. Uma vontade de ir lá, pedir perdão pra ela e dizer que tudo estava esquecido, pois era ela quem eu mais queria, quem mais amava… Mas o orgulho falou mais alto, a estupidez me dominou por total e subiu em mim uma raiva danada, levando todos os remorsos, que guardava, espelho das minhas atitudes naquela tarde, a desaparecer. Minha língua se soltou novamente e meu coração desaprendeu a bater.
- É o que eu estou dizendo… Vai acabar essa noite na cama dele! – disse tão alto quanto me apeteceu
- Agora chega, Davi’, se enfia nesse carro e conduz pra casa! – minha mãe me gritou em surdina
- Não falei nada que não seja verdade… - estava tão enervado, que ainda botei mais acha na fogueira
- Se é verdade ou não, é problema dela… Cê terminou com ela não foi? Então que eu e todo o mundo saiba ela é solteira e livre de dormir com quem quiser, por isso se poupe ao ridículo e guarde esses comentários pra você, Davi’!
- Rê, se acalma… Eles tão olhando, vamo’ embora daqui! – meu pai aconselhou, para manter os ânimos calmos
- Eu vou pagar o parquímetro… - se ofereceu Gustavo, esse não perdia uma pra saltar fora de um possível barraco
Tomou o ticket da minha mão e numa corridinha leve, sumiu por entre os carros em direcção à zona das máquinas de cobrança.
- Se aquele gajo não tira as mãos dela, pah… - ameaçou Ruben, que não ‘tava nem um pouco agradado por ver Diogo tão próximo de Adriana
- E você, Ruben, vê se não provoca… Se calem os dois! – minha mãe ficou fera com minhas atitudes e tomou uma posição durona, que não demonstrava em nada o tipo de pessoa que ela era
- Tô pra ver… Dou um mês pra ela ‘tar namorando esse cara! – murmurei entre dentes, tentando manter uma conversa com Ruben
- Ela que nem pense, se tem alguma cena com aquele gajo, nunca mais me fala!
- David e Ruben, eu tô avisando…
- Ai, mãe, que é? Só tá faltando me dar tapa, que nem em criança! – falei muito irritado e olhando ela
- Olha que nesse momento você até ‘tava precisando de uns bons tapas! – nesse momento Adriana e Diogo se despediram – Tá vendo? Vocês são muito fofoqueiros…
- Só estávamos a constatar factos, Dona Regina! – argumentou Ruben, mantendo o olhar preso na figura dela
- A moça acabou de terminar com você, David! Acha que ela tá em condições de ficar com mais alguém tão cedo?
- Mamãe, se ela tivesse assim tão mal por nossa separação, nem estaria num shopping se divertindo com as amigas!
- David, ah me desculpa, mas você então tá virando burro, meu filho… Cê acha que a Adriana tá bem?
- Acho… Sinceramente acho! – afirmei uma coisa, quando no meu interior considerava outra bem diferente
- Pô, já viu bem como ela está? Não reparou nos olhos dela, quando se aproximou de nós na mesa? Não viu como estavam inchados de chorar e rasos novamente, quando cê a tratou mal?
- Ah, mãe… Tá bom, não me enche o saco! – refilei, sem mais qualquer disposição pra ouvir falar nela
Talvez porque fosse preferível virar a cara pra verdade… Talvez porque doesse menos… Talvez porque se eu não pensasse, a dor acabasse desaparecendo e eu ia rezar todos os dias pra que assim fosse.
***
(Adriana)
- É o que eu estou dizendo… Vai acabar essa noite na cama dele! – foram as primeiras palavras a quebrar o silêncio daquele meu abraço a Diogo
Movimentei-me ligeiramente nos braços dele, assim que reconheci aquela voz e quando os meus olhos alcançaram a figura de David, confirmaram as minhas suspeitas.
- Foda-se, mas o que é que este gajo acabou de dizer? – o Diogo soltou-me no intuito de se dirigir a David e tirar satisfações
- Não ligues, Diogo… Desculpa, eu sei que é uma tremenda falta de educação, mas fui eu que o deixei e ele não está a aceitar bem as coisas… - não tive outro remédio a não ser desculpar-me pela péssima atitude de David
- Não tens de pedir desculpa, aquele gajo é que está a precisar de um abre-olhos!
- Não, deixa-o estar, peço-te… Não quero confusões!
- Não vou fazer nada, mas é por ti… Porque já percebi que não estás em condições!
