Chorei muito nos dias que se seguiram àquele reencontro com David, mas se por um lado as lágrimas estavam secas e as palavras gastas, os sentimentos continuavam ali… Bem presentes nas mais ínfimas e insignificantes partes do meu dia-a-dia. Continuei a ir às aulas da faculdade e depois da apresentação dos tão morosos trabalhos finais, dei por findado o primeiro ano como estudante universitária. E que ano…! Havia sido de doidos! As pessoas que conhecera eram sensacionais, os sítios que visitara ficariam sempre na minha memória e todos os momentos vividos jamais os esqueceria, mas no entanto nada disso era suficiente para preencher o enorme buraco que a ausência de David deixara na minha vida. Sabia que ele ainda não se tinha ido embora para o Brasil e que estava somente a 48 horas de o fazer, mas nada que eu fizesse podia demovê-lo da sua partida ou alterar os seus planos, levando-me consigo. Limitei-me à resignação e à conformidade de ter de passar os meus dias sozinha, até ao início das viagens por toda a Europa, para a minha digressão. Estava num dos programas aborrecidos que usava para queimar o tempo, toda estatelada no sofá, andando com os canais de trás para a frente depois de mais uma longa sessão de choro, quando ouvi a campainha tocar. A preguiça falou mais alto e limitei-me a ficar ali, no meu sítio, mas a pessoa do lado de fora parecia não desistir e sendo assim tive de fazer um esforço extra de modo a combater a dormência que dominava o meu corpo e ir abrir a porta.
- Já vai, já vai! – gritei, ajeitando a sweat que trazia vestida e que se via claramente que não era minha, mas sim de David, pois dava-me um pouco acima dos joelhos – Bolas, já disse que já vai! – vociferei ao verificar a insistência irritante da pessoa em pressionar o botão, que activava aquele barulho incomodativo
- Bolas, estava difícil… - reclamou Ruben, assim que escancarei a porta e o observei
- Que estás aqui a fazer?! – questionei numa expressão molengona e passando os dedos na minha testa franzida
- Olha, como me cansei de ligar e não ouvir a tua voz, de mandar mensagens e não ser correspondido e de ir à tua faculdade quase todos os dias, mas nunca te conseguir chegar a ver, resolvi passar por casa a ver se estás viva…! – respondeu-me num tom que tinha tanto de arrogante como de irónico
- Uau, Ruben Filipe! Diz-me aqui uma coisa… Foste buscar essa ironia toda onde? Não me digas que foi ao teu melhor amigo! – brinquei levemente, arrebitando o indicador no ar em claro sinal de gozo
- Adriana, não sejas assim! Estava a morrer de preocupação, não entendes isso? – ele falou de forma muito séria e compreendi que de facto ele devia estar preocupado comigo, pois a sua expressão de poucas horas de sono revelava isso
- Entendo, mas vieste ver se estou bem, como viste estou óptima! – flecti levemente os joelhos quase em sinal de vénia e falseei um sorriso – Por isso, podes ir…
Tentei fechar a porta, para retomar o meu cantinho de paz, pois tudo o que eu menos queria era ter alguém a invadir o meu espaço para viver a minha dor, porém Ruben não mo permitiu. Colocou o pé a barrar a passagem da porta e assim, auxiliando-se da força bruta que possuía nos braços e passou para a mãos, impediu-me de a fechar.
- Se tu chamas a isso estar bem, meu doce… - ele esboçou uma clara expressão de desalento, enquanto os seus olhos percorrera toda a minha figura
- Estou… - por segundos a minha voz vacilou e foi quebrada por um breve soluçar, que rapidamente bloqueei, clareando a voz através de uma tosse forçada – Estou muito bem, Ruru… Aliás, acho que dizer que estou muito bem é pouco!
- Acho que dizer que me estás a mentir com todos os dentes que tens na boca, isso sim é muito pouco… - ripostou na sua calma, que já lhe era tão característica como traço dominante da sua personalidade
- Ai, Ruben… - as minhas pernas perderam a força e inevitavelmente as lágrimas começaram a cair dos meus olhos de forma impetuosa
- Vem cá, miúda…
Ele forçou a entrada na minha casa empurrando-me um pouco para longe da porta, fechou-a e acabou por me acolher nos seus braços. Senti-me verdadeiramente em casa… Senti-me verdadeiramente amada, com cada gesto de carinho dele. Desde a força que os seus braços exerciam em torno do meu troco, até à delicadeza com que as polpas dos seus dedos percorriam os meus cabelos… Tudo no Ruben me fez sentir estranhamente calma. Era exactamente aquilo que eu precisava, sentir-me amada, ter alguém que se preocupasse comigo e quisesse cuidar de mim, sem tomar partido de nenhum dos lados, nem do meu, nem do de David.
- Ai, Ruben… Diz-me que isto é um pesadelo… - pedi soluçando de forma inquietante, tamanho era o desespero que me atormentava o corpo e a alma
- Calma, pequenina… Calma… - o sussurro proveniente dos lábios dele foi tão pacífico que por momentos jurei não o ter sequer ouvido – Vai correr tudo bem, prometo…
Ele acabou por me levar até ao sofá, onde nos sentámos, lado a lado, dispostos a conversar como melhores amigos de longa data que éramos, mas para isso foi primeiro necessário, que eu me acalmasse e controlasse as lágrimas que teimosamente insistiam em correr pela minha face, ainda que pelos caminhos do silêncio.