- Não… Obrigada, pela compreensão! Aquilo são ciúmes, passam-lhe… - esbocei um sorriso triste e por fim ele libertou-me daquela abraço, que já durava há minutos
- Ciúmes de mim? Está com medo que voltes pra mim, é?
- Não sei, mas ele sabe do nosso passado, é normal…
- Ele pode ficar descansado, tenho namorada! – o Diogo sorriu de orelha a orelha e fui completamente apanhada de surpresa naquele mesmo momento
- Ah… Namorada? – clareei um pouco a voz para conseguir acabar de discursar – Parabéns, miúdo! – esbocei um sorriso sincero e toquei-lhe no ombro
- Obrigado!
- Estás feliz?
- Sim, estou… Afinal, começo a minha digressão este Verão, tenho um relacionamento firme com uma rapariga porreira e a faculdade corre sobre rodas, por isso…
- Hum, muito bem! Parabéns, Di… Tu mereces!
- Eu tenho de ir, a minha namorada está à espera do jantar! – ele riu-se levemente, assim como eu – Ficas bem?
- Claro que fico… Uma amiga vem buscar-me daqui a pouco!
- Pronto, sendo assim fico mais sossegado!
- Podes ir e obrigada por tudo!
- Se me queres mesmo agradecer, pequenina… - ele acariciou-me a bochecha esquerda desde a maçã, até à linha do maxilar – Coloca um sorriso lindo nessa carinha e sê feliz!
- Vou tentar fazer isso… Vá, vai lá agora aproveitar com a tua namorada! – sorri em forma de incentivo
- Sim, vou… Qualquer coisa que precises, já sabes… O meu número continua o mesmo! – ele deu-me um beijinho muito carinhoso na testa – Cuida de ti, miúda…
- Tu também… - murmurei quando ele já se havia afastado
Fiquei ali sozinha, na linha de fogo, sob os olhares cruzados de David e da mãe, que eu percebi claramente que estavam a discutir, somente pelas expressões. A Paulinha nunca mais chegava e eu precisava sair dali o mais depressa possível, antes que enlouquece-se… Antes que perdesse a total sanidade e ela já não era muita, que ainda me sobrava. Pousei a minha mala no capô e revirei-a em busca das minhas chaves do carro, mas não sei dizer se por estar nervosa, ou demasiado ansiosa por encontrá-las, estas não me apareciam à frente. Quanto mais remexia, mais longe parecia das alcançar e isso estava sim, a levar-me à total loucura, à total insanidade mental…
- Vai ver se ela precisa de ajuda… - ouvi a mãe do David incentivá-lo e isso só me fez acelerar ainda mais a procura
- Mãe, não enche o saco…
- Vai, Davi’, tô mandando! – quando a Dona Regina falava daquela maneira, nada feito, não havia volta a dar a não ser obedecer-lhe
- Pô…! – ouvi-o bufar, porque era mais que óbvio que não estava interessado em ajudar-me, muito menos em ter-me por perto
As minhas pernas começaram a ficar trémulas no instante em que percebi que ele viria ajudar-me, as minhas mãos acompanharam-nas e aumentaram ao máximo possível a velocidade com que procurava dentro da mala as malditas chaves do carro. As lágrimas começaram a escorrer-me pelas faces desesperadamente, procurando um porto para perecerem, tal como eu procurava um para me abrigar.
- Adriana… - reconheci aquela voz e senti uma mão pousar no meu ombro
Toda eu estremeci e o desespero aumentou. Foi o ponto de ruptura… Senti-me desmoronar com um simples toque! Aquela presença fez-me sentir que estava vencida, que na minha vida o meu final seria sempre o de eterna derrotada e nada que eu fizesse, ou quisesse fazer, poderia mudar isso. Não havia mais nada a fazer, respirei fundo, tanto quanto o soluçar me permitiu e rodei sobre os meus próprios pés, ficando então de frente para a pessoa que me guardava as costas e o coração…
Obrigada a todas pelos vossos comentários, é muito gratificante e só me incentiva mais e mais!
Aqui vos deixo mais um capítulo, espero que gostem e não se esqueçam de comentar!
Beijinhos
Drii
P.s - Não se esqueçam de comentar a minha fic e da Paulinha! :)
http://halfofmyheartfic.blogspot.com/
30 comentários:
amo, meu amorzão!
continua a escrever isto, que eu sou louca!
amo-te, meu orgulhoooooooooooooo! <3<3<3
Adorei, adorei, adorei. Escreves super bem, nem há palavras para caracterizar a maneira como escreves :)
Ai eu juro que se tivesse o David á minha frente quem lhe dava uns bons tapas era eu, que parvo pah.
Tá lindo, continua és uma escritora fantastica.
Para quando o proximo capitulo?
Beijinhos*
Amei!
Amo amo amo amo!
Maravilhosamente delicioso!
Não se acaba assim o capitulo! AI :D
Beijinhos
Esta fantastico continua.bjs
Boa noite Adriana,(acho que é o teu nome verdadeiro)
Sigo a tua fic desde o principio ( já lá vão alguns meses) e realmente a evolução da tua escrita e da história tem sido incrível e extremamente fascinante. Acho que tens imenso jeito para a escrita, mas sinto ,ao ler o que escreves, algo mais que uma simples história, porque tu consegues transmitir emoções.
Gosto imenso da história e enredo que lhe tens dado.Acabas sempre por surpreender e tenho notado que ,cada vez mais, te preocupas com a maneira como escreves e o sentimento que pretendes demonstrar em cada capítulo.
Não sei que idade tens, mas julgo que ainda és jovem, mas com uma grande capacidade para a escrita.
Nunca comentei nenhum capítulo, mas vi-me na obrigação de o fazer, pois se sigo a tua história não fazia sentido não te dar o feedback daquilo que acho.
Por isso deixo aqui aquilo que penso sobre a história e a tua escrita.
Continua =)
Cumprimentos,
Catarina
esta lindo, parabens
continua assim
eu amo a tua fic e estou desejosa de um capitulo novo
beijinhos e mais uma vez parabens
ps:quero velos os dois juntos o quanto antes, lool :D
obrigado por escreveres. tu e a paulinha tambem. eu amo as duas fics. sao lindas. sao tao verdadeiras.
Agra desta, eu amo, eu choro sempre que leio. é impressionante como consegues pôr aqui tanta emocao.
bem, continua por favor!
Bjs. Alexa
Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo
Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo
Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo Lindo <33
Parece que tens outra Catarina para alem de mim XD
Agora falando de coisas mais sérias... Menina Adriana isto é maneira de se acabar um capitulo? Agora vais ser responsavel pelos ataques de coração que se seguem =P
Estes capitulos estão cada vez melhores ... So espero é que estes dois façam as pazes o mais depressa possivel que ja nao há quem ature o David XD
Fico à espera do proximo (ansiosamente)
Bjs
capitulo fantástico
quando li que o Diogo tinha reaparecido pensei: "pronto, a adriana já se vai render.. afinal sente se mais fragilizada." mas afinal ele tinha namorada (que alívio)
Bem.. o David está a abusar mesmo. a Adriana ja devia ter lhe dado uns valentes tabefes !!!
e pronto, mais uma vez acabas sempre no auge dos capítulos :b
ISTO NAO SE FAZ AO MEU POBRE CORAÇAO !
beijinhos enormes
Raquel
Dri tens de postar mais um brevemente, pleaseeeeeeeee =D Amei amei amei LoooL Não se acaba assim um episódio =S
Beijinhos e continua, excelente fic*
Uma palavra: fantástico.
Não gosto nada do fantasma Diogo... está lindo só acabar assim é que não ;)
Adoro!!!!
Beijinhos
fantatisco, lindo...
quero mais... tou super curiosa para ver os proximos capitulos...
continua...
Olaaaa
Ameiii , escreves tão bem Adriana :) , tens um talento enorme :) , nunca pares de escrever , O david foi muito mauzinho com a Adriana , agora é ele que têm de correr atrás dela , pois o que ele fez naa se faz....
:p
Vá vê se os juntas de novo , é tão triste ve-los separados :p
Continua :p
http://luta-por-um-sonho.blogspot.com
Beijinhos
Adorei, está lindo (como sempre)!
Ai aquele David, sem comentários!
Estou super ansiosa por saber o que é que vai acontecer a seguir! Posta rápido :B
Continua
Beijinhos
OMG Driiii amoooo tantoooooo!!!
Continuaaaa e posta rápido pff
A d.Regina quando lhe ofereceu uns tapas devia mesmo era ter dado, porque o menino David tá a passar das marcas. Este final é que não teve jeito nenhum,termina-se assim? o meu coração não aguenta, só espero que o David não vá piorar as coisas.
Amei, tá perfeito,até parecia que estava a presenciar a cena, tal é a emoção que as tuas palavras nos transmitem.
Continua, por favor, fico à espera do próximo ansiosamente.