- Calma, pequenita! – ele rodeou os meus ombros com um dos seus braços e colou os seus lábios à minha têmpora esquerda, deixando-os lá permanecer durante minutos
Finalmente, acalmei-me. As lágrimas secaram, o soluçar cessou e a minha respiração retomou à normalidade, o meu mundo caminhara novamente até ao seu eixo. Tinha um monte de coisas para dizer ao Ruben, um monte de coisas, que me estavam entaladas na garganta, mas que por algum motivo não conseguia dizer. Não era cobardia, nem tão pouco medo, mas tinha simplesmente o corpo tão dominado e embrenhado na dor, que não conseguia ver, sentir ou respirar qualquer outra coisa, senão essa mesma.
- Obrigada por estares aqui… - foram as primeiras palavras que consegui pronunciar, assim que a fala retomou aos meus lábios
- Shiu, não tens que me agradecer… - as suas mãos tomaram a minha, fazendo-a pousar na minha perna esquerda – Queria ter vindo antes, mas depois daquele dia no Colombo achei que me estavas a odiar por não te ter ajudado…
- Fiquei magoada não vou negar, mas sei que o erro foi meu e que não estavas a tomar o partido de ninguém… Ele precisava do teu apoio e mais tarde acabarias por me procurar… Aqui estás tu! - esclareci calmamente, mas sem nunca pronunciar o nome de David, tinha a plena consciência que isso me faria quebrar assim que pronunciasse a primeira letra
- Desculpa, miúda… Eu liguei-te tantas vezes, mandei-te tantas mensagens, fui à faculdade, mas nunca te encontrava…
- Eu sei, não leves a mal, mas eu precisava estar na minha onda, sabes? Sem mais ninguém, sem mais conversas, sem mais pressões… Só eu! – esbocei um sorrisinho triste, que o Ruben colmatou com uma leve carícia na covinha da minha bochecha
- Não queres falar com o amigão? – questionou-me com aquele sorriso que lhe era tão característico, devido à sua beleza, jovialidade e boa-disposição
- Sabes que quero sempre falar com o amigão, mas ainda é tudo muito recente… Quero deixar a poeira assentar, digerir esta dor e aí sim, seguir em frente! Depois disso falarei sobre o assunto com a maior calma do mundo!
Sorri então, mas dessa vez foi um sorriso verdadeiro, sincero… Um sorriso de quem esperava realmente conseguir cumprir cada sílaba do que acabara de dizer… Um sorriso de esperança e essa é, e será sempre, a última a morrer!
- Não vais conseguir deixar a poeira assentar enquanto não partilhares com alguém o que ainda vai aí dentro… Esse remorso todo, essa culpa, essa mágoa, minha linda…
E pronto… Foi ali naquele momento que todos os sentimentos enumerados pelo Ruben eclodiram no meu peito e aterraram em mim a uma velocidade estonteante, até me levarem a um estado inconsciente de puro desabafo em que abri a minha alma e o meu coração sem pensar em mais nada.
- Dói tanto, Ru… - assim que comecei a falar os meus olhos ficaram rasos de lágrimas, que só não se precipitaram pelo meu rosto, porque me mantive forte, pelo menos tanto quanto possível
- Fala comigo, princesa… - pediu-me calmamente, ao apertar a minha mão de forma a fazer-me sentir mais segura, mais amparada, transmitindo-me que tinha um ombro amigo mesmo ali ao lado
- Sabes quando acordas de manhã e tens aquela extrema felicidade de veres a pessoa que mais amas a dormir do teu lado que nem um anjo? Tão calmo, tão sereno… E aquele sorrisinho com que ficas ao ir preparar um pequeno-almoço para os dois, para lhe levares à cama, relembrando sempre o momento de entrega que viveram na noite passada, sabes? E aquela vontade louca de correr, abraçar e beijar a pessoa, apesar de não estares com ela somente há um louco par de horas? Ou quando simplesmente paras para observar aquela pessoa… Quando notas o quão perfeita é, o quanto a amas e o quanto necessitas dela pra viver? – fiz uma breve pausa para recuperar o fôlego, mas sentia o Ruben atento a cada palavra que eu pronunciava, como se aquilo fosse dar-lhe alento para tudo o resto que se seguia – Não tenho e nem vou ter mais isso… - sussurrei baixinho, fechando os meus olhos e só aí, permitindo às lágrimas, que escorressem pelas minhas faces
- Podes ter… Vocês são os dois teimosos, estão magoados, mas nunca digas nunca! Não sabes o que o destino vos reserva…
- Sei, Ruben… Sei que esta falta do ar que costumava respirar e que eu apelidava de David, vai continuar, pelo menos até eu me habituar a respirar de outro jeito. Sei que esta dor no peito não vai desaparecer nunca, apenas vai ser aliviada pela morte do meu frágil coração, que muito em breve espero que deixe de sentir, só para eu não ter de saber que ainda o amo. E sei… Porque eu sei, que a minha história com ele chegou a um fim… Que é altura de ele arranjar uma pessoa e seguir em frente, porque eu tentarei fazer o mesmo…
- Adriana, o David…
- Não, Ruben… Não o chames de David! Aquele não é o David que todos conhecemos, aquilo é somente uma espécie de monstro que se apoderou do coração do homem que eu amo, mas que não sei onde raio se enfiou… Dou-vos um tempo até perceberem o que quero dizer com isto… - afastei a franja que teimava em pender do lado direito do meu rosto e prendia atrás da orelha, recordando o momento atroz que havia vivido com ele há uns dias atrás no Centro Comercial Colombo
- Adriana… - ao fim de alguns segundos de silêncio, o meu melhor amigo resolveu pronunciar-se
- Diz, Ru… - sorriu-lhe levemente e pela forma como ele pressionou a minha mão, que permanecia colada à sua, adivinhei que me ia dizer algo claramente incomodativo
- Naquele dia… No Colombo, tu sabes… - ela ia começar a falar, mas cortei-lhe imediatamente o discurso
- Sim, sei… Mas prefiro não falar disso, acho que é o melhor pra todos!
- Eu conheço-o… Quando ele saiu de ao pé de nós, a expressão dele denunciava algo… Ele fez algo de muito mau não fez? – toda a expressão de Ruben se contraiu num acto de pleno desespero, de quem agonizava por uma resposta rápida
- Desculpa, mas eu não vou falar sobre isso, Ruben… - acenei negativamente e também na minha cabeça o fiz, pois estava muito certa de que não iria contar a ninguém o episódio que acontecera durante o bowling
- Adriana… - ele chamou por mim até o olhar nos olhos, apesar dos meus estarem rasos de lágrimas, devido às recordações que forçosamente me invadiram – Por favor… Preciso de saber!
- Ruben, não creio que vás acreditar naquilo que tenho pra contar… Não encaixa no perfil do David que conheces… Que todos conhecemos… Ou conhecíamos! – esbocei um sorriso natural, mas de desalento, pois não queria que o Ruben ficasse chateado nem comigo, nem com David
- Experimenta, Adriana! – ele falou num jeito de desafio que me deixou claramente intrigada
Era como se ele soubesse do acto de crueldade de que ele havia sido protagonista, naquela maldita tarde… Como se ele precisasse somente da minha confirmação para formular o perfil de um novo David na sua cabeça. Como se ele fosse dono deste mundo e do outro, dono do tudo e do nada, dono da razão, mas mais do que isso… Dono da verdade!
- Então cá vai… - suspirei antes de dar início à narrativa
***
(Ruben)
Depois de ouvir o relato da Adriana ainda consegui ficar chocado, não sei bem porquê, afinal eu estava mais do que certo de que David havia feito asneira da grossa naquela tarde, só não esperava que tivesse chegado a tanto. Tive pena da Adriana, era um pobre coração partido ali na minha frente, mas que ainda assim arranjava forças para continuar de pé e batalhar pela sua vida e pelo seu regresso à normalidade. Tenho de admitir que não sei onde é que ela enfiou tanta coragem, somente num metro e sessenta, era um segredo que um dia ela ainda me havia de contar!
- Não pode ser… - murmurei, assim que ela terminou de falar e ainda o fez durante largos minutos
- Eu disse-te que não ias acreditar! – respondeu-me rapidamente, com um sorriso irónico a tomar posse da sua boca
- Não, não… O pior é que eu acredito! – disse rapidamente, com a plena consciência de que David havia passado todas as marcas
- Acho que agora já consegues compreender um bocadinho o meu lado e o porquê de tanta dor e tanta mágoa… - ela encolheu-se no seu cantinho do sofá, como se se estivesse a defender de um possível ataque da minha parte, coisa que não viria a acontecer
- Já compreendia antes… Acredita que eu percebi que aquilo que fizeste não foi por maldade, mas sim porque lhe querias bem, mas entendo também o quanto isso o magoou! Naquelas linhas foste o mais sincera possível e acho que foi isso que lhe doeu tanto, ouvir tanta verdade vinda de linhas e não da tua boca…
- Eu ia tentar, Ruben… A sério que ia, mas cara-a-cara, eu ia acabar por falhar! Sabes como sou… Assim que o visse sofrer, recuava atrás na decisão e naquela altura não podia ser… Não podia!
- Naquela altura… Agora é que tocaste no ponto-chave! – elevei perspicazmente o indicador no ar, com um certo jeito traquina e sorri-lhe ternamente
- Sim, naquela altura… Agora é simplesmente tarde pra pensar mais nisso! – ela encolheu os ombros descontraidamente e deixou a cabeça tombar para trás, suspirando de jeito desinquietante
- Nunca é tarde par… - ela não me deu tempo de acabar e endireitou a cabeça para falar, interrompendo-me
- Não, Ruben! Para isto é demasiado tarde… Não adianta insistires, chega da minha dose de humilhação! Sabes que não sou disto, por isso é erguer a cabeça e vamos à luta! – respondeu-me rapidamente em tom de guerreira e o seu próprio corpo assumiu essa posição
- Eu sei, princesa… Não penses mais nisso agora, então...!