Beijos
Fernanda
ai adrianaaa, esta é a melhor fic de SEMPRE ! sabes uma coisa? acho que nunca deverias terminar esta fic, a sério! tens tanta imaginação, tanto talento para escrever, meu deus! acho que deverias fazer um casamento a estes dois, uns bons pares de filhos, enfim essas coisas todas, mas com calma, por eu gosto do facto de nesta fic, as coisas acontecerem gradualmente e não, tudo assim, muito rápido. A adriana tem de conquistar o David, mesmo ele fazendo estas coisas todas. Acredito que ele vai cair na realidade, vai pedir desculpa, e vai ser aí que a adriana o vai conquistar, assim o espero :D
PARABÉNN ! *
não há palavras, simplesmente fantástico !
Minha Linda :)
Adoro cada vez mais esta história :) a forma como estás a construir o caminho das personagens está algo fantástico, meteste a Adriana a arcar com o sofrimento provocado por uma má decisão, mas que para ela estava correcta naquele momento.
O David revelou o lado menos bom que todos temos e que em situações em que estamos a sofrer verdadeiramente acabamos sempre por revelar
A atitude da D. Rê que apesar de ver o filho a sofrer consegue enxergar e perceber que a Adriana só o fez porque gosta mesmo do David e ao ver o filho a ser injusto com a rapariga tenta chamá-lo à realidade.
A forma como escreves leva-me a mim e de certeza a muitas mais pessoas, para outro "mundo", mundo esse da ficção mas que pode muito bem ser real! Consegues descrever de uma forma única, tanto o sofrimento como a alegria e isso a mim faz-me querer sempre mais!
Minha linda, já por diversas vezes falei que tens um talento que deve ser explorado ao máximo, por isso continua a trabalhá-lo.
Beijos adoro-te :)
Amei, amei e amei :)
Não sei como é possível ainda me surpreender com a tua maravilhosa escrita, mas é o que acontece a cada capítulo que leio...
Continua *_*
Beijo grande.
Minha querida, desculpa não andar a comentar mas como fui pra Lisboa apenas lia os capítulos pelo tlm.
Coitadinha da Adriana ... A Dona Rê está a mostrar ser uma grande mulher, uma grande mãe e uma grande amiga.
Estou um bocadinho desiludida com o Ruben ... muito mesmo. Acho que também devia apoiar a Adriana ou pelo menos falar com ela, afinal ele conheci-a primeiro do que conheceu o David.
Espero ansiosamente pelo próximo :D
Beijinhos
este David merecia mesmo um valente puxao de orelhas! tudo bem que a adriana errou e fez asneira da grossa mas o David também errou bastante e aquilo que ele fez durante a tarde nao se faz! :b
fiquei mesmo surpreendida com esta faceta do David, mas isso só dá ainda mais vontade de ler e ler!!
tá Lindo, e nem sei o que dizer mais! ;)
quero o resto rapidinho sim minha querida?
beijinhos Linda :)
Bolas, e agora vou morrer de curiosidade por saber o que é que vai acontecer!
Publica rápido, porque todas as leitoras estão ansiosas :P
P.S.: Este blog devia ser o guião de uma telenovela, ia ser lindo!
Beijinhos :)
PARABÉNS pela fic driii !
QUeREMOS MAIS HOJE, por favor !
ps - se fores postar hoje, por favor diz alguma coisa no chat do blog do david, para saber-mos se ainda temos novidades hoje. Obrigada dri, e força, és incrível a escrever !
Esta LINDO
Posta rapido, estou anciosa
Bjs
Adorei, está tipo cada vez MELHOOOR ! :)
Pública o próximo rápidoo e continua com o óptimo trabalho :b
Beijinhos <3
Aii, está tão lindo! (believe me (!):D)
Posta rápido Dri, estou completamente viciada nisto!
Beijinhos *.*
Minha queria, andava um pouco deste mundo das fics, mas aos poucos estou-me a inteirar novamente das histórias e confesso que ao ler os caps que eu tinha em atraso tive um misto de emoções. A escolha da Adriana em terminar tudo com o David veio acabar com aquele mundinho que era só deles e afectou-os aos 2, se por um lado compreendo e aceito o que ela fez, por outro lado, o sofrimento dele deixou-me a chorar. A tua história é assim, a forma como escreves deixa-nos de tal forma incluídos nela que afecta as nossas emoções como se fossemos meros espectadores impotentes. Obrigada menina Adriana por partilhares esta linda história connosco e por continuares a surpreender-nos desta forma, é um enorme prazer ler cada palavra que escreves.
Fico ansiosamente à espera do próximo cap, embora tenha a sensação que ainda não é desta que eles se vão entender.
Um beijinho muito grande para ti minha linda,
Clara
Enviar um comentário