- Eu sei que vou pensar, pelo menos durante mais algum tempo… Pelo menos enquanto a presença da ausência dele me atormentar nas mais pequenas coisas…
- Dói muito, pequenina? – as polpas dos meus dedos palmilharem cada centímetro da sua face, demonstrando todo o carinho que nutria por aquela pequena grande mulher
- Dói a toda a hora, Ru… Dói só o simples facto de ele continuar a ser o dono do meu coração, mas no entanto não ter qualquer vontade de o comandar… - depois ela sussurrar aquilo de olhos vidrados de lágrimas, pude compreender o sofrimento que a invadia toda a vez que falava nele e resolvi então mudar de assunto
- Tens comido bem? Dormido? Descansado?
- Sim, Ruben, podes ficar sossegado… Eu não sou louca ao ponto de deixar de comer por causa de um desgosto destes!
- Eu sei disso, mas também te conheço muito bem e sei como te entregas ao sofrimento e o fazes em silêncio e é isso que mais me assusta, minha pequena mulher… - aninhei-a nos meus braços, senti que tinha ali um dos bens mais preciosos do mundo e não estava muito longe da verdade
Afinal conhecia aquela miúda desde que era uma minorquinha, não que agora fosse muito diferente, mas quando era mesmo pequenina, ainda mal andava. Fomos criados quase juntos, pois os nossos pais eram grandes amigos desde sempre e por essas mesmas razões desenvolvi por ela um sentimento diferente… Um carinho especial, que ultrapassava muito para além do amor de amigos, de melhores amigos! Era um amor de irmãos, um amor de família, daqueles que vem de dentro, daqueles amores que nos aquecem o coração e enaltecem o espírito.
- Eu posso sofrer em silêncio, mas não sou doida ao ponto de destruir o que ainda sobra de mim… Com a minha vida não estou preocupada, pois essa perdia-a no momento em que o deixei pra trás… - ela soluçou e assim que o pressenti apertei-a mais para mim, num laivo quase que intuitivo de protecção
- E se fossemos fazer qualquer coisa pra comeres? Está quase na hora do jantar, pequenita… - sugeri, encarando aquele pequeno rosto de feições quase angelicais e esforçando-me ao máximo para a fazer delinear um sorriso
- Não tenho muita fome… - respondeu-me, torcendo aquele narizinho, que era naturalmente arrebitado desde que a conhecera
- Mas tu estás-me a dizer que não tens fome? A mim, Ruben Filipe Marques Amorim? É que nem sonhes, Adriana Sofia, nem sonhes! – puxei-a até à ponta do sofá, mas quando a forcei a abandoná-lo, esta ofereceu-me resistência fincando os pequenos pés no chão e deixando o peso do seu corpo tombar para trás
- Não quero ir… - refilou comigo quase em surdina, mas eu estava no entanto disposto a não desistir assim com aquela facilidade
- Adriana Sofia, levanta-me esse rabo do sofá! – ordenei num tom rezingão e fazendo mais força para a puxar, mas no entanto sempre com o cuidado e a preocupação de não a magoar
- Não quero ir comer, Ruben Filipe… Deixa-me estar, caramba! – ela jogou-se para trás com uma força tal, que quase me fez perder o equilíbrio e deixou-me somente com uma opção
- Não vais a bem, vais a mal, Adriana!
Aproximei-me do sofá, fiz força em redor do tronco dela e acabei por a segurar no meu colo. De cabeça para baixo e com a barriga vergada sobre o meu ombro, ela foi-se recorrendo dos punhos para soquear as minhas nádegas, mas no entanto isso não me incomodou nem um pouco.
- Põem-me no chão, Ruben… Por favor! – pedinchou naquela voz de criança cheia de manhas, que eu já conhecia melhor que a palma da minha mão
- Adriana, vais comer, quer queiras quer não, lamento imenso!
Até chegarmos à cozinha ela não desistiu de me tentar agredir fisicamente, mas assim que a pousei no chão realizou o seu desejo e com a mão fechada em conchinha, deu-me um carolo no topo da cabeça, que eu tinha bastante desprovida de cabelo, por isso conseguiu provocar-me uma certa dor, ainda que de fraca intensidade.
- Obrigada por me pores no chão! – agradeceu com um sorrisinho irónico no rosto – Já disse que não quero comer, Ruben… Por favor, não insistas mais!
- Adriana, faz esse esforço por mim… Preciso de ficar sossegado por te ver comer, por favor… - antes que ela me desse imediatamente uma resposta negativa, eu recorri-me dos meus dotes de “menino bonito” e formei um beicinho irresistível – Por favor…
- Não venhas, que essa carinha de anjo-rebelde pega com a totó da Inês, mas comigo não, Ruben Amorim! – ela não deu tréguas, nem que fosse durante uns segundos, mas a maneira rezingona como falou, provocou em mim uma vontade de sorrir, porque por momentos achei ter na minha frente a Adriana de sempre
- E pronto, lá estás tu! Deixa de ser teimosa, masé…
- Epá, que chato! – ela soltou um forte bafo de ar por entre os lábios e num pulo, que teve tanto de rápido como de bruto, sentou-se em cima da bancada bem do lado da placa de indução
- Vá, diga-me lá a princesa o que vai desejar para a sua majestosa refeição? – dissimulei um tom de voz cavalheiresco e galanteador e curvei-me em sinal de vénia
- E ainda me gozas? É que estás mesmo a pedi-las… Ai se estás!
- Vá, agora a sério, o que vais querer?
- Não tenho muita fome… Uma coisa simples, pelo menos simples ao ponto de a conseguires cozinhar, carequinha! – ela falou-me num tom trocista e de modo a acompanhar as suas palavras, recorreu-se de uma das mãos para afagar a minha cabeça escassa em cabelo, uma vez que o havia rapado
- Estás a insinuar que não sei cozinhar, ó meia-leca de uma figa?
- Não, Ruquinha, não estou nada a insinuar… - pela pausa curta que ela fez, adivinhei imediatamente o que iria dizer de seguida – Estou a a-fir-mar! – completou com aquele narizinho empinado na direcção do céu
- Vá, pede-me então o que quiseres que eu faço! – pedi em tom de desafio, que pela sua expressão compreendi que havia aceite
- Então é assim… Pra entrada quero um canapé de salmão, com ovas de peixe e molho vinagrete! Depois quero uma sopa de marisco, mas no ponto, com tudo a que tenho direito! Prolongando, quero assim um lombo de porco selado, com uma salada fresca e puré de maçã, por favor! – ela foi fazendo o seu pedido, com o olhar totalmente perdido e enumerando cada prato, um a um, com os dedos das mãos – Ah, e para sobremesa pode ser uma tarte com ganache, morangos e natas batidas com alfazema!
- Oh princesa, não abuses… Isto aqui não é nenhum restaurante cinco estrelas, é a tasca do Ruruzinho, por isso facilita! – ambos quebrámos as vozes com gargalhadas estridente e por segundos senti-me feliz, afinal a minha missão estava completa, mesmo que apenas por segundos, havia conseguido colocar um sorriso naquela face
- Pronto, então eu vou facilitar… Podes fazer o que quiseres, a tua especialidade, vá! Mostra-me esses dotes! – cruzando as pernas sobre o balcão ela alcançou uma garrafa de água de litro e meio, que estava quase no fim e bebeu o pouco que sobrava
- Hum, vamos cá a ver então… - abri a gaveta do primeiro módulo da cozinha, alcançando um avental branco, com a cara da Hello Kitty estampada e uns folhinhos cor-de-rosa no bolso frontal e não hesitei em colocá-lo – Ãh… Diz lá que não fico extremamente sensual?!
Apertei o avental atrás da cintura e obviamente que este me ficou um pouco pequeno, tendo em conta que aquilo era um modelo de mulher, mas acho que isso só contribuiu ainda mais para as gargalhadas de Adriana, que finalmente se parecia estar a distrair da questão do David.
- O teu melhor amigo é de uma sensualidade extrema! – forcei um sorriso meio patusco no rosto e fiz uma pose fatalmente irresistível
- Esse avental assenta-te que nem uma luva… - proferiu por entre fortes gargalhadas e eu ri-me também, ao sentir-me de novo com menos cinco anos e naquelas farras que eu e ela fazíamos em casa dos nossos pais
- Olha que pensando bem, troco o meu fraque por este avental pra subir ao altar daqui a uns meses! – sugeri num tom brincalhão, enquanto retirava um pequeno tacho do armário superior com uma extrema facilidade
- Sim, sim, isso e a Inês esfrangalhava-te… No mínimo! Já pra não falar no padre, que devia fugir pela porta da sacristia para ir perdão a Deus por algum dia vos ter pensado casar!
- Não, não, espera… Imagina: eu de boxers justinhas, meias até meia canela, de avental… Ãh? – acendi uma boca digital e encarei-a colocando as mãos na cintura
- Ok, eu vou ligar ao padre Inácio! – ela ia dar um salto para o chão, no intuito de procurar o telefone, mas claro que tudo não passava de fachada e ambos nos desmanchámos a rir mais uma vez
- Ai, há tanto tempo que não te via rir assim, Adriana!
- Não foi há tanto tempo assim, Ruben… Nós é que temos andado mais afastados desde que eu comecei a namorar com o David!
- Sim, um pouco… Mas eu também tenho falhado, porque desde que comecei a ajudar a Inês com as coisas do nosso casamento, que mal temos falado…
- Pronto, falámos agora! – ripostou imediatamente, naquele jeito espevitado e imediato
Os minutos que se seguiram foram simplesmente deliciosos. Cada silêncio foi ocupado por uma palavra, cada expressão de consternação ou tristeza foi assaltada por um sorriso, cada marca de saudade foi apagada pelo convívio de dois velhos amigos, que há muito não punham à prova a sua cumplicidade.
- Olha que até cheira bem… - disse ela, espreitando pra dentro do tacho – Mas é o quê mesmo?
- Parva! – voltámos a gargalhar, mas não me deixei desconcentrar do prato, afinal de contas isso seria motivo imediato para chacota por parte dela – É “Macarrão à la Ruru”!
Muito rapidamente a expressão dela mudou e eu percebi que metera os pés pelas mãos. Rapidamente na minha memória se avivou a expressão tão familiar de “Macarrão à la Davi’” e a quantidade de vezes que a ouvira em cada jantar em casa dele. Dei-lhe mais do que razões para regressar àquela tristeza, ainda que o tenha feito sem qualquer intenção. Ela baixou o olhar e prendeu-o na mãos, que manteve ocupadas com brincadeiras de entrelaça-desenlaça, só para não deixar nenhuma lágrima cair dos seus olhos.
- Adriana, desculp… - tão rapidamente como comecei a falar, ela interrompeu-me
- Está com bom aspecto, só espero que esteja tão bom como aparenta! – ela fitou-me com um sorriso claramente forçado e os seus olhos estavam rasos de lágrimas, que não sei como, ela não deixou cair
Aquela pequenina começava a dar-me provas de ser mais resistente do que realmente aparentava ser, talvez isso se devesse à maturidade, que com um ano e tal de namoro com David, havia conquistado, mas quiçá fosse somente sinal de estar a dar início ao processo de esquecimento… Bem, de esquecimento não digo, porque quem viveu tão de perto o amor deles, não pode crer que fosse acabar assim, muito menos tão rapidamente, mas quem sabe fosse um sinal de que estava a aprender a controlar os sentimentos, a aceitar as desilusões e a viver com a dor.
- Espero tanto ou mais do que tu que esteja mesmo! – sorri levemente, guardando apenas para mim o duplo sentido que havia dado àquela frase
***
- Estava muito bom, Ru… - agradeceu-me com uns olhinhos tristes, que se haviam transformado desde aquela maldita frase minha
- Não comeste tudo o que estava no prato… - verifiquei ao ver uma boa parte dele ainda cheio de macarrão
- Isso é porque me serviste uma dose de cavalo, daquelas à jogador de futebol! – ainda que triste, ela não conseguia perder parte do seu humor e por vezes lá ia sorrindo, umas vezes mais naturalmente, outras num jeito mais forçado
- Não respinga, sim, Sr. Dona Adriana?
- Pronto, não está mais aqui quem falou! – ela sorriu e levantou-se, levando consigo o prato e o copo
- Eu arrumo a cozinha! – ofereci-me rapidamente, pois apesar de não ter comido, eu desejava ajudá-la em tudo, desde que isso minimizasse um pouco a sua dor
- Não, já cozinhaste, Ru…
Depois de alguns segundos de discussão, acabámos por fazê-lo juntos, se bem que também não havia grande coisa para arrumar. Ela deitou o que restou dentro do tacho, directamente no lixo, mas não levei a mal… Ela não o fez porque estava mau, ou porque não fosse do seu agrado, mas simplesmente porque não queria ter de lidar com mais nenhuma memória de David, ainda que fosse uma coisa tão simples como uma caixinha de comida.
- E agora, vais ficar fechada a correr os canais de televisão? – questionei, enquanto caminhávamos, lado a lado, em direcção à sala
- Sim, provavelmente é isso mesmo que vou fazer… - ela jogou-se para cima do enorme sofá branco e espreguiçou-se, libertando daquele corpo pequenino e airoso toda a tensão acumulada num par de horas
- Isso não é vida, Adriana… Porque é que não vamos dar uma voltinha ou assim?
- Se calhar porque não me apetece… - mostrou-me o seu sorriso mais amarelo e desagradável, e procurou o comando para ligar a televisão – E olha lá, não tens mais vidas para atazanar, ó melga? Tipo… Uma noiva em casa à espera, ou assim! – foi falando enquanto tentava sintonizar-se num canal que desse alguma coisa em condições
- Ter até tenho, mas a ideia de ficar aqui a chatear-te a noite toda é muito mais tentadora!
Atirei-me para cima do sofá e comecei a despenteá-la, tendo o pleno conhecimento de como isso a enfurecia e tirava fora de si. Entre brincadeiras, ela foi chamando pelo meu primeiro e segundo nome, talvez na tentativa de provocar em mim medo ou qualquer outro tipo de sentimento que se assemelhasse, mas não valeu de nada, claro.
- Larga-me, Ruben Filipe! – pediu numa voz quase esganiçada e irritante
- Oh pequenina, pequenina…! – fui-me metendo com ela, recorrendo à pirraça e à minha clara superioridade a nível de força física
Com os movimentos dos nossos corpos e entre tanta chapada e puxão, ela acabou por dar com o pé no comando e este mudou de canal, parando num muito pouco agradável, pelo menos tendo em conta a situação presente da relação, ou melhor, da não-relação, de Adriana e David.
“ – Eu sei que o meu lugar é no Benfica e em Portugal, sempre fui muito amado e acarinhado pelos portugueses, especialmente pelos adeptos benfiquistas, por isso vou continuar dando ao clube no dobro, tudo aquilo que eles um dia me deram e continuam dando, todos os dias desde que aqui cheguei.
- David, o que o fez querer permanecer mais uma época?
- É o que eu já falei… Para quê sair de um clube e de um país onde sou acarinhado e amado já, se para o próximo mercado de Verão os outros clubes continuam lá? Tudo tem o seu tempo, e o da minha partida irá chegar, mas não pra já!
- E o facto da sua namorada ser portuguesa tem alguma coisa a ver com esse desejo de permanecer por cá?
- Em relação à minha vida pessoal não me vou pronunciar, somente posso dizer que tenho em Portugal pessoas que amo muito e que também me amam, lógico que prefiro então ficar o mais possível perto delas… Mas se tiver de partir não serão qualquer impedimento, pois os laços afectivos criados são fortes o suficiente para aguentar a distância!
- David, mas será qu…?
- Peço imensa desculpa, mas não tenho mais nada a declarar… - ele esboçou um sorriso e aquela imagem desapareceu-me dos olhos rapidamente”
Era óbvio que ver David mexia muito com ela, por muito que teimasse em dizer o contrário ou até demonstrá-lo. Pelo aspecto dele e pela maneira como falou ficou tão claro pra mim, como para Adriana, que a entrevista havia sido dada já depois da sua separação. Olhei-a um pouco a medo do cenário que iria encontrar e infelizmente este não foi o melhor. Aqueles dois olhos enormes, estavam esbugalhados, rasos de lágrimas e colados ao ecrã, apesar da imagem dele ter desaparecido há muito. O silêncio havia-se quase tornado constrangedor e a minha falta de acções embaraçosa. Queria ajudá-la, mas naquelas alturas ficava difícil saber como o fazer, pois a emoção acabava sempre por se sobrepor à razão, atrapalhando-me.
- Pequenina… - toquei-lhe levemente no ombro e acerquei o meu corpo calmamente, para não invadir o seu espaço assim de rompante e sem qualquer aviso prévio
- Ai, Ru… - a respiração de Adriana vacilou, ela fechou os olhos, baixou a cabeça e somente vi as lágrimas aterrarem a um ritmo fatalmente vertiginoso nas suas pernas
- Vem cá… Vem cá…
Os meus braços de irmão, ainda que somente de coração, ampararam-na e deram-lhe todo o consolo possível numa altura como aquela. Apertei-a com cuidado e fui sentido as lágrimas escorrerem-lhe pela face e morreram no meu ombro, onde a t-shirt ficou rapidamente coberta de gotas salgadas oriundas da alma.
- Shiu… Não chores, não chores, pequenina… - fui sussurrando pequenas palavras de incentivo, pensando que talvez a estivesse a ajudar, mas contrariamente ao que eu pensava, isso só despoletava em si um choro ainda mais descontrolado e sem fim iminente
- Ai, abraça-me, Ru… Abraça-me…! – pediu de uma forma desesperada e recorrendo à pouca força, de que os seus braços haviam sido dotados, para o fazer
Depois de alguns minutos de sofrimento, o seu choro foi substituído por um burburinho pesado, proveniente da sua respiração. Desencostei-a do meu corpo, olhei o seu rosto, ainda marcado pela dor e molhado pelas lágrimas, e constatei que adormecera assim… Nos meus braços. Nos braços do irmão mais velho, que ela nunca tivera, mas que aprendera a amar. Com algum esforço, mas não muito, pois a sua figura esguia e tonificada não o exigia, consegui pegá-la ao colo. Caminhei pelo corredor com a cadela, a Quimi, a andar em meu redor, quase que fazendo-me perder o equilíbrio. Pousei-a sobre a cama ainda desfeita, muito provavelmente desde manhã, pois Adriana não apresentava sinais de ter saído de casa naquele dia e ajeitei-a sobre as almofadas. Usei uma pequena manta no fundo da cama para a tapar e dei-lhe um beijinho na testa.
- Ru… - a sua voz rouca e recentemente desperta, invadiu a pequena porção de paz que nos envolvia
- Diz, pequenina… - mexi-lhe carinhosamente nos cabelos, usando-me dos meus dedos para os desviar do seu rosto
- Promete que não me deixas também… - pediu calmamente, o que me levou a crer que estivesse mais a sonhar, do que no seu pleno estado de consciência
- Prometo, é claro que eu prometo… - deixei os meus lábios beijaram-lhe a testa uma única e longa vez – Tens a minha palavra… - acrescentei num sussurro
- Obrigada… - respondeu-me em surdina e acabou por se entregar novamente ao cansaço emocional e físico de que foi vitima naqueles últimos dias
Beijei-lhe a face tépida e aconcheguei-a, puxando a manta mais para cima do seu corpo. Naturalmente, Quimera tomou a sua posição ao fundo da cama, enrocando-se nos pés de Adriana.
- Isso, Quimera… Toma conta dela enquanto eu estiver longe… - fiz uma festinha na região lombar da cadela, que crescia a olhos vistos, e saí do quarto, encostando a porta
De duas coisas eu estava muito certo! Uma delas era que Adriana estava irremediavelmente a sofrer de amor e quanto a isso, não havia nada que eu pudesse fazer. Era somente uma questão de tempo até ela conseguir adormecer aquele sentimento, deixando-o nos seus mais profundos calabouços, na esperança de conseguir viver melhor, aprendo a respirar outro ar, a ver outros seres, e a ser outro sentimento, para além daquele que se habituara no último ano e meio: David. E outra coisa sobre a qual tinha profundas certezas, talvez mais até do que da primeira, era que aquilo não podia continuar assim… Depois do que ela me contara acerca daquela tarde, não posso negar que uma certa raiva do meu manz, havia crescido dentro de mim, mas no entanto não lhe conseguia desejar nenhum mal ou até gostar menos dele. David podia ser meu melhor amigo, mas ela era a minha pequenina, e se ele estava a sofrer, aquilo que eu assistira na casa dela, nas últimas horas, nada mais era do que o perfeito retrato de dor e esse eu estava disposto a apagar, da forma que fosse, do jeito que tivesse que ser… E custasse o que custasse! Abandonei o condomínio dela com um destino muito certo: a casa dele.
Mais uma vez obrigada pelos 30 comentários, vocês são incansáveis! MIL OBRIGADAS, meninas! :)
Deixo-vos aqui mais um capítulo, espero que gostem e não se esqueçam de comentar!
Beijinhos
Drii
P.s - Não se esqueçam de visitar e comentar também: http://halfofmyheartfic.blogspot.com/

24 comentários:
lindo, lindo, lindo, lindo, meu amor!
eu é que tenho um orgulhão, gostosona!
te amooooooooooo <3<3<3<3
Um amigo às direitas!
O Ruben tem que pôr juízo na cabecinha do David... Este sofrimento... Ai , ai dá cabo de mim :b
parabéns pelo teu trabalho fantástico :)
beijinhos
Raquel
PS: não demores a publicar que estou curiosa p'ra saber o que o Ruben vai dizer ao David :D
Oie Oie !
Ameii!!!! Os teus capitulos estão cada vez melhores *_* !!!!!! Coitada da Adriana e do David *_* ! O Ruben tem de falar com o David , têm de convence-lo a lutar pela Adriana *_* !
Junta-os rapidamente é tao triste ve-los separados e tristes *_* !
Quero mais *_* !!!!!
Beijinhos*
Adorei, fez-me chorar, escreves super bem.
tao lindo. o ruben é mesmo como um irmao pra ela, e ainda bem pq ela precisa agora dele e muito :)
ESTA LINDO| ainda bem que ela tem o ruben, é mesmo como um irmao mais velho. e ainda bem pq ela precisa agora muito dele. :)
Nós é que temos de agradecer a possibilidade que nos dás em ler estes capitulos maravilhosos ... Cada vez melhor e cada vez mais viciante!
Fico à espera do proximo ;)
Bjs
Aaain o Ruben tão fofo *-*
Espero que ele consiga coloar juízo na cabeça desses dois teimosos ... Quero eles juntinhos tá ?
Vou esperaar anciosamente por mais um capitulo na segunda =/
Não tem que agradecer nada Drii , isso é só o RECONHECIMENTO do teu trabalho meu amor . Beijos !
Gabriela
Minha linda :)
Agora fiquei curiosa para saber o que o Ruben vai dizer ao David :P
Por isso posta rapidinho :)
Beijocas
Caty
P.S. desculpa n consegui comentar c a mha conta
Impressionante cada linha que escreves... perfeição na descrição da dor... com o final de um relacionamento tudo nos causa dor até uma simples comida, completamente verdadeiro, está fantástico.
É incrivel como transmites os sentimentos nas palavras.
Obrigada por nos ofereceres esta fic.
Beijinhos linda.
Estes capi'tulos estao estrondosos mesmo! Repletos de emoçao...De tudo e mais alguma coisa! Estao muito bons, eu adorei mesmo! :D
Continua!
Beijo :)
Desculpa a ortografia, mas o pc nao me deixa acentuar bem as palavras.
opá eu já não sei o que dizer...
fantástico mesmo!!!
continua!
:)
Confesso que este capitulo me surpreendeu, está diferente dos anteriores. É um capitulo de pura
amizade. Gostei muitíssimo.
Quanto ao que o Rúben poderá fazer ou dizer em casa do David, só espero que lhe dê tanto na cabeça que o David já não vá para o Brasil e comece já a andar atrás da Adriana para conseguir o seu perdão. E como os homens são, um 'abre-olhos' no David não lhe fazia mal.
Quanto ao Rúben, gostei da atitude dele em ir à casa da Adriana, embora também fosse um pouco tarde de mais.
Vá lá Drii, junta-os rapidamente *.*
Beijinho e parabéns (mais uma vez).
Este Ru, é sem duvida um grande amigo, e ela bem precisa.
Como não é de estranhar o capitulo está sensacional, a descrição do que a Adriana sofre num momento como este é tão real!!
Continua, sempre!!
Beijinho
Lindo mesmo! Esta cada vez melhor Adriana :)
Continua, vais ter sempre o nosso apoio ;)
Muitos beijinhos
Rita Nunes
Está tão perfeito, ainda bem que o ruben apareceu e confortou a Adriana.
Estou ansiosa para saber o que lhe vai dizer ao David.
Não nos faças esperar muito.
Beijinhos Drii
Estou mesmo sem palavras....
Está lindo mesmo. Estou farta de chorar :$
Consegues mesmo cativar o leitor.
Quanto a este capítulo, o Rúben é sem duvida o anjo da guarda da Adriana e é muito bom quando temos perto de nós um amigo como ele e eu posso prová-lo. Não tenho o "Rúben" mas tenho um amigo muito importante.
Beijinhos Drii
adorei dri mas esta a ser muito repetido pk estramos a morrer de coriosidade mais e espero ke fikem juntos
bem tá fantastico...
quero mais...
continua...
Amo tanto *-*
http://nemsemprevivercusta.blogspot.com/
Lindo como sempre! :D
Publica mais, please!!! *.*
Quando é que publicas mais, preciso mesmo de ler...
Continua o excelente trabalho! xD
Drii quando publicas mais? estamos ansiosos . sê rápido pf . beijinhos e parabéns !
oh meu deus. nao sei pq mas to a chorar, deve ser por conseguires por tanta emoção num só capitulo, o que é impressionante, e mais, tb é impressionate como tudo é tão real.
Parabéns :') continua assim pf!
Bjs, Alexa
